História Almas Sombrias - O Estripador de Lynnwood - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bruxas, Caim, Lendas, Originais, Sobrenatural, Terror, Vampiros
Visualizações 12
Palavras 4.618
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Aos novos leitores: SEJAM MUITO BEM VINDOS.

Capítulo 18 - Capítulo Dezessete


Fanfic / Fanfiction Almas Sombrias - O Estripador de Lynnwood - Capítulo 18 - Capítulo Dezessete

Quando a campainha tocou, preenchendo a casa com o característico tinir agudo e desagradável, o coração de Candace disparou em seu peito. Por conta dos pesadelos altamente realistas, que quase sempre giravam em torno de uma aparição de Vladmir, a garota estava quase perdendo o juízo. E, quanto mais tempo se passava, mais temor ela sentia.

Foi Steven quem, enfim, atendeu a porta. Na varanda, encontrava-se uma jovem de beleza estonteante. Sua pele era negra e seus cabelos crespos e brilhantes formavam um penteado Black Power de dar inveja. Apesar de aparentar um pouco mais de vinte anos, ela possuía uma postura elegante e formal que era praticamente uma raridade entre os jovens de sua idade. Ao vê-la, Steven sorriu.

- Boa noite – cumprimentou. – Meu nome é Cassandra Willows. E você deve ser...

- Steven Kidman – completou, estendendo a mão para ela.

- Prazer em conhecê-lo, Steven. Sua irmã, por acaso, se encontra?

- Oh, sim – respondeu. Sem tirar os olhos de Cassandra, ele gritou pela irmã no hall de entrada. Candace logo apareceu, com os braços cruzados e um olhar hesitante.

- Hei – cumprimentou ao se deparar com a jovem. – Você é a amiga da Bridget, certo?

- Não exatamente – respondeu, com uma expressão de desgosto. A Kidman sorriu.

- É, algo me diz que a gente vai se dar bem.

As duas caminharam juntas para o interior da casa, mas Steven permaneceu à beira da porta, observando as luzes acesas no quarto de Alison. Ele estava à procura de qualquer movimentação atrás das janelas trancadas, qualquer sinal que indicasse que as semanas que passaram separados haviam sido apenas uma grande ilusão.

Depois de longos minutos de calmaria, Steven desistiu.

- Então... – Candace sentou no sofá, sem saber direito como abordar o assunto. – Quer dizer que você é uma... uma...?

- Bruxa? – perguntou, sorrindo em resposta à timidez da garota. – Não tenha receio da palavra. Mas, sim, sou uma bruxa, como você. Alguns de nós preferem se denominar “feiticeiros”, mas é como eu te disse. É apenas uma questão boba de nomenclatura.

Candace sorriu, surpresa por já se sentir tão à vontade com uma pessoa que acabara de conhecer. Era como se a jovem possuísse uma áurea de simpatia em torno de si. Até mesmo sua voz era acolhedora.

- E como pretende me ensinar magia?

- Estou aqui para te ajudar a descobri-la – corrigiu Cassandra, com ênfase. – Digamos que eu serei uma espécie de guia enquanto você aprende a controlar seus poderes, mas não poderei realmente te “ensinar” magia. Ninguém pode.

- Como assim? – questionou, confusa. – Até alguns dias atrás, eu nem sequer sabia de tudo isso. Quero dizer... se eu tivesse poderes mágicos, acho que já teria notado.

- Essa é a questão – ressaltou. – Sua mãe deve ter bloqueado você de alguma forma, para mantê-la em segurança. Um bloqueio assim só poderia ser feito com magia negra, mas com a experiência que Marien possuía, acho muito provável...

- Experiência em magia negra? – interrompeu Steven, um tanto surpreso.

- Em magia, simplesmente – respondeu, ignorando os olhares interrogativos que recebia. No entanto, Candace notou seu desconforto, imaginando o que a jovem poderia estar escondendo. – Como eu ia dizendo... acredito que um bloqueio mágico é, provavelmente, o responsável pelo sumiço dos seus poderes.

