História Amantes - Capítulo 2


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Categorias Hailee Steinfeld, Halsey, Harry Styles
Personagens Hailee Steinfeld, Halsey, Harry Styles, Personagens Originais
Tags Hailee, Halsey, Harry Styles, Romance
Visualizações 15
Palavras 5.023
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Uma etiqueta de advertência



– ESPERE, VOCÊ está me pedindo em casamento?

Boquiaberta, Hailee Steinfeld fitou os belos olhos verdes-celeste, marca registrada do rosto masculino mais perfeito que ela já vira. Harry Styles, o homem mais lindo do planeta, o jovem mais quente e promissor de Hollywood, personagem principal de fantasias e alvo de obsessões, tinha acabado de dizer as palavras que todas as mulheres do país matariam para ouvir dos lábios dele. E ele não parecia estar brincando. 

– Sim, estou. Case-se comigo, Hailee. Diga que sim. 

– Mas… mas… você é uma estrela de cinema. 

– E daí? Você é uma figurinista de cinema. 

Ela resmungou. Aquilo não contava. Seu cheque pelo último filme deles foi inferior ao dele em pelo menos quatro dígitos. 

– Nós nos conhecemos desde o jardim de infância. 

– Desde o maternal. Diga que sim e eu finalmente vou perdoá-la por roubar minhas balinhas no horário da soneca no dia em que nos conhecemos. 

Ela rosnou. Não tinha roubado a droga das balinhas. 

– Foi Joey quem as roubou… você não se lembra dos dentes verdes dele? 

– Os dentes dele estavam sempre verdes. 

Ela gemeu, percebendo que ambos estavam fugindo do assunto, da quele assunto maluco. 

– Eu não posso me casar com você… você é meu melhor amigo. 

– E você é minha melhor amiga. É por isso que é tão perfeito.

Jogando os braços para o alto em frustração, ela exclamou: 

– Mas Harry, você é gay! 

Ele acenou, indiferente.

 – Ah, isso. 

– Sim. Isso. 

– Não é nada de mais. 

– Discordo. Eu não tenho um pênis, e eles estão no topo de suas preferências, pau a pau com gotas de chuva em roseiras e bigodes de gatinhos.

 – Bem, devo admitir que eles estão entre minhas coisas fa-vo-riiii-tas… 

Mas é claro que Harry iria começar a cantarolar suas piadinhas irônicas: ele tinha estrelado todos os musicais no colégio e sabia sapatear com a precisão do corpo de baile das Rockettes. Não que qualquer um que o tivesse visto em seu último filme, detonando todo um acampamento terrorista sozinho, fosse acreditar nisso.

– Mas, sério, pênis e blá-blá-blá… a maioria dos homens são uns idiotas – insistiu ele. – Eu adoro as mulheres. 

– Mas não sexualmente. 

Ele se jogou ao lado dela no sofá de couro supermacio na sala de estar de seu condomínio em Malibu. 

– Sexo não é tudo. 

– Até parece. – Para ele, talvez não fosse, já que estava completamente concentrado na carreira agora. Mas para Hailee, que gostava muito de sexo, mesmo que o praticasse raramente, era algo muitíssimo importante.

– Acho que a partir de agora simplesmente serei assexuado. – Ela bufou e revirou os olhos. – O quê? Eu sou capaz amar platonicamente. Vai ter tragédia e aquela merda toda.

– Tipo a paixão louca que você teve por aquele cara que fez papel do seu avô no seu segundo filme?

 Ele franziu os lábios, todo afetado. 

– Todo ator sério tem uma quedinha por Sir Anthony Hopkins. Ele é um Deus.

– Mas nem todo ator sério fica atrás do pênis de estranhos quando está fora da cidade, longe das câmeras. 

– Pênis enormes de estranhos – corrigiu ele. – E isso é segredo.

 – Isso é loucura. Pare de brincar.

– Gata, eu tenho de manter minha vida pessoal bem discreta por enquanto – disse ele, ficando sério. – Se eu não fizer isso, meus dias de super-herói de filmes de ação estarão acabados. É chato, mas você sabe que é verdade.

