História Amor com Amor se Paga - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiacos de Garuda, Aiolia de Leão, Aioros de Sagitário, Camus de Aquário, Hilda de Polaris, Hyoga de Cisne, Ikki de Fênix, Jabu de Unicórnio, June de Camaleão, Kagaho de Benu, Kanon de Dragão Marinho, Kouga de Pégaso, Krest de Koh-í-noor, Marin de Águia, Mascára da Morte de Câncer, Minos de Grifon, Miro de Escorpião, Pandora, Personagens Originais, Radamanthys de Wyvern, Saga de Gêmeos, Seiya de Pégaso, Shaina de Ofiúco, Shaka de Virgem, Shiryu de Dragão (Shiryu de Libra), Shun de Andrômeda, Shura de Capricórnio, Tenma de Pégaso
Tags Poisonice, Saintseiya
Exibições 37
Palavras 4.564
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá pessoal como vai?

Depois de eras prometendo postar aqui, cá estou com a minha fic pra testar o social Spirit. Espero que se divirtam

Então eu só queria dizer que essa é a fic Poison&Ice mais nhon nhon e meio crazy que eu já fiz, mas não se preocupem, tudo dentro do normal possível. rsrsr

ENJOY

Capítulo 1 - Capítulo I


Conseguia ouvir o barulho do ginásio lotado, o templo da patinação artística no gelo em Montreal estava gritando eu nome. Seria sua consagração ganhar uma medalha de ouro ali e ninguém estava esperando o contrário porque era Camus Chevalier que competiria, nenhum dos atletas chegava ao seu nível atualmente.

            A equipe de patinação francesa desceu animada do ônibus e por todo o pátio do ginásio havia atletas de várias delegações, de diferentes países. Todos concentrados e admirados pelo barulho da multidão que nem ouviram os estalos das estruturas...

 

 

 

            Camus acordou assustado e trêmulo, o suor o inundando. Respirou fundo procurando o celular sob o travesseiro, um mau hábito que teimava em não lhe abandonar e viu que faltava pouco para o despertador. Havia muito que aquele pesadelo em específico não lhe atormentava, mais precisamente desde que viera para a Grécia há seis anos. “Talvez seja por causa do novo emprego”, pensou esfregando o rosto e se levantando em seguida. Poderia tomar banho com calma e se vestir antes de sair.

            Quase recusou o convite de Aiolos para trabalhar na Fundação Kido, ainda mais quando soube que lidaria com crianças e adolescentes, porém precisou aceitar já que fora demitido do centro de educação física que trabalhava. As aulas de personal não seriam suficiente junto com a sua pensão vitalícia que recebia do Governo Francês, para alguém que estava às portas da glória, sua vida agora era até medíocre.

            Depois do acidente houve um período de bajulação e esperanças, mas assim que o diagnóstico de Camus Chevalier atleta da equipe de patinação no gelo da França saiu, acabaram-se as bajulações e a esperança. Camus teria sorte se voltasse a andar, competir estava fora de cogitação.

            Vinte anos e sua vida era a patinação, Camus perdeu os pais no desabamento do ginásio em Montreal e o Governo francês lhe deu uma pequena pensão vitalícia por conta dos esforços pela nação. O tratamento custeado pelo Governo também ajudou Camus a voltar a andar, agora treze anos depois do acidente tudo que Camus era para seu país era um numero de conta bancária.

            A desculpa de se enfiar em trabalho era para manter seu estilo de vida, alto porque Camus recusava-se a não ter do bom e do melhor já que nascera na miséria e convivera com ela por quatorze anos. O ruivo era vaidoso e gostava das boas coisas que o mundo moderno podia oferecer viver sozinho e apenas para si lhe parecia um modo de vida maravilhoso. Era bonito? Sim, sabia que os cabelos longos rubros e o porte aristocrático naquele corpo cultivado a base de muito esforço e regras de boa saúde não passava despercebido por aí. Porém Camus fazia-se bonito para si e bastava.

            Mas naquela manhã e principalmente depois do pesadelo não ficou muito animado em vestir-se, então optou pelo casual elegante o mais básico possível, amarrando os longos cabelos vermelhos em um rabo de cavalo frouxo e pegando suas coisas para sair em seguida. Seria apenas uma reunião prévia onde conheceria seus alunos e os outros professores do projeto.

Depois de uma última olhada no espelho saiu trancando tudo e resolveu que tomaria café na delicatess da esquina.

xxxxxxxx

 

— Anda Hyoga! Nós vamos chegar atrasados. – gritou Milo escada acima todo atrapalhado com sua maleta de ferramentas e as coisas do filho – Hyoga!

— Se você não tivesse demorado no banho nós não estaríamos atrasados! – reclamou o loirinho descendo as escadas apressado colocando a bolsa de treino nas costas e pegando os patins – Meus patins estão rasgando pai.

— Você se apresenta para o novo professor com esse e a gente dá um jeito se sair a classificação para a competição. – Saiu empurrando o um copo fumegante de café e um sanduiche para o filho que já ia sentar na bancada da cozinha – NÃO! Vai comendo no carro, eu vou pegar um esporro do meu chefe se chegar muito atrasado.

