História Alma de Dragão - Capítulo 2


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Tags Ação, Amizade, Amor, Aventura, Dragão, Fantasia, Fantasy, Magia, Misticos
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - I - Um estranho no ninho


Fanfic / Fanfiction Alma de Dragão - Capítulo 2 - I - Um estranho no ninho

Quando Nathan Sidrake completou onze anos, conviveu somente mais cinco meses frios da Província Sul em sua escola com os amigos que fizera durante os quatro anos em que estudou naquele lugar. As instituições populares de ensino ao sul da Montanha do Anoitecer Agradável não possuíam os melhores ensinos como as privadas da Província Leste, tampouco quanto as privadas do Sul, mas isso não era problema para Milou, sua mãe, que se importava muito com o ensino de Nathan, mas que se importava ainda mais com sua segurança, por esse motivo praticamente implorou para que seu esposo, Ferdinand I'Fidden, o matriculasse na escola próxima do conjunto em que moravam.

A família de Nathan Sidrake possuía uma história bem confusa aos ouvidos de quem os conhecia pela primeira vez. Ferdinand I'Fidden era esposo de Milou I'Fidden, ele a conheceu quando foi trabalhar no Mercado Popular Sulista como vendedor de frutas e ervas-tempero. Não era um homem muito robusto, sua pele mais escura causava estranheza para alguns de seus clientes, mas ele os ganhava dizendo ter vindo da Província Oeste, onde aprendeu a ser vendedor em uma loja de produtos domésticos feitos de vidro. Seu encontro com Milou aconteceu por uma causalidade, pois o pai dela, avô de Nathan, Oliver Braggen, era quem sempre ia ao mercado todas as manhãs para comprar os mantimentos, porém naquele dia ele estava adoecido, o que fez com que Milou deixasse os cuidados da casa e fosse com Nathan, com somente dois anos na época, ao mercado no lugar de seu pai.

Milou já tinha Nathan como filho quando se casou com Ferdinand I'Fidden, ela havia sido noiva de Albertch Sidrake, porém ele desapareceu na madrugada da Rebelião da Meia-noite, mesmo assim ela assumiu o sobrenome de Albertch e o pôs em seu filho.

Quando Ferdinand pediu a mão de Milou, Oliver Braggen só permitiu com a condição de que deixassem em Nathan o pós-nome Sidrake, explicando que o garoto não era filho de Ferdinand e que ele acreditava que seria bom lhe deixassem com o pós-nome Sidrake, que era a raiz de seu sangue. Ferdinand não contestou, achou justou o pedido do Sr. Braggen, como o chamava, e se casou com Milou, que assumiu o pós-nome I'Fidden.

Aos onze anos Nathan já havia entendido que aquela era sua família, mas que ele não era um I'Fidden ou tampouco um Braggen, era um Sidrake. Enquanto crescia e formava entendimento sobre si, perguntava muito sobre seu pai, chegou a contestar Milou para que trocasse seu pós-nome para I'Fidden no dia do nascimento de sua irmã, Abby I'Fidden e novamente quando começou a estudar e os garotos caçoavam dele o chamando de "descendente de Sidrake, O esquecido". Milou porém lhe explicou que seu pai sumira na madrugada da Rebelião da Meia-noite, ele havia saído mais cedo para resolver algo que ela não se lembrava e acabou por não voltar.

- Você não deve se envergonhar de seu pós-nome, Nathan. – lhe disse Milou, sempre tida como a otimista dos Braggen, como diria Oliver. – Pense que diferente deles, você é único.

- Mas mãe, eles dizem que também serei esquecido. Não quero voltar para aquela escola. – chorava o garoto. - Por que não posso ser I'Fidden como Abby ou ter o pós-nome de meu avô? Eu posso ser um Braggen e aprender a fazer selas.

- Meu filho, você não está olhando o lado bom de sua história. Você possui o sangue dos Braggen, Os bela selas e de Sidrake, Aquele que ajudou o Dragão. Deve se ver como único, pois os outros o olham assim e talvez sintam inveja e por isso caçoam de você.

Para uma criança de oito anos, como tinha Nathan quando sua mãe lhe disse isto, não é algo simples de se entender, muito menos algo que ele gostaria de ouvir naquele momento, porém ele não mais questionou sobre isso ou sobre seu pai, estudou os quatro anos do ensino primário e agora, aos onze, se encaminhava para os ensinos secundários em um colégio, e este assunto foi o que gerou a discussão naquela noite entre sua mãe e Ferdinand.

Milou novamente queria que Nathan fosse ao colégio próximo do conjunto, "era popular, mas era seguro.", defendia ela quando Ferdinand lhe falou em pôr Nathan em um outro privado ao norte da ponte, na base da montanha.

