História Alvorecer - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Guerras, Jikook, Jitae, Personagensoriginais, Principes, Reinos, Taekook, Yoonmin
Visualizações 85
Palavras 3.821
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olha quem voltou com mais um capítulo? Eu mesma, Pink Cupcake Mello.

Na verdade eu não planejava postar hoje, mas como é aniversário do nosso bebê Park Jimin eu pensei em postar só pra essa data não passar em branco aqui na fanfic. Até porque o Jiminnie é nosso protagonista junto com o Yoongi <3

Ah é, gente. GENTE. Estamos com +100 favoritos eu to AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA OBRIGADA MESMO, AMORES <3 AMO MUITO CADA UM DE VOCÊS, SÉRIO ;;;;; VOCÊS ME MOTIVAM A CONTINUAR ESCREVENDO, OBRIGADA OBRIGADA OBRIGADA <3

Sem mais delongas, espero que gostem deste capítulo ^^

Boa leitura!

Capítulo 19 - No More Dream


 

 

— Isso é sério? — Jungkook perguntou com um sorriso convencido nos lábios. Olhou mais uma vez para a única cama disposta no quarto e sentiu o coração vibrar em antecipação. 

— Não fica tão animado. Vamos dividir o quarto por precaução. — Taehyung respondeu pacientemente, revirando os olhos assim que se deparou com o sorriso contido nos lábios alheios. 

Sabia tudo o que poderia estar se passando na cabeça de Jeon e sentia, assim como ele, toda a ansiedade que o desejo trazia para seu corpo. Estavam sozinhos em um quarto, afinal. Mesmo que estivesse tentado a ceder para seus desejos mais escondidos, Taehyung tinha noção de que precisava descansar um pouco a mente. Não tinha tempo para dar um passo em falso naquele momento. Não demoraria muito para Yoongi descobrir tudo, ele sentia isso. Sentia que o irmão mais velho estava em seu momento de transição e, mais do que nunca, precisava do apoio que apenas Jimin poderia dar. Pediu mentalmente para que os deuses aproximassem mais os dois naquela noite e suspirou pesado quando notou Jungkook deitado na cama com um olhar sugestivo, a sobrancelha arqueada e um sorriso de canto em sua direção.

— Eu falei sério, Jungkook. — engoliu em seco quando ele ajeitou mais o corpo sobre o colchão. — Nada de gracinhas. — acrescentou com a voz baixa.

— Não precisa ficar tão tenso. — levantou da cama e aproximou-se do outro com passos lentos. — Eu não mordo. Só se você pedir. — concluiu divertido. 

— Pelos deuses, Jungkook! — Taehyung afastou-se levemente dele para contribuir com sua sanidade e olhou para a porta aberta do quarto de banho. — Vou tomar um banho agora, tente comer alguma coisa e depois você vai. Vou repetir, nada de gracinhas. — voltou o olhar sério para Jungkook, mas não evitou sorrir quando ele lhe dirigiu uma gargalhada engraçada.

— Prometo me comportar, Taehyung. — disse após controlar o riso. 

— Assim espero, Jungkook. Assim espero.

Após os dois tomarem banho e se alimentarem devidamente, deitaram na cama de casal e um silêncio estranho instalou-se no local. Apesar da situação propícia, não estavam pensando em nada além da chuva forte que começara a cair. Taehyung franziu o cenho quando as primeiras gotas grossas encontraram o vidro da janela, indicando a fúria que as nuvens iriam despejar sobre todo o reino Sul. Uma chuva naquele inverno intenso poderia ser coincidência, mas as chances de tal faceta eram quase nulas naquelas condições. Poderia ser um aviso de Namjoon, mas ele sentia que não era isso. Taehyung sabia, em seu âmago, que aquilo indicava apenas uma coisa. E Yoongi... Yoongi estava em sua transição há alguns dias.