— Eu também vou chegar atrasado nem por isso tô histérico. – resmungou o adolescente entrando no carro com o seu chocolate e sanduiche.

Hyoga observava o pai voltar para dentro de casa e verificar todas as trancas para depois vir se juntar a ele no velho volvo, era uma mania que Milo tinha. Classificava como mania porque não havia nada para roubar na casa pequena de cinco cômodos tão apertados que Hyoga sempre achou ser na verdade um cômodo dividido em cinco. Nem tinham TV a cabo ou computadores, até seus celulares eram de modelos anteriores aos do ano vigente, mas Hyoga estava feliz por ter um e poder usá-lo para navegar na internet e tudo mais. Ganhara no seu aniversário de quinze anos em fevereiro.

Milo andou desajeitado para o carro com suas ferramentas colocando-as no banco de trás para só então assumir o volante. Estava irritado por ter dormido demais, o despertador não fora o suficiente outra vez e não seria se ele continuasse a dormir tarde tentando arrumar uma maneira de apertar ainda mais o orçamento. Contudo Hyoga precisava de um par novo de patins para as seletivas, era o sonho do seu anjinho e ele faria tudo para realizá-lo. Ficou ainda pensando no dinheiro enquanto o filho terminava o café no banco do carona até que praguejou ao ver a fila de carros parados.

— Pai tem um carro parado ali, melhor dobrar a esquerda e seguir pela ponte ou vamos nos atrasar ainda mais. – Hyoga havia colocado um pouco o corpo para fora a modo de ver melhor que acontecia – UAU é o Jaguar XF! Acho que é algo na caixa de embreagem pai! Aquele ricaço nem sabe o que fazer.

— Vamos dar uma olhada. – Milo resolveu encostar atrás do carro enguiçado – Se eu consertar ele pode me dar uma boa gorjeta certo?

— Seu aproveitador! – mas Hyoga gargalhou e acompanhou o pai.

Camus viu um homem loiro com roupa de mecânico com uma caixa de ferramentas se aproximare sentiu um alívio imenso, estava há horas parado ali e o reboque não chegava. Não acreditava que o carro enguiçou ali, no meio do centro! Estava ficando muito irritado.

— Olá, problemas com o carro? Posso ajudar se quiser. – o grego estendeu a mão e ele a apertou – Milo Savalas.

— Camus Chevalier. – se cumprimentaram e Milo foi logo para o lado do carro – Você é mecânico?

— Meu pai é o melhor mecânico da cidade senhor. – um adolescente muito parecido com o mecânico apareceu. Mesmo olhos azuis, cabelos loiros, apenas um pouco mais curtos e desfiados enquanto os de Milo eram longos e caíam em cachos soltos nas costas. O grego com um gesto pediu para Camus abrir o capô enquanto amarrava os cabelos de modo displicente para examinar o motor – Caixa de embreagem?

— Não... – Milo se debruçou sobre o motor com o filho e começaram a discutir sobre algo que Camus não conseguiu acompanhar, então ele só ficou ali ao lado observando os dois.

“Mecânico de Xvideos” pensou Camus e riu de lado tentando tirar aquele pensamento inoportuno na cabeça, quando contasse a Shura sobre aquilo ele ia cair na sua pele. Estava quase tentado a tirar uma foto do belo grego com o macacão do mecânico para mostrar ao amigo. O menino era uma promessa da beleza do pai, antevia uma androgenia mais esguia no rapaz que ele observou chamar-se Hyoga e ser um tanto teimoso.

— Senhor Chevalier certo? – Milo disse com um pouco de dificuldade o sobrenome do francês que apesar do semblante sereno, estava tentando não rir dos seus pensamentos impuros e da pronuncia do loiro – O problema são as velas, vai precisar trocá-las por um jogo novo e o cabeamento do acelerador. Eu dei um jeito agora, mas é melhor trocar logo. Se quiser eu posso lhe indicar a loja onde comprar tudo e eu posso fazer o serviço na sua garagem, só vai precisar depois fazer o balanceamento na concessionária.

— Verdade? Mas então hoje...

— Está funcionando de novo... PERAÍ PORRA! O CARRO TAVA ENGUIÇADO CACETE! – gritou Milo para as buzinas mais atrás e continuou em um tom mais alto para ser ouvido, estendendo um cartão para Camus – Aqui meu telefone, me ligue para que eu possa lhe dizer o que fazer. Mas não demore ou pode ficar enguiçado de novo e eu não vou estar por perto. – finalizou com uma piscadela.

“É agora que ele me agarra e a gente transa.” Camus teve que morder os lábios para evitar gargalhar na frente do homem, estava certo de que levaria pelo menos um soco se propusesse algo do gênero. Controlou-se apenas para estender uma nota de cem euros para o grego que se surpreendeu com o valor alto.

— Não precisa se...

— Por favor, faço questão. Por ter vindo me ajudar e tudo, vou ligar para seguir suas recomendações e obrigado de novo senhor Savalas.

