História Alpha Guardians (Guardiães Alfa) - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Anjos, Demonios, guardiães, Mistério, Poderes, Romance, Sobrenatural
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Palavras 4.325
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


"... As paredes à nossa volta passam a deteriorar, como se fossem feitas de gelatina e estivessem num forno em alta temperatura. No lugar delas parecem haver grades e corpos pendurados. O chão começa a se abrir e vejo várias criaturas emergindo com fome e sedentos por carne..."

Capítulo 10 - Novo Perfil


Fanfic / Fanfiction Alpha Guardians (Guardiães Alfa) - Capítulo 10 - Novo Perfil

 

Ao comando do Rayner, todos nós avançamos para o combate. Como sou a única aqui que pode voar, rapidamente estou no ar enfrentando as criaturas que encontram-se nas paredes e janelas. Eu já combati com essas coisas lá no parque e eu sei que não são assim tão fortes, pelo menos dá para destruir esses monstros sem grandes problemas.

Usando socos, pontapés, e principalmente o ar à minha volta, eu elimino todas as criaturas cabíveis a mim e observo a batalha abaixo. Rayner está se saindo tão bem quanto eu, queimando completamente qualquer inimigo que se aproxime dele. As gêmeas também não encontram dificuldades, mostrando serem habilidosas no manuseio das espadas que possuem.

Em poucos minutos o ataque surpresa desses bichos simplesmente é derrotado e nos agrupamos próximo ao altar da capela.

— Posso dizer que isso foi moleza — Rayner comemora enquanto recupera o fôlego.

— Essas coisas, são as mesmas que atacaram o parque, não são? — Alice pergunta.

— Provavelmente — Eu respondo. — Mas como vimos, não são difíceis de ser combatidas.

— Para nós é fácil, mas tenho certeza que para pessoas que não sabem se defender, ou aqueles que não são incomuns como vocês dois, deve ser complicado enfrentar esses monstros — Annie reflete.

— Você tem razão — Eu confirmo.

— Isso está parecendo muito uma espécie de "apocalipse agora", como já vimos muito em filmes de ficção, mas de uma forma diferente e sem toda a devastação — Rayner comenta em meio uma risadinha de deboche.

— Que otimista você é — Alice faz um comentário a isso que o Rayner falou, e eu logo emendo.

— Era o que eu queria dizer a ele faz algum tempo.

— Eu prefiro me auto declarar realista.

Rayner encosta-se no altar sorrindo e olha para as gêmeas analisando-as.

— Queria poder entender o motivo para vocês confiarem tanto em nós.

— Eu não confio tanto assim — Annie responde. — Na verdade, eu tenho dúvidas quanto a vocês dois, mas minha irmã aqui parece não se importar com isso, e vocês nos ajudaram. Não tem porque reclamarmos disso. Acredito que se vocês quisessem nos matar, já teriam feito isso.

— Garota, você é fogo hein! — Eu falo com um tom de surpresa, obviamente forçado, tentando amenizar o clima dessa situação.

— Minha irmã é assim mesmo — Alice comenta. — Ela é, digamos, a mais complicada entre nós duas.

— Ei! — Annie protesta.

— Você sabe que é verdade maninha, desde que nascemos eu sempre fui a mais quieta e sentimental.

— E é por isso que também precisa sempre ser a mais protegida entre nós. Você confia facilmente nas pessoas, e nesse mundo em que vivemos precisamos ter cuidado em quem confiar.

— Olha, eu preciso concordar com você — Eu falo veemente.

— Mas também não podemos dizer que a Alice está completamente errada — Rayner entra no assunto. — É exatamente pelo mundo ser assim doentio, que pessoas como ela são raras, e sinceramente gosto de pessoas assim.

— Você o que? — Alice pergunta sem jeito.

— Eu gosto de pessoas como você! — Rayner repete sem nem perceber como acabou de deixar a garota vermelha tomate com esse seu comentário.

— Rayner, você precisa prestar mais atenção, sabia? — Eu digo com um tom de ciúme, mesmo sem saber porque estou assim.

— Fiz algo de errado? — Rayner realmente ainda não se tocou com o que fez, e talvez nem se toque. Talvez não sejamos inteligentes sobre tudo. — Eu só disse apenas o que sinto sobre ela.

Alice fica mais vermelha do que já estava, o que parecia não ser possível, e baixa a cabeça— ou estou ficando maluca e vendo coisas, o que é mais provável, ou está saindo fumaça de entre seu cabelo. Eu fico obervando o Rayner, entendendo mais um lado bacana dele, apesar de sentir um certo incomodo por ele tê-la elogiado dessa forma.

