História Almas Sombrias - O Estripador de Lynnwood - Capítulo 8


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abel, Bruxas, Caim, Fantasia Urbana, Lendas, Originais, Vampiros
Exibições 13
Palavras 4.269
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


E aqui vai mais um... u.u

Capítulo 8 - Capítulo Sete


Fanfic / Fanfiction Almas Sombrias - O Estripador de Lynnwood - Capítulo 8 - Capítulo Sete

Mesmo fechados, os olhos de Candace ardiam. O quarto estava iluminado, o que significava que o dia já amanhecera. Ela esticou os membros rijos e tensos pela cama macia, encontrando um segundo par de pernas e braços no caminho.

O cabelo loiro platinado de Jennifer estava espalhado pelo travesseiro, o qual havia puxado para si no meio da noite. Ela vestia uma blusa regata que encontrara no guarda-roupa da amiga, uma calcinha azul e meias 5/8 coloridas. Após um instante a observando, Candace repassou em sua mente os detalhes da noite anterior.

Uma Zoe descabelada, de olhos vermelhos e face inchada adentrou o saguão do hospital. Ao avistar as amigas, abraçadas em um canto, seguiu na direção delas, hesitantemente.

Candace foi a primeira a perceber sua presença e apenas um olhar bastou para que Zoe caísse em lágrimas também. Em um único abraço desajeitado, as duas meninas tentaram consolar a Kidman, que chorava desenfreadamente.

Após algum tempo, Zoe deu um passo para trás, puxando as amigas pelo braço.

- Venham – chamou, caminhando em direção à entrada do hospital. – Vou levar vocês pra casa.

- Sinto muito ter te incomodado a essa hora... – Candace começou a dizer, mas Zoe a calou com um olhar.

- Deixa disso.

- Eu posso dormir hoje com você – Jennifer se ofereceu, um tanto incerta. – Se você precisar.

Candace apenas assentiu, tentando secar as lágrimas que alagavam seu rosto.

- Eu também – afirmou Zoe, apertando suas mãos. – Não vamos te deixar sozinha.

Candace bem que tentou sorrir, mas o resultado se assemelhou a uma careta. O olhar de Zoe se focou de repente em algo além da amiga, o que fez com que Candace se virasse.

Zach e Thomas as observavam, a poucos metros de distância. Ao perceber as três garotas olhando em sua direção, Zach decidiu se aproximar.

- Eu vou passar a noite aqui com a Kate, mas qualquer coisa que precisar, é só me ligar, ok? – ele disse à Candace, que assentiu em resposta.

Por um pequeno instante, Zach não soube como agir, principalmente com dois grandes pares de olhos espectadores. Mas, então, Candace o abraçou. O corpo dela junto ao dele espalhou uma sensação relaxante em seu peito, que se misturava com o pesar de não poder ficar ao seu lado.

- Obrigada – agradeceu, antes de se afastar, de braços dados com Jennifer. Zoe ficou para trás, voltando-se para o garoto.

- Cuida dela, ok? – pediu ele, com a preocupação estampada no rosto. Zoe assentiu prontamente.

- Nós iremos.

Candace se sentou na cama. O sono havia secado suas lágrimas, mas a calmaria e a mansidão que a noite trouxera se dissipavam gradativamente, trazendo a dor de volta. Não que ela houvesse partido, mas sim anestesiada; até então adormecida.

O nascer de um novo dia, porém, forçava-lhe a realidade goela abaixo.

Chutando os lençóis para longe, Candace se pôs de pé e trocou o pijama por um short jeans e uma camiseta velha. Chegando ao corredor, porém, se deteve com a visão da porta aberta do quarto de Steven.

Candace seguiu em passos rápidos, encontrando o cômodo desarrumado, como sempre, porém, vazio. Seu coração se acelerou, pensando em como estava errada ao deixá-lo sozinho na noite anterior. Impulsivo e propenso a se meter em encrencas, Steven poderia estar em qualquer lugar àquela hora, fazendo Deus sabe lá o quê.

