História Ambitious Love - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Vampire Diaries
Personagens Alaric Saltzman, Caroline Forbes, Damon Salvatore, Elena Gilbert, Jenna Sommers, Jeremy Gilbert, Klaus Mikaelson, Matt Donovan, Rose-Marie, Stefan Salvatore
Tags Delena
Visualizações 78
Palavras 4.756
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 23 - AL: Capítulo XXIII


Fanfic / Fanfiction Ambitious Love - Capítulo 23 - AL: Capítulo XXIII

 

I lied to my heart 'cause I thought you felt it
You can't light a fire, if the candle's melted
No, you don't have to love me
If you don't wanna
Don't act like I mean nothing
But if you're gonna
Well, then you better

Unkiss me
Untouch me
Untake this heart
And I miss this
Just one thing
A brand new start

Can't erase this
Can't delete this
I don't need this
I can't handle it
I just feel it that you're over us

Oh, If I wait here
If I see you
It won't matter
What's the point of this?
We're in pieces because you're over us

— Unkiss me

 

 

Elena Gilbert P.O.V.

 

— Mamãe?

Assim que ouvi a voz da criancinha, me virei, de onde quer que eu estava, e fitei um menininho de cabelos negros. Ele me olhava com os olhinhos derretidos e um semblante triste. Eu não sabia se era a mim que ele chamava, mas, automaticamente, quando o ouvi, atendi sem pestejar.

Quando virei minha cabeça pude, finalmente, perceber onde realmente estávamos. O lugar onde era lindo e eu o reconhecia. Era o meu lugar. A clareira. O vento por ali estava agradável e as flores recém-nascidas estavam mais bonitas do que nunca.

— Sim? — Perguntei curiosa, querendo saber o que ele desejava e se era a mim a quem ele se referia.

— Nós ainda vamos nos encontrar... — O garotinho sorriu de maneira meiga e tocou meu rosto quando se aproximou vagarosamente. — Só não foi dessa vez.

Franzi o cenho com sua fala confusa e, quando pisquei, em míseros de segundos, ele havia sumido. Junto com ele as flores também desapareceram, estavam todas no chão e o céu, ao meu arredor, começou a escurecer, como se a vida estivesse se acabando, chegando ao seu fim. Me encolhi e fechei os olhos com força até o frio e o medo passarem.

 

Acordei. De repente.

Tomando um fôlego, abri meus olhos e fitei um teto branco com paredes da mesma cor girando e girando sem parar. Eu estava tonta. Tentei me concentrar e levantar, mas eu estava com alguns... Alguns fios, eu acho? Sem contar com o par de mãos que tentava me manter deitada. Meu corpo doeu, desde o dedão do pé até o meu último fio de cabelo, e especialmente a minha cabeça. Ela latejava. Fiz uma careta e isso me fez sentir ainda mais dor, o que me fez acreditar que meu rosto devia estar ferido de alguma forma. Minha visão estava embaçada e minha garganta seca. Meu estado era, com certeza, deplorável e ali, definitivamente, era um hospital. O cheiro, o silêncio e a aparência só comprovavam a minha conclusão.

— Elena? Amiga? — Ouvi uma voz e ela era conhecida. Quando enxerguei de fato o que estava à minha frente, avistei Caroline. Ela estava com lágrimas nos olhos e transmitia alìvio em sua voz, face e gestos. — Lembra de mim? — Perguntou ansiosa e estranhei. Por que ela perguntava isso?

— É claro, Caroline. — Ouvi ela suspirar e senti suas lágrimas molharem meus braços nus pela roupa azul e sem graça que cheirava a hospital. Eu odiava aquele odor. Ela se aproximou, devagar, como se fosse me quebrar ao meio caso fizesse algum movimento brusco, e me abraçou.

— Achei que nunca mais fosse te ver. NUNCA MAIS me dê um susto desses novamente, entendeu!?— Sorri sem humor, tentando erguer meu braço para afagar suas costas sem sucesso, o que resultou em um gemido saindo pela minha garganta. Ao se afastar, ela me avaliou, pedacinho por pedacinho. — Hey, você... Você lembra do que aconteceu?