Parte dela queria instá-lo a ser fiel a si e parar de esconder o homem que era. Ela sabia sobre sua orientação sexual desde que ele mesmo descobrira do que gostava, ainda no ensino médio, quando Harry ficara irritado ao saber que Hailee marcara um encontro com o cara mais lindo da turma. Não foi difícil descobrir por que exatamente ele ficara com ciúmes. Os dois conversaram a respeito, reconheceram que Harry era gay e pronto.

A irmã de Hailee, a única pessoa no mundo mais próxima a ela do que Harry, não percebera tão rapidamente. Mas uma vez ciente, os três se tornaram uma espécie de Três Mosqueteiros, lutando pelo direito de Harry de ser ele mesmo. E agora ele queria esconder quem era para sempre. 

– Rolaram uns rumores por aí – disse ele, sem encará-la. 

Hailee deu de ombros. 

– Todo mundo sempre fala essas coisas sobre estrelas de cinema. – Harry não era a primeira celebridade de Hollywood a se preocupar com histórias sobre estar no armário, e não seria a última. Ele apoiou a cabeça no encosto do sofá e olhou para o teto. 

– Eu também já recebi algumas ameaças veladas. Ai, inferno. 

– O que você quer dizer? Ameaças de quem?

 – Só de alguém com quem tive um casinho no ano passado. 

– Chantagem? – disse ela, indignada por ele. 

– Ainda não. Mas pode chegar lá. Ele está fazendo burburinhos sobre supostamente ter algum tipo de prova. 

Hailee o olhou de forma repressora por ser tão descuidado. 

– Diga-me que não deixou o cara tirar fotos. 

– Eu pareço retardado, por acaso? – Ele soou indignado.

 – Desculpe. 

– E antes que você pergunte se deixei DNA em algum vestido azul- marinho, deixe-me explicar: só trocamos mensagens de texto.

 – Isso é mole de falsificar – disse ela, acenando de forma graciosa. 

– Sim, mas veja o que aconteceu com Tiger Woods.

Verdade. As mensagens de texto definitivamente poderiam se voltar contra ele. Ela fez uma nota mental. Da próxima vez que estiver prestes a romper com alguém, peça o celular emprestado antes para destruir provas.

 Ele se virou para encará-la. 

– Entende por que isso é tão importante? Com este artigo do tabloide insinuando que vou me comprometer com você, acho que posso apagar o fogo por um tempinho. Uma vez que eu me estabelecer nesta nova franquia de filmes, posso empinar o nariz, cair fora e passar a fazer filmes alternativos mais inteligentes.

Não seria difícil para Harry empinar o nariz, embora Hailee soubesse que era puro fingimento. Ele quase sempre agia como um personagem. No momento, lhe convinha desempenhar o papel de estrela mimada de Hollywood. Mas bancar o marido dela? Isso careceria de habilidades dignas de um Oscar.

– Por favor, Hailee, estou implorando – pediu ele. – Dê-me apenas alguns anos, uns cinco no máximo. Nós dois sabemos que este não seria o primeiro casamento-de-cinco-anos-para-esconder-que-sou-gay de Hollywood.

Cinco anos. Será que ela conseguiria abrir mão de cinco anos de sua vida? Tudo bem, Hailee tinha apenas 26 anos, não estava saindo com ninguém e não tinha interesse em se estabelecer e ter filhos até chegar na casa dos trinta. Mesmo assim… era um compromisso e tanto.

– E não haverá nenhum acordo pré-nupcial. Você pode ficar com metade de tudo que eu ganho. 

Os olhos dela quase saltaram das órbitas. Harry percebeu a reação dela e atacou: 

– Você sabe que o dinheiro cairia bem, já que você nunca me deixa te ajudar com nada. Você pode ajudar seus pais e sua irmã, dar dinheiro ao seu avô para recuperar aquela vinícola falida que ele comprou no ano passado.

Verdade. Que droga que ele a compreendia bem o suficiente para saber exatamente quais botões pressionar.

– E vai ser divertido. Vamos desfilar juntos no tapete vermelho. – Ele pôs um braço sobre os ombros dela e a puxou para si. – E vou ser todo romântico quando fizer meu discurso de vencedor do Oscar e agradecer à mulher enlouquecedoramente sexy que tornou tudo possível. 

