História Alter Ego - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Sasusaku
Visualizações 127
Palavras 4.422
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, mais um porque eu estou inspirada e feliz com feedback de vcs.

Vamos lá?

Capítulo 2 - Fique longe.


— Hitome? — ele insiste, chacoalhando meus pulsos.

— Olha só, eu acho que você está muito enganado. Meu nome é Sakura e você ‘tá me machucando.

Ele não me larga mesmo depois disso. Eu olho para os lados, esperando que alguém me ajude, mas todos observam a cena chocados.

Um garoto loiro vem correndo em nossa direção. Eu penso que ele vai interferir e me livrar do agarre, mas ele está tão chocado quanto os outros.

— Que merda... — ele solta, incrédulo. Quero rolar os olhos e gritar para que me ajude, mas ele parece tão apavorado quanto os outros.

— Por favor, dá pra você me soltar? Já disse que você está me machucando. Eu não sou Hitome, sou Sakura.

Eu peço novamente, e os olhos dele descem até meus pulsos.

— Sasuke, cara, solta ela — o outro finalmente diz, colocando a mão no ombro do moreno.

Seu agarre diminuí e eu vejo seus olhos fixos na tesoura pequena que esta tatuada no meu pulso. Eu puxo meu braço, esfregando-o e andando rápido até Hinata e Karin.

— Vamos — Karin diz. Ela parece tão nervosa que está da cor dos cabelos.

— Mas nós íamos a cantina... — Hinata tenta contestar.

— Vamos, porra — Karin diz, nos puxando para a direção contrária das duas figuras paradas ali.

Eu não hesito em segui-la, porque estou nervosa e amedrontada. Meus pulsos carregam as marcas das mãos daquele garoto e estão doloridos.

Com certeza essa foi a coisa mais estranha que me aconteceu, e isso superou os olhares que eu venho recebendo desde que pisei na escola.

Antes de virar a esquerda, eu olho para trás, vendo os dois garotos parados enquanto um deles ainda me olha vidrado.

— Maluco — digo num tom legível, e mesmo estando longe, tenho certeza que ele entendeu.

Embora Karin e Hinata tenham sido legais comigo, eu não espero para me despedir delas quando o sinal bate. Sou a primeira a sair da sala segurando minha mochila com a maior afobação do mundo.

No início da manhã não pensei que estaria feliz em ver Kakashi parado na frente do carro no horário em que prometera, mas enquanto eu corria até meu pai eu quis muito lhe agradecer por estar ali.

— Ei, ei, ei — ele me segura pelos ombros quando tento abrir a porta do carro. Sua voz está calma como sempre. — Calma. Como foi seu dia?

— Dá pra gente conversar sobre isso dentro do carro? — Bufei impaciente.

Não dou tempo para que responda, abro a porta do carro e quase me jogo para dentro dele. Kakashi ainda contorna o carro antes de entrar.

Eu sei que ele vai me encher de perguntas e me viro para olhar a janela. Vejo um dos motivos da minha afobação em sair da escola pela janela do carro.

O garoto moreno que me agarrou no intervalo sai acompanhado do loiro. Ele para em uma rodinha de pessoas e todos começam a conversar.

Sinto um arrepio quando ele lança seu olhar exatamente em minha direção, como se soubesse que eu o observava. Mas não há como saber que estou dentro daquele carro, a película é muito escura.

— Quem é?

Só me dou conta de que Kakashi está inclinado e observa o garoto comigo quando sinto sua respiração perto de mim. Me viro, desconfortável e coloco o cinto.

— Não tenho a mínima ideia.

— Você quer me dizer o que aconteceu agora? Está estranha — me olha.

Eu sei que ás vezes costumo ser bastante imprevisível, mas eu realmente não esperava que as lágrimas começassem a jorrar naquela intensidade.

Choro de maneira desesperada e soluços saem da minha boca.

Kakashi tira o cinto que acabou de colocar e me auxilia, me abraçando.

— Sakura, Sakura... O que houve? — ele pergunta quando eu finalmente me acalmo.

Eu o olho e vejo sua imagem embaralhada perto de mim. Seco meu rosto molhado com a palma da mão e ainda com a voz embargada digo: — Eu quero ir pra casa, pai.

Nós nunca precisamos de muitos detalhes para nos comunicar. Kakashi pode ler nas entrelinhas sempre. Ele sabe que quando eu falo sobre casa me refiro ao nosso lar na cidade vizinha.

