História Alma de Dragão - Capítulo 4


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Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Amizade, Amor, Aventura, Dragão, Fantasia, Fantasy, Magia, Misticos
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - III - Boas Vindas


Nathan estava caído no chão com a mão em seu estomago. Os três garotos estavam em pé a sua frente. O do meio, Ray ArtDaves, tinha os cabelos pretos estilo topete, olhar malicioso e idade de quatorze anos. Com os braços cruzados, ele ria e debochava da fraqueza de Nathan. Atrás dele, estavam seus dois irmãos usando óculos escuros e cabelos pintados penteados para cima. O da direita, Tobey ArtDaves, era irmão gêmeo de Ray, tinha o topete enorme alaranjado com vermelho que dava aparência de fogo, já o outro, um ano mais novo, Flynt ArtDaves, tinha um cabelo de cor amadeirada e espetado.

Os irmãos eram filhos do Coran Harvey ArtDaves, juiz da Corte da Justiça na cidade de Bar'West e dono de fazendas de grãos. Como os poucos Coran's confiáveis do Mox, que haviam em toda a Província Sul, enviou seus filhos para o Instituto Novo Amanhecer a pedido do mesmo.

Coran Harvey ArtDaves era um homem muito influente em Bar'West, tanto por suas posses quanto por seu cargo honrado. Por esse motivo, tinha contato direto com o Mox Jyor D'Vian, que o considerava confiável por nunca ter lhe negado um pedido, inclusive o que fez com que enviasse seus filhos a capital Barsest para estudarem no Instituto Novo Amanhecer e se tornarem Septos, assim como eles haviam feito um dia.

Os irmãos ArtDaves eram garotos um tanto mimados, o pai sempre os deu presentes sem motivos e raramente os castigava quando deveria. Isso foi o maior motivo para que Coran ArtDaves os enviasse ao instituto, queria que tivessem a educação que ele foi fraco em dar. No dia em que os enviou, contou tudo o que achou que deveriam saber: seu passado como Septo, sua pequena amizade com o Mox e o pedido que ele havia feito. Os convenceu ao dizer que seriam grandes guerreiros e fariam coisas extraordinárias, depois de tal frase os garotos não prestaram atenção em mais nada, já estavam estudando o segundo semestre e ainda eram garotos quase que incontroláveis.

- De todos os garotos que já surramos... – disse Ray ArtDaves, o de cabelos pretos, indo em passos lentos até Nathan. - Você com certeza é o mais fraco que já encontrei.

Ele se agachou e fez Nathan olhar para seu rosto.

- Por que estão... – Nathan tentou falar, mas a dor o impedia.

- Ray, – Chamou Tobey, o de cabelos alaranjados. – acho melhor nos apressarmos, a cerimônia já está quase no fim.

Ray se levantou, arrumou o cabelo e olhou para o prédio do conselho.

- Concordo irmão, – disse Flynt, o de cabelos amadeirados, limpando os óculos na blusa. – e ainda tem outros para dar a surra de boas-vindas.

Nathan tentou levantar-se, mas não tinha forças. Ray, vendo-o tentar o chutou no estômago.

- Melhor ficar no chão. – aconselhou e voltou-se para seus irmãos. – Talvez hoje devêssemos bater somente neste, se já está acabando não conseguiremos pegar outros novatos sem que os Moustres percebam.

Sentindo muitas dores, Nathan se perguntava como aquele garoto poderia ter tanta força, já havia brigado com outros da sua idade e mesmo mais velhos, mas jamais ficou naquele estado sem conseguir se levantar. É como se tivesse apanhado de um homem adulto, imaginava ele.

Ele os olhava, enquanto discutiam sobre o que fariam, e os analisava. Não eram tão fortes nem tão altos, Ray deveria ser da sua altura, enquanto que os outros dois eram maiores em no máximo cinco centímetros, um fato que sempre o enfureceu, sentia vergonha por ser mais baixo que seus irmão mais novos, mesmo que Tobey fosse seu gêmeo, ainda assim ele havia nascido primeiro e conhecia seus direitos. O colégio militar realmente fazia mudanças, pensou Nathan enquanto tentava se recostar na árvore.

- Ei! – disse Nathan, tossindo. – Eu não... Ficarei no instituto... Não sou mais um novato e nem pretendo ser. – tentou convencê-los a deixarem ele ir.

- Está saindo? – perguntou Ray, com sarcasmo. – Vocês ouviram ele? – os outros gargalharam.

- Mas você mal iniciou a boas-vindas dos veteranos do Segundo Nível: Kalldorf, a lâmina maior. – disse Tobey, abrindo os braços como se apresentasse os outros.

