História Alpha Guardians (Guardiães Alfa) - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Anjos, Demonios, guardiães, Mistério, Poderes, Romance, Sobrenatural
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Palavras 5.276
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bem pessoal, esse é o começo de uma história incrível e reveladora. Se você realmente é fã do gênero ficção, fantasia, romance e ação, pode ler que tenho certeza que irá se divertir com a leitura. Adentrem nos mistérios que envolvem esses jovens especiais, montem suas teorias e tentem desvendar os segredos que se escondem...

Capítulo 1 - Passado Que Retorna


Fanfic / Fanfiction Alpha Guardians (Guardiães Alfa) - Capítulo 1 - Passado Que Retorna


Capítulo 1
Passado Que Retorna

    

Não consigo fechar os olhos e dormir nessa noite chuvosa. O quarto está escuro e só posso enxergar alguma coisa nele quando os relâmpagos surgem lá fora e o brilho intenso penetra através da janela, iluminando o lugar por milésimos de segundo. Devido a escuridão do quarto, eu apenas consigo manter meus olhos virados para a janela, observando a rua e o parque que fica próximo de casa. Não há nada para ver, pois tudo permanece calmo mas não silencioso, devido ao forte temporal que desaba sobre a cidade, fazendo com que os únicos sons ouvidos sejam da própria chuva e dos trovões, resultado de uma intensa guerra entre pesadas nuvens no céu. Já passa da meia noite e as pessoas dessa vizinhança estão em suas camas quentinhas, dormindo e tendo sonhos bem agradáveis eu suponho. O único ser vivo que encontro é um gato embaixo de um carro, torcendo para que a tempestade tenha uma trégua, podendo assim encontrar um lugar melhor para estar.

Raios brincam pelo céu e as nuvens mantém sua ferocidade provocando fortes colisões, o suficiente para imaginar que podem ser bombas sendo detonadas em algum lugar próximo. 

Um raio decide fugir do céu e atinge em cheio uma árvore localizada no parque. As chamas imediatamente surgem e passam a devorar as folhas e os galhos. A imagem da árvore queimando é algo que de alguma forma me faz ficar atento àquilo, sem conseguir olhar para nenhum outro lugar. Nem mesmo a forte chuva é capaz de apagar o fogo. 

Eu já havia percebido antes que tenho um fascínio por esse elemento em específico. Sempre que é possível estou pegando os fosfóros na cozinha e acendendo, apenas para ver a pequena chama surgir e devorar os palitinhos. Uma vez, eu presenciei um acidente, onde um carro em alta velocidade perdeu o seu rumo e bateu contra um poste. Um cabo elétrico se soltou com o choque e tocou o asfalto justo onde tinha um rastro de vazamento de óleo do veículo, criando uma fileira de fogo até atingir o carro. O motorista conseguiu sair no momento em que o automovel explodiu, salvando-se por pouco. Enquanto algumas pessoas tentavam de alguma forma apagar as chamas, eu apenas ficava observando, bastante vidrado com o fogo.

Mas o motivo para eu não conseguir dormir não está na chuva forte ou nos trovões acima, e sim no barulho que eu ouvi aqui dentro de casa. Não sei dizer exatamente o que fez aquele som estridente, e por isso mesmo eu passei a sentir medo. Eu já estou a quase dez minutos sentado na cama sem fazer nada desde que ouvi o estranho som, mas ainda não tive a coragem de me levantar, mesmo eu sabendo que não posso ficar aqui o tempo todo.

Por duas vezes eu noto as luzes do corredor se acender, e vejo sombras de passos do outro lado da porta do meu quarto. Na segunda vez, minha mãe bate na porta e pergunta se estou acordado. Eu fiquei em silêncio e ela foi embora, talvez acreditando que eu estivesse dormindo.

Respiro fundo algumas vezes e finalmente consigo a coragem de mover minhas pernas. Não me preocupo em calçar os chinelos e vou assim mesmo descalço, dando um passo de cada vez cautelosamente. Eu não preciso da luz dos relâmpagos para me mover pelo lugar, já que eu conheço exatamente qualquer centímetro daqui.

