História Amar-te - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Steven Universe
Exibições 6
Palavras 1.453
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - 8


Eu seria eternamente grata à senhora Sadie. Mesmo que eu não me sentisse muito confortável em ficar a sós com Lars Junior.

            Sadie deveria ter percebido o quão entediada eu estava ao assistir um nada empolgante jogo de cartas que minha mãe, ela, Steven e Pérola jogavam. Então fizera a indiscreta sugestão de que Lars me levasse para uma bela caminhada na praia, para me mostrar as belezas que haviam além da cerca.

            Eu não estava entediada. Não muito, pelo menos. Mas precisava me distrair. Minha mente viajara para longe enquanto eu assistia o desenrolar do jogo, meus pensamentos levando-me para lugares conturbados de minha mente.

            Depois do último sonho que tivera, estava um pouco difícil manter a concentração na realidade.

            Eu me pegava lembrando de detalhes que não percebera logo que acordara, como o suave cheiro de maresia misturado com algo que parecia sândalo, e as pequenas listras descoloridas no bronzeado dos braços da pessoa misteriosa que me abraçara.

            Só de lembrar-me das mãos fortes deslizando pela minha cintura, um rubor pintava minhas faces e eu sentia uma onda de calor.

            Então eu estava agora caminhando com Lars – a uma distância segura dele - pela praia.

            Realmente, a praia desse lado da cidade era diferente. Parecia haver mais vida marinha, mais ainda que a exuberante praia do farol – que eu frequentava com meus pais.

            Um vento incômodo levantava constantemente minha saia, e atirava meus cabelos contra meu rosto, obrigando-me a manter uma mão na face e outra segurando o tecido claro do vestido contra minhas pernas.

            Lars mantinha suas inquietas mãos meio estendidas, como se planejasse segurar as minhas.

            Desconforto era pouco comparado com o que eu estava sentindo.

            - Então, o que achou da água...er...areia...praia. O que achou da praia?

            O coitado do garoto estava mais atrapalhado que o normal, com as bochechas queimando de vermelhas e os olhos brilhantes.

            - É um belo lugar.

            Não estava em condições de me estender em uma conversa. Meus pensamentos pareciam peixes abissais fugindo da luz, então eu respondia apenas o necessário para não ser mal educada. Mas Lars parecia não se importar com minhas respostas monossilábicas, já que qualquer incentivo de minha parte parecia abrir uma comporta em que ele despejava milhões de palavras a esmo.

            - Semana passada, antes de você chegar, eu e meus amigos fizemos uma rave muito louca aqui. Claro que pedimos autorização a Steven e às meninas, mas o pai de Sônia é um ótimo DJ então...

            Enquanto Lars recomeçava sua ladainha sem fim – que dessa vez eu não prestara nenhuma atenção – algo brilhante entre as nuvens, próximo à linha do oceano, me chamara a atenção.

            No horizonte dourado do fim da tarde, um pouco acima do mar azul- turquesa, um delicado brilho ia aumentando de dimensão lentamente.

            Parecia um raio de sol, mas a medida que o tamanho aumentava gradualmente, o tom dourado deixara de ser apenas um brilho delicado para se transformar em um grande holofote que feria minha retina.

            - Lars – ele se sobressaltara por eu ter agarrado seu braço para fazê-lo prestar atenção em mim – o que é aquilo?

            Apontei para o ponto que chamava minha atenção, que tremulava e brilhava no horizonte.

            - Oh, não sei, mas deve ser um cargueiro. Eu acho. – ele ruborizara e envolvera minha mão que pousava em seu braço com a sua, e as balançara no ar infantilmente.

            Eu não gostava de ficar ignorante aos fatos, mas a resposta de Laramie Junior me acalmara um pouco. Ainda que o brilho do cargueiro desconhecido ainda me incomodasse demasiadamente.

            Escorregando habilmente minha mão pequena da dele, fingi prender meus cabelos revoltos e curtos em um coque. Eu estava aérea demais hoje, e preocupada também – afinal, deixara minha mãe e Steven sozinhos na varanda, e se o garoto dissesse uma palavra sobre minha crise na praia, eu estava perdida- então resolvera que uma passada na sorveteria perto da loja de rosquinhas seria ideal.

            Mesmo que minha companhia fosse um pouco maçante.

            - Hey, Lars, está a fim de um sorvete?

            Minha pergunta o pegara desprevenido, e arregalando os olhos e sorrindo genuinamente, só faltou abanar o rabo para ser um autêntico cão de estimação.

            Eu não queria dar falsas esperanças a ele – afinal, Lars era um cara legal – mas eu não fizera nada que desse uma abertura a ele, e, eu tinha que admitir, ele estava realmente insistindo demais.