Nesse momento, Nathan notou que as fardas que usavam eram iguais, brancas com setas nas mangas de cor verde e com o mesmo símbolo da entrada do grande portão. O sol por detrás de uma montanha.

- Você não me ouviu? – respondeu Nathan, com raiva. - Eu não vou ficar, não me importa saber de que nível são ou o que fazem, quero sair daqui e esquecer tudo o que vi e ouvi! Será que conseguem entender isso, veteranos de Kalldorf, a lâmina maior?!

Ray sentiu o sarcasmo de Nathan e fez um sinal para Flynt, que foi até ele e o socou fazendo-o cuspir sangue.

- Devia ter mais cuidado com as palavras, para um garoto fraco como você o mais sábio é ficar calado. – alertou Ray.

Ele se forçou a fortalecer seu corpo em seu primeiro semestre no instituto, lia muito pouco, o que o fez se dedicar nas técnicas de defesa do Primeiro Nivel: Melyne, olhos do fim. Dentre os veteranos do segundo nível, era o que possuía a melhor defesa de energia primo, quase impenetrável, e agora buscava ter o soco mais forte.

- Olha, Ray, eu só quero ir embora... – Nathan tentava negociar. – Só me deixa ir e eu não conto nada para ninguém.

- Parece que alguém se acalmou depois de um soco. – comentou Tobey, rindo ao lado de Flynt.

- Viu a intimidade dele? Parece que já é até amigo, chamando o Ray pelo nome. – instigou Flynt.

Nathan se enfureceu e cuspiu no chão como desprezo aos comentários. Ray ficou bem a sua frente, olhando-o com frieza.

- Então, já que não vai ficar, talvez queira receber as despedidas. – ele o chutou novamente e quando Nathan ia gritar ele pôs a mão em sua boca.

- Não vamos alertar os Moustres, não é? Não vai querer que algum deles atrapalhe nossas brincadeiras.

Nathan começou a perder os sentidos por causa da dor, mas Ray tentava mantê-lo acordado dando tapas em seu rosto enquanto ria e fazia piadas com os outros.

- E essa é a nova geração de Septos. – comenta com sarcasmo Tobey – De que Coran ele deve ser filho? Pelo que meu pai falou, achei que só o filho dos melhores estariam aqui...

- Do que você está falando? – perguntou Nathan, confuso. – Não sou filho de nenhum Coran, idiota!

- Olha, pra quem já está com a cabeça na forca, você ainda é bem voraz. – disse Ray. Ele se pôs em pé e apontou pra si mesmo. – Nosso pai, Coran Harvey ArtDaves, juiz da Corte da Justiça de Bar'West, dono de todo o grão da Província Sul e amigo íntimo do Mox Jyor D'Vian. Nos contou que o Mox pediu os melhores filhos, das melhores linhagens de toda a província, para se tornarem Septos, guerreiros leais dos Doze.

Nathan cospe o sangue de sua boca e começa a gargalhar, o que faz com os irmãos ArtDaves se sintam ofendidos.

- Eu não sei como você vai reagir a isso, filho de ArtDaves, mas eu não sou de nenhuma linhagem Coran, o que minha família conhece sobre o Mox são os boatos que chegam no sul da ponte.

- Sul da ponte? – repetiu Tobey, desacreditado. Era de conhecimento de todos da capital Barsest que somente os Patriw's moravam no sul da ponte e dividiam aquelas terras com os Castos e Sem-linhagens. – Não pode ser, você não deveria estar aqui.

- E por que não deveria, foguinho. – insultou Nathan, já não se importando com o que aconteceria.

- Nosso pai falou que somente os filhos do Mox e dos Coran's de sua confiança, estariam neste instituto. – Respondeu Tobey.

- É, acho que ele se enganou.

- Não tem como ele ter se enganado, isso foi dito diretamente pelo Mox D'Vian. – mentiu Ray, seu pai lhe disse que fora comunicado por carta e que jamais se encontrara pessoalmente com o Mox. - Já chega, de que linhagem você é?

Nathan se levantou com a mão em seu estomago e se apoiando na árvore atrás dele, respondeu.

- Eu sou Nathan Braggen. – expressou respirando fundo por causa do esforço.

Os irmãos se mantiveram em silêncio por alguns segundos, até que Ray se abriu em risos e os outros o seguiram sem entender o motivo.

- Isso é melhor do que eu imaginava. – dizia gargalhando. – Um filho dos Patriw's Bela Selas, acreditaria que eu tinha uma sela sua em meu cavalo? Rapaz, como você veio parar aqui, conte-me essa sorte?

- Onde está a sorte em estar aqui? – perguntou Nathan envolto em raiva.

