História Amaterasu - Capítulo 33


Postado
Categorias Naruto
Personagens Boruto Uzumaki, Hinata Hyuuga, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sarada Uchiha, Sasuke Uchiha
Tags Borusara, Máfia, Mistério, Naruhina, Naruto, Policial, Romance, Sasusaku
Exibições 350
Palavras 3.720
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Vamos ao capítulo u.u

Capítulo 33 - Capítulo 32


Toská, Rússia

18 de agosto de 2016

09:05 A.M.

Acordou completamente sem expressão, observou ao redor, passando os olhos rapidamente pela enfermeira que a olhava, e os fixou na janela.

O dia estava nublado, tal como sua mente, onde nada se passava.

A mulher se aproximou para dizer algo, mas a paciente adormeceu.

Passado algumas horas, despertou novamente. Não havia se tocado que já havia acordado antes.

Seus olhos pararam, desta vez, na curiosa enfermeira de cabelos tingidos de verde que vazavam da touca, embora enxergasse tudo distorcido devido à ausência dos óculos.

Em nada pensou, nada sentiu, nada ouviu. Apenas apagou.

Uma hora depois, acordou sentindo dores. O sangue de sua face saiu, a deixando empalidecida. Seu abdômen se contraía em agonia e sua cabeça latejava.

Remexeu-se na cama, mas fora imobilizada pela enfermeira. Outra aplicou um calmante no soro e em poucos segundos, sua dor cessou, trazendo sono.

Após três horas, acordou mais uma vez e finalmente conseguiu pensar, mas não de maneira clara.

Seus olhos se abriram lentamente, tentando se acostumar com a forte luz do quarto branco.

Reconheceu o ambiente hospitalar e a enfermeira. Mas o que fazia ali?

Abriu a boca para falar, mas sua garganta estava muito seca.

A mulher se aproximou e disse algo que não conseguiu escutar.

Percebendo isso, Fuu, a enfermeira, estalou os dedos perto do ouvido da menina até que seus sentidos reagissem ao som.

– Bem vinda de volta, senhorita Uchiha. – Disse com uma doce voz.

Olhou para a pessoa que estava a sua frente. Sua visão estava turva. Tanto pela ausência dos óculos, quanto pelos remédios que ainda corriam por suas veias.

Um homem de idade vestido de branco apareceu e ao olhar para ela se mostrou bastante contente.

Aproximou-se da adolescente e acendeu uma pequena lanterna em seus olhos. As pupilas se contraíram um pouco lentas.

Puxou um pouco o lençol que cobria o tronco da morena e observou a região da costela.

Analisou por um tempo. Parecia pensativo.

– Os sentidos estão lentos. – Disse Fuu. – Mas acredito que é questão de tempo.

O médico concordou. Só de olhar a menina era capaz de afirmar isso.

Passou o dedo em frente ao rosto da jovem e conferiu se ela seguia o movimento. Não o fez.

– Senhorita. – Disse. – Aperte minhas mãos o mais forte que puder.

O médico pôs as mãos sobre as mãos da Uchiha.

Ela o havia escutado, mas sua voz parecia distante. Fez o que ele pediu, mas muito devagar e sentindo dor na mão direita. Fez uma careta ao sentir o desconforto em sua mão, não conseguiu fechá-la completamente.

O homem sentiu o aperto da mão esquerda da jovem, não era muito forte, mas era o suficiente para alguém que acabou de acordar de um coma induzido. Sabia que ela não conseguiria fechar a direita, devido aos machucados.

– Parece que ela acordou. – Brincou ele.

– Por que estou aqui? – Conseguiu dizer, por fim, embora sua voz tenha saído um pouco esganiçada.

– Não consegue se lembrar? – A mulher perguntou.

Sua face sem expressão e sem resposta confirmavam tudo.

– Pode me dizer seu nome completo? – O médico perguntou.

– Sarada Uchiha. – Falou lentamente.

– Bom... Eu me chamo Hiruzen Sarutobi, o médico cardiotorácico que fez sua cirurgia. – Se apresentou. – Me diga, realmente não se lembra do que aconteceu?

– Cirurgia? – Sua voz quase não foi ouvida.

Olhou para suas mãos, observando a entrada do soro em seu pulso e as faixas sobre a mão direita. Sentia dor, principalmente nas pontas dos dedos.

Olhou para o dreno em seu corpo. Era desconfortável, incômodo.

Sua cabeça latejou um pouco ao forçar sua memória, instintivamente tocou o local que estava enfaixado.

– Não precisa se forçar tanto. – Fuu disse.

– Eu entrei no banheiro... – Balbuciou enquanto retirava a mão do local. – Alguém me agarrou e eu desmaiei...

Os dois ali presentes ficaram bastante atentos ao depoimento da adolescente.

– Não consigo me lembrar de mais nada...

– Está tudo bem. – O médico pegou na mão esquerda da Uchiha. – Vai se lembrar com o tempo, o efeito dos remédios ainda está passando. – Tocou levemente na cabeça dela onde estava machucado.

Ela o olhou ainda sem muita expressão e lembrou-se de sua mãe. Onde estaria ela? Lembrava-se de que só entrou no banheiro porque ela lhe mandou uma mensagem.

– Meus pais... Onde estão? – Indagou.

– Eles estão aqui no hospital. – A tranquilizou. – Fuu, por favor, diga à mãe dela que Sarada acordou e que poderá vê-la no horário de visitas.

A enfermeira assentiu e se retirou rapidamente.

Sarutobi puxou uma cadeira que havia ali perto e se sentou ao lado da morena.

Aos poucos Sarada ia se tocando das dores em seu corpo. Não se lembrava de muita coisa.

Tentou mudar de posição devido ao desconforto, mas suas pernas não obedeciam.

– Não se esforce, ainda está fraca. – Sarutobi alertou.

– O que houve com as minhas pernas? – Perguntou confusa. – Eu não consigo mexer...

O cirurgião retirou o lençol por completo e passou um dedo na sola dos pés da morena, mas não houve nenhum reflexo. Massageou os dedos, os pés e as pernas da adolescente.

– Consegue sentir?

– Não. O que aconteceu com elas, doutor? – Sarada respirou fundo, mas sentiu uma forte dor nas costelas. Resmungou com a sensação.

– Você precisa manter a calma para que se recupere bem. – A tranquilizou. – Quando estiver melhor, prometo que lhe direi tudo.

Cobriu a Uchiha novamente e chamou alguém cujo nome era “Yugito”. Era uma mulher e, aparentemente, uma enfermeira.

Ela ficou ao lado da adolescente até que dormisse novamente.

– Descanse. – Disse à menina enquanto o médico saía.

Sarada olhou para ela e sua voz se tornava mais e mais distante.

Precisava descansar mais um pouco. Não estava totalmente lúcida.

[...]

Toská, Rússia

18 de agosto de 2016

05:00 P.M.

O coração da rosada quase saiu pela boca quando ela ouviu as palavras da enfermeira Fuu. Não esperava por aquilo, sua filha estava finalmente acordada, porém lenta.

Tanto ela quanto Sasuke ficaram cientes de que os médicos parariam com os sedativos para que a adolescente acordasse, mas não tinham noção de quanto tempo demoraria.

Saberia finalmente como Sarada estava, se tinha movimentos e sensibilidade, bem como saberia sobre seu psicológico.

Estava muito nervosa, imaginando como seria a reação de sua filha.

Foi até a UTI no horário de visitas, não queria perder tempo. Queria saber como Sarada estava e queria passar o máximo de tempo possível ao lado dela.

– Escute, Haruno... – Foi tirada de seus pensamentos pela voz da médica. Ambas estavam paradas em frente à porta do quarto de Sarada, mas Sakura não podia vê-la por causa da cortina que cobria a janela. – Sua filha ainda não se lembra direito do que aconteceu. Ela sabe que foi sequestrada, lembra-se vagamente das coisas...

A doutora Mitarashi havia sido chamada para fazer os testes que Sarutobi havia feito anteriormente, já que era a neurocirurgiã responsável, para melhor avaliar a situação. Sarada havia acordado mais uma vez.

– A polícia vai interrogá-la? – Sakura foi direto ao ponto.

O momento em que prestou depoimento foi quase como uma tortura. Não queria que Sarada passasse por isso, mas, de um jeito ou de outro, sabia que seria inevitável.

– Não agora, talvez quando ela sair da UTI. – Assentiu a médica, deixando a Haruno aflita. – Ela não está totalmente lúcida, afinal, foi mantida sedada por dias, portanto está um pouco sonolenta.

– Entendo... – Suspirou. – E as sequelas?

– Era aí que eu queria chegar. – Pelo tom de Anko, Sakura sabia que as notícias não seriam boas. – Da cintura pra baixo, Sarada não tem sensibilidade alguma, assim como também não tem movimentos e nem reflexos.

– Não... – Sakura sentiu um nó na garganta e uma vontade de chorar. Mas não podia, portanto segurou as lágrimas, pois Sarada não podia vê-la frágil. – Mas... Isso é permanente?

– Não sei. – A incerteza da médica fez Sakura sentir ainda mais vontade de chorar. – Ela fará fisioterapia o mais rápido possível e continuará com o tratamento quando tiver alta. É uma parte importantíssima. Com o tempo ela poderá recuperar os movimentos e sensibilidade, poderá ter uma vida normal.

– Quanto tempo?

– Não há como saber, eu já expliquei isso. Alguns pacientes surpreendem os médicos com avanços muito rápidos, outros não apresentam melhora alguma. Mas a Sarada tem chances de voltar a andar.

– Tem mesmo? – Indagou aflita a rosada. Temia que a médica estivesse mentindo para vê-la mais calma ou para dar-lhe falsas esperanças.

– Eu seria franca caso a Sarada não tivesse chances. – Falou com sinceridade. – Se digo que ela tem chances, é porque tem chances.

Sakura se sentiu uma idiota. É óbvio que uma profissional não poderia mentir daquele jeito para a mãe de uma paciente no estado de Sarada. Mas, num momento como esse, tudo se passa pela cabeça de uma pessoa.

– Eu já posso entrar para ver minha filha?

– Pode. – Anko assentiu.

Sakura respirou fundo antes de abrir a porta do quarto 208 e dar de cara com Sarada que, assim que ouviu o barulho da porta se abrir, olhou na direção e viu sua mãe.

A adolescente estreitou os olhos, uma vez que estava sem óculos e não conseguia enxergar direito de longe. Sakura estava com uma máscara sobre a boca e nariz, também estava com uma touca cobrindo os cabelos rosados, portanto Sarada só reconheceu a mãe quando a mesma se aproximou da cama e ela pôde ver melhor os grandes olhos esmeraldinos. Não havia dúvidas, aquela era sua mãe.

– Sakura... – Falou quase que como um sussurro. Embora estivesse inexpressiva, Sarada estava feliz ao ver Sakura ali.

Lembrava-se de Naruto falando sobre uma bomba que estava com Sakura. Apesar dos médicos falarem que ela estava bem, o alívio apenas veio agora. Sua mãe realmente estava ali.

– Meu amor... – Emocionada por finalmente ouvir a voz da filha, a rosada lhe deu um beijo na testa. – Minha querida, é tão bom ouvir sua voz... – Sorriu por baixo da máscara. – Como você se sente?

– Cansada... Com um pouco de dor... – De fato a menina sentia o incômodo nas costelas e também por causa do dreno que usava, sem falar nos outros machucados. A menina abaixou o olhar e respirou findo – Não sinto minhas pernas.

– Não vai ser por muito tempo, acredite. – A rosada tentou transmitir confiança para a filha.

– Cadê meu pai?

Sarada se preocupou ao se dar conta de que Sasuke não estava ali. Via claramente que Sakura estava fisicamente bem, mas e Sasuke? Lembrava-se vagamente de seu pai brigando com Naruto, mas suas memórias estavam embaçadas e confusas.

– Ele está internado aqui. – Disse Sakura.

– Por que ele não veio me ver? – Indagou com a voz sonolenta. – Meu pai tá bem mesmo, não é?

– Sim. – Sorriu. – Ele está com o pé machucado, por isso ainda não pode pisar no chão. Mas está se recuperando bem.

Sakura preferiu omitir a parte que Sasuke perdeu uma parte do braço esquerdo, mas tinha que explicar para Sarada o porquê de Sasuke ainda estar internado e ela já ter recebido alta.

– Ele... O Naruto... – Sarada falava com um pouco de dificuldade, tentando se lembrar melhor do acontecido. – Ele tava perto de mim e disse que eu ia ficar bem... O Naruto estava atrás dele... – A adolescente parecia perturbada. – Estava atrás dele... Com um...

– Shiii... – A mulher passou a mão pelos cabelos da filha. – Não tente se lembrar, ok?

– Eu não quero me lembrar... – Uma lágrima escorreu pelo rosto da menina. – Não quero... Mas eu quero saber o que o Naruto fez com o meu pai.

– Ei, seu pai é um excelente lutador. – Falou divertida para acalmar a morena. – Acha que, com a experiência do Sasuke, ele iria perder para o Naruto?

– Já não sei mais de nada...

– O Sasuke está bem. Não se preocupe com o seu pai, pois ele é um homem muito forte.

– E a Haruka?

Sakura sentiu uma pontada no coração ao ouvir tal pergunta. Sabia que chegaria a hora de contar para Sarada que Haruka morreu, mas não sabia como fazer isso. Não tinha palavras para amenizar o choque da resposta, então Sakura começou a chorar.

Por mais sonolenta que Sarada estivesse, ela estava lúcida o suficiente para perceber o que as lágrimas de sua mãe queriam dizer.

– Vai ficar tudo bem, meu amor... – Respondeu a rosada enquanto limpava suas lágrimas. Sarada já havia compreendido as coisas.

– Não é justo...

– Ei. – Sakura tentou parecer animada. – Sasuke e eu só temos 34 anos, ainda somos férteis.

Repetiu o que Mikoto falara pra ela quando foi visitá-la. Não concordava, mas foi a única coisa que conseguiu pensar para acalmar Sarada.

– Eu sei, mas... – Suspirou. – Não é justo.

– Não pense nisso, meu amor. Não pensei nisso.

Sarada levou a mão ao rosto e cobriu sua face.

A culpa era dela. Se não tivesse matado Kisame... Não... Muito antes. Se tivesse escutado seu pai em não entrar na Amaterasu, nada disso teria acontecido.

Hinata não estaria morta, tampouco Himawari. Boruto não precisaria se afastar por causa da dor e Naruto não teria feito o que fez. Seu pai não estaria machucado, sua irmã, que sequer havia nascido, não estaria morta.

“É tudo culpa minha” dizia para si mesma.

Sequer lembrava-se de como recebera os machucados, mas era impossível se esquecer do olhar de Naruto dirigido a ela...

“Assassina!” ecoava em sua mente.

De fato, ela era isso. E da pior espécie.

Mereceu passar pelo o que aconteceu.

Estudar medicina? Como ela exerceria uma profissão de salvar vidas se tirou várias outras? Hipócrita!

O loiro a olhava com desprezo, mas ao mesmo tempo, com dor. Ele perdeu a família que amava por causa da namorada de seu filho. O problema era ela.

Desde que Hinata passou a investigar os casos ligados aos Uchiha, não teve mais tempo para a família. Morreu sem poder fazer o que mais amava, estar junto deles.

Sarada desestruturou a casa e eliminou os membros. Tirou a felicidade de pessoas que fizeram tão bem a ela e a acolheram como se fosse filha.

Ingrata, assassina, hipócrita...

A morte seria pouco.

– Eu... Eu queria voltar no tempo e consertar as besteiras que eu fiz... – Falava lentamente, respirando devagar e derramando algumas lágrimas.

– Não chora, meu amor... – Sakura passou os polegares nas bochechas de Sarada, enxugando as lágrimas.

– É minha culpa...

– Não, não é... Culpe a mim, se quiser... Eu poderia ter te encontrado, mas omiti informações... Eu te perdi por erro meu... Não se culpe, você é uma vítima... Se acalma.

Sakura segurou a mão de Sarada e a pôs de volta ao lado do corpo. Permaneceu segurando para transmitir confiança e força à filha.

– Dói... – A morena murmurou fazendo uma leve careta e pondo a mão direita sobre a região das costelas quebradas.

– Você vai ficar bem... Fecha os olhinhos, minha querida. – A mulher deu um beijo na testa da Uchiha e passou a acariciar os cabelos negros novamente. – Durma.

Ela sabia que aquela conversa não fazia bem para Sarada, tal como sabia que a adolescente ainda estava bastante confusa. Esperava que a reação da filha fosse de revolta, mas era óbvio que ainda não tinha dado tempo para ela assimilar tudo. Talvez a ficha de Sarada ainda não tivesse caído totalmente. Talvez ela nem se lembrasse de que foi torturada por Naruto e, para o psicológico de Sarada, isso era bom.

Não sabia quanto tempo demoraria para que a memória da filha voltasse completamente e, francamente, Sakura desejava que isso nunca acontecesse. Era melhor que ela não se lembrasse do que sofreu nas mãos do Uzumaki.

A Haruno cantarolou uma música qualquer ate a filha pegar no sono. Sarada se mostrava bastante cansada e não demorou muito para que dormisse. Não estava mais tomando sedativos, mas os remédios pra dor continuavam e eles a deixavam sonolenta, assim como Sasuke quando era medicado.

Ela foi obrigada a sair do quarto no momento em que o horário de visitas acabou. Estava mais aliviada depois de ver sua filha quase sóbria, mas ainda assim se sentia aflita.

O que aconteceria quando Sarada voltasse totalmente a si? Era imprevisível e Sakura temia esse momento.

Evitando pensar nessas coisas que a deixavam deprimida, Sakura foi até o quarto de Sasuke onde o moreno dormia tranquilamente. Se aproximou da cama, passou a mão pela testa do moreno para retirar os fios negros caídos sobre os olhos do moreno e lhe deu um beijo.

– Sakura... – Mikoto, que estava concentrada enquanto lia uma revista qualquer, finalmente notou a rosada ali. – Nossa, eu nem te vi entrar. – A mulher se ajeitou na poltrona e colocou a revista numa mesa ao lado da cama de Sasuke. – Como a Sarada está? Ela estava acordada quando foi vê-la?

– Sim... – A rosada voltou seu olhar para a mais velha. – Ela não lembra de tudo... Lembra que foi sequestrada, lembra que o Sasuke brigou com o Naruto, mas acho que não lembra que foi torturada... – A palavra ainda entalava em sua garganta, apesar de saber disso há dias.

– Talvez seja melhor assim. – A Uchiha falou com a voz baixa. – Além dos danos físicos, imagina o dano psicológico que isso pode causar na Sarada... Tão jovem. – Suspirou. – E as pernas dela?

– Ela não sente nada da cintura pra baixo... Não tem reflexos ou movimentos também. – Segurou as lágrimas. – Doeu tanto ouvi-la falar que não sentia as pernas, que estava sentindo dor pelo corpo... Que se sente culpada.

Mikoto suspirou. Já estivera naquela posição de sentir dor pelo filho. Mas, de fato, a situação de Sasuke não fora tão complicada. Não houve tortura, não houve dano psicológico, não houve sequelas. Sabia que seu caçula sentia dor, mas ele não reclamava, tentava se mostrar forte.

Mas sua neta provavelmente estava amedrontada, mesmo que não se lembrasse de tudo. Acordou sem sentir as pernas e com ferimentos doloridos pelo resto do corpo, sua mente deveria estar uma loucura com aquilo.

Levantou-se da poltrona e abraçou a Haruno. Estavam mais próximas desde o incidente, afinal passavam o dia juntas ao lado de Sasuke.

– A Sarada vai se recuperar, mesmo que leve tempo para isso. Ela tem um pai e uma mãe que dariam tudo por ela. Nós também estaremos aqui. – Se afastou um pouco e olhou nos olhos de Sakura. – Ela não estará só. Vamos superar isto juntos, certo? Temos que ser fortes.

A rosada concordou balançando a cabeça.

– Obrigada...

– Preciso ir em casa e quero aproveitar o horário que o Fugaku não está lá. Fique aqui com Sasuke por alguns minutos, por favor.

– Tudo bem, não sairei de perto dele. – Assentiu.

Sentou na poltrona onde Mikoto estava anteriormente e segurou na mão de Sasuke, entrelaçando seus dedos.

Sabia que o Uchiha estava bem e que a cicatrização do membro amputado estava ótima, mas ainda assim não via a hora de ele receber alta do hospital.

Olhou para o homem que dormia e pensou em como as coisas seriam difíceis pra ele também. Assim como Sarada, Sasuke teria que se adaptar à nova condição. Ele não havia perdido os movimentos, mas perdeu um braço e no início com certeza seria complicado até para se vestir sozinho, sem falar que ele era canhoto e perdera justamente o braço esquerdo. Provavelmente não iria poder voltar a dirigir e teria que aprender a usar somente o braço direito.

Sasuke começou a resmungar e Sakura estranhou, pensou que ele estivesse com dor e notou que o moreno ainda dormia. Ele suava e parecia agoniado.

– Ei, Sasuke, acorda! - Ela se levantou e o sacudiu de leve pelo ombro. – Sasuke, você está sonhando!

O Uchiha abriu os olhos assustado, seu coração batia acelerado.

– Sakura... – Soltou um suspiro de alívio.

– Você estava sonhando, Sasuke.

– Aquele pesadelo... – Levou a mão até a testa. – Aquele maldito pesadelo.

Sakura sabia muito bem de qual pesadelo Sasuke falava... Sarada desfalecendo em seus braços após ser ferida por Naruto.

Essa cena não saía de sua cabeça, simplesmente não conseguia esquecer e se sentia culpado pelo que aconteceu com a filha. Ele não chegou lá a tempo.

– Relaxa... – Sakura fez um carinho na bochecha dele. – Já passou.

– E a Sarada? – Indagou. – Como é que ela tá?

– Sóbria e confusa ao mesmo tempo. – Explicou. – Ela não se lembra direito do que aconteceu.

– Isso até que é bom... Lembrar dessas coisas agora não seria bom pra ela. É bom mesmo que não se lembre por enquanto.

– Ela perguntou pelo pai dela. – Enfatizou a palavra "pai". – Ela não te chamou de Sasuke... – Esboçou um sorriso meio torto, talvez um pouco forçado.

– Mas te chamou de Sakura. – Deduziu o moreno.

– É. – Riu sem humor. – Me sinto egoísta. Essa não é a hora de eu ter ciúmes por isso.

– Ela te aceita como mãe, não liga pra isso. – Sasuke levou sua mão até o rosto da rosada e passou delicadamente o dedão por sua bochecha. – É uma questão de tempo.

– Você tem razão... – Forçou um sorriso e levou sua mão até a dele, dando um beijo nela logo em seguida. – São tantas coisas passando pela minha cabeça ultimamente.

– Sakura, e... – Sasuke ficou um pouco inseguro e com medo, mas prosseguiu segundos após sua frase morrer no ar. – E os movimentos dela?

– Nada... – Uma expressão triste tomou conta do rosto de Sakura. – Movimentos, sensibilidade, reflexos... Nada.

– Merda! – Praguejou, fechando os olhos em seguida e não contendo suas lágrimas. – Por que não eu? Por que ela? Por que minha filha?

– Me faço essa pergunta todos os dias. – A rosada enxugou as lágrimas que caíam descontroladamente pela face do moreno. Ela também queria chorar, mas sentia que devia se manter forte. Não podia chorar na frente de Sasuke, precisava dar apoio ao homem que estava numa situação pior do que a sua. – Não chore, Sasuke.

– Como não? – Olhou para ela com os olhos tristes.

– A médica disse que há esperanças. Sarada tem chances de voltar a andar. Ela vai começar com a fisioterapia ainda aqui no hospital e vai continuar quando sair.

– Eu quero ver a Sarada. Quero falar com ela. Quero abraçá-la... – Outra lágrima caiu. – Mas será que eu aguentaria vê-la como ela está agora?

– Ela ainda está um pouco confusa e não está ciente de tudo que aconteceu com ela. – Suspirou. – Quando a ficha da Sarada finalmente cair... Bem, eu temo a reação dela.

– Eu conheço a Sarada. A reação dela não vai ser boa e nós dois temos que estar preparados pra isso.

– Eu sei que não vai ser fácil.

– Não vai.

– Mas nós vamos estar lá pra ela... – Sakura deu um beijo na testa de Sasuke. – Sempre.



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