- É, faz sentido – a Kidman concordou, ainda com uma expressão pensativa. – Então, você vai me ajudar a desbloqueá-los?

- Sim, mas encontrar o catalisador de um bloqueio mágico não é exatamente uma tarefa simples – assegurou, com um olhar penetrante. – Por isto, precisarei de sua total atenção e comprometimento.

- Tudo bem – assentiu. Quem imaginaria Candace Mary Kidman, tão popular e mimada, sentindo-se ansiosa ao se imaginar como bruxa? – Como começaremos?

Cassandra se acomodou em uma das confortáveis poltronas espalhadas pela sala.

- Com um exercício básico – explicou. – Primeiro, respire o máximo que puder e estique os membros. Depois, expire bem devagar.

Obediente, Candace inalou uma grande quantidade de ar e alongou os braços e as pernas, jogando, também, a cabeça para trás. Ao liberá-lo, pouco a pouco, uma sensação divertida e relaxante se espalhou em seu corpo, provocando-lhe um sorriso involuntário.

- Sente esse calor que flui dentro de você quando a tensão diminui? – questionou. A Kidman assentiu, ainda de olhos fechados. – Essa é a sua energia vital. Ela é essencial para a magia e, por essa razão, você terá de aprender a controlá-la. O manejo de energia é o que difere um bruxo brilhante de um bruxo medíocre. E, além disso, a energia é tudo que você precisará para executar feitiços. Ao menos, os mais simples.

- E os complicados? – questionou Steven. Encostado na parede do corredor, que dividia a sala de estar e a cozinha, o garoto as observava com um olhar animado.

- Nesses, é preciso canalizar energia de alguma fonte externa – explicou, olhando de um irmão para o outro. – E a fonte pode ser qualquer coisa. Um objeto, um artefato, até mesmo uma pessoa. Mas a canalização é um ramo complexo, pois, feito da maneira errada, pode gerar graves consequências.

- E como saberei o que posso canalizar? – indagou Candace. Sua testa franzida demonstrava o medo e a confusão que sentia. Ela estava ciente da responsabilidade que recebia, mas ouvir da boca de Cassandra tornava tudo ainda mais real e assustador.

- Fico feliz que tenha perguntado – disse ela, procurando algo na pequena bolsa. Ao encontrá-lo, Cassandra fitou a peça por alguns instantes e então a entregou para a Kidman.

Candace analisou o anel de prata. Ele possuía uma pedra pequenina e delicada, de uma sólida tonalidade vinho, com leves manchas escuras. Sem compreender o que aquilo significava, ela ergueu o olhar.

- Isso é algum tipo de teste? – questionou, provocando um riso em Cassandra.

- Mais ou menos – respondeu, estendendo a mão para Candace, que lhe devolveu a joia. – Minha teoria sobre o bloqueio está mesmo certa. Se os seus poderes não estivessem adormecidos, você sentiria a energia que esse anel emite.

- E o que ele é?

- O anel, em si, não importa – afirmou, colocando-o em seu dedo anelar direito. – O que importa é a pedra. É uma pedra especial. Uma pedra de sangue.

- Sangue de verdade? – questionou, surpresa. Assim como o irmão, Candace esticou o pescoço, tentando dar uma segunda olhada no objeto.

- Sangue de bruxa, para ser exata. Tem muitas finalidades e uma delas é a proteção. Por isso, muitas pessoas pagariam uma “grana preta” por uma pedra dessas.

- Sinta-se à vontade pra me presentear – resmungou Steven.

