História Alma de Dragão - Capítulo 7


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Tags Ação, Amizade, Amor, Aventura, Dragão, Fantasia, Fantasy, Magia, Misticos
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - VI - Descobertas


Diversos formandos se apresentavam e demonstravam habilidades e técnicas extraordinárias aos Moustres, todos ansiosos para serem aprovados no Teste das Chamas. Todos, com exceção de Nathan, que se aterrorizava só de pensar que seu nome estava próximo de ser chamado e que ele não fazia ideia do que iria apresentar.

- Monkey, - a voz de Nathan era arrastada. – o que acontece se nenhuma das chamas se acenderem?

- Você é negado. – disse Monkey, curto e direto.

- Como assim, negado? O que você quer dizer?

- Negado do Instituto! – o pequeno moreno alegre de cabelos bagunçados não sorria, também estava preocupado sobre como se sairia em sua apresentação, por isso as palavras breves e ríspidas.

- Mas eu já fiz minha matricula, já decidi ficar, não podem me negar isso. – praguejou.

- Você está enganado. – o garoto moreno balançava a cabeça negando a afirmação do seu inocente amigo. – O Teste das Chamas não é só para mostrar seu nível de habilidades, ele também serve para selecionar aqueles novatos que estão preparados para o Instituto, dos que devem voltar ao mundo dos Simplórios. Ou você é aceito no Instituto, ou é negado.

Aquelas palavras ressoaram na cabeça do menino franzino. Nathan enfureceu-se em saber que depois de tudo o que experimentou e viu, poderia não ter a chance de ficar e se tornar um Septo, mesmo após sua decisão e luta contra a vontade de sua mãe. A raiva maior era direcionada principalmente ao Moustre Rouma, que foi quem mesmo com frases indiretas, o encorajou a retornar.

- Moustre Idiota! – resmungou, olhando para o chão com as mãos em punho sobre seus joelhos. – Se não fosse por ele, nesse momento eu estaria em casa, matriculado em um outro colégio e sem lembrar de nada que aconteceu aqui. Ele fez isso para me humilhar em público, para mostrar a todos o descendente de Sidrake, O esquecido. – as lagrimas começaram a correr por seu rosto. - Como se já não bastasse ser um Sem-linhagem entre os simplórios, serei conhecido como um fraco e inútil entre os formandos do Instituto Novo Amanhecer. Não importa em qual mundo eu esteja, serei sempre o inútil sem pai.

Ele enterrou sua cabeça em suas mãos, debruçando-se sobre suas pernas e imergiu em pensamentos negativos. Retornando as lembranças de como havia chegado ali, culpando a quem havia entregado a ficha de matricula para Ferdinand I'Fidden, culpando o mesmo por ter aceito e convencido a seu avô e sua mãe para deixá-lo ir ao Instituto. Estava nítido que tudo seria um erro, pensava ele, foi tudo anormal e rápido demais. Por causa de tal decisão ele foi surrado no primeiro dia, quase morreu quando se deparou com Kripto e após aquele episódio a culpa recaía sobre si, pois foi ele quem decidiu voltar.

- Como eu fui insensato! – repetia ele, batendo a mão contra sua fronte.

- Nathan? Ei, Nathan?! – Monkey balançava seus ombros, tentando tirá-lo daquele transe de martírio.

- Me deixa! – gritou se levantando bruscamente.

Sua voz ecoou no salão fisgando a atenção dos formandos e Moustres.

- Mas, é que... – um sorriso envergonhado surgiu no rosto de Monkey, que apontou discretamente para a bancada.

Com o rosto molhado por suas lágrimas, ele olhou a sua volta e para a bancada, não havia um que não estivesse atento ao menino branco, com a jaqueta de couro e o entalhe do dragão de frente a lua, magrela e de cabelos negros.

- Ai está você! – exclamou Kaya. – Já tem a atenção de todos, então desça logo pois não temos a manhã toda! – ela gesticulava para apressar Nathan, entortando os lábios em desaprovação.

Nathan ficou sem reação, se manteve parado a olhar para Kaya.