- Não percebe a loucura que está falando, Ferdinand? – dizia ela com descredito. – Não possuímos dinheiro para manter um ensino privado, além do mais, Nathan precisaria caminhar todos os dias até a base da montanha, como acha que uma criança se sentirá após praticamente uma hora de caminhada?

- Você que não está me ouvindo, já falei que dinheiro não será um problema. – disse Ferdinand com a boca cheia após abocanhar um pedaço da coxa de frango assado que segurava.

- Como não será um problema? – ela bateu com força suas mãos na mesa largando seus talheres no prato. – Papai já não tem tantos serviços como quando nos casamos, sei que tem um bom emprego vendendo carnes no mercado para o Coran Ojuar, mas temos que comprar mantimentos para nós e nosso único cavalo, que ainda estamos pagando, sem falar das vestimentas, Abby irá para o seu segundo ano no primário, também precisará de materiais de estudo e o fardamento da escola. Você quer colocá-lo em um colégio privado que deve possuir materiais com o triplo do preço, como acha que iremos pagar tudo isto e ainda o manter pagando?

- É melhor que eu estude ao sul da ponte, pai. É mais próximo de casa e assim mamãe não ficará preocupada e não faremos dividas. – disse Nathan, temeroso por se intrometer na discussão, mas seu desejo era que parassem e terminassem suas refeições em paz. Seu avô o olhou com repressão, engolindo uma colherada de sua sopa, para que se mantivesse calado e somente ouvisse.

- Como eu já disse, - Ferdinand limpou sua boca e suas mãos e se recostou na cadeira. – dinheiro não será problema. Querida, entenda, este colégio possui uma forma de ensino melhor do que qualquer outro próximo de nossa casa.

- Como possui o melhor ensino se nunca nem ouvi falar dele? – Milou retirava a janta da mesa. - Nem se quer soube de alguém de nosso conjunto que tenha tido um filho matriculado lá.

- Talvez por que seja ao norte da ponte, após o centro e bem na base da montanha. – Ferdinand gesticulava apontando a direção. - É um pouco distante de onde moramos, eu sei, mas veja bem, me contaram que lá estudam somente os filhos de Coran's e os do nosso Mox Jyor D'Vian.

- Não irei mandar Nathan ao outro lado do rio por que simplesmente você ouviu mais uma história boba nestes encontros que tem com seus amigos.

Milou era uma pessoa otimista e muito bondosa, não conseguia ver muita maldade nos outros e achava que sempre mereciam uma segunda chance, como a maioria dos nascidos no sul, tinha os cabelos negros, olhos claros da cor de mel que davam-lhe uma feição bondosa em conjunto com a sua pele branca e macia, mas sempre perdia a paciência quando o assunto era a segurança de seus filhos.

Ferdinand possuía a pele um pouco mais escura que Milou e o povo do sul por ser da Província Oeste, onde o sol demorava a se pôr e o deserto era extenso, como costume dos homens de seu povo, tinha os cabelos rasteiros, seus olhos eram de cor castanho-escuros e, como todo bom vendedor, tinha feições simpáticas e amigáveis.

- Mas, não foi nenhum amigo meu que me contou algo. – argumentava levantando da mesa e indo até o jaleco que usava para trabalhar. – Eu recebi um homem, cliente novo, no açougue hoje pela manhã, para puxar um assunto e o fidelizar eu perguntei se ele tinha filhos, me respondeu que não e eu acabei lhe falando que estava à procura de um colégio para o meu mais velho. – ele pega um envelope e retorna a mesa.

- Como assim você já foi falando sobre isso com um estranho? – Ela retrucou enquanto lavava a louça.

- Eu não sei querida, - Ferdinand parecia já está se zangando com tantas perguntas. – sabe o que dizem, a boca dispara aquilo que mais ocupa a mente, estamos a algumas semanas procurando um colégio para Nathan mas todos parecem já estar cheios, acabei perguntando ao homem se não conhecia algum com vagas disponíveis e parece que ele havia sido enviado pelos Grandes Seres por que me falou que era meu dia de sorte pois tinha consigo a ficha de inscrição de um colégio privado que havia ganhado, e como não tinha filhos pensara em vende-la, mas se compadeceu após ver minha preocupação.

- E você já foi pegando e nem se perguntou de onde ele era ou como havia ganhado aquela ficha? – Contesta Milou o interrompendo, saindo da cozinha e pegando o envelope sobre a mesa. – Deixe-me ver isso aqui. Você não mudou nada nesses anos querido, sempre agindo por impulso. - ela abriu o envelope e tirou de dentro uma folha que, como já imaginava, estava preenchida.

Ferdinand parecia desconcertado por já imaginar a reação de Milou, tentava falar, mas as palavras pareciam não sair por que sabia que para ela, ele estaria errado.