- Você tem sangue de bruxa correndo nas veias – retrucou, arrancando-lhe um sorriso torto. – Mas o ponto é: para canalizar algo é preciso, primeiro, sentir sua energia. Esse anel, como qualquer outro objeto mágico, emite uma áurea de energia que qualquer bruxo em exercício poderia sentir. Mas antes de tudo você precisará estudar um pouco as utilidades de certos tipos de energia. Não pode simplesmente escolher algo aleatório. Canalizar uma energia errônea pode arruinar um feitiço ou até coisa pior.

- Tipos de energia? – perguntou Candace, formando uma careta. – Parece complicado.

- E é, mas o seu bloqueio dificulta ainda mais – explicou. – A magia requer estudo, mas a maior parte depende de instinto e talento. Eu já preparei uma lista de livros que você deve memorizar, mas deixaremos a prática para depois. Até encontrarmos o catalisador do seu bloqueio, nos concentraremos em coisas pequenas.

- Como sabe que eu tenho um catalisador?

- Poucos feitiços são irreversíveis – garantiu, cruzando as pernas. – Normalmente, quem faz esse tipo de bloqueio não quer que a pessoa recupere os poderes, mas sua mãe não te deixaria tão indefesa. Creio que ela deve ter se assegurado que, em caso de perigo, você pudesse usá-los. Só precisamos descobrir como.

- Por que não nos mostra alguma coisa? – pediu Steven, agora sentado ao lado da irmã.

Inclinando a cabeça para o lado, Cassandra ponderou por um instante. Depois de uma breve análise do cômodo, notou que o garoto deixara a porta da frente entreaberta. De repente, em um piscar de olhos, ela se fechou.

- Você fez isso? – arfou, admirado.

- Coisa simples, se comparado ao que você fará quando recuperar seus poderes – disse à Candace, que sorria com a pequena demonstração. – Você pode não os sentir ainda, mas quando voltarem, eles serão como uma explosão dentro de você. E, para controlá-los, terá de aprender a focar sua magia. É importante que estimule a sua concentração, com... exercícios de respiração, por exemplo. Trabalhar o sono e a alimentação, entre outras coisas.

Cassandra tirou da bolsa uma pequena agenda, de onde destacou uma página e a entregou à garota.

- Essa é a lista de livros – explicou. – Não encare como uma lição de casa, porque, assim, estaria me transformando em uma professora e eu me odiaria se isso acontecesse.

- Sua professora foi mais durona que você? – questionou Candace, com um ar brincalhão. No entanto, ao contrário do que esperava, o olhar de Cassandra se entristeceu.

- Absolutamente – afirmou, enfim. – Mais durona e mais talentosa também. Foi graças à sua mãe que eu fui aceita e acolhida pela Ordem.

- Oh – a garota exclamou, desviando o olhar. A saudade misturada com a dor ardeu em seu peito, obrigando-a a mudar de tópico o mais rápido possível. – Posso tirar uma dúvida?

- Claro.

- Você acredita em fantasmas? – questionou, recebendo um olhar apreensivo de Steven. – Quero dizer... se vampiros e bruxas existem, por que não fantasmas?

- Bem... – Cassandra engoliu em seco. – Não é algo com que eu esteja acostumada a lidar, mas... sim. Acredito.

- E existe alguma forma de falar com eles?

- Se comunicar com o outro lado é perigoso, Kidman – a jovem advertiu, com uma expressão rígida e um tom repreensivo. – Você não está pensando em...?

- Não! – afirmou, sem esperar que completasse a frase. Candace sabia muito bem o que ela devia estar imaginando. – É que... olha, a gente praticamente não se conhece, mas sabe lá Deus o porquê, eu... meio que confio em você.

Cassandra franziu o cenho, desconfiando do rumo daquela conversa.

- O caso é que eu e umas amigas jogamos uma partida de Ouija alguns dias atrás...

- Esse jogo e todas as variações que existem dele são quase inofensivos – afirmou, tentando tranquilizá-la. Não parecia ter funcionado muito bem.

