História Alma de Dragão - Capítulo 9


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Tags Ação, Amizade, Amor, Aventura, Dragão, Fantasia, Fantasy, Magia, Misticos
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - VIII - O jogo dos pergaminhos


Com as renascenças formadas, Tabbys explicou que sua aula funciona como um jogo de perguntas e respostas, no qual somente um do grupo pode responder, não sendo permitido repetir o mesmo indivíduo. Aquele que acertar a pergunta tem a chance de atacar a renascença a qual é oposto, porém o defensor só poderá se defender se também acertar uma pergunta. Caso a renascença atacante erre, tornasse defensora, caso o outro grupo acerte. Se as duas errarem, deverão se atacar invertendo e invocando os elementos.

- Agora que todos entenderam como funciona, vamos começar o jogo dos pergaminhos. – disse Tabbys arrumando seus óculos. – Renascença da água, escolham quem responderá a pergunta.

Emily e Abash se encararam como rivais. Eram completamente opostas, Emily era loira com as mechas azuis, de pele branca e um pouco mais baixa que Abash, de cabelos negros em rastafári, pele negra e mais encorpada. Até a forma de se vestir era diferente, mesmo que as duas estivessem usando o uniforme do nível I. Emily usava o uniforme da mesma forma que Nathan, bem alinhada. Abash, porém, se parecia mais com Monkey, com as mangas na altura do cotovelo e alguns botões desabotoados na altura do tórax, porém usava o colete fechado, mas a blusa era por fora da calça.

- Eu respondo. – disse Monkey com os braços atrás da cabeça, quebrando o silêncio e o clima entre as duas.

- Ótimo. – expressou Tabbys, mas as meninas questionaram sem confiar no garoto brincalhão. – Sem discussões, já foi escolhido. Agora responda, quais os tipos de runas que existem?

As garotas se voltaram para Monkey, que permanecia com os braços atrás da cabeça e demorou a perceber que precisava dar a resposta.

- Ah, desculpe. Pode repetir, por favor. – respondeu sorrindo. As garotas reviraram os olhos.

- Quais os tipos de runas que existem? – exclamou Emily, sem paciência. - Vamos, é fácil, responda logo!

- Tudo bem, calma. – disse balançando os braços para Emily, como se tentasse acalmá-la. – Existem dois tipos de runas, as elementais e as misturadas.

- Está meio certo, então, está errada. As misturadas, como chamou, são chamadas de amalgamas. – respondeu Tabbys. – Veremos se os renascidos do fogo são mais espertos. Quem responderá por vocês?

- Clarice Flach, senhor. – respondeu a própria.

- Srta. Flach, quantas runas existem?

- Oito runas, Moustre Tabbys. – disse ela, encantadoramente. – Sendo quatro elementais e quatro amalgamas.

- Muito bem, renascença do fogo tornasse a atacante, enquanto a água se defende. – ele olhou para Clarice, acariciando sua barba. - Faça as honras.

- Idiota, espero que ao menos seja capaz de se defender. – explanou Emily.

Clarice deu dois passos para frente e abriu o pergaminho do fogo no chão, Monkey do outro lado fez o mesmo. Todos os novatos pareciam tensos, outros ansiosos para ver o resultado. Os dois fizeram o selo de Melyne, simultaneamente, e exclamando a palavra chancela, tocaram na runa do pergaminho. Duas pequenas bolas de fogo se formaram acima do pergaminho frente a Clarice, que abriu os braços e os lançou para frente fazendo com que as esferas voassem em direção a Monkey. Ele, com o sorriso de sempre no rosto, ergueu as mãos que tocavam o pergaminho e junto com elas uma pequena onda de água foi se formando indo de encontro com as esferas.

- Deveria ser mais atento... – disse Clarice com um sorriso malicioso.

Ela esticou seu braço direito para o lado e novamente para frente. Uma das esferas se desviou da pequena onda de água pela direita e voltando acertou o ombro de Monkey, que só percebeu quando já era tarde.

- Garota da cura, cuide dele. – ordenou Tabbys a Emily, sem dar mais importância. – Agora vocês do fogo, respondem contra os renascidos do vento.

Emily foi ao encontro de Monkey, que reclamava por ter sido atingido. Usando o pequeno frasco com água, que sempre carregava, o destampou e manipulou a água para envolver o ombro de Monkey.

- Na próxima, tente ser menos confiante e mais atento. Se não fosse pelo uniforme, a queimadura seria bem mais séria. – dizia ela enquanto usava a técnica de cura.

- Quem responderá pelo fogo? – perguntou Tabbys.

- Eu respondo, senhor. Ewellyn Milastre.

- Certo. Qual a palavra em Mital para cada runa?

- Flames para a runa do fogo, Aqua para àgua, Taer para terra e Aeris para o ar. E... – ela acariciava os dedos enquanto tentava se lembrar.

- Se não sabe, vamos passar para a renascença do vento. – interrompeu Tabbys. – Quem de vocês irá responder?

- Gylla Trowash, Moustre Tabbys. – respondeu a mesma.

- Me diga a palavra das runas que estão faltando e ganham a chance de atacar.

- Falta as runas amalgamas, a junção de duas elementais. – respondeu com um sorriso confiante. – Fogo e ar formam a runa ray, a energia pura. Água e terra formam a runa syre, que nos permite invocar todo e qualquer ser deste plano. Ar e terra forma a runa phormus, que nos permite invocar todo e qualquer ser de outro plano. E por fim, a runa wakk formada pela junção de fogo e água, a runa proibida.

- Muito bem, ar ataca e fogo defende.

No mesmo instante elas puxaram e abriram seus pergaminhos sobre o chão, Gylla fez o selo rapidamente e ameaçou Ewellyn.

- Você não terá chances! – exclamou. – Aeris invocus!

Dizendo as palavras chancelas ela fez surgir do pergaminho um pequeno redemoinho que aumentou seu tamanho e velocidade conforme ela erguia os braços o fazendo ir rumo a Ewellyn.

A defensora do fogo estava com um olhar perdido, sem saber o que invocaria para deter o redemoinho que vinha em sua direção.

- Flames invocus! – gritou as palavras chancelas, invocando uma coluna de fogo a sua frente, porém já não havia mais tempo. O redemoinho dissipou as chamas e atingiu a garota, a fazendo rodopiar com ele e lançando-a com força rumo ao chão.

- Fogo e vento estão empatados. – informou Tabbys, olhando torto para Ewellyn, que tentava se recompor do baque. – Qual o próximo a responder.

- Eu. – disse Taylor, com os braços cruzados.

- Como funciona o sistema DRE?

- Não sei. – respondeu rispidamente.

- Para alguém nascido na família dos Septos de elite, isto não é algo esperado de ser ouvido, Sr. Randall. – expressou Tabbys. – Como a pergunta não foi respondida, será a mesma para a renascença da terra. Quem responderá?

Kathryne pediu permissão a Brandon e Drwos antes de responder.

- O sistema de Desenvolvimento de Runas Elementais ou DRE, demonstra quais serão os elementos que se pode ter domínio a partir do principal, ou seja, sua renascença. – ela olhou para Nathan, que a fitava e ouvia atentamente sua explicação. – Por exemplo, os renascidos do vento podem aprender mais facilmente as invocações de fogo, porém aprenderão invocações da terra com mais esforço e gasto de energia prima e mais difícil ainda serão as invocações da água.

- Renascença da terra ataca enquanto o vento defende. – informou Tabbys.

- Correção... – retrucou Taylor. – Eu ataco.

O garoto loiro correu em direção a Kathryne, que enquanto segurava sua espada, abria o pergaminho o chão. Taylor era muito rápido, ziguezagueava no curto espaço que tinha até Kathryne no intuito de que ela não prevê-se seu ataque, puxou o pergaminho do envolto atrás de sua cintura e o segurou com seus dentes, fez o selo de Melyne, pegou o pergaminho em seus dedões enquanto matinha as mãos unidas e sussurrou – braken.

Kathryne já esperava que ele usasse aquela invocação, segurando a espada embainhada com as duas mãos, ela também fez o selo e disse as primeiras palavras chancelas de sua renascença – taer... – e ficou atenta ao local onde Taylor apareceria. Tudo ocorria rápido demais para que Nathan pudesse acompanhar, então ele manteve seus olhos em Kathryne, que se mantinha no mesmo local e torceu para que ela se defendesse.

Taylor surgiu alto acima dela, abriu o pergaminho e tocou a palma na runa de fogo após fazer o selo.

- Flames invocare. – chancelou o garoto tornando o pergaminho uma armadilha, o soltou para que caísse em Kathryne e usou o braken novamente para aparecer atrás de Kathryne.

Como já tinha iniciado a invocação, ela a terminou de dizer as palavras chancelas – invocus – e usando a espada fez sua energia prima correr por ela e ativar a runa da terra no pergaminho. O chão a sua volta se levantou transformando-se em um domo sobre ela.

Aquilo surpreendeu o Moustre Tabbys, pois usar a palavra chancela, "invocus", era normal a todos no nível I, porém poucos eram capazes de usar sua variação, "invocare". Isso se devia ao fato de que ao usar tal técnica, você doava parte de sua energia prima para tornar a runa como uma armadilha que só se ativará e fará sua invocação quando acontecer aquilo que o invocador ordenou em pensamento.

- Isso não irá te poupar do meu ataque. – ameaçou Taylor de fora do domo de terra, olhando seu pergaminho cair sobre ele, deitando-se e então detonando.

Uma nuvem de poeira subiu enquanto o barro caía por conta da pequena explosão.

– Previ que faria algo do tipo, por isso tornei a runa uma bomba que explodiria essa sua casca de terra assim que a tocasse. – disse a Kathryne com a mão direita aberta na altura da cintura, suas unhas não pareciam normais, eram grandes, pontudas e não aparentavam nem um pouco de fragilidade. – Você perdeu.

Ele a atacou com suas unhas mas em movimento rápido ela conseguiu se defender com a espada embainhada.

- Acho que não. – instigou ela, fazendo com que Taylor ficasse com raiva atacando-a mais rápida e intensamente.

- Pare com isso, Taylor, irá machucá-la! – pediu Nathan, mas Taylor não lhe deu atenção, então ele apelou para o Moustre Tabbys. – Moustre, faça alguma coisa, isso já foi muito além de um jogo.

- Quem decide isso sou eu, garoto do sul da ponte. – respondeu ele com desdém.

Kathryne continuava a se defender desviando-se e se defendendo com sua espada, que ela insistia em manter embainhada.

- Chega de brincadeiras! – disse Taylor e em um giro rápido derrubou Kathryne com uma rasteira, ficando em pé diante dela logo em seguida. – Eu quis poupá-la por ser uma garota, mas você tem potencial então na próxima não pegarei mais leve. - Ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar.

- Obrigada. – respondeu ela, batendo o barro de sua roupa.

- Parabéns pela performance, Sr. Randall. Você foi excelente. – Tabbys batia palmas.

- Diga isso ao meu pai. – retrucou Taylor.

- Renascença do vento está na frente com duas vitórias. – disse o Moustre desconcertado com a resposta do garoto. – Os próximos são terra versus água, escolham seus representantes.

- Brandon Scott, se apresentando senhor. – gaguejou o garoto branco e gordo da renascença da terra arrancando sorrisos de deboche.

- Abash Galve. – disse a menina negra e forte, sem esperar dar chance a Emily de se opor.

- Responda se puder, Sr. Scott, quem criou as runas de invocação?

- Foi Alanys, a mística. – respondeu tremulo.

- Errado! – Tabbys se voltou para Abash. – Responda.

- Eu iria dar a mesma resposta, senhor.

- A resposta não está completamente errada, Alanys criou as runas elementais, porém as amalgamas foram criadas por pessoas distintas. – ele retirou os óculos e começou a limpá-los com um lenço que tinha em seu fraque. – Zygriff, duplo corte, criou a runa syre para invocar animais e soldados como um reforço em batalha. Kayus, o lanceiro, foi quem criou a runa ray, dizem que suas lanças eletrocutavam seus inimigos os fazendo queimar de dentro para fora. Melyne, olhos do fim, criou a runa phormws com o objetivo de trazer criaturas que aprimoravam sua visão e nunca a deixavam errar uma flecha. Por fim, a cerca de quinze anos o Vigésimo General Darkws Dehnblack criou a runa wakk, o que segundo os rumores, fez com que ele perdesse seu braço direito tornando assim, o uso de tal runa, proibido por questões de segurança do invocador e de toda a ilha extensa. Como nenhum acertou, o ponto é daquele que acertar o ataque.

- Desista, você não pode me atingir. – alertou Abash.

- Isso é o que veremos. – gaguejou Brandon.

O garoto gordo e desengonçado abriu seu pergaminho no chão enquanto Abash olhava com os braços cruzados sem dar a mínima importância, ele fez o selo com as mãos e apalmou a runa do pergaminho da terra.

- Taer invocus! – urrou e um pequeno tremor começou a ser sentido por todos, a terra foi rachando em direção a Abash e então uma coluna de barro se formou com rapidez em direção a seu rosto, mas parou a um palmo de distância.

- Só isso? – perguntou ela, com os braços cruzados, firme em seu lugar.

- Taer invocus! – berrou o garoto novamente, várias e várias vezes até começar a suar e se cansar, mas nenhuma de suas seis colunas ultrapassavam o palmo de distância para atingir Abash e nem mesmo o buraco no chão que se formou alcançou terreno sobre os pês da garota. – Como isso é possível? – perguntou Brandon, já sem forças.

- Eu avisei... – expressou Abash. – Desculpe garoto, preciso dos pontos para minha renascença. – Ela retirou o pergaminho do envolto em suas costas e usando uma das colunas como apoio, fez a invocação de uma bola d'água e lançou no garoto, que com o impacto caiu com as roupas molhadas aos pés de Kathryne.

- Desculpe. – pediu Brandon.

- Tudo bem, você deu seu melhor. – respondeu Kathryne para reconfortá-lo.

- Muito bem, Emily BirdHill disputará agora com Abraham Lincel.

- Desculpe Moustre Tabbys, mas não posso fazer isso. – disse Emily com pesar.

- E por que não?

- Por que eu não posso lutar contra, bem, contra um garoto mais novo e...

- E cego. – completou Abraham.

- Foi você quem disse. – retrucou Emily.

- É, mas foi o que ia dizer. – o pequeno garoto de cabelos ondulados e de um loiro quase branco deu dois passos à frente e com um sorriso disse. – O que foi, está com medo de perder para um cego?

- Eu nunca perderia. – respondeu Emily.

- Então o que? – insistiu ele. – Está com medo de sujar sua reputação lutando contra o ceguinho?

- Claro que não!

- Então para de procurar desculpas e responda a pergunta. – disse seriamente ficando seu cajado fino na terra.

Moustre Tabbys a olhou esperando a reação dela, que com relutância, consentiu.

- Muito Bem, quem criou os selos de invocação?

- Embora muitos acreditem que foi cada um dos Sete Lendários, - Emily olhou Abraham e engoliu seco, a pergunta era fácil demais e ela sabia que conseguiria vencer, mesmo achando injusto, precisava se manter do lado de sua renascença. – o selo do nível I, Melyne, foi encontrado nos pergaminhos achados por Alanys e Lyns. Os outros cinco selos foram criados por Lyns enquanto estudava sobre energia prima, como somente descobriu seis formas de manipulação da energia prima, atribuiu os nomes dos seis selos a cada lendário, com exceção de Baygror.

- Correto. – Tabbys olhou para Abraham, a acariciando sua barba curta perguntou. – Diga garoto, qual o nome e finalidade de cada selo?

- Não faço a mínima ideia, afinal o único selo que conheço é o de Melyne. – gargalhou.

- O selo de Melyne é o básico, usado em diversas finalidades como: aprimoramento físico, invocações simples e de defesa. Kalldorf é a variação do selo de Melyne, tem como finalidade aprimoramentos físicos que envolvam combate e invocações de ataque. Lyns é o selo para ocultação, ilusão e manipulação da energia prima focada no invocador que estão além de se defender ou atacar. Kayus é o selo para invocações ofensivas avançadas. Alanys é o selo para invocações avançadas de runas amalgamas. Por fim, o selo de Zygriff é usado para intensificar toda e qualquer invocação ou técnica. – Tabbys, balançou a cabeça rumo a Abraham. – Faça as honras, mocinha.

Emily de início relutou em pegar o pergaminho, mas o abriu próximo de seus pés, olhou para o Moustre, Abash e Monkey, como se buscasse uma alternativa diferente que não fosse atacar, porém ele só a olharam de volta esperando seu movimento. Ela fitou Abraham, que parecia estar atento aos sons, fechou seus e fez sua invocação.

- Aqua invocus...

Duas bolhas de água eclodiram do pergaminho, ela movimentou seus braços para que as bolhas fossem rumo aos pés de Abraham, que esperava segurando seu fino cajado de madeira alaranjada. Emily evitou usar velocidade nos movimentos, torcendo para que o garoto cego pudesse ser capaz de defender ou se desviar, o que ele acabou fazendo sem um mínimo esforço.

- Guarde sua piedade aos Castos e Sem-linhagens. – advertiu Abraham, rolando e abrindo o pergaminho sobre sua perna. – Flames invocus.

Pequenas esferas de fogo foram surgindo sobre o pergaminhos, o pequeno garoto alinhou seu cajado a sua perna, ao lado das esferas e virou seu rosto em direção a Emily.

- Na próxima, seja menos piedosa. – disse ele antes de começar a bater nas esferas arremessando-as em Emily, que tentava ao máximo não ser atingida.

- Chega, garoto! – ela gritou. – Eu quis apenas ser gentil.

- Eu não pedi que fosse. – retrocou Abraham, rindo divertidamente.

As pequenas esferas não paravam de surgir e Abraham não parecia se cansar, isto chamou a atenção do Moustre Tabbys que se questionou como aquilo poderia acontecer, já que a energia prima está relacionada com a essência vital dos seres, ou seja, quanto mais se usa mas você se cansa até chegar um momento em que não possa mais se capaz de fazer invocações. Pelo número de esferas que Abraham já havia lançado, ele deveria estar exausto, muito mais que Emily que somente se esquivava. Além do mais, ele era uma criança de dez anos, não poderia ter tanta energia prima assim.

- Pare, Sr. Lincel. – ordenou Moustre Tabbys. – Os pontos são da renascença do fogo.

A criança de cabelos loiros, quase brancos, voltou orgulhoso e sorrindo para perto do seu grupo.

- Muito bem, aqui estão os últimos. – expôs Tabbys. – Vamos ver do que serão capazes, Sr. Granmsh e Sr. Sidrake.

Enquanto os garotos se separavam de seus grupos, Nathan pôde ouvir os comentários sobre seu pós-nome daqueles que não chegaram a ter contato com ele. Um ou outro lembrava sobre o Sidrake da lenda, Aquele que ajudou o Dragão, mas muitos só riam e debochavam o chamando de Descendente do Esquecido.

- Muito bem, como são os últimos, vamos fazer diferente. – informou Tabbys, com um sorriso torto e malicioso quase imperceptível. – Quem responde primeiro é a renascença do vento, já que estão na frente. Então me diga, Sr. Sidrake, o que é necessário para se tornar um General?

Nathan não sabia a resposta e nem se ocupou em olhar para seu grupo pois sabia que não se esforçariam em ajuda-lo. Monkey somente balançou a cabeça confiante com um sorriso e fez sinal positivo, mas não era o que Nathan queria. Quando se voltou para Kathryne, a viu usando a Nymphyw para escrever algo no barro, no início ele não compreendeu, até que ficasse claro.

- Pulsão? – sussurrou ele.

- Desculpe, o que disse, Sr. Sidrake? – questionou Tabbys. – Sabe a resposta ou não?

- Eu, bem, na verdade... – ele respirou fundo com desapontamento. – Infelizmente eu acho que não sei, Moustre Tabbys.

- É uma pena. E você Sr. Granmsh, sabe a resposta?

- Para se tornar General, é necessário desafiar o General atual do batalhão.

- Está errado. – Tabbys revirou os olhos em desaprovação. – Para se tornar um General, é necessário antes de se fazer o desafio, ter domínio da pulsão. Então, darei uma colher de sopa para vocês, se me disserem o que é a pulsão?

- É a energia mais forte que a prima.

- Resposta vaga, Sr. Granmsh. – Tabbys olhou para os demais novatos. – A pulsão está além da prima, é uma energia muito maior e mais forte que surge naqueles que conseguem criar o equilíbrio entre mente e corpo. Diferente da prima, ela não nos cansa quando a usamos, pois não está relacionada ao nosso corpo físico, mas ao nosso espírito, a nossa alma... Isso a torna praticamente infinita, porém, instável. Todos os vinte e quatro generais tem domínio sobre a energia prima, ou seja, vocês também podem dominá-la, pois assim como vocês um dia eles foram Septos. Claro que isso irá exigir muito esforço e coragem para desafiar o general atual do batalhão que deseja. – Ele olhou para Nathan e Taylor. – Um fato interessante é que temos entre nós os herdeiros do último general desafiado e do atual, Taylor Randall é filho de Ioryn Randall, ex-General do Vigésimo Quarto Batalhão, que perdeu para Jyon Albertch Sidrake, pai de Nathan Sidrake.

Nathan voltou seus olhos para Taylor e sentiu a raiva emanar do garoto loiro.

Ele sempre sentira orgulho por nascer na linhagem dos Septos de elite, muito mais por seu pai ter sido um dos generais. Nunca antes ele tinha se perguntado quem o havia derrotado, mas queria a todo custo ter o posto de volta ao nome de sua família. As palavras de Tabbys pareceram alcançar exatamente seus objetivos, tinha trago a rivalidade a nova geração e parecia se orgulhar de seu feito

- Agora chega de histórias e vamos ao último embate, podem começar.

Drwos preparou sua invocação, mas Nathan não sabia o que fazer. Ele desenrolou o pergaminho, fez o selo e por vezes tocou a runa dizendo as palavras chancelas, como todos os outros fizeram, mas de forma alguma ela criava uma invocação.

- Acho que já ganhei, taer invocus! – disse Drwos com um sorriso, invocando uma enorme rocha redonda na sua frente. – Eai, filho do general, será que pode se defender disso?

Nathan continuava repetindo o selo e tocando a runa, mas não tinha sucesso. Aquilo foi o frustrando gradativamente, lhe deixando com muita raiva e mais ainda quando voltou a ouvir a voz como um som de trovão que insistia em chama-lo de "Fraco!".

- Já estou com muita fome e não quero ficar aqui a manhã toda, então pensa rápido. – O garoto negro pôs o pé na rocha e inclinando-se a empurrou, fazendo com que rolasse em direção a Nathan.

Ele foi ficando cada vez mais apreensivo, não sabia o que estava fazendo de errado e não tinha mais tempo para descobrir, a única coisa que poderia fazer era se desviar, mas esse plano também foi frustrado quando Drwos apareceu correndo ao lado da rocha. Um dos dois o atingiria, disso Nathan tinha certeza.

- Você já era, descendente do esquecido!

As palavras de Drwos ressoaram nos ouvidos de Nathan, que por uma última vez fez o selo e tocou as runas.

- Aeris invocus!­ – exclamou e uma brisa soprou em direção a Drwos, sem gerar nem um impacto.

O garoto negro e robusto saltou e desferiu um soco no rosto de Nathan, que caiu rolando. Drwos parou a rocha com um certo esforço e começou a gargalhar.

- Esse é o filho do Vigésimo Quarto General. Nathan Sidrake, brisa leve. – debochou gargalhando e fez com que todos os outros rissem, com exceção de Kathryne que matinha os olhos atentos a Nathan, apertando o cabo de sua espada. Monkey tentou segurar o sorriso, mas achou o apelido engraçado e acabou deixando escapar.

- Fim dos embates, o resultado foi: Renascenças do Fogo e Vento com dois pontos. Água e Terra com um ponto. Próxima aula teremos um novo embate para os desempates, aconselho que aqueles que não sabem fazer invocações, que aprendam até lá. – Tabbys pousou os olhos sobre Nathan.

- Talvez os Moustres devessem começar a ensinar. – retrocou Nathan, ao notar o olhar de Tabbys.

- Manipulação é um requisito básico que todos os novatos deveriam saber, sinto muito se as pessoas do sul da ponte não tem tal conhecimento. – rebateu Tabbys. – Talvez devesse pedir ajuda aos seus amigos, Sr. Sidrake.

O Moustre deu as costas a Nathan e se despedindo dos novatos, desapareceu subitamente. Kathryne foi ao encontro do garoto franzino que, caído no chão, limpava o sangue de sua boca.

- Você está bem?

- Kathryne... – ele respirou fundo e seriamente olhou em seus olhos. – Me ensine a fazer invocações.

- Eu, - ela relutou, mas vendo a determinação dos olhos dele, não pôde recusar. – ensinarei a você tudo que sei.

- Eai, Brisa Leve. – brincou Monkey, mas a reprovação no olhar de Nathan o fez reconsiderar a brincadeira. – Desculpe... Eu não quis... Bom, você está bem?

- Ficarei...

- Vamos? O almoço já deve estar pronto.

- Melhor passar na enfermaria, antes. – opôs Kathryne.

- Não, eu estou bem. Vamos ao salão principal. – disse Nathan se levantando, sendo esbarrado em seguida por Taylor. – Ei, deveria prestar mais atenção. – Exclamou sem notar quem era.

- Perdoe-me, Sidrake. – pediu Taylor, com sarcasmo. – Não foi minha intenção sujar meu uniforme com sua linhagem.

- Parece que minha presença aqui não agrada muita gente. Como se já não bastasse os ArtDaves, agora sou inimigo dos novatos, vocês deveriam reconsiderar se manter perto de mim.

- Que isso, irmão? – Monkey o abraçou de lado. – Você é meu amigo.

- Não se importe com eles, são todos invejosos sem escrúpulos.

- E do que sentem inveja? – riu Nathan. – Eu sou um desastre na manipulação, nem sei como fiz aquela invocação, se é que pode ser chamada assim, e nunca nem vi meu pai. Não vejo motivo nenhum para sentir inveja.

- Vai ver por que você é o único que ganhou um apelido que envolve a renascença. – disse Monkey conseguindo arrancar um sorriso de todos.

- Eu só sei que devo me preparar, amanhã com certeza não será diferente. – ele olhou para Kathryne. – Eu prometo a mim mesmo que dominarei minha energia prima. O que aconteceu hoje não se repetirá novamente. Nunca mais!


Notas Finais


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