— Foi muito feio a pancada? — Questionei me referindo ao acidente. Eu lembrava de tudo. É claro que eu lembrava. E isso era péssimo. Parte minha gostaria de esquecer, deletar tudo o que aconteceu, começar do zero sem lembranças e ferimentos, mas isso não era possível.

— Sim... Você permaneceu 24 horas sem voltar a consciência. O médico estava nos preparando para o pior e até pediu outros exames já que você teve traumatismo craniano. — Assim que ela falou, meus olhos saltaram e meu coração acelerou, vi pelo aparelho que media meus batimentos. — Mas, calma! Não foi tão grave assim, aparentemente. Ele irá nos dizer agora que você acordou, nos dando bons sinais, e pelos resultados dos exames que já devem ter saído. 

De certa forma, me acalmei, mas ainda sim era horrível. Senti uma angústia sem fim, a sensação era de pura exaustão e pavor. Considerando minha situação, deitada na cama de um hospital toda ralada e ligada a tubos, coisa boa que não era. Era algo a mais, não podia ser só isso. Quando fui perguntar algo para Caroline, a porta se abriu e meus pais entraram, junto à Jeremy, apavorados.

 — Ela acordou! — Eles exclamaram no corredor, gritando histéricos para o médico, provavelmente. Correram até minha cama e começaram a chorar impulsivamente. Fiquei surpresa com isso. 

— Graças à Deus, minha filha, achei que nunca mais ia voltar para nós! Que susto que você nos deu! — Jenna dizia se derramando em lágrimas. Eu via nela, naquele momento, mais viva do que nunca, aquela mãe de verdade que sempre existiu dentro de si. Seus olhos brilhavam de emoção e esse parecia ser o momento mais feliz em toda a sua vida. 

E então vi algo que achei que nunca irei presenciar, não mais. Alaric colocou a mão sobre a dela, beijou seu rosto molhado, e disse:

— Eu não disse que ela não iria nos deixar? Ela é nossa garota. Ela é durona e forte como um cavalo. Igual a mãe. — Vi minha mãe sorrir para ele. Aquela cena me encantou. Eu sorria boba, olhando para os dois, e fungava ao chorar. Eu não via mamãe por esse lado, forte como papai disse, mas eu daria tudo para conhecer essa Jenna que ele parecia ver e eu não.

— Você trata de se aquietar, Elena, e não acabar comigo desse jeito! — Jeremy repreendeu no meu ouvido e acabei rindo baixinho pelo desespero na sua voz. 

— Vai chorar, bebezão? — Perguntei e ele me olhou com raiva, mas não segurou o sorriso. 

— Sorte sua que está machucada, se não você ia ver quem é o bebezão, eu ia te ganhar na guerra de braço pela primeira vez na vida. — Gargalhei, de maneira fraca e dolorida, lembrando de todas as tentativas falhas dele, durante seu crescimento, para me vencer. Senti um beijo delicado sendo depositado na minha bochecha, ele afagou o meu rosto com o nariz e sussurrou pra mim. — Eu te amo, maninha. — Sorri com a visão embaçada, conseguindo levantar a mão com dificuldade e acariciar o seu rosto. Ele havia me chamado de "maninha" de novo, depois de anos. 

Nós parecíamos uma família. Finalmente. Unidos, abraçados, demonstrando o amor verdadeiro um pelo outro. Era bonito de se ver. Era o que devia ser feito todos os dias. Uma pena que seja preciso que algo ruim ocorra para nos darmos conta do que é realmente importante. Nós vamos relevando e deixando pra lá, pro depois, pro amanhã, mas quando o fim sem volta bate na nossa porta, o desespero vem junto, acompanhado pela compreensão concreta daquilo que temos e não damos valor.