- É, mas... o tabuleiro soletrou um nome – revelou Candace. Ao lembrar-se da noite em que a irmã de Jennifer surtara, sua pele se arrepiou automaticamente. – O nome de alguém que realmente existiu.

- Quem? – Steven exigiu saber. A irmã pôs a mão em seu joelho e balançou a cabeça em negação, dizendo-lhe, silenciosamente, que não era quem ele pensava.

- Bom, se você acha que não foram suas amigas tentando lhe pregar uma peça...

- Tenho praticamente certeza que não.

- Como eu disse antes, um tabuleiro de Ouija costuma ser inofensivo – disse, pensativa. – Porém, nas mãos de um médium ou até mesmo um sensitivo...

- Como assim?

- Um sensitivo é alguém com a habilidade de sentir o mundo sobrenatural – explicou Cassandra, com aquela paciência infinita. – Eles sentem a energia vital, as áureas, a presença de seres mágicos e tudo mais. Às vezes, podem até pressentir eventos. Alguns sensitivos têm uma predisposição a se tornarem médiuns, que são pessoas com uma verdadeira conexão com o mundo espiritual. Na mão de um deles, um tabuleiro poderia, sim, se transformar em uma forma de comunicação com o outro lado. Você desconfia que uma de suas amigas possa ser uma sensitiva ou médium?

- Eu... – ela deixou a frase morrer, pensando em Lindsay, que parecera possuída por algum espírito maligno. – Sei lá, talvez... não sei.

Candace riu sem humor, demonstrando, involuntariamente, o medo que sentia. Tentando confortá-la, Steven a abraçou.

- Diga-me, Kidman – pediu Cassandra, com um olhar apreensivo. – Que nome o tabuleiro soletrou?

Depois de prender o fôlego por um instante que pareceu infinito, a garota encarou os olhos da bruxa à sua frente. Olhos preocupados, mas também desconfiados de suas ações.

- Lilith – revelou, engolindo em seco.

Quando as palavras escapuliram, ela notou a expressão de Cassandra mudar completamente de uma hora para a outra. Com a boca entreaberta de surpresa, a jovem, antes tão controlada e elegante, parecia profundamente espantada.

- Você tem que jurar que não vai contar isso para mais ninguém – exigiu Cassandra, encontrando a voz que, por alguns instantes, havia perdido. – Principalmente se for um membro da Ordem de Ouroboros, entendeu? Inclusive a Bridget.

- Eu nunca contaria pra ela, mas por que tudo isso? – questionou, assustada com a reação intensa. – Afinal, você não é membro?

- Sim, mas... – ela respirou fundo –, acredite em mim quando eu digo que você não quer saber das coisas que acontecem quando a Ordem põe as mãos em um sensitivo.

- “Põe as mãos”? – repetiu Steven, confuso e preocupado. – Essa Ordem caça pessoas ou algo do tipo?

- A Ordem está sempre atrás de novos membros – afirmou Cassandra. – Não que eu saiba muito sobre seus métodos de seleção, mas é muito raro encontrá-los, por isso, a Ordem faz de tudo para convencê-los. Além de que comunicar-se com espíritos é perigoso. Os sensitivos sempre sofrem consequências não muito bonitas quando nos prestam serviços. O último que não soube impor limites a si mesmo...

- O que aconteceu? – perguntou Candace. Seus olhos eram atentos e curiosos.

- Algo que sou proibida de revelar – respondeu, com um olhar distante. – Mas se aceita um conselho meu, então, ouça bem: se você se importa com sua amiga, então é melhor praticar a arte milenar do silêncio, porque, às vezes, ele pode ser sua única salvação.

~*~

Quando o sinal para o intervalo tocou, Steven ainda checava, distraído, as mensagens que recebera de Kate nos últimos dias. Como se despertasse de um transe, ele apanhou depressa os livros espalhados sobre a mesa e os enfiou, sem cerimônia, em sua mochila. No entanto, antes que pudesse deixar a sala de aula, Alison o alcançou.