- Isso é a ficha de inscrição do colégio? – perguntou ela surpresa ao notar os detalhes no papel, o emblema desenhado em vermelho de um sol nascendo atrás de uma montanha passava pra ela uma impressão do quanto poderia ser caro, aquilo não era nada típico para quem preencheu somente fichas populares por quatro anos. – Instituto Novo Amanhecer? E você já preencheu, como assim? – Ela foi até seu pai, Oliver Braggen, que estava sentado na outra ponta da mesa ainda saboreando sua sopa. – Papai, está vendo isso? Diga algo. – Milou buscou a palavra de seu pai por que sabia que Ferdinand respeitaria a opinião dele, tanto por ser mais velho quanto por ser seu sogro.

Oliver Braggen já era um homem de sessenta e oito anos, de baixa estatura, tido como idoso por sua aparência, bigodes e cabelos grisalhos, tinha a mesma cor de olhos que Milou, os sulcos em sua testa de tanto franzi-la quando estava pensando lhe dava um ar sério e respeitador, era muito sábio e exímio contador de histórias e parábolas. Energético, não gostava de ser chamado de velho, estava sempre trabalhando em sua selaria ou testando as selas no cavalo, de nome Bounce, e fez questão de ensinar Nathan a cavalgar desde que ele havia aprendido a andar para ajuda-lo nesta tarefa, queria lhe ensinar a fazer selas mas Milou não apoiava muito, queria que Nathan estudasse para trabalhar em algo que não o colocasse em perigo.

- O que está feito, está feito. – disse Oliver, com seus olhos quase fechados, após sugar e engolir o macarrão deixando seu bigode com várias gotículas do caldo da sopa. – Se Ferdinand acha que pode manter Nathan e a casa, não vejo problema.

- Mas Papai, se ficar do lado dele, Nathan acabará tendo realmente que ir estudar neste colégio, e o problema não é só o custo, ainda tem a questão de ser do outro lado do rio, na base da montanha, uma hora de caminhada na ida e na volta, Nathan é uma criança como acham que ele aguentará essa mesma jornada até o fim do ano? – ela entonou a voz, o que fez Oliver a olhar com seriedade, aquilo pra ele era desrespeito, mesmo que já fosse casada ainda era sua filha.

- Acha mesmo que pode manter o garoto e a casa, I'Fidden? – perguntou Oliver, para tentar acalmar Milou.

- Como falei Sr. Braggen, o dinheiro não será problema. – Ferdinand se recostou sobre a mesa e começou a explicar novamente, Milou tentou interrompê-lo mas foi impedida por Oliver, que sinalizou com a mão e a olhou novamente para que se calasse e ouvisse. – Essa ficha é especial para alunos que não podem custear seus estudos, ela arca com todas as despesas, só precisaremos preenchê-la e Nathan deverá leva-la no primeiro dia de aula. Não devemos nos preocupar com nada, assim me disse o cliente.

- E quanto a ida e volta de Nathan? – instigou Oliver.

- Como ele precisará sair mais cedo, vai comigo até o mercado e eu o atravesso pela ponte, creio que após ela já não haja mais tanto perigo, na volta eu o espero e viremos juntos para casa. Ele é um garoto experto que logo se tornara um homem, – Ferdinand bagunçou os cabelos de Nathan, que ainda comia o frango assado sentado ao seu lado. – saberá se virar, não é garoto?

- Parece que ele já pensou em tudo, filha. – disse Oliver calmante mexendo o caldo, tomou uma colherada e quando terminou, olhou para Milou e disse. – Ele quer o melhor para Nathan, acho que você entende isso, afinal é um desejo seu que ele arranje algo para fazer sentado atrás de uma mesa, seguro por quatro paredes, não é?

- É, mas eu me preocupo com ele e... – tentou argumentar Milou, mas foi interrompida por seu pai e o sorriso no rosto de Ferdinand.

- Então está decidido, o garoto irá estudar no colégio e não se fala mais nisso. – Ele bebeu todo o caldo restante direto da borda da tigela, a pôs na mesa, satisfeito e encerrou a conversa dizendo: - O jantar estava ótimo! – disse ele empurrando a tigela vazia para o rumo de Milou, que parecia indignada por ele ter concordado com Ferdinand, mas não mais discutiu, pegou a tigela e foi lavá-la.

Poucas foram as vezes em que Oliver concordava com Ferdinand em algum assunto, pois ele sempre acabava vendo um problema mais à frente que seu genro por impulsividade acabava por não enxergar. Nathan era uma criança para poder dizer se aceitava ou não a decisão que tomaram, então somente terminou seu jantar lentamente como sempre fazia e quando terminou esperou sentado à mesa que Abby terminasse com sua sopa para ela poder levar a louça da mesa para sua mãe e ajuda-la, ela já tinha oito anos, ainda não podia ajudar com as tarefas pesadas mas Oliver dizia que deveria aprender desde cedo a cuidar da casa, por isso Milou a começou a instruir com tarefas mais simples.

