História Almas Sombrias - O Estripador de Lynnwood - Capítulo 17


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bruxas, Caim, Lendas, Originais, Sobrenatural, Terror, Vampiros
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Palavras 3.660
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Notas Iniciais: Olá, people. Quero começar pedindo desculpas pelo atraso do capítulo, que devia ter sido postado ontem (09/08), mas como acabei ficando sem tempo, tive que deixar para hoje. Mais uma vez, sorry :(

Esse capítulo tem bastante informação sobre a mitologia da história. Seria muito legal se vocês saíssem das shadows e compartilhassem comigo a sua opinião sobre ele.. ausha

Enfim, espero que gostem desse capítulo, pois foi escrito com muito carinho pra vocês *-*

Capítulo 17 - Capítulo Dezesseis


Fanfic / Fanfiction Almas Sombrias - O Estripador de Lynnwood - Capítulo 17 - Capítulo Dezesseis

- Como é que é? – gritou Candace, trancando a porta imediatamente. Irritada, ela se voltou para a amiga. – Por que a trouxe aqui?

- Sinto muito, mas não tive escolha. Acho que ela entrou na minha cabeça.

Candace respirou fundo. Em qualquer outro momento, caçoaria da situação, mas agora tudo havia mudado. Ela desejava socar alguma coisa, mas não sabia exatamente o quê.

- Como assim? Ela te hipnotizou?

- Não sei – respondeu Zoe. – Ela apareceu e mandou que eu a trouxesse até você e então... tive que obedecer. Era como se cada célula do meu corpo lutasse contra mim.

- E como ela te encontrou?

- Eu tive um pesadelo com o homem dos olhos de mel e decidi ir à biblioteca – explicou Zoe, vendo a amiga arregalar os olhos. – Eu só queria te ajudar, Candace.

- Mas você não tinha que se envolver nessa história! – repreendeu. – Faz ideia do perigo que correu indo lá? Eu não sei se te abraço ou te estapeio.

- Candace, ele não trabalha lá – afirmou, fitando-a profundamente. – Na verdade, até a seção de Ocultismo que você descreveu não existe.

- Como... como isso é possível? – Candace levou a mão à cabeça, sentindo-a latejar.

- Não faço ideia, mas acredito que ela... – apontou para a porta –... possa te ajudar.

- Além da hipnose, ela também te lobotomizou?

- Olha, pode parecer bobagem, principalmente vindo de mim, mas... eu tive esse... sentimento ou sei lá o quê – disse Zoe, franzindo o cenho. – Eu senti que devia ir à biblioteca e agora sinto que essa mulher...

- Essa vampira – corrigiu.

- Tanto faz. O importante é que eu sinto que ela tá aqui pra ajudar.

- Zoe... – sussurrou, hesitantemente. Candace mordeu os lábios, refletindo por um instante. Por fim, mesmo sabendo que se arrependeria daquilo mais tarde, ela destrancou a porta, encontrando Bridget em sua varanda, na mesma posição imponente de antes. – O que você quer conosco?

- Sabe, eu conheci a sua mãe – revelou, com um sorriso que nascia no canto dos lábios. – Posso te contar tudo o que quiser saber sobre as bruxas da sua família.

- Você está blefando – afirmou Candace. – Não há bruxas na minha família.

- Não está muito certa disso, não é?

A verdade era que ela não tinha certeza de mais nada. Há alguns meses, se alguém lhe perguntasse se acreditava na existência de vampiros, com certeza diria que não.

Hoje, porém, a resposta seria diferente.

Antes que Candace pudesse retrucar, as três ouviram passos apressados nas escadas. Steven se aproximava com um livro de couro antigo em mãos.

- Você pode entrar – disse ele à Bridget, recebendo um olhar furioso da irmã. – O que ela diz é verdade.

~*~

Logan seguia a cunhada de perto, mesmo sendo uma tarefa difícil, devido à multidão sufocante da casa noturna em que eles se encontravam. Sua cabeça latejava com o pulsar da música eletrônica. E, apesar da insistência de Jennifer de que sair lhe faria bem, ele não compreendia como as pessoas conseguiam se divertir em ambientes assim.