Levanto a mão e alcanço a maçaneta da porta, abrindo-a lentamente.

Antes mesmo de sair para o corredor, eu apenas coloco a cabeça para fora do quarto e tento pelo menos enxergar alguma coisa que fosse digamos, diferente. Não obtenho êxito, já que o corredor está tão escuro quanto o quarto, sem a vantagem claro de ser iluminado de forma melhor pelos relâmpagos, obtendo apenas uma rápida e fraca luz de vez em quando.

Sigo em frente alguns passos com a mão erguida até tocar a parede em frente, viro para esquerda e deixando a mão como apoio e guia começo a caminhar. Pensamentos rondam minha mente à mil, a maioria deles sendo bastante negativos, sempre resultando no pior. Balanço a cabeça tentando afastar esses pensamentos.

Eu sei exatamente o que estou fazendo e para onde estou indo. Conheço a casa e esse é o caminho que leva ao quarto de meus pais. Obviamente essa é a minha ideia, não ficar sozinho nesse momento estranho, sabendo que eu poderia ter falado com minha mãe quando ela foi ao meu quarto. Mesmo que o barulho que ouvi não tenha se repetido, eu não consigo parar de sentir uma certa insegurança que se apodera de mim.

Antes mesmo de alcançar meu objetivo eu sou iluminado pela luz de mais um relâmpago, só que dessa vez veio pela janela do quarto que eu quero ir. Noto então que a porta está aberta por algum motivo, já que meus pais costumam dormir com a porta fechada. Penso em chamar por eles, mas logo desisto da ideia. Algo dentro de mim me diz que não devo fazer barulho para não revelar minha localização.

 Meu corpo todo treme quando chego à porta, mas não por causa de medo ou coisa qualquer, mas sim porque a janela do quarto está aberta e o vento forte entra sem dó, provocando muito frio.

 Pela luz que vem da janela, provavelmente de um poste bem em frente, posso notar que as cortinas voam furiosamente, como se quisessem se soltar de onde estavam presas.

O chão encontra-se encharcado, já que a chuva também faz questão de adentrar o lugar, mas noto algo a mais, cacos de vidro. É então que ergo os olhos rapidamente para a janela e entendo: não é que haviam esquecido de fechá-la, mas sim que havia sido quebrada.

O medo volta a querer dominar todo o meu interior, e os pensamentos de que algo de ruim aconteceu retornam. Tento me acalmar como sempre faço, pois por incrível que pareça eu não fico exasperado tão facilmente. Ponho a mão em meu peito com intenção de controlar a respiração e aos poucos vou conseguindo me acalmar mais uma vez. Ainda assim apenas continuo sentindo a insegurança que teima não me largar. 

Dou meu primeiro passo para dentro do quarto mas logo preciso parar. Uma sombra surge e atravessa a pouca luz que vem dos postes lá fora. Demoro um segundo para reconhecer que é minha mãe. Mas a imagem dela faz pela primeira vez nessa noite eu não conseguir controlar o medo dentro de mim.

Seu rosto está machucado e ela sangra por algum ponto na cabeça, que escorre por sua testa. Mostra sinal de cansaço e mantém uma de suas mãos erguidas na direção de onde ela tinha surgido, ao qual não consigo ver de onde estou parado. A outra mão está ocupada segurando a região de sua barriga, onde também sangra bastante.

- Mãe!! - Eu digo em voz alta, não conseguindo mais permanecer em silêncio.

Ela olha para mim e vejo a surpresa se apoderar dela, fazendo seus olhos crescer absurdamente. Eu nunca a tinha visto assim antes.

- Filho, saia daqui, AGORA!! - Mamãe grita no momento que faço questão de ir em sua direção.
   Mesmo ela me dando essa ordem, eu praticamente perco a coragem que me fez vir até aqui e não consigo mais me mover do lugar. Algo parece ter me grudado ao chão e mesmo que eu tente parece impossível desgrudar meus olhos dela, como se me dissessem que essa é a última vez que eu a veria. Lágrimas escorrem dos olhos dela e eu quero poder abraçá-la, mas mesmo eu tentando o máximo que posso, não tenho forças o suficiente para me fazer sair do lugar. Sinto algo quente descer pelas minhas bochechas e entendo que eu também choro nesse momento.