Nathan era uma criança franzina, magro, herdou a pele branca da mãe e os olhos em cor de mel, cabelos negros que caiam sobre sua testa e cobriam metade de sua orelha, Milou dizia que ele se parecia muito com o pai, como ele não o conhecia não fazia diferença saber. Por sempre estar com seu avô na selaria após chegar de sua escola, aprendeu a ter princípios e ser conservador, Oliver Braggen era muito tradicional quanto a ser um homem e sobre uma família, logo Nathan tinha os mesmos pensamentos e ficava muito sério quanto a isso.

Abby se parecia com Ferdinand, o mesmo tom de pele mais escura de que a da sua mãe, seu avô e seu irmão, mas os olhos eram os mesmo castanhos cor de mel dos Braggen, desde cedo era muito audaciosa e cheia de manias, Oliver sempre dizia que era impulsiva como o pai mais muito chorona como a mãe.

Após o jantar os homens sempre ficavam sentados à mesa, enquanto as mulheres terminavam os afazeres na cozinha, conversando sobre o dia e ouvindo as histórias de Oliver.

- O que houve, Nathan? – perguntou Ferdinand ao perceber Nathan cabisbaixo.

- Não é nada. – respondeu se esquivando, mas notou o olhar continuo de Ferdinand e continuou. - É só que, bom, sinceramente eu não queria deixar minha atual escola. E deixá-la por outra da qual nunca ouvi falar faz tudo ser bem pior.

- Mas sua antiga escola só possui ensino primário, entende isso, certo?

- Sim, mas, é que já faziam quatro anos que eu estudava nela, achava ela ótima. – Nathan ficou empolgado. - Eu não era popular, mas possuía vários amigos. – sorriu envergonhado e seu avô gargalhou. – E agora vou sair para o desconhecido e ter que fazer outras amizades, isso não me parece uma boa ideia. Afinal, eu não sei o que vou encontrar por lá e isso me deixa com muitas dúvidas e incertezas.

- Nate, é só um colégio. – disse Oliver. – Sei que para o seu tamanho essas preocupações são enormes, mas você vai ver que todas se resolverão assim que chegar lá em seu primeiro dia de aula.

Nathan manteve-se calado e apenas consentiu.

- Melhor eu ir me deitar. – ele não estava muito animado de continuar com aquela conversa, mas Oliver, recostando-se sobre a mesa não deu tanta importância ao que seu neto dissera.

- Sabem, eu aprendi que – Ele deu uma pausa e começou a tamborilar os dedos na mesa. – o novo, nem sempre é tão ruim, às vezes ele pode ser mais do que surpreendente.

- O que quer dizer com isso, vovô? – perguntou Nathan confuso.

- Amanhã eu explico, se despeça de sua mãe e Ferdinand e vá dormir. – Oliver por fim achou que era melhor deixar o garoto ir para cama, pensar antes de dormir o faria se acostumar com a ideia, acreditava ele.

Milou beijou sua testa como fazia todas as noites e lhe perguntou.

- Sem lenda hoje, filho?

- Sim mãe, - respondeu Nathan com o olhar abatido. - já estou bem cansado e se já estou homem para ir além da ponte devo ir me acostumando a dormir sem historinhas.

- Então que os Grandes Seres lhe deem uma ótima noite. Eu te abençoo.

***

Nathan estava sentado na beirada da selaria, observando o movimento de pessoas na rua e aproveitando o dia ensolarado, refletindo sobre tudo que havia ocorrido, toda a discussão sobre o colégio e principalmente sobre o quão ficaria cansado por ir e vir todos os dias, isso o frustrava.

Aquele era o mês da Serpente, o décimo segundo do ano 852 e todos do sul se preparavam para a chegada do novo ano e do mês da Luz, em três dias. Nathan havia se despedido de vários amigos na cerimônia de formação primária da sua antiga escola e talvez não os fosse ver mais, no máximo se comunicaria pelos telefones da estação de seu conjunto, era o único meio de comunicação rápida entre as províncias de toda a Ilha Extensa.

- No que está pensando, Nate? – perguntou Braggen pegando seu frisador de couro preso a parede.

- Muitos amigos meus viajaram para outras províncias, talvez eu não os vejo no festival. – Nathan olhava o céu, azul e com poucas nuvens, nem parecia que o clima havia esfriado trazendo os ventos do norte.

- Está se sentindo sozinho? – instigou Oliver, seu avô.