- Bom, eu vejo sorte e vocês irmãos?

Os outros concordaram mesmo sem saber o exato motivo.

- Sabe, eu e meus irmãos decidimos que sempre iremos dar uma surra de boas-vindas quando um novo semestre começar e adivinha? – Ray se aproximou de Nathan e falou baixinho. – Na nossa primeira surra de boas-vindas, teremos o privilégio de bater pela primeira vez em um Patriw, e melhor, um Bela Selas.

Ele saiu da frente de Nathan, que foi surpreendido com um chute em sua cabeça dado por Flynt que surgiu por detrás de Ray.

- Levante-se garoto, vamos, me mostre do que um Braggen é capaz. – instigava Flynt.

- No estado em que ele está, acha que ele é capaz de fazer algo? – gargalhou Ray.

- Foda-se, não me importo. – disse Tobey indo chutá-lo. – Você está certo, irmão. Tivemos sorte.

- Fala, galerinha. – o chamado entre as folhas da árvore chamou a atenção de todos.

Já quase desmaiando, Nathan não acreditava que alguém havia aparecido. Com a visão turva, se perguntou quem poderia ser, talvez um Moustre ou algum veterano mais velho.

Porém quem surge dentre a sombra de galhos da árvore e fica entre Nathan e Ray é o garoto de camisa azul e bermuda, com uma faixa verde-musgo na cabeça, ele bem que tentou causar um boa impressão e chegar com uma bela pose, mas acabou escorregando e caindo.

- Opa. – diz levantando-se e limpando a bermuda. - Monkey chegou! Tudo na paz com vocês?

Ray olha para Monkey, que sorria, e se volta para seus irmãos que pareciam tão confusos quanto ele.

- Algum de vocês conhece esse babaca? – pergunta a seus irmãos.

- Será outro novato? – retruca Flynt.

- Isso por acaso importa? – responde Tobey, zangado. – O escurinho aí interrompeu a minha vez. Estou pouco me lixando sobre quem ele é, vai apanhar para aprender a nunca mais se intrometer aonde não foi chamado.

Ray se volta para Monkey e começa a rir.

- Você é o maior de todos os idiotas, sabia? Pulando de uma árvore feito um macaco e entrando na briga... E o melhor de tudo, me parece que é outro novato, ou seja, mais um que vai ganhar uma surra de boas-vindas. Realmente estamos com sorte, irmãos.

Nathan estava tão surpreso quanto eles, não sabia se agradecia por Monkey ter aparecido ou se aquilo fazia parte do seu azar. Ele queria avisa-lo para o deixar ali e ir procurar ajuda, mas aos poucos foi desfalecendo até perder totalmente os sentidos.

- Eu vou acabar com você, vai receber o dobro do que eu ia dar no seu amiguinho. – Tobey pulou em direção ao Monkey e tentou socá-lo, mas Monkey se desviou no último instante.

- Voyle! – expressou ao se desviar. – Quase me acertou, espeto. – disse sorrindo.

Ficou nítido para Ray e seus irmãos que, para Monkey, era como se estivessem brincando, sorrindo e se desviando dos socos que Tobey tentava acertar.

- Tobey está perdendo pra um novato. – zombou Flynt, rindo e batendo no ombro de Ray. – Deixa que eu pego ele. – ele apareceu rapidamente entre Tobey e Monkey, também desferindo um soco, mas num movimento rápido Monkey o segurou pelo punho e esquivou-se novamente o lançando para trás, fazendo-o se abarcar na arvore e cair ao lado de Nathan.

- Nossa, vocês são rápidos. – disse Monkey rindo e enxugando o suor em sua testa. – Se você é Tobey, quem é aquele?

- Sou Flynt, você vai se lembrar bem de mim quando olhar para o seu rosto inchado.

Em um salto, Flynt estava bem ao lado de Monkey e novamente atacando-o com uma enxurrada de socos. A cada tentativa, um fracasso, isso o enfurecia e mais rápido ainda ele tentava ser, mas parecia não adiantar.

Tobey notou uma abertura rápida na percepção de Monkey, que percebeu sua intenção, mas já era tarde e ele não pôde evitar a rasteira, que fez com que ele caísse bolando até o lugar onde estava Bounce.

Sem perca de tempo, os dois garotos tentavam acertá-lo de várias formas e em diferentes locais, mas ele se desviava de todos com muita facilidade, até mesmo caído no chão, logo foi capaz de se pôr em pé.

- Vai se arrepender de ter aparecido, herói. – ameaçou Flynt, ofegando e arrumando os óculos.