Hum. Aquilo parecia divertido.

– Ainda há um grande problema – disse ela finalmente. – Eu gosto de sexo. Cinco anos é muito tempo para ficar sem. 

– Você não precisa ficar sem sexo – insistiu ele. 

– Eca – falou ela, empurrando o braço dele.– Isso seria como transar com meu irmão. Meu irmão gay.

 – Eu não estava falando de mim! Você pode ter casinhos. 

– Que brega. Além do mais, isso iria realmente suscitar fofocas. Eu já estou no radar daqueles sanguessugas.

Hailee odiava isso, de verdade. Ser alvo de fofocas era irritante, e ela detestava duplamente a ideia de algumas pessoas concluírem que ela havia iniciado sua carreira em Hollywood por causa de Harry. Se muito, ele conseguira sua primeira chance através dela. Tinha ido visitá-la no trabalho em um dos estúdios um dia, conheceu um diretor de elenco e… bem… o resto é história.

– Olha – disse ele –, nós dois sabemos que você tem um zilhão de gigabytes de memória interna quando se trata de sexo. Você já armazenou experiências suficientes para compensar períodos de seca do passado.

Ela não podia discutir isso, mas mostrou a língua para ele mesmo assim. Não era legal da parte dele apontar todos os seus períodos de seca, geralmente causados porque Hailee tinha o mau hábito de sair com caras muito mais focados em bens materiais e nas próprias ambições do que nela.

 – Aonde você quer chegar com isso? 

– Então… Vou te mandar para uma viagem de duas semanas à França. Você pode transar desde Bordeaux até Paris, livre dos paparazzi. Uma vez que armazenar alguns orgasmos no disco rígido da sua libido, você pode voltar para casa e nós anunciamos nosso noivado.

 Ele sempre conseguia fazê-la rir. 

– E se meu computador vaginal travar? Vou ter de recorrer a um bordel para fazer uma limpeza de emergência e descarregar meu drive?

– Eu aposto que você aguenta uns dois anos sossegada. Aí, quando estiver rastejando e fora de si de novo, vou pagar para você ir para a Austrália e mergulhar um pouco de camarão nesse seu molho.

Ele disse as palavras com um sotaque caipira bem brega e Hailee não conseguiu evitar as risadas. A coisa toda era um absurdo, ridículo.

Mas o mais louco de tudo, era que ela estava pensando seriamente no assunto.

Não apenas porque amava Harry, ou porque podia ser divertido bancar a esposa de Hollywood. Não, e sim porque o dinheiro realmente cairia bem. Seus pais tinham sido felizes na casa na Flórida, onde ela havia crescido. Mas desde que seu pai enfartara há dois meses, eles ficaram apertados financeiramente.

Sua irmã havia acabado de se formar na faculdade e tinha uma montanha de dívidas. E seu maravilhoso e teimoso avô tivera uma ideia maluca e adquirira uma antiga vinícola caindo aos pedaços no norte da Califórnia, há um ano. O lugar sequer tinha uvas à vista, e vovô não tinha ideia de como cultivá-las, e muito menos de como transformá-las em vinho. Mas ele estava determinado a fazer seu trabalho por lá.

Então, sim, o dinheiro viria a calhar. Harry tinha se oferecido para ajudar, mas Hailee não iria aceitar caridade. Ela sempre trabalhava pelo que ganhava. E, francamente, se era preciso desistir do sexo por cinco anos, ela iria estar batalhando por cada centavo. Porque, independentemente do que Harry dissesse, ela nunca arriscaria ter um caso após o anúncio do noivado, pois estaria sob a mira dos paparazzi, mais do que nunca. A tal aventura na França seria o resumo de sua atividade sexual por cinco anos, anos longos, solitários e recheados de vibradores.

Será que ela era capaz de fazê-lo? Por Harry? Por sua família? Pelo dinheiro?

– Então, o que me diz? Por favorzinho? – perguntou ele, piscando os olhinhos verdes e oferecendo seu sorriso incrível. Aquele sorriso, o senso de humor malicioso e sua veia inata para a gentileza sempre faziam Hailee ceder. Ele merecia a carreira brilhante que possuía. Nenhum chantagista psicopata deveria ter o direito de tirá-la dele. 

