História Amante da Fantasia - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Gray Fullbuster, Juvia Lockser, Lisanna Strauss, Lucy Heartfilia, Natsu Dragneel
Tags Fairy Tail, Fantasia, Lendas, Magia, Mistério, Nalu, Romance
Visualizações 353
Palavras 5.204
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Lemon, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oie pessoal aqui esta mais um capitulo para vcs !!!!
Aproveitem e boa leitura ^^=
Ah obrigada pelos favoritos \o/ e comentários tbm \o/

Capítulo 4 - Conversa


Natsu POV

Saindo dos meus pensamentos vi   Lucy olhando diretamente para os meus olhos.

– Não entendo porque estou aqui. Se não quer que eu te satisfaça, por que me convocou?

Estava a ponto de gemer ao escutar suas palavras. E mais ainda quando a visão de seu corpo esbelto e poderoso passou pelos meus olhos.

O que se sentiria quando fizesse amor com uma mulher tão incrivelmente deliciosa como essa, durante toda a noite? Fiquei divagando nessa possibilidade.

Estava claro que Lucy seria deliciosa na cama. Não cabia dúvida.

Fiquei tenso pelo o rumo que meus pensamentos estavam tomando.

Que poder essa mulher possuía?

Jamais em minha vida havia sentido um desejo sexual como sentia nesse momento. Nunca! Literalmente falando, a jogaria no chão e a comeria por inteiro.

Não tinha sentido.

Com o passar dos anos, me acostumei que me descrevessem vários encontros sexuais, algumas de minhas pacientes inclusive tentavam me excitar.

Nenhuma só vez tinham conseguido seu propósito.

Mas quando se tratava de Lucy, minha mente tinha vontade de agarrá-la, jogá-la no chão e subir em cima.

Esse pensamento, tão impróprio, me devolveu a sensatez.

Abri a boca para responder sua pergunta, mas não consegui disser nada. O que ia fazer com esta mulher?

– O que quer que faça contigo?

Os olhos dela se escureceram pela luxúria e me tentou agarrar de novo.

"Oh, sim!" - Meu corpo pedia desesperadamente. - "Por favor, me toque por todos os lugares".

– Para! - falei, me dirigindo tanto a ela como a mim mesmo, não podia perder o controle. A prudência teria que governar a situação, e não meus hormônios. Já cometi esse engano uma vez, e não estava disposto a repeti-lo.

Lucy aproveitou de mais um descuido e subiu em um salto alguns degraus, o olhou diretamente nos meus olhos.

 

Era fantástica.

O cabelo dourado caíam em ondas até a metade das costas, as sobrancelhas arqueavam-se sobre seus olhos fascinantes e ao mesmo tempo aterrorizantes. E esses olhos estavam me olhando com mais paixão que deviam.

Nesse momento desejaria poder matar Gray, sem dúvida nenhuma.

Mas não tanto como eu gostaria de ir para a cama com esta mulher.

– Preciso me sentar um minuto e você. - Deslizei meus olhos sobre seu magnífico corpo. - Você precisa se cobrir.

Lucy POV

Se cobrir?

Olhei para o homem meio confusa, pois era a primeira vez em toda minha existência que alguém me pedia isso.

De fato, todos os homens que eu já havia conhecido antes da maldição, não tinham feito outra coisa que tentar me arrancar à roupa, o mais rápido possível. E depois da maldição, meus invocadores se dedicavam dias inteiros para contemplar minha nudez enquanto passavam as mãos por meu corpo, saboreando minha presença.

– Fique aqui um momento. - o homem disse antes de subir o resto da escada.

Observei seu traseiro enquanto subia os degraus e meus seios se endureceram imediatamente. Dei uma olhada ao meu redor com os dentes apertados, tentei ignorar o ardor que sentia em minha pélvis. Eu teria que me distrair, até que o homem voltasse.

O que não demoraria em ocorrer. Nenhum homem podia se negar por muito tempo o prazer de me ter.

Com um amargo sorriso pela ideia, contemplei a casa.

Em que lugar e em que época me encontrava?

Não lembrava quanto tempo estava presa. A única coisa que me recordava era o som das vozes com o passar do tempo, a sutil mudança dos acentos e dos dialetos conforme passavam os anos.

Olhei para luz que se encontrava sobre minha cabeça, franzi o cenho. Não havia nenhuma chama.

O que era essa coisa?

Meus olhos se encheram de lágrimas, irritados, desviei o olhar.

Isso devia ser uma lâmpada.

Ouça, preciso mudar a lâmpada. Faça-me o favor de desligar ao interruptor que está junto à porta, certo?

Recordei as palavras do dono da livraria, olhei para a porta e vi o que supostamente devia ser o interruptor.

Me afastei das escadas e apertei o pequeno dispositivo. Imediatamente, as luzes se apagaram. Religuei as.

Sorri. Que outras maravilhas me aguardavam nesta época?

– Encontrei algo.

Olhei para o homem que estava na parte superior da escada. Me jogou um tecido comprido e retângulo na cor verde escuro. Sustentei o objeto sobre o peito enquanto a incredulidade me deixava perplexa.

Ele havia dito sério de sobre me cobrir?

Que estranho. Franzi ainda mais o cenho, envolvi meu corpo com o tecido.

Natsu POV

Esperei até olhá-la de novo. Graças a Deus, por fim ela estava coberta. Não era de se admirar que os vitorianos insistissem tanto no assunto das folhas de parreira. Era uma pena não ter umas em minha varanda. Ali só cresciam alguns arbustos, e duvidava muito que ela apreciasse suas folhas.

Me encaminhei para a sala e sentei no sofá.

Gray vai me pagar por isso.

Lucy se sentou ao meu lado, revolucionando todos meus hormônios do corpo com sua presença.

Me movi até a outra ponta do sofá e olhei em sua direção cautelosamente.

– Ficará quanto tempo?

Que boa pergunta, Natsu! Por que não lhe pergunta pelo tempo ou pede um autógrafo? Jesus!

– Até a próxima lua cheia.

Sacanagem!

Lucy me olhou com seus gélidos olhos e, enquanto deslizava seu olhar por todo meu corpo, o gelo se transformou em fogo em décimos de segundo. Se inclinou sobre mim e tocou meu rosto. Me afastei o máximo que pude.

— Está me dizendo que tenho que te aguentar durante todo mês?

— Sim.

Passei as mão pelos olhos. Não poderia entretê-la durante um mês. Um mês inteiro, com todos seus dias.

Trinta Dias! Tenho obrigações, responsabilidades. Tinha até que procurar um passatempo.

— Olhe. — falei para ela. — Acredite ou não, tenho uma vida na qual não você está incluída.

Pela expressão de seu rosto, soube que não se importava com minhas palavras.

— Se acredita que estou encantada de estar aqui contigo, está infelizmente equivocado. Asseguro que não escolhi vir.

Suas palavras conseguiram me ferir.

— Bom algumas partes sua não sentem o mesmo. - falei.

— Infelizmente, tenho tanto controle sobre isto como sobre o fato de estar aqui.

— Bom, a porta é a serventia da casa.

— Acredite em mim, se pudesse ir, faria.

— Quer dizer que eu não posso ordenar que você vá embora? Nem que retorne ao livro?

— Acredito que a expressão que usou anteriormente foi: bingo.

Lucy ficou de pé lentamente, e me olhou.

Lucy POV

Durante todos esses malditos séculos em que estive condenada, esta é a primeira vez que me acontecia uma coisa assim. O resto dos meus invocadores sabiam o que eu significava, tinham estado mais que dispostos a passar todo mês em meus braços, utilizando feliz, meu corpo para obter prazer.

Jamais em minha vida, mortal ou imortal, tinha encontrado sequer um homem que não me desejasse fisicamente.

Era…

Estranho.

Humilhante.

Quase embaraçoso.

Seria um indício de que a maldição estava acabando? De que possivelmente poderia me libertar?

Não. No fundo eu sabia que não era certo, mesmo que minha mente se esforçasse em criar esperanças infundadas. Quando os deuses gregos decretaram meu castigo, fizeram com um estilo e com uma ira que nem sequer dois milênios podem suavizar.

Houve uma época, há muito tempo atrás, em que eu vivia lutado contra minha condenação. Uma época em que tinha acreditado que poderia me libertar. Mas depois de dois mil anos de cárcere e tortura desumana, aprendi algo: resignação.

Merecia este inferno pessoal, aceitava o castigo que foi me dado.

Senti um nó na garganta e tratei de desfazê-lo. Estendi meus braços e ofereci meu corpo ao homem.

— Faz comigo o que quiser. Só tem que me dizer como posso te dar prazer.

— Então desejo que você vá embora.

Deixei cair os braços.

— Nisso não posso te dar prazer.

Natsu POV

Frustrado, comecei a caminhar nervoso de um lado a outro. Finalmente, meus hormônios tinham retornado à normalidade e, com a cabeça mais limpa, me esforcei para encontrar uma solução. Mas parecia não haver nenhuma.

O que ia fazer um mês. — um mês inteiro. — com ela?

De novo, uma visão dela sobre mim, com o cabelo caindo a ambos os lados do rosto, formando um dossel ao redor de seus corpos enquanto me introduzia totalmente nela..

— Eu preciso de algumas coisas… — Lucy falou.

Quando a olhei novamente, meu corpo ainda estava suplicando que para cedesse aos meus desejos.

Seria tão fácil me render a ela. Mas não podia cometer esse engano. Não podia usá-la desse modo. Como se…

Não, não ia mais pensar nisso.

— O que? — perguntei para ela.

— Comida. —  respondeu. — Se não quer me utilizar pela forma apropriada, se importaria se eu comer algo?

A expressão envergonhada e rubra de desagrado que Lucy adotou em seu rosto me indicou que ela não gostava de ter que pedir.

— É obvio que não me importo. - falei seguindo para cozinha. — A cozinha fica aqui. - a guiei pelo curto corredor que levava para minha pequena cozinha.

Abri a geladeira e me afastei para que ela desse uma olhada.

— O que quer comer?

Em vez de colocar a cabeça para procurar algo, ficou a meio metro de distância.

— Sobrou um pouco de pizza?

— Pizza? — repeti assombrado. Como ela saberia o que era uma pizza?

— Você parece gostar muito.

Na hora me lembrei do jogo tolo que o picolé do Gray me fizera participar enquanto comíamos. Gray fazia comentários a respeito de substituir o sexo com a comida, e tinha fingido um orgasmo ao saborear a última parte de uma pizza.

— Nos escutou?

Com uma expressão fechada, me respondeu em voz baixa.

— A escrava sexual escuta tudo o que se diz nas proximidades do livro.

— Pena que acabamos com tudo, não sobrou nada. Mas tenho um pouco de frango que sobrou de ontem, e também macarrão.

— Tem vinho?

— Tenho sim!

— Então traga a comida para mim.

Ela tinha conseguido fazer que meu sangue fervesse.

— Olhe, não serei seu cozinheiro.

Lucy se sentou à mesa com a aura de arrogância, que acabava com todas as boas intenções que eu tinha com ela.

— Bom, quanto tempo esteve presa nesse livro? — perguntei na cara de pau.

Ela permaneceu sentada, tão quieta como uma estátua, não mostrava suas emoções.

— A última vez que fui convocada foi no ano 1895.

— Sério? — fiquei de boca aberta enquanto colocava o prato com comida no micro-ondas. — Em 1895? Está falando sério?

Ela assentiu com a cabeça.

— Em que ano te colocaram no livro? A primeira vez quero dizer.

— Segundo ao seu calendário, no ano 149 a.C.

— No ano 149 antes de Cristo? Meu Deus! Quando te chamei Lucy, vi no livro que vens da Macedônia é verdade?

Ela assentiu com um gesto brusco.

— Como te colocaram no livro? Já que os antigos gregos não tinham livros?

— Originalmente fui presa em um cilindro de pergaminho que mais tarde foi encadernado como medida de segurança. - disse com um tom sombrio e o rosto impassível. — E o que fiz para que me castigassem? Bom deixei Rogue me invadir.

Franzi o cenho. Aquilo não tinha nem pingo de sentido, como o resto de tudo o que estava acontecendo.

— Você foi castigada por ter relações com um homem?

— Rogue não era um simples homem, era o prometido da Deusa Minerva.

— Mas ele foi obrigado? - como se ela pudesse obrigar alguém a te-la.

— Claro que não. - respondeu me olhando com dureza. — Foi tudo de mútuo consentimento, posso assegurar.

Certo, esse era um tema sensível para ela. Percebi claramente com sua gélida conduta. Ela não gostava de falar do passado. Eu teria que ser um pouquinho mais sutil em meu interrogatório.

Lucy POV

Depois de contar algumas coisas do meu passado, o homem percebeu que não me sentia a vontade com a conversa e parou de falar. Minutos depois escutei uma estranha campainha, observei o homem apertar uma mola que abria a porta da caixa negra onde ele havia colocado minha comida.

Ele tirou o fumegante prato de comida e o colocou na minha frente, junto com um garfo, uma faca, um guardanapo de papel e uma taça de vinho. O aroma me subiu à cabeça e fez me estômago rugir de necessidade.

Eu estava perplexa pelo modo tão rápido que ele tinha cozinhado, mas lembrei de ter ouvido falar de artefatos com nomes estranhos como trem, câmara, automóvel, fonógrafo, foguete e computador.

Segurei a pequena porção de comida e saboreei a deliciosa sensação dos mornos e saborosos talharins sobre a minha língua. Era uma pura delícia.

O aroma das especiarias e do frango invadiu minha cabeça. Passei uma eternidade sem provar comida.

Uma eternidade sofrendo uma fome atroz. Fechei os olhos, estava acostumada com a privação em lugar da comida, meu estômago se fechou quando dei a primeira garfada. Apertei a faca e o garfo com força enquanto lutava para afastar a terrível dor.

Mas não deixei de comer. Não jogaria fora nenhum grão que estava no prato. Esperei por muito tempo poder acabar o minhas fome e não estou disposta a parar.

Depois de mais algumas garfadas, as retorções no meu estômago diminuíram e me permitiram desfrutar plenamente da comida.

Depois que meu estômago se acalmou, lutei para comer como um ser humano e não pegar a comida com a mão, pois a fome era muito grande.

Apesar de que fazer séculos que não sabia mais o que era ser humana, estava decidida a reaprender.

Natsu POV

Me apoiei no balcão e o observei Lucy, enquanto a mesma comia. Ela comia lentamente, de forma quase mecânica. Não demostrava se gostava da comida, mas ainda assim, continuava comendo.

O que realmente me surpreendeu, foram as maneiras europeias que ela demonstrava. Fiquei em dúvida de onde teria aprendido a utilizar a faca para manter a massa no garfo, e evitar que caísse.

— Havia garfos na antiga Macedônia? — perguntei.

Lucy parou de comer.

— O que disse?

— Perguntei se já utilizavam garfo em sua época?

— Acredito que foi inventado em meados do século XV.

— Sério? — perguntei — E você estava lá?

— No momento em que inventaram o garfo ou ao século XV?

— Ao século XV, é obvio. — pensei melhor, acrescentei: — Não estava lá quando se inventou o garfo, verdade?

— Não. — Lucy limpou a boca com o guardanapo. — Fui convocada em quatro ocasiões durante esse século. Duas vezes na Itália, uma na França e outra na Inglaterra.

— De verdade? — tentei imaginar como seria o mundo naquela época. — Aposto que viu muitas coisas ao longo dos séculos.

— Não muitas.

— Sério? Em dois mil anos…

— Nesses anos vi principalmente quartos, camas e armários.

Seu tom seco me fez parar de falar, enquanto ela continuava comendo. A imagem de Lisanna me veio a mente. Eu só tinha encontrado uma idiota egoísta, mas Lucy parecia ter mais experiência nesse terreno.

— Então me conte, o que faz enquanto está no livro?

Lucy deu de ombros e percebi que ela não possuía um grande número de expressões.

Nem de palavras.

Me aproximei da mesa e me sentei em um banco de frente para ela.

— Pelo visto teremos que ficar juntos durante um mês, que tal se transformá-los em agradáveis dias. Vamos conversar, tudo bem?

Lucy POV

Levantei o olhar, surpresa. Não lembrava da última vez que alguém quis conversar comigo, exceto para me fazer sugestões que ajudassem a incrementar o prazer que proporcionava ao meu "senhor" ou para me pedir que voltasse para a cama.

Aprendi muito nova que os homens só queriam uma coisa de mim: poder enterrar seu membro profundamente entre minhas coxas.

Com essa ideia em minha mente, lentamente passei meu olhar pelo corpo do homem, detendo em algo no meu de suas pernas, que se animou sob meu prolongado olhar.

Natsu POV

Lucy ficou perdida em pensamentos, mas logo começou a me olhar de uma forma um tanto constrangedora, e o pior e que o Nat Jr. logo se animou, cruzei as pernas e esperei que ela a olhasse em meus olhos.

— Pelo visto. — Lucy disse utilizando minhas mesmas palavras. — Há coisas muitas coisas para se fazer com a língua e que são muito mais prazerosas do que conversar: como.. — abaixou seu olhar para minhas pernas. — Sem mencionar outras partes que eu poderia visitar.

Por um instante, fiquei sem fala, mas depois encontrei a graça ao assunto.

Como terapeuta, já ouvi coisas muito mais surpreendentes que essa.

— Tem razão, há muitas coisas que podemos fazer com uma língua, como, por exemplo, cortá-la. - percebi que causei uma surpresa nela. — Mas sou um homem que adora falar, e você está aqui para me dar prazer, não é verdade?

— Certo.

— Então, me conte o que faz enquanto está no livro.

— É como estar preso em um sarcófago. — Lucy respondeu em voz baixa. — Ouço vozes, mas não posso ver a luz nem nenhuma outra coisa. Não posso me mover. Simplesmente me limito a esperar e a escutar.

Me horrorizei com a simples ideia. Lembrei de um dia, muito tempo atrás, que se fiquei preso dentro do elevador. A escuridão era total e não havia modo de sair.

Não conseguia imaginar o que seria passar séculos inteiros em um lugar assim.

— É horrível. — falei.

— Mas com o tempo se acostuma.

— De verdade?

Quando os técnicos conseguiram me libertar, descobri que só tinha estado preso meia hora, mas tinha parecido uma eternidade. O que se sentiria ao passar realmente uma eternidade preso?

— Tentou escapar alguma vez?

O olhar que ela me deu dizia tudo.

— O que aconteceu? —perguntei

— Obviamente, não tive sorte.

Me senti muito mal por ela. Dois mil anos presa em uma cripta tenebrosa. Era um milagre que não que não tenha se tornado louca. Que fora capaz de sentar-se comigo e falar sobre seu passado.

Não era de se admirar que houvesse me pedido comida. Privar uma pessoa de todos os prazeres sensoriais era uma tortura cruel e desumana.

E então soube eu poderia ajudá-la. Não sabia muito bem como fazer, mas tinha que haver algum modo de libertá-la.

— E se encontrássemos o modo de te tirar daí?

— Tenho certeza que não há nenhum modo de me tirar do livro.

— Você é um tanto pessimista, não? - Lucy me olhou divertida.

— Estar presa durante dois mil anos tem esse efeito sobre as pessoas.

Já que provavelmente não conseguiria tirá-la do livro, pelo menos me encarregaria de que ela desfrutasse de sua liberdade em Magnólia. Os outros homens a tinham mantido-a presa nos limites de seus quartos, mas eu não estou disposto a manter ninguém preso.

— Bem, então digamos que desta vez você desfrutar de tudo. - Ela levantou o olhar do prato com repentino interesse. — Vou ser seu guia. Faremos tudo o que você deseje muito fazer.

Enquanto Lucy tomava um gole de vinho, curvou os lábios em um gesto irônico.

— Tire a camisa.

— Como? — perguntei.

Deixando de lado a taça de vinho e me atravessou com um luxurioso olhar.

— Disse que posso ver o que quiser e fazer o que me deseje muito. Bem, pois quero ver você nu e depois quero passar a língua por…

— Opa! Vamos parar por ai. Vamos deixar claras algumas regras que terá que cumprir. Número um: nada disso.

— E por que não?

— Porque não sou nenhum brinquedinho que você brinca durante um mês e depois joga fora.

Lucy POV

Me surpreendi por suas palavras e o tom amargo da voz do homem. Alguém já me fez isso no passado.

Tenho tantos pecados para pagar. Alguns tinham sido tão grandes que dois mil anos de cativeiro não eram mais que o princípio de sua condenação.

Agora entendi porque o tal de Gray quis me convocar. Era para mostrar ao homem que o sexo podia ser divertido.

Nunca antes me encontrei em uma situação semelhante.

Esta será a primeira vez que terei que perseguir um homem para que me aceitasse.

Nunca nenhum homem tinha se negado a mim. Mas pela minha teimosia iria levá-lo para à cama.

Sim, e vou saborear cada momento.

Igual ele acabará saboreando, cada doce e sedento centímetro de meu corpo.

Natsu POV

Engoli em seco pelo sorriso que Lucy me lançava. O sorriso suavizava sua expressão e a deixava ainda mais devastadora.

Que demônios ela estaria pensando para sorrir assim?

Continuei observando-a, havia algo nela que me fascinava. Algo que era perturbador. Possivelmente era a dor que seus olhos refletiam de vez em quando.

O relógio de parede da escada marcou uma hora da manhã.

— Meu Deus! Tenho que me levantar às seis.

— Vai para a cama? Dormir?

— Tenho que ir.

Ela franziu o cenho…

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei para ela.

Lucy negou com a cabeça.

— Bom, então vou te mostrar o lugar onde vai dormir e…

— Eu não tenho sonho.

— O que? - perguntei assustado.

Lucy POV

Olhei para o homem, incapaz de encontrar as palavras exatas para descrever o que eu sentia. Fiquei presa tanto tempo no livro, que a única coisa que eu queria fazer era correr ou sair pulando por ai. Fazer algo para celebrar minha repentina liberdade de movimentos.

Não queria ir para à cama. A ideia de permanecer deitada na escuridão um só minuto mais…

Me esforcei e voltei a respirar.

— Estive descansando desde 1895. — expliquei. — Não estou muito segura dos anos que se passaram, mas pelo que vejo, devem ser alguns.

— Estamos no ano 2015. — o homem me informou. — Esteve dormindo durante cento e vinte anos.

— Não, não estava dormindo.

Natsu POV

Sou a primeira pessoa com quem ela tinha falado, ou estado perto, depois de mais de cem anos.

Um nó se formou em meu estômago ao pensar no que ela devia ter suportado.

— Eu gostaria de poder ficar acordado. - falei reprimindo um bocejo. — De verdade, mas se não dormir o suficiente, meu cérebro se converte em gelatina e fica sem bateria.

— Te entendo. Ao menos entendo o essencial, embora não sei que são a gelatina nem a bateria.

Ainda pude perceber sua desilusão.

— Pode ver a televisão.

— Televisão?

Retornei com Lucy para à sala de estar. Liguei a televisão e a ensinei a mudar os canais com controle remoto.

— Incrível. - ela sussurrou enquanto fazia zapping pela primeira vez.

— Sim, é algo muito útil.

Isso a manteria ocupada.

— Bom. - falei enquanto me dirigia às escadas. — Boa noite.

Ao passar ao seu lado, ela tocou meu braço. E, embora o rápido contato, senti uma descarga elétrica.

Com o rosto inexpressivo, os olhos de Lucy deixava a mostra todas as emoções que a invadiam. Percebi seu sofrimento e sua necessidade, mas sobre tudo, captei sua solidão.

Ela não queria ficar sozinha.

— Tenho outra televisão em meu quarto. Por que não vê lá o que queira, enquanto eu durmo?

Lucy me deu um sorriso tímido.

Lucy POV

Fui atrás dele enquanto subíamos as escadas.

Confesso, que fiquei totalmente surpresa pelo fato do homem ter me compreendido mesmo sem palavras. Ele havia percebido minha necessidade de companhia.

Isso me fez sentir algo estranho. Uma estranha sensação no estômago.

Ternura?

Não estou certa.

O homem me levou até um enorme quarto dominado por uma cama de casal, localizada na parede oposta à porta de entrada. Em frente da cama havia uma cômoda e, sobre ela, uma coisa, como o homem tinha chamado mesmo? Televisão?

Observei seu quarto, olhei as fotografias que haviam nas paredes e sobre os móveis.

— Vive sozinho? — perguntei.

— Sim.

Natsu POV

Me aproximei da cama e peguei meu pijama, que se resumia a apenas uma calça de moletom. Olhei para Lucy que ainda estava com a toalha verde ao redor do seu esbelto corpo. Não podia deixar que ela se metesse em minha cama daquele jeito.

"Claro que pode."

"Não, não posso."

"Por favor?"

"Cala Boca! Parte irracional de mim, fique quieto e me deixe pensar."

Lembrei que ainda guardava as roupas dos meus pais no quarto ao lado, consequentemente haviam camisolas de minha mãe, apesar de minha mãe ser mais baixinha e gordinha do que Lucy, as camisolas iriam servir, mas ficariam um pouco curtas.

— Espera aqui.

Lucy POV

Depois que o homem saiu do quarto, me aproximei das janelas e afastei as cortinas. Observei as estranhas caixas metálicas, que deviam ser automóveis, enquanto passavam em frente da casa com aquele zumbido tão estranho que não cessava um instante, semelhante ao ruído do mar. As luzes iluminavam as ruas, pareciam com as tochas que havia em minha terra natal.

Que insólito era este mundo. Estranhamente parecido com o meu, mesmo assim, tão diferente.

Tentei associar os objetos que via com as palavras que havia escutado ao longo das décadas, palavras que eu não compreendia. Como televisão e lâmpada.

E pela primeira vez desde que eu era criança, senti medo. Não gosto de mudanças.

Como será da próxima vez que me convocassem?

Poderiam as coisas mudarem muito?

E se jamais voltassem a me invocar?

Engoli seco ante aquela pensamento. E se acabasse presa durante toda a eternidade? Só e acordada.

E se eu não voltasse mais a caminhar de novo como um humano? Ou a falar com outro ser humano, ou a tocar outra pessoa?

Estas pessoas tinha coisas chamadas computadores. Um dia ouvi o dono da livraria falar sobre eles com os clientes. E alguns diziam que, provavelmente, os computadores substituiriam um dia aos livros.

O que seria de mim então?

Natsu POV

Sai do meu quarto e segui para o quarto dos meus pais. Parei em frente à porta e a dor adormecida retornou, um nó se formou em minha garganta, lutei contra as lágrimas que teimavam em brotar dos meus olhos.

Pode parecer bobeira, mas a morte de meus pais ocasionou a perda de tudo aquilo que uma vez já tive: a segurança, a fé, crença na justiça e, sobre tudo, o amor sincero de meus pais e meu apoio emocional.

Embora tivesse se passado cinco anos, ainda sinto falta deles. A dor é muito profunda. O velho ditado aquele, segundo o qual era melhor ter conhecido o amor antes de perdê-lo, era uma enorme fraude. Afirmo que não há nada pior do que perder as pessoas que lhe querem bem.

Incapaz de enfrentar a ausência, deixei o quarto como sempre esteve.

Abri a gaveta onde minha mãe guardava os pijamas e engoli em seco.

Ainda recordo a risada de meu pai. As brincadeiras sobre as insinuosas camisolas que minha mãe usava.

Pior ainda, me recordo do amor que ambos se professavam.

Daria de tudo para encontrar alguém, com meus pais se encontraram. Eles foram casados por vinte e cinco anos antes de morrerem, e o amor de ambos tinha permanecido intacto desde dia que se conheceram.

Sempre foram agarrados como dois adolescentes, e roubavam beijos quando acreditavam que ninguém os via.

Mas eu sempre via.

E agora eu recordava de tudo.

Eu queria ter esse tipo de amor. Mas por alguma razão, mais ainda não tinha encontrado nenhuma mulher.

Peguei uma camisola qualquer e sai do quarto correndo e chorando. Que merda de homem eu sou?

— Toma aqui. - falei jogando a camisola para Lucy e sai com toda pressa para o banheiro. Não queria que fosse testemunha das minhas lágrimas. Essa atitude não é digna para um homem, eu não sei o que acontece comigo. Acho que depois da morte de meus pais e a traição de Lisanna fiquei assim.

Lucy POV

Me assustei com a atitude do homem, percebi que ele entrou no quarto meio abalado.

Troquei a toalha pela roupa que o homem me deu e foi atrás dele.

— Senhor. - chamei por ele enquanto abria a porta.

Paralisei ao vê-lo chorar.

Apesar de não saber o porquê do choro senti uma onda de compaixão pelo homem. Ele chorava como se alguém lhe tivesse quebrado o coração.

E isso fez me sentir um incômodo.

Apertei meus dentes e afastei aqueles sentimentos. Algo que eu tinha aprendido durante a infância era não se aprofundar nos problemas dos outros, porque nunca trazia nada bom. Não terei que cuidar de ninguém mais que das pessoas mesmo.

Cada vez que cometi o engano de me interessar por alguém, paguei um preço com juros.

Além disso, nesta ocasião não havia tempo. Nada de tempo.

Não poderia me envolver com as emoções e com a vida do homem, pois seria mais fácil voltar a suportar meu confinamento.

E, então, as palavras do homem me golpearam com força, bem na metade do peito. Ele tinha me definido: Eu apenas iria usá-lo para conseguir prazer e depois partiria.

Eu não sou um animal. Eu também tinha meus sentimentos.

Ou, ao menos, estava acostumada a ter.

Mas sem pensar muito, entrei no cômodo e o abracei. O homem logo correspondeu o abraço e rodeou minha cintura com seus braços e se apoiou em mim. Todo seu corpo tremia.

Algo muito estranho se abriu dentro de mim. Um profundo desejo que eu não sabia muito bem como definir.

Jamais em minha vida consolei um homem, aliás, nunca vi um homem chorar.

Já me deitei com tantos que não recordava a quantidade, mas nunca, jamais, tinha abraçado um homem como estava abraçando o meu mais novo senhor. Nem depois de fazer o amor. Quando acabado meu trabalho, me levanto, me limpo e procurava algo para me entreter até ser requerida de novo.

Inclusive antes da maldição, jamais demonstrei ternura por ninguém. Nem por meu marido.

— Desculpe! — o homem murmurou, me tirando dos pensamentos.

— Se sente melhor?

— Sim. — murmurou. — Obrigado, é a propósito meu nome é Natsu.

Natsu POV

Ela não respondeu.

No lugar da uma mulher carinhosa que me consolou e me abraçou instantes antes, havia tornado a Senhora Estatua, todo seu corpo estava rígido e ela não demostrava emoção.

Deixei escapar um suspiro irado e passei ao seu lado.

E foi ai que reparei.

Que merda de camisola era aquela?

Minha mãe vestia isso? Meu Deus!

A situação estava ficando constrangedora e tive que sair dali.

— Preciso dormir.

Sabia que ela viria atrás de mim, voltei para meu quarto e me joguei na cama, me embolando no grosso edredom.

Senti o colchão se afundar, sinal que Lucy estava se deitando.

Meu coração se acelerou com o corpo da mulher junto ao meu. E a coisa piorou quando ela se aninhou a minhas costas e passou sua longa e torneada perna sobre minha cintura.

— Lucy! — gritei e logo senti minha ereção se formando. — Acredito que seria melhor que você ficasse no seu lado da cama, enquanto eu fico no meu.

Ela pareceu não prestar atenção em minhas palavras, já que inclinou a cabeça e deixou um pequeno rastro de beijos em meus pescoço.

— Pensei que tinha me chamado para aliviar a dor de suas partes baixas. - falou em meu ouvido.

— Minhas partes baixas se encontram em perfeito estado, e muito felizes tal como estão.

— Prometo que eu conseguirei que estejam muito, muito mais felizes.

Eu não tinha a menor dúvida.

— Se não se comportar, sairá do quarto.

Ela me olhou com incredulidade.

— Não entendo por que faria isso.

— Porque não vou te utilizar como se fosse uma boneca sem nome, que não tem mais razão de ser que me servir. De acordo?

Lucy se afastou finalmente me mim e se jogou na cama.

Respirei profundamente para tentar apagar o fogo que fazia ferver meu sangue e meu corpo. Era muito duro dizer não a esta mulher.

Fechei os olhos, tentei dormir.

Tinha que dormir antes de fizesse alguma loucura.


Notas Finais


Ai ai aia ai essa Lucy em hahahahhaha
Obrigado por acompanharem *-*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...