História Ambitious Love - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Vampire Diaries
Personagens Alaric Saltzman, Caroline Forbes, Damon Salvatore, Elena Gilbert, Jenna Sommers, Jeremy Gilbert, Klaus Mikaelson, Matt Donovan, Rose-Marie, Stefan Salvatore
Tags Delena
Exibições 73
Palavras 4.229
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - AL: Capítulo X


Fanfic / Fanfiction Ambitious Love - Capítulo 10 - AL: Capítulo X

 

I can try to stop it, all I like
Hands down I've lost this fight
Thought I was strong, enough for you
But I just can't hide the truth
So I guess I'm going down
I guess I'm going down
Like this

— Like This

 

Elena Gilbert P.O.V.

 

5 dias depois...

 

Sabe quando você cria expectativas, muitas delas e, de repente, de uma hora para outra, sente como se elas fossem arrancadas de si mesmo com um puxão cheio de agressividade? Sempre existe alguém que, naquele momento de satisfação, faz as honras, tem o prazer de acabar com sua alegria. Era exatamente assim como eu me sentia. As esperanças de ter uma nova chance no amor e de ser feliz novamente estavam altas, porém não é sempre que nossa vida continua seguindo o caminho até o final do arco-íris. Pelo menos, não a minha. Talvez isso fosse apenas um lembrete de que não havia solução para o meu caso e que ninguém iria ter interesse por mim. Eu havia esquecido, durante essas últimas semanas, as quais passei a conhecer e conviver com ele, do principal, o fato de não criar as tão famosas expectativas, não importa com quem seja, afinal, seja quem for e de uma maneira ou de outra, acabaria me desapontando.

Eu não poderia estar mais feliz á alguns dias atrás quando estava com Damon, prestes a fazer minha mudança. Estava virando uma página de minha vida e ele, para a minha surpresa, estava incluído nela. Meus pensamentos em relação á aquele dia nubloso não eram surpreendentes, não imaginavam coisas além do normal, nada muito fora do comum do meu cotidiano se passava pela minha mente, a possibilidade de algo de tamanha importância acontecer não era previsível. Ao contrário do que eu pensava, ocorreu algo inesperável. Nos beijamos. Foi tão espontâneo e de supetão, nada planejado, não era como se tivéssemos marcado data e hora para o nosso primeiro beijo. Imagino que nenhum de nós podia saber quando iria acontecer, poderíamos pensar sobre ele, mas não marcá-lo como se fosse um dever. Isso foi o que mais me encantou, nos aproximamos como se fôssemos imãs e apesar disso soar bobo e patético, era a verdade. O melhor beijo que já recebi e já concedi, tenho a certeza absoluta de que fora aquele. No momento em que nossos lábios encostaram um no outro, me permiti sentir completamente tudo o que me domava, desde o instante em que nos conhecemos até aquele atual. Era como uma avalanche de sentimentos, dúvidas e também respostas confundindo minha cabeça. Beijá-lo, retribuir o contato e torná-lo recíproco, me fez sentir completa, como se um pedaço, aquele que estava faltando, fosse finalmente reposto pela peça certa.

Nada pode atrapalhar, foi o que eu pensei. O ar foi necessário, infelizmente. Nunca na minha vida havia pedido algo assim, mas naquela hora não desejava ser humana, queria continuar. Abri os olhos primeiro que ele, afinal de contas, os seus permaneceram fechados por longos segundos. Quis questionar se estava tudo bem, mas me contive e esperei, tive paciência. Quando ele me deixou ver o mar azul, me deparei com um olhar incrivelmente repleto de carinho e amor, porém cheio de confusão, como se tivesse acordado no meio do nada e não soubesse onde estava. O silêncio se instalou no ar e eu continuei quieta, esperando que ele falasse alguma coisa, qualquer palavra que fosse, mas sua língua parecia não estar em sua boca, talvez tivesse sido arrancada. Ele estava assustado e por esse motivo largou meu rosto rapidamente, até mesmo grosseiramente, e saiu em direção a porta, abrindo e batendo a mesma em seguida.

