História Amar é preciso - Capítulo 28


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Famí­lia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Lírica, Orange, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


GENTE, VOLTEI <3
Quase chorei com o número de comentários. :’) Vocês arrasam demais. Muito obrigada :3
Bom, sem mais delongas, leiam o capítulo e as notas finais <3

Capítulo 28 - Dicotomia Sentimental


 

 

Não demoro a sair da sala dos professores. Embora ainda que a raiva de tudo o que está acontecendo me aflija, saio tranquilamente da sala. Vejo a diretora Edith perto de sua sala, sorrimos uma para a outra e sigo o meu caminho em direção a minha turma.

Depois de explicada a situação a Melissa durante o intervalo, ela parece não crer no que digo. Ou melhor, dizendo, crê e a sua indignação com as atitudes de Marina é visível.

 — Eu não acredito que ela fez isso!

— Fala baixo! — Repreendo-a por estarmos na biblioteca e porque alguém poderia ouvi-la — Olha, só estou te contando porque não quero mais esconder nada de você, está bem? Mas fala baixo.

— Desculpa. E o que você pensa em fazer?

— Como assim fazer? Não vou fazer nada.

— Você deveria, sei lá, conversar com seus pais sobre o que está acontecendo. Lógico que você não vai dizer que estava pegando a Marina, né? Mas... ah, sei lá.

— Primeiro que não faz sentido eu falar com meus pais sobre isso. Segundo que por algum motivo minha mãe e Marina já se conheciam e se odeiam ou qualquer coisa do tipo. Se elas não se bicam, eu não vou aumentar ainda mais isso e...

— Espera, elas não se gostam? Por quê?

— Então, eu não sei. Eu perguntei algumas vezes para a Marina, mas ela se esquivava, então deixei pra lá.

— Você é lerda, hein, Ana Clara?

— Lerda? Do que você está falando?

— Não disse que é lerda? — Balança a cabeça negativamente — Não estou querendo passar a mão na cabeça da Marina. Longe de mim querer fazer isso, aliás. Mas pensa comigo, se elas não se dão bem, talvez isso tenha colaborado para esse término repentino, não?

— Não, isso não faz sentido, Mel.

— Pode ser que eu esteja errada, mas para mim faz muito sentido. Sabe como você pode descobrir se foi isso mesmo? — Levanto as sobrancelhas como um sinal para que ela prossiga — Perguntando e obtendo respostas. Coisa que você deveria ter feito assim que descobriu que elas se conheciam e mais, que não se gostavam.

— Eu pensei em fazer isso, mas fiquei com medo de dar muita bandeira.

— Tem esse risco mesmo. Mas tenta ser sutil quando perguntar.

— Mel, eu nem quero mais pensar na Marina. Também não quero ficar fuçando o passado dela e da minha mãe. Só quero esquecer isso. Ela me deu um pé na bunda e era questão de tempo para ela fazer isso. Eu apenas não queria aceitar.

Embora queira realmente apenas deixar isso para lá, a dúvida fica pairando sobre minha cabeça. Talvez uma pergunta aqui e ali não seja algo tão ruim assim... Não, preciso esquecer isso.

Ao longo do dia faço o possível para não me esbarrar com Marina, o que surte efeito. Quero ver conseguir fazer isso por um semestre. Já sinto falta do seu cheiro, do seu beijo... Da sua companhia. Não deveria, é certo, mas, para meu tormento, a raiva e a falta que sinto dela parecem se misturar.

Quando a turma é dispensada, vou com Melissa rumo à saída, mas, para minha surpresa, dou de cara com Francisca num dos corredores. Abraça a Melissa e eu e nos “prende” por alguns poucos minutos. Realmente foram poucos, mas como Melissa teria algum compromisso no período da tarde, se despediu de nós duas. Como que aliviada pela saída de Melissa, Francisca me chama para conversar mais reservadamente. Acabo concordando. Talvez conversar com ela me distraia um pouco. Instantes depois, o mais discreto possível, saímos do colégio em seu carro e paramos um barzinho não tão distante.

— Então, você está bem? — Pergunto após nos sentarmos numa mesa com nossos sucos.

— Depois de uma temporada em Portugal, estou restaurada. Aquele lugar me traz uma paz enorme.

— Eu também estava! — Digo surpresa — Fiquei em Bragança porque é onde minha avó mora. Você ficou onde?

— Beja.

— Eu fui lá também, mas só fiquei durante um final de semana.

— Festas em Festas em Honra de NªSª do Carmo?

— Exato. Você também participou?

— Mais ou menos... — Sorri nostalgicamente e acaba mordendo o lábio inferior.

— Cara de quem aprontou! — Digo rindo de sua cara.

— Quase aprontei. Conheci uma mulher durante as comemorações... — Respira fundo como se voltando à realidade — Ai, mas não foi para isso que te chamei.

— Não quer falar sobre o coraçãozinho? Tudo bem. Manda lá, o que foi? — Mas uma vez ela respira fundo, mas dessa vez sua feição tornasse mais séria.

— Ana, o que você fez com a Marina?

Parece que isso não vai acabar nunca.

Como esquecer se é tão recente? Como esquecer se sempre haverá algo ou alguém para me lembrar dela?

Eu quero esquecer.

Pelo menos tentar.

— Acho que essa pergunta está invertida, não? — O meu entusiasmo vai embora com a mesma rapidez com que chegou — Deveria ser: “Ana, o que a Marina fez com você?” — Tomo um pouco da bebida e tento não transparecer a dor da recente perda — Vocês conversaram?

— Mais ou menos. Como eu sou amiga da Marina, Edith me perguntou se havia algum problema entre vocês duas por conta de uma troca de professores. Obviamente eu não sabia já que a Marina resolveu se fechar completamente. Esses dias, tentei conversar, mas ela se esquivou e disse que seguir o meu conselho de ir atrás de você foi o maior erro dela.

— Eu não sei o que aconteceu, Fran. Se fui um erro para ela, não posso fazer nada. Só sei que não fiz nada para que ela esteja assim. O pior é que ela nem mesmo me deu uma explicação decente, sabe? Ela simplesmente resolveu me afastar sem mais nem menos e deixar bem claro que não significo nada.

— Marina não é assim, Ana. Ela jamais se envolveria com você se não sentisse algo. Ela não é leviana. Não aconteceu nada para que ela tenha se afastado? Alguém desconfiava de vocês?

A noite em que trocamos fotografias me vem a mente. É possível que tenha sido isso, certo?... Não, ela não seria ingênua a ponto de deixar alguém ver aquelas fotografias.

— Só quem desconfiava era a Melissa. — Suspiro por não mais querer ter essa conversa — Fran, eu te adoro e você sabe disso, mas não quero mais falar sobre isso. Se o que você tinha para falar comigo era só isso, melhor a gente encerrar por aqui. Me leva para casa?

Apesar dos pesares, a companhia de Francisca é sempre muito reconfortante. Ela me leva até em casa e a quietude do caminho faz com que minha mente divague.

Assim que estaciona o carro enfrente ao meu prédio, me dirige a palavra forçando um tom sensual a sua voz:

— Há alguns meses, como queria que alguém tivesse quebrado seu coração e você viesse afogas as mágoas comigo.

— Egoísta! — Balanço a cabeça negativamente e a encaro fingido raiva.

— Eu já tinha te dito que era egoísta. Se minha amiga não fosse apaixonada por você...

— Ela não é.

— Isso significa que eu tenho alguma chance? — Aperta os olhos e aperta minha perna. Acabo não aguentando e caio na gargalhada porque a cena não é nada natural a nenhuma de nós.

— Não, Francisca Campos. Quem vê falando assim nem pensa que quinze minutos atrás estava suspirando por causa de um rabo de saia português.

— Eu estou brincando, criança. Como que vocês chamam?... Talarico. Eu não sou isso. Você e a Marina se gostam e eu não vou me meter. Melhor dizendo, vou tentar entender o que aconteceu. E sobre a mulher que conheci em Portugal, ela era brasileira.

— Se um dia eu for à Noruega, tenho certeza que encontrarei um brasileiro por lá. Estamos em todos os lugares do globo.

— Não duvido. — Diz rindo. — Bom, acho melhor você ir para sua casa.

— Sim, senhora. — Minha mão vai em direção à porta, mas me lembro de algo dito por Melissa. Perguntar. — Fran, a Marina já te falou sobre uma mulher chamada Antônia?

— Antônia... Antônia. Não é o nome da sua mãe? — Confirmo com a cabeça. — Não, nunca. Por quê?

— Nada não. Bom, tchau.

— Tchau. Se cuida e qualquer coisa você tem meu número. — Dou-lhe um abraço apertado e um beijo na bochecha.

Quinta-feira. Já. O tempo parece que vai passando cada vez mais rápido, embora às vezes ele seja angustiante. Ficar esbarrando com Marina pelo colégio parece um castigo. Se por um lado quero-a longe de mim, por outro a quero junto.

Maldita dicotomia sentimental.

O que me consola em parte é o fato de que a nova professora de português, Margarida, é uma pessoa muito gentil, super carinhosa com os alunos e com isso acabo não me lembrando de Marina durante suas aulas.

Achei-a meio maluca, é verdade, mas nada com o que se preocupar. Apenas seus métodos de ensino são um tanto diferentes dos métodos dos demais professores; a começar pelo fato de que insiste em que os alunos formem um grande círculo durante as aulas e que tenham muito – mas muito – contato com as literaturas africanas – o que para mim será um desafio, já que jamais li (pelo menos até onde sei) algo produzido no continente africano.

No primeiro dia de aula com ela, alguns alunos abraçavam-na saudosos e chamavam-na de Laura Pausini. A princípio não soube o porquê, mas depois, quando iniciada a aula, pude notar os seus dentes dianteiros falhados e logo entendi de onde vinha o apelido.

O sinal bate anunciando o fim da aula e Melissa e eu saímos juntas.

— Sabe o que eu estava reparando? — Melissa prossegue — A Babi ainda não deu as caras.

— Eu reparei. Mas ela é meio doida então nem me preocupo muito com seu sumiço. Se duvidar, a gente esbarra com ela na saída.

— Verdade. E, vem cá, já começou a ler aquele livro que você me disse? Da aula da Margarida.

— Ainda não. Acho que vou dar uma passada na biblioteca para ver se tem por lá. Vamos? — Melissa faz uma cara de quem não aguenta mais a escola — Preguiçosa.

— Vamos procurar esse livro noutra biblioteca ou livraria, sei lá.

— Pode até ser, mas primeiro vou ver se tem nessa aqui.

— Posso vazar?

No fim das contas, a cretina vai mesmo embora.

Já na biblioteca, procuro pelo livro e não o encontro. Ao deixar a sala, penso que seria melhor ter ouvido Melissa e procurado pelo livro em outro local. Depois combinarei isso com ela direitinho.

Caminhando a passos um tanto lentos, vou seguindo pelo corredor da biblioteca. Quando já avisto as escadas, sou puxada com força para dentro de uma sala.

— O que pensa que está fazendo? — A voz de Marina é baixa, mas forte.

— Me solta. — Tiro a sua mão do meu braço e olho-a furiosa. — O que VOCÊ pensa que está fazendo? — Ela se vira, encosta a porta e depois se volta a mim. — Você perdeu a noção? Vão pensar besteiras se nos virem aqui!

— Você está se envolver com a Francisca!!! — Ela diz ignorando totalmente o que eu disse.

— O quê? De onde você tirou essa maluquice? Eu não estou me envolvendo com ninguém. Francisca e eu somos amigas e apenas isso. Não sei nem porque estou de explicando isso.

— Com ninguém. — Ri debochadamente — Imagina. Ana Clara, eu vi vocês duas juntas e...

— Resolveu me seguir, Marina? — Uso seu mesmo tom debochado.

— Não seja estúpida. — Nervosa, ela cruza os braços e me encara bem nos olhos. Num instante me perco no mar verde dos seus olhos. — Noutro dia, eu estava dentro do estacionamento do colégio quando você entrou no carro dela. Ana Clara, você pode até mesmo pensar que Francisca é sua amiga; só que o que você não sabe é que ela transa com as alunas e depois as dispensa. — Como alguém pode ser tão hipócrita? E pensar que esses dias Francisca veemente a defendia.

— Nada muito diferente do que você fez comigo, não é? — Ao falar, um nó se forma em minha garganta, tento não deixar que seja transparecido, mas é inútil.

— Olha aqui, Ana Clara, você não tem o direito... — A sua voz se eleva muito. Não aguento ficar ouvindo desaforos e por isso a interrompo.

— Marina, a partir do momento em que você me dispensou, eu não te devo mais explicações. Se o seu ciúme vai continuar mesmo que nosso envolvimento tenha acabado, o problema não é meu.

— Isso não tem nada a ver com ciúme, não seja tola. Eu apenas acho que você deveria se dar ao respeito.

— Me dar ao respeito? Faça-me rir, professora Marina. Eu, de verdade, não sei o que você quer. Você me largou. Não entendo, mas aceito. Aceito porque você tem a sua vida. Nunca te devi satisfações, assim como você não me deveu nenhuma. Já está sendo difícil demais me levantar da cama para vir à escola e correr o grande risco de te encontrar. Então, por favor, não me tortura mais. Me deixa em paz. — Dou-lhe as costas e abro a porta. Por conta do reflexo, ao sentir de Marina fechando a porta novamente, retiro minha mão, pois ela seria facilmente esmagada com seu gesto busco e bruto. — Quer arrancar partes do meu corpo agora? — Pergunto ao mesmo tempo em que viro em sua direção, encarando-a com raiva.

— Não seja dramática. E não saia! Eu ainda não terminei de falar.

— Me deixa sair! — Digo tentando parecer calma. Mas Marina, relutante, apenas me encara, esperando que eu me aquiete. O que obviamente não acontece. — Marina, estou te odiando, mas se continuar aqui vou fazer uma besteira. Me deixa sair!

— Eu disse que ainda não terminei de falar! Você é sempre muito abusada. Espere que eu conclua o que tenho a dizer, depois você vai embora.

— Eu não vou conseguir ficar durante muito tempo com você aqui dentro. — Digo como uma imploração para que a porta seja aberta.

— Por quê, Ana Clara? A consciência está pensando? Por que falar comigo é tão difícil?

— Por causa disso.

Rapidamente as minhas mãos seguram seu rosto e meus lábios vão de encontro aos seus. Diferente do que eu imaginava, ela não reluta. O beijo é correspondido na mesma intensidade por ambas as partes. Minhas mãos vão até sua nuca e sobem pelos longos cabelos avermelhados, bagunçando-o. Também não demora até ela me envolva em seus braços.

Talvez seja isso. Eu queria beijá-la. Queria senti-la novamente. Apesar da raiva, ainda há afeição. Um mês distantes é muito tempo.

No entanto, como nem tudo são flores, Marina trava e logo em seguida me afasta bruscamente.

— Nunca mais faça isso!!! — Diz num tom raivoso. — Não me faça odiá-la, Ana Clara.

— Você correspondeu, Marina.

— Um erro, um deslize. — Faz uma pequena pausa — Vi você indo à biblioteca e achei que te esperar para que tivéssemos uma conversa seria algo produtivo. Mas vejo que não.

— Marina, eu não fiz nada de errado. — Tirando a burrada feita em Portugal. — Por que você resolveu se afastar? Isso tem a ver com os meus pais? Porque se tiver, quero que me fale.

— Seus pais? — Balança a cabeça de modo negativo e indicando que a suposição é absurda — Não... Ana Clara. Agora sou eu quem não quer conversar.

— Por que você e minha mãe se odeiam tanto? E por que você sempre se esquivava quando eu perguntava?

— Ana Clara, esse não é o momento. — Ajeita o cabelo enquanto fala.

— Mas foi o momento para que você me prendesse na sala?

— São coisas diferentes. Eu preciso sair. — Faz menção de deixar a sala, mas encosto-me à porta.

— E eu preciso de uma resposta. Só me diz o porquê.

— A Antônia e meu marido trabalharam juntos há alguns anos. — Diz após pensar um pouco — O nosso santo não se bateu, só isso.