Jungkook tinha muitos pensamentos na cabeça. Estranhava a forma como conseguia informações incompletas com tanta facilidade, como se estivesse automaticamente condicionado a ter acesso a todas elas e descobrir do que se tratavam muito tempo depois. Taehyung e seus olhos azuis foi a primeira. Ainda tinha dúvidas sobre a cor diferente que tomava os olhos alheios quando ele tinha alguma visão, mas não conseguiu respostas definitivas quando passou uma tarde inteira na biblioteca pesquisando o que poderia ser tudo aquilo. E o aldeão com os olhos negros, poderia ter alguma ligação com a condição de Taehyung? Além disso, as lembranças da conversa que teve com Yoongi na floresta ainda passeavam em sua mente; a sensação estranha que sentiu quando deu as costas para ele, como se estivesse dando a oportunidade para a própria morte, ou quando ele ficou minutos distante, com o olhar desfocado. Era como se todo o ar tivesse condensado em uma bolha ao redor do príncipe. Jungkook sabia que haviam muitas perguntas para serem respondidas, mas não poderia ajudar Taehyung se ele não lhe dissesse as respostas. Toda vez que tentava se aproximar, ele fugia. Era como se arrependesse toda vez que abria uma brecha em seu coração. Estava cada vez mais intrigado com tudo o que envolvia o homem deitado ao seu lado. Estava cada vez mais apaixonado por Kim Taehyung.

— Por que seus olhos ficam azuis quando tem uma visão? — indagou baixo, o barulho da tempestade ecoava dentro do quarto de forma abafada. Sabia que o olhar de Taehyung observava seu perfil, mas continuou olhando para o teto. 

Taehyung não ficou surpreso com a pergunta. Uma hora ou outra ela iria aparecer e Jungkook não aguentaria ficar com dúvida. A relação que possuía com ele era forte, como uma corda grossa e firme. Entretanto, haviam muitos nós em toda a extensão dela, e esses nós era o que acabava os separando de alguma forma. O oráculo queria contar tudo o que ele queria – e deveria – saber, mas não era tão simples assim. Dependia, mais do que sua boa vontade, da maturidade de Jeon para lidar com tudo. E ele provava que estava preparado para descobri-las. Mas Taehyung ainda não estava preparado para contar. O que Jungkook pensaria de si? Ele o condenaria por esconder tudo da única pessoa que deveria saber? 

— Segundo a minha mãe, meus olhos ficam azuis porque venho de uma linhagem antiga de oráculos. — começou a responder após respirar fundo, cada palavra sendo escolhida meticulosamente em sua cabeça. — Quando eu era criança, ela dizia que ficam azuis porque preciso alcançar o céu para ter acesso a todas as previsões e os desígnios dos deuses. Mas nunca tive uma resposta certa para isso.

— Você fica lindo com os olhos azuis. — Jungkook disse pouco depois, lembrando-se daquele dia no bosque, quando o encontrou desmaiado. Os olhos azuis como o céu de um dia ensolarado foi o que lhe chamou a atenção, mas não se tornava tão atípico porque adornava o rosto lindo que Taehyung possuía. Concluiu que talvez tivesse se apaixonado quando o viu pela primeira vez, e nem acreditava que tal coisa poderia ser possível até aquele momento. Amor à primeira vista soava tão ilusório antes de ver aqueles olhos azuis. Antes de ver Kim Taehyung. Agora, naquela noite chuvosa, era mais uma das coisas que acreditava ser absurda, mas que acontecia de forma bem real bem na sua frente.

— Obrigado. Tem mais alguma dúvida? — proferiu porque queria continuar ouvindo a voz melodiosa de Jungkook naquela noite, era como um calmante para si. A forma como ele falava consigo, os olhos brilhantes em sua direção a todo momento, as mãos bonitas tocando-lhe sempre para mostrar apoio, tudo estava enlouquecendo Taehyung aos poucos. E mesmo com todos os nós, ele estava começando a ceder. Seus medos pareciam tão pequenos quando Jungkook direcionava o olhar para si, como ele conseguiu tanto poder em tão pouco tempo? Jungkook havia conseguido um poder inimaginável sobre seu coração. Mas, no fundo, Taehyung tinha outro medo. O oráculo sabia que nem todas as pessoas conseguem lidar com as responsabilidades que o poder traz. Por isso hesitava em desfazer todos os nós que impediam aquela relação de manter-se fluida.