— Elena? — Ouvi aquela maldita voz. Aquela voz que só me trazia, no momento, sentimentos ruins. 

Damon entrou no quarto, de supetão, ao lado de um médico, interrompendo nosso momento. Ao olhar sua figura na porta, a dor física não me alcançou, apenas a psicológica. Meu corpo já não doía mais, subitamente minha saúde mental e emocional eram as que de fato pareciam estar em risco ao vê-lo. Meu sangue ferveu em minhas veias e meu coração foi a mais de 150. Ele parecia mal. Seus olhos estavam inchados e escuros na volta, seu cabelo estava rebelde, e sua camisa amassada, até suja um pouco. Ele vinha com um café nas mãos e quando me viu, quando olhou nos meus olhos, acabou derrubando a bebida. Ele veio, de braços abertos e com os olhos azuis cheios de lágrimas, em minha direção. Entretanto, depois de tudo, sua encenação não me convecia mais.

— Não se aproxime. — Falei entre dentes e Damon paralisou, a centímetros de mim, com a expressão cortante e doída. 

— Elena, por favor... — Ele implorou com um fio de voz, quase inaudível. 

— Não chegue perto. — Tentei me levantar, na tentativa de me afastar ainda mais dele, mas quando fiz o esforço, fiquei zonza e sem equilíbrio, o que me fez voltar a posição inicial soltando ruídos de dor.

— Elena? O que...? Damon esteve aqui o tempo inteiro, cuidando de você também, ele quer te receber. Quer dizer, filha, ele é seu namorado. — Isso me deixou mais enfurecida ainda. Quer dizer que Damon tinha feito o que? Conquistado os meus pais, enquanto eu estava praticamente em coma? Por que meu pai estava o defendendo? Com certeza era porque não sabia das suas verdadeiras intenções e principalmente do seu verdadeiro caráter. Aquela pessoa não era real, era máscaras que ele usava, o tempo todo. Nada foi real. 

— Ex-namorado. — Apesar de não estar surpreso com as minhas palavras, ainda sim foi um choque para ele ter, de fato, ouvido elas saírem pela minha boca. Percebi isso.

Ele continuava inquieto, com as mãos nervosas, quase encostando em mim sem permissão. Ele parecia querer me abraçar. Porém só o pensamento de tocá-lo já me causava náusea. Tudo que ele fazia agora parecia falcatrua. Uma mentira fazia com que todo o resto também se tornasse mentira.

— Ok... Não é hora para isso agora, vocês podem se entender depois. — O médico se pronunciou quando viu que minha mãe estava prestes jogar um monte de perguntas em cima de mim. — Elena... Tente se acalmar e olhe para mim. — Disse o homem loiro, percebendo que eu não tirava os olhos de Damon e que meu coração aumentava a cada segundo por causa disso. Ódio era o nome. — Agora... Como se sente? 

— Minha cabeça dói. Muito. Me sinto enjoada e... Com sede. Muita sede. E minha perna... Porque não consigo movê-la? — O medo da resposta era evidente.

— Você teve uma fratura feia na perna esquerda, acabou quebrando quando o carro prensou ela contra as ferragens. Nada que uma tala como essa belezinha aqui não resolva. — Certo, isso era de fato menos apavorante. Não era tão sério.

— O que mais, doutor? Saiu o resultado dos exames? — Minha mãe perguntou.

Eu me sentia desconfortável. Todos estavam olhando pra mim, mas não da forma que Damon fazia. Ele parecia querer agir, fazer alguma coisa, como se algo estivesse o torturando, o matando por dentro. Ele me olhava atentamente como se fosse me perder de vista a qualquer instante. Seus olhos nunca estiveram tão intensos. Seu semblante demonstrava culpa, compaixão e, por mais inacreditável que pareça, amor. Muito amor. Como ele podia ser tão cínico? Como podia fingir tão bem? Como podia me machucar dessa forma?

— Bem, a batida foi muito forte. Na área da cabeça, onde ouve um golpe de grande impacto, tivemos um problema com um sangramento em abundância. Felizmente, não haverá sequelas, não chegou a esse ponto, fizemos o possível para o quadro dela não piorar. Houve alguns ferimentos internos que podemos cuidar com alguns medicamentos recomendados, o braço direito teve que levar alguns pontos e o rosto foi pouco atingido, com alguns arranhões.

Enquanto ele dizia, Damon continuava me fitando, agora, dessa vez, começando a chorar e com os dedos na boca, talvez roendo as unhas. Ele tremia, aparentando remorso e arrependimento.

— Nada com que devemos nos preocupar, então? Não houve mais nada além disso? — Perguntou meu pai. O homem fez uma careta, fitou o chão e logo após os papéis, com minhas informações, nas mãos.

— Na verdade, preciso contar uma coisa. Não gostaria de dizer isso agora pelo seu estado, Elena, mas não acho que há hora certa para essa notícia. — Um arrepio gelado passou pela minha espinha e, como se soubesse o que viria a seguir, minha mãe apertou minha mão com força. — Infelizmente, com todos os ferimentos e a perda de sangue, o feto não resistiu. Suponho que não sabia da existência dele, pois não fez nenhuma pergunta relacionada à isso. Você estava com quase três semanas, pouquíssimo tempo. Não havia nada ao nosso alcance para impedir que isso acontecesse... Sinto muito pela sua perda.


Autora P.O.V.

 

O silêncio se instalou na sala e aparentemente, tão cedo, não iria ter fim. Elena, obviamente, entrou em estado de choque, levou uma mão, por instinto, ao ventre e a outra à boca. Ficou perplexa e sentiu um vazio enorme dentro de si. O mundo parecia começar a cair aos pedaços e a situação que já era ruim, agora havia se tornado muito pior. Jenna quase desmaiou, se agarrou ao braço de Alaric para não cair e sentiu a possível dor de Elena, afinal, ela era mãe e imaginava como seria perder um de seus filhos. Jeremy parecia confuso e chocado, assim como Caroline, que fuzilava Damon com os olhos. Esse, bom... Ele não estava nem um pouco bem. O choro que o rapaz, antes, estava tentando repelir, agora não segurava mais. Damon colocou a mão no peito, sentindo ali uma dor horrível, como se alguém tivesse pego seu coração na mão e apertado-o. Ele não sabia como agir. Na realidade, não sabia nem se o que tinha acabado de ouvir era real ou apenas um pesadelo.

Todos permaneceram com a boca fechada, olhando com pena e expectativa para Elena, a qual, até naquele instante, não havia tido a coragem de sequer tentar pronunciar alguma coisa. A primeira coisa que ela fez foi olhar nos olhos de Damon e apontar para ele com o dedo indicador.

— Você. — Ela sussurrou com um ódio descomunal na voz. Ninguém naquele ambiente reconheceu a mulher que havia falado. Nem sua melhor amiga, nem seu próprio irmão, ou seus pais. Seus olhos faiscavam, deixavam lágrimas soltas caírem, e o vermelho nas bochechas só podia significar uma coisa: Raiva. — Você matou o meu bebê. 

Sim, era possível ter sua vida destruída por apenas quatro palavras. Se elas tivessem tamanho impacto, era incrivelmente compreensível. Damon cambaleou para atrás e piscou várias vezes para tentar compreender onde estava. Havia descoberto que a garota da sua vida estava grávida de um filho seu e que o havia perdido no mesmo dia. Isso não é pouca coisa. Ele tentou se aproximar, mas Elena recuou. E, acredite, não foi como antes, ela pulou e começou a se debater contra a cama. Mesmo gemendo de dor, pelo motivo de não poder se locomover e fazer esforço, ainda sim tentava manter o maior espaço de distância possível. 