- Hei – ela chamou, deparando-se com um olhar desconcertado. – Parece que já faz um século que a gente não se fala.

- Verdade...

- Steven, eu... – encabulada, Alison fitou os próprios pés. – Eu acho que a gente precisa parar de fugir um do outro e conversar sobre o que aconteceu.

- E nós iremos – garantiu. Olhando ao redor a todo o momento, ele pareceu nervoso aos olhos gentis da garota. – Mas pode ser outra hora? É que eu marquei com a minha irmã...

- Sem problemas – ela o interrompeu, abrindo um sorriso amarelo.

Steven assentiu e se afastou, desviando o olhar da amiga apenas no último segundo. Ele não havia inventado o encontro com a irmã, mas era evidente o alívio que sentia por não ter que encarar Alison naquele momento. Seu receio não era fruto somente do beijo que ela lhe roubara, mas também do segredo que se via obrigado a carregar. Toda vez que pensava nela, Steven se sentia desonesto e nem um pouco merecedor de seu afeto.

Chegando à biblioteca, ele rapidamente avistou a irmã que, acompanhada da amiga, sentara em uma das mesas redondas, próximas às fileiras de computadores praticamente vazias. Zoe parecia concentrada no notebook em seu colo, enquanto Candace lia “A Cripta dos Anjos” completamente absorta.

- Achei os livros que você pediu – avisou, sentando-se em uma das cadeiras. Ao abrir a mochila, Steven puxou três livros pesados. – Tenho um amigo que curte esses lances, então foi fácil de arranjar.

- Perfeito – murmurou Zoe, desanimada.

- Hei – a amiga bateu em seu ombro, tentando obter sua atenção. – Parece que alguém tá de mau humor hoje.

Zoe suspirou, fechando o notebook.

- Foi mal – disse ela. – É que essa temporada de basquete tá me deixando louca...

- Relaxa – interrompeu Candace, abrindo um sorriso tranquilizante. – Tenho certeza de que vocês vão arrebentar.

Passado o momento fraternal, Steven pigarreou.

- Bem, eu dei uma lida antes de vir pra cá... – continuou a dizer, abrindo um dos livros sobre a mesa. – Olha o que eu achei.

Ele o deslizou na direção da irmã, que rapidamente pôs o outro livro de lado.

- A Conjura d’Os Cinco Poderes – leu em voz alta, com a satisfação iluminando seu rosto. – Não parece tão complicado pra um ritual de magia negra.

- Tem mais uma coisa – disse ele, mostrando-lhe outro livro. – Se lembra da lenda que a Bridget comentou sobre os dois vampiros amaldiçoados?

- Deixa eu ver – pediu Zoe, com a mão estendida. – A Lenda de Áquila e Cedrom.

“Há muitos e muitos anos, existia um vale, próximo à Jerusalém, cujo as árvores eram as mais verdes e frutíferas da Terra, as torrentes d’água eram as mais cristalinas que se podia encontrar em todo o planeta e os animais viviam em paz com a natureza. Para proteger um local tão abençoado da ira e da destruição do homem, Deus fez brotar da terra duas criaturas ceifadoras; metade humana, metade animal.

A primeira criatura, chamou Cedrom. À Cedrom incumbiu a proteção do vale durante o dia. Qualquer coração que entrasse em seus domínios com intenções maculadas, do corpo lhe era sugada a vida, assim como o homem sugava a da terra, cada vez mais maltratada por suas ações. A segunda criatura, chamou Áquila. À Áquila incumbiu a proteção do vale durante a noite. Qualquer alma que entrasse em seus domínios com intenções sombrias, do corpo lhe era sugada a vida, assim como o homem sugava a dos rios, cada vez mais secos por suas ações.