- Um pouco, - respondeu Nathan, cabisbaixo. – sei que estou rodeado por todos aqui em casa, são minha família, mas sinto falta de nesse horário estar correndo no campo da escola com meus amigos. – ele vai até seu avô para ajudá-lo a ajustar o couro da sela que montava e continua. - Eles foram encontrar parentes e comemorar o fim de ano, outros meio que se afastaram e criaram novas amizades, alguns acabaram se mudando para cidades na Província Leste.

- Muitos estão indo atrás de novas oportunidades lá por ser a região mais rica de toda a Ilha Extensa.

- Mamãe sempre diz que somos agraciados pelos Grandes Seres por morarmos no sul.

- O sul possui as melhores terras para se plantar, criar gado... Para os que vivem as margens do mar, em Porto da Salvação, ainda podem desfrutar da pesca. Mas o leste, - Oliver espreguiçou-se, pegou o caneco na mesa e o encheu com água. – enriqueceram com as grandes minas, o ouro, metal, aço, alumínio, carvão, esse copo por exemplo, veio de lá. Os grandes Coran's de lá são mestres em trabalhar com estes recursos.

Os dois são interrompidos quando escutam um assobio seguido de palmas frente a Selaria dos Bela Selas.

- Bom dia, meu jovem. – Oliver cumprimenta com estranheza o rapaz montado em um cavalo magro, vestido com a farda daqueles que trabalhavam na estação telefônica. – Alguma ligação pra mim?

- Bem, na verdade não Sr. Braggen, a ligação é para o Sr. Nathan Sidrake.

- Mas é meu neto, - responde Oliver surpreso, era estranho e um tanto suspeito que um garoto de onze anos recebesse ligações de outra província. – quem o procura?

- Foi mandado o recado para que ele esteja lá no início das segundas horas da manhã para receber o telefonema.

- Mas quem pediu? – insistiu Oliver, mas o rapaz no cavalo não deu importância, puxou as rédeas e partiu.

- Oras, esses mensageiros da estação são péssimos, - resmungou entrando na selaria. – vá buscar Bounce, Nate. Iremos a estação telefônica.

- Clientes de qual província, vovô? – perguntou Nathan entusiasmado, quase nunca acompanhava seu avô em visitas para clientes ou mesmo quando iria a estação.

- É o que iremos descobrir, traga logo Bounce para que eu o sele.

Oliver Braggen levou Nathan até a estação telefônica pensando em quem de outra província teria um assunto para tratar com uma criança de onze anos.

- Telefone para Nathan Sidrake! – avisou o atendente da estação, trabalhava só em uma sala com cinco telefones, tinha um rosto estressado e impaciente por ter de atender várias ligações todos os dias.

- Estou indo. – Nathan se levantou rapidamente e foi até o telefone, estava surpreso, olhou para seu avô buscando respostas de quem poderia ser, mas seu avô estava mais curioso do que ele.

- Oi, Nathan, tudo bem?

- Oi, tudo bem...– Era a voz de uma garota, o que o surpreendeu ainda mais, principalmente por não fazer à mínima ideia de quem fosse.

Seu avô o olhava fixamente buscando respostas.

- É a Mayu. – riu sem jeito. – Estou ligando da cidade de Haggam, chegamos hoje pela madrugada, depois de quatro dias de viagem, na Província Leste.

Nathan estava extasiado, jamais pôde imaginar que teria sucesso com alguma garota de sua antiga sala de aula, ele já se interessava por elas mas nunca tinha ficado com alguma.

- Ei, Nathan, está aí?! – perguntou Mayu após o longo silêncio dele, que olhava para seu avô buscando um socorro sobre o que dizer ao telefone para uma garota, mas Oliver estava mais confuso ainda, tanto por não entender o olhar do neto quanto por não saber quem o ligara.

- Ah, sim! Estou sim! Desculpe. Como foi a viagem? – perguntou tentando não demonstrar sua alegria e surpresa. "Uma garota linda está me ligando." Pensava entusiasmado.

- Foi bem cansativa, eu confesso, mas adorei andar de trem, chegamos mais rápido do que imaginei. – Mayu falava eufórica, respirando rapidamente como se estivesse nervosa ou apressada, afinal as ligações tinham um custo alto, por isso eram usadas somente em assuntos de grande emergência e importância.

- Nossa, eu não sabia que haviam inaugurado a ferrovia. – respondeu, tentando manter assunto. Receber a ligação de uma garota com sua idade o procurando era umas das melhores coisas que poderia ocorrer se não, a melhor, imaginava Nathan. - Quanto tempo levava antigamente? – perguntou.

- Antigamente levávamos dezessete dias a cavalo para poder chegar, lembrasse? – ela falava apressadamente e com rápidas respirações, ria sempre que terminava uma frase. - Essa sim era uma viagem cansativa.

Nathan sabia sobre a ferrovia, houve uma grande festa pelo fato da linha ter chegado após cinco anos na Província Sul e seu avô repetiu isso várias vezes enquanto contava suas viagens quando mais novo.