Tentando mudar de assunto, viro-me na direção das gêmeas e pergunto:

— Quer dizer então que esse lugar aqui é propriedade de vocês?

— Nossa não... nossa família é dona desse terreno aqui, ou melhor dizendo, nossa avó — Annie responde. — Ela não se importou muito com esse lugar e é por isso que está assim abandonado, mas minha irmã e eu gostamos de vir aqui, principalmente quando queremos treinar ou ficarmos sozinhas.

— Como chegaram aqui tão rápido, já que a casa mais próxima fica a um quilômetro? E como sabiam que nós estávamos aqui dentro? — Rayner pergunta.

— Sobre virmos aqui talvez seja coincidência — Dessa vez é a Alice que fala. — Nós sempre cavalgamos juntas, e quando estávamos passando por aqui perto, ouvimos um barulho de metal bem alto vindo daqui da capela. Então viemos ver do que se tratava.

— Caraca! — Rayner mostra-se surpreso. — Não sabia que o som do alçapão sendo acionado tinha sido tão alto assim.

— Alçapão? Que alçapão? — Annie pergunta surpresa.

— Vocês não sabiam da existência desse lugar aqui? Mesmo vindo aqui várias vezes? — Rayner pergunta indo até o alçapão, fazendo as irmãs irem atrás dele.

As duas garotas se aproxima do fundo do altar e veem a passagem, mostrando-se realmente muito surpresas sobre esse lugar. Annie nos olha perplexa e diz:

— Na verdade nunca nos importamos tanto em vasculhar o local, mas como vocês descobriram essa passagem?

Eu faço sinal com a cabeça na direção da alavanca e elas notam o objeto. Alice se aproxima.

— Mas havia um quadro enorme nesse lugar — Ela diz veemente.

— Um quadro? — Eu pergunto.

— Sim, é por isso que nunca soubemos desse alçapão. Sempre que vínhamos aqui, nós nunca mexíamos em nada. Mas eu tenho certeza que um quadro pintado sobre uma batalha entre anjos e demônios ficava exatamente aqui, mas sumiu.

Eu olho para Rayner e ele me encara de volta. Eu sei que ele deve estar pensando o mesmo que eu. Provavelmente a mesma pessoa que nos mandou a carta talvez tenha retirado o quadro do lugar para que nós pudéssemos encontrar a passagem secreta. Mas não tínhamos como confirmar então não falamos nada.

— Vocês encontraram alguma coisa de interessante lá embaixo? — Annie pergunta.

— Não exatamente! — Eu respondo apenas isso, não querendo revelar a elas o que realmente encontramos, pois refere-se a Rayner e a mim, mesmo que isso faça parte da propriedade da família delas.

Um alto som gutural e de pesadas pegadas começam a vir do lado de fora. Nós olhamos para a porta de entrada aberta e ficamos paralisados com o que vemos. Mais uma criatura se aproxima, mas dessa vez não é pequena e rastejante em quatro patas como as outras, e sim um enorme monstro de pelo menos quatro metros de altura, bastante largo e com a pança gigante, garras afiadas e rosto mais desfigurado que as outras criaturas.

— Que pesadelo é esse? — Uma das gêmeas diz atrás de mim, mas não presto muita atenção, pois eu não consigo desgrudar meus olhos daquela coisa.

O monstro não perde tempo e entra na capela, aumentando ainda mais a abertura da entrada. Não que ele precisasse fazer isso, pois a porta era grande o suficiente para até mesmo ele passar, mas acho que quis entrar "causando". Rayner levanta-se de onde estava sentado no altar e diz com uma voz confiante:

— Acho que finalmente teremos um desafio digno para nós.

O gordão a nossa frente faz aquele movimento característico de alguém quando está bastante enjoado, e vomita uma espécie de gosma preta na nossa direção. Pulo para o lado para evitar que essa coisa nojenta me atinja, e percebo que foi uma excelente escolha, pois parece ácido, corroendo qualquer lugar onde tenha caído. Parte de minha calça foi atingida pela gosma e desapareceu. Achando ridículo ficar com uma parte maior que a outra, eu rasgo o outro lado para ficar do mesmo modo— o que é ridículo também ficar me preocupando com isso num momento como esse. Eu não pude ver onde Rayner e as garotas se esconderam para se proteger, mas logo eu posso ver as irmãs protegidas atrás de escombros. Já o Rayner, eu ouço um grito vindo dele enquanto eu pulava.