- Eu tentei te avisar, - disse Monkey puxando a manga de sua jaqueta. - mas você não me ouvia perdido em suas lamentações. – ele ainda sorria encabulado. – Sinto muito.

- Quanto tempo mais irá nos fazer esperar?! – berrou Kaya. – Essa será a última vez que o chamo. Nathan Sidrake, desça agora ou será negado do Instituto Novo Amanhecer.

O garoto olhou assustado para a mulher parruda que o encarava com raiva, de mãos fechadas sobre a banca. Desconfiado, ele saiu da fileira de novatos e desceu lentamente as escadas até o círculo de pedras, observando o rosto dos formandos que murmuravam sobre sua conduta. Só levantou o olhar uma única vez para ver o Moustre Rouma, que notou de longe sua raiva, mas sem entender ao certo o que seria.

- Finalmente, Sr. Sidrake. – debochou Kaya, sem paciência. – Sinceramente, deve se achar muito importante para nos fazer esperar, não é? Quer acabar com a fama de seus antecessores deixando de ser esquecido?

O garoto arquejou as sobrancelhas em surpresa.

- Que foi, achou mesmo que ninguém aqui sabia da sua lenda? A história de Sidrake, O esquecido ainda é famosa...

Nathan franziu o cenho.

- Ora vamos, não gaste mais o meu tempo com sua revolta, comece! – ela bateu a mão na mesa, fazendo Nathan ter um susto com o som da pancada.

Até aquele momento, nenhum novato que havia se apresentado teve seu nome negado para entrar no Instituto, mas Nathan sentia que seria o primeiro, tinha a certeza que falharia, o que aumentava ainda mais sua raiva só de pensar que estava frente a frente com o homem que o influenciou a estar ali.

- Vamos, o que está esperando!? – pressionou Kaya.

- Kaya, acalme-se. – pediu Madhayra.

- Mas esse garoto...

- Por que não me negam logo?! – urrou Nathan. – Se não fosse por um certo homem eu nem estaria aqui. – encarou Rouma. – Eu sou, como vocês chamam, um Simplório. Não sei usar energia prima ou se quer tenho alguma habilidade ou técnica especial. Eu tinha decidido ficar e me tornar um Septo, mas já vi que foi uma péssima decisão... Obrigado por me humilhar. – disse diretamente para Rouma, dando as costas em seguida para todos na bancada.

- Aonde pensa que vai garoto? – perguntou Rouma. - O teste ainda não acabou!

- Para mim, nem se quer tinha um começo... Estou voltando ao meu mundo, já estou acostumado com a humilhação de lá.

- O teste só acaba, quando decidimos que acabou. Retorne ao seu assento! – alertou Rouma.

- Esquece, eu estou saindo e dessa vez para nunca mais voltar! – Nathan subia as escadas vorazmente, sem dar olha para trás.

- Heyg. Milie. – disse Rouma, seriamente.

Os Moustres anfitriões fecharam as portas e se colocaram frente a Nathan.

- Ouviu o Moustre Rouma, não é? – perguntou Milie, com um sorriso intimidador.

- Volte ao seu assento, Nathan Sidrake. – ordenou Heyg.

- Me deixem passar, não podem fazer isso comigo! – Nathan tentava sair, batendo contra eles.

- Eu não queria, mas você me força a tomar medidas severas, meu jovem. – Rouma arrumou os óculos em seu rosto fazendo o selo de Melyne, para invocações básicas e de defesa, na forma simplificada. – Taer Invocus.

Um criatura alta de pedra foi se formando subindo as escadas, segurou Nathan em seus braços e o levou para perto da bancada dos Moustres, lá sentou, se transformando em um trono de pedra imobilizando o garoto que chorava e se debatia gritando que não poderiam fazer aquilo.

- Ninguém sai, até o final do teste. Entendeu, meu jovem? – expôs Rouma, sutil e ameaçador. – Agora faça silêncio enquanto avaliamos os próximos novatos.

O garoto ficou enfurecido, imóvel pelos braços do trono de pedra. Kathryne se preocupava com Nathan e se entristecia com seu estado, imaginava como poderia ser difícil para ele – carregar o nome de Sidrake, O esquecido e ainda não ter conhecimento nenhum em energia prima e invocação. Monkey por outro lado, mesmo em meio a toda aquela situação, encontrou o lado bom que o fez rir. Afinal, Nathan agora poderia assistir a todas as apresentações de um lugar prestigiado e quem sabe até aprendesse algo apenas observando.