- Bom. Eu estou ligando pra você... Por que eu... Eu.... – ela pareceu nervosa para Nathan, suas expectativas sobre o que ela diria o deixou com a respiração mais densa e o olhar mais fixo ainda em seu avô.

- Você? – instigou o garoto, ansioso em ouvir os motivos que ela lhe daria, pensar nisso fazia com que seu coração batesse freneticamente, sentia como se fosse ter um enfarte.

- É por que eu estou com saudades. – as palavras soaram como se ela se libertasse do peso de um segredo. – Estou morrendo de saudades e não aguento mais. – repetia como se não acreditasse que finalmente havia falado.

Um sorriso surgiu no rosto de Nathan, sua felicidade era tamanha que fez com que Oliver Braggen também sorrisse, desconsertadamente e sem entender a felicidade de seu neto.

- Nossa, Mayu eu também...

- Não sei mais o que fazer. Nathan, você tem que me ajudar – interrompeu a garota.

- Calma Mayu, creio que logo nos...

- Você tem que me ajudar a falar com o Kats.

- Kats? – Nathan praticamente cuspiu o nome ao pronunciar.

- Estou morrendo de saudades dele. – falava desesperada.

- Kats? Fala de Kats Uragg, o estrangeiro do oeste? – perguntou rindo envergonhado, Oliver sentiu a decepção em seu rosto e não mais o encarou. - É dele que está falando?

- É, você ainda fala com ele, não é? – ela agora estava confusa ao perceber a mudança no tom de voz dele.

- Bem, ele também está viajando. – explicou desanimado. – Voltou para a casa de seus pais na Província Oeste.

Mayu se calou por alguns segundos e Nathan pôde ouvir quando um homem pediu que se apressasse.

- Ele não me disse nada. – sua voz agora carregava o peso de seu coração partido. Nathan notou sua tristeza mas não deu tanta importância, sentia-se ainda como uma criança que não devia dar tanto valor ainda a relacionamentos. - Bom, tudo bem, então. – ela suspirava em cada fim de palavra. – De qualquer forma, muito obrigado Nathan.

- Por nada, divirta-se! – ele olhou para seu avô, que agia não dando importância para sua conversa.

- Obrigado, até logo. – ele jurou ter ouvido ela chorar, mas novamente não deu importância. - E, Nathan? Quero que saiba que eu nunca liguei por ser descendente de Sidrake, O esquecido.

- Adeus, Mayu. – desligou irritado.

- E então, quem era? – Perguntou Oliver.

- Uma garota idiota, espero que não me ligue nunca mais.

- Já se decepcionando com mulheres? – Oliver gargalhou, se despedindo do atendente da estação, que mal o olhou. – Começou cedo, você vai amadurecer rápido, meu jovem.

- Vamos embora, vovô. Mamãe já deve estar fazendo nosso almoço.

Oliver gargalhou ainda mais, riu tanto que esqueceu da frustração por não ser o dono da ligação. Nathan, por outro lado, voltava calado, decepcionado e com raiva por ter ouvido sobre Sidrake, O esquecido. E a alegria de seu avô não o ajudava a esquecer, pelo contrário, o enfurecia ainda mais.

Quando chegaram, Nathan levou Bounce até o lugar em que ficava, pequeno com uma cobertura para o proteger da chuva e dos ventos, de lá pôde ouvir sua mãe reclamando com seu avô.

- Como o senhor leva meu filho, sabe-se lá para onde, sem me avisar? – Milou falava com seu pai como se fosse uma criança, ele a olhava seriamente, mas entendia sua preocupação.

- Não tivemos tempo para avisá-la, o mensageiro da estação chegou e só tivemos tempo de selar o cavalo e ir. – respondeu Oliver, com calma e seriedade, para que Milou diminuísse seu tom de voz assim como ele.

- Se ia atender a ligação de um cliente, por que precisou levar Nathan? – reclamou tentando ser mais calma.

- O levei por que a ligação não era para mim, era para Nate. – respondeu deixando escapar um sorriso.

- Como assim, quem queria falar com você, Nathan? – questionou Milou enquanto Nathan tirava os sapatos na entrada da porta. – E que cara é essa?

- Não era ninguém importante, mãe. – ele tentou fugir do assunto, mas isso nunca dava certo, Milou era incrivelmente insistente.

- Não fale assim, Nate. Conte para sua, mãe sobre a garota. – Oliver bateu a mão nos ombros de Nathan, o riso em seu rosto deixava claro o quanto aquilo parecia engraçado para ele.

- Garota, que garota? – a preocupação de Milou já não existia, sendo substituída pela curiosidade.

