História Amar-te - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Steven Universe
Visualizações 21
Palavras 1.120
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - 9


            Uma pequena parte de minha mente registrara preocupação com o garoto desmaiado na areia. Mas meus instintos voltavam minha atenção inteira à pessoa a minha frente.

            A mulher parecia ter saído de meus sonhos, literalmente.

            Os cabelos dela eram imensos. Quase tão grandes quanto ela. E louros claríssimos.

            Senti minha boca secar ao constatar a quantidade de músculos poderosos – espremidos em sua roupa colada -, com estranhas descolorações em padrão de listras. Ela usava algum tipo de macacão de tecido justo, inteiro preto, exceto por uma pequena e brilhante estrela dourada, posicionada bem abaixo dos seios.

            Olhava-me com a expressão mais estranha que eu já vira em toda a minha vida.

            Seus olhos dourados cintilavam de dor, uma dor tão intensa que eu a sentira em meu peito.

            A brisa fresca do começo da noite adquirira o suave aroma de sândalo quando ela se aproximara de mim a passos lentos.

            Ela era imensa. No mínimo dois metros de altura, e formava um grande contraste com minha altura mediana de um metro e sessenta e três.

            Meus pulmões estavam sufocados de sândalo, meu coração parecia um tambor e eu senti que desmaiaria quando a mulher deslizou os dedos quentes pelo meu rosto em chamas.

            Involuntariamente, fechei meus olhos quando senti seu toque em meus lábios. Senti – parecia que estávamos ligadas – seu corpo se retesar e sua respiração entrecortada falhar quando ela descera os dedos pelo meu pescoço desnudo, envolvendo meu colar em sua mão imensa.

            - Eu a vi quebrada. É impossível.

            A voz grave dela iniciara um processo em minha alma.

            Como que acordando de um transe, eu me afastara dela, com grandes tremores me abalando.

            De repente, o pingente de lápis-lazuli em meu pescoço pareceu em chamas, e a dor – a mesma de meu sonho – explodira em minhas costas, sugando minhas forças e obrigando-me a cair ajoelhada na areia.

            A mulher desconhecida me acompanhara na queda, e agora me envolvera com seus braços fortes e me abraçava apertado, sufocando-me.

            Por Deus, até seu toque era o mesmo! Percebi que, incrivelmente, a mulher que agora me abraçava e sussurrava palavras sem sentido era a mesma pessoa misteriosa com quem eu sonhara por dias seguidos.

            Eu a envolvera com meus braços delicados e escondera o rosto em seu cabelo volumoso, molhando seu ombro bronzeado com minhas lágrimas.

            - Lápis – ela deslizara as mãos imensas por minhas costas – É você – pegara meu rosto em suas mãos – Lápis – enterrara seu rosto no vale dos meus seios, exposto no vestido fino – Como...?

            Minha cabeça estava uma tormenta sentia dor e agarrava-me com todas as forças a mulher desconhecida – não, eu a conhecia – a minha frente.

            Eu já estava na iminência de um desmaio, mas apenas quando os lábios molhados de lágrimas dela tocaram os meus é que eu afundei na inconsciência.

           

 

 

 

 

 

 

            Eu sonhei com outra vida.

            Uma vida em que eu não era humana.

            Eu ainda era a mesma, até meu nome era o mesmo, mas tudo era muito diferente.

            As lembranças irromperam em minha mente como raios de luz. Flashes de som e imagens. E sensações.

            Presa e abandonada em um lugar frio. Liberdade súbita. Minha casa não era a mesma.

            Outra prisão. Úmida e aterrorizante. Nova liberdade.

            Paz, vida e natureza. Amor profundo e ardente.

            Eu lembrei de minha antiga vida como que em um sonho. Lembrei-me de tudo com rapidez, uma rapidez tão atordoante que me confundira.

            No meio do turbilhão em que me encontrava, senti braços fortes me erguerem da areia fria, ouvi vozes exaltadas, ameaças e juras de amor.

            Depois não ouvi mais nada.

            Somente lembranças, doces e felizes.

            “ – É uma folha seca. Elas caem das árvores quando chega o outono. Steven disse que a terra possui quatro estações, e estamos quase no inverno.

            Jasper fizera uma tiara de folhas secas e me coroara a rainha do outono...”

            O sorriso dela se fundira com outros sorrisos, de outros lugares e tempos, e mais um turbilhão de luz me engolfou.

            “ Eu estava exausta e dolorida. Mas feliz. Feliz como nunca havia sido. Mesmo antes da guerra, em Homeworld.

            Jasper acordara e me pegara olhando para ela.

            - Bom dia, meu amor.

            Eu sorrira e a abraçara, colando nossos corpos nus e embolando o lençol entre nós.

            - Bom dia...”

            Mas nem todas as lembranças eram leves e felizes. Senti que agora eu entrava algum período negro e conturbado.

            “ – Estou com medo, Jasper, de algo acontecer com você.

            - Não diga – ela silenciara-me pousando os dedos em meus lábios – nada vai nos separar. Vou ficar bem. Nós ficaremos bem. - então me beijara apaixonadamente.”

            A dor entre minhas omoplatas tornara-se um pouco mais insuportável, e meu colar parecia queimar minha pele.

            “ Era arrastada pela nave central de Blue Diamond por uma jade. Estava exausta do combate. Ela me jogara no chão e eu caíra ajoelhada.

            - É uma traidora – a voz imponente da diamante ribombou como um trovão pelas paredes de cristal, eu me debatera e fora segurada por três citrinos – Sua pena será a morte.

            Encontrei o olhar desesperado de Jasper, que fora capturada e estava presa por várias correntes, e tentei passar todo o meu amor pela visão. Como forma de despedida.

            Senti uma dor lancinante em minha pedra, e tudo ficou escuro. “

 

 

 

 

 

            Voltei à consciência lentamente.

            Minha cabeça ainda girava loucamente, mas a primeira coisa que notei fora que eu estava deitada em um lugar muito macio e quente.

            Abri os olhos devagar, e fitei um teto de madeira desconhecido. Havia um incômodo zumbido em meus ouvidos, e minha visão estava embaçada, mas um delicado cheiro de sândalo me avisara que tudo o que acontecera não fora um sonho.

            Lágrimas quentes deslizavam por meu rosto enquanto eu me levantava cambaleante da cama e apoiava uma mão na grande janela de vidro. Olhei para a praia do alto. A noite salpicada de estrelas resplandecia lá fora. Eu voltara à casa de Steven.

            Pelo reflexo do vidro, vi um vulto se aproximar.

            - Lápis... – a mulher que eu amava dissera meu nome com a solenidade de algo sagrado.

            Não pude olhá-la nos olhos. Eu estava confusa demais. Passara de uma menina comum que estava vivendo férias estranhas demais para uma alienígena mágica reencarnada que recuperara a memória em menos de duas horas. E provavelmente, todas as outras alienígenas – incluindo a minha amante de outra vida que eu ainda amava desesperadamente – estavam esperando uma resposta para toda essa confusão. Uma resposta que eu não poderia dar.

            Porque eu estava tão confusa – talvez mais- quanto elas.

            - Chame as outras – eu a interrompera – Precisamos conversar.

            Segurando fortemente o pedaço quebrado de minha pedra que jazia em um pingente em meu pescoço, eu me virara e encarara Jasper.



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