- Devia ter ficado fora disso. – completou Tobey, que aparentava muito mais cansaço que seu irmão.

Ray não se intrometia, olhava para Monkey, analisando seus movimentos e se divertia com a falta de habilidade de seus irmãos.

Aproveitando a distração e o cansaço de seus oponentes, Monkey aproveitou para verificar como Nathan estava.

- Tá tudo bem, Nathan? – perguntou Monkey sem dar importância ao que os garotos estavam dizendo. – Ué, ele dormiu? – perguntou a Flynt e Tobey.

- Eu diria que desmaiou. – disse Ray sorrindo maliciosamente. – E acho que você deveria ter cuidado, ou vai acabar como ele. – alertou apontando para seus irmãos, que olhavam para Monkey como se fossem tigres esperando o melhor momento para apanharem sua presa.

Ele voltou-se para dois e percebeu que estavam com as mesmas posições de mãos, os dedos entrelaçados com somente dois dedos retos. Ele olhou novamente para Nathan, ainda desmaiado, e Ray percebeu a raiva em seu rosto ir aumentando gradativamente.

- Vocês não deviam tê-lo machucado, ele é um carinha legal. – disse ele seriamente.

- Cale a boca, macaco! Você age como um idiota sem nos dar atenção e agora me vem com ameaças? Eu vou surrar tanto você que irá ficar pior que seu amiguinho. – disse Tobey, se concentrando e mantendo a posição de mãos. Sua farda foi formando ondulações como se estivesse sendo balançada pelo vento.

- Não vou deixar que se divirta sozinho. – apoiou Flynt – Isso tudo acaba agora.

- É, acaba sim. – confirmou Monkey. Seu rosto já não possuía mais um sorriso, seus ombros estavam tensos, ele estendeu seu braço esquerdo e trouxe o direito para mais próximo de sua cintura. – Venham, não irei mais me esquivar! – disse friamente.

Os irmãos ArtDaves ainda se concentravam em seus ataques, a grama em volta de seus pés se moviam como árvores em um temporal. Monkey se enrijeceu ainda mais, ele sabia que receberia um ataque de energia Primo.

- Chega! – ordenou Ray, surgindo na frente de seus irmãos, de cabeça baixa e estendendo o braço para os impedir. – Devemos ir, a cerimônia acabou.

- O que?! Como você sabe?! – argumentou Tobey

- Mas Ray... – questionou Flynt, desfazendo a posição de mãos e normalizando tudo em sua volta.

- Já falei, devemos ir. – disse colocando os óculos escuros que tirou do bolso de trás de sua calça. – Teve sorte, macaco.

- É bom que esteja com ela quando nos encontrarmos novamente, ou não sobrará nada de você. – completou Tobey.

Os irmãos rapidamente esconderam-se por entre as árvores, subindo a colina da montanha. Então Ray parou, escalou rápido uma das Árvores Ponta e observou o que Monkey faria.

Vários alunos começaram a sair do prédio do conselho, Monkey logo chamou a atenção de todos para que pedissem ajuda para Nathan, o assunto chegou aos ouvidos do Moustre Rouma, que surgiu ao lado da arvore onde o garoto estava desmaiado, o pôs em seus braços e colocou na maca da equipe de socorros que estava chegando.

Monkey chamava o nome de Nathan por várias vezes, na tentativa de reanimá-lo, mas não tinha sucesso, o que lhe entristecia.

Moustre Rouma pediu que Monkey se acalmasse pois Nathan iria sobreviver ao que lhe havia acontecido, pediu que ele esperasse ali mesmo e que depois lhe chamaria, então adentrou juntamente com a equipe de socorros no prédio do conselho.

Os demais Moustres que foram aparecendo, orientavam aos novatos e veteranos que fossem para seus dormitórios em seus respectivos edifícios, mas Monkey permaneceu na porta do prédio.

- O que houve aqui? – uma novata de cabelos longos e escuros perguntou para Monkey.

- Tivemos problemas com outros veteranos. – respondeu Monkey seriamente, de braços cruzados e recostado na beirada da porta, sem se quer olhar para a garota.

- Olha Ray, outra novata. – comentou Flynt.

- Estou vendo, seu idiota. Fale baixo ou não conseguirei ouvir o que estão dizendo. – respondeu Ray, sussurrando, concentrando sua energia Primo em seus ouvidos.

- Com certeza é uma filha de Coran, viram a espada que carrega? – Tobey parecia bem mais interessado. – É bem maior que ela mesma.

- Calem as suas bocas seus idiotas, querem ser descobertos e punidos? – alertou Ray, observando as arvores a sua volta. – Já falei que se não ficarem calados, não vou ouvi-los.