Nos dias seguintes, ele não compareceu a escola e acredite, a decepção foi grande, não havia nem ao que comparar. Não me sentindo satisfeita, foi a sua procura, dirigi até o seu apartamento e lá o porteiro me avisou que o Salvatore havia dito que não gostaria de receber visitas e já que recebeu ordens não poderia me deixar entrar seja qual for a circunstância. Repeti a mim mesma como uma mantra que não deveria me deixar abalar, mas era impossível. Eu havia depositado toda aquela confiança, a qual prometi de dedinho nunca mais oferecer á alguém, naquela pessoa, por algum motivo havia aberto uma exceção, deixado a mesma entrar e descobrir meus piores temores e fraquezas, para o quê? Para a mesma fugir assim que se desse conta do que diabos estava fazendo? Eu perguntei se Damon sabia no que estava se metendo e ele me deu a certeza de que sim, que me ajudaria e ainda me consertaria, faria com que eu me tornasse inteira novamente e pudesse ter uma relação estável com alguém. E foi assim que me fez sentir quando me beijou, começou a cumprir com o que disse, mas logo tratou de ferrar com tudo quando olhou no fundo dos meus olhos e me deu as costas, sem dizer uma palavra, não me dando explicações de seu sumiço. Talvez ele tivesse me beijado e se decepcionado, tirando a certeza de que eu não servia para ele. Isso não era uma surpresa, as pessoas se cansavam de mim, não havia nada muito interessante a não ser o dinheiro e ele, já que não havia se interessado pela grana, deve ter se afastado por outros motivos, porque simplesmente não viu nada demais na sem sal. Saiu comigo, passou um bom tempo ao meu lado, o suficiente para entender que eu era fudida da cabeça e quebrada por dentro, o que era o bastante para não querer seguir em frente com suas intenções.

— Tá bom, já chega, agora você vai me contar detalhe por detalhe do que está acontecendo! — Caroline arrancou meus fones de ouvido e me fez parar com a organização no armário. Revirei os olhos e olhei para ela com uma cara nada boa, bufando em seguida. — O que é? Cara feia pra mim é fome! — Botei a língua e sorri, tentando aliviar o clima, fazê-la rir para então sair do quarto e esquecer o assunto. — Não venha com gracinhas, me fale agora qual é o problema!

— Que problema? Não há nada de errado comigo! — Me defendi, mas até mesmo alguém que não me conhecesse concluiria e diria que eu era uma má mentirosa.

— Qual é! Você anda triste pelos cantos, na escola fica olhando para os lados como se estivesse à espera de alguém, está desconcentrada dos estudos e isso não é normal, pois você é uma nerd, não anda falando muito, nem mesmo para reclamar da minha sujeira pelo apartamento, o que você faz sempre até mesmo quando não morava comigo, está arrumando seu armário pela quinta vez essa semana e nós duas sabemos que você só faz isso quando está tentando tirar a cabeça de algum lugar. Limpeza é sua distração e solução ao invés de chocolate como a maioria das garotas. — A loira me conhecia bem demais, deveria sempre me lembrar que esconder algo dela não era uma ideia muito inteligente.

— Não há de errado em arrumar o guarda-roupa com mais frequência. —  Tentei me defender.

— Fizemos a mudança agora e está tudo arrumado, você mesmo se certificou de colocar tudo exatamente no seu lugar, como uma louca pirada por organização. E não discuta comigo porque é perda de tempo, sabe que estou certa. — O semblante vitorioso presente em seu rosto de quem já sabe que venceu a discussão era irritante.

— Intimidade é uma droga. — Resmunguei, largando minhas roupas dobradas em cima da cama e depois sentando na minha bola de pelúcia, a qual servia como um banquinho. Ela cruzou os braços e continuou me olhando. — Tudo bem, eu desisto, você venceu. Eu venho saindo com alguém. — Olhei para o seu rosto, esperando por uma expressão de surpresa, a qual não veio. Minha amiga me olhava como se eu não estivesse contando nenhuma novidade, o que era estranho já que eu não havia compartilhado detalhes sobre Damon.

— Sim, Damon Salvatore, o gostoso da jaqueta preta. — Pisquei várias vezes, boquiaberta, tentando lembrar quando eu havia abrido a boca sobre o assunto sem notar. — Ah, Elena, não sou idiota, sou a Caroline Forbes, a maior espiã do FBI. — Rolei os olhos para o exagero. — Não é preciso saber muito para notar algo assim. Vocês passaram alguns intervalos grudados, tenho meus contatos que me mantiveram informada, já que a minha melhor amiga não se sente segura para me contar. Ele te seca com os olhos todo o dia quando chegamos no portão, você anda suspirando até mesmo quando fala, vive no mundo da Lua, sempre ocupada ás tardes e não fica triste frequentemente. E o mais importante, vi você chegando tarde essa semana com a tal jaqueta preta e trocando mensagens quase sempre, sorrindo como uma idiota para a tela do celular. — Uma risada saiu pela sua garganta ao ver minha cara de espanto. — Sou apenas observadora. — Deu de ombros como se não fosse nada de importante, como se não tivesse acabado de descrever tudo o que eu fazia atualmente.