A Morgan o guiou até o bar, onde ele sentou em uma das banquetas e agradeceu aos céus por ter sobrevivido ao trajeto.

- E aí? – perguntou Jennifer, dando-lhe um tapinha encorajador no ombro. – O que achou?

- Não sei você – começou a dizer, com uma careta –, mas eu não acho esse lugar nem um pouco divertido.

- Isso é porque você não está se permitindo aproveitá-lo.

Logan balançou a cabeça, enquanto a garota pedia bebidas para os dois.

- Uma dose disso aqui vai te ajudar a relaxar – Jennifer deslizou o copo de uísque em sua direção. Ele o virou de uma só vez, sentindo a bebida quente descer em sua garganta. – Isso aí. Agora, vamos pra pista.

- Pra onde?

- Pra pista – ela repetiu, rindo de sua expressão assustada. – Não me diga que não sabe dançar. Essa desculpa já é bem batida.

- Mas é a verdade – gritou, por cima da música ensurdecedora. – Não é uma boa ideia.

- Quem, em sã consciência, vem a uma boate se não for pra dançar? – questionou Jennifer, já puxando-o consigo. – Venha. Não é nenhum bicho-papão.

Chegando à pista, Jennifer se deixou levar pela batida da música, assim como todos ao seu redor. Seus passos ritmados e experientes fizeram Logan praticamente congelar, sentindo-se incrivelmente deslocado.

- Vamos lá – incentivou, alcançando as mãos dele. – Dançar não é uma ciência exata. Você precisa simplesmente... se entregar.

De mãos dadas, Jennifer tentava fazê-lo se soltar, mas a postura rígida do garoto dificultava o processo. Logan olhava ao seu redor, em busca de algo que nem mesmo ele sabia o que era.

Depois de alguns minutos de pura frustração, Jennifer ergueu as mãos para o alto.

- Eu desisto – disse ela. – Assim não dá. Você não colabora!

- Sinto muito... – sussurrou Logan, sem saber direito o que fazer.

- Isso – afirmou, batendo no peito dele com as duas mãos. Confuso, Logan franziu o cenho. – “Sentir muito” é o segredo. Feche os olhos, esqueça o mundo ao seu redor e sinta o momento. Viva o momento.

Obediente, Logan fechou os olhos e tentou se desapegar de tudo que o prendia, deixando-o sempre a um passo atrás.

Sem que percebesse, seus movimentos sincronizavam, lentamente, com os de Jennifer. A cada pulo que seus pés davam, mais leve era a carga em seus ombros. A cada sorriso que seus lábios não conseguiam controlar, ele se sentia como um grão de areia espacial; inútil se comparado ao tamanho do universo, mas que veio a existir nele por um motivo extraordinário.

Quando a música contagiante chegou ao fim, Logan se deparou com um par de olhos cinza que o fitavam admirados. E, somente naquele instante, os dois perceberam quão próximos estavam.

Próximos o suficiente para sentir a respiração um do outro.

Jennifer fitou aqueles olhos de esmeralda, o cabelo macio e o sorriso que, vagarosamente, se apagava. A leve tontura, decorrente do álcool, nublava sua visão e dificultava sua capacidade de raciocínio. Em determinado momento, a imagem de Logan se dissipou e, em seu lugar, Thomas apareceu. O fantasma abriu um daqueles sorrisos estilo James Dean que a deixava de pernas bambas.

Sem pensar duas vezes, Jennifer colou os lábios aos dele, iniciando um beijo cheio de furor. O coração já disparado de Logan deu um salto em seu peito, mas não da forma que saltava por Zoe. A sensação era mais como a surpresa misturada com o espanto.

- Você ficou louca? – questionou, afastando-se bruscamente.

- Fiquei foi bêbada – retrucou Jennifer, respirando fundo. – Oh, céus, eu sinto muito, Logan. Não sei o que deu em mim – afirmou. Seus olhos cinza eram honestos. – Por um instante, eu achei que... achei que você era o Thomas.

- Essa é a segunda vez que você nos confunde hoje – disse ele, com um tom descontraído. – Em algum lugar, isso deve ser uma espécie de recorde, gata.