A novata continuava tentando conversar com Monkey para distraí-lo de suas preocupações, mas não adiantava muito.

- Não se preocupe, seu amigo ficará bem. – dizia a garota.

- Vocês dois, já deveriam estar em seus aposentos, o que estão fazendo aqui? – Perguntou uma mulher alta de seios fartos, para Monkey e a novata.

- Ele é amigo do garoto que estava ferido, Moustre Rouma o pediu que esperasse aqui e que depois o chamaria. – respondeu a garota, tomando a resposta de Monkey.

Ray estendeu seu corpo para frente buscando ouvir melhor.

- O que está acontecendo, irmão? – perguntou Flynt.

- Não sei ao certo, eles entraram no Prédio do Conselho e não consigo os ouvir direito.

Os garotos são surpreendidos por dois Septos Auxiliares do Instituto.

- Parece que encontramos os criadores de confusão. – comentou um deles.

- É melhor que não corram, ou a punição será ainda maior. – impôs o outro.

Os irmãos olharam para Ray em busca de uma ação, mas ele só abaixou sua cabeça, afinal aquela não era a primeira vez que era punido, conhecia muito bem o que aconteceria ao tentar fugir dos Auxiliares.

Os três foram levados para os Moustres para receberem suas punições. Ray olhava seus irmãos, enquanto esperavam serem chamados, e se perguntava onde estava a ousadia de outrora, o que o fez lembrar do novato e como ele estaria.

***

Nathan acordou assustado deitado em um leito na enfermaria do Prédio do Conselho, sua visão estava embaçada e no susto em acordar do desmaio, acabou ficando tonto.

- Enfermeira, ajuda! – ouviu Monkey chamar.

O garoto estava bem ao seu lado, juntamente com a garota que conheceu após todo o incidente.

- Onde estou? – perguntou Nathan, desorientado. Sua visão ainda não estava clara, só pôde enxergar um grande vulto se aproximando.

- Moustre Rouma, o garoto acordou. – disse a enfermeira de seios fartos. – Aguardem lá fora um momento, tudo bem? – pediu com um sorriso simples para Monkey e a garota com ele.

Nathan ainda se sentia desnorteado, queria agradecer a Monkey quando ouviu seu nome, mas não tinha força para tal. Assim que seus olhos ficaram nítidos, sorriu envergonhado ao ver a bela enfermeira debruçada sobre seu corpo enquanto checava o soro fisiológico que havia colocado para o reidratar.

- Como se sente? - perguntou ela, novamente com um sorriso simples. – Ainda sente dores?

- Não muitas, sinto meu abdômen e meu rosto como se estivessem adormecidos. Isso é estranho...

- O que é estranho? – perguntou o Moustre Rouma, arrumando os óculos circulares em seu rosto?

Nathan ficou sem palavras por um momento.

- É que, pela surra que levei, deveria estar bem machucado e com muitas dores. – ele se acomodou melhor no leito e levantou sua blusa. – Isso deveria estar bem roxo, mas veja, só está avermelhado... Parece simplesmente que cai ou sei lá.

Moustre Rouma trocou olhares com a enfermeira e disse:

- Estranho para mim é o fato de você achar isso estranho, meu jovem. – ele caminhou ao outro lado do leito. – Diga-me, qual seu nome? – perguntou olhando diretamente para Nathan.

- Nathan Si- Braggen, senhor. – ele engoliu em seco.

- Braggen? É filho de Oliver Braggen, Patriw do Sul da Ponte, o Bela Sela e irmão de Milou I'Fidden?

- Eu, bom, na verdade sou seu neto. – respondeu envergonhado.

- Ora, é filho de Milou, eu suponho... Então na verdade é um I'Fidden. – o Moustre gesticulava enquanto caminhava envolta do leito de Nathan. – Por que mentiu, não gosta do esposo de sua mãe?

- Também não sou I'Fidden, senhor. – respondeu rispidamente. – Meu nome é Nathan...

- Ele é da linhagem de Sidrake, Aquele que ajudou o Dragão. – interrompeu Monkey, adentrando o quarto.

- Ora, e quem é você, meu jovem? – perguntou o Moustre, impressionado com os modos de Monkey.

- Meu nome é Nicholas Salazarys, mas pode me chamar de Monkey, senhor Rouma. – ele se atentou ao olhar desaprovado do Moustre. – Perdão, Moustre Rouma. – sorriu se corrigindo.

- E a sua amiga, quem é?

- Kathryne Consiw'Hopes, Moustre Rouma. – ela se inclinou e segurou sua saia, sem o olhar diretamente.

- Consiw'Hopes? Interessante... E, bela espada, ou ao menos ela possui uma bela bainha.