Em pânico, saiu correndo para revistar cada pedaço da casa, desde o quarto dos pais, o quarto de hóspedes e até mesmo o banheiro, mas sem encontrar sinal do irmão. Correu então escada abaixo, quase tropeçando nos degraus durante a descida.

Chegando à sala de jantar, seguiu em direção ao barulho da cafeteira ligada. Um cheiro de torrada alastrava a cozinha. Zoe se virou para a amiga com um pequeno sorriso. Pondo a fôrma de alumínio em cima da bancada, ela retirou as grandes luvas de cozinha que apenas Marien costumava a usar. O estômago de Candace quase virou de ponta cabeça.

- Bom dia – cumprimentou Zoe, com um tom não tão alegre quanto o usual.

- Você viu o Steven?

- Sim, ele está...

- No banheiro – uma voz atrás de Candace respondeu. Ao se virar, ela se deparou com o irmão; sem camisa e de olhos mais inchados que o normal. Candace suspirou aliviada.

- Por que não usou o de lá de cima?

- O vaso tá entupido – respondeu ele, com uma voz fria. Steven caminhou até o balcão e se sentou, fitando as próprias mãos. – Pra que todo esse alarme?

Candace não soube responder, afinal, nunca havia se sentido daquela forma antes.

- Você podia ter usado a torradeira... – sugeriu à amiga, mudando de assunto. Zoe franziu o cenho, confusa, mas logo sorriu.

- Direto do forno é mais gostoso – explicou. Olhando de um irmão para o outro, sentiu a cozinha de repente pequena demais para os três. – Vou subir e chamar a Jenn pra tomar o café da manhã, se não... sabe como ela é... aquela ali é capaz de dormir o dia inteiro.

Candace observou a amiga sair sorrateiramente, mas antes de dizer qualquer coisa, esperou que o barulho dos seus passos desaparecesse. Steven continuou na mesma posição de antes: cabeça baixa, corpo curvado e mãos cruzadas em cima da bancada.

Ela sabia que precisavam conversar, mas ao mesmo tempo, não sabia como dizer o que precisava ser dito.

- Eram eles, né? – Steven quebrou o silêncio, indo diretamente ao assunto. Candace se sentou ao seu lado, sem coragem de encará-lo.

- Era o papai – respondeu, sentindo as lágrimas voltarem. Ergueu então a cabeça, em uma inútil tentativa de refreá-las. – A mamãe não foi encontrada.

- Como assim? – questionou, alarmado. Seus olhos vermelhos quase saltavam das órbitas.

- Eu não sei direito. O xerife pediu pra que eu fosse à delegacia mais tarde. Talvez lá eles expliquem exatamente o que aconteceu.

Steven parecia prestes a explodir, mas no último minuto, se conteve. Era como se voltasse a ter dez anos novamente; apenas uma criança, cheia de medos e inseguranças. Ele inclinou a cabeça no espaço formado pelos braços, estirados por cima da bancada. Suas lágrimas molhavam seu rosto, suas calças e, finalmente, o carpete de madeira.

Candace apertou a mão dele na tentativa de confortá-lo e talvez confortar a si mesma também. Achou que o gesto fosse repeli-lo, mas ao contrário do que pensava, Steven agarrou seus dedos com força. Era como se estivesse preso em alguma dimensão onde só havia o sofrimento e aquela fosse sua única conexão real e tangível com o mundo exterior.

A garota fechou os olhos, inclinando a cabeça para baixo e se concentrando em suas mãos ainda unidas. A pele dele era gelada, mas macia e confortável, como as de seu pai.

Steven era seu irmão, afinal. Quando ninguém mais estivesse ao seu lado, era pressuposto que ele estaria. E ela estaria ao lado dele também. Era uma sensação nova, diferente, que trazia um alívio assustador.

Os dois choraram juntos por um bom tempo, descarregando a dor que somente eles compreendiam.

~*~

- Desculpe-me – pediu Alexander, tentando assimilar o que a mulher dizia. – Como assim o assassino esteve na sua casa?