Eu passo a desejar que tudo isso seja apenas um pesadelo, que logo abrirei os olhos e estará de manhã, e quando eu me levantar verei minha mãe completamente bem na cozinha, esperando-me para tomarmos café da manhã juntos.

Tento loucamente gritar, expulsar a dor em meu peito, como se implorasse para minha própria mente que me acordasse agora mesmo, mas logo entendo que isso é totalmente inútil, pois nada disso é um sonho, e sim tudo é real.

Uma nova sombra surge pelo canto de meus olhos e um homem aparece em minha frente: meu pai. Ele também está ferido assim como a mamãe, mas parece estar em um estado melhor. Eu não consigo entender nada do que está acontecendo. Papai abaixa-se em minha frente para poder me colocar em seus braços e levanta me carregando.

Ele olha para a mamãe e eles ficam se encarando. Eu sei que eles estão se comunicando mesmo sem emitir som algum, é algo que eles conseguem fazer e eu gosto muito, mesmo que eu nunca tivesse entendido como eles conseguiam se entender dessa maneira.

Após poucos segundos encarando um ao outro, papai vira-se para o corredor e sai. 

Eu não tento entender porque estávamos indo embora e deixando a mamãe para trás e começo a fazer o máximo que eu posso para descer e voltar para aquele quarto.

- O que você está fazendo pai? Me solta, não podemos deixar a mamãe para trás, me larga por favor!

Papai para no alto da escada e me coloca no chão segurando em meus ombros mais forte do que eu esperava. Ele olha fundo em meus olhos e posso notar a dor que ele está sentindo no momento por estar fazendo isso.

- Rayner, nossa prioridade é manter você seguro. A mamãe sabe se virar e logo estarei de volta para ajudá-la. Mas você precisa confiar em nós, está bem? Corra, saia de casa e só pare quando não suportar mais, quando suas pernas não aguentarem mais te sustentar, está me entendendo?

- Pai, o que... - Eu tento protestar mas é em vão, pois logo ele me corta.

- Filho, por favor, apenas faça o que estou mandando.

Ouço novamente aquele barulho estranho e assustador de antes e vem exatamente do quarto onde a mamãe está. Os olhos de meu pai demonstram ódio e vira-se para aquela direção, gritando sem olhar para mim:

- Agora Rayner, CORRA!

Eu desço as escadas o mais rápido que eu posso e disparo pela sala até a porta de entrada. Corro pelo jardim até alcançar a rua e paro olhando para trás. A chuva continua caindo furiosamente e eu já me encontro totalmente encharcado. Noto que em algum lugar à minha direita há uma cratera no chão, como se algo tivesse escavado ali, ou um forte raio tenha caído, mas não presto muita atenção nisso no momento pois tenho preocupações maiores.

Uma luz esquisita e muito brilhante surge da janela quebrada do quarto de meus pais e é então que ouço um grito de dor e desespero de minha mãe. Isso faz meu coração quase parar e sinto um desconforto horrível dentro de mim. Algo me diz que eu não posso fugir e que preciso voltar, que é para eu ir contra a vontade de meu pai.

Então volto correndo para dentro de casa, subo as escadas e viro pelo corredor quando eu paro aterrorizado com o que vejo.

O corpo de meu pai está jogado no chão completamente coberto de sangue e com os olhos esbugalhados. Ele não se move mais, e em minha mente só uma resposta surge: não há mais vida nele.

Durante esses três segundos em que eu o vi morto bem ali diante de mim, minha mente simplesmente ficou em branco e um grito terrível veio subindo pela minha garganta, mas algo impedia que pudesse alcançar minha boca e escapar para o ambiente.

Noto que alguma coisa está por cima de seu corpo, algo que eu nunca havia visto antes. No momento eu só posso categorizar aquela coisa como um monstro. Corpo deformado e longos braços com enormes garras. Sua grande boca e seus olhos totalmente negros podem ser vistos através da luz que passa pela janela. Essa coisa monstruosa segura algo em uma de suas mãos, se é que posso chamar aquilo de mão, e é quando se vira para mim que posso entender o que é: a cabeça decepada de minha mãe.

- NÃÃÃÃÃÃOOOO! - Finalmente o terrível grito encontrou uma forma de sair, tentando levar consigo todo o sofrimento que se apodera de mim, porém sendo incapaz de reduzir toda essa dor.

A partir desse momento tudo começa a ficar confuso. Eu grito sem parar e então o meu redor escurece.

Quando volto a ver algo, aquela coisa vem em minha direção com sede de sangue e tudo volta a ficar escuro.

Quando as luzes retornam novamente noto que toda a casa está em chamas e vejo o monstro jogado no chão, totalmente ferido de alguma forma, gemendo e protestando.

Escurece e volta a clarear. Vejo os corpos de meus pais mortos jogados ao chão e a dor em meu peito não para de crescer, está me deixando sem fôlego...


********


A primeira coisa que me lembro é de cair estatelado no chão e sentir uma enorme dor de cabeça. Eu simplesmente caio da cama quando desperto. Novamente esse mesmo sonho. Eu já perdi as contas de quantas vezes me encontro vendo a mesma coisa sempre que adormeço. Na verdade, exagerei um pouco. Nem sempre é a mesma coisa, de vez em quando alguns detalhes surgem a mais do que eu já havia visto, e dessa vez não foi diferente. Eu nunca havia visto exatamente como meus pais haviam sido mortos, não até hoje.

Há mais ou menos três anos venho tendo esses sonhos sobre esse acontecimento: o quarto que acredito ser meu, a chuva forte, o raio e a árvore em chamas e o modo como me sinto atraído por ela; recentemente vendo o corredor e o vento frio entrando pela janela quebrada, meus pais e dessa vez como eles foram brutalmente assassinados.

No começo eu me acordava assustado e passava a temer dormir, dando algum jeito de me manter acordado, mas logo me acostumei a estar vendo essa situação quase sempre.

Assim que eu me lembro das coisas, eu estive morando com a irmã de minha mãe desde que, segundo ela me dizia, após um incêndio acidental que ocorreu na nossa casa resultando na morte de meus pais. Lógico que não havia motivo para eu duvidar da palavra dela e passei a acreditar que isso realmente havia acontecido.

Durante anos eu mantinha essa ideia em minha mente e nunca pensei em questionar a veracidade dessa história. Mas quando esses sonhos começaram a tomar conta de minhas noites de sono, comecei a entender que as coisas aconteceram de uma maneira totalmente diferente. Além disso, fatos estranhos começaram a surgir em mim desde então.

A primeira vez que descobri que eu posso fazer coisas que nenhuma outra pessoa consegue foi quando eu estava sendo perseguido por uns colegas babacas na escola em que estudei o ensino fundamental.

Eles se achavam os valentões por serem da equipe de futebol do colégio e pensavam que podiam fazer o que quisessem, como por exemplo tentar me dar uma surra. Na ocasião, eu estava correndo com intenção de fugir deles, mas alguns desses idiotas me cercaram, formando um círculo à minha volta com a intenção de bloquear qualquer tipo de fuga para mim.

Ao invés de eu parar continuei correndo na direção deles e de repente senti tudo a minha volta desacelerar, ficar no que chamamos de "câmera lenta", que vemos muito em filmes ou séries na televisão. Eu não entendi o que estava acontecendo e então passei por eles sem que pudessem ter me notado, conseguindo alcançar o outro lado do pátio em poucos segundos, coisa que eu levaria quase um minuto para fazer devido a sua extensão.

Após isso, logo quando acabou as aulas daquele dia, eu esperei estar sozinho no estacionamento do colégio e tentei correr tão rápido quanto fiz antes. No começo nada acontecia, até que aos poucos fui sentindo tudo à minha volta começar a desacelerar novamente e então segui correndo até em casa, completando um caminho com tempo três vezes menos que levaria se eu tivesse pego o ônibus normalmente. Ao chegar em casa, notando que eu nem suava, só pude me sentir muito feliz e comemorei demais com essa descoberta.

Descobrir que eu posso correr mais rápido que qualquer um foi apenas o primeiro desses dons que surgiu em mim. Depois eu percebi que posso mover objetos com a mente, o que já vi em filmes e séries também e as pessoas chamam de telecinésia. Logo depois descobri que posso levantar objetos bastante pesados com as mãos.

Meu cérebro parece trabalhar mais rápido e entende qualquer assunto facilmente se eu me focar apenas naquilo. Assim como aconteceu em uma aula de biologia na sétima série quando eu terminei um exercício e expliquei para a turma no lugar do professor, que não estava conseguindo responder a tal questão. A cada novo "poder" que surgia eu me sentia especial, assim como um verdadeiro super herói. Tanto que eu passei a ajudar as pessoas quando eu tirava um tempo livre, mas atualmente eu meio que parei com o heroísmo, desde que entrei na universidade...

Tudo bem, não posso ficar o dia inteiro deitado no chão em meus devaneios e então me levanto.

Nem perco tempo arrumando minha cama pois nunca faço isso, e analiso em minha agenda os afazeres do dia. É domingo, o que significa que não tenho absolutamente nada para fazer hoje, então terei que descobrir como me ocupar mais tarde. Bocejo demorado e me estico completamente, tentando expulsar os restígios que pode ter sobrado de sono e sigo em direção ao banheiro.

O meu quarto da universidade não é grande, assim como é os demais quartos daqui, mas para mim tem seu charme de certa forma e é despojado. Não é decorado com tantas cores, já que o branco predomina quase que completamente, tendo variações apenas nos cômodos que possuo. Minha cama fica no canto da janela, ao qual posso ter uma boa vista do lado de fora, e ver também as estrelas durante a noite.

Próximo a cama há uma escrivaninha com meu notebook e algumas coisas particulares; do lado oposto a parede com janela há meu closet (não tenho tantas roupas para preenchê-lo completamente, mas não me importo com isso); uma televisão na parede em frente a cama e um aparelho de som próximo, e uma pequena mesinha no centro. É até um lugar legal, meu preferido de todo o campus por sinal. Já sobre o banheiro não há muito o que dizer: é pequeno, e possui tudo que é necessário ter nesse ambiente.

Após escovar os meus dentes fico olhando para mim mesmo através do espelho. Na verdade, eu devo dizer que a primeira coisa estranha está em mim desde que eu nasci, já que sempre me disseram que meu cabelo nunca conheceu tinta. Isso mesmo, a cor de meu cabelo é de um tom natural incomum, ou melhor dizendo, rara.

Todas as pessoas que conheço dizem que nunca ouviram falar de alguém que nasceu com essa cor natural, essa cor branco prateada, a não ser que a pessoa seja albina, o que não é o meu caso. Muitos dizem que era para eu ser loiro e que de alguma forma o tom acabou ficando forte demais e tornou-se prateado, mas eu não concordo com esse tipo de comentário. Se eu mexer em meu cabelo posso notar que tenho alguns fios negros escondidos, o que deixa a coisa mais estranha ainda.

Meus olhos são de um tom azul bem forte, o que chama a atenção de todos que olham para mim, principalmente das garotas. Não é à toa que estou na lista dos garotos mais lindos e cobiçados da universidade.

Além de meu cabelo e de meus olhos há uma outra coisa em mim que adoro muito, e que quase ninguém sabe da sua existência, exceto minha tia e eu obviamente. Uma cicatriz com um formato que me lembra muito uma ave com asas abertas e longa cauda com várias penas localizado no local exato próximo a meu peito, onde fica o coração. Já fiz algumas pesquisas sobre aves e cheguei a conclusão que é uma fênix, apesar de saber que esse tipo de animal não existe, mas mesmo assim de alguma forma amo ter isso em mim. Eu tenho ela desde que eu era pequeno, não sei se foi algum acidente que me fez ganhar isso ou se é de nascença, o que me parece obviamente ser mais plausível aceitar.