— O que foi fazer no templo ontem à noite? — virou a cabeça na direção de Taehyung, encontrando o olhar cauteloso dele. O machucado em seu braço não o incomodava tanto.

— Precisava falar com meu padrinho. 

— Contato direto com os deuses são proibidos desde a Grande Guerra. Poderia ser perigoso. 

— Jungkook, não seja tolo. — Taehyung voltou seu olhar para a janela fechada, o brilho dos relâmpagos iluminava o quarto. — Tudo isso está acontecendo por causa dessa guerra. 

— Me conta o que é tudo isso. — Jeon pediu com certo desespero. Ele queria poder ajudar Taehyung. — Me conta o que está acontecendo. Sei que conhece Jimin desde aquele casamento.

— Jimin não deveria ter aparecido naquele momento. — Taehyung respondeu imediatamente, as palavras saindo mais como uma reclamação do que uma confissão. — Aquele bruxo estava procurando pelo Yoongi, ele queria matá-lo. Por sorte tive uma visão e deixei ele sozinho na festa para encontrar aquele homem. Foi... Foi a primeira pessoa que eu tive que matar para proteger meu irmão. 

Jungkook ouvia tudo atentamente, seus olhos procurando no rosto de Taehyung algum resquício de hesitação. Mas ele começara a contar tudo de forma sincera, séria. Seus olhos pareciam perdidos em algum canto, tinha certeza que a mente dele estava inundada de memórias daquela noite. A voz grossa soou pesada quando contou sobre aquela primeira morte. Jeon notou que o outro estava mais fragilizado do que aparentava. Taehyung carregava muita coisa sozinho. Era injusto.

— Me disse uma vez que Yoongi não é seu irmão de sangue.

— Foi necessário inventar isso para que ele não se importasse em me ter por perto. — o oráculo sorriu breve. — Yoongi sempre foi bastante teimoso em alguns aspectos. Mas o considero meu irmão sim. Mesmo que digam o contrário, eu sou mais do que o guardião dele. Não sou? — a voz saiu quebrada, a visão dele ficava embaçada repentinamente. Seu coração apertou apenas ao imaginar o mais velho afastando-se de si, eles eram irmãos e melhores amigos. Taehyung fez tudo aquilo para o bem de Yoongi. 

— Você é a pessoa mais incrível que conheço. — Jungkook respondeu com calma, ajeitando o corpo até conseguir colocar a cabeça do outro sobre seu tórax. Passou a mão nos cabelos macios de Taehyung e sentiu as mãos dele apertando suas roupas enquanto chorava. 

— Eu quero que isso acabe logo. — murmurou entre alguns arfares. — Yoongi vai me perdoar, ele é uma pessoa boa.

— Por que ele não te perdoaria? — questionou baixo, sentindo o coração bater mais rápido quando o outro aproximou mais o corpo contra o seu.

— Porque ele é um híbrido, Jungkook. Ele é um híbrido. — confessou, por fim.

Jungkook engoliu em seco. Se Yoongi era realmente um híbrido, então todas as coisas que encontrou em sua pesquisa sobre Taehyung estavam corretas e... Bom, aquela situação era mais complicada do que parecia. 

Jimin estava em perigo.

 

 

XXX

 

 

— Então você o matou? E Taehyung estava lá? — perguntou inconformado. Como Taehyung não lhe contara aquele episódio? Passou anos magoado com Jimin por ter sido deixado sozinho, seu irmão sabia de tudo e não lhe disse nada. Estava chateado com o mais novo, mas precisava ouvir o lado dele também. E mesmo com toda a história que Jimin havia lhe contado, estava feliz pelo esposo estar confiando mais em si para contar algo tão sério. 

Após ter Yoongi em seus braços duas vezes naquela noite, Jimin tinha decidido contar tudo para ele. Yoongi tinha confiado em si para consumarem aquele casamento, entregou seu coração nas mãos de Jimin e ele também precisava fazer o mesmo. Estava planejando contar tudo desde a noite anterior, mas não tivera a oportunidade. Naquele momento, enquanto abraçava o corpo esguio do outro com delicadeza, sentia que poderia começar a viver de verdade aquele casamento.

— O rei do Oitavo Reino prometeu manter segredo sobre aquilo. Mas o Taehyung foi falar pessoalmente com ele sobre isso. — respondeu pouco depois, suspirando fundo antes de continuar. — Eu estava bêbado, cometi um assassinato. Deveria pagar por isso. 

— Jimin, espera. — Yoongi virou o corpo de frente para o outro e olhou diretamente nos olhos dele. Sentia a pele quente de Jimin contra a própria, ambos nus após o sexo. Ainda não tinha caído a ficha de que estavam realmente ali, naquela situação. Ainda parecia muito surreal para Yoongi. Ver o esposo ali, tão perto, os lábios grossos inchados pelas mordidas que ele mesmo deixou, a pele marcada em tantos tons avermelhados... Teve que respirar fundo antes de continuar. — Aquele homem tentou te matar. E o pior, ele estava usando magia negra. Sabe que isso é proibido, não fez mais do que sua obrigação como líder. Foi legítima defesa. — concluiu sério. Queria tentar transmitir redenção em suas palavras, mas o olhar do outro ainda pesava com uma condenação que ele mesmo criou para si. A culpa realmente muda as pessoas.

— Mesmo assim, eu te deixei sozinho e escondi isso durante todos esses anos... Quando contei para o Seokjin, no dia que você chegou no Norte, ele me pediu para continuar mantendo segredo. — franziu levemente o cenho ao lembrar daquela conversa. O olhar do irmão mais velho poderia até parecer pleno, mas ele o conhecia demais e sabia que Jin estava perplexo. — Isso me consome tanto por dentro, amor...

— Shh, não foi sua culpa. Não foi. E eu vou repetir isso até você acreditar em mim. — Yoongi respondeu e deu um selinho breve nos lábios de Jimin antes de abraçá-lo com mais afinco. Sentiu o cheiro gostoso da pele dele e sorriu quando alguns fios do cabelo alheio fizeram cócegas em seu pescoço brevemente por causa do contato. Era como um sonho estar ali com Jimin. Sentia como se tudo lá fora estivesse parado, esperando aquele momento acontecer. 

— Obrigado por compreender o meu lado da história. — a voz soou abafada porque estava com o rosto repousado na curvatura do pescoço de Yoongi. — E desculpa por ter te deixado sozinho, Yoon...

— Agora eu sei de toda a verdade, mas já te perdoei por isso há algum tempo. — conteve o riso mordendo o lábio inferior quando lembrou da atitude de Jimin na véspera do casamento, a lembrança do castanho dando meia volta e beijando-o ficaria para sempre em sua mente como uma de suas preferidas. — É injusto o poder que o príncipe Min Park Jimin III têm sobre minha pessoa. — acrescentou com  a voz mais descontraída.

— Você diz isso porque não conhece nem metade do poder que tem sobre mim, sabia? — Jimin retrucou com um sorriso cálido. 

— Estamos muito encrencados, amor. — Yoongi proferiu instantes depois, sem se dar conta da forma carinhosa como chamou o esposo. 

Mas Jimin notou. Ele notou e sentiu os olhos marejados antes de responder.

— Estamos mesmo. 

 

 

XXX

 

 

Seokjin estava ansioso, mas dava seu máximo para não transparecer tal sensação. Naquela manhã ensolarada, a neve parecia brilhar em contato com a luz do sol. A carruagem vinda do Leste estava parada em frente ao portão central do castelo. A mesma cena se repetia; assim como no dia em que esperava pela chegada de Yoongi, a curiosidade tomava conta de todos os seus pensamentos enquanto esperava a chegada de Jung Jiwoo. 