– Ah, inferno.

– Adeus, todos os pênis do mundo.

– Acho que topo. 

– Oba! Você é a melhor amiga do mundo. – Ele socou os punhos no ar, em seguida, se abaixou sobre um joelho. Tomando a mão de Hailee, olhou para ela com adoração, interpretando o personagem homem-apaixonado. Se fosse colocado num filme de Nichola Sparks fazendo par com Emily Blunt, ninguém jamais iria imaginar que ele já tinha seduzido o principal jogador de futebol americano do colégio. – Hailee  Caribe Steinfeld, aceita se casar comigo? 

– Sim, aceito. Agora levante-se, idiota. E ligue para seu agente de viagens porque com certeza vou levar muito a sério a coisa de Paris. 

– Ou talvez a Itália, para encarar uma linguiça picante?

– Bobão – disse ela enquanto ele meneava as sobrancelhas sugestivamente. – Espera… Irlanda! Eu sei que você sempre gostou de irlandeses. 

– Não, a França serve. Eu não quero que meu brinquedo sexual saiba falar inglês. Eu não preciso dele para uma conversa, e definitivamente não quero que ele fale com qualquer repórter que fique rondando por aí.

Ela duvidava que fosse se deparar com um super gato absolutamente incrível que lhe daria o equivalente a cinco anos de orgasmos em duas semanas, mas valia a pena tentar. Ela aproveitaria ao máximo, de qualquer maneira, e ninguém iria impedi-la de se empanturrar em um último banquete sexual antes de entrar num regime de cinco anos de celibato.

Antes que Herry pudesse telefonar para o agente de viagens, no entanto, o celular de Hailee tocou. Ela atendeu, ouviu e percebeu que estivera enganada. Alguém podia detê-la. Podia acontecer alguma coisa que a faria mudar totalmente de ideia e repensar os planos. Porque pensando bem, sua necessidade de estocar algumas lembranças sexuais não poderia nem mesmo começar a competir com sua família, principalmente quando alguém que ela amava estava ferido e precisava dela. E seu avô, a quem ela adorava, estava machucado e precisava dela.

Sendo assim, dentro de algumas horas Hailee estava no aeroporto, aguardando para embarcar em um avião, não para a França e os orgasmos, mas para São Francisco e sua família. Ela ficaria ao lado de seu avô pelo tempo que precisasse… mesmo que tivesse de sacrificar qualquer oportunidade de encontrar um homem capaz de realizar seus sonhos mais perversos.

DEITADA NA cama do pequeno chalé do caseiro, o qual ela agora chamava de lar, Halsey Nicolette Fangipane subitamente se flagrou bem acordada, imaginando o que havia lhe despertado de seu sono. Estava exausta, o corpo dolorido depois de um longo dia de trabalho duro, seguido por uma noite em um hospital. Depois de vinte horas de pé, ela apagara totalmente. Quando chegou em casa, tomou banho, deitou-se no colchão e adormeceu em minutos. Até agora. Ela estava ali, deitada em meio à quietude, piscando, olhando para o teto, que ainda não lhe parecia familiar, embora ela já dormisse debaixo dele há quatro meses. O momento de silêncio se estendeu, sendo quebrado apenas pelo uivo fraco e distante de um coiote. Vinda de Los Angeles, ela ainda não tinha se acostumado ao silêncio ali no norte da Califórnia. Sonoma era conhecida por seus famosos vinhos, mas sua paisagem era espetacular, com milhares de hectares de um deserto selvagem. A propriedade onde ela morava por vezes parecia estar no meio de uma ilha deserta.

E esse era exatamente o motivo pelo qual ela tinha se mudado, abandonando sua antiga vida rumo ao norte, escolhendo a região das vinícolas tanto por causa dos laços familiares àquele local quanto por seu amor inerente pela região. Estar longe da massa fervilhante de gente em Los Angeles soara como uma boa maneira de se reagrupar, de recuperar seu senso de identidade. Ela também queria recuperar o senso de certo e errado, o qual tinha começado a perder quando se embrenhara na velha armadilha da ascensão na carreira e ambição. Ela precisava tirar um ano ou dois de folga, fugir do mundo, pagar penitência pelos erros que cometera e descobrir o que ia fazer a seguir. Uma coisa era certa: ela não ia voltar para o escritório em Los Angeles.

– Vi, vivi e não voltarei – sussurrou. Seu trabalho como promotora a havia desmoralizado, esmagado sua veia otimista e causado uma forte aversão pela profissão que escolhera.

Olhando para o relógio de parede e verificando que eram quase três horas da madrugada, ela se acomodou em sua cama pequena e irregular, que já estava no chalé mobiliado quando Halsey chegara lá. Mas bem antes de fechar os olhos novamente, ela notou as sombras brincando pelo teto. Foi aquilo que a acordou. Não um ruído, mas uma luz.

Quando ela foi se deitar, à uma da madrugada, estava um breu completo lá fora. O céu estava encoberto já há alguns dias, ocultando as estrelas e a lua – geralmente brilhantes naquela área longe das luzes urbanas – atrás de um banco de nuvens. Ela ouvia a queda suave da chuva agora. Mas havia uma luz vindo de algum lugar. Era perceptível contra a escuridão absoluta, e se infiltrava pela janela sem cortinas.

Levantou-se e olhou para a casa principal. Um facho tépido e dourado brilhava lá dentro, quebrando a escuridão.

Estranho. Ela não se lembrava de ter deixado a luz acesa, e a casa era para estar vazia. O proprietário, o sr. Steinfeld, estava internado à espera de uma cirurgia no quadril quebrado. O velho morava sozinho, e Halsey ocupava o chalé do caseiro nas proximidades. Ninguém mais vivia num raio de alguns quilômetros ali. Halsey tinha falado com a filha de seu chefe mais cedo, e ela

dissera que iria tentar pegar um voo da Flórida nos próximos dias. Mas de jeito nenhum que ela teria chegado tão rápido. Então quem estaria à espreita na casa?

Ela não se desvencilhara tanto assim de Los Angeles, e seu trabalho como promotora pública – tendo processado alguns dos criminosos mais violentos do país – durara tempo suficiente para ela simplesmente presumir que o visitante era um vizinho amigável e preocupado. Ha, ha. Até parece. O sr. Steinfeld era relativamente novo na área. Ele não se socializava muito; grande parte da comunidade o considerava louco por ter comprado uma velha ruína de uma vinícola que estivera no mercado durante apenas três anos.

Ultimamente os jornais vinham noticiando algumas invasões em regiões periféricas, até mesmo alguns posseiros se aproveitando de execuções hipotecárias abandonadas. E ao passo que o Sr. Steinfeld não tinha muita coisa de valor naquela velha e gloriosa ruína que ele chamava de lar, de jeito nenhum que Halsey permitiria que o sujeito fosse vitima de furto enquanto estivesse deitado indefeso na cama de um hospital.

Ela estendeu a mão para pegar a calça jeans que havia tirado algumas horas atrás. Tinha uma crosta de sujeira proveniente do longo dia anterior. Ela não tinha tido tempo de se trocar antes de acompanhar a ambulância que gentilmente levara seu velho patrão para a sala de emergência. Mas diabo, se eles eram bons o suficiente para os médicos e enfermeiros do Hospital de Sonoma Valley, eles eram bons o suficiente para o Sr.

Halsey deixou sua casinha, seguindo a tal iluminação. Seus pés descalços escorregavam na grama molhada e a chuva fria lhe pinicava. Passando pelo galpão de ferramentas, o qual se situava entre seu chalé e a casa principal, ela estendeu a mão e agarrou um ancinho. Não queria ser obrigada a se proteger, mas era melhor prevenir a remediar.

Estranho alguém escolher exatamente aquela casa para roubar. O lugar podia até ter sido uma atração turística antes – Halsey tinha visto fotos de seus dias de glória, quando o local fora propriedade de sua família. Era uma herança a partir de seu bisavô, que tinha sido uma estrela do cinema mudo. Seu tio a vendera há uma década, e o proprietário que a adquirira depois acabara indo à falência. Agora o sr. Steinfeld o dono atual, estava tentando restaurá-la. Halsey esperava que ele fosse bem-sucedido na empreitada: o esqueleto de uma bela mansão continuava lá. Mas no momento, porém, era um acervo caindo aos pedaços, mantido de pé tanto pelas camadas de tinta nas paredes como por quaisquer vestígios de uma fundação.

A varanda costumava ranger, sendo que a terceira tábua era a mais barulhenta, por isso Halsey a evitara ao se aproximar da porta. Ela estendeu a mão para a maçaneta, que se abriu facilmente. Não era um bom sinal. Lembrava-se de tê-la trancado esta noite, pouco antes de ir para seu chalé. O velho muitas vezes se esquecia de travá-la, sentindo-se seguro na região rural, mas Halsey não tinha perdido aquela necessidade de segurança típica das cidades grandes.

Ao entrar, ela quase tropeçou numa maleta de rodinhas, e ficou imediatamente curiosa em relação àquele invasor que carregava uma mala Louis Vuitton.

Um tinir de utensílios veio da cozinha. Então o ladrão tinha decidido fazer um sanduíche? Um pouco de presunto e queijo suíço para ornar o arrombamento e a invasão? Nada daquilo fazia sentido. A cozinha ficava nos fundos da casa. Espreitando para chegar lá, sem ideia do que esperar, Halsey parou à porta. Quando espiou, congelou em sua incerteza.

Não era um ladrão. Pelo menos, não o tipo de ladrão que ela já tinha visto ou imaginado, a menos que gatunos agora viessem disfarçados de jovens mulheres altas com cabelos volumosos cor de mel, os quais formavam uma cascata de mechas úmidos que iam até o meio de costas delgadas. Ela estava junto à pia, enchendo duas coisas: um copo d’água e uma calça jeans com a bunda mais incrivelmente perfeita que Halsey já vira.

Ela prendeu a respiração, seu coração deu uma guinada e suas partes baixas despertaram também. Enquanto Halsey observava, ela levantou a mão trêmula e passou nos longos cabelos, o cansaço evidente em cada movimento. Seus ombros caídos também reforçavam isso.

Halsey vasculhou mentalmente uma lista de possibilidades e se agarrou à hipótese mais provável. Uma neta. O srn Steinfeld tinha mencionado que sua neta morava em Los Angeles. Ela provavelmente viera depois de saber do acidente do avô.

Bem-vinda ao norte da Califórnia, querida. E obrigado por melhorar a visão trazendo esta bunda linda com você.

Halsey piscou, tentando limpar a mente. Já tinha admirado o suficiente para uma noite, especialmente se considerasse que era o traseiro de uma mulher cujo avô era um dos poucos homens que Halsey verdadeiramente respeitava. 

– Ca-ham – disse Halsey, limpando a garganta.

 A mulher deixou o copo cair. Foi de sua mão ao piso, explodindo num vulcão de estilhaços, espirrando água em sua calça. Dando meia-volta, os olhos arregalados e a boca aberta, ela a viu parada ali e soltou um grito sufocado de alerta.

– Opa, opa – disse Halsey, percebendo como sua aparência devia parecer suspeita: vestinda jeans sujos… e de repente se deu conta… ainda segurando um ancinho afiado e ameaçador. A mulher, que era para lá de sexy, tinha um lindo rosto emoldurado por fios grossos cor de mel, estava olhando para ela como se Halsey tivesse aparecido em sua frente em um beco. 

– Eu não vou…

 Ela ia falar te machucar. Mas antes que pudesse dizer palavra, uma panela voou em direção a sua cabeça. Ela ergueu um braço para desviá-la, gemendo quando o metal lhe acertou o cotovelo, fazendo-a cambalear de costas pelo corredor. Halsey mal conseguiu ficar de pé. Se não fosse pelo ancinho, no qual se apoiou de súbito, poderia ter caído no chão.

Mas o ancinho não pôde auxiliá-la quando uma frigideira veio logo depois da panela.

Um segundo depois, ela estava no chão, esfregando o meio do peito. Ela se concentrava em tentar recuperar o fôlego, que havia sido roubado de seus pulmões como se ela tivesse sido nocauteada por um híbrido de Muhammad Ali com Mike Tyson. A frigideira provavelmente era feita de ferro fundido, e a mulher a arremessara como um disco empunhado por um campeão olímpico.