Sarah, com roupas amassadas e grandes círculos escuros ao redor dos olhos verdes, batia o pé no chão freneticamente. Estava sentada em frente à mesa do xerife, onde se encontrava Donald, fitando-a com um olhar preocupado. Alexander apoiava o corpo na lateral da mesa.

Sarah respirou fundo, tentando controlar o tique nervoso.

- Ontem à noite, eu ouvi um barulho estranho no lado de fora da minha casa – explicou, repassando os fatos. – Fiquei alarmada e saí para verificar. Foi quando...

Um soluço a interrompeu. Alexander inclinou a cabeça, curioso.

- Quando o quê? – insistiu.

- Quando eu encontrei uma frase escrita na minha calçada... – completou Sarah, engolindo em seco. Nenhum dos dois policiais se pronunciou. – Parecia sangue.

- Por que a senhora não ligou para a emergência? – perguntou Donald. Seu tom era ameno, mas Sarah interpretou suas palavras como acusações.

- Então a culpa é minha?

- É claro que não – respondeu Alexander, com um tom firme e calmo. Tão calmo que exalava frieza. – Mas por qual motivo, sabendo que poderia ser o assassino da sua irmã à espreita, a senhora não chamou ninguém? Nós poderíamos ter ajudado, talvez até o capturado.

- Eu mal conseguia pensar – defendeu-se, elevando o tom de voz. – Apenas me tranquei em casa e rezei para que o dia amanhecesse.

- Entendo. O que estava escrito na calçada?

Sarah respirou fundo novamente, recompondo-se.

- “Olá, irmãzinha” – revelou, perdendo-se ao olhar para a paisagem do céu nublado através da janela de vidro do escritório.

- E a senhora acredita que isso é algum tipo de recado do assassino da sua irmã?

- O que eu acho não importa – afirmou para o detetive, com as mãos espalmadas em cima da mesa. – Descobrir é o seu trabalho, então... descubra.

- É claro – ele lhe respondeu, com a atenção voltada desta vez para o bloquinho de anotações que tinha em mãos. – Muito obrigada pela sua colaboração, Sra. King.

Ela pareceu surpresa. – É só isso, então?

Donald e Alexander se entreolharam.

- Não sei se vocês entenderam, mas eu estou quase enlouquecendo! – desabafou Sarah, prestes a perder o controle novamente. – Tenho dois filhos para cuidar e meu marido está em uma viagem de negócios, então sou apenas eu e minhas crianças. E, agora, um assassino está rondando a minha casa à noite, depois da minha irmã ter sido...

- Não se preocupe, Sra. King – Donald a interrompeu, com um olhar que, mesmo cansado, transmitia confiança. – Hoje mesmo eu encaminharei dois dos nossos melhores homens para guardar a sua residência durante o tempo que for necessário.

A expressão de Sarah se suavizou.

- Obrigada – foi tudo o que ela conseguiu dizer antes de pegar a bolsa e se retirar.

Donald e Alexander se entreolharam novamente. O detive caminhou até o sofá de estofado preto no canto do escritório, onde deixara seu paletó azul-marinho.

 - Não acha que isso foi um pouco exagerado? – perguntou a Donald, que havia se virado para a janela, pensativo.

- Nós estamos aqui para proteger as pessoas, correto? – replicou, sem sarcasmos ou ironia. Às vezes, a paciência do xerife parecia infinita.

- Ela está visivelmente abalada.

- Proteger as pessoas... – repetiu Donald, ainda a olhar para o céu ao longe. – Mesmo que seja delas mesmas.

~*~

Após a noite praticamente insone, Zach despertou de seu breve cochilo no sofá do quarto em que a irmã havia sido instalada. Quando os médicos finalmente o liberaram para acompanhá-la, Kate já havia sido sedada e isso o impedira de bombardeá-la com as dúvidas que não o abandonavam. O pescoço da irmã cheio de ataduras reafirmava suas suspeitas.