— Só isso? — Confirma com a cabeça e eu balanço a minha negativamente, pois é notório que ela mente — Você não queria tocar nesse assunto comigo e agora me diz que simplesmente o santo de vocês não bateu? Não mente para mim, Marina.

— Não me fale sobre mentiras, Ana Clara. — Me olha como se me reprovasse. Como se instantes atrás não tivéssemos nos beijado. Como se o gesto não tivesse sido mútuo. — Pode me dar licença? — Dou-lhe espaço e ela vai embora sem olhar para trás.

A dicotomia persiste. A dicotomia insiste.

As pálpebras pesadas anunciam a chegada do sono, mas este é interrompido pelo estridente toque do celular.

— Alô?

— Oi, lábios de mel. — Uma voz conhecida, mas forçosamente doce diz do outro lado da linha.

— Babi? — Pergunto curiosa. — Não deu as caras por um tempão e depois me liga nesse horário? Vai dormir, garota.

— Desculpa, meu amor. Só estou com saudades. — Volta a fazer a mesma voz doce e começo a desconfiar que lá vem bomba por aí.

— Babi, desembucha! O que você quer? — Sento-me na cama e acendo a luz.

— Eu estava pensando da gente sair amanhã. Tem uma amostra permanente de cinema italiano lá na Bela Vista e como você gosta... Vamos?

— Amanhã? Não pode ser no sábado? Amanhã eu vou sair com a Melissa.

— Você sempre me troca pela Melissa, né? — Diz com um tom sério — Entendo que vocês sejam amigas, mas e eu?

— Babi, você pirou?

— Espera um pouco... — A ouço pedir licença a sua “mamãe”, como ela própria diz, e, alguns segundos depois, ela volta a falar — Eu não pirei. Só estou enchendo o saco. Já que você vai sair com a Melissa amanhã, vamos nesse evento no sábado?

— Por mim está ok. — Conversamos mais algum tempo e depois encerramos a ligação, pois, segundo ela, a mãe estava implicando.

No dia seguinte, não sei se para meu consolo ou desespero, não vejo Marina. Não que a tenha procurado, a questão é que não a vi. Pelo bem ou pelo mal, o dia segue sem quaisquer transtornos.

Como previsto, Melissa e eu fomos procurar pelo livro indicado pela professora Margarida e depois de muito tempo acabamos encontrando.

Já no sábado, Babi e eu nos encontramos numa estação do metrô e seguimos para a Bela Vista. A sessão de cinema começa às três da tarde e é num cine-teatro muito acolhedor. Assistimos a dois filmes – A classe operária vai ao paraíso e A vida é bela – e quando já passa das seis e meia, deixamos o local.

Como a nossa conversa está deveras animada, Babi insiste que eu a acompanhe até sua casa. Apesar de a sua casa estar o caminho oposto da minha, pois fica no Jardins, acabo aceitando.

— Está entregue, senhorita. — Digo assim que paramos em frente ao seu prédio.

— Não, sobe comigo porque tenho uma surpresinha para você.

— Surpresa? — Franzo o cenho — Senão for comida, eu nem quero.

— Só pensa em comer. Vai, entra logo. — O portão de acesso aos pedestres é aberto e eu a acompanho. Quando chegamos ao vigésimo andar, saímos do elevador e paramos em frente à porta do seu apartamento e ela me encara seriamente. — Ana, antes de tudo, eu gostaria de dizer que você é um amor de pessoa. Só você poderia me ajudar nisso.

Antes que eu pudesse questionar o porquê das suas palavras, ela pega minha mão e rapidamente abre a porta com a outra. Ela me arrasta para dentro do apartamento. Um homem trajando social e que até então estava sentado no sofá da sala, se levanta e pergunta:

— É ela? — Babi sorri enquanto confirma.

Com um sorriso de vai de orelha a orelha, o homem vem em minha direção e estende a mão para mim. Aperto-a cordialmente, mas, para meu espanto, ele me puxa e me dá um abraço como se fôssemos velhos camaradas. Sua face me parece familiar, mas não consigo puxar na memória de onde nos poderíamos nos conhecer.