Não demorou muito para que chegasse a sua vez, Anallyz foi quem o chamou e ele animadamente desceu as escadas.

- Muito bem, senhor Salazarys, nos mostre do que é capaz. – disse Anallyz.

- Certo, aqui vou eu! – Monkey fez o selo de Melyne com as mãos e todas as chamas azuis se acenderam, não tão fortes e nem tão fracas. – Só mais um pouco... – disse concentrando-se no primeiro candeeiro a sua esquerda, o esforço enrugou sua face que já estava vermelha e valeu a pena, pois estalos se ouviram e uma pequena faísca roxa surgiu e deu lugar a uma minúscula chama roxa.

- Parabéns meu jovem, é bom ver que está procurando melhorar naquilo que ainda não possui tanto talento. – expressou Anallyz com um breve sorriso. – Algo especial a nos mostrar.

- Claro! – ele olhou para Nathan e esboçou um largo sorriso.

Em pé como estava, ele ficou ereto e se jogou contra o chão se apoiando em suas mãos. Fez uma flexão, o que intrigou o professor Tabbys, em seguida jogou as pernas para cima ficando de ponta cabeça. Sem muito esforço, fez mais uma flexão, arrancando sussurros e assovios. Nathan por um momento esqueceu sua raiva, Monkey realmente era forte, e como se não bastasse ele agora se apoiava em somente uma mão. Naquela hora muitos já começavam a bater palmas, mas ele ainda foi mais além, ficando apoiado na ponta dos dedos de sua mão. Seu corpo tremia, a força que fazia para se manter equilibrado era tamanha para uma criança de sua idade.

- Fabuloso! – disse Kaya, com um sorriso orgulhoso.

- Só mais um pouco... – disse Monkey ofegante e tropeçando nas palavras.

Então num impulso rápido, ficou equilibrado somente em um dedo por alguns segundos e rolou, rapidamente ficando em pé novamente. O suor pingava de seu rosto, mas o sorriso por ter conseguido demonstrar sua façanha transparecia sua felicidade.

Nathan estava maravilhado com a força de Monkey, por um momento pensou o que teria ocorrido com os irmãos ArtDaves se Monkey tivesse realmente os enfrentado.

Moustre Anallyz o instruiu a voltar a seu lugar após pegar seu fardamento e antes de Rouma chamar o próximo, ela pediu para falar com os outros rapidamente.

- Estou impressionada com os novatos deste ano, estão demonstrando habilidades acima de nossa média. – disse ela.

- Sim, - concordou Tabbys. – com exceção do revoltado ali, tivemos apresentações fantásticas. Por mim, negaríamos logo a inserção dele no Instituto.

Nathan estava a três passos da bancada, mesmo com dificuldade, ainda os podia ouvir e o comentário de Tabbys não havia sido nada agradável.

- É realmente estranho o fato de Rouma tê-lo impedido... – complementou Kaya, Yzzis ao seu lado somente concordou com a cabeça.

- Então concordamos com este assunto, sendo assim Moustre Rouma, por que não nos diz o motivo de ainda manter o garoto no Salão das Chamas?

Rouma olhou para Nathan de canto de olho por um segundo e se voltou aos Moustres.

- Não queria gerar confusão entre os formandos, menos ainda esta discussão, então por que não chamo o próximo e encerramos nossa conversa por aqui, pode ser? – respondeu objetivamente, chamando o próximo em seguida.

Os Moustres acharam melhor não questionar, somente trocaram olhares de discordância, mas sem manifestação. Rouma era o mais antigo dos Moustres, o que gerava grande respeito, mais ainda por ser responsável por ensinar Intensificação, a técnica de aumentar consideravelmente qualquer invocação.

Quando Taylor Randall foi chamado por Yzzis, se pôde ouvir pequenos sussurros entre os formandos e até mesmo novatos.

- É este, o famoso filho prodígio do Coran Randall? – perguntou Kaya a Yzzis.

- Dizem que ele se tornará o próximo Vigésimo Quarto General, assumindo o Batalhão de Elite.

- Uma responsabilidade e tanto para um garoto tão jovem e muito bonito, por sinal... – Kaya sentiu os olhos de Tabbys a fitarem. - Quem é o Vigésimo Quarto, você sabe? – perguntou Kaya, intrigada.

- Não, - respondeu Yzzis arrumando os papeis sobre a bancada. – só sei que é o mesmo a doze anos, desde que assumiu nunca perdeu uma batalha e derrotou todos que o desafiaram pelo posto de Vigésimo Quarto.

- Deve ser um homem incrível. – insinuou Kaya.

- Ou uma mulher. – riu Yzzis. – Muito bem Sr. Randall, pode iniciar sua apresentação.

O garoto loiro de olhos verdes-amarelado, fez uma referência aos Moustres sem dizer uma palavra e com o levantar de sua cabeça, acendeu todas as chamas azuis e roxas, sendo as azuis mais intensas.

- Muito bem... – disse Yzzis fazendo anotações. – Alguma habilidade especial?

- Sim, com as vossas permissões. – Taylor fez o selo de Melyne e olhou para o teto do salão. – Taer Invocus. – disse erguendo o braço.

Uma rocha grande foi se formando no teto e despencou, o garoto correu em direção a bancada em alta velocidade, pulou contra ela e com o impulso se lançou contra a rocha e a partiu em quatro pedaços, jogando-os em direções opostas rumo aos formandos e Moustres.

- Braken. – disse no mesmo momento e foi aparando cada pedaço antes que tocassem o chão.

Uma porção de inveja surgiu em Nathan. Taylor nem parecia ser um novato e mais, sabia usar o braken, técnica que ele presenciou sendo usada pelos Septos no dia anterior e a palavra que tanto repetiu a caminho do Instituto. Era de se entender o por que ele era tido como prodígio.

Os formandos vibraram com a apresentação e os Moustres se fascinaram, sorrisos de orgulho se destacavam em seus rostos. Taylor nem se quer havia suado, não demonstrava ter feito um mínimo de esforço. Ele se reverenciou novamente e se encaminhou a Heyg e Milie.

Todos que se apresentavam pegavam com eles um embrulho retangular em papel grosso com as quatro pontas unidas ao meio e seladas com cera vermelha, com o símbolo do Instituto Novo Amanhecer, o sol por detrás da montanha. Dentro deles estava a farda que usariam dali para frente, um livro grosso e outro um pouco mais fino, e por fim um envelope.

- Acabamos aqui com o Teste das Chamas dos novatos deste ano, faremos um intervalo de trinta minutos e retornaremos. Dispensados! – Madhayra parecia aliviado em dizer aquelas palavras.

- E eu, por quanto tempo ainda me manterão prisioneiro? – questionou Nathan, inconformado.

Rouma acenou para que Heyg e Milie fechassem as portas e se aproximassem, desfazendo logo em seguida o trono de pedra que mantinha Nathan.

- Por que me manteve aqui, por acaso irão me usar como cobaia ou me matar? – perguntou irritado.

- Acalme-se meu jovem, até mesmo nós queremos saber o porquê Rouma não te deixou partir. Eu teria deixado – expressou Tabbys, com desdém.

- Meus amigos, não reconhecem este garoto? – perguntou Rouma, com um sorriso.

Todos se olharam sem entender muito bem a pergunta e Kaya respondeu.

- Ah, claro! – disse recostando-se na poltrona e cruzando os braços. – Ele é Nathan Sidrake, o último descendente de Sidrake, O esquecido. – um sorriso malicioso se formou em seus lábios.

A raiva consumia o corpo de Nathan, se pudesse, ele avançaria contra ela sem pensar. Mas sabia que não era nada para ela. Afinal era uma Moustre e demasiadamente forte, o esmagaria sem esforços.

- Não, minha cara. – respondeu Rouma, prendendo o olhar de todos para si. – Este é o descendente de Sidrake, Aquele que ajudou o dragão.

Nathan o encarou diferente, então murmúrios de deboche se ouviram.