Apesar da culpa e vergonha que sentia, a loira sorriu.

- Tá tudo bem, ok? – assegurou Logan. – Vamos fingir que nada disso aconteceu. Zoe nos odiaria e eu... – suspirou. – Não sei se eu suportaria o ódio dela.

Jennifer concordou. Entretanto, a culpa já lhe impregnava o peito e a mente. Será que conseguiria ver a amiga ou o namorado e fingir que tudo estava bem? Fingir que não havia traído sua confiança? Naquele momento, Jennifer tinha certeza de apenas uma coisa:

Ela, definitivamente, não seria capaz de dormir essa noite.

~*~

Com a cabeça, Steven indicou a cozinha. Recostando-se na bancada, de onde poderia manter um olho em Bridget e Zoe, ele assistiu a irmã chegar. Na sala, a vampira parecia analisar cada detalhe da decoração, principalmente as fotografias da família espalhadas pela estante.

- Você ficou louco? – questionou Candace. – Nunca ouviu lendas sobre vampiros? Uma vez que você os convida, eles podem entrar quando quiserem!

- Olha isso aqui... – pediu, ignorando as palavras de repreensão. Candace deu uma olhada no livro que ele trouxera consigo.

- O que é? – perguntou. Ao ler as primeiras linhas, ela deixou transparecer a confusão que sentia. – Um diário?

- Um diário que pertencia à nossa mãe – complementou. – Sabia que tem um cofre lá em cima? Na verdade, parece mais um quarto do pânico, dentro do escritório do papai. Eu encontrei umas coisas bem bizarras por lá.

- Tipo o quê?

- Vários tipos de velas, alguns livros e até plantas... – contou Steven, fazendo uma careta.

- E, por causa disso, você acha que eles eram algum tipo de feiticeiros?

- Não – afirmou. – Acredito porque a nossa própria mãe escreveu isso.

- Não pode ser – Candace bufou, fechando o diário e jogando-o sobre a bancada. – Por que ela nos esconderia algo assim?

- Saberemos quando lermos – assegurou Steven. – Mas a questão é que, se isso é verdade, então essa mulher pode sim nos ajudar.

- Não sei... – ela sussurrou, fitando os próprios pés. Sua pequena experiência com vampiros lhe dizia para não confiar neles. Steven alcançou sua mão.

- Eu acreditei em você quando me disse que estava sendo perseguida por um vampiro, não foi? – questionou. – Então, acredite em mim agora. Eu até arrisquei a minha amizade com a Alison pra te ajudar, então, aceite se arriscar por mim também.

Candace respirou fundo. Já estava cansada dessas chantagens emocionais.

De volta à sala, ela fuzilou a vampira com o olhar ao perceber que tinha em mãos um dos porta-retratos da família. Bridget sorriu, pondo-o de volta à estante.

- Vamos lá – incentivou Candace. – Me dê uma boa razão pra confiar em você.

Steven sentou em uma das poltronas, mas a irmã continuou de pé, ao seu lado.

- Você não confiaria, de qualquer maneira – afirmou Bridget, cruzando os braços. Candace deu de ombros. – Não estou aqui para julgá-la, muito pelo contrário. Confiar apenas em si mesma é uma qualidade importante em tempos como esse.

A garota a analisava atentamente, tentando encontrar qualquer sinal de perigo. Sentados, Zoe e Steven observavam a vampira, esperando que ela contasse a que veio.

- Vocês já devem ter ouvido falar da história de Caim – presumiu Bridget, lançando um olhar interrogativo aos jovens.

- O primeiro assassino? – perguntou Zoe, estalando os dedos de ansiedade.

- Sim – confirmou. – Como castigo por matar o próprio irmão, Caim foi condenado por Deus com uma marca que o distinguiria de qualquer outro ser humano. Essa marca o tornou um imortal que precisava de sangue para sobreviver.

- E essa é a verdadeira origem do vampirismo... – murmurou Candace, recebendo um olhar curioso do irmão. – Li sobre isso algumas semanas atrás.

- É pressuposto que, banido, ele nunca se sentisse satisfeito – continuou Bridget. – No entanto, Caim conheceu Lilith.

- Lilith?! – exclamou Zoe, trocando um olhar apreensivo com a amiga. Candace acenou discretamente com a cabeça, esperando que ela entendesse o sinal.

- Sim, por quê?

- Acho que já ouvi esse nome em algum lugar – a garota respondeu, tentando disfarçar. Por sorte, Bridget deixou isso de lado.

- Lilith foi a primeira bruxa. Através de um ritual de alta magia negra, ela presentou Caim com dons sobrenaturais: força, visão, velocidade, olfato, audição e paladar apurados. Ele podia até entrar na mente das pessoas para controlá-las. Esse foi o seu Despertar.

- Uau... – Steven deixou escapar, recompondo-se imediatamente.

- Lilith e Caim estiveram juntos por um longo tempo, gerando descendentes da maldição.

- Os primeiros Nascidos – concluiu Candace. – Nunca entendi isso muito bem. Vocês podem procriar?

- A maldição do vampirismo recai sobre a alma – explicou Bridget, com um olhar vazio. – Isso significa que o vampiro é, basicamente, uma alma amaldiçoada presa em um corpo humano. Nossos corpos são idênticos e tão frágeis quanto o de vocês. Nós até envelhecemos. A diferença é que, ingerindo sangue, nos curamos de tudo, até mesmo do envelhecimento.

- Quer dizer que, se você parar de tomar sangue, vai envelhecer normalmente? – questionou Zoe, curiosa.

- Mais rápido que um humano, pois eu já tenho 169 anos de idade – respondeu, deixando a garota chocada. Bridget sorriu com seu espanto. – Um vampiro recém-criado demoraria mais a envelhecer. Provavelmente dissecaria antes.

- E, toda vez que ingere sangue, o envelhecimento simplesmente para?

- Não somente para, como sempre me faz retornar à idade em que fui Despertada.

- Como isso aconteceu? – foi a vez de Steven questionar.

- Como acontece com todos os Criados – respondeu ela, de maneira vaga. – Um vampiro se alimentou de mim e então me deu de beber com o seu próprio sangue. Mas não é isso que interessa agora. Se vocês não pararem de me interromper, nunca chegarei à parte realmente importante.

- Foi mal... – disse ele, um tanto acanhado.

- Dizem que eles tiveram três filhos juntos, até Caim fugir.

- Mas por que ele fugiu, se Lilith o ajudou?

- Dizem que ela ficou louca – a vampira respondeu. – Efeito colateral do uso prolongado da magia negra.

- Resume essa história, por favor – pediu Candace. – Estou louca pra chegar na parte em que você explica o porquê de estarmos sendo perseguidos por um maníaco.

Bridget cerrou os punhos.

- Caim se juntou à Tribo de Seth e criou a própria cidade, Enoque, iniciando assim o seu reinado. Nessa cidade, humanos e vampiros conviviam em uma espécie de paz. O Vampirismo não era um segredo naqueles tempos.

- Tem lobisomens nessa história? – interrompeu Zoe, fazendo-a grunhir. – Eu sempre tive uma certa empatia por eles.

- Não teria, se os conhecesse – afirmou Bridget, incapaz de disfarçar a impaciência. – Depois do dilúvio que quase devastou a Terra, Caim assassinou dois de seus próprios filhos, acreditando que deles era a culpa por toda aquela destruição. Mas o terceiro filho o derrotou e, a partir daí, não se tem mais registros do Pai dos Amaldiçoados.

- Bizarro... – sussurrou Candace.

- O terceiro filho, sendo o último Nascido de que se tem registro, uniu-se a um Criado muito poderoso e reergueu Enoque. Eles criaram um exército de novos vampiros e espalharam tanto terror que diversas lendas sobre eles perduram até hoje.

- Que tipo de lendas? – questionou Steven, intrigado com a história.

- “A Lenda de Áquila e Cedron”, por exemplo, narra o reino de horror criado pelos últimos remanescentes da primeira geração de vampiros na Terra até o dia de sua queda.

- E quem os derrotou? – desta vez, Candace é quem se remoía de curiosidade. Ao seu lado, o irmão abriu um pequeno sorriso.

- A Ordem de Ouroboros, fundada por Lilith e sua própria prole – respondeu Bridget. – Um dos seus principais objetivos era exterminar todos os vampiros.

- Quando você diz “prole”, quer dizer... outras bruxas?

- Sim – afirmou. – Nas mais antigas linhagens de bruxos, o primogênito de cada geração herda os poderes. Mas a Ordem não era constituída somente de bruxos. Haviam humanos e até alguns vampiros que se propuseram a caçar.

- E como eles venceram? – enfim tomando um assento, Candace a fitava com expectativa.

- Lançando uma maldição poderosíssima – revelou. Bridget parecia satisfeita com os olhares interrogadores à sua volta. Ela fitou, demoradamente, cada um dos três. – Uma maldição que só poderá ser quebrada por um descendente direto da bruxa que originalmente a lançou. Ou seja, um descendente direto de Lilith.

- E o que essa maldição faz?

- Usa os poderes dos Espíritos Elementares para neutralizar as dádivas que o sangue proporciona aos vampiros – respondeu. – É como se, de uma hora para outra, eles se tornassem alérgicos à dieta. E um vampiro que não pode tomar sangue é um vampiro fadado ao fracasso. É claro que eles encontraram meios de burlar os pequenos detalhes, como a ingestão de sangue bruxo, que possui várias finalidades mágicas. Ainda assim, a maldição os enfraqueceu a tal ponto que eles se viram obrigados a viver à sombra da sociedade.

- Espíritos Elementares... – murmurou Zoe. – Têm algo a ver com o ritual d’Os Cinco Poderes?

- Absolutamente – afirmou, olhando então para Candace. – Esse foi o ritual usado por Lilith para lançar a maldição. Serve também para quebrá-la, que é o objetivo do vampiro que anda perseguindo você, Candace.

- Então as mortes que estão acontecendo na cidade são... sacrifícios? – questionou Zoe, sentindo o coração bater mais forte.

- São, sim.

- Você disse que eram dois vampiros amaldiçoados – disse Steven, irrompendo da postura pensativa de antes. – Então, por que a Candace só tem visto um?

- O Nascido que derrotou Caim desapareceu há séculos. Ninguém sabe se ainda está vivo, mas eu creio que sim – Bridget retrucou, respirando fundo. – Creio que está escondido, apenas esperando o momento certo de aparecer. Mas, apesar de não ser um Nascido, não subestimem Vladmir. Ele é um dos vampiros mais poderosos que já conheci.

Candace e Zoe trocaram um olhar angustiado.

- Você o conheceu? – questionou Candace. Seu corpo tremia só de pensar, outra vez, naqueles olhos cor de mel.

- Nos encontramos em 1875, quando eu ainda morava na Irlanda – explicou Bridget. Seus traços pareceram ainda mais sombrios naquele momento. – Ele descobriu que eu fazia parte da descendência de Lilith e foi atrás de mim.

- Você era uma bruxa? – questionou Steven. Sua boca se escancarou de surpresa.

- Somente o filho mais velho da família herda os poderes – repetiu. – E eu era a caçula de três irmãos. Nós tínhamos a proteção da Ordem e tudo estava a nosso favor, mas eu acabei me descuidando. Ao me encontrar, Vladmir exigiu que lhe passasse a localização de minha família, mas eu me neguei. Então, como punição, ele me fez a coisa mais cruel que seria capaz de fazer: Despertar-me.

Um longo período de silêncio perdurou após aquela triste história.

- Só eu sinto que estamos condenados à morte? – questionou Zoe, de repente. Ela parecia prestes a entrar em pânico. Candace sentiu a culpa martelar seu coração sem piedade.

- Na verdade, ele não quer matar vocês – afirmou Bridget, recebendo olhares de surpresa e confusão. – O quê? Vocês acham mesmo que ainda estariam vivos, caso ele os quisesse mortos? Absolutamente não. Ele precisa de vocês. Especialmente de você, Candace.

- O que ele quer, afinal? – questionou. No fundo, ela temia já conhecer a resposta.

- Quebrar a maldição – afirmou. – E, para isso, Vladmir precisa de você. A última descendente direta de Lilith.

- Sem chances – ela negou, mais para si do que para os outros.

- Candace... – o irmão interviu. Seu tom não era de repreensão ou impaciência. Era como se uma melancolia guardada dentro dele tentasse sair. – O diário dizia isso. Dizia que nossa mãe era uma bruxa.

- Não uma bruxa qualquer – contrapôs. – Era uma das bruxas mais poderosas da Ordem. Mesmo sendo perseguida por Vladmir, Marien sempre foi muito forte e fez de tudo para proteger sua família. Essa casa, por exemplo, possui um singular feitiço de proteção contra vampiros – Bridget voltou os olhos para Zoe. – Por isso tive que forçar você, que já conhecia o endereço, a me trazer aqui. Era a única forma de burlar um feitiço dessa natureza.

- Você disse que ela era uma das melhores bruxas da Ordem... – Steven começou a dizer. Seus olhos castanhos brilhavam, mas ele tentava ignorar as emoções dentro de si. – Isso significa que essa Ordem ainda existe? E ainda luta contra vampiros?

- Não somente existe, como faço parte dela – respondeu Bridget, erguendo a manga do casaco de couro para mostrar-lhes uma tatuagem no antebraço esquerdo. Era um desenho em tinta preta de uma cobra que engolia a própria calda. – Eu já fazia parte quando era humana, por ser descendente de Lilith. Agora, como vampira, me tornei uma Guardiã. E a minha missão, nesse momento, é orientar vocês para que possamos, em conjunto, nos livrar de uma vez por todas dos vampiros.

- Mas você é uma vampira... – afirmou Zoe. A desconfiança transbordava de seu olhar.

- Não é como se eu tivesse escolha – rebateu. – Já que ele me fez imortal, eu uso essa imortalidade para acabar com a vida dele, da mesma forma que ele acabou com a minha.

- E qual é o seu plano? – questionou Candace, sentindo, pela primeira vez na noite, um pouco de empatia e compaixão por Bridget. Ela era uma vampira, sim, mas não havia escolhido tal destino para si. Ela apenas havia sido castigada por proteger aqueles que amava.

- Primeiro, você tem que recuperar seus poderes e aprender a usá-los – respondeu Bridget, como se passasse um tanto de atividades rotineiras para a Kidman realizar. – Não se preocupe com essa parte, pois uma bruxa da Ordem virá daqui a alguns dias e vocês poderão trabalhar nisso juntas.

Candace assentiu.

- Segundo, nós temos que encontrar o artefato ligado à maldição. Se Vladmir puser as mãos nele, isso lhe dará uma vantagem que não queremos que ele tenha.

- E como vamos encontrá-lo? – questionou Steven.

- Não sei ainda – respondeu, sem se deixar abalar. – Mas sua mãe deve tê-lo escondido em um lugar seguro.

Os irmãos trocaram um olhar cansado e, ao mesmo tempo, confuso. Tantos segredos sendo revelados ao mesmo tempo faziam a mente pesar cada vez mais.

- Da próxima vez que ele aparecer, você deverá dizer que o ajudará a quebrar a maldição – a vampira avisou à Candace. – Um acordo o impedirá de te atormentar até o fim dos cinco sacrifícios.

- Calma aí – interrompeu Candace, levantando-se outra vez. – Eu pensei que nós tentaríamos impedir os sacrifícios.

- Não sou eu quem faz os planos, Kidman – retrucou Bridget, impaciente. – Eu só sigo as ordens que me são dadas. E o meu dever é proteger e guiar vocês até o momento em que terão de enfrentar o Vladmir. Mas, se isso te acalma, eu não sou a única membra da Ordem que veio à Lynnwood. Há outros, escondidos e infiltrados, cuidando de toda a situação.

- Tudo bem – concordou Candace, praticamente se jogando no sofá outra vez. – E quando esse confronto acontecerá? Tudo o que eu mais quero é que esse inferno acabe.

- No momento em que Vladmir estiver mais desprevenido – respondeu Bridget, saboreando as próprias palavras. – E esse será o seu fim.


Notas Finais


Que tal um comentário dizendo o que achou? A sua opinião é muito importante para mim, Fantasminha :)


PRÓXIMA POSTAGEM NO SÁBADO (12/08)


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