Halsey ergueu as mãos em sinal de rendição, tentando formar palavras, embora seu corpo tivesse se esquecido de como respirar e suas costelas estivessem clamando para ter a cabeça da moça numa bandeja. Enquanto isso, o ancinho, no qual ela tinha se agarrado quando tropeçou, tombou para a frente. Só para acrescentar um pouco de insulto ao ferimento, a ferramenta pousou no ombro de Halsey, e só então ressoou no chão, ao lado dela. Dor, esta é agonia, puxe uma cadeira e fique à vontade, sim? 

– Saia, eu vou chamar a polícia! – ordenou ela enquanto tentava pegar mais uma panela na pia, toda atrapalhada.

– Opa, moça, calminha aí – arquejou ela, finalmente. – Eu não… vou… te machucar.

– Isso é o que qualquer maníaca, psicopata, assassina do machado diria.

Se o peito dela não estivesse doendo tanto, e ela não estivesse com medo de a mulher pegar o conjunto de facas ao lado, teria refletido sobre aquela declaração, se perguntando em qual das opções ela achava que Halsey se encaixava: maníaca, psicopata ou assassina do machado? Todas as anteriores? Imaginação fértil essa. 

– Eu sou a caseira… – disse ela com um gemido quando a dor em seu peito diminuiu, apenas para lembrá-la da dor no cotovelo. Dor de cotovelo não é nada perto disso. – Eu trabalho aqui.

Ela congelou, outra panela na mão, um telefone celular na outra, e ficou encarando-a a alguns metros de distância. 

– Você trabalha aqui? 

– Sim, trabalho para o sr Steinfeld. Meu nome é Halsey. Vi as luzes e temi que alguém tivesse invadido a propriedade.

Ela a encarou, seu olhar passeando pelo filete de sangue que Halsey conseguia sentir escorrendo em seu braço. Obviamente, ela havia rasgado a pele, se não quebrado um osso, com sua habilidade maluca de atiradora-de- panelas.

 Mordiscando o canto do lábio suculento, ela murmurou: 

– Ai, caramba. 

– Sim. Ai, caramba. Você sabe arremessar. 

– Eu sinto muito. Sou Hailee Steinfeld. 

– Halsey. – Você já disse isso.

 – Eu sei – murmurou ela, percebendo que a conversa não estava fazendo nenhum sentido. O único lugar que ela não tinha atingido fora a cabeça, mas seus pensamentos ainda eram um turbilhão enquanto ela tentava descobrir por que diabos estava reagindo tão fortemente a uma mulher que tinha acabado de tentar matá-la.

– Você é irlandês? – perguntou ela com uma carranca profunda, parecendo mais preocupada do que quando achara que Halsey era um a maníaca que matava usando um machado.

– Meu pai é. Moramos em Cork durante alguns anos quando eu era criança – contou ela, se perguntando se sua voz ainda tinha uma pitada de sotaque. Também estava se perguntando por que isso era relevante.

Não vendo a necessidade de discutir sua etnia, Halsey cambaleou e ficou de pé. Não estava muito firme em cima deles, e seus pulmões ainda queimavam. Hailee praticamente a nocauteara. Tonta ou não, ela era incrivelmente sortuda por nenhum daqueles mísseis voadores a terem atingido na cabeça. Eles realmente poderiam ter causado um belo dano. Mas as preocupações sobre o que poderia ter acontecido se dissiparam assim que ela a encarou, do outro lado do cômodo. Agora que não temia por sua vida, flagrou-se emudecida pela beleza daquele rosto de contornos delicados. Sobrancelhas escuras se arqueavam acima de olhos expressivos, os quais ainda estavam arregalados de medo e surpresa. Mais abaixo, um par de maçãs do rosto proeminentes e suaves que convidavam a uma exploração cuidadosa. Os lábios incríveis pareciam moldados para muitos beijos profundos. O queixo dela estava empinado, determinado e forte, como se Hailee não estivesse disposta a baixar a guarda por completo. Halsey gostava daquilo… e gostava principalmente do fato de ela permanecer firme, muito embora seu longo pescoço delgado estivesse trêmulo e se movimentando enquanto ela engolia sua ansiedade e desconfiança instintivas.