- Obrigada, Moustre.

- Agora você, garoto de tantos pós-nomes, por que não foi direto em me dizer qual era o verdadeiro?

Nathan baixou seu rosto e entrelaçou seus dedos, envergonhado.

- Bom, até onde estou sabendo essa instituição é somente para os filhos de Coran e do Mox, não sou nenhum e nem outro, sou um Patriw e ainda mais, sou um sem linhagem, já que não sou I'Fidden e muito menos Braggen... – ele cerrou os punhos. - Se me bateram por ser um novato e mais por ser um Patriw, o que acham que fariam comigo se soubessem que sou da linhagem de Sidrake, O esquecido, como muitos chamam...

- Calma, meu jovem, não somos os irmãos ArtDaves. Pergunto por que estou querendo entender tudo que aconteceu, e quanto a eles, já estão recebendo suas punições.

- Graças aos Grandes Seres. – disse Kathryne e pareceu a todos que havia sido um alivio.

- Desculpe, Moustre. Me desculpe por tudo... Isso que aconteceu... Foi tudo um grande engano, eu nem deveria ter vindo parar aqui. É por isso que eu devo ir agora, já passou do tempo de ter ido embora. - O garoto já foi tirando o soro de seu braço.

- Ei, não se precipite, rapaz. – O Moustre o tentava segurar e apaziguá-lo com Monkey, enquanto Kathryne foi chamar a enfermeira.

Nathan se debatia e pedia para que o soltassem, o garoto a pouco calmo, agora parecia um mar em fúria.

A enfermeira lhe seda e injeta o soro novamente, aos poucos ele vai acalmando até cair dormir novamente.

Desacordado, Nathan se vê em um sonho semelhante ao que teve não muito tempo antes, uma caverna escura e fria, com somente o som de pingos caindo em pequenas poças.

- Fraco! – a voz como de um trovão ecoa naquela escuridão e se repete. - Fraco!

- Eu não sou fraco! – responde Nathan, vorazmente. Ele se recorda em ter ouvido a mesma voz no sonho anterior, isso o intriga. - Quem é você?

- Culpa... Sua Culpa... – respondeu, agora em sussurro.

- Minha culpa? Do que está falando, eu não fiz nada! – Nathan não entendia o que ela queria dizer ou a que se referia.

- E nem poderia fazer! – a voz agora parecia estar mais próxima, Nathan sentia seu rosto gelar e sua respiração ficar pesada, o medo cresceu em seu coração. – Olhe para você. É um ser medíocre!

- Por que diz isso? Do que está falando? – A imagem dos Irmãos ArtDaves veio num relance, será que é sobre isso, é disso que ela está se referindo? Se perguntou.

- Fraco! – bradou a voz.

- Olha se você está referindo aos três garotos, saiba que eles eram... Eu não tinha... – Ele tropeçava nas palavras, o medo do desconhecido naquela caverna escura e sozinho parecia começar a lhe consumir, as pernas bambeavam e as mãos tremiam.

- Força! – A palavra ecoou várias vezes na caverna e nos ouvidos de Nathan, ele baixou seus olhos para o nada. – Você é mesmo fraco, - ela continuou. - medíocre, dependente e será assim enquanto você esse pedaço vagante e inútil de carne!

- Me deixa em paz! – gritou ele, abrindo seus olhos e acordando no quarto da enfermaria novamente.

- Acalme-se, meu jovem. – disse o Moustre Rouma. – Você só cochilou por uns cinco minutos, deite-se, a enfermeira já está terminando.

- Terminando? – perguntou Nathan, sem entender e então sentiu algo molhado e frio em suas costelas. – Mas o que está acontecendo? – impressionou-se com a enfermeira que segurava uma bolha de água com a mão direita enquanto a esquerda já manipulava a água brilhante em suas costelas.

A água brilhante penetrava sua pele, refrescando a região machucada, aliviando a dor e amenizando a cor roxa-esverdeada dos hematomas.

- Você é o garoto que se levantou e saiu no momento em que eu falava na cerimônia, certo? – perguntou o Moustre Rouma.

- Sim. – Nathan relutou ao responder, ainda assustado com a enfermeira.

- Por que saiu?

- Bem... Eu... – Nathan não tirava os olhos da água. - Fiquei envergonhado e com medo, não sei bem como explicar. O que sei é que este colégio não é exatamente o que eu imaginei, mas o que está acontecendo aqui?