Ao notar a movimentação, Kate abriu os olhos azuis já despertos, ainda mais claros naquele ângulo iluminado pela luz do sol nascente. Suas escleras estavam extremamente avermelhadas, dando-lhe uma aparência no mínimo bizarra. Ela rapidamente levantou a mão para cobrir o rosto, escondendo-o do sol.

- As cortinas não estão aí por acaso, Zachary – resmungou, apertando os olhos que ardiam intensamente.

- Bom dia – disse ele, estalando os ossos do pescoço extremamente dolorido por conta da posição ruim na qual cochilara.

- Fecha essa porra de cortina! – ordenou Kate, puxando os lençóis para cobrir-lhe todo o corpo. O garoto suspirou, levantando-se e puxando as cortinas, escurecendo assim o quarto. Ele se sentou ao pé da cama da irmã, analisando-a cuidadosamente.

- Como se sente?

- Minha cabeça parece prestes a explodir... – disse ela, enterrando-a no travesseiro macio. – E o meu estômago, à essa altura, deve estar digerindo os meus próprios órgãos por falta de alimento.

Zach ignorou o exagero constante com que a irmã via o mundo. Na verdade, a palavra “exagero” resumia bem quem Katerine era.

- Há uma coisa que eu preciso te perguntar – disse ele, com um tom tão sério que fez a jovem erguer uma sobrancelha de curiosidade. – O que aconteceu com você ontem à noite?

- Eu... – ela suspirou, surpresa. – Não sei.

- Como assim não sabe? – insistiu, preocupado. – Não consegue se lembrar?

- Eu só me lembro de ter entrado no banheiro e visto alguém me olhando. Alguém com olhos cor de mel...

Zach franziu o cenho. Candace, assim como ela, não se recordava de muita coisa. Porém, se os dois casos estavam relacionados, por que então a Kidman não havia citado nada parecido? Talvez estivesse equivocado, afinal. Talvez sua irmã estivesse alucinando depois do incidente. Não lhe parecia improvável.

- Você tem certeza disso?

- Sabe do que tenho certeza? – Kate se sentou, alongando os braços e as pernas. – Tenho certeza sobre a minha fome. Eu posso ter batido a cabeça ontem, mas quem liga, Zachary? Será que não tem comida nesse hospital?

- Tudo bem – ele desistiu, caminhando em direção à porta. – Vou procurar alguém.

~*~

Jonathan Jordam adentrou a sala do xerife. Sentado atrás de sua mesa, ele coçava os cabelos grisalhos, imerso em uma enorme pilha de papéis, assim como Alexander.

- Senhor? – chamou Jonathan, obtendo sua atenção. – A Srta. Kidman está aqui.

- Oh – exclamou, despertando imediatamente de seus pensamentos. – Mande-a entrar, por favor.

- Sim, senhor.

Sentada na sala de espera da delegacia, ela observava aflita e em silêncio a constante movimentação do local.

- Senhorita? – o mesmo policial que estivera em sua casa na noite anterior, juntamente com o xerife, agora lhe chamava, parado diante do corredor que levava às entranhas do departamento. – Por favor, acompanhe-me. O xerife está à sua espera.

Candace assentiu, olhando em volta uma última vez antes de segui-lo. O corredor que percorriam levava a inúmeros escritórios; o último continha uma estrela pendurada na porta.

- Obrigada – agradeceu após Jonathan gentilmente abri-la.

Assim que a garota entrou, Donald se pôs de pé. Alexander – ainda sentado no sofá – fechou o bloquinho e imitou seu movimento.

Candace cumprimentou Donald, mas deteve o olhar no homem que o acompanhava; não estava vestido como os demais policiais, mas sua aparência denotava importância. O olhar arrogante a inspecionou da cabeça aos pés.

- Sente-se, por favor – o xerife pediu, acompanhando-a. A Kidman se acomodou na cadeira, carregando uma sensação esquisita no peito. – Sinto muito por seus pais, filha. Você sabe, Paul e eu éramos próximos e... – ele suspirou, com aquela expressão cheia de pesar que partia Candace por dentro. – Ele era um grande homem.

Ela assentiu, tentando reprimir as lágrimas que não cessavam.