— Nossa, vou começar a me cuidar perto de você, checar se não colocou câmeras aqui dentro! — Ironizei.

— Cale a boca e me conte.

Contei a ela o que aconteceu, desde o piquenique até cinco dias atrás, dramatizando um pouco na parte do “abandono” e a primeira coisa que ouvi foi um xingamento.

— Você é idiota ou o quê? — Franzi o cenho e gemi de dor quando senti um soco no braço. Caroline sempre muito delicada. — Porque espera a mesma coisa de todo mundo? O garoto não pode ter outro motivo a não ser “percebido o quanto Elena Gilbert é desinteressante”? — Abri a boca para responder, mas logo fui interrompida. — Eu sei, eu sei, você está casada de ser magoada e acaba achando que todos que se aproximarem irão fazer a mesma coisa. Elena, não posso dizer que lhe entendo, pois nunca senti isso na pele, mas eu tento. Não acho que é drama, pelo contrário, você tem todos os motivos para se fechar, porém é meu dever não incentivar isso. É meu dever como amiga fazer de tudo para que você não desista. Precisa olhar para frente e enfrentar seus medos. Damon é sua nova chance. — As palavras dela mais uma vez me faziam pensar duas vezes. Elas me deixavam com um pé atrás. Caroline sempre me dava os conselhos certos nos momentos certos, o único problema é que era difícil eu seguí-los, faltava coragem.

— E porque você acha que ele fugiu? Qual a outra explicação que pode me dar? — As lágrimas já invadiam meus olhos, eu tentava segurá-las.

— Ele pode ter se sensibilizado com o beijo. Você me disse que ele parecia gostar mesmo de você, o que, segundo a palavras suas, era estranho, pois antes ele era do tipo pegador. Isso é típico, Elena, ele se assustou com o que sentiu. — Pensei na possibilidade e fiquei feliz por um instante ao acreditar na mesma, mas meu lado instável e insegura fez questão de logo descartá-la.

— Eu não sou tudo isso, não posso me valorizar a esse ponto. Não sou a última bolachinha do pacote. — Vi a impaciência crescendo em Caroline, o que significava que ela estava desistindo.

— Ok, não vou mais me meter, só se minha ajuda for pedida. Mas, Elena, se você perder, talvez, a única chance de ter o cara certo por esses seus medos que deveriam ser superados e esquecidos, você deve ter em mente que isso foi coisa de sua cabeça e apenas sua culpa. — Então ela virou as costas e me deixou sozinha. E me deixar sozinha nunca era uma boa ideia.

— Tem razão, vou fazer o que eu quiser.

 

 

Damon Salvatore P.O.V.

 

Lá estava eu, em Carolina do Sul, na rua onde passei a minha infância, onde cresci e na maioria do tempo fui infeliz. Aquele lugar me dava arrepios e me trazia lembranças, flashbacks que eu tentava bloquear a todo maldito minuto, desdeque botei meus pés na cidade. Eu prometi, em voz alta, nunca mais vir aqui, achei que nada terrível poderia acontecer a ponto de me fazer recorrer a minha família, mas parece que mordi minha língua. O ódio aumentava dentro de minhas veias por aquela garota, até isso a maldita me fez fazer. Era por causa dela que eu estava aqui. Os sentimentos que tomaram conta de mim depois do beijo me deixaram apavorado, sem ter saída e pra onde correr. Era como se Atlanta fosse pequena demais pra mim e eu estivesse completamente sozinho no mundo sem entender nada do que se passava comigo, então pensei em Stefan. Meu irmãozinho benfeitor, aquele que entendia tudo do psicológico das pessoas. Aquele que era um amor e gostava de falar dessas coisas que se chamam sentimentos, tais que eu estava conhecendo agora. Em outras palavras, ele gostava de me irritar. Teria que relevar essa minha mágoa, afinal, não era dele que eu deveria sentir raiva, o coitado não tinha culpa e nem sabia da metade da história. Na verdade, ele era o mais próximo de família que eu tinha, o único que ainda via o meu lado bom e que se preocupava. O único que talvez ainda tivesse um pouquinho de esperança na minha pessoa e quem sabe orgulho típico de irmão mais novo. Aquele que vê o irmão mais velho como um espelho e quer sempre ser igual ao mesmo. No nosso caso, eu tinha certeza de que Stefan fazia de tudo para não ser igual a mim.