— Você sabe que eu faria qualquer coisa por você, mas isso não está no meu alcance. Não nesse momento — completa.

Concordo, desanimada. Eu, melhor do que sei o quão esforçado ele é quando o assunto é minha felicidade. Sei que faria qualquer coisa por mim, e se esteve me negando isso desde que eu descobri que iriamos nos mudar é porque ele realmente não pode fazer nada. — Podemos ir?

Kakashi dá um sorriso de canto, percebendo que não arrancaria informação nenhuma de mim. — Claro.

— O que você achou da minha comida? — meu pai se levanta, recolhendo nossos pratos e os deixando na pia.

Gargalho de sua tentativa, limpando minha boca no guardanapo. — Você não fez isso.

Ele apoia as costas no balcão da pia, parece estar tentando conter um riso. — Claro que fiz, assim você me ofende Sakura.

— Não, você não fez — rolo meus olhos.

— Não fiz mas paguei por isso, é quase como se tivesse feito — confessa.

— Eu sabia — rio. — Você é um péssimo pai, Kakashi.

— Foi isso que eu disse a mim mesmo quando você apareceu de mãos dadas com seu namorado marginal.

Mais uma vez estou rolando os olhos, me levantando e guardando o refrigerante na pia. — Você nunca vai parar de implicar com o Hidan? Sabe o que é isso? Falta de amor. Você está jovem ainda, aproveite e case-se de novo. Faça outro filho.

Ele ri. — Se meu próximo filho tiver um relacionamento com alguém de conduta duvidosa eu saberei que eu sou mesmo um péssimo pai — implica.

— Engraçadinho — eu caminho para perto dele, o empurrando para que eu possa lavar nossos pratos. Ele para do meu lado, me observando pegar a esponja e o detergente.

— O que é isso? — pergunta. Seus olhos estão analisando as duas marcas roxas no meu pulso.

Ele não está bravo, apesar de tudo. Está calmo como sempre, esperando que eu lhe dê uma explicação.

— Hidan e eu olhamos 50 tons de cinza antes de eu ir embora. Nos empolgamos e ele me amarrou — digo, tentando segurar a risada.

— Ah, Sakura, por favor! — sua voz está afetada, e eu finalmente rio. Sei que ele sabe que estou brincando.

— Um garoto louco da escola, agarrou meus braços e começou a me chamar de outro nome — conto, enquanto ensaboo o prato em que comi.

— Por isso você chorou? — pergunta.

Não quero posso dizer pra ele que chorei por causa dos olhares que recebi. Eu sou nova, é meio claro que eu receberei olhares até de acostumarem comigo. Mas este não é o verdadeiro problema, é a maneira como me olhavam. Meu pai nunca entenderia, ele nunca passou por isso.

— Eu estava sensível, estou de TPM — murmuro com um sorriso disfarçado.

Ele concorda, saindo da cozinha. Assim que termino de secar a louça, eu também subo as escadas para meu quarto.

Nossa casa nova é bonita e espaçosa. Grande parte da mobília foi comprada junta, pois os moveis eram sob medida.

Como um mimo por ter me tirado de perto dos meus amigos, Kakashi decidiu que eu finalmente ganharia uma cama box de casal. Eu quase tenho um orgasmo quando abro a porta e a vejo lá, espaçosa e esperando por mim.

É muito confortável e eu sei que vou dormir nela o máximo que puder.

— Sakura — Kakashi bate na porta, mesmo que esteja aberta. Ele enfia a cabeça no meu quarto e sorri pra mim.

Me sento na cama. — Oi?

— Estou voltando pro trabalho. Vou passar no mercado depois, quer alguma coisa?

— Sim — sorrio de forma diabólica enquanto ele espera pacientemente que eu lhe fale o que eu preciso. — Traz um pacote de absorvente pra mim?

— Sakura — ele suspira. Eu seguro a vontade de rir. — Alguma preferencia?

— O de sempre, você sabe — mordo os lábios, me virando de costas pra ele enquanto rio baixinho.

— Muito bem, estou indo.

— Bom trabalho. Dirija com cuidado!

Não consegui convencer Kakashi pela segunda vez. Nem mesmo um choro falso devido as cólicas que me deixariam tetraplégica funcionou, fui arrastada para o carro novamente.