— AHHH!

— Rayner, você está bem? — Pergunto preocupada.

— Estou, eu só... caí pelo alçapão — Ele responde, com a voz vindo abafada, mesmo gritando, já que ele está no fundo do alçapão a duzentos degraus abaixo de nós. — Talvez tenha fraturado algum osso, mas estou me sentindo muito bem. Só para deixar claro, descer escadas rolando é uma de minhas atividades preferidas.

— Deve ser bastante divertido mesmo. Apresente-se a batalha assim que estiver pronto.

— Deixa comigo.

O gordão— nome que carinhosamente o batizo, melhor do que "gordão feioso e nojento", já que seria algo grande demais— e sem preconceitos, por favor— está vindo na minha direção, então me preparo para combatê-lo. O único problema está no fato de como conseguir fazer essa coisa enorme cair.

Alice e Annie aproveitam o momento em que o gordão só está prestando atenção em mim, e avançam segurando suas espadas, dando golpes seguidos na pança da coisa. Mas isso não parece surtir muito efeito, a não ser irritar ainda mais o gordão. Ele faz um movimento com seu braço direito e acerta a Annie em cheio, arremessando-a com força na parede. Com o outro braço está para tentar esmagar a Alice, mas o Rayner surge no momento exato e a salva.

Aproveitando o momento de distração do inimigo, eu o ergo usando meu controle do ar— que mesmo assim não é nada fácil, pois parece que eu estou levantando-o com meu próprio corpo, para mostrar o quão pesado essa coisa é, e o pressiono em uma das colunas ainda em pé da capela.

O gordão tentando de alguma forma se esquivar, começa novamente a soltar seu vômito ácido para tudo que é canto, mas isso não está adiantando muito. Nós já sabemos que provavelmente essa deve ser a única técnica impressionante dele, e se proteger não é nada difícil.
Porém acabo perdendo o controle por um segundo e o monstro se solta, caindo em pé no chão e já avançando. Dessa vez ele é mas rápido do que antes, bem mais veloz do que eu imaginava que ele conseguiria alcançar devido a seu tamanho e largura, e acerta um chute em cheio no Rayner. Ele havia colocado seus braços na frente para se defender, o que não adiantou muito, pois foi arremessado até o outro lado da capela.
Alice fica ao lado da irmã, as duas encarando o enorme inimigo que dirige-se na direção delas. Olhando em volta tentando pensar em algum plano útil, encontro um pilar destruído no chão de pelo menos três metros de comprimento. Eu o levanto com as próprias mãos— o que não é nada para mim, parece até que estou levantando apenas um saco de compras, e o arremesso na direção do Gordão.

A estrutura acerta em cheio a cabeça dele e o faz cambalear, precisando se ajoelhar para não cair. Acho que o golpe o fez ficar biruta, já que tenta várias vezes se levantar e volta a cair de joelhos, como um bêbado que tomou todas em um bar— cara, estou cheia das analogias idiotas hoje...

Rayner, recuperado do golpe, corre em direção ao monstro e salta para cima dele, no momento em que a criatura tentava mais uma vez se levantar. Segura a boca do gordão com uma de suas mãos e com a outra mão cria chamas. Com o olhar de quem vai fazer uma experiência pra lá de legal e nojenta, ele diz com convicção:

— Hora da janta meu amigo, que tal comer isso?

Sem perder tempo, Rayner passa a jorrar fogo para dentro do monstro. Como última tentativa de defesa, o gordão ainda tenta jorrar seu ácido pela boca, e consigo notar que a mão do Rayner está sendo atingida e a pele começa a derreter, mas mesmo assim Rayner não desiste e continua seu serviço.

Enormes feridas começam a surgir no corpo da criatura, sendo seguidas por chamas, revelando que todo o interior daquela coisa está completamente pegando fogo. Com um último grito de esforço do gordão, ele explode em vários pedaços, espalhando gosma, pele nojenta e sangue negro para todo canto. Eu precisei criar uma barreira de ar para não ser atingida pelo resto dessa coisa. Rayner aparece todo sujo pelo pouco que sobrou da criatura, com uma de suas mãos praticamente revelando os ossos e uma cara de cansado e dor.

— Esse deu um trabalhão hein — Ele fala, demonstrando a dor até mesmo pelo tom de sua voz.

— Vocês estão bem? — Alice vem correndo em nossa direção. — Sua mão?...