Olhei para a porta verde, recém pintada, mas que ainda tinha o mesmo estilo, exatamente como a casa reformada. Bati na porta e esperei por vários e longos minutos até a mesma ser aberta. Stefan continuava com a mesma aparência do que a de dois anos atrás, a última vez que o vi. Loiro, com o topete cheio de gel que ele chamava de cabelo levantado para cima, as camisetas de flanela e as calças surradas, as quais ele achava incrivelmente sexy. Os olhos verdes, diferentes dos meus, e cara de palerma.

— Não acredito. — Ele sandou incrédulo e eu apenas levantei as duas mãos para cima em sinal de rendimento. Eu esperava um aperto de mãos como dois homens, mas ele logo tratou de me puxar para um abraço de urso. Poderia até reclamar, e iria, mas acabei gostando e retribui, batendo em suas costas. Sentia falta dele, apesar de não admitir e sempre falar mal do mesmo, ele era meu irmão e sempre seria. Não importa o passado. — Você finalmente veio depois de tanto tempo! Entre! — A felicidade dele era contagiante e isso me deixou contente.

— Diga que Lily não está em casa. — Implorei, cheio de receio, hesitando na entrada da casa. Eu não iria se ela estivesse.

— Não, MAMÃE não está em casa. — Percebi, obviamente, o ênfase na palavra “mamãe” já que eu não a chamava mais assim há muito tempo. — Ainda não entendo sua implicância com ela, você já é bem grandinho para uma birra desse tamanho. — Olhei com certa raiva para ele, querendo acertar um soco em seu nariz, mas lembrei que ele não sabia de nada e que minha querida mamãe deveria encher sua cabeça de informações falsas. Respirei fundo e repeti para mim mesmo como um mantra.

Ele não é o responsável por tudo que aconteceu, não tem culpa, é apenas um pobre trouxa que não sabe da verdade no meio de toda confusão.

— E você já é bem grandinho pra continuar sendo filhinho da mamãe. — Respondi. Agora nós dois parecíamos aqueles moleques de nove anos brigando por besteira.

Ele apenas me olhou feio e ignorou. Certamente não queria brigar, não agora que finalmente estávamos tendo contato novamente depois de tudo, de todo o trauma causado pela morte de Giuseppe. Até então eu estava em uma área perigosa, mas me mantendo sobre controle, sem ter recaídas ao relembrar de coisas dolorosas, mas ao entrar na casa foi impossível ignorar as lembranças. Quase fui ao chão quando olhei para a sala de estar e uma sequência de momentos ruins invadiram minha cabeça, inclusive um em especifico

 

Estávamos jantando e um clima estranho havia se instalado no ar daquela cozinha, deixando-nos desconfortáveis por algo que nem foi esclarecido. Meu pai, de repente, largou o prato de supetão e bateu com o punho da mesa, como se não aguentasse mais o silêncio.

— Tudo bem, eu dei a chance de alguém abrir a boca até a essa hora da noite... — Ele dizia enquanto olhava o seu relógio. — Fui bonzinho demais, não acham? Mas vocês não aproveitaram. — Seus olhos corriam entre Stefan e eu. Nós dois estávamos assustados e nos entreolhávamos, afinal, sabíamos do que ele estava prestes a falar. — Quem pegou o dinheiro que estava na lata? — Giuseppe soltou a pergunta e senti um tremor percorrer minha espinha. Eu estava temendo pelo meu irmãozinho, do castigo que ele iria receber, talvez ainda mais rigoroso do que os que eu já levei.