Desta vez, não perco o meu tempo olhando para as reações das pessoas enquanto eu passo. Eu apenas sigo meu caminho com os fones de ouvido enquanto finjo selecionar músicas no meu celular.

Eu fico receosa quando alguém puxa meu braço, estou louca para acertar outro maluco que fosse me confundir novamente. Mas quando me viro, encontro apenas Karin.

Eu tiro os fones e ela cruza os braços. — Até que enfim! Estou te chamando a meia-hora.

Arqueio a sobrancelha para seu exagero, diminuindo o passo enquanto ela me alcança. — Oi.

— Oi? Você sumiu ontem!

Eu gosto de Karin, mas acho estranho ela agir como se fossemos super íntimas. — Meu pai estava me esperando pra almoçar — digo, coçando minha cabeça, visivelmente incomodada em ter que mentir ou dar satisfações.

— Tudo bem, mas não fique andando sozinha por aí, ok? Você tem minha companhia e da Hinata agora, não é muita coisa mas... — ela ri. Novamente estou pensando em como eu a acho legal. Me sinto bipolar por isso.

— Obrigado Karin. Eu realmente estava com medo de não arrumar amigas por aqui.

Minha amizade com Temari só engrenou depois que nós discutimos na sala de aula e ela tentou me bater na saída, eu estava muito assustada mas não dei para trás, e isso a impressionou. Quando todos esperavam pela nossa briga pra animar a semana na escola, Temari elogiou minha coragem e ainda falou bem da minha camiseta. Desde então nós não nos desgrudamos mais.

Até agora. Suspiro, pensando na saudade que sinto dela. — Onde está Hinata? — pergunto, me dando conta de que a baixinha não está ao lado da ruiva.

— Provavelmente está na sala escrevendo cartinhas de amor que nunca vai poder entregar para o Naruto — ela ri da própria piada, mas eu não entendo sobre o que fala.

Eu franzo o cenho. — Quem é Naruto?

— Ele é o cara que... — então ela pausa, parecendo pensar melhor — Ahh, deixa pra lá! Vamos pra sala logo — ela puxa meu braço.

Bufo, tentando acompanhar o ritmo dela enquanto ela engancha nossos braços para que possamos andar como verdadeiras garotas do fundamental. Nós estamos conversando sobre como eu estou me adaptando a cidade nova quando ela fica tensa, eu consigo sentir até a pelugem de seu braço se arrepiar.

Eu olho pra frente para tentar entender o motivo da tensão, mas não vejo o porquê. Na verdade, eu sinto que vejo um anjo.

Há uma garota loira com outras meninas, e estão vestidas como líderes de torcida, mas a loira é a que mais se destaca. Ela é linda, tem cabelos tão longos e dourados, — eu a apelidaria de Rapunzel caso fossemos amigas — olhos azuis intensos e um corpo perfeito.

— Quem é? — eu pergunto para Karin.

Ela não responde, apenas começa a andar mais rápido. É quando eu vejo que a loira percebe nossa presença, mas Karin não dá tempo para que eu veja a reação dela. — É só uma patricinha metida — diz, quando já estamos na porta da sala. — Então, me conte sobre seu namorado.

Eu não sou burra, estranho sua reação de imediato, mas percebo que é melhor não questionar por enquanto pois não somos tão próximas. Nós andamos até Hinata, que lê um livro enquanto escuta os fones de ouvido e eu conto para Karin sobre Hidan.

Não tenho muito o que dizer sobre ele, ou apenas não quero. Hidan é dois anos mais velho e eu o conheci justamente porque ele repetiu duas vezes de ano. Ele é gentil, animado e tem uma grande postura de bad boy, isso faz com que Kakashi não simpatize com ele.

Eu tento ignorar os olhares sobre mim enquanto converso com Karin. Hinata fecha seu livro e participa da conversa, e segundos depois estou animada quando descubro o tanto de coisas em comum que eu e elas temos.

— Podemos lanchar na frente da escola hoje? — Karin sugere, quando sinal bate.

Hinata concorda, e as duas me olham praticamente implorando para que eu ceda. — Tudo bem por mim — digo, vendo Karin sorrir animada. — Só vou buscar o dinheiro que deixei no meu armário.

— Quer que eu vá junto? — Karin é rápida em se oferecer.

Quase rolo os olhos, porque sinto como se nenhuma das duas quisesse que eu andasse sozinha por aí. — Não, tudo bem. Me esperem na portaria, serei rápida.

