História Amar-te - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Steven Universe
Exibições 8
Palavras 981
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - 5


            O garoto observava o sol se levantar no oceano.

            Estava sentado em sua varanda, com as pernas sobre a escada que levava até a praia.

            Um barulho característico indicou a chegada de suas protetoras – agora generais – pelo transportador. Algum tempo depois, Garnet se sentara ao seu lado.

            - Está pensativo hoje.

            Ela estava com sua habitual expressão de serenidade, mas Steven sabia que ela já vira no futuro confuso a causa de seu silencio.

            - Como foi no Campo?

            O menino decidiu protelar a conversa com sua primeira tenente.

            - Limpamos tudo. Guardamos as armas e recolhemos os cacos. Agora diga o que está acontecendo. Está confuso demais para eu enxergar.

            A gem encarava o menino, que por sua vez desviara o olhar para o mar belamente iluminado pelo nascer do sol.

            Depois da Segunda Rebelião – ocorrida há vinte anos – os pontos de batalha espalhados pelo planeta estavam ainda muito destruídos. Eles continuavam embolhando os cacos e escondendo seu rastro dos humanos até hoje.

            Steven não era mais criança há muito tempo. Mesmo que sua pedra o impedisse de envelhecer, ele agora era o governante de um império em Homeworld, e, mesmo a distância, sentia o peso da responsabilidade em seus ombros.

            Então decidiu ir direto ao ponto.

            - É possível uma gem quebrada renascer como humana?

            Garnet deu um sorriso tristonho.

            - Ora, claro que não. De onde tirou isso Ste...

            Ela se calou enquanto via no futuro o resto da conversa se desenrolar. Seu choque se manifestou na forma de imobilidade.

            - É impossível...Nunca...Não pode ser ela...- Garnet balbuciava e balançava a cabeça incessantemente.

            - É ela. Eu vi. Eu senti sua mente. É a mesma, só humana.

            O sol subia no céu azul de verão enquanto Garnet se recuperava e raciocinava.

            - Devemos adiar a vinda de Jasper – Garnet se levantara e, superando a explosão de choque, voltara a ser seu soldado mais racional. – Ao menos até entendermos...isso...não vou arriscar que ela sofra outro choque emocional irreparável.

            Garnet entrara no templo, a fim de contar as outras o que Steven lhe dissera.

            O garoto suspirou e abraçou as pernas, olhando para o oceano.

            - Espero fazer o certo dessa vez...

            Sussurrou enquanto a brisa agitava seus cabelos.

 

 

 

           

            Laramie Junior era um rapaz gentil.

            Ele – acidentalmente, segundo o mesmo – havia encontrado meu hotel enquanto entregava algumas rosquinhas e me pegara desprevenida na recepção junto com minha mãe – que achara adorável seus cachinhos loiros- enquanto descíamos a praia.

            Lars me convidara para ir a algum parque de diversão que havia chegado a cidade há pouco tempo.

            Depois de muita insistência de sua parte – e de minha mãe, segundo ela, era bom eu sair um pouco com um potencial interesse amoroso, e ela iria encontrar meu pai em um café, afinal – eu estava agora descendo da montanha russa mais alta que já fora e completamente enjoada.

            - Sabe Lápis, eu sei que é meio rápido, afinal nos conhecemos a poucas horas, mas eu te acho realmente muito...er...bonita – Lars corara intensamente e tentara segurar minha mão.

            - Oh! Olhe! Tiro ao alvo! – mudei rapidamente de assunto e praticamente corri até a barraquinha abarrotada de animais de pelúcia.

            Não que eu não gostasse de Lars. Eu até o achava legal – apesar de conhece-lo por muito pouco tempo – e era agradável olhar para ele, mas eu não me sentia pronta para dar uma chance para alguém.

            Talvez nunca me sentisse pronta.

            Em minha concepção, um relacionamento consistia em confiança e entrega.

            Eu não me sentia completa, era como se faltasse um pedaço de mim, então como poderia me entregar a alguém se meu destino era ser eternamente quebrada?

            Então eu simplesmente continuava só e me fechava para tudo e todos.

            O sol do fim da tarde machucou meus olhos enquanto eu me inclinava com a arma de brinquedo nas mãos e mirava no alvo.

            Tinha três chances. Errei as três.

            - Bem, pelo menos você tentou – Lars me levara a um banco e comprara dois sorvetes.

 - É. Obrigada. Adoro morango.

            Ficamos os dois em um silêncio constrangedor por algum tempo, ele devorando seu sorvete e eu olhando o meu derreter monotamente.

            Lars se mexia sem parar no banco, e olhava para mim constantemente pelo canto do olho. Estava começando a me incomodar.

            Então ele se virara para mim e me encarara profundamente.

            - Lars... – eu disse ao vê-lo se aproximar e deslizar os dedos suavemente pelo meu queixo, afastando alguns cachos de meu rosto.

            Ele ia me beijar.

            Oh, merda.

            Talvez, se existisse algum Deus, ele ainda olhava por mim. Pois justo quando os lábios de Lars Junior iam tocar os meus, uma mulher idosa interrompeu a tragédia iminente.

            - Garota de bonita, garota de longe, ela ainda espera por você  - a mulher era muito velha, com pequeninos olhos que pareciam contas negras me espiando por baixo de uma grande cabeleira adornada por tecidos, era uma daquelas videntes fajutas de parques baratos. Mas eu devia a ela por ter me salvo de um beijo indesejado.

            Afastei-me o máximo que o banco permitia de Lars e dei um sorriso a senhora.

            - Muito obrigada, mas não estou interessada em saber meu futu...

            Ela me interrompeu e se aproximou de mim, fazendo com que os sinos amarrados em seu xale e saia retinissem.

            - Precisa compreender o passado antes do futuro, menina do mar. Deve conhecer sua alma – ela tocara meu pingente de lápis-lazúli com suas unhas grandes e negras – Sua verdadeira alma.

            Um choque atravessou meu corpo e me levantei com brusquidão do banco.

            - Olha, muito obrigada, mas eu tenho que ir.

            Caminhei apressadamente para longe dela e Lars me seguiu.

            Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto eu ouvia sua última frase.

            - Os sonhos lhe dirão, garota do mar. Alma incompleta. Os sonhos lhe dirão.

            A voz rouca e sombria da velha vidente ficara em minha mente por horas depois.

 

 

 



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