Mais cedo, quando o pôr do sol aparecia no céu e papai ainda não havia chegado do trabalho, escutei o barulho de plástico atrás da casa e logo fui ver do que se tratava. Stefan estava agachado, no corredor da lateral da casa, comendo um pacote de chocolate, devorando o doce como se amanhã não fosse viver. Papai não nos deixava comer doces, só em ocasiões especiais como nossos aniversários, feriados e dias em que ele estava insuportavelmente feliz por motivos desconhecidos, os quais eram raríssimos. No meu caso, era quase nunca, mas com Stefan ele sempre abria uma exceção. Se eu havia comido mais de três vezes era porque Stefan era bonzinho e repartia comigo, sem nosso pai saber, mesmo que fazer as coisas escondidas dele seja muito arriscado.

— Você está louco? Se papai pegar você comendo isso sem ter pedido permissão está frito! — Tirei das mãos dele e bati em sua cabeça.

— Desculpe, Damon, mas eu estava com muita vontade. Juro que iria dividir com você. — Stefan estava arrependido, mas continuava lambendo a boca suja de chocolate e os olhos não desgrudavam do pacote em minhas mãos.

— Isso não me interessa. Me diga onde conseguiu o dinheiro. — Exigi explicações logo e pude sentir o cheiro de encrenca chegando quando vi sua expressão culposa.

— Da lata onde o papai guarda as economias no mês. — Sua voz era baixa e envergonhada.

— ONDE ESTAVA COM A CABEÇA? — Gritei, mas baixei o tom de voz em seguida ao lembrar da presença de mamãe em casa, que poderia escutar e vir verificar o que estava havendo. — Ele conta quanto há na lata todo dia de manhã quando sai para trabalhar e repete quando chega para ver se está tudo ali. Ele vai perceber.

— Mas peguei apenas cinco dólares. — Justificou ele, tentando amenizar a situação.

— Ele perceberá igual.

Enquanto Stefan me olhava com pavor nos olhos e eu pensava numa saída, numa solução para o grande problema que ele havia nos arrumado, afinal, se Stefan aprontava, mesmo que não tivesse nada a ver comigo, sempre arranjavam uma maneira de também me culpar, ouvimos o barulho do carro de papai entrando pelo portão de casa. Escondemos e barra e corremos para dentro.

—Vou perguntar mais uma vez e se não houver resposta, logo vou deduzir que foi sua mãe, mesmo ela negando... — Olhei pelo canto dos olhos e mamãe olhava para Stefan com pena. Ela era mãe e no fundo sabia que fora ele, conhecia seus filhos. Eu podia ter meus defeitos, mas não arriscaria pegar o dinheiro de papai, não sabendo de tudo que ele é capaz quando está com raiva ou em um dia não muito bom. — Quem pegou o dinheiro da lata?

O silêncio na mesa de jantar novamente teve a sua vez. Nos olhávamos, mas ninguém dizia uma palavra, com medo daquele homem grande e grotesco. Ele podia ser amedrontador ás vezes, com a voz mandona e a pose de autoridade, sempre com o rosto sério e carrancudo.

— Já que ninguém se pronunciou, Lily será que pode...

— Fui eu. —Lhe interrompi. Eu temia por mamãe e temia por meu irmão, não queria que nenhum dos dois pagassem. Temia por mim mesmo por levar as consequências de outra pessoa, mas não poderia deixar que ele fizesse com eles aquilo que várias vezes já fez comigo.

— Muito bem, Damon, me acompanhe até a sala, por favor. — Disse assustadoramente civilizado. Ao levantar da mesa, foi parado pela mão de minha mãe que alcançou seu braço antes de ir.

— Giuseppe, por favor... — Ela tentou falar algo, mas perdeu a coragem quando ele olhou para ela bem nos olhos.

— Fique quieta, mulher, não se intrometa. Não vê que isso é assunto de pai e filho? — O tom de ironia em sua voz me fez ficar ainda mais com medo.

Mesmo morrendo de pavor, segui para a sala, passando ao lado de Stefan, vendo seu olhar que ao mesmo tempo estava agradecido, aliviado e também culpado. Eu não crucificaria ele, na verdade, faria tudo por ele, até mesmo me sacrificaria, e isso nunca mudaria. Ao chegar na sala, olhei para as mãos de papai e nelas já estava a famosa cinta, a mesma que já senti arder em minha pele diversas vezes. Tremi com a visão e fechei meus olhos, deixando uma lágrima escorrer, esperando pela surra, aquela que já estava costumado em receber. Dessa vez iria recebê-la de graça, sem ter culpa. Não que das outras vezes eu tivesse, mas, segundo o meu pai, eu era o responsável por toda a desgraça que acontecia no mundo.

