História Amor Além do Vermelho - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Bdsm, Drama, Gay, Rock, Romance, Sadomasoquismo
Exibições 9
Palavras 1.627
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Cada capítulo da história terá como título um clássico do rock no qual eu me inspirei para criar detalhes da história. Os capítulos também serão alternados entre o ponto de vista de Kurt e Ethan.

Capítulo 1 - T.n.t


T.N.T

 

Acordo com aquela impressão de que dormi apenas por alguns minutos quando minha mãe começa a berrar e bater na porta. Eu estico meu braço entre a curta distância da cama até ela e giro a chave. Continuo com meus olhos fechados enquanto ela faz o ritual diário de abrir minha janela e puxar um pouco do cobertor para me despertar. “Escola”, ela diz apenas, com a voz levemente rabugenta e eu sei que ela vai ficar de mau humor pelo resto do dia. Puta merda, ninguém merece. Eu não quero ir a escola hoje.

O quarto está bagunçado. Uma cueca suja pende no monitor do computador, há várias almofadas espalhadas pelo chão, misturadas com roupas sujas e poeira. Eu realmente devia ter arrumado esse lixo todo, mas o sono foi maior que a vontade de dormir em um lugar limpo. Ontem tinha sido um dia exaustivo e hoje talvez fosse ainda pior. Um vestibular simulado, apresentação de dois trabalhos em equipe e um seminário, ao que parecia, sobre drogas novamente. E claro, ele. Eu não quero ir a escola hoje. Mas, talvez ele não fosse...

Antes que pudesse chegar ao guarda roupas, lembrei que o uniforme estava em cima da velha cadeira de escritório. Hoje é terça. A camisa é de um verde escuro que detesto, com golas em degradê de verde claro e azul em suas pontas. O símbolo da escola está gravado no peito do uniforme. É uma árvore extremamente desbotada, devendo parecer-se com as árvores no outono, mas a impressão que passa é que alguém colocou fogo nela. A camisa também tem alguns rasgos pequenos, resultado de algumas facadas que dei nela em um acesso de raiva e aquilo é o único detalhe que gosto naquela porcaria. O olhar de censura dos coordenadores era divertido, a escola era pública e eles não estariam dispostos me darem outra farda. Limitavam-se balbuciar que eu devia costurar aquilo. A calça é um jeans destróier azul (era extremamente trabalhoso entrar nela) e os tênis são um par de all star simples, surrados como nenhum outro, com a sola descolando nas laterais. Parece que nenhuma peça está inteira em meu corpo. Apesar do sol, o dia se mostra gelado, a julgar pelo clima do quarto. Pra finalizar então, coloco minha marca registrada, um grande casaco negro pesado que me chega às coxas com um capuz ajustável por cordinhas que nunca uso na cabeça.

O poster do AC/DC é a única coisa impecável hoje no meu quarto, grudado por quatro pedaços de fita adesiva. AC/DC não é minha banda favorita, mas o poster é fantástico. High Voltage havia sido o primeiro álbum do grupo musical e era uma raridade ter um poster de promoção daqueles em pleno século vinte e um. Noto que a parede, antes perfeitamente branca, adquiriu manchas amarelas, graças a cola da fita, quando uma delas se solta. Merda.

“KURT! VAI SE ATRASAR!” - Não vale a pena discutir com a mãe quando começava a gritar. Se respondesse, daria início a uma série de gritos desnecessários pela casa. Porra, ainda nem lavei o rosto.

Atravesso o corredor entre o quartos e a cozinha a passos lentos, esperando a encontrar ali para que ela pudesse berrar mais um pouco, mas ela devia estar dando comida aos gatos. Me adianto e vou ao banheiro. Olho-me no espelho e descubro que meu cabelo está completamente embaraçado. Os fios castanhos são surpreendentemente grossos e dão a impressão que havia sido colocado um ninho de pardais na minha cabeça. Pego um pente e estico aquilo desajeitadamente com os protestos dolorosos do meu couro cabeludo. Finalmente desisto, lavo o rosto e escovo rapidamente os dentes. O piercing no septo está perfeitamente no lugar e eu o entorto até uma das bolinhas sumirem para dentro do meu nariz. Parece que nada mudou, exceto as remelas que sumiram. O rosto continua inchado de sono e olheiras roxas espalham-se por baixo dos olhos. Uma mancha um pouco esverdeada está em minha bochecha (ao menos o que seria o lugar da bochecha naquela cara ossuda), mas um pouco menos acentuada que semana passada. Filho da puta miserável. Tive que me esconder por baixo de maquiagem por uma semana. Me sinto horrível. Não quero voltar aquela escola.

Quando saio do banheiro, minha mãe está me esperando.

- Assim que terminarem as aulas, volte para casa, não me deixe preocupada, sabe que eu não posso ficar nerv… Você comeu alguma coisa? - Sua voz soa como uma reclamação já na pergunta.

- Não tenho fome, mãe.

- Precisa comer alguma coisa, vai ficar muito fraco, olhe pra você, está só ossos.

- Estou bem mamãe, não se preocupe.

- Bella, ele está bem - é a voz do meu padrasto que me salva - Ele sobrevive todos os dias, não?

- Certo… Precisa de algo? - ela se dirige a mim.

- Tem algum dinheiro para pastilha? - Ela me olha avaliadora, porém com bastante agilidade, como que repreendendo a si mesma. Puxa uma nota de cinco dólares da pequena carteira que estava em sua mão e me passa.

- Aqui, tome cuidado na escola.

- Bella, estamos atrasados! - a voz de Rodrick soa na porta, grave.

- Ele já está indo, amor, - ela puxa o meu rosto e me dá um beijo melado na bochecha - Te amo, muito.

- Também te amo mamãe.

Enquanto caminho até a porta do apartamento, puxo meu iPod e meus fones de ouvido e os conecto em mim.

- Vamos garotinho da mamãe, se chegar na escola atrasado vou ter que ir assinar aqueles papeis de novo e não estou disposto a fazer isso. - Rodrick brinca com um sorriso malicioso e eu rio, ao lembrar da última vez que esteve lá, caçoando da diretora pelas costas. Queria que estivesse lá comigo hoje.

New Jersey está fria demais para o mês de Agosto. A perua negra de Rodrick está estacionada um pouco a frente. Ao entrar, abro o vidro do carro que está ao meu lado e aguardo até que tenhamos cruzado a esquina para puxar uma carteira de marlboro ice mint. É fraco, mas serve. Levo um a boca, capturo o isqueiro no porta luvas e acendo, tragando profundamente e me demorando em soltar a fumaça.

- Sua mãe não gosta nada nada disso. - Rodrick fala comigo sem tirar os olhos do caminho.

- Tinha que ver a cara dela quando pedi a ela um dinheiro pra pastilhas hoje - dou uma risadinha e Rodrick crispa a boca em reprovação, esperando que eu me retrate.

- Foi realmente para as pastilhas! - exclamo na defensiva - comprei essa carteira ontem à noite. Está cheia, vê?

- Vai ficar doente usando essas coisas Kurt. Devia parar.

Não respondo nada. É na metade do caminho que lembro do meu irmão.

- Onde está Tommen? - olhando para o banco de trás.

- Está com fluxo desde ontem. Bella passou a madrugada em claro com ele. É bom que seja assim tão observador - ele zomba.

- Mas que droga! É que fui dormir ontem assim que cheguei.

- Mas você chegou não eram nem nove horas… - ele olha pra mim surpreendido.

- Mamãe não parou de me ligar um segundo, estava ficando louco àquela altura, então resolvi voltar cedo.

- Foi uma boa. Também acho que Bella se preocupa demais com você, mas ela estava realmente nervosa ontem por seu irmão. Se alguma coisa acontece a você…

Tento não pensar na mamãe agora, ela não é a única de cabeça cheia. Olho pela janela acompanhando o trajeto. Aquela parte da cidade parece mais arborizada do que todo o resto. Eu a amo. O sol reina por cima das folhas, como uma bela coroa dourada e anuncia um dia belo, apesar daquele frio pavoroso. Os pássaros começam finalmente a sair, apesar de eu não ouvir nenhum cantar ainda. É nesse devaneio que eu o vejo. Aqueles dreads curtos eram inconfundíveis. Oh não, não, não, não, não. Droga! Não posso realmente ir a escola. Tinha esperanças de que ele não aparecesse hoje. Viro para Rodrick:

- Pode me deixar aqui? Preciso passar na casa de Mackenzie antes de ir para a escola. - espero parecer suficientemente convincente.

- Ok então. Não demore muito, você já está atrasado. - Ele sorri pra mim quando eu desço do carro. - Bom dia pra você, Kurt. Nos vemos à noite.

- Tchau Rodrick - eu esboço um pequeno sorriso.

Na rua eu vejo Rodrick se afastando com a perua para frente e ele também, enquanto eu vou na direção contrária e corro para a esquina mais próxima. Mackenzie não está em casa. Minha melhor amiga tinha viajado para a Flórida com os pais e só voltava na sexta. O coração que estava disparado começa a sossegar um pouco mais. É uma calmaria seguida de um ódio repentino e começo a chorar. Não é mais medo que me dominava, é raiva. As lágrimas rolam e nenhum som sai da minha boca. Sei que mais a frente a um pub. Preciso realmente beber alguma coisa. O calor finalmente começou a aquecer a cidade, tiro a mochila, em seguida tiro o casaco e o amarro na cintura. As lágrimas descem até o piercing e começam a fazer cócegas acima da boca. Limpo-as desajeitadamente e puxo outro cigarro enquanto caminho.

Chego até uma movimentada avenida. O som dos carros que passam rapidamente me fazem pensar em quanta coisa aconteceu essa semana. Parecia que nada conseguia dar certo, até o mais improvável de dar errado. E ele, não posso mais lidar com ele.

Quando me dou conta, estou atravessando a rua, e uma luz forte seguida de uma buzina cortante me fazem acordar brevemente dos meus pensamentos.


Notas Finais


T.N.T é uma canção do grupo musical AC/DC.
O próximo capítulo chama-se "Comfortably Numb", e é um capítulo de ponto de vista de Ethan.


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