- Isto é só uma lenda para fazer crianças dormir! – expôs Kaya, com descredito.

- Será? Eu ouvi essa "lenda", - reforçou ele. – do pai deste garoto.

A raiva do garoto sumiu naquele momento, dando lugar a um turbilhão de sentimentos que nem se quer ele sabia explicar.

- Você conhece meu pai? – perguntou Nathan, gaguejando.

- Não tão bem quanto eu gostaria, mas sim, já pude ter o prazer de conversar com ele. – Rouma escapou o sorriso. – Não achou que realmente tinha vindo parar aqui por engano, achou? Eu lhe disse na enfermaria que, para mim, nada acontece por acaso. Tudo, absolutamente tudo tem um motivo.

Ninguém estava entendendo nada. O garoto estava agora confuso por saber que seu pai era conhecido naquele mundo e os Moustres por não fazer ideia de quem seria o pai dele, pois a muito tempo não se ouvia falar de nenhum Sidrake.

- E ele está vivo? – perguntou Nathan com a mão na cabeça.

- Bom, eu creio que sim. Faz alguns anos que não ouço nada sobre ele, mas notícias ruins correm rápido não é, se tivesse falecido com toda certeza saberíamos.

- Mas minha mãe disse que ele sumiu na Rebelião da Meia-noite... Que provavelmente tinha sido envolvido e perecido.

- Realmente ele sumiu logo após a rebelião, mas não creio que foi por que pereceu, acho que nem se quer se envolveu. Foi realmente uma coincidência, eu presumo.

- Então meu pai é um Septo?

- Oh não meu jovem, bem diferente de um, para ser sincero.

- Então ele é um Renegado em Endlesfyn?

Rouma gargalhou.

- Para alguém leigo sobre este mundo, você parece saber até demais. Onde ouviu sobre Endlesfyn e os Renegados?

O garoto mal conseguia raciocinar, o fato do Moustre responder sua pergunta com outra o deixou triste e intrigado.

- Então é isso, não é? Ele é um Renegado em Endlesfyn...

- Eu não disse isso. – Rouma limpou seus óculos. - Talvez seu amigo tenha lhe contado estórias demais.

- Monkey não me disse nada, eu vi três Septos ontem lutando contra um Renegado próximo da ponte levadiça.

Novos murmúrios se geraram entre os Moustres.

- Como um Renegado chegou em Barsest? – perguntou Milie, apreensiva.

- A pergunta não é essa, mas sim como ele fugiu de Endlesfyn? – Heyg completou o questionamento, que parecia ser o de todos.

- Como era o Renegado, você o viu, garoto? – questionou Madhayra, preocupado.

- Não me respondeu ainda, Moustre Rouma, meu pai é um Renegado? – insistiu Nathan.

- Acalme-se, seu pai não é um Renegado. Entretanto, você levantou questionamentos que devem ser investigados, então responda-nos, você viu Renegado?

- Não falarei nada enquanto não me contar mais sobre meu pai. – impôs Nathan.

Kaya não aguentou e o agarrou pelo braço.

- Olha garoto, você não está em posição de impor nada aqui. Não sei se contou bem, mas são sete Moustres aqui que estão bem mais preocupados com o fato de um Renegado ter fugido de Endlesfyn e posto em risco a vida dos habitantes de Barsest ou mesmo de toda a Província Sul, enquanto você fica choramingando sobre seu papai. Então conta logo o que viu, se quiser sair daqui vivo e talvez com as informações sobre seu pai. – disse ameaçadoramente, olhando nos olhos de Nathan que se tremia de medo. – Vamos, fale!

- O nome dele era Kripto, foi capturado e levado de volta por dois Septos enquanto que a outra me levou para casa pois meu cavalo havia sumido, é isso, não sei de mais nada. – falou rápido e assustado.

- Não precisava ter sido tão má, Kaya. – argumentou Anallyz.

- É, você exagerou. – completou Yzzis e Milie concordou.

- Bom, a gente precisa dar um choque de realidade nesses garotos, se não eles acham que podem fazer o que quiserem. – ela se voltou para Nathan com um sorriso. – Desculpa se te assustei, mas precisávamos saber se o Instituto corria perigo, ou mesmo a cidade e a província. Você entendeu, não é? – perguntou com sorriso intimidador, Nathan concordou balançando a cabeça, com medo. - Agora voltemos ao outro fato, afinal quem é o pai dele?

- Um Moustre, ele trabalha aqui, é isso? – perguntou Heyg.

O coração de Nathan parecia querer rasgar seu peito, finalmente estava tendo informações de seu pai que nunca conheceu.

- Não aqui, que eu saiba. – respondeu Rouma, dando de ombros.

- Onde ele está? O que ele é, você pode me dizer? – as palavras turbulentas saltaram da boca do garoto.

Quando Rouma foi responder foi interrompido por Tabbys, resmungando.

- Ora vamos deixar de enigmas aqui, já não tenho mais idade para isso, qual o nome do seu pai garoto?

- Jyon Albertch Sidrake. – respondeu Nathan, em choque.

Até aquele momento, tudo que sabia sobre seu pai foi o que sua mãe havia lhe contado, nada mais e nada menos. Saber que os Moustres o conheciam mudava tudo e até trazia um certo sentido ao que acontecera com ele, até chegar ali.

- Outro Sidrake esquecido? Nunca ouvi falar. – debochou Tabbys. – Explique Rouma, pois ainda não vi nada de especial e muito menos motivo para estarmos aqui perdendo tempo.

- Nem tão perdido, até por que foi por ele que soubemos do aparecimento do Punho de Fogo, resta-nos descobrir como ele fugiu de Endlesfyn. – defendeu Madhayra.

- Mas Tabbys está certo, logo os formandos irão retornar e ainda estamos aqui, então por favor nos esclareça, Rouma.

- Muito bem. – disse Rouma dando um passo à frente e estendendo o braço em direção de Nathan. - Senhoras e senhores, eu lhes apresento o filho do Vigésimo Quarto General Jyon Albertch Sidrake, Nathan Sidrake.

O espanto foi geral. Ninguém parecia acreditar no que ouvira, principalmente Nathan que recuando lentamente para longe dos Moustres, acabou caindo sentado e ali ficou.

- Mas como você sabe, disso? – Anallyz e Kaya questionaram.

- Tudo bem, meu jovem? – perguntou Rouma, mas Nathan nem se quer se mexia.

- Raramente ouvimos falar do Batalhão de Elite, quanto mais do General que o lidera... – comentou Madhayra. – Tem certeza desta informação, Rouma?

- Com toda veracidade!

- Como pode ter tanta certeza disso? – questionou Tabbys.

- Tabbys está certo, não sabíamos se quer o nome de Vigésimo Quarto, como pode saber que ele tem um filho e que seria um Simplório? – argumentou Heyg.

- Sei disso porque eu mesmo fui um dos primeiros a saber da existência deste jovem. A última vez que vi Jyon foi a doze anos atrás, quando me contou que havia desafiado o até então Vigésimo Quarto General e que estava imensamente feliz pois teria um filho... – ele pôs a mão no ombro de Nathan. – Doze anos depois, aqui está ele.

- Viu? Eu sabia que era um homem. – Kaya comentou com Yzzis, com um sorriso torto. - Então é verdade tudo que contam sobre ele, Rouma? Que desde que assumiu nunca foi derrotado? – ela parecia muito animada.

- Ao que tudo indica, sim, Moustre Kaya. – Rouma afagava o ombro de Nathan. – Como eu disse, saberíamos se algo ruim houvesse acontecido. Nathan, está tudo bem? – insistiu.

- Melhor dar um tempo para ele, acho que é muita informação para absorver de uma vez só. – disse Milie.

- Que coincidência, não é Yzzis? Falamos sobre o Vigésimo Quarto hoje, e olha só quem conhecemos.

Yzzis sorriu desconcertada.

- Agora entendem por que não pude deixá-lo ir? Este jovem tem potencial, é um diamante bruto que precisa ser lapidado. – Rouma chamou Heyg. – Ajude-o a ir almoçar conosco, ele vai melhorar depois que por algo no estômago e devemos nos apressar, já está quase na hora de retornarmos.


Notas Finais


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