— Eu estou bem, não é nada demais — Acho que essa resposta não é convincente o suficiente para convencê-la, mas ela não quis protestar.

Annie se aproxima e suspiro aliviada que tirando o Rayner, ninguém mais se feriu gravemente. Mas eu preciso ser coesiva e direta com toda essa situação:

— Farei a pergunta que vale um milhão de dólares: por quê essas criaturas estão atacando esse lugar isolado? Será que sabem sobre o que há no alçapão?

— Você acha que essas coisas tem inteligência? E o que há lá? Você tinha dito que não havia nada de interessante... e como vocês vieram parar aqui? — Annie diz olhando desconfiada em minha direção.

— Essas coisas parece que não, mas o que comanda eles, esse sim pode ser que saiba sobre esse lugar — Eu tento fugir das perguntas sobre o segredo do alçapão e do motivo para Rayner e eu virmos até a capela..

— O que comanda? Como assim? — Alice mostra-se surpresa e preocupada com essa notícia.

— Nós já vimos uma dessas criaturas, com aparência mais humana, e com notoriedade de inteligência, bem diferente desses outros — Dessa vez é o Rayner que explica.

— Mas se monstros assim sabem de algo, então...

Foi o máximo que Annie conseguiu dizer, pois num piscar de olhos Rayner e Alice que estavam em nossa frente haviam sumido. Sem entender o que está acontecendo, eu a vejo ir até onde eles estavam a poucos segundos atrás e ergue as mãos pelo alto como se de alguma forma esperasse tocá-los.

— Para onde eles foram? — Sua voz demonstra preocupação e desespero, e não posso negar que devo estar num estado parecido.

— Eu não sei. — Minha resposta é simples, pois estou tão surpresa quanto ela. Aos poucos minha cabeça começa a doer e minha visão passa a embaçar, uma forte tontura tentando se apoderar de mim. Eu ergo uma de minhas mãos até minha testa e dou alguns passos para trás, tentando encontrar algo para me apoiar. Sabendo que há um pilar atrás de mim, eu ergo minha outra mão livre e sustento meu corpo contra a mármore fria, tentando ao máximo não desmaiar.

Ao levantar meus olhos eu vejo que Annie parece estar sofrendo da mesma forma. Eu tento dar alguns passos na direção dela mas uma forte ânsia de vômito me atinge e eu preciso suportar para não colocar tudo para fora. As paredes à nossa volta passam a deteriorar, como se fossem feitas de gelatina e estivessem num forno em alta temperatura. No lugar delas parecem haver grades e corpos pendurados. O chão começa a se abrir e vejo várias criaturas emergindo com fome e sedentos por carne.

Ainda tonta e sem muita força me restando, eu seguro a mão da Annie e a faço correr comigo para longe das criaturas. No momento não estou me sentindo muito bem para voltar a uma batalha contra essas coisas. Tudo a nossa volta mudou completamente, e o que podemos ver agora é quase tudo sombrio, com paredes deterioradas e sangue por todos os lados, além de corpos mutilados sendo usados como enfeites no cenário.

Continuamos correndo sempre em frente mas parece que não há um fim. Aos poucos vou sentindo minhas pernas fraquejarem, e logo não conseguirei mais fugir. Olho para trás durante nossa fuga e vejo que as criaturas continuam nos seguindo, mas vão ficando cada vez mais para trás.

Vejo à frente uma certa estrutura e acabo parando ali atrás, escondidas de todos aqueles monstros. Fico observando e noto cada criatura passando por nós e seguindo em frente, ainda em busca de algum rastro que nos encontre. Ao ver que o perigo passou por enquanto, eu encosto na parede da estrutura e me arrasto até o chão, tentando recuperar o fôlego e um pouco de energia. Noto que a Annie está se sentindo tão mal quanto eu.

O que diabos está acontecendo aqui? Onde nós estamos e como viemos parar aqui? Onde o Rayner e a Alice foram? Droga, minha cabeça dói demais para tentar raciocinar direito.

Após o que me parece dez minutos descansando escondidas, eu volto a segurar a mão da Annie e nos arrasto para fora, no lado contrário de onde as criaturas foram, ou seja, indo novamente para onde estávamos antes. Não caminhamos muito, pois logo sinto uma forte dor tomar conta de meu corpo e caio de joelhos no chão, agonizando e gritando, desesperada com o que está acontecendo.

Tento me levantar e dar alguns passos na direção da Annie, que está com suas mãos na frente dos olhos. ao qual colocou quando se ajoelhou de dor. Meus pés não saem do lugar e é quando noto que correntes estão presas a elas. Não consigo entender como fiquei presa dessa forma e tento me libertar, sem êxito.

Enormes correntes emergem de todos os lados praticamente e vão em direção da Annie, atravessando por todas as partes possíveis do corpo dela: braços, antebraços, cotovelos, axilas, peito, tórax, abdômen, nas partes íntimas, coxa, joelhos, pernas, pés, boca, orelhas, nariz, olhos... A cena diante de meus olhos é terrível e agonizante. Ver grossas correntes entrando em suas costas e saindo pelos seios, outras atravessando em seus olhos e saindo atrás da cabeça, até mesmo entrando por sua parte íntima e deslocando-se praticamente por todo seu corpo e emergindo em algum ponto no alto de sua cabeça... não consigo mais segurar e vomito.

Eu tento gritar mas sinto que minha voz parece presa em minha garganta. A dor, o desespero, a tristeza, praticamente todos os sentimentos ruins se apoderam de meu interior. Não consigo fazer absolutamente nada, sem conseguir de forma alguma desviar meus olhos do que sobrou do corpo sem vida da Annie à minha frente.

Acabo pensando em sua irmã e no quão mal ela saberá ao saber que sua irmã havia morrido dessa forma terrível. Também imagino como o Rayner lidará com isso, provavelmente voltará a se culpar por não ter protegido outra pessoa que conhece e volte a entrar em um estado de tortura e sofrimento, como havia sido com a morte da Sophia.

Eu mordo forte meus lábios ao ponto de fazer sangrar, sentindo uma certa raiva por não ter conseguido protegê-la, e ao fazer isso algo de estranho acontece. No momento em que havia ferido minha boca, todo aquele cenário infernal e a Annie morta em minha frente havia mudado para aquele momento antes que tudo isso houvesse acontecido. Sem grades e correntes e as paredes e chão intactos, ou como deveriam estar. A visão da Annie ajoelhada segurando suas mãos entre seus olhos ainda viva me faz estreitar os olhos.

Esse lapso de visão durou menos de um segundo, mas eu acabo tendo uma ideia do que provavelmente pode estar acontecendo. Criando uma espécie de lâmina de ar em minha mão esquerda, eu faço um corte em minha coxa, o suficiente para provocar uma dor terrível, fazendo um buraco que atravesse minha coxa inteira. No mesmo momento que meu cérebro assimila a dor, tudo volta ao normal e dessa vez permanece assim.

Minha teoria estava correta. O que eu estava vendo e presenciando desde que tudo começou a mudar não passava de uma ilusão bem feita, com intenção de me levar ao desespero. Porém para uma ilusão surtir efeito precisa dominar a mente do alvo, só que ao morder meus lábios, a pequena dor real provocada fez meu cérebro se livrar por um período de tempo curto do estado que estava sendo dominado. Então ao provocar em minha mesma perna uma dor maior, uma dor que não fosse criada pela ilusão, isso acabou provocando a quebra do transe em minha mente.

Não dou importância ao ferimento que fiz em minha coxa, pois mesmo sendo bastante profundo, eu sei que em poucos minutos estará completamente curada. Olho em volta para tentar descobrir o inimigo que jogou essa ilusão em mim quando percebo a Annie no chão, ainda ajoelhada e segurando suas mãos em seus olhos, sua boca aberta em um grito silencioso.

Notando que ela também foi pega em uma ilusão provavelmente diferente da que eu estava vivendo, e ainda não havia se libertado, eu me movo o mais rápido possível no momento com meu ferimento até ela e me ajoelho ao seu lado, sacudindo seus ombros com força.

— Annie!? Acorda garota, vamos lá! Não se permita ser derrotada por seja lá o que esteja vendo...

Não importa o quanto eu tente sacudi-la não faz efeito algum. Ela deve estar vivenciando um verdadeiro pesadelo em sua cabeça e acreditando que tudo é real. Eu sei que é provável ela nunca perceber que é uma ilusão e se continuar assim será consumida completamente. Noto um leve movimento atrás de mim e viro minha cabeça no momento em que uma figura surge do meio de uma parte mais escura da capela. Cerro meus dentes ao notar que é a mesma criatura humana que estava no parque e ao qual lutou contra o Rayner. Pensar nisso me faz lembrar do fato que ele pode ser o responsável por ter tirado a vida da Sophia.