— Ah tudo bem então! – Milo coçou a nuca sem graça e Camus depois de um aceno e bagunçar os cabelos de Hyoga deu a volta no carro e saiu dali, Milo e o filho ficaram olhando o francês se afastar voltando em seguida para o próprio carro.

— “Ah tudo bem!” “Não precisa...”, mas é um bobo mesmo! Era bem capaz de ter feito o serviço de graça só porque aquele francês bonito – Hyoga comentou de viés ao entrar no carro.

— ‘Tava na cara que ele não sabe nada sobre carros, é uma boa ação Hyoga.

— Boa ação, sei! Outro Saga? Duvido que ele ligue se quer saber, vai levar na concessionária. Tem jeito que não arruma nem o encanamento da cozinha.

— Torça para ele ligar porque esse serviço pode significar um par de patins novos para certa pessoa. – Milo manobrou o carro tranquilamente, já estava muito atrasado, agora era aguentar Tatsumi.

“Ele podia gravar um vídeo para o porntime com aquele corpo” pensou Milo sacana.

— Melhor você não se animar muito não com esse ruivo pai. Maior pinta de hétero viu? Saradão, educado, todo na beca e carro do ano...

 — Ah não! Seria muito desperdício – Milo fez uma cara de horror fingido que fez Hyoga gargalhar.

Mesmo com o humor nas alturas e cem euros no bolso, Milo não escapou da bronca de Tatsume quando chegou atrasado à oficina. Passou pelos outros mecânicos e falou com todos até chegar à sua área onde Ikki, seu ajudante usava o elevador hidráulico para levantar o primeiro carro do dia.

— O Tatsume ainda te põe na rua. – Ikki comentou rindo de lado e Milo torceu os lábios.

— Coloca nada! Sou a estrela dessa oficina ele não vive sem mim. Aconteceu um problema e eu tive que resolver.

— Qual problema dessa vez?

— Foi por uma boa causa, boa mesmo. A boa causa tinha um metro e noventa, cabelos ruivos, pele leitosa e boca de coração. – Milo passou por Ikki segurando o queixo do moreno – Acho que estou apaixonado nigga!

— Você vive apaixonado Milo. – Milo balançou a cabeça rindo.

 

 

Na Fundação Kido Camus se desculpada pelo atraso explicando o motivo enquanto era conduzido pelo pavilhão da grande entidade. Dentre muitas atividades a Kido tinha por tarefa abrigar e capacitar órfãos para o mercado de trabalho. A Fundação da senhora Saori Kido ajudava crianças pobres e órfãs a estudar e se capacitar para o trabalho, muitos desses jovens eram incorporados nas indústrias ou nos vários ramos das empresas Kido. Era um sonho visionário da mulher que já ganhara prêmios pelo mundo todo por seu trabalho com a infância e a juventude.

— Que azar Camus, mas você chegou e está tudo bem. As crianças estão na aula regular agora e depois de saírem virão para os pavilhões de treinamento conhecer os novos professores, só então irão almoçar. A parte da avaliação mesmo só começará amanhã.– explicava Aiolos Savalas para ruivo que ficou intrigado porque se lembrava de agora de ter ouvido o nome Savalas em algum lugar...

— Vou ser professor de uma turma inteira? Mas você disse...

— E você ouviu certo. É que a Fundação está com um novo programa de talentos e para isso estamos montando uma equipe exclusiva de professores.– Aiolos bateu no ombro do francês – É aí que você entra, venha até a minha sala nós só estávamos esperando você chegar.

Aiolos o levou para a sua sala onde já esperavam mais outros três professores, reconheceu seu amigo personal trainer Shura Aguijo e Aiolia Savalas, antigo amigo de competições. Talvez tenha sido daí que reconheceu o nome.

— Bem senhores, senhoras.– Aiolos sorriu para a única mulher do grupo – Deixe-me apresentá-los antes de começar a explicar o programa Medalha de Ouro a vocês. Esta bela dama que está conosco é Marin, esposa de meu irmão e coordenadora do nosso núcleo de educação física. – a jovem ruiva cumprimentou os outros três com entusiasmo – Esse aqui é Aiolia como devem conhecer também professor da Fundação e ex-ginasta. Todo mundo o conhece certo? – todos riram Aiolia revirou os olhos e fez uma mesura fingida – Quem precisa de apresentações é Shura Aguijo, preparador físico e ex-esgrimista. E também Camus Chevalier, ex-patinador olímpico. Como podem ver todos vocês têm características bem específicas porque o objetivo do Medalha de Ouro é formar atletas de ponta.

— Descobrimos entre nossos jovens alguns prodígios, por isso estamos abrindouma divisão na Fundação para incentivar esses talentos que caso se confirme podem se tornar as novas promessas de medalha para a Grécia – continuou Aiolia a fala do irmão – Por isso estamos integrando vocês à equipe para testar esses novos talentos.

— Vamos conhecer as crianças, será melhor vocês verem com seus próprios olhos. – Aiolos se ergueu da mesa onde sentara e pediu aos outros que o acompanhassem até o pavilhão de treinamento.

Seguiu explