História Almas Perdidas - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Ally, Camila, Camren, Dinah, Lauren, Normani, Sobrenatural
Exibições 67
Palavras 2.771
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Super Power, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Número 0.2


Limpamos os corredores aos sons de Ramones. Agradeço aos céus por ter conseguido converter essas duas criaturas ao meu lado do bom e velho rock. Não aguentava mais ouvir as princesas da Disney.           

          Eu não me lembro ao certo das musicas que meu pai escutava, porém, tenho uma breve memória sobre escutar Sex Pistols na garagem enquanto ele limpava o seu carro. E é aqui que eu volto à estaca zero. Talvez eu não tenha personalidade própria.    

          Dançávamos e nos acabávamos em cantar lavando o chão. É tão ridiculamente engraçado que da vontade de rir como se minha vida dependesse disso. Dinah canta tão mal, [NA: só aqui mesmo pq na vida real XESUS!] mas mesmo assim não deixa de soltar a voz com as musicas. E após Ally escorregar e depois Dinah cair junto a ela e então por fim eu me esborrachar no chão molhado, decido ir até ao pequeno armário de limpeza no segundo andar e pegar panos de chão limpos e secos e quem sabe curativos para meu pequeno ferimento no cotovelo.          

          Um cubículo. É assim que chamo o local em que estou encontrada no momento. Um pequeno quadrado que em seus três cantos se encontram as prateleiras com produtos de limpeza e coisas perdidas que as pessoas esquecem na escola ou no próprio armário. Pego os panos limpos e com o olho vasculho o local a procura de kit médico. Para dificultar as coisas ele está bem na ultima prateleira. Seria tão difícil deixar algo tão simples como esse em um local mais acessível?    
 
          Não estou com a sensação muito boa. Mas eu me importo? Definitivamente não.           

         Escalo a prateleira como se estivesse escalando uma parede de muros com equipamentos adequados, mas meu único equipamento são os pés, as mãos e minha incrível sorte. Degrau por degrau, me aproximo de meu objetivo.         

          — Consegui! — grito ao sentir o pequeno objeto em minhas mãos, até que não sinto mais nada em meus pés e caio de mau jeito no chão.     

          A dor em minhas costas me impede de abrir os olhos e ver como eu consegui cair. Mas quando ouço sons de metais rangendo, visualizo a prateleira em minha frente lentamente tentando se equilibrar até que ela desmorona e vem de encontro a mim. Não sei se isso me mataria, mas com certeza fará um estrago enorme em meu corpo. Fecho meus olhos novamente e espero pelo pior.      

          Sinto então um par de braços me envolvendo pela cintura e me arrastando para fora do armário de limpeza e me salvando de uma possível fratura interna.     

          Não ouso abrir os olhos até a estante ir de encontro ao chão. Quando ouso o forte barulho finalmente os abro e procuro por meu salvador. De canto de olho vejo uma sombra se esgueirando para o fundo do corredor. Lá está ele!         

          — EI! ESPERE, POR FAVOR! — grito tentando chamar a atenção da pessoa, mas falho miseravelmente. Ele não quer ser visto por mim, mas então porque me salvar?           

          Levanto-me e corro até onde a pessoa foi, e para minha surpresa, não há nada além de uma parede branca e alguns armários. Nem uma única janela no local para se fugir. E mesmo se tivesse, estou no segundo andar, como pularia sem fazer barulho algum? Penso se não devo estar ficando louca ou simplesmente foi uma reação ao medo de me machucar. Talvez tenha sido isso.

          — Mas o que raios aconteceu aqui? — um calafrio percorreu minha espinha. É a diretora cara de morsa.          

          Viro-me para trás lentamente, sabendo que o que eu veria não seria nada agradável. E realmente não é nada legal. Ela está visivelmente brava trocando o olhar de mim para as prateleiras, das prateleiras para mim e parando seus olhos acinzentados no meu rosto coberto por uma camada invisível de pânico. Eu não gosto dela.         

          Com os punhos fechados, senhora Lopes veio até mim com uma feição nada amigável. Ela é de uma gentileza e uma simpatia que te conquista — note o leve sarcasmo — no mesmo segundo.     
 
          Fiquei na sala dela cerca de meia hora, ou algo mais. Ela falava coisas que no momento eu não conseguia prestar atenção, pois ela estava concentrada em outra pessoa. Não é possível que eu tenha imaginado braços me segurando. Eu os senti!         

          Tento tirar essas ideias da cabeça quando meu interrogatório acaba. E então terminamos de lavar o chão da escola. Dinah e Ally não param de me perguntar o que a diretora queria comigo e como consegui a proeza de derrubar o armário, que até onde sei, estava perfeitamente pregado na parede. Ou era para estar. A verdade é que esse armário está tão velho que não duvido que cupins comedores de metal devoraram todos os pregos que deveria estar ali. Além disso, eu não quero contar para as meninas sobre o que aconteceu hoje até ter certeza do que é.
 
          Depois de mais algum tempo discutindo sobre eu preferir ficar calada sobre qualquer assunto que envolva armário, diretora e a pessoa misteriosa que me salvou, decidimos ir a um pequeno restaurante aqui perto. Sempre íamos lá quando crianças e já faz um tempo que não nos deliciamos com a graça divina que é os vários sabores de sorvete envolvidos em coberturas dos mais diversos tipos.    

          Uma das coisas que mais gosto de lá é que não somente compramos sorvete, mas também batata frita. A melhor combinação de todo o mundo.        

          Goiabada e queijo são para quem nunca experimentou batata frita com sorvete. Pode até ser considerado estranho, mas nossa amizade merece comidas estranhas.           

          Risadas e conversas sem nexo. É como se resume nós três quando estamos juntas. Não tem nenhum tipo de assunto que nós não tenhamos comentado e os assuntos nunca morrem. Desde coisas sem finalidade, como a cadela da Dinah defecar engraçado, até coisas mais sérias, como política ou como o professor de física guarda sua casa em sua cabeça. Talvez a segunda não seja tão seria assim. 

          Depois do nosso ritual de sorvete com batata frita, fomos direto para a praça em que sempre vamos após comermos. O lugar é lindo. Meu pai me levava aqui quase todo final de semana e quando ele tinha folga também. Mostrei a praça para as meninas alguns dias depois de começarmos uma convivência mais agradável. Elas amaram. Como não amar? O lugar transmite uma paz que eu só consigo sentir aqui. Talvez porque eu vivia aqui com meu pai mais do que em nossa própria casa. É a parte mais verde da cidade, o resto tem às cores tão horrivelmente cinzentas e desgastadas que me faz querer morar em uma floresta apenas pelo verde vivo.   

          A praça é um ponto turístico da nossa cidade — talvez o único — que trás a essência de como era bonito aqui antigamente. Queria poder ter vivido há uns vinte anos atrás e ter visto tudo como antes. Meu pai dizia que após o prefeito da cidade atualmente se eleger e ganhar, o lugar começou a ser demolido e criado mais comércio do que se tinha antigamente. De um lugar pacato e tranquilo e até menos poluído, tornou-se quase uma cidade grande.          

          Apesar de tudo, me familiarizo com a praça. Sinto como se eu tivesse vivido aqui minha vida inteira e visto o local ser mudado com o tempo, mesmo não sendo isso.   

          Nós três sentamos em um banco e começamos a jogar conversa fora.      

          Apesar de ser uma praça pequena muita gente vem aqui, desde crianças a idosos. Alguns pirralhos corriam de um lado para o outro brincando dos mais diversos jogos. Em outro banco, um casal de idosos conversam e se olham em uma intensidade invejável para quaisquer namorados jovens. Em um determinado momento, uma mulher conversando no celular parecia brigar com o namorado ou marido. Seria cômico se não fosse irônico.         

          Três rapazes, aparentemente franceses, aproximaram-se de nós e puxaram papo. Dinah logo se animou e Ally a acompanhava. Eu não estou muito a fim de ficar com ninguém, tampouco ficar de vela para elas. Mas conversei com eles, mesmo entediada com o assunto e mesmo com minha mente vagando em outra pessoa na qual nem sequer vi o rosto. 

          Os garotos — na qual não me lembro do nome de nenhum — disseram que hoje seria o seu ultimo dia no Brasil. Dinah, baladeira como sempre, propôs de nós a noite irmos a algum lugar com bebidas para nos despedir. Todos acharam a ideia incrível e eu apenas assentia sem dizer uma única palavra. Minha cabeça estava nas nuvens e eu mal tinha raciocínio para algo que envolvesse outras pessoas.        
 

(...)


          Olho meu relógio. Já passa das cinco da tarde.        
 
          Alheia a qualquer conversa deles, começo a me sentir tonta. Nunca me senti assim antes, como se minha cabeça estivesse girando de um lado e o mundo virasse para o outro tão rápido que eu me sentia inércia a tudo em volta.       
 
          — Gente, eu vou ir beber água. — minha voz falha, saindo quase em um sussurro — Eu... Já volto.      

          Sem esperar resposta de qualquer um ali, saio a passos largos em direção do banheiro a tempo apenas de ouvir Ally perguntar se queria que ela fosse junto comigo. Eu não respondi.      

          Abro a porta do banheiro e verifico cada cabine. Por algum motivo me sinto observada e quis verificar. Mas para que? Estou na droga de um banheiro público. Talvez no fundo eu quisesse que alguém estivesse me observando e que essa pessoa fosse à mesma que me salvou hoje mais cedo.   

          Na pia do banheiro, abro a torneira e com a mão em formato de concha deixo a água cair e então jogo tudo de uma vez no rosto, querendo que a sensação de limpeza leve todo essa mal estar que estou sentindo.

          Respiro fundo.

          O que há de errado comigo?  

          Abro meus olhos procurando as feições tão semelhantes de meu pai em mim, apenas para segundos depois desviar meu olhar da íris verdes para encontrar alguém na porta me encarando. A luz estava fraca e eu só conseguia ver seus lábios e cabelos castanhos escuros compridos.          
 
          Segundos que pareciam horas foram passando e nós dois nos encarávamos apenas pelo espelho sujo. Querendo acabar com esse jogo de ficar encarando, me viro somente para ver o vulto preto indo embora. Um calafrio cobre minha espinha. Será a mesma pessoa?       

          Saio do banheiro o mais rápido que posso, esquecendo-me da tontura e até da água — que estava mais para uma desculpa — que eu beberia. Olho para todos os lados desesperada querendo encontrar a pessoa. Sinto-me necessitada de saber quem ele, ou talvez ela, seja. Tenho quase certeza ser uma garota por conta dos cabelos longos e castanhos escuros. A mesma pessoa me encara agora a metros de distância de mim, perto de uma arvore. Porque tenho a sensação que ela quer que eu a siga? E porque eu não estou com medo disso?          

          Pude notar agora melhor ser realmente uma garota, porém, à distância me impede de reconhecer seu rosto, se tornando apenas um borrão ao lado de uma árvore. A garota vira nos calcanhares e some entre as árvores correndo, mas antes de desaparecer, ela se vira e posso jurar ter visto um pequeno sorriso.  

          Ela definitivamente quer que eu a siga.        

          Involuntariamente, abro o mesmo sorriso. Mesmo não sabendo ao certo o motivo.        

          Corro seguindo o mesmo caminho que a garota, passando pelo banco em que os franceses, Dinah e Ally estão.

          — Lauren? Onde você está indo? — ouço Dinah gritar quando cruzo o seu campo de visão. Mas mais uma vez eu não respondi, apenas continuei correndo como se a minha vida dependesse disso.        

          Mesmo se eu quisesse — o que eu realmente não quero — me distrair, eu não tentaria. De alguma forma eu preciso saber quem é essa garota e o que ela quer.     

          Sigo o caminho na floresta onde a garota dos cabelos castanhos escuros passou.

          Passos na grama atrás de mim se fazem audíveis e gritos com o meu nome são pronunciados. Ally e Dinah me seguem. O quão idiota isso que estamos fazendo pode ser?   

          Olho para trás, obtendo a cena mais cômica que já vi. E eu até riria se não estivesse ocupada de mais querendo chegar a seja lá onde for. Dinah e Ally estão ofegantes, curvando-se e apoiando-se em seus joelhos buscando por ar. Eu estou inquieta e elas não pareceram notar, ou fingem não notar. 

          — O que você está fazendo? — pergunta Dinah ofegante me olhando com cara de desaprovação. Mais uma vez quis rir pela sua careta, porém, não tenho muito tempo para besteiras.      

          Não a respondo. Volto o olhar para o caminho em que eu estava seguindo e vejo uma cabana de porte médio. O que uma cabana no meio de uma praça faz aqui?         

          — Lauren! Volte já aqui! — exige Ally me fazendo rir. Qual é?! As duas mais jovens querem mesmo mandar em mim? Isso é cômico.       

          — Por que vocês não param de fazer perguntas e me mandar voltar, e começam a ir mais rápido e ficam em silencio? Serenidade é uma dádiva. — olho para trás e rio com as caretas das duas.          

          A cabana parece ser bem velha e de uma madeira bem fajuta. Parece ter ocorrido uma guerra de cupins de tantos buracos e rachaduras que contém. Se eu não tivesse me aprofundado na mata, mal notaria essa cabana rodeada por árvores e folhas secas.

          Subo as três escadas e fico de frente para a entrada principal em seguida bisbilhoto a janela empoeirada que me obriga a passar a mão para conseguir enxergar o que tem ali dentro.    

          Há moveis dentro, o que quer dizer que alguém morou ou mora aqui. Ou tem a opção menos legal que é a que me faz pensar que é apenas um lugar que uma pessoa fez para ficar longe de tudo de vez em quando. Puff! Seria demasiado chato.        

          — Pelo amor de Deus, Lauren, vamos embora. O que porra você quer aqui? — pergunta Dinah com a voz visivelmente agoniada se aproximando com Ally. As duas vêm hesitantes até mim.        

          — Por que tem uma cabana no meio de uma floresta que está no meio de uma praça? — murmuro mais para mim do que para as duas criaturas curiosas que agora se apoiam em meu tronco para ver melhor na janela.           

          — Eu não sei. Por que você não pergunta para quem construiu essa merda de cabana muito bem projetada?           

          — Porque a cabana é velha e provavelmente quem quer que tenha construído já veio a falecer. — respondo dando de ombros tentando enxergar algo além da penumbra.    

          — Eu estava sendo irônica.    

          — Eu também DJ. — digo em um suspiro. Estou sem paciência para qualquer discussão no momento, mesmo adorando discutir com Dinah de vez em quando.  

          Volto à porta de entrada e ponderei a possibilidade de abri-la e me deparar com vários tipos de criaturas, desde pessoas a animais.       

          Trancada.

          Talvez eu possa arrombar a porta com chutes. Então tento. Um, Dois, Três, Quatro chutes sem sucesso. O quinto chute, já quase desistindo, boto toda minha força fazendo finalmente a porta cair e uma poeira intensa cobrir o ar do local. O que é de se esperar pelo fato de ser um lugar bem velho.          

          — Eu não acredito que você vai entrar mesmo ai. — murmura Allyson.   

          Entro. E a cada passo que eu dou um barulho irritante de madeira rangendo ecoa pelo local. Não tem nada aqui. Porque me levar até aqui se não tem nada? É mesmo aqui que ela queria que eu estivesse? E onde ela se meteu?          

          Bato os pés impaciente. Que merda eu estou fazendo? Esse lugar deve ser patrimônio publico e eu simplesmente invadi como se estivesse na casa de um amigo ou da família que me convidou para um churrasco de ano novo.    

          Olho para todos os lados a procura de qualquer coisa que eu possa atirar na parede por conta da frustração. A primeira coisa que eu vejo é um vaso e logo em seguida ele é espatifado na parede de madeira deitando-se no chão em pequenos pedaços. A segunda coisa que eu acho é um pequeno apoiador. A terceira é uma mesa de centro toda de vidro.            

          — Mas que merda! — grito aos quatro cômodos. Ally e Dinah nada fazem. Sabem que quando eu tinha minha crise de raiva o melhor a se fazer é me deixar extravasar.             

          A quarta coisa foi o sofá. Ele não quebrou como as outras coisas. Ele apenas bateu na parede e foi ao chão tão forte e rápido que o chão tremeu e se abriu em meus pés e só me deu tempo de sentir o ar se quebrando enquanto meu corpo desaba junto com os destroços.        



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