Ela usava uma blusa transparente delicada, toda nuvens e cores. A peça se moldava aos ombros esbeltos, revelando uma expansão suave do tórax e da clavícula. A pele era macia, delicada, e Halsey encolheu os dedos ao se imaginar tocando aquela maciez toda. A gola canoa se postava logo acima dos seios fartos, revelando um pouco do vão entre eles, fato que a deixara mais desprovida de fôlego do a frigideirada em si.

Ela continuou sua leitura atenta, olhando para aqueles quadris curvilíneos de frente, tão deliciosos quanto o restante, e para as coxas sob o jeans justinho, cujas barras terminavam em botas de salto alto. Diabo, ela deveria ter usado aquelas coisas como arma; os saltos altíssimos poderiam ter talhado um buraco em seu coração.

Hum. Ela desconfiava que aquela mulher poderia talhar seu nome no coração de qualquer pessoa. Isso, é claro, se ela tivesse um ainda apto a ser aberto e talhado.

– Você é neta de do sr. Steinfels, presumo? – perguntou ela finalmente, uma vez que seu cérebro voltou a funcionar.

A palavras dela tiraram Hailee de seu longo momento de descompressão. Aparentemente percebendo que não ia ser pilhada por uma maníaca ou assassinada com um machado, ela assentiu rapidamente.

– Sim. Eu sou uma idiota. Minha mãe me disse que a casera do vovô tinha sido a pessoa que telefonara para dar a notícia de que ela estava no hospital. Não acredito que confundi você com uma invasora. – Ela virou-se e pegou um punhado de toalhas de papel, caminhando até a Halsey, os olhos grudados no braço sangrando. – Eu realmente sinto muito. Deixe-me ajudá- la.

Quando Halsey viu que ela ainda estava armada, deu um passo para trás.

– Largue a arma letal primeiro, pode ser? 

Olhando para a panela em sua mão, Hailee mordeu o lábio timidamente e obedeceu, abrindo os dedos e soltando a vasilha no chão. Bem, não exatamente no chão. Pousou no pé descalço de Halsey antes. A panela caiu com um estrondo, esmagando os dedos do pé dela e, em seguida, rolando pelo linóleo.

– Ai, Jesus – berrou Halsey, agarrando o pé achatado e saltitando sobre o outro.

Os belos olhos se arregalaram ainda mais quando Hailee percebeu o que tinha feito. Com um arfar estrangulado, Halsey fugiu dela e recostou-se contra a parede.

– Para trás. Por favor. Apenas fique longe de mim. – Com o corpo inteiro latejando, ela acrescentou: – Nossa, moça, você deveria vir com uma etiqueta de advertência.

Heilee pôs a mão sobre a boca, consternada, e curvou o tronco. Aparentemente pequenos soluços estavam irrompendo de seus lábios, e seu corpo tremia. Ótimo. Simplesmente ótimo. Lágrimas. Halsey afastou a reação instintiva rapidamente, percebendo que ela tivera uma noite dos infernos. Obviamente tinha viajado do sul da Califórnia até ali às pressas para estar com seu avô ferido. Estivera sob efeito de altas doses de medo e adrenalina antes mesmo de achar que estava prestes a ser atacada por uma estranha empunhando um ancinho. Qualquer um teria reagido de forma exagerada.

Percebendo que ela estava realmente humilhada, Halsey pôs o pé no chão, rezando para que não houvesse ossos quebrados, e tentou não estremecer quando testou seu peso em cima dele.

 – Está tudo bem… Eu estou bem. Acidentes acontecem. 

Hailee se aprumou e a fitou, aqueles olhos avaliando-a com atenção. Mas ela não abaixou a mão, e agora seus ombros estavam tremendo enquanto ela emitia sons abafados. Engraçado, seus olhos não estavam úmidos, como se cheios de lágrimas. Na verdade, se Halsey tivesse de adivinhar, diria que eles estavam quase cintilando em vez disso.

A desconfiança invadiu a mente dela. Halsey esticou o braço, puxou a mão que lhe cobria a boca e percebeu a verdade.

Hailee não estava chorando. Estava rindo de maneira quase incontrolável.



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