- Era a Mayu. – respondeu baixo e rapidamente, mas sabia que se dependesse de seu avô, aquele assunto duraria por semanas.

- Mayu? Não me lembro dela, estudaram juntos? – insistiu Milou.

- Sim, ela estava querendo falar com o Kats, o estrangeiro do oeste. - explicou, sentando-se a mesa. – O que temos para o almoço?

- Bom, o almoço ainda não está pronto. – Milou respondeu da cozinha, abrindo as tampas das panelas no fogo, o cheiro do curry se espalhou por toda a casa.

- E onde está Abby? – perguntou Nathan.

- Saiu com seu pai, ele não foi ao trabalho hoje, precisava ir além da ponte, no centro, para resolver assuntos com Coran Ojuar. – explicou ela.

- Bom, eu não irei esperar por eles, vamos comer, Milou. – disse Oliver sentando a mesa.

Nathan almoçou emburrado, por seu avô o ficar encarando com um sorriso, Milou também achou toda aquela história engraçada mas tentava não deixar transparecer.

- Mãe, por que chamam Aquele que ajudou o Dragão, de Sidrake, O esquecido? – perguntou triste.

- Bom, meu filho, é que os Sidrake praticamente desapareceram da nossa província a muito tempo. Foi uma benção dos Grandes Seres por eu ter encontrado seu pai e ter tido você.

- Não acho que ser filho de um Sidrake seja uma benção dos Grandes Seres, sou o único em toda a Província Sul, isso faz de mim um Sem Linhagem. – interrompeu Nathan.

- Nunca mais diga isso, está me entendendo, Nathan? – disse ela zangada, Oliver se levantou da mesa e foi para a sala, achou certo que não deveria se intrometer. – Você não é um Sem Linhagem que vive nas ruas abandonado, eu sou sua mãe e seu pai não vive conosco por que os Grandes Seres o levaram para si na Rebelião da Meia-noite. Você é descendente de Sidrake, Aquele que ajudou o Dragão. Não aceite que o chamem de esquecido ou Sem Linhagem, está me ouvindo, Nathan?

O garoto ficou calado, com a cabeça baixa e tamborilando os dedos na mesa.

- Me responda! – gritou ela, já chorando.

- Sim, mamãe. – Nathan segurava as lágrimas, odiava ver sua mãe chorando, mas sua raiva era maior que sua comoção.

- Eu amo você, meu filho. – o abraçou, as lágrimas molhavam os ombros de Nathan.

- Eu também amo você, mamãe. – ele não conseguiu conter as lágrimas sendo envolvido nos braços de Milou, que o apertava como se sentisse medo de perde-lo caso o soltasse.

Milou o olhou nos olhos, sorrindo ainda com as lágrimas correndo por seu rosto.

- Você é um garoto muito forte, tenho orgulho de você. – disse levantando-se – Seu pai também sentiria se estivesse aqui. – ela agora parecia aliviada, vendo Nathan enxugar o rosto, para ela aquilo era um sinal de que ele havia entendido e se acalmado.

- Tudo bem, eu vou pro meu quarto, qualquer coisa me chamem, o senhor também, vovô.

- Pode deixar, garoto. – respondeu Oliver.

Nathan entrou em seu quarto e somente encostou a porta, sabia que se fechasse preocuparia mais ainda Milou. Ele deitou-se em sua cama, ainda sentia raiva mas não queria que sua mãe continuasse aquela conversa, os céus naquela tarde molharam a terra enquanto Nathan molhava o tecido de seu travesseiro por se sentir abandonado, sentia-se sozinho como um Sem Linhagem, seus olhos então pesaram e ele caiu em um breve sono.

Ele sonhou que estava estava em um lugar escuro, não conseguia ver nada, apenas ouvir o som de pingos em poças d'água, podia sentir o cheiro de terra molhada e a sensação de que era firme como rochas.

- Olá, tem alguém aí?! – sua voz ecoava como se eu estivesse em uma caverna. – Onde eu estou? O que está acontecendo? – sentiu o calafrio subir por sua espinha e arrepiar sua pele. - Estou sozinho... Mãe? Vovô? Abby? Ferdinand?

- Fraco... – uma voz ecoou estrondosamente dentro daquele lugar sombrio.

- Fraco? – perguntou Nathan, confuso. - Quem é você?! – gritou com a voz falha.

Ele se encolheu exatamente onde estava, protegendo-se do desconhecido, o medo o fazia sentir o frio penetrando seu corpo, como uma criança Sem Linhagem, desamparada, ele baixou sua cabeça e começou a chorar.

- Fraco... – novamente a mesma voz, branda e ameaçadora, correu por entre as paredes da caverna.

- Me deixa em paz! – Nathan levantou seus olhar entre seus braços, pôde sentir uma brisa fria como os ventos do norte soprando em meu rosto.