Certo dia, uma jovem, de cabelos tão belos quanto o sol e olhos tão brilhantes quanto o mar, adentrou o vale. Porém, as intenções de seu coração eram puras, assim como as de sua alma. Era dia, mas Cedrom não pôde lhe ceifar a vida. Acabou encantado com tamanha beleza, deixando Áquila furioso. Sua tarefa era ceifar, não se apaixonar. Esperando o cair da noite, Áquila encontrou a jovem, realizando o que, para ele, devia ser feito. Áquila lhe sugou a vida, deixando o corpo ser levado pelas correntes do rio abaixo, para que, ao amanhecer, Cedrom a pudesse encontrar. No entanto, a jovem era a primogênita de uma poderosa anciã, que vivia nos arredores do vale e todos conheciam pelo nome de Lia. Tendo perdido a filha amada, Lia orou em busca de sabedoria. Em seu sono, recebeu a visita de três anjos chamados Snvi, Snsvi e Smnglof. Os anjos orientaram que ela desse um fim ao reinado de sangue e terror das criaturas do vale. Para tanto, porém, um grande sacrifício seria exigido em troca. Um sacrifício de cinco, de sangue, como oferenda.

- Oferece à natureza, sob o céu de lua nova, o sangue de duas irmãs, que como Áquila e Cedrom, estão ligadas para todo o sempre – disse-lhe Snvi. Erguendo as mãos, Lia aceitou o sacrifício.

- Oferece à natureza, sob o céu de lua nova, o sangue de uma Virgem e de uma Libertina, que como Áquila e Cedrom, tiram o poder da pureza e da promiscuidade – disse-lhe Snsvi. Erguendo a mãos, Lia aceitou o sacrifício.

- Oferece à natureza, sob o céu de lua nova, o sangue de uma Bruxa, que como Áquila e Cedrom, possui o conhecimento sobre o bem e o mal, além de ter a magia da terra correndo em seu corpo – disse-lhe Smnglof. Erguendo as mãos, Lia aceitou o sacrifício.

Obedecendo suas ordens, Lia ofereceu à natureza, sob o céu de lua nova, o sacrifício das cinco. Com a ajuda dos espíritos da água, do fogo, da terra, do ar e do éter, Lia livrou o vale das criaturas ceifadoras, vingando a morte de sua primogênita e libertando as almas sugadas por Áquila e Cedrom. É dito que, para aqueles com coragem o suficiente para se aventurar, ainda é possível senti-las vagando solitariamente entre as árvores do vale, tentando, de alguma forma, regressar para seus corpos e viver o resto da vida que lhes foi tomada. ”

- Não é exatamente o que eu esperava – resmungou Candace, ao término da leitura. – Criaturas ceifadoras em nome de Deus? Me poupe.

- É uma lenda – o irmão retrucou. – Nem tudo é pra ser levado a sério.

- Galera... – com os olhos ainda presos no livro, Zoe interrompeu a discussão fora de hora. – Se a Bridget disse que essa lenda foi baseada nos vampiros que a tal Ordem-de-não-sei-o-quê amaldiçoou, então, esses sacrifícios...

- Podem ser os sacrifícios originais – completou Candace. Seu coração bateu mais forte com a descoberta. – É isso, Zoe. Tem que ser isso.

- Faz sentido – concordou Steven. – As primeiras vítimas do Estripador eram irmãs.

- O nome dele é Vladmir – a irmã corrigiu. – Não aguento mais ouvir esse apelido estúpido.

- E eu não aguento mais ouvir você.

- Se as duas primeiras vítimas representaram As Irmãs do ritual original, então, a Palmer, provavelmente, representou A Virgem – disse Zoe, trocando um olhar de cumplicidade com a amiga. – Não que eu acredite muito nessa possibilidade.

- Nem depois de morta vocês a deixam em paz?

- Não é como se ela tivesse virado uma santa só porque morreu, né? – disse Candace, retoricamente. – Não sejamos hipócritas.