As duas se entreolham. — Tem certeza? — Hinata insiste.

— Sim, vão!

As duas concordam, e eu caminho em passos rápidos para o meu armário. Abro a porta do meu armário, vendo o corredor completamente vazio.

— Oi.

Meu corpo dá um solavanco para trás assim que ouço uma voz atrás de mim. Fico surpresa quando me viro e encontro a menina que vimos mais cedo, vestida de líder de torcida. — Oi?

Estou incerta sobre ser gentil, porque Karin parece não gostar dela e ela tem uma pose total de Regina George. A começar pelos saltos que está usando.

— Sou Ino Uzumaki — me estende a mão, sorridente.

Estreito os olhos, completamente desconfiada, mas mesmo assim pego sua mão. — Sakura Haruno.

Por que ela está sendo tão gentil? Cara, é uma líder de torcida com pose de rainha da escola...

— Você... Você gostaria de almoçar comigo?

— Eu t...

— Ino.

Como dois robôs programados, eu e a líder de torcida nos viramos numa sincronia perfeita, encarando o garoto parado ali.

Ele é o mesmo que um dia atrás me segurou e me fez passar a maior vergonha do mundo. Agora ele estava ali, nos encarando com um expressão severa e assassina. Francamente, tenho medo dele.

— Oi Sasuke — ela parecia sem graça.

— O que está fazendo? — ele pergunta num tom de acusação.

Eu não quero presenciar nenhum tipo de briga, porque estou começando a pensar que os dois são um casal. Ambos são lindos, com poses autossuficientes e superiores ao resto da escola, um namoro faria todo sentido.

— Eu... Bem, estou indo, foi um prazer Ino — digo. Eu não espero por sua resposta, mas sinto os olhares dos dois queimando minhas costas.

Karin e Hinata me esperam na portaria, e Karin como a pessoa agitada que é, parece estar impaciente. Ela está batendo os pés no chão quando me vê. — Graças a Deus! — ergue os braços para cima de forma exagerada. — Você se perdeu?

Nego, rindo de sua reação. — Vocês não vão acreditar.

Hinata, que abre a porta para que a gente passe, me olha com um visível ponto de interrogação na sua testa. — O que houve?

— Você lembra daquela líder de torcida de hoje mais cedo, Karin? Como é o nome dela mesmo? — coço o queixo, olhando para o céu como se ele fosse me dar a resposta. — Ah, Ino! É, ela me parou no corredor, se apresentou e ainda por cima me convidou para almoçar com ela. Uma líder de torcida, dá pra acreditar?

As duas também ficam surpresas, pois se entreolham quando estamos prestes a atravessar a rua. Karin puxa nossas mãos e nós atravessamos a mesma correndo até a lanchonete em frente a Summerhill.

Nós não entramos de imediato, porque Karin para na frente da entrada e me olha séria. — Sakura, quero te pedir uma coisa, você faria pra mim?

Dou os ombros, concordando. — Se estiver no meu alcance eu faço.

— Fique longe de Ino e toda sua trupe. Isso incluiu Sasuke e Naruto. Fique longe de todos eles.

— Por quê? — ela não precisava me pedir para ficar longe do tal Sasuke, eu faria isso com todo o prazer, mas porque os outros?

Ela suspira. — Ino é... Não tenho nem palavras pra colocar o quão megera Ino pode ser, ‘tá bom? Tinha essa garota no ano passado, as duas eram melhores amigas e achavam que isso lhes dava direito de pisar nas pessoas. Perdi as contas de quantas vezes tive que defender Hinata e até mesmo outras garotas das duas. Eles são terríveis Sakura, eles podem fazer da sua vida um inferno em um piscar de olhos.

— Nossa — solto, um pouco espantada com a seriedade na voz dela.

— Você é diferente deles, é como nós, então eu não acho que o motivo dela se aproximar de você é algo bom, entende? Ino é podre, as pessoas na volta dela são podres. Hinata pode te confirmar isso.

— Ela foi ruim com você, Hinata? — pergunto.

Hinata não é nenhum tipo de nerd que sofre bullyng, mas também não é nenhuma líder de torcida popular e it-girl. E o fato dela ser tão reservada me faz pensar que é frágil, ela parece uma boneca, por isso não gosto de pensar em ninguém fazendo mal a ela.

— Quando querem, os adolescentes podem ser muito cruéis Sakura — diz, dando um meio sorriso.

