História Ambíguo - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Kai, Lu Han, Personagens Originais, Rap Monster, Sehun, Suga, V
Tags Aceitacao, Amor, Bottom!taehyung, Cattary, Hopev, Saturncat, Taeseok, Top!hoseok, Trans!taehyung, Trans*, Vhope
Visualizações 395
Palavras 4.035
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Escolar, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


oi, oi!
Desculpem a demora, finalmente estou de férias, só aguardando para saber se eu passei de ano ou não
*rindo de nervoso*

Enfim, muito obrigada pelos comentários do capítulo de aviso, eu o apaguei como falei que faria, mas salvei os comentários porque me deixaram muito feliz, haha
Não me batam, mas eu já estou escrevendo esse capítulo há umas duas semanas, mas nunca ficava bom. Acho que já apaguei e recomecei tantas vezes que meu cérebro bugou. Revisei (umas 47 vezes), mas se passou alguma coisa me perdoem.

Prometo postar os próximos mais rápido, espero que ainda não tenham desistido de mim <3

Precisava de uma galerinha aí, então resolvi chamar o EXO pra fanfic :v

AH! E MUITO, MUITO OBRIGADA PELOS QUASE 100 FAVORITOS!!!! \o/

Boa leitura!

Capítulo 5 - Well, I will ask too


Fanfic / Fanfiction Ambíguo - Capítulo 5 - Well, I will ask too

Eu pensei que estivesse pronto. Honestamente eu pensei. Só que, parando para refletir um pouco melhor sobre a minha situação, acho que estou só tentando fazer tudo parecer menos grave do que realmente é. Não sei se eu consigo mesmo encarar aquela escola inteira depois te assumir uma “cara” diferente. Ou aspecto. Ou como preferir falar. Já disse para mim mesmo infinitas vezes que sou confiante, mas existem certas coisas que me aterrorizam e esta é uma delas.

Minha mãe disse que me levaria ao shopping nesse final de semana e que eu poderia comprar tudo aquilo que quisesse — meu pai deve estar surtando porque ela provavelmente pegou o seu cartão de crédito para fazer esse meu banho de lojas —, eu estou contente que ela me apoie. E Hoseok me apoia também… Eu acho que estou parecendo um tipo de fissurado por falar no garoto tanto assim, mas o que posso fazer?

O fato era que eu ainda não estava pronto; pelo menos eu acho que não estou.

Acabei por deixar aquilo passar outra vez. Será que eu quero mesmo deixar de usar as minhas saias e meias e vestidos e… Tudo bem, eu estou meio que desesperado agora. O que foi mesmo que o Hoseok me disse?

“É como cortar o cabelo” … Certo!

É simples, não é?

Nem tanto assim, mas eu tenho que ser corajoso agora e levar isso adiante. O fato é que eu não posso deixar de viver da maneira que eu quero por medo do que as pessoas vão pensar sobre mim. Eu sou mesmo indeciso, confuso, todo bagunçado e sem sentido, mas é isso o que eu sou e não posso viver fugindo disso. Hoseok tem toda a razão… Eu sempre demonstrei ser do tipo que não liga para a opinião alheia, então não devo fraquejar agora e fazê-lo pensar que eu sou uma grande mentira ambulante e desastrada. Dramatizando outra vez.

Respirei fundo e abri os olhos encarando o meu reflexo uma última vez antes de deixar o quarto e seguir até a cozinha. Como sempre, a minha mãe preparava o nosso café da manhã. Ela cantarolava uma das músicas antigas que eu não conhecia e me sentei ainda a escutando.

— Você parece feliz hoje. Aconteceu alguma coisa? — perguntei não contendo a curiosidade depois de vê-la arriscar alguns passos de uma coreografia até que vergonhosa.

— Meu tesouro é tão curioso… — ela deixou o fogão de lado, se aproximando com o que pensei ser outra de suas refeições saudáveis para começar o dia, mas assim que ela deixou o prato cheio de frituras na minha frente, arregalei os olhos surpreso.

— O papai vai comer isso aqui?

— Mas é claro que não, meu bem. — ela se sentou ao meu lado com um sorriso arteiro. — Ele precisou sair mais cedo hoje, então pensei em esvaziar a nossa geladeira dessas porcarias.

Apontou para as fatias de bacon e começou a comer animadamente, como se ignorasse a própria fala anterior.

— Você só está aproveitando, não é?