- Será que Tom & Jerry podem parar de discutir ao menos um minuto e focar no que realmente importa? – repreendeu Zoe, sentindo a dor de cabeça retornar aos poucos. Com um olhar divertido, o garoto ergueu as mãos em sinal de rendição.

- Tudo bem, então... – a Kidman suspirou, um tanto confusa –, quer dizer que a próxima vítima é A Libertina. Seja lá o que isso signifique.

- Não tem significado – afirmou Steven, relaxando o corpo. – É uma informação rasa e muito abrangente. Poderia se referir a qualquer garota.

- Você tem razão – concordou Zoe, massageando a têmpora. – Mas ainda temos alguns dias pra pesquisar. Quem sabe um desses livros tenha algo de interessante.

- Eu não sei porque, mas... eu tenho um pressentimento ruim sobre tudo isso – confessou Candace, sob olhares preocupados. – Acho que preciso de ar fresco. De água, descanso e... sei lá. Talvez, um sedativo.

~*~

Depois de mais uma noite insone, Lindsay abriu as janelas, deixando a luz cinzenta do amanhecer chuvoso entrar e iluminar o quarto. Pressionando o medalhão em seu pescoço, ela sentiu aquela sensação estranha que constantemente a incomodava.

Um barulho no andar inferior da casa a despertou dos pensamentos sombrios. Lindsay deu uma olhada no celular, vendo que faltava poucos minutos para as seis da manhã. Quem, além dela, estaria acordado tão cedo em um fim de semana?

Vestindo um moletom por cima do pijama, ela deixou o quarto. Chegando ao topo das escadas, avistou a irmã mais velha, que arrastava uma pequena mala de viagem.

- O que tá fazendo? – questionou. Nos últimos dias, Jennifer esteve estranhamente quieta e menos arrogante que o normal. Lindsay sabia que algo estava lhe acontecendo, mas não é como se elas fossem o tipo de irmãs que desabafavam os problemas.

- Viagem do colégio, esqueceu? – respondeu. A temporada interescolar de basquete havia começado há alguns dias e o primeiro jogo do time do Meadowdale High seria em uma cidade vizinha, Mountlake Terrace, a cerca de 8 km de Lynnwood. Como líderes de torcida, Jennifer e as demais garotas tinham sempre que acompanhá-los.

Após tirar o Honda CRV da garagem, Tiffany parou em frente à casa, buzinando para as filhas. Lindsay se apressou em abrir a porta do carro, ajudando a irmã a entrar.

- Hei – ela chamou, antes que a mãe desse a partida.

Desconfiada, Jennifer ergueu o olhar. – Desembucha.

- Vê se toma cuidado – advertiu, com uma preocupação sincera na voz.

- Oh – a irmã exclamou, surpresa e desconfiada, ao mesmo tempo. – Tomarei.

- Você vai ficar bem? – questionou Tiffany, ligando o motor. Lindsay assentiu para a mãe, cruzando os braços por conta do vento gélido, que bagunçava seus cabelos platinados.  – Não vou demorar muito.

- Não se preocupe – pediu. Da varanda, Lindsay observou o carro azul se afastar, até desaparecer em uma esquina. Seu coração pareceu pesar no peito, como um aviso de que o destino lhe reservava coisas que, em breve, mudariam tudo.

~*~

Chegando ao saguão do hotel, com os cabelos ainda molhados do banho, Zach sentou em uma das poltronas de estofado bege. Com o celular em mãos, ele digitou uma mensagem para a garota que não conseguia tirar da mente.

 

Zach Holt às 20:41: Nós ganhamos (:

Candie às 20:42: Zoe me disse. Mulheres são mais eficientes pra passar informação.

Zach Holt às 20:42: ^^

Candie às 20:42: Meus parabéns, Zach. Vocês mereceram essa vitória.

 

Zach olhou em volta, observando o saguão com pouco movimento. Na área de lazer do hotel, o time comemorava, junto às líderes de torcida, a primeira vitória da temporada de basquete. Ele, no entanto, se sentia extremamente deslocado.

 

Zach Holt às 20:43: Queria você aqui :/

 

Depois de esperar mais de cinco minutos pela resposta que não veio, Zach enfiou o celular no bolso, seguindo um dos monitores – que acompanhavam os estudantes na viagem – até a área externa do hotel. Ao redor da piscina, alguns garotos bebiam, conversavam e até disputavam, em duplas, uma partida de sinuca. Ao avistar Thomas, encostado no balcão do bar, Zach caminhou em sua direção.

- E aí, cara – ele cumprimentou, batendo em seu ombro. Em silêncio, o garoto manteve a atenção presa ao smartphone. – Tá tudo bem contigo?

Thomas ergueu os olhos verdes; não para o amigo, mas sim para o trio sentado no deck da piscina. Zach acompanhou seu olhar, vendo as amigas de Candace, que pareciam conversar animadamente, acompanhadas por Logan, que acabara de sair da piscina.

- Não, mas vai ficar – respondeu Thomas, saindo do bar. Ao se aproximar dos três, ele abriu um sorriso torto. – Ei, irmãozinho?

Quando Logan virou em direção à voz, Thomas desferiu um soco em seu queixo, causando comoção aos que estavam em volta. Sentadas à beira da piscina, as duas garotas gritaram. Zoe deu um pulo, ajoelhando-se ao lado do namorado, que havia caído.

- O que é que há de errado com você?! – questionou ela, aos gritos.

Sendo contido por Zach e um dos monitores, Thomas alegou que tudo estava bem. Petrificada, Jennifer o observou em silêncio, sem saber como reagir.

- Você deveria perguntar à sua “amiga” o que é que há de errado – respondeu ele, alto o suficiente para que todos na área de lazer pudessem ouvir. Thomas voltou-se, então, para a namorada. – Lembra do Carl, amor? Aquele meu amigo, dono da boate, que nos deu convites há algumas semanas?

Jennifer engoliu em seco, compreendendo, enfim, o motivo de tudo aquilo.

- Ele me enviou uma foto sua muito interessante – revelou, cheio de satisfação. Thomas ofereceu o celular a Zoe, que, até então, estivera alheia à discussão do casal. – Especialmente pela sua companhia que, dessa vez, não era eu.

Já de pé, Zoe aceitou o aparelho, ampliando a foto em questão. Na imagem, – um tanto escura e distorcida, como as fotos tiradas em boates costumavam ser – um casal se beijava na pista de dança. Um casal que Zoe reconheceria em qualquer lugar.

- Amor... – sussurrou Logan, tentando impedi-la de se afastar. A garota ergueu os olhos marejados, devolvendo o celular para o cunhado. – Amor, por favor...

- Não toca em mim – ordenou Zoe, afastando-se a passos largos.

- Essa vocês mereceram – debochou Thomas, olhando do irmão para Jennifer, que chorava ao ver a amiga correr para o interior do hotel. Os olhos cinza voltaram-se, então, para ele. – Não sei se entendeu, mas eu vou deixar bem claro: eu não quero mais nada com você.

- Chega, cara – disse Zach, empurrando-o para longe.

- O show acabou. Quero todo mundo de volta aos quartos já – um dos monitores gritou, dispersando a pequena multidão que se amontoara ao redor da piscina. – O que vocês estão esperando?


Notas Finais


Se estiverem gostando da história, deixem seus comentários, pois eles são muito importantes para mim!



A PRÓXIMA POSTAGEM SERÁ NA QUARTA (16/08)



Curta a página do livro no facebook: https://goo.gl/L6GZtT
Saiba mais sobre a história no site: https://goo.gl/uq2Q2m
Siga "Almas Sombrias" no instagram: https://goo.gl/c6WHF5
Siga no tumblr: https://goo.gl/CJv49Y


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...