Eu gosto de pensar que Karin a defende, isso me conforta. Karin me lembra Temari e seu jeito destemido de bater da frente com pessoas como Ino. Eu gosto disso.

— Vocês podem ficar tranquilas, tudo bem? Eu não gosto de pessoas assim, esse tipo de gente me dá nojo. Ser amiga ou andar com esse tipo de gente está no último lugar da minha lista. Eu não vou chegar mais perto da Ino.

— Você vai o que? — eu quase grito do meu lado na linha.

— Não grite — Kakashi me adverte. Rolo os olhos. — Não posso adiar esse jantar, Sakura, é importante.

— E quanto a mim? O que eu vou jantar?

Ele ri tão alto que sua gargalhada vira um chiado no telefone. — É claro que tudo isso é sobre a sua janta, certo?

— É — concordo, também com vontade de rir.

— Bom, tem muitas coisas para cozinhar aí.

— Eu não quero cozinhar nada — resmungo, batendo meus pés como um bebê. — Hoje é o dia da lasanha!

Não que algum de nós saiba fazer lasanha, nós apenas comemos lasanha congelada nas quartas e estamos bem com isso.

— Se você quer tanto lasanha, pode ir até algum lugar comprar. Tem dinheiro no pode da cozinha, você sabe...

— Mas eu não quero andar — choramingo.

— Inferno, Sakura! Ou você arrasta esse traseiro para a cozinha e faz algo para comer, ou arrasta para a rua e compra a maldita lasanha. Não quero mais ouvir resmungos, ok?

Não o respondo, e ele bufa do outro lado. — Estamos entendidos, Sakura?

— Sim — rosno, me levantando.

— Não vou chegar muito tarde, você pode me esperar se quiser.

— Ahhh — rio com ironia. — Pode apostar que eu vou.

Desligo o telefone fixo, o colocando de volta no lugar e indo até a cozinha. — Jantar de negócios, mimimi — imito Kakashi com uma voz extremamente fina enquanto abro o pote com dinheiro. — Jantar de negócios e a Sakura aqui, abandonada, passando fome. Grande pai você, Kakashi.

Quando estou de volta a sala eu calço meus vans sujos — que meu pai não pode nem sonhar que estão jogados no meio da casa daquele jeito — e enfio as notas de dinheiro no meu bolso, abrindo a porta.

Já está escuro, mas como ainda é um horário cedo eu decido que vou encarar as ruas. Eu caminho em passos apressados, e fico extremamente frustrada em descobrir que o mercado no final da rua já fechou.

— Droga — praguejo baixo, levando as mãos ao me bolso. Se eu me apressar e ir até a loja de conveniência eu ainda consigo pegar o começo da maratona que passa na Fox.

Mas eu não me sinto segura enquanto caminho, mesmo que eu esteja sendo rápida. Fico assustada com meus próprios passos e estou abraçando meus braços, com frio. Eu não costumava ser assim, até eu ser assaltada dois meses atrás por um cara de moto, hoje eu tenho medo até de idosos.

E eu tenho essa sensação estranha de que há alguém atrás de mim, mas não há. Eu assisto muito terror e minha mente fica me pregando peças e projetando coisas que eu sei que não estão no ambiente.

Quando estou perto do posto de gasolina, eu vejo dois garotos sentados na calçada. Ambos estão segurando copos plásticos e há uma garrafa no meio das pernas de um. Não quero mostrar medo, então eu passo fingindo indiferença, mas sinto seus olhares queimando minhas costas.

— Ei — um deles chama.  

— De novo não — imploro, sentindo meu celular balançar no bolso dos jeans com meus passos rápidos. Eu dou uma corridinha para chegar logo ao posto, e quando me viro percebo que estão de pé e olham para minha direção.

Não estou tão preocupada porque têm bastante gente abastecendo o carro, mas o que me preocupa é que terei que ir embora andando. Meu celular está sem créditos e meu pai não poderia me buscar quando deixou tão explícito que está num jantar importante.

Ótimo, e agora?

Eu entro na loja de conveniência e fico em dúvida entre comprar um spray de pimenta ou comida. Faço uma lista para mim mesmo de prós e contras do que é pior, ser assaltada ou passar fome?

Estupidamente, eu pego a lasanha congelada e caminho para o caixa. Só me dou conta do que fiz quando ela me entrega a sacola com minha não-tão-mais-desejada-lasanha e eu passo pela porta novamente.