— Tesouro, seu pai está me deixando louca com essa história de comida saudável. Não posso colocar muito sal, a gordura tem que ser moderada, nada de fast food. Eu deveria ter escutado a minha mãe, sabe? — deixei que ela desabafasse enquanto tratava de comer antes que ela mudasse de ideia e me desse alguma fruta. — Ela me avisou que esse homem ainda me daria muito trabalho. As mães estão sempre preocupadas com seus filhos.

— Mãe, você está tentando insinuar algo?

— Mas é claro que não! — colocou uma mão no peito em um de seus gestos exagerados. — Só estava pensando mesmo…

Bufei.

— Eu sabia! Lá vem.

— Tesouro! Eu realmente gostei de ver você feliz e decidido, mas… É mesmo isso que você quer fazer?

E eu nem precisava perguntar qual era o assunto.

— Mãe, eu entendo que deva ser difícil pra você me aguentar sempre mudando e tudo o mais, só que… Também é muito difícil pra mim. Viver com essas minhas mudanças. Não quero te pressionar. Talvez seja melhor esperar um tempo.

— Taehyung, eu não estou falando nesse sentido. — ela segurou o meu rosto entre as mãos e parecia meio angustiada. — Só estou preocupada com você. Já faz tanto tempo que você aceitou ficar de um jeito só, que eu pensei que talvez tivesse algum outro motivo por trás disso. E se estiver acontecendo alguma coisa eu realmente quero que você seja honesto e me diga, seja lá o que for.

Droga. Aquela era uma zona perigosa. Minha mãe não poderia sequer sonhar com as coisas que Jimin já havia feito ou dito. Seria o fim da vida do garoto e, apesar de tudo, eu não desejava o ódio da minha mãe nem para o meu pior inimigo.

— Pois não precisa se preocupar comigo. — coloquei as minhas mãos por cima das dela e as retirei dali com delicadeza, fazendo um carinho suave. — Eu estou bem, não está acontecendo nada demais.

— Promete?

Respirei fundo outra vez. Eu odiava mentir, mas era preciso.

Prometo.

 

[…]

 

Fui para a aula e ignorei os comentários usuais. Após os três longos períodos que antecediam o intervalo, guardei todo o meu material e saí da sala.

Andei devagar até o refeitório, onde o almoço era servido. Todos os alunos ficavam reunidos ali, conversavam alto e davam risada de suas próprias piadas e aquela foi a primeira vez que eu senti falta daquilo. Me acostumei rápido demais a ter “amigos” e agora tenho que lidar com isso, certo? Jungkook me mostrou algo incrivelmente bom e agora eu estou assim. Em silêncio, me servi com o cardápio do dia: uma coisa laranja quase fluorescente com textura de purê de batata, uma porção de ervilhas cozidas que devem ter saído de alguma lata e uma carne de aparência tão duvidosa quanto tudo naquele lugar, principalmente o sorriso das funcionárias que serviam as bandejas.

Me virei para sair dali e ir para o meu amado gramado, quando uma voz me chamou atenção e, ao olhar em sua direção, vi o garoto de sorriso simpático acenando para mim de uma das mesas. Acenei de volta e então percebi que ele estava me chamando até lá. Andei rápido e quase ansioso depois de ter quase passado vergonha na frente dele — afinal não é todo dia que uma pessoa fica de pé no meio da multidão acenando para o além.

— Hyung, sente-se aqui!

— Ah, eu não quero atrapalhar vocês. — olhei para as outras pessoas na mesa. Na verdade, eu era um pouco ruim em me enturmar com pessoas da minha idade.

— Não está atrapalhando. — Jungkook fez os outros dois garotos ao seu lado se afastarem para ceder espaço para mim. Eu já me sentia um incômodo só por estar ali. — Pode se sentar aqui.

Ele indicou ao perceber que eu estava ainda de pé com a bandeja em mãos. Seria ainda mais estranho se eu rejeitasse a oferta depois de tê-los feito saírem de seus lugares, então apenas me sentei ali, me apertando ao lado de Jungkook para não cair do banco.

 Ele deu um pigarro discreto e seu virou para mim, bastante animado.

— Bom, eu vou te apresentar os meus amigos, hyung. — primeiro ele apontou para os garotos ao seu lado. — Esses são Chanyeol e Kyungsoo. — trocamos gestos com a cabeça e então ele apontou para os outros três sentados na nossa frente. Dois garotos e, entre eles, uma garota com aparência fofa. — Jongin, Jisoo e Jongdae.

Novamente curvei um pouco a cabeça e então nós começamos a comer. A garota não parava nem por um segundo de falar e notei que ignorava a minha presença, assim como os outros garotos, com exceção de Jungkook. Eu não poderia estar mais desconfortável.

— Oppa, eu não tenho uma dupla para fazer o trabalho de inglês! — reclamou em um tom agudo enquanto fazia seu charme. Não podia negar que ela parecia um anjo, delicada e frágil. — Por que você não faz comigo?

— Jisoo… Eu já estou fazendo com o Jongin. — Jungkook respondeu e quase não reconheci seu ar gentil e amistoso ao falar meio impaciente com ela. Parei para prestar atenção na conversa.

— Isso é injusto! Eu estava doente e nem fui pra aula no dia que o professor passou esse trabalho. Eu queria muito fazer com você, oppa. — olhou de relance para o outro lado, fazendo um bico. O tal de Jongin suspirou pesadamente.

— Vocês podem fazer juntos, eu arrumo outra dupla.

— É mesmo? — agora um sorriso brilhante lhe roubava espaço nos lábios.

Acho que encontrei alguém mais bipolar que eu.

— Não precisa fazer isso, Jongin.

— Tudo bem Jungkook, acho melhor não contrariar.

— Ele está certo. — o que sentava mais próximo de Jungkook, cujo nome eu não me recordava, se pronunciou e a garota sorriu ainda mais vitoriosa e convicta.

— Ahn, se me dão licença, eu vou voltar pra minha sala, já acabei.

Os olhares de todos estavam enfim sobre mim enquanto eu já me levantava apressado para sair dali o quanto antes.

— Você já vai? — Jungkook perguntou e parecia um pouco transtornado.

— Sim, eu tenho que pegar um papel na diretoria. — menti.

— Tudo bem, nos vemos mais tarde.

— Até mais. — olhei para os amigos do moreno. — Foi um prazer.

Quantas mentiras eu sou capaz de dizer antes de fechar os olhos e dormir essa noite?

Procurei Hoseok pelo refeitório, mas ele aparentemente já havia deixado o lugar há algum tempo; acho que ele nunca fica por ali.

Quando eu já estava sentado outra vez na cadeira desconfortável da sala de aula, senti o celular vibrar no bolso e o peguei sem que o professor ou outra pessoa pudessem ver. Era uma mensagem de Jungkook. Não uma mensagem qualquer, ele queria saber se eu podia encontrá-lo na saída. Respondi que sim e logo voltei minha atenção para o discurso quase infinito do professor de literatura. Que bom que o sinal sempre soa bem alto e alerta a todos que a aula acabou ou era bem provável que ele continuasse falando por horas e horas sem nem se dar conta.

No horário da saída, fiquei esperando pelo mais novo na entrada da escola e não levou mais do que cinco minutos para ele aparecer todo suado e ofegante. Apoiou as mãos nos próprios joelhos, curvando um pouco o corpo para frente.

— Desculpe, hyung. O ginásio fica meio longe. E eu vim correndo. — sua fala entrecortada pela respiração me fez rir.

— Você queria falar alguma coisa?

— Sim, eu só… Preciso de um segundo. — levantou o indicador e aguardei pacientemente alguns instantes até que sua respiração e postura se normalizassem. — Será que você pode me ajudar em uma coisa?

— Depende, do que se trata?

— É um pouco errado pedir, mas seria de grande ajuda hyung.

— Pode dizer. — insisti ao notar o receio em sua voz.

— Bom, você é mais velho que eu, então deve ter… Você sabe, cadernos ou provas do primeiro ano, certo?

Jungkook colocou as mãos para trás e então eu entendi o que ele queria.

— Você quer minhas anotações? Eu joguei meus cadernos fora, mas guardei as anotações pra estudar para o vestibular no futuro.

— Você vai mesmo me emprestar? — seus olhos estavam brilhando e eu não conseguia compreender o motivo para tanta felicidade só com um punhado de folhas rabiscadas de informações e notas sobre conteúdos diversos. — Eu estou muito mal em algumas matérias, isso salvaria a minha vida.

— É claro, você só precisa me prometer que vai tomar cuidado e me devolver no final do ano.

— Eu prometo, hyung! — ele exclamou com um sorriso enorme. — Suas anotações estão em casa?

— Sim, eu posso trazer pra você amanhã, tudo bem?

— Ahn… Eu poderia ir com você, tenho uma prova amanhã e queria já começar a estudar. Você se importaria? — o garoto coçou a nuca num gesto de nervosismo. Acho que no fundo ele só está um pouco envergonhado pelo pedido.

— Não, pode vir se quiser. Minha casa não fica muito longe daqui.

— Obrigado.

Jungkook foi andando comigo até em casa e, quando chegamos, abri a porta com a minha chave, deixando que ele entrasse na frente. Nós abandonamos nossos sapatos na entrada.

— Cheguei! — gritei para avisar a minha mãe.

Não demorou muito e ela já estava na entrada de casa olhando para o Jungkook como se eu tivesse levado um alienígena para lá.

— Olá, eu sou Jungkook. — ele fez uma reverência cordial.

— Oi Jungkook, é um prazer finalmente te conhecer. — olhei para ela curioso, do que ela estava falando? — Então você é o namoradinho do meu tesouro?

Jungkook ficou surpreso com a pergunta, mas não tanto quanto eu fiquei. Minha mãe queria me matar de vergonha logo na primeira vez que eu levava alguém até lá?

— Mãe, pare de dizer besteiras, você está envergonhando ele. Jungkook só veio buscar algumas anotações que eu vou emprestar.

— Tudo bem, podem ficar tranquilos. O segredo de vocês está seguro comigo.

Jungkook ainda não tinha falado mais nada, então o puxei para o andar de cima, ignorando os devaneios da minha mãe.

— Não ligue pra ela. — fiz menção de abrir minha porta e o olhei. — E não ligue pra bagunça, esse aqui é o meu quarto.

— Ahn… Certo.

Abri a porta devagar e então dei passagem para o mais novo, que parecia meio receoso sobre entrar ali. Era só o meu quarto, afinal somos dois garotos, o que isso tem de mais?

— Fique à vontade. Pode se sentar em algum lugar enquanto eu procuro as minhas anotações, sei que estão aqui em algum lugar.

Jungkook se sentou na beirada da minha cama, que, além do chão, era o único lugar em que podia se sentar no meu quarto. Ele se remexeu como se a posição fosse desconfortável e então retirou alguma coisa debaixo de si. Quando vi que se tratava de uma das minhas meias, corri até ele e a apanhei com certa pressa. O que diabos minha meia estava fazendo ali? E porque, dentre tantas meias, logo uma cor de rosa rendada?

A joguei dentro do guarda-roupa e fingi que nada tinha acontecido, me ajoelhando na frente do meu “armário de bagunças” e procurando finalmente pelo que havia ido encontrar desde o princípio.

Estávamos em um silêncio meio esquisito, então liguei o rádio e uma das músicas do momento tocava, fazendo o garoto bater o pé no chão ao seu ritmo.

— Seu quarto é todo rosa, é fofo.

— Ah, obrigado. Minha mãe decorou ele quando eu era mais novo e acabamos deixando assim. Parece o quarto de uma garota de dez anos.

Jungkook deixou que uma risada doce lhe escapasse dos lábios e eu mesmo sorri pela “piada” que havia contado a ele. Não era exatamente uma mentira no fim das contas. Quando finalmente achei minhas anotações, levantei do chão e me sentei ao lado do mais novo, entregando os vários papéis grampeados e organizados por matéria. Passando brevemente pelas folhas, ele viu meus diversos rabiscos de marca-texto colorido e post-its. Eu sempre fui bastante organizado com os materiais de escola e as minhas coisas em geral.

— Muito obrigado, hyung. Vou tomar bastante cuidado.

— Tudo bem, eu confio em você. — baguncei seus cabelos rapidamente e logo vi minha mãe entrar no quarto.

— Trouxe um lanchinho pra vocês! — ela deixou uma bandeja em cima da cama, entre nós dois. — Sei que já estão grandinhos pra isso, mas achei que pudessem estar com fome.

Agradecemos e ela logo foi embora, encostando a porta, mas não a fechando. Jungkook pegou um sanduíche da bandeja e fiz o mesmo. Minha mãe estava realmente caprichando, porque nunca me fazia mimos como aquele, com direito até a suco e guardanapos de papel. Acho que vou trazer amigos aqui em casa mais vezes.

— Sua mãe é muito legal.

— Ela é um pouco louca, mas admito que é a melhor mãe que eu poderia ter. Ela gostou mesmo de você, senão nem teria aparecido por aqui.

Jungkook sorriu olhando para o próprio sanduíche em mãos e eu continuei só escutando a música que tocava. Era a primeira vez que alguém “de fora” entrava no meu quarto e aquilo era estranhamente normal demais. Ainda mais se tratando de um garoto. Deve ser porque o Jungkook é como um irmão mais novo e gentil que acaba fazendo o papel de mais velho as vezes, me puxando para seus círculos de amizade e coisas do tipo.

— Então… Acho que já estou indo pra casa.

Percebi que ele tinha terminado de comer.

— Tem certeza? Você acabou de chegar.

— Sim, eu não avisei meus pais que ia demorar hoje, então acho melhor eu ir logo.

— Certo, eu te levo até a porta.

Levantamos e tive que insistir para que o garoto deixasse a bandeja ali no meu quarto já que ele queria levá-la para o andar de baixo e ajudar a minha mãe com as louças. Fiquei parado na porta de entrada enquanto Jungkook calçava os sapatos, pensando em como seria mais apropriado me despedir dele. Nunca fui muito bom com contato humano.

— Até amanhã, hyung! — Jungkook me deu um meio abraço, de certo modo me poupando de ter que pensar tanto em nossa despedida.

— Até amanhã.

Fechei a porta quando ele saiu e assim que virei me assustei com a presença da minha mãe. Olhei feio para ela.

— Que cara é essa? Eu só estou curiosa, anda me conta tudo.

— Contar o quê?

— Sobre o seu namorado.

— Ele não é meu namorado.

Ela coçou os lábios por um instante. De repente meu pai apareceu e se posicionou atrás dela.

— Taehyung está namorando? — ele perguntou com seu semblante confuso e dei um tapa na minha própria testa.

— Não! — gritei sem paciência.

— Entendi. Então vocês ainda não estão namorando?

— Não é nada disso! O Jungkook é meu amigo. Apenas amigos.

Minha mãe fez sua expressão decepcionada e então me arrastou até o sofá de casa, me sentando lá e me encarando profundamente. Meu pai ficou para trás, mas parecia relaxado.

— Tesouro, ele é um bom menino. Por que vocês são “apenas amigos”?

— Isso é sério? — esperei que ela fosse desistir daquela pergunta boba, mas a mulher apenas concordou com a cabeça me obrigando a continuar. — O Jungkook é um garoto que está sendo muito bacana comigo, mas não é como se eu gostasse dele ou ele de mim.

— Tem certeza? Ele te olha como se você fosse uma escultura de ouro.

— Mãe! Isso não é legal, é só coisa da sua cabeça.

— Se você prefere pensar assim, tesouro. — deu um beijo na minha testa e se retirou.

Aquilo não fazia sentido algum. Jungkook pode até me tratar de um jeito um pouco “especial”, mas isso é porque ele me respeita como hyung ou talvez só não saiba direito como agir comigo ainda. Isso. Eu sou o irmão mais velho do Jungkook, não tem como ele pensar o contrário, aliás, o garoto é hétero até onde eu sei. Pelo menos nunca escutei nada a respeito disso. Minha mãe fica colocando coisas bem estranhas na minha cabeça, eu nem deveria estar dando atenção para isso.

 

[…]

 

No dia seguinte eu acordei com as energias renovadas. Parecia um pouco mais seguro das minhas escolhas e isto é um tanto incomum no último mês. Passei boa parte da manhã pensando se seria muito estranho se eu pedisse ajuda para o Hoseok, mas só cheguei à conclusão de que deveria perguntar antes que perdesse a coragem. Esperei a hora certa, mas o problema é que para quem está ansioso a hora certa parece nunca chegar. Nos cumprimentamos na hora da entrada e deixei que ele fosse embora e estava prestes a fazer a mesma coisa no intervalo, então juntei toda a voz da garganta e gritei seu nome no corredor praticamente vazio. Umas duas ou três pessoas olharam na minha direção, mas a única que eu podia ver era ele.

Hoseok caminhou na minha direção e cada passo me deixava cada vez mais sem ar e fazia meu coração explodir no peito. Engoli em seco quando ele já estava na minha frente perguntando o que eu queria com seu belo sorriso.

— E-eu… Queria… Falar com você.

— Tudo bem, eu estou escutando. Estou escutando o tempo todo, na verdade, mas você entendeu. Pode dizer. É melhor dizer logo antes que eu fique uns três minutos falando um monte de besteira.

Hoseok respirou fundo e eu queria rir. Ele era tão nervoso quanto eu, embora por seus próprios motivos, tão distintos dos meus.