— Preparado para mais uma lição? Quem sabe dessa vez você aprende que deve escutar seu “pai”? — As aspas e o nojo com o qual ele pronunciava a palavra “pai” eram notáveis e isso doeu mais do que a cintada que levei primeiramente nas pernas.

 

— Damon, estou falando com você! — Ouvi Stefan quase gritando comigo e isso, felizmente, me tirou de meus devaneios. Olhei para ele desnorteado, franzindo o cenho. — Você está aí paradão, olhando para a sala com o olhar vago e vidrado em algum ponto fixo. — Explicou ele, olhando para mim como se visse um louco. Passei a mão pelo rosto e me recompus.

— Desculpe, do que estava falando mesmo?

— Eu havia perguntado qual o motivo de ter vindo aqui.

— Oh, sim. — Exclamei, tomando coragem para compartilhar aquilo com o meu irmão, esperando que ele me desse uma solução plausível que me ajudasse, uma cura, uma saída, seja o que for.

Contei exatamente tudo a ele, desde o piquenique até dias atrás quando beijei Elena e logo sai correndo como um garotinho medroso. Ele me olhava fascinado, como se visse uma aberração, algo que nunca imaginou ser possível de ver.

— Sim, eu sei qual é o seu problema, irmão e quase não acredito nele. — Disse como se fosse algo bem improvável, mas que agora, vendo com seus próprios olhos, provava que poderia ser real. Suspirei fundo ao pensar que, afinal de contas, havia sim respostas para o meu problema. Se ele sabia qual era então sabia a solução.

— E qual é? Tem solução? — Questionei esperançoso.

— Você está apaixonado. — Falou obviamente, erguendo o copo de whisky como se fosse fazer um brinde a isso. Como se fosse uma comemoração! As palavras dele fizeram eco em minha cabeça, causando uma tontura das bravas. — E sim, há solução: Admitir, se render e se entregar. Ficar com a garota. E se espera uma solução diferente dessa, desiste, não há. Não há como fugir, você vai perder essa luta, não importa o quanto tente. Pelo jeito que me descreveu ela, seus momentos juntos e o beijo, você já está de quatro, num nível bem avançado.

Tudo parou e eu também paralisei. É claro que essa teoria fazia sentido, batia com todos os sintomas. Tudo o que eu sabia sobre estar apaixonado, parecia com o meu diagnóstico, mas ele teria que estar errado. Precisava estar ou então todo o meu plano iria por água abaixo. Como eu poderia continuar estando... Estando isso aí que meu irmão disse? Não era possível.

— Não pode ser. Você está errado. — Relutei, balançando minha cabeça repetidamente de um lado para o outro.

— Pode negar o quanto quiser, pode tentar parar a situação ou fugir, mas a maneira que você sorriu falando dela... Seus olhos brilharam, Damon, nunca vi você bobo por ninguém. Nunca vi você admirando alguém da maneira que está admirando-a secretamente. — Bati na minha testa, repreendendo a mim mesmo por me abrir tanto assim com ele. Esses meus pensamentos de ultimamente não deveriam sair da minha cabeça, deveriam crescer e morrer ali. Falei para ele o quão intrigado eu fiquei por ela e por toda sua história, dando ênfase, sem perceber, no algo a mais que eu pensava que ela era. — Pode dizer não quantas vezes quiser, mas se aproximar dela com a intenção de enganá-la e saber que isso pode a quebrar está te corroendo por dentro. Você está culpado porque viu a incrível garota que ela é.

— Chega de falar besteiras, Stefan! Vim aqui para uma solução e não uma aula de psicologia! — Sai correndo, mais uma vez, fugindo da verdade. Bati a porta e deixei ele para trás.

Será que ele estava certo? Estaria eu apaixonado? Logo por ela? Aquela que eu pretendia tirar tudo, inclusive proveito? Eu iria me afundar nisso? Se isso fosse verdade, conseguiria esconder por quanto tempo? Eu costumava ser forte, desde pequeno, mas eu seria forte para ela, para aguentar e esconder o que começava a me corroer?

 


Notas Finais


CAPÍTULO NOVINHO PRA VOCÊS se forem bonzinhos e comentarem/ favoritarem atualizo com o próximo que já tá prontinho, prestes a ser postado!!!!


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