- O que, isso? – perguntou o Moustre, sem muito se impressionar com a pergunta de Nathan. – Isso é manipulação de água para fins medicinais, no seu caso, cura. Mas então, por que foi matriculado aqui? – perguntou o Moustre, confuso. – Pelo que sei, apenas pessoas que possuem conhecimento sobre tudo o que falei no auditório como linhagens de Mox's e Coran's, possuem acesso as fichas de inscrição. Você está impressionado com tudo, o que me mostra que nunca soube nada a respeito, e aí que entra a pergunta, como um Patriw teve acesso a essa ficha?

- Eu não sei ao certo, meu padrasto contou que um homem lhe deu no local de seu trabalho... Sei que não devia estar aqui, soube disso desde que decidiram que eu deveria vir para cá, é por isso que vou embora. Por isso devo ir embora. Pelos Grandes Seres, como ela consegue fazer isso? – perguntou impressionado ao ver a enfermeira segurando outra bola de água.

- Interessante. – disse o Moustre, sem dar importância aos comentários impressionados de Nathan. - Você não parece ter muita sorte, não é mesmo?

- É o que parece. – concordou Nathan, atento as mãos da enfermeira. – Por que não cai? Por que não molha toda a sua mão?

- Não fique tão curioso, afinal, para que se importar com isso se você disse que vai embora? – instigou o Moustre caminhando até a janela da enfermaria.

- É, vou... – Nathan agora parecia desanimado por ser um Patriw e ter de deixar o instituto. – Devo ir, afinal sou um Patriw...

- Sabe, meu jovem, eu costumo dizer que nada acontece por acaso, tudo. – ele deu uma pausa e olhou para Nathan. – Absolutamente tudo, tem um propósito.

Nathan sorriu com sarcasmo.

- Está me dizendo que ser matriculado em um colégio militar do outro lado da cidade, levar uma surra e ver pessoas me curando com água, fazia parte de um propósito?

- Você realmente ficou impressionado com a enfermeira. - ele gargalhou. – Imagina se pudesse ver muito mais, ou melhor, se pudesse aprender muito mais, o que me diria?

- Eu, sinceramente não sei... – Nathan respondeu com receio e sentou-se em seu leito após a enfermeira terminar. – Acho que isso tudo, não é pra mim... Esse não é meu mundo.

- E qual é seu mundo, aquele lá fora envolto nas mentiras que acredita? – Ele tirou os pequenos óculos de grau do rosto e o começou a limpar com um lenço. - Está enganado, jovem, se pensa que aquela é a realidade. Isso aqui, o que acabou de presenciar e muito mais... Esta é a realidade.

- Estou confuso, toda aquela coisa de Septos e Guerreiros Lendários... Não sei se estou preparado para viver isso.

- E quando estará? – o Moustre sentou-se ao seu lado no leito e pôs o braço envolta de seus ombros. - O mundo que você conhece. Esta vida que você tem, só existe pelos Septos que protegem toda a Ilha Extensa.

- E ficando eu me tornarei um, certo?

- Quem sabe? – Moustre Rouma sorriu. – A partir deste momento é você quem irá decidir, viver no novo mundo – ele olhou para o horizonte além da janela. – ou voltar a velha mentira, esquecendo tudo que vivenciou aqui.

- Esquecer, por que eu esqueceria?

- Se passar pelo grande portão decidido a não mais voltar, esquecera tudo que viu e ouviu até agora.

Nathan ficou pasmo.

- Mas como isso é possível?

- Dá mesma forma que a enfermeira lhe curou com água, porém, se não irá ficar não tenho por que lhe contar, não é mesmo?

Nathan relutou, queria ir embora daquele lugar, estava com raiva da surra que havia levado e isso foi o que o fez refletir sobre sua decisão: só poderia vingar-se se pudesse se tornar mais forte. A voz lhe chamando de "fraco" ainda se perpetuava em seus pensamentos, ele baixou seus olhos e um turbilhão de questionamentos lhe veio à mente, sobre como seria sua vida se ficasse? Como esconderia de sua mãe? O que aconteceria se voltasse a sua velha vida mentirosa?

- E então? – perguntou o Moustre, interrompendo seus pensamentos. – O que fará a partir de agora, o dia já está quase no fim. -

- Eu...

- Hey Ichiro! – gritou Monkey surgindo na porta da enfermaria. – Como você está?

Uma enfermeira lhe bateu na cabeça com um jornal e o mandou fazer silêncio. - Ainda está muito ferido? – sussurrou.

- Não, já estou melhor, graças a água milagrosa brilhante...

- Ele estaria pior se não fosse por você garoto. – disse o Moustre saindo do quarto. – Deveria agradecê-lo, meu jovem.

- É verdade, não pude te agradecer, muito obrigado!

- Tudo bem, aposto que faria o mesmo por mim. – ele sorriu, recostou-se na beirada do leito e abriu um pacote de salgadinhos.. – Se já está melhor, então podemos ir, não é?

- Sim, até por que já está bem tarde, minha mãe vai me matar.

- Sua mãe é muito preocupada? – perguntou Monkey enquanto saiam do quarto e desciam as escadas.

- Se é...

- Do que o Moustre estava falando? – perguntou com a boca cheia.

- Nada demais. E você, onde estava, lembro de ter visto você antes com uma garota e depois vocês sumiram.

- Ah sim, a Kathryne... O Moustre pediu para esperarmos lá fora, daí não sei o que houve, mas ela precisou ir embora correndo. Eu fiquei com fome e fui pegar os salgadinhos, você quer?

- Não, obrigado. – respondeu sorrindo. – Espero que Bounce ainda esteja onde deixei.

- Seu cavalo é bonito. – disse Monkey enquanto atravessavam a porta rumo a saída.

- Devia ver o que o esposo da minha mãe ganhou do Coran Ojuar, aquele sim é um belo cavalo. – expressou Nathan desatando o nó das rédeas de Bounce. – Você não veio a cavalo?

- Não, eu moro aqui perto e prefiro caminhar. – Monkey sorriu. – Não sou muito bom em montaria.

- Bom, então acho que nos despedimos aqui. – disse Nathan ao montar. – Foi um prazer conhece-lo, Coran Salazarys.

- O prazer foi meu, jovem Sidrake. – Monkey curvou-se. – Nos vemos amanhã?

- Sinceramente, eu ainda não sei... Mas decidirei até chegar ao grande portão.

- Entendo... – Monkey ficou cabisbaixo. – Bom, se não mais nos encontrarmos, que os Grandes Seres lhe deem sorte na vida!

- Lhe digo o mesmo. E Monkey, novamente muito obrigado pelo que fez por mim, espero que um dia eu possa retribuir.

- Não se preocupe com isso. – respondeu sorrindo. – Como eu disse, sei que teria feito o mesmo e, amigos são para essas coisas não é? Meu tio sempre me disse que eu deveria sempre fazer o bem, sem importar a quem.

- Bem sábio, esse seu tio. – Nathan puxou as rédeas de Bounce. – Que os Grandes Seres lhe abençoem, até qualquer dia, Monkey.

Nathan cavalgou até o grande portão sem olhar para trás, sem olhar para Monkey. Seus pensamentos viajaram em toda a experiência que aquele dia lhe proporcionou, e que parecia que ainda iria proporcionar mais, pensou ele quando viu novamente os irmãos ArtDaves no grande portão.

- Vejam só quem acabou cruzando nossos caminhos novamente, irmãos. – disse Ray.

- Me deixem ir embora. – respondeu Nathan. – Não tenho nada a tratar com vocês.

- Ah com certeza você tem, por sua causa fomos punidos pelos Moustres e agora temos que fazer serviços extras no instituto. – retrucou Tobey. – Se não fosse por você e seu amiguinho, isso com certeza não teria acontecido.

- É culpa é totalmente de vocês, foram vocês quem vieram nos perturbar.

- A ordem dos fatos não importa, e sim, o que acontecera a partir de agora. Você e seu amiguinho nos ajudarão com os serviços começando amanhã mesmo. – disse Tobey.

- Não vem com essa, eu nem estarei aqui amanhã, melhor ainda, nem lembrarei quem são vocês. – Nathan tentou partir, mas Flynt segurou Bounce.

- É bom que isso não seja verdade, fracote. – ameaçou Flynt. – Se não aparecer aqui amanhã, seu amigo sofrerá por você.

- Isso mesmo, recebera um castigo em dobro. – acrescentou Ray.

- Vocês são desprezíveis. – Nathan apertou fortemente as rédeas.

Diante daquela situação, a voz em sua mente o gritando em sua cabeça o quanto era fraco e o saber que Monkey poderia sofrer por ele fez com que Nathan decidisse se impor. Ele lembrou-se das palavras do Moustre Rouma e decidiu que a voz não mais o perturbaria, pois se tornaria forte e com sua força, retribuiria o que Monkey fez por ele. Se havia um propósito em tudo aquilo, ele iria descobrir.

- Nos vemos amanhã. – disse Nathan.

Naquele momento, Nathan decidiu em seu coração que retornaria, por Monkey, ao instituto, descobriria tudo o que era desconhecido sobre aquele mundo, se tornaria mais forte. - Se tornaria um Septo.


Notas Finais


Alma de Dragão - III - Boas Vindas #wattpad http://my.w.tt/UiNb/vILu7JxGxy


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