— Minha filha fala muito de você. Estava mais do que na hora de vir nos conhecer. — Diz após desfazer o abraço, mas fica a dar tapinhas em minhas costas.

— É um prazer conhecer o senhor. — Digo meio sem graça em função da sua recepção.

— Não fique envergonhada, você já é da família. — Olho para Babi, esperando que ela me explique o que está acontecendo.

— Paizinho, não assunta a Ana, por favor. — Diz praticamente implorando — Sua mulher está em casa? — Ele cruza os braços e a repreende com o olhar. — Okay. A mamãe está em casa?

— Está acabando de preparar o jantar. Você fica, certo, Ana Clara? — Pergunta para mim, mas Babi se adianta.

— Óbvio que ela fica, pai. — A felicidade do homem é evidente.

— Sua mãe vai ficar louca quando eu contar que você trouxe a namorada aqui para casa.

Namorada? Eu vou matar essa garota. Não acredito que ela prosseguiu com essa ideia de gerido. Irresponsável. Ela mesma me disse que dona Antônia estava colaborando no escritório do seu pai. Se essa maluquice chegar aos ouvidos de minha mãe, estou completamente perdida.

— Não conta nada, pai. Quando a mesa estiver servida, você me chama e daí a mamãe vê pelos próprios olhos. Agora coloca mais um lugar na mesa.

Seu pai diz para fiquemos a vontade e logo deixa a sala. Cruzo os braços e encaro Babi. Como ela teve coragem de me enganar desse modo?

— Por quê?

— Porque preciso da sua ajuda. Depois te explico tim-tim por tim-tim, mas agora preciso mesmo da sua ajuda. Meus pais já pensam que a gente namora mesmo, o que custa você fingir?

— Custa, Gabi, o fato de você estar me usando. Além de ter mentido para mim.

— Não fala assim, por favor. — Ela começa a chorar e, sem saber ao certo como preceder, acabo a abraçando. — Um mês. Finge que namora comigo por um mês e depois a gente acaba com isso.

— Um mês. — Digo cansada — Apenas isso. E dá um jeito do seu pai não abrir a boca para a minha mãe.

— Já conversei com ele sobre isso. Eu preciso da sua ajuda, mas não é porque preciso dela que vou te ferrar com a sua mãe.

Induzida pela sua aparente fragilidade, acabo concordando com a loucura.

Seu pai aparece na sala novamente e diz que o jantar está servido. Babi e eu lavamos nossas mãos num lavabo e em seguida ela me leva até a sala de jantar. O pai está sentado numa das pontas e sorri assim que nos vê.

— Babi, senta ao meu lado e você ao lado dela. — Ele olha em direção ao corredor que fica atrás de mim e ao seu lado — A minha esposa já está vindo. Não precisa ficar nervosa, ela não morde.

O meu nervosismo é em função da mentira e da raiva que estou de Babi, não porque vou ser apresentada a minha “sogra”.

— Aí está ela. — Ele sorri. Preparo para me virar quando ouço uma voz mais do que conhecida.

— Ricardo, me ajuda com essa bandeja.

Olho para trás rapidamente não querendo acreditar no que minha mente suponha. Mas, para meu desalento, não me enganara.

Quando seus olhos dão de encontro com os meus, a bandeja que carrega vai ao chão. A queda provoca um grande estrondo, o que assusta apenas os outros, pois Marina e eu apenas nos olhamos, estáticas, como se tentássemos entender o que se passa.


Notas Finais


UM MONTE DE GENTE ACERTOU O QUE IA ROLAR HAHAHAHA AMEI? ACHEI TUDO? <3 VOCÊS SÃO INCRÍVEIS
Comentem o que vocês acharam. Se está bom, se tá uma bosta... rsrs

Bem, como vocês sabem, é final de semestre na faculdade. Vou ter aula até dia 22 </3 ~Quero chorar~ Nesse meio tempo não atualizarei a história por conta da faculdade, mas antes do Natal (JURO ♥) haverá um capítulo novo e lindo para vocês.

Não desistam de mim!

Beijo ♥


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