História Amicitia - Capítulo 1


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Categorias Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Magia, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Aprecie com calma a leitura, ouça um piano talvez e respire fundo.
Todos queremos que nossas cartas mais sentimentais sejam lidas com cautela.
Espero que se deleite com este capítulo.

F.

Capítulo 1 - Festinare docet


Quando as palavras fogem, as flores falam.

- Bruce W. Currie

 

F.

As palavras, já me fugiram diversas vezes eu diria. O modo mais fácil de reencontrá-las não era chama-las de volta. Palavras não obedecem a ninguém. Eu não queria me entregar as flores tão subitamente então carreguei em meus braços toneladas de mapas enquanto vagava naquela floresta escura sozinha. " Palavras." eu dizia " Não deixem que o sol se ponha para mim nesta noite e eu continue calada. Hoje quero dizer aquilo que jamais disse. " Elas jamais voltavam, acho que talvez fossem difíceis demais para serem alcançadas por alguém tão imatura. Talvez eu fosse cega demais naquela época. Talvez jamais precisasse ter cortado os pulsos com raízes tão cedo. 

Elas sempre estiveram lá, eu me refiro as raízes. Se emaranhando sob minha pele tampando as veias não permitindo que corasse não permitindo que sangrasse. Eu sangrava por dentro mas quem veria isso? Ninguém quer enxergar aquele que chora alto, mas também ninguém tenta enxergar aquele que sussurra suas lamúrias. Talvez fosse por causa disso então. Quando cozinhei em uma panela de aço um dia a habilidade de pensar foi que elas voltaram. Se arrastando por de baixo dos móveis, com unhas e dentes fincadas na porcelana branca da cozinha de minha tutora. Ela me dizia " Cuidado com as palavras criança, elas machucam as pessoas." e eu respondia " As mesmas que um dia arrebentaram sua garganta?". Ela se sentia muito triste depois disso, acho que eu era uma grande fã da ironia. Não que ela tivesse culpa, a ironia foi inventada para o desdém mas também para a comédia. Quem sabe quem a inventara não tinha a melhor intenção? Quem sabe a cicatriz enorme no pescoço de L. não fosse então um martírio arquitetado pelo destino?. De qualquer forma, grandes as consequências.

L. sempre foi uma boa pessoa, não merecia ouvir metade das coisas que eu lhe dizia. Mas nunca senti que fosse realmente ligada á sua alma. É isso não é? Quando se é amigo de alguém? L. nunca foi uma amiga para mim. Mas ela me prometia que eu encontraria alguns. Bom, ela estava claramente errada.

Humanos como somos nos relacionamos socialmente, trocamos palavras e depois a repetimos sem parar para outras pessoas como se houvesse um significado maior por trás disso. Amizade! Conversando contigo eis que me torno seu amigo. Amizade era outra coisa não é? Em meus sonhos quando todos já haviam dormido e eu encarava a Lua e pedia por um amigo. " Aquele cujo coração é igual ao meu. Aquele cuja alma reflete a minha. Mas não se preocupe Lua, não se preocupe ele não precisa gostar de flores também!" eu jamais chorava. Quem lê pensa que a prece era repetida com tamanha audácia ou emoção. Entretanto era o contrário, eu a sussurrava. Como uma verdadeira prece deveria ser rogada. Como um sussurro. 

Eu também sussurrava para as flores, não que elas fossem minhas amigas ou que eu achasse que elas iriam realizar algo que eu pedisse. Eu sussurrava canções, o amigo de L. o Senhor M., me disse que ajudava elas a crescer. Assim a venderíamos no mercado dias depois e as canções ecoariam em suas cores as fazendo ficarem lindas para todos os clientes. " Os mortos ouvem canções?".

Ele não me respondia.

Senhor M. não era meu amigo também, eu não encontrava nele as qualidades que favorecessem um ser humano ideal. Ele não era mau, só não tentava compreender as outras pessoas. Como poderia clamar gentileza ao se cantar para alguém antes de arrancar-lhes as raízes? Ignorância é algo que nunca ninguém deveria tolerar em um amigo, como ele veria seu lado nas situações então? Como te ajudaria se não conseguia lhe compreender? Senhor M. e L. e eu comandávamos o mercado dos defuntos mais belos da cidade. Em um ano e tempo que não posso revelar. Seria assustador demais não é? Conhecer-me assim tão depressa. Amigos vão com calma. A pressa é inimiga da perfeição, e se quero que seja meu amigo, preciso que ouça esta canção antes. Para que cresça e floresça uma bela amizade entre nós.

Foi no dia em que conheci E. que entendi por quê meus alardes eram tão altos em minha cabeça. Ele era rude, nulo, cego, ignorante, e totalmente sem raízes nas veias. Como ele poderia se tornar meu amigo? Como? Ele era um tipo de terapeuta, eu pedi por um eu queria alguém que me ouvisse e não apenas me escutasse. Perguntei á ele como eu faria amigos dali pra frente, afinal eu sentia essa necessidade. "As pessoas não gostam de  meus sussurros, tem medo de meu sangue invisível. Depois de conversar recebem uma mensagem na mente de que já somos realmente amigos. Não é assustador?". Se conversar era a base de uma amizade, quantos amigos teríamos? Eu me recusei a acreditar naquilo, eu não tinha amigos e conversava até mesmo com plantas e planetas de pedra. Como eu me conectaria com alguém, como levaria alguém á um quarto sem que ela tivesse receio, mostraria todas as raízes acumuladas nos anos, lhe entregaria as palavras cheias de garras que se escondiam atrás de minhas costas e lhes diria " Obrigada, você foi um presente da lua" ?

O impossível cruzava minha cabeça e não havia ninguém para ouvir.

Como a pressa um dia me queimou, não deixo de cometer este erro mais uma vez. Talvez tentar evitá-lo, daqui há alguns segundos, seja enfim minha reparação. 

A pressa é inimiga da perfeição. Se tal perfeição eu chamo de Flores, seria então a ignorância seu maior predador?

Se tal perfeição eu clamo ser Amizade, seria então as conversas vazias suas piores caçadoras?

Se tal perfeição eu pensar ser você, qual seria então seu maior inimigo se não o medo de jamais encontrar um verdadeiro amigo?

Eu entendo isso, e se precisar de um, sabe onde me encontrar.

F.

 

 


Notas Finais


Todos precisamos de amigos as vezes, e F. sabe bem disso. Ela busca desde pequena aquela pessoa que reflita suas angústias, que chegue como um presente do divino. Se você já a encontrou, F. lhe descreveria como uma pessoa de grande sorte. E se não, F. também quer um.

Isso foi escrito para todas as pessoas profundas, com raízes de palavras não ditas impedindo de realmente se expressarem por aí. Pessoas que sussurram canções para as coisas belas , pessoas com dúvidas de quem é realmente seu amigo. Para a terceira razão, não temam. Todos precisamos, inclusive eu.
A Lua um dia realizará o desejo de todos nós, pois acima de tudo que seria amizade se não o amor mais puro do mundo? Todos merecemos este tipo de amor.

{ para aqueles que querem ouvir mais sobre a história de F. deixe seu comentário construtivo abaixo. converse com ela e construa uma amizade! }


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