Ao seu lado, Dahee e Jiseok sorriam de forma quase diplomática. A rainha pareceu notar a inquietação do filho, porque afagou brevemente as costas dele quando a princesa saiu da carruagem com calma, os longos cabelos castanhos em uma trança um pouco desarrumada por causa da viagem. Mas não era como se isso fosse importante. Jiwoo passou muitos verões no Norte, aprendendo costumes diferentes. Ela era da família. 

Ela subiu cada degrau segurando a barra do vestido esverdeado – cor oficial do brasão do reino Leste – e com um sorriso contido nos lábios finos. Deixou-se levar pelos abraços de Dahee e Jiseok assim que se aproximou. Depois, um pouco hesitante, abraçou Seokjin. O príncipe continuava o mesmo, o cheiro gostoso também não tinha mudado. 

— Bem-vinda de volta, querida. — Dahee proferiu instantes depois. — É uma pena tê-la nessas condições, mas estamos muito felizes que esteja aqui. — acrescentou.

— Eu também estou muito feliz, Majestade. — Jiwoo olhou brevemente para Seokjin. — Estou muito feliz por ter mais uma oportunidade de estar no reino Norte. 

 

 

XXX

 

 

Cavalgavam rapidamente até o local do ataque. Yoongi sentia um pouco de sono, porque passou quase a noite toda em claro. Ainda assim, não conseguia deixar de sorrir por um segundo sequer. Desde quando acordou naquela manhã e deparou-se com o rosto sereno do esposo tão próximo do seu, estava pleno e feliz. Nem teve coragem de acordá-lo, por isso dirigia-se até seu objetivo apenas acompanhado de Jungkook. 

O futuro chanceler, estranhamente, estava acordado quando foi tomar café. Trocaram um cumprimento breve e decidiram ir os dois até o local, acompanhados apenas de alguns guardas. Não era tão perigoso porque desde o ataque, todos os guardas disponíveis cuidavam da estrada e das áreas mais próximas. O Sul era conhecido pelo bom exército e Yoongi nunca agradeceu tanto por isso como naquele momento. As nuvens cinzas haviam se dissipado completamente, dando espaço para um céu límpido e azul. Até o sol ousava brilhar naquela manhã, mesmo que o frio ainda dominasse toda a região. 

— Ainda acho que deveríamos esperar pelo rei. — Jungkook disse minutos depois, quando estavam quase na metade do caminho. Observou o príncipe franzir levemente o cenho antes de responder.

— Conheço esse lugar, não se preocupe. Além disso, meu pai estará ocupado em reuniões hoje. Foi melhor termos vindo sozinhos. 

— Mas, Alteza... Pode ser perigoso. — Jungkook começava a entender todo o peso que Taehyung havia lhe dito na noite anterior. Ter que olhar para Yoongi e mentir trazia-lhe uma culpa horrível. Ele sabia de toda a verdade naquele momento e sabia que poderia ser perigoso, sabia que tudo poderia mudar em questão de segundos. Entendia que o príncipe ao seu lado era tão inocente quanto todos os outros. Engoliu em seco quando sentiu que Yoongi observava sua reação. Desviou seu olhar e voltou a prestar atenção na estrada coberta de neve. Manteria a confiança que Taehyung depositou em si. 

— Está com medo, Jeon? — Yoongi perguntou divertido. Estava tão feliz e relaxado que nem mesmo o perigo iminente lhe tiraria o bom humor. Riu breve quando o garoto mais novo aumentou a velocidade e ultrapassou seu cavalo. 

Continuou seu caminho com calma, sentindo a brisa calma atingir seu rosto. Respirava fundo, olhava com mais atenção o formato dos grandes pinheiros, a forma como a luz do sol ultrapassava as grandes copas e chegavam até o solo em pequenos feixes de claridade, tudo parecia mais bonito naquela manhã. Sorriu sozinho quando lembrou das feições quase infantis de Jimin dormindo. Ah, sentia que estava muito encrencado.