E só para dar aquele toque para os que ainda estão com dúvidas e curiosidade, meu tom de pele é clara e meu físico é bastante invejável, então podem imaginar como eu realmente sou como quiserem a partir das características que acabei de falar.

Após terminar o banho, já completamente vestido e estou apenas secando meu cabelo, a porta do quarto se abre bruscamente e alguém entra gritando todo animado.

- Rayner!! Tenho uma novidade que você vai pular de alegria e é provável que queira saltar pela janela, mesmo que estejamos no segundo andar.

- Do jeito que você fala Lucca, eu devo me preocupar com o que vai sair de sua boca imediatamente.

Lucca Jones, meu melhor amigo. Possui uma personalidade um tanto quanto divertida até demais, e está sempre entrando em confusão por causa disso. É também um grande garanhão, dando em cima de quase todas as garotas do campus. Juro que, mais ou menos noventa por cento do sexo feminino que vejo por esses corredores e arredores esse cara já deu em cima, apesar que sua taxa de sucesso é bem decepcionante. Não que ele seja totalmente feio, na verdade seu físico é até melhor que o meu, mas ele acaba usando piercings demais no rosto e mantém seus longos cabelos escuros bagunçados, como se não preocupasse tanto penteá-los.

Devido ao fato de não se dar bem com as garotas, ele gosta de implicar comigo, já que é de conhecimento geral que estou no top 5 dos garotos mais desejados da universidade, coisa que ele não está e sei que tem uma certa inveja, e ainda por cima já recebi várias declarações, tanto pessoais quanto por mensagens, cartas ou e-mails, e eu acabo não aceitando, já que não quero estar com uma garota se eu realmente não gosto de verdade dela. Algumas pediram uma chance através de encontros e eu até aceito mas também não deram em nada. Outras decidem se tornar amiga minha para ir me conquistando aos poucos e acho que esse deve ser o melhor caminho que elas precisam tomar.

Mas também há um outro motivo para eu não aceitar nenhum dos pedidos delas, e isso é referente a eu já estar interessado em alguém, e seu nome é Sophia Walker.

Ela chamou minha atenção desde a primeira vez que eu a vi e aos poucos quando fui conhecendo-a ainda mais comecei a sentir esse desejo de estar com ela em meu peito. Seus cabelos ondulados, seus lábios quando sorri, seus olhos cor de mel, tudo nela me atraiu. O único que sabe disso é meu grande amigo Lucca, que está me olhando com uma cara esquisita nesse exato momento enquanto estou em meus devaneios mais uma vez.

- Ei, o que deu em você? - Pergunto já temendo o que virá em seguida.

- Hoje será o grande dia meu amigo, e eu vou fazer de tudo para você não fugir.

- Eu já estou terminando de me arrumar, eu vou com você até onde quiser aqui no campus e...

- Não estou me referindo a isso meu camarada. - Ele se aproxima de mim e joga seu braço por cima de meus ombros, mantendo um largo sorriso no rosto, ao qual já sei que ele está pensando em alguma coisa e eu estarei envolvido nisso. - Me refiro ao fato de que hoje você e eu iremos a um encontro duplo.

Isso me pega totalmente desprevenido. Olho para ele com uma cara de descrença e começo a pensar em uma forma de sair dessa situação.

- Ah Lucca, acho que não vai rolar, você sabe o quão tímido eu sou, eu não vou conseguir falar e fazer nada direito.

- Meu amigo, meu camarada, você precisa entender uma coisa: nós somos jovens, e a nossa juventude não voltará atrás quando estivermos com nossos oitenta e tantos anos, sentados numa cadeira de balanço reclamando das dores nas costas.

Analiso silenciosamente o que acabo de ouvir e preciso concordar com ele. Desde que me entendo sobre garotas eu nunca dei uma chance a nenhuma delas que se confessaram para mim, devido a essa ideia de estar apenas com quem realmente gosto.

Mas tem um porém nisso tudo. O Lucca sabe que eu estou de olho na Sophia, por que ele está me falando de encontro duplo?

- Ok Lucca, desembucha de uma vez o que você está tramando.

Eu vejo seu olhar de confiança, de determinação, de audácia e acima de tudo, um olhar de "você vai me dever essa pelo resto de sua vida". Ele se coloca em minha frente e sorri maliciosamente.

- Meu grande camarada, meu irmão, meu chapa,  - ele começa - hoje mais cedo enquanto eu saía para me exercitar um pouco, eu avistei uma certa pessoa. Cumprimentei-a e começamos a conversar, então ela acabou me contando que havia prometido a uma amiga que chegou recentemente na cidade, que iria sair com ela para mostrar um pouco de nosso lar e para se divertirem. Então eu tive a maravilhosa ideia de perguntar se eu poderia ajudá-la. Ofereci-me para sair com elas em um encontro duplo, ela e sua amiga, você e eu. Ela ficou muito feliz com a ideia e eu garanti que você iria junto.

Tinha que ser o Lucca, para pensar em coisas assim num instante. Pelo olhar divertido dele eu já havia sacado quem era essa tal pessoa ao qual ele havia conversado.

- Você está dizendo que marcou um encontro duplo, ao qual estará você, eu, a Sophia e uma amida dela?

- Como você entende rápido as coisas, por isso é tão inteligente.

Não me importo com o tom de deboche dele, eu estou ainda processando o que havia acabado de ouvir. Hoje eu irei sair com a Sophia, lógico que não sozinhos mas não deixa de ser uma coisa incrível. Eu tenho que contribuí-lo algum dia por esse favor.

- Cara, sério eu poderia te beijar nesse exato momento, mas não corto para esse lado.

- Que bom, senão eu teria que sair correndo daqui nesse exato momento e provavelmente me jogar pela sua janela. Agora se me dá licença, eu preciso fazer algumas coisas.

- Espere aí, você ainda não me disse onde iremos nos encontrar com elas e a hora do encontro.

- Ah sim. Esteja pronto às cinco da tarde na portaria do campus, nós iremos nos encontrar lá.

- Entendi.

Lucca sai e me deixa parado no meio do quarto ainda pensando nas coisas que acabaram de acontecer. Essa é minha oportunidade de ouro de poder estar ao lado de Sophia, de poder dizer a ela o que sinto e saber como ela reage a isso. Tenho de admitir que sinto um pouco de medo de ser rejeitado, mas não irei recuar agora. Essa é uma chance que não deixarei escapar.

Viro-me para o lado e fico olhando fixamente pela janela e noto algo do lado de fora. Não consigo perceber o que é exatamente mas já havia chamado a minha atenção.

Aproximo-me da janela e tento procurar por algo diferente, mas não parece haver nada. Passo as mãos pelo cabelo e estou para me virar quando um movimento rápido o suficiente para quase não ser visto sai de um arbusto e some em algum lugar nos fundos do dormitório.

Curioso sobre o que pode ser, eu abro rapidamente a janela e salto, caindo sem problemas no gramado sete metros abaixo. O Lucca pode até ter brincado sobre isso, mas ele não sabe que cair de uma altura dessa não é problema para mim.

Sem perder muito tempo, começo a correr na direção que o vulto se dirigiu. Olhando para todos os lados o máximo que eu posso consigo encontrar "minha presa" se dirigindo para o estacionamento do campus. Penso em tentar usar minha "super velocidade" para alcançá-la num instante, mas noto que o caminho até lá não está totalmente vazio. Existe alguns jovens passando pelo lugar ou apenas sentados e conversando juntos e no momento não estou com nenhum pingo de vontade de revelar a eles o que consigo fazer.

Tentando manter uma velocidade considerada normal para um garoto da minha idade (o que eu não disse ainda, mas tenho 17, e sim usei o fato de ser muito inteligente para chegar a universidade com essa idade), continuo a minha perseguição.