            Caminhamos pela orla de pedra, nos afastando da praia e da ventania, adentrando ao bairro comercial.

            A sorveteria em questão era minúscula, mas muito charmosa. Estava entupida de gente, então saímos com nossas casquinhas e encostamo-nos à amurada, vendo o sol brilhar sobre o oceano.

            - Você combina. – Lars dissera, completamente atrapalhado, sem perceber o sorvete escorrer em seus dedos.

            - O que?

            O garoto estava tão perdido que não formava nem frases coerentes. Deus. O que eu havia feito com sua dignidade?

            - Você combina. Com o oceano. – ele desviara o olhar para água e eu vira a ponta de suas orelhas queimarem em vermelho – Parece uma sereia.

            - Olha, Lars. – tomei coragem, já havia passado da hora de dar um ponto final nisso – você é um cara muito legal, mesmo, mas nós nos conhecemos há muito pouco tempo e...

            Eu não tivera coragem de terminar. Laramie Junior me encarara com imensos olhos úmidos, e até seu lábio inferior tremera. Droga de coração mole que eu tinha.

            -...você é um cara muito legal. – eu repetira em um fôlego só.

            Agora eu era um monstro. Em vez de por um fim civilizadamente há uma esperança amorosa infundada, eu havia acabado de chamar o cara de legal. Mesmo sabendo que eu nunca daria uma chance para ele, havia acabado de dar esperanças, apenas para depois quebrar o coração desse pobre rapaz.

            - Obrigado Lápis. – ele sorrira estonteantemente – Você também é muito legal. E muito...bonita...er...linda...

            Virei-me de costas e começara a caminhar.

            Droga, droga, droga!

            - Acho melhor voltarmos, já está começando a escurecer. – disse sobre o ombro, e Lars correu para caminhar ao meu lado, sorrindo como uma criança na manhã de natal.

            Realmente, o sol se punha no horizonte, e a vista seria linda de se admirar se eu não estivesse encarando a areia branca e me sentindo culpada, enquanto Lars discursava sobre o quanto o azul claro valorizava a cor de meus olhos.

            Pelo menos o brilho incômodo havia desaparecido, deixando a luz fraca e fria das estrelas enfeitarem o céu.

            Uma sensação de leve incômodo reverberou por mim como uma onda quando avistamos marcas estranhas na areia. Parecia algum tipo de veículo, elas serpenteavam ao longo de toda faixa de areia, até terminar abruptamente a poucos metros da vegetação rasteira que cobria o início da praia.

            Muito estranho. Eu gostaria de ter examinado melhor, mas Lars brincava a todo tempo de se equilibrar nas linhas, seguindo-as com seus pés descalços e perdendo o equilíbrio.

            - Vamos, Lápis! É legal! E se você cair, eu estou aqui para te pegar! – Lars gritara por cima do som das ondas, em uma tentativa frustrada de flerte mais elaborado.

            Eu não estava com humor para brincadeiras, mas mesmo assim resolvi tentar me divertir um pouco. Segui uma linha particularmente fina com meus pés – incrivelmente pequenos comparados aos de Lars, e eu não era uma garota muito baixa – descalços, mas me desequilibrei e, rindo bobamente, teria ido ao chão de Lars não tivesse me pegado na queda.

            Ele ria também, fazendo suas covinhas de bebê se destacarem. Ele estava muito perto, o que provocou o fim do meu riso. Eu coloquei uma mão em seu peito com o intuito de afasta-lo, mas o garoto entendera mal meu gesto.

            Lars olhara para minha mão, meus olhos e depois de volta a minha mão. Pude ver quando sua respiração de alterara e suas pupilas se dilataram.

            -Lars...

            Eu tentara me opor, mas o garoto já havia tocado meus lábios rachados com os seus úmidos.

            Não entendera o que havia acontecido. Fora tudo muito rápido. Em um momento Lars estava me beijando, no outro ele havia violentamente caído para trás com muita força.

            Não. Ele não caíra. Fora jogado para trás.

            Havia uma imensa pedra – parecia muito um...um capacete? Elmo? – amarela pressionada sobre seu peito, e o rapaz desmaiara a minha frente.

            O que estava acontecendo?

            - Você.

            Havia mais alguém naquela praia. Alguém cuja voz era profunda e forte.

            Alguém cuja voz abalou profundamente minha alma.

            Um cheiro profundo de sândalo invadira minhas narinas.

            Eu estava tremendo, minha boca secara e eu ouvia minha pulsação como um tambor no ouvido. Tolamente, percebi que parecia-me muito com um Lars de alguns segundos atrás.

            Virei-me lentamente – com o corpo tomado por tremores – e encarara a pessoa que atacara Lars.

            



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