De repente, o ar sumiu de seu corpo. Era como se uma faca tivesse ultrapassado seu peito. Olhou para baixo rapidamente, notando que estava tudo bem consigo. Apesar de seu físico intacto, alguma coisa começava a queimar em seus pulmões. Abriu a boca, se forçou a respirar o máximo de ar que conseguia, mas não parecia suficiente. O cavalo andava calmamente, mesmo sem os seus comandos. Tentou chamar por Jungkook, mas sua voz não saía. Os guardas ao seu lado pareciam não notar o que estava acontecendo, mesmo que, obviamente, alguma coisa estivesse errada consigo. 

Conforme os segundos passavam, sentia o corpo tornando-se trêmulo. Fechou os olhos, inclinou-se mais para frente e tentou respirar fundo mais uma vez, mas não obteve êxito. Lembrou que deveria ter contado para Jimin, não poderia ter cedido ao cansaço. Ter deixado para depois foi sua pior decisão. Aquele descontrole sobre tudo ao seu redor estava acontecendo novamente. Estava morrendo, sentia que suas forças estavam esvaindo. 

Estamos cada vez mais próximos, Yoongi.

Aquela voz novamente. Queria chorar. A queimação continuava e ele já não conseguia mais manter seu corpo ereto. Seus olhos foram fechando aos poucos, mas abriu-os novamente quando sentiu alguém puxando-o para o lado. 

— Yoongi, tudo bem? — Jungkook dizia preocupado. Sabia o que estava acontecendo, mas não sabia como ajudar. O príncipe respirava de forma desregulada, era como se todo o ar do mundo fosse insuficiente para seu corpo. Sentou-o no chão coberto de neve e tinha toda a atenção dos guardas sobre si. — Yoongi, se concentre em fugir dessa sensação. Me ouviu? Se concentre. Você é mais forte do que tudo isso. 

Yoongi ouvia a voz de Jungkook ecoar bem longe em sua cabeça. Seu corpo parecia flutuar naquele momento, a brisa gelada envolvendo-o como um cobertor. Tentou se concentrar, assim como o outro havia dito. Mas não conseguia, toda vez que tentava assimilar tudo ao seu redor novamente, sua mente levava-o para longe, como se o empurrasse rumo a um precipício. 

Você sabe que não tem como lutar contra isso. 

Queria gritar contra aquela voz, mas não tinha forças para tal. Forçou seus pensamentos a encontrar suas lembranças, e logo os toques de Jimin começavam a ficar claros em sua mente. Como uma âncora, aquelas memórias pareciam trazer seu corpo para o chão novamente. Pausadamente, respirava um pouco mais de ar. Demorou um pouco até conseguir respirar fundo e concluir tal ação completamente. Quando conseguiu, ouviu um murmúrio estranho de agradecimento vindo de Jungkook.

— Você está voltando, graças aos deuses. — Jungkook disse baixo o suficiente apenas para Yoongi ouvir. Abraçou o corpo do príncipe de forma instintiva, sentindo a respiração fraca dele contra seu pescoço. Estava aliviado.

Yoongi continuou mais alguns instantes inerte, sem saber como reagir. Não tinha vontade de mover qualquer músculo, por isso manteve-se ali, nos braços do outro. 

Aquela situação estava saindo do controle.

Ambos foram interrompidos por um som estranho. Repentinamente, homens armados saíram de trás dos troncos das árvores. Yoongi teve tempo de arregalar os olhos e levantar-se completamente recuperado antes de ouvir o primeiro grunhido de dor de um dos guardas que foi atingido. 

— Jungkook, você fica com os da direita. — disse com a voz firme. — Eu cuido dos da esquerda.

Franziu o cenho quando analisou seu primeiro alvo. Os olhos dele estavam completamente negros.