— SAI, SAI DE PERTO DE MIM! — Ela gritou alto e com sofrimento na voz. O médico saiu, no mesmo instante, para buscar algum calmante, talvez para injetar direto na veia, pois sabia o que podia vir a acontecer. Elena não ligou e  continuou fitando o estranho. Por que para ela, era isso que ele era, um completo estranho, já que o homem pelo qual ela se apaixonou nunca existiu. — O MEU BEBÊ, O MEU BEBÊ QUE EU NEM AO MENOS SABIA QUE EXISTIA, VOCÊ MATOU ELE! VOCÊ... VOCÊ ACABOU COM TUDO, COM A MINHA VIDA, COM AS MINHAS ESPERANÇAS, COM A MINHA ALMA, VOCÊ... VOCÊ É A PIOR COISA QUE JÁ PODIA TER ACONTECIDO NA MINHA VIDA! EU QUERIA NUNCA TER TE CONHECIDO! VOCÊ... VOCÊ... — Ela começou a passar mal e a perder o fôlego. — Você deveria ter morrido.

E foi essas suas últimas palavras antes de apagar. Os batimentos cardíacos começaram a falhar e Damon finalmente conseguiu sair do lugar, destravou seu corpo e foi até o dela, sacudindo seus ombros. 

— ELENA! ELENA, FALA COMIGO! — Ele berrava, mas ela não estava mais consciente.

— FILHA, NÃO! — Gritaram os pais de Elena, enquanto, o irmão e a amiga permaneciam estáticos.

— ALGUÉM AJUDA, POR FAVOR! SALVEM ELA! — Damon estava desesperado, chorava em cima da morena imóvel que aos poucos ia desfalecendo cada vez mais em seus braços. — Eu não posso te perder... Por favor, Elena, fica comigo! Eu te amo, você não pode me deixar desse jeito, não pode, tá me ouvindo!? Não faz isso comigo...  Eu tô te implorando. Eu vou embora, eu deixo você em paz, eu mudo de país se é isso que você quer, mas não vá... — Ele pedia com um fio de voz, fungando, tentando controlar as lágrimas que desciam desamparadas pelo sua face, escorando a testa na dela. 

Os médicos entraram correndo e todos foram retirados rapidamente. 

 

(...) 

 

Depois de uma hora e longos minutos torturantes, o médico saiu do quarto de Elena e foi atacado rapidamente por Damon que, agoniado, olhava para as janelas, mesmo com as cortinas fechadas, querendo saber o que acontecia lá dentro. 

— Então, doutor? — Questionou, ainda não sabendo de onde tirava forças para isso. Ele esfregava as mãos e puxava os cabelos com força pelo nervosismo, chegava a ser agonizante.

— Elena teve um colapso nervoso, o qual causa insuficiência cardíaca, por isso aquele estado. É muito comum em pacientes que acabaram de receber uma notícia dessa imensidão, especialmente no caso dela. Ela teve que lidar com muita coisa em muito pouco tempo e isso pode trazer problemas. As emoções foram agressivas com ela e a levaram ao extremo, sem contar que, por alguma razão, ela estava com muita raiva de você, não era apenas a perda e a tristeza. 

Os familiares olhavam para Damon em busca de explicação e Caroline o olhava como se a qualquer momento fosse pegá-lo pelo pescoço e o enforcar. Mas ele não ligava, só queria Elena. Tudo o que precisava era ela. Era estar com ela, era sentir que ainda podia tê-la, mesmo que não fosse verdade. 

— Posso ir vê-la? — Ele perguntou. 

Todos começaram a negar e a discutir, ofendidos com a pergunta, com medo que ela fosse reagir da mesma maneira quando o visse novamente.

— Geralmente, eu diria não, e sei que é errado, mas assim que ela recuperou a consciência chamou por você. E apenas por você, mais ninguém. — O médico falou, dando de ombros, fazendo o coração de Damon pular. — Não é certo, mas ela prometeu que está bem. E bom, ela está, pois foi sedada, não vejo problema em você entrar lá, só pegue leve. 

Damon sorria e chorava ao mesmo tempo. Ele não podia não ficar contente com a notícia. Quer dizer, ela queria vê-lo, certo? Isso não podia ser ruim. Se depois de tudo, Elena ainda tinha forças para sequer olhar para ele, era porque existiam esperanças. Sua mente estava a mil e as emoções totalmente misturadas. Ele gostaria de abraça-la, protegê-la de todo o mal do mundo, só que isso incluía ele mesmo no pacote. Ele queria lhe pedir desculpas, perdão, queria lhe amar da maneira correta, começar do zero. Se pudesse, ele iria refazer tudo de novo, da maneira certa, da maneira que não a machucasse. 

Ah, se tudo fosse diferente...

Mesmo com alguns contras, nada o impediu de ir até ela. Ao chegar lá, ele queria se chutar, se bater, se martirizar por ver sua garota naquele estado. Elena estava deitada, pálida, com os olhos abertos, mas vazios, olhando para um ponto fixo, no meio do nada. Lentamente ele foi chegando perto e, mesmo quando ela o viu se aproximando, não sentiu nenhuma reação vindo da mesma. As mãos dele estavam trêmulas e quem estava prestes a ter um colapso agora era ele. Damon não sabia o que esperar, não sabia como Elena iria agir. 

— Elena... — Murmurou o nome dela de forma calma e doce. Ela, novamente, não se mexeu. Estava cansada, anestesiada e esgotada emocionalmente. As drogas estavam fazendo um baita efeito, ela continuava sentindo uma fúria fora normal ao sentir a presença dele, ao respirar o mesmo ar que ele, mas não conseguia se opor em relação a isso, não tinha ânimo e nem forças. 

Ele pegou na mão gelada dela, aproveitou a chance, a oportunidade rara, pois sabia que assim que ela voltasse ao seu estado natural, seu toque seria algo que ela iria recusar e não tolerar. 

— Sei que é uma pergunta estúpida, mas eu preciso fazê-la... Como você está? — É claro que ele já sabia da resposta, mas ainda sim tinha a necessidade de ouvir as palavras.

— Não faço a mínima ideia. — Com a voz fraca, ela respondeu, ainda olhando para cima, não ligando para o contato de sua pele com a de Damon, não conseguindo se afastar. E não era por falta de vontade, simplesmente porque era incapaz. — Me sinto estranha. Me sinto horrível. É como se aqui dentro... — Ela apontou para a região do peito. — Tivesse um enorme buraco. Não acredito que sobrou algo bom, não acredito que há vestígios de alguma felicidade que eu um dia já tenha sentido. Talvez eu mereça tudo isso, talvez eu seja uma pessoa ruim. Talvez isso é tudo que aquele cara lá de cima tenha planejado para mim. Uma vida de incertezas, de medos e decepções. 

Damon pegou a mão dela e a trouxe para si, deitando a cabeça na mesma, se derramando em lágrimas, soluçando. Ele odiava o que tinha feito com ela.

— Não fala assim, Elena, por favor. Você não merece isso, você é a pessoa mais maravilhosa que existe nesse mundo. Você é tudo. — Ela não dava sinais de qualquer sentimento, enquanto ele falava, ela simplesmente continuava paralisada. Elena parecia uma morta-viva e isso estava aterrorizando Damon. Ele queria que ela batesse nele, que o xingasse e o expulsasse, pelo menos, assim, daria algum sinal de vida. — Eu gostaria de arrancar de você toda a dor que está sentindo. Eu gostaria de voltar no tempo e fazer tudo diferente.

Ele viu uma lágrima solitária descer pelo rosto dela até cair pelo queixo. Ela franziu o cenho e fechou os olhos, parecendo estar com dor. Mas Damon não sabia dizer se era dor externa ou interna. Talvez as duas.

Mesmo com ela chorando, cheia de dores e de arranhões na face, com uma perna quebrada e a roupa larga, Damon a olhava com todo o carinho que pudesse encontrar, como se ela fosse uma criatura divina, o anjo mais bonito. 

— E sabe o que eu gostaria? — Ela perguntou e ele esperou, com expectativa, que fosse algo que estivesse ao seu alcance. — Eu gostaria de nunca ter ido para Whitmore. Eu gostaria de nunca ter colocado os olhos em você e me interessar. Eu gostaria de nunca ter aceitado sair com você. Eu gostaria de nunca ter gostado de você, a ponto de me abrir e confiar nas suas palavras. Eu gostaria que você nunca tivesse me beijado. Eu gostaria que você nunca tivesse me tocado. Eu gostaria que você nunca tivesse pegado meu coração e brincado com ele em suas mãos. — Damon chorava intensamente com as palavras e não conseguia olhar no rosto dela. Não queria ver a mágoa, o desengano, a frieza e a indiferença nos olhos castanhos, os quais sempre lhe fitaram com ternura e amor. Não iria suportar. — Você pode voltar no tempo e fazer isso diferente? — Ele negou com a cabeça, sem dizer uma palavra. — Exato, não pode. E eu não posso apagar isso aqui dentro de mim. Não posso simplesmente deletar. Isso vai me assombrar durante um bom tempo, mas eu irei superar, eu irei deixar você para trás e nunca mais sequer lembrar da sua existência. Espero que isso tenha servido de lição para mim e que, a partir de agora, eu aprenda a nunca mais deixar alguém entrar.

Damon havia entendido que agora sim era o fim. Ele notou a diferença na voz e era muito mais do que amargura ou frieza, era mais sombrio, e isso fez com que arrepios descessem pela sua coluna. 

— Elena, eu sei que você está sentindo muita dor, compreendo perfeitamente...

— Não, você não compreende, Damon. — Ela lhe interrompeu, não o deixando terminar. — Você não sabe como é. Quer me convencer que logo você me entende? Logo você que não se importou comigo de verdade em nenhum momento? Nunca signifiquei absolutamente nada, nada além de notas de dinheiro pra você. 

— Isso não é verdade! No fundo, você sabe que não é! Eu te amo, você não vê? Não vê que você é o meu chão e que sem você eu simplesmente não funciono? Como pode não enxergar isso, Elena? — Ele pôs a mão dela sobre o seu coração e a fez o sentir bater acelerado. Ela chorava, tentando, sem sucesso, afastar-se dele. —  Não é como você pensa, Elena. Eu comecei a gostar de você logo no início. Em nenhum momento tive coragem de seguir em frente com o golpe, porque, de repente, você tinha se tornado aquela incrível, doce e gentil garota que não merecia nada naquilo e roubava meu coração aos poucos. — Ela olhava nos olhos dele e quase via sinceridade, porém o coração partido estava a deixando cega. — Lembra? Lembra quando me contou que seu pai estava falindo? O que eu fiz, Elena? Eu não lhe deixei, eu não sai do seu lado. Sei que foi isso que você pensou que eu estava fazendo, mas só me afastei por medo, por medo que você descobrisse a verdade. Lily já estava na cidade e eu não podia suportar a ideia de te perder. Ainda não suporto. — Elena podia ver a verdade nas palavras dele, podia lembrar de tudo o que aconteceu e encaixar peça por peça. Ela lembrava de quando ele chorava, com medo de perdê-la, lembrava de quando ele se diminuía e se torturava ao dizer que não era merecedor do seu amor. Lembrava de quando ele pedia que ela nunca o deixasse e que sempre lembrasse de que ele a amava, independente do que viesse pela frente. — Você sabe, Elena. Você sabe que tudo isso faz sentido. Você sabe que há solução para isso, que ainda há pelo que lutar. Você está aqui, inteira, não a nada que nos impede. 

— Inteira? — Questionou com ironia. — Você ouviu, não é? O que o médico disse?— Ele se calou no mesmo instante. É claro que ela não iria deixar isso passar. Era um trauma e uma grande consequência. — Mas você não liga, não é? Acho que não deveria estar surpresa.

— Amor, eu sei que é terrível... — Ele tentou consolar ela, mesmo sabendo que havia palavras para isso.

— Terrível? Você tem noção do que é? Eu acabei de descobrir que estava grávida. GRÁVIDA! — Ela deu ênfase na palavra, gritando alto. — Eu perdi meu bebê. O meu primeiro bebê. Ele era uma coisinha pequenininha, Damon. Ele era inocente. E por causa de você, ele morreu. — Mais uma vez ela estava colocando a culpa nele. 

— Não foi minha culpa, Elena! Eu também não sabia dele! Por Deus, não diga isso. Você acha que eu ficaria feliz com uma notícia dessas? Ele era nosso filho. Era um pedacinho nosso dentro de você. Você tem ideia do que isso significa pra mim? — Damon se sentia quebrar por dentro a cada segundo. 

Elena não entendia, pois não sabia da verdade. Damon nunca sequer tinha mencionado que um de seus maiores sonhos era ser pai. 

— Não, não tenho, Damon, e quer saber? Nem quero ter. 

— Eu sei que o que aconteceu foi trágico, eu também sinto isso, Elena. Eu também estou acabado e também não estou aguentando, mas não posso deixar você se precipitar e acabar com tudo entre nós. O que nós temos é bom, é maravilhoso e não pode terminar por causa de mentiras. Por causa de um erro meu. Por causa de uma bobagem.

— Bobagem? Foi por essa bobagem que uma vida foi perdida. — Ela retrucou.

— Elena, foi você que entrou naquele carro, não eu. 

Ele estava irritado com o fato dela jogar o acontecimento, a fatalidade para cima dele, colocando todo o peso da perda do bebê em cima de seus ombros. Tudo bem, ele estava sofrendo da mesma maneira que ela estava, mas não tinha o direito de dizer o que tinha dito. Ele sentiu o tapa forte no rosto. Sua maçã do rosto ardeu e, incrédulo, segundos depois, percebeu o que tinha falado.

— Vai embora, Damon. — Ela pediu chorando. Seus braços envolveram o próprio ventre e abraçaram o lugar. — Me desculpa, bebezinho...

Damon se apavorou. Ela tinha levado a sério suas palavras? Agora se sentia culpada?

— Elena, não, eu não quis dizer isso...

— SUMA, DESAPAREÇA! VAI EMBORA! NUNCA MAIS APAREÇA NA MINHA FRENTE!

E então, vendo o desespero dela, não querendo que ela, mais uma vez, entrasse em um segundo colapso, com muita relutância, atendeu o pedido e saiu do quarto do hospital. 

"Você deveria ter morrido."

Foi isso que ela disse antes de desmaiar e ele, naquele instante, só podia concordar.

 


Notas Finais


Calma, gente, calma!!!
Eu sou má, eu sei que sou.

Bom, esse capítulo foi para vocês entenderem o rumo que o relacionamento dos dois vai tomar nos próximos capítulos. Deu pra perceber que o fato dele ter se interessado por ela pelo dinheiro não é mais o que prevalece, não é? Ela até que acredita nele, mas agora não é só mais isso. No próximo capítulo, os dois vão ter uma conversa muito séria e tudo vai se explicar, inclusive a história de Damon com a sua família.

Como se sentiram sabendo que um dos sonhos do Damon era ser pai? Por essa vcs não esperavam hein! Não comentei isso eu nenhum Damon P.O.V. exatamente pra ser uma surpresa. O lado pai dele ainda vai ser muito explorado na fanfic, aguardem.

Pensei em deixá-la sem memórias, mas aí seria muita enrolação, eu queria ir para a minha fase favorita da história, onde de fato uma relação de verdade irá acontecer. Não que o que eles tiveram até agora não tenha sido algo verdadeiro, claro que foi, só que começou da maneira errada, com mentiras, medos e inseguranças, e dessa vez, quando tudo passar, um relacionamento muito incrível e saudável irá surgir... Vou deixar no ar...

Espero que tenham gostado. 💜


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