- Fraco! – gritou a voz, um som ensurdecedor seguido por um vento forte jogou Nathan para longe, o susto e o medo o fizeram acordar levantando rapidamente, sem fôlego, seu coração batia tão forte que imaginou que iria sairia de seu peito. "Estou bem, foi só um sonho." Apoiou sua cabeça em sua mão, aliviado.

- Nathan?! – Milou o surpreendeu abrindo a porta.

- Oi, mãe.

- Está tudo bem, está suado, andou tendo pesadelos? – insinuou, preocupada.

- Acho que sim. – gaguejou, lembrando-se da sensação do vento impetuoso batendo em seu corpo.

- Tome um banho e venha para a mesa, o jantar está pronto e Ferdinand tem uma notícia ótima para lhe dar. – ela sorriu.

No banho, com os olhos fechados, ouviu nitidamente a mesma voz de seu sonho o chamando de fraco. Baixou sua cabeça. A escuridão, a voz e o vento, nada naquele sonho parecia ter sentido para ele, isso o assustava.

- Nathan, já estava indo ver se estava tudo bem. – disse Ferdinand voltando a sentar-se à mesa.

- Está tudo bem, eu só estava no banho. – explicou e foi seguido por Oliver colocando o braço em seus ombros.

- Deixe o garoto, I'Fidden, ele está nas fases de descobrimento, aprendendo o que é bom. – Oliver balançou a mão e gargalhou. - Mas vai com calma, Nate, a garota do leste pode um dia retornar.

- O que?!– indagou, envergonhado e irritado.

- Não se preocupe, garoto, eu e I'Fidden já passamos por isso. – disse puxando a cadeira e se sentando. – É totalmente normal um garoto da sua idade bater uma de vez em sempre. Não é I'Fidden?

- Não me coloque em maus lençóis, Sr. Braggen. – respondeu Ferdinand com um sorriso torto.

- Papai!? – advertiu Milou. – Abby está bem ao seu lado.

- Ela ainda não entende nada disso, não é mocinha? – Braggen bagunçou os cabelos de Abby, que sorriu.

- Papai trouxe um presente para Nat, vovô. – expôs a pequena garota.

- Que presente? – questionou Nathan, curioso.

- Bom, eu queria contar depois do jantar, mas nós temos uma mocinha tagarela na família, não é? – brincou I'Fidden. – Fui até o Coran Ojuar hoje lhe contar sobre Nathan e sua nova escola e perguntei se havia como ele me ajudar, de alguma forma, então ele me emprestou um de seus cavalos, bem maior e mais robusto que Bounce, para que Nathan não precisasse ir a pé.

- Que ótimo! – Nathan expressou um largo sorriso ao se imaginar montado em um cavalo robusto. – Montarei como um soldado da Milícia.

- Na verdade, - contestou I'Fidden. – quero que vá com Bounce, já está acostumado a montar nele e este cavalo de Coran Ojuar é bem maior, pode ser mais perigoso, sabe que sua mãe acharia isso.

- Não me venha com essa desculpa. – rebateu Nathan e foi repreendido por Milou, mas continuou. – Sabe que monto cavalos há muito tempo, posso andar em qualquer um que não veria diferença.

- Calma, não falo por mim, confio em você, mas sabe que Milou é superprotetora. – ele a olhou buscando apoio em sua mentira.

- É, Nathan, você me conhece. – ela colocou um vaso de grãos brancos cozidos e se sentou. – Agora faça a oração aos Grande Seres para podermos jantar.

Nathan a olhou chateado e decepcionado, mas juntou as mãos e com todos, orou.

- Agradecemos a Luz, por nos dar esperança nos momentos mais sombrios da vida e a cada novo dia. A Águia, por sua sabedoria e pelo futuro. Ao Leão, por manter a ordem e dar aos mortais a lei. Ao Touro, por nos encher com força e coragem. A Tartaruga, por nos guardar em si e nos defender do mal. A Raposa, por nos agraciar com esperteza. Ao Dragão, por nunca nos deixar sem provisões. Ao Macaco, por nos dar alegria. Ao Tigre, por nossas agilidades. Ao Lobo por nos guardar e nos aquecer na noite escura e fria. Ao Camaleão, por nos ensinar a se adaptar a tudo e a todos. Por fim agradecemos ao décimo segundo Grande Ser, a Serpente. Amém.

Vários eram os sentimentos que se passavam no pequeno garoto magro, mas ele, por fim, desistiu de discutir sobre qualquer assunto até que tivesse idade para ser ouvido. Desde aquela noite, aceitou as escolhas dos mais velhos e esperou pelo dia em que conheceria e viveria o novo.


Notas Finais


Alma de Dragão - I - Um estranho no ninho #wattpad http://my.w.tt/UiNb/m5uuCkpFxy


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