 

 

XXX

 

 

— Seja breve, por favor. — Jimin terminava de colocar suas botas enquanto era observado por Taehyung. Estava levemente irritado por ter sido deixado para trás pelo esposo. Será que Yoongi não entendia que poderia ser perigoso ir desacompanhado até o local do ataque? Ah, sua irritação ficava cada vez mais latente conforme os segundos passavam. 

— Precisamos conversar. — Taehyung disse calmo. Notou algumas marcas avermelhadas no pescoço do outro e vibrou internamente. Pelo menos eles estavam se resolvendo. Mas ele precisava contar logo para Jimin tudo o que estava acontecendo, antes que fosse tarde. Sua conversa com Jungkook foi uma boa decisão, ele havia o convencido a explicar tudo de uma vez. Não poderia mais atrasar o inevitável por causa do medo. Era injusto com todas as pessoas envolvidas.

— Agora? Tenho que ir atrás do Yoongi.

— É sobre ele mesmo que quero conversar.

Jimin parou o que fazia para olhar para Taehyung. Ficou alguns instantes em silêncio, esperando que ele concluísse. Seu corpo queria correr de encontro para o esposo, mas sua mente pedia para que ficasse. Sentia que alguma coisa estava errada. E o olhar de Taehyung denunciava que tal sensação não era apenas uma impressão sua.

Foram interrompidos por um barulho alto ecoando do lado de fora do castelo. Moveram-se após alguns gritos estridentes chegarem até seus ouvidos. 

Jimin foi o primeiro a chegar até a janela aberta, arregalando os olhos com a cena que se desenrolava do lado de fora. Sentiu o ar faltar quando, analisando com mais atenção, notou um grupo de homens munidos de espadas matando qualquer pessoa que vissem pela frente, desde as empregadas que estavam lá até os guardas que apareceram para ajudar. Os corpos começavam a soltar sangue, o líquido carmesim manchando a neve com abundância. 

Depois, notaram a catapulta lançando bolas de fogo em direção às torres do castelo. 

Não perceberam quando Taehee adentrou o quarto com pressa, olhando para Jimin e Taehyung com certo desespero. 

Jimin deveria estar acompanhando Yoongi. 

— É um ataque com um grupo pequeno. — disse com a voz alterada. — Filho, você já sabe o que fazer a partir de agora. — olhou para Taehyung com certeza. 

Jimin franziu o cenho e foi até suas coisas para pegar sua espada. 

Eles tinham um ataque para conter. 

 

 

 


Notas Finais


Jungkook não perde tempo, pensa num garoto que é puro deleite. Taehyung está quase se deixando levar por ele uuuuuuuh PRA QUEM DISSE QUE ESTAVA TORCENDO PRA TAEKOOK ACONTECER, A GENTE VAI AOS POUCOS, MAS UMA HORA ACONTECE, AMORAS.

Yoongi é híbrido, agora híbrido do quê a gente não sabe ksjskjs MAS JÁ É UMA INFORMAÇÃO, POXA. Acho que esse capítulo explicou algumas coisas da primeira fase e finalizou definitivamente ela. A noite do casamento ainda estava pendente entre vmin e yoonmin, então está aí, Park Jimin é um esposo dedicado que não quer mais mentirassssss.

As teorias de vocês estão dando certo? Mudou alguma coisa? Estou super curiosa, se puderem me contar eu vou amar ler tudinho <3

E Jung Jiwoo apareceu :') Amem muito a irmã do Hoseok, okay? :3 Esse capítulo teve tanta coisa, o Tae explicando o porquê dos olhos dele ficarem azuis quando tem alguma visão, yoonmin plenos e nus na conversa goxxtosa pós sexo (alguém notou que eles transaram mais uma vez ainda? ksjskjsjs) e mais crises estranhas do Yoongi.

Ah é, teve um ataque né gente.

Acontece.

/corre

Nos vemos no próximo capítulo, amoras! Já aviso que ele pode sair um pouco mais rápido porque é uma Interlude, okay?

Até~~


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