Os dois ainda estão lá, olhando para frente como se esperassem que eu fosse embora logo.

— Se eu tiver que passar a noite toda aqui eu vou passar — digo para mim mesma, pegando o celular e fingindo digitar mensagens. Coisa que não estou fazendo, estou rolando minhas fotos na galeria e dando zoom em cada uma delas.

Talvez eu esteja paranoica e os dois estejam esperando por alguém, mas eu prefiro não me arriscar. Me encosto na parede ao lado da porta da lojinha e observo os carros abastecendo.

— Mas o que... — resmungo para mim mesma quando uma moto para perto de mim.

Rolo os olhos, percebendo que estou perto do local onde as motos costumam abastecer. Dou dois passos para o outro lado, observando o motoqueiro descer e pedir para o funcionário abastecer o equivalente a vinte pratas.

Ele vira-se e tira o capacete, e logo sei que nós dois estamos assustados. É uma infeliz coincidência que o maluco da Summerhill esteja ali.

— Ótimo — resmungo, louca para ir embora.

É claro que eu tenho consciência de que pareço estúpida parada ali com uma sacola de lasanha congelada enquanto espero por sabe-se-lá-o-quê. Eu até penso em ir embora, mas os dois garotos estão parados do outro lado da rua supostamente esperando por minha partida.

Eu encaro os dois, suplicando silenciosamente para Deus que os mande embora. Eu quero ir pra casa. Estou prestes a ter um ataque de pânico e morrer aqui.

Eu nem trouxe minha identidade, como vão reconhecer meu corpo? Meu celular tem senha e ninguém vai conseguir avisar meu pai. Solto um muxoxo, pensando que não quero ser enterrada como indigente.

— Tudo bem por aqui?

Eu quase pulo quando vejo o garoto falando comigo. Ele também não parece confortável, mexe na franja que escorre por sua testa e me olha mordendo os lábios.

— Huh? Está falando comigo?

— Sim, com quem mais eu poderia estar falando?

Com um psiquiatra talvez. Para que não saia agarrando as pessoas feito um louco. — Ah... Está tudo bem sim — eu levo o olhar para os dois garotos, e depois para ele.

Ele se vira, e parece encarar o mesmo ponto que eu encarei segundos atrás.

— Você está esperando alguém? — ele avalia a sacola e o celular em minha mão.

Não estou, mas também não vou pedir socorro para alguém como ele. Ou talvez eu vá. Estou com muito medo mesmo.

— Estou esperando meu pai — sorrio com falsidade.

Ele olha mais uma vez para trás. — Tem certeza?

— Sim.

Concordando, ele se vira, parecendo estar pronto para subir em sua moto novamente. Eu travo uma batalha interna comigo sobre o que fazer, e ele já está colocando o capacete de novo.

— Ei! — chamo, andando em sua direção.

Ele me encara e um arrepio percorre meu corpo, mas suspiro e decido continuar. — Na verdade eu não estou esperando ninguém. Meu pai está num jantar de negócios e não pode me buscar, eu vim comprar algo para comer mas estou com medo daqueles caras — indico discretamente os dois do outro lado da rua. — Se você puder me emprestar o celular para que eu ligue pro meu pai, talvez ele possa vir me buscar.

Ele morde os lábios. Assim como eu, parece estar travando uma batalha interna. — Onde você mora?

— Algumas ruas daqui...

— Eu te levo — diz convicto.

— O que? Não. Não precisa... Eu só quero falar com meu pai.

— E você vai ficar esperando ele por quanto tempo? Isso aqui fecha, sabia? — ele aponta para o posto. — Eu te levo em casa, é mais seguro.

Eu não tenho problemas com motos, até porque meu namorado também dirige uma e eu já estive em sua garupa muitas vezes. O problema é aceitar carona de alguém que eu não conheço.

Suspiro derrotada. — Sua namorada não vai ficar braba se souber que você me deu uma carona?

Ele franze o cenho, me olhando como se eu fosse de outro mundo. — Eu não tenho namorada.

— Tudo bem, eu aceito sua carona, huh...

— Sasuke — ele diz.

— Sasuke — repito, assentindo. Ele tira um capacete do baú da moto e me entrega.

Mesmo que esteja me ajudando, eu não sinto como se essa fosse ser um trajeto confortável.


Notas Finais


Gente, eu amoooo ler as teorias de vcs. Pode mandar viu?
Eu amo!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...