— Eu preferia que a gente fosse pra um lugar mais vazio, é um assunto pessoal.

Ele assentiu e fomos até um dos corredores segundo andar da escola, que ficava sempre vazio naquele horário. Abrimos uma das salas e nos sentamos nas mesas. Olhei uma última vez para o lugar, só para me certificar de que estávamos sozinhos e só então voltei a falar.

— Você se lembra daquele dia que eu disse que queria “mudar”?

Hoseok fez que sim.

— Pois bem, seria muito bom se você pudesse me ajudar com isso. Não estou te forçando, é só uma sugestão ou um pedido.

— Sério? Uau, eu ficaria muito feliz se te ajudasse. Não sei bem como fazer isso, mas saiba que eu estou aqui se precisar de mim. Tipo, como um amigo. Você sabe.

Não sabia se ficava alegre eu decepcionado com aquelas palavras.

— Eu sei. Muito obrigado.

Hoseok ficou um pouco perdido em seus próprios pensamentos, eu sabia só de olhar para o seu rosto. Pensei que ele só ficaria ali calado, mas ele abriu a boca de repente:

— Ah, eu tenho que te pedir uma coisa também!

— Tudo bem, pode pedir.

O garoto retirou o celular do bolso de trás com alguma dificuldade e então voltou a me olhar.

— Será que eu posso ter o seu número? Você sabe, até aquele garoto do primeiro ano tem o seu número, então eu não vejo muito problema se eu tiver também. Claro, isso se você não se importar. Se você estiver achando estranho não preci-

Estiquei a minha mão e peguei o aparelho das mãos do mais velho, onde o aplicativo de contatos já estava aberto. Digitei o meu número quase tremendo de empolgação e então coloquei o meu nome. Tive que me controlar para não escrever algo como “amor da minha vida” ou “meu Taehyung”. Devolvi o celular.

— Obrigado. — ele ficou meio silencioso encarando a tela.

— Então… A gente tem aula agora, né? Eu já vou indo.

— Espera aí! — Hoseok segurou o meu braço e me puxou um pouco para perto de si. Aquela pequena distância entre nós dois era um risco para a minha sanidade. — Queria perguntar outra coisa também, se não se importar.

Fiz que sim, já que não conseguia soltar nenhuma palavra diante da situação.

— Pode me dizer a marca do seu perfume?

— M-meu perfume?

— É. Naquele dia, quando te encontrei e a gente acabou se abraçando eu senti o cheiro do seu perfume e acho que eu passei a semana inteira pensando naquele perfume. Quero comprar um igual e jogar na minha casa inteira.

Para a minha surpresa, Hoseok segurou nos meus ombros e colocou o nariz na curvatura do meu pescoço, aparentemente sentindo o meu cheiro. Acho que minhas mãos começaram a tremer. Era mesmo possível que meu corpo inteiro se arrepiasse apenas com aquela proximidade?

— E-eu te mando o nome por mensagem depois.

— Não precisa se incomodar com isso, só deixe eu sentir mais vezes. Não interprete errado, é que eu acho que esse perfume fica muito melhor em você do que se eu apenas colocasse por aí.

Hoseok geralmente era um pouco mais nervoso na hora de falar, mas ele parecia até que calmo naquele momento, como se as palavras não saíssem de modo automático, mas sim pensado. Calculado para abalar o meu emocional.

E foi naquele momento que eu percebi o quanto haviam coisas que eu sentia vontade de perguntar para ele, o quanto eu estava curioso… Só eu sabia. E se Hoseok queria me fazer tantas perguntas, mal sabia ele o quanto eu também as queria fazer para si; queria passar as vinte e quatro horas do meu dia somente despejando minhas palavras sobre ele, aguardando uma resposta. Na verdade, eu nem fazia muita questão das respostas. Eu só o desejava ali, ao meu lado, tão perto daquele jeito.

Tem praticamente um milhão de coisas que eu gostaria de lhe perguntar.


Notas Finais


E aí? Perceberam as entrelinhas?? ¬u¬
Esse é o capítulo que dá início para a fic de verdade, os outros foram meio que a "introdução", onde eu apresentei os personagens, alguns probleminhas e até mesmo a questão da sexualidade e identidade de gênero. Espero que não tenha nada MUITO confuso por enquanto...

Vocês gostaram desse Hoseok todo seme no final? Haha, o que será que aconteceu para ele ficar desse jeito? Confesso que até eu quero esse tal perfume do Tae agora <3

Beijos e até o próximo!


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