- Como o seu irmão está?

Após alguns segundos tentando encontrar alguma palavra verdadeira, ela escolheu, por fim, a que menos se encaixava na atual situação de Steven:

- Bem.

- Que bom – disse ele, assentindo. – Temos algumas perguntas que podem ajudar na investigação do caso.

- Nós? – repetiu, em questionamento. Seu olhar saltou do xerife para Alexander, que mantinha uma feição tranquila.

- Oh, desculpe-me – pediu Donald, parecendo um tanto encabulado. – Este é Alexander Hawk, detetive da capital que está nos ajudando temporariamente.

Candace assentiu, ainda desconfiada. Alexander se aproximou da garota, estendendo-lhe a mão em cumprimento. Ela se forçou a corresponder o gesto.

- Antes de todo o interrogatório começar, acho que eu preciso de algumas explicações... – avisou Candace, tentando não se exceder. – Começando pelo que realmente aconteceu com os meus pais. Sei que aquilo não foi um “acidente de carro”.

Donald suspirou, mantendo-se em silêncio.

- Nós achamos que o carro dos seus pais foi atacado por um animal selvagem. Isso deve ter causado o acidente – relatou Alexander, aproveitando a deixa. – Explicaria também os ferimentos encontrados no cadáver.

Candace fechou os olhos por um instante, tentando expulsar as imagens horríveis que invadiram sua mente com o som daquela palavra.

- Tudo bem, mas e a minha mãe? – questionou, voltando-se para Donald, em quem realmente confiava.

- Nós encontramos alguns rastros que levavam em direção à floresta. Temos uma equipe de busca que está operando ativamente no perímetro da cidade à procura da sua mãe.

Candace assentiu, sentindo uma fração de esperança renascendo em seu peito. Talvez Marien estivesse viva. Machucada, porém, viva.

- Quanto tempo essa busca pode levar? – perguntou, pensando em Steven. E se essa esperança fosse falsa? E se, no fim, sua mãe estivesse mesmo morta, como Paul? A incerteza era a mais cruel das verdades.

- Três... cinco dias, talvez – garantiu Alexander. – Agora, se puder nos ajudar respondendo algumas perguntas...

- Claro.

- Bem... – Donald engoliu em seco, mudando de posição na cadeira. – Filha, para onde seus pais estavam indo na noite de ontem?

- Eu não sei... – respondeu Candace, sentindo-se perdida por um instante. – Eles não disseram nada sobre sair, muito menos pra fora da cidade.

- Nós encontramos objetos no porta-malas do carro; pertences, roupas, alimentos... – Alexander informou, gesticulando com as mãos. – Então é muito provável que seus pais não estivessem apenas “de saída”.

- Por que eles viajariam, de repente, sem contar nada pra ninguém?

- Exato – concordou, apoiando a perna na mesa do xerife. – Você notou algo estranho nos últimos dias?

- Não. A última vez que os vi... – seus olhos lacrimejaram, mas ela prosseguiu. – A última vez que os vi foi ontem, pela manhã. Nós tomamos café, todos juntos, como sempre. Depois eu e o Steven fomos pro colégio e então... quando eu cheguei, a casa estava vazia.

- Tudo bem... – disse Donald, com uma expressão cansada. Alexander, porém, não parecia muito satisfeito.

- Então, eles não estavam tendo nenhum tipo de problema? – questionou, fitando a garota diretamente nos olhos.

 - Não que eu saiba...

- Vocês têm algum familiar próximo? Alguém a quem recorrer, caso...

- Calma aí – interrompeu, erguendo a palma da mão no ar. – Você tá sugerindo que eles estavam fugindo de alguma coisa?

- Descartar opções não é a melhor solução no momento – defendeu-se, fazendo Candace bufar. – E então?

- Não, nós não temos nenhuma família – afirmou, irritada com o rumo que Alexander dava à conversa. – O mais próximo de um parente que temos é o irmão mais novo do meu pai, que mora em Michigan e não fala conosco há mais de quinze anos – a garota se virou então para o xerife, que a fitava, surpreso com a repentina explosão. – Agora, se possível, me respondam: como tudo isso pode ajudar a investigar um ataque de animal?

- Filha, muito obrigada pela colaboração – agradeceu, sabendo que já haviam a pressionado o suficiente. O detetive lhe lançou um olhar cético, mas Donald o ignorou. – Quaisquer notícias que tivermos sobre o andamento das buscas, nós a informaremos.

Candace assentiu, respirando fundo para que sua raiva se dissipasse. Antes de sair, fuzilou Alexander com um ácido olhar.

- Eu é quem agradeço.

~*~

Zach estacionou a caminhonete na porta dos Kidman. As luzes da casa estavam acesas, mesmo já tendo passado das dez. Ele caminhou até a varanda, tocando a campainha antes mesmo de pensar se deveria ou não o fazer. A porta se abriu sem demora, mas não por Candace, muito menos por seu irmão. Já vestida para dormir, com calças largas e um moletom, Zoe apareceu no hall de entrada.

- Hei – cumprimentou, surpresa com a presença do garoto.

- Olá – respondeu, encabulado. – Vocês vieram dormir com a Candace novamente?

- Hoje sou só eu – corrigiu, abrindo um sorriso. – Espera um instantinho que eu vou chamar ela, ok?

Zach assentiu, dando as costas para a garota, que correu para o interior da casa. Ergueu então o olhar para o céu sem estrelas, que ostentava uma lua cheia maravilhosa, de tamanha beleza...

- Zach? – uma voz o chamou, interrompendo seus pensamentos. Candace apareceu à sua frente; a pele estava livre de maquiagem e os cabelos escuros, soltos e desgrenhados, moldavam-se em cachos naturais ao redor de seu rosto.

... uma beleza que valia por todas as estrelas do universo.

- Hei – cumprimentou, nervoso de repente. – Como você tá?

A garota se demorou a responder, sentando-se nos degraus da varanda.

- Cansada.

- Eu fiquei preocupado – explicou, sentando ao seu lado. – Você não atendeu minhas ligações.

- Foi mal, Zach – desculpou-se, olhando para ele. Próximos como estavam, o garoto pôde notar os círculos profundos que contornavam seus olhos castanhos. – Hoje não foi um dia muito fácil.

- Entendo.

Um silêncio melancólico e ligeiramente constrangedor se iniciou. Candace parecia distante, em outro mundo. Já ele, tentava encontrar um modo de contar o real motivo que o trouxera até ali.

- Olha, eu sei que não é um bom momento... – começou a dizer, umedecendo os lábios por um instante antes de continuar. – Mas há uma coisa que eu preciso te contar.

- O quê?

- Lembra que a minha irmã teve um problema ontem? – questionou, desconcertado. Zach não gostava de falar sobre essa parte de sua vida, onde corria atrás de Katerine para concertar suas constantes burradas. No entanto, era preciso, se quisesse chegar até a parte relevante da história.

Candace assentiu.

- Ela não passou mal, como eu achei a princípio. Ela foi atacada.

- Como assim atacada?

- Atacada – repetiu. – Como você, no aniversário da sua amiga.

A feição de Candace se transformou. Aquilo só poderia ser uma piada.

- Primeiramente, eu não fui atacada.

- Não? – questionou, com um tom irônico. – Você apareceu com... aquilo... – apontou para o próprio pescoço. – E então sumiu por dias. Kate apareceu com um também. Idêntico. Ela perdeu muito sangue, chegou até a levar pontos, mas... hoje, antes de eu sair, a enfermeira chegou pra trocar os curativos e ficou espantada, pois não havia ferimento algum.

Candace segurou a respiração por alguns segundos, completamente estagnada com o relato. Foi exatamente o que lhe aconteceu, porém em um tempo bem menor.

- E ela não faz ideia do que houve?

- Não. Tudo que ela lembra é dos olhos de alguém, ou algo do tipo.

- Olhos castanhos como mel? – questionou, arrependendo-se imediatamente. Zach arregalou os olhos e abriu a boca para dizer algo, mas se pôs de pé. – Sabe... eu não quero continuar essa conversa.

Zach também se pôs de pé, afundando as mãos nos bolsos da calça. Sua expressão era calma, mas seus olhos demonstravam uma grande desconfiança.

- O que você está escondendo, Kidman? – questionou, com um tom suave e levemente humorado. Candace franziu o cenho, acuada.

- Nada... – afirmou, sentindo-se, de repente, extremamente exposta e indefesa. – Preciso dormir. Boa noite, Holt.

Zach sorriu, mas antes mesmo que pudesse retribuir o cumprimento, a porta já havia se fechado. Caminhando de volta à caminhonete, ele prometeu a si mesmo descobrir o que diabos estava acontecendo.

~*~

Steven adentrou a cozinha, levando um susto ao se deparar com a irmã. Ainda envolta em seu roupão, Candace estava paralisada no meio do cômodo; braços cruzados e olhos vidrados à frente.

- Ei – chamou, preocupado. – O que tá fazendo?

Exausta, fechou os olhos por um instante. Então se aproximou da pia e pegou um dos pratos em meio à pilha que se acumulara ali nos últimos dias, sendo acompanhada atentamente pelo olhar do irmão mais novo.

- A gente precisa dar um jeito nisso – respondeu. – Essa casa tá uma bagunça desde que...

Um soluço escapou de sua garganta, mas Steven fingiu não perceber. Sem questionar, o garoto a observou seguir um ritmo lento e abatido. De repente, ele tomou o pano de prato das mãos dela, passando a secar e guardar a louça no armário da cozinha. Aos poucos, os irmãos colaboravam entre si.

 O som inesperado da campainha sobressaltou Candace, que recebeu automaticamente um olhar receoso. A garota olhou para o prato ainda cheio de espuma que quase derrubara, percebendo o quanto havia se distraído. Antes de ir ver quem estava à porta, ela o enxaguou e o entregou para Steven.

Verificando o olho mágico antes de abrir a porta, Candace sentiu o coração disparar ao descobrir quem era.

- Xerife Donahue?! – exclamou, surpresa com a presença do vizinho. Menos de vinte e quatro horas haviam se passado desde sua ida à delegacia. Candace sabia o que a visita inesperada poderia significar.

- Olá, filha – cumprimentou ele, com o chapéu nas mãos e os olhos aflitos.

- O que aconteceu?

Donald respirou fundo, olhando para os lados. O céu mudava de cor a medida que o sol se punha, deixando um rastro rosa. A viatura policial estava estacionada em frente à sua casa, do outro lado da rua.

- Por favor, só me diga o que aconteceu.

Ele assentiu, como se tentasse reunir forças para proferir as palavras.

- Nós encontramos o corpo de uma mulher ontem à noite, perto do local onde o acidente dos seus pais aconteceu.

- Um corpo? – repetiu Candace. Ela espiou para dentro de casa, a fim de ter certeza que o irmão não escutara. Então, fechou a porta atrás de si. – Eu quero vê-la. O quanto antes.

- Filha... – o homem balançou a cabeça. – Não podemos fazer um reconhecimento. O estado do cadáver é... crítico.

A boca de Candace se abriu, enquanto sua mente tentava não montar uma imagem do corpo de Marien, tão desfigurado à ponto de se tornar irreconhecível, mesmo para sua própria filha.

- Então como vão saber se é ela? – questionou, entrando em pânico. – Farão exames, certo? Quando sai os resultados?

- Um exame de DNA poderia levar dias – explicou, engolindo em seco. – Então eu me dei a liberdade de chamar a doutora que atendia sua mãe. Você sabe, filha... minha esposa e Marien eram amigas, se consultavam com a mesma dentista. Eu a chamei hoje de manhã para nos ajudar com o reconhecimento.

O coração de Candace se comprimiu. Seus olhos se deram o trabalho de expor os questionamentos que sua boca não era capaz. Após um longo momento, Donald franziu os lábios, cheio de pesar.

- Sinto muito.


Notas Finais


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