Uma forte raiva aperta em meu peito e olho novamente para Annie sentindo impaciência com a situação. Torcendo para dar certo, eu acerto um tapa no rosto dela, o mais forte que eu consegui dar sem querer pegar pesado demais e feri-la gravemente. O golpe foi suficiente para fazê-la cair para trás.

Annie ergue a cabeça e percebo que ela está livre da ilusão.

— Katie? Eu pensi que você... você...

— Não se preocupe, era tudo uma ilusão.

— M-mas... Parecia tão real...

A confusão é aceitável no caso dela e decido não dar muita atenção.

— Annie, se afaste.

Ao dizer isso, eu me levanto e fico de frente para aquela criatura, que parece satisfeito em apenas olhar para nós duas com um olhar de cansado.

— Seria tudo mais simples se vocês ficassem presas em suas próprias mentes — Ouvi-lo falar me pega de surpresa, pois eu nunca havia esperado que uma monstruosidade dessa pudesse se comunicar. Mas eu também deveria suspeitar, pois se tem uma aparência humana, falar não deveria ser problema.

— Sinto muito ter estragado sua brincadeira, mas está na hora de fazê-lo pagar pelo que fez — Minha voz sai alta e confiante, transmitindo toda a fúria que sinto no momento, porém a criatura não esboça reação alguma.

— Se você não fará nada, então permita-me começar.

Eu avanço— ainda sentindo minha perna doer pelo ferimento que ainda não se curou completamente. Eu me aproximo velozmente e tento acertar um soco no meio dessa sua cara horrorosa de olhos negros, mas ele havia sumido completamente. Procuro à minha volta e o vejo a alguns metros de mim.

— Não fuja, seu covarde! — Eu exclamo.

Novamente em um piscar de olhos ele tira toda a distância que havia entre nós e aparece bem em minha frente, seu rosto a centímetros do meu, o suficiente para sentir o terrível bafo dele.

— Eu não estou fugindo, apenas agindo.

Eu não tenho tempo de entender o que ele queria dizer com isso, pois ele ergue um de seus braços e joga em minha direção. Eu ergo meus braços em defensiva, mas mesmo assim o impacto é forte o suficiente para me fazer ser jogada para longe. Eu acerto em cheio o mesmo pilar que eu havia me encostado no momento em que eu havia sido atingida no começo da ilusão, fazendo-a cair junto comigo e a uma grande parte do telhado daquele lugar da capela.

Annie se aproxima e retira os destroços de cima de mim. Eu tento me levantar mas sinto que meu corpo está fraco. Por algum motivo acredito que o transe deve ter sugado um pouco da minha força, mesmo sem ter nenhuma prova de que isso realmente tenha acontecido. Ao me apoiar e me levantar, vejo a Annie sendo jogada de lado e um braço segurando fortemente meu pescoço. Essa coisa monstruosa começa a me sufocar e não importa o esforço que eu faça não consigo me libertar dele. Aos poucos a falta de ar vai se tornando um problema e começo a perder as esperanças de escapar dessa.

Minha mente divaga para o momento em que eu havia abraçado o Rayner e ele chorava em meus braços. A sensação desse momento, a felicidade que pude sentir, o entendimento que de alguma maneira ele é importante para mim, me faz chorar pensando que provavelmente morrerei e nunca mais irei vê-lo.

Na hora em que eu havia perdido todas as esperanças e me entregava a morte, o aperto diminui e vejo que o braço da criatura havia sido arrancado de seu corpo. Atônito, ele olha para a região onde seu braço ficava e tentava entender o que havia acontecido. Vejo um rápido movimento, mesmo tonta tentando recuperar todo o ar que eu pudesse, vejo uma silhueta jogar a criatura contra a parede oposta, forte o suficiente para derrubar todo aquele lado junto.

Ao conseguir respirar melhor e ter quase espantado a tontura, noto que há um garoto parado em minha frente, situado de forma a estar de perfil para mim. Inicialmente eu abro um sorriso acreditando ser o Rayner, mas logo noto que não é. A criatura sai dos escombros e vejo o garoto em minha frente sorrir e erguer suas mãos para o alto, estalando seus dedos.

— Como eu senti falta de uma boa briga.

Sua voz é firme e confiante, e em nenhum momento seu sorriso vacilou em seu rosto. Fosse quem fosse, ele não é uma pessoa comum, e é quando percebo que ele pode ser assim como o Rayner e eu, alguém de alguma forma, especial...


Notas Finais


"Se está presenciando um pesadelo, lembre-se que com suas próprias forças você pode se livrar de tudo de ruim que esteja vivenciando... Acredite mais em si mesmo!" - Mark.


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