Ao chegar no estacionamento eu paro e olho para todos os lados. Não adianta mais eu já o perdi de vista.

Respirando fundo e dando meia volta eu ouço uma voz surgir da entrada do estacionamento chamando por mim. Ao me virar eu vejo Sophia vindo em minha direção. Automaticamente minhas mãos começam a tremer e já não sei mais o que fazer com elas.

- Ah Rayner! O que faz por aqui? - Ela pergunta quando para em minha frente, mostrando seu lindo sorriso que sempre me faz perder o controle de minhas emoções.

- Nada demais, eu estou... Apenas passeando. - Eu poderia ter pensado numa resposta melhor, mas no momento parece que meu cérebro travou.

- Ah! Você vai mesmo hoje? - Ela pergunta bastante empolgada.

- Fala do encontro duplo? Eu vou sim.

- Ah que bom! Vai ser muito divertido... - Sophia para de falar subitamente e então olha para mim com uma certa preocupação em seus olhos. - Rayner, você já soube do que aconteceu há quatro quarteirões daqui?

- Acredito que não, ainda não tive tempo de olhar as notícias de hoje. O que houve?

Sophia rapidamente tira seu celular do bolso e começa a andar nervosa, vasculhando seu smartphone até encontrar o que deseja. Eu apenas estava a seguindo sem saber como reagir a isso tão subitamente. Ela bruscamente para e eu quase me esbarro nela. Sophia apenas me entrega o celular e fica olhando fixamente para mim.

Eu encaro o aparelho e vejo que ela quer que eu veja um certo vídeo. Eu dou play e o que percebo a seguir me incomoda. A filmagem foi feita por um celular, provavelmente por um amador devido a qualidade mas dá para ver e entender perfeitamente o que ele está tentando mostrar.

Trata-se de uma enorme cratera que segue de um lado a outro na rua, dividindo-a no meio, e terminando em algumas casas, destruindo-as quase que completamente. Pelo menos sete residências foram atingidas.

- E não houve tremor algum. - Sophia fala subitamente. - Nada de terremoto, nada de bombas que explodiram, ou seja, nada para fazer um estrago desse tamanho. É o que os noticiários revelam, mas eu já ouvi boatos de que o pessoal daquela região sentiu um certo pequeno tremor sim. Mas ainda não há resposta para o que aconteceu.

Ouvindo os relatos dela, um certo pensamento crava em minha mente de repente. O sonho que tive hoje, daquela noite chuvosa, eu havia visto uma certa cratera próximo à casa mas eu não havia dado atenção para aquilo. Será que é a mesma coisa com o que aconteceu nesse bairro, ou é apenas coincidência? Eu sinceramente não acredito nessa última hipotese e acabo criando curiosidade sobre o assunto.

Sophia e eu continuamos conversando sobre coisas aleatórias depois disso, enquanto nos dirigíamos de volta aos dormitórios. Quando nos despedimos e nos separamos, eu sigo na direção de meu quarto pensando no encontro mais tarde, mas mesmo assim sem conseguir esquecer também o que pode ter sido aquele vulto e o que causou aquela cratera. Meu lado apaixonado por uma aventura e mistério começa a renascer em mim e algo em meu interior me diz que as coisas estão para mudar drasticamente, e não irá demorar muito para isso acontecer...
 


Notas Finais


Bom pessoal, é isso aí. Animados para descobrirem o que vem por aí? Gostaram realmente? Pois não se preocupem, essa história será postada até o final, e posso garantir a vocês que ela será bem longa rsrs Bem, obrigado pela preferência, espero que possamos conversar (pelo menos por aqui, ou sei lá, quem sabe) mais vezes!
P.S.: Postei essa história em outros sites para escritores também, e se vocês acabarem encontrando no Wattpad ou no Widbook com o usuário de nome Reinan Matheus, sou eu mesmo, apesar das capas serem diferentes rsrs. E se tiverem dúvidas podem falar comigo em qualquer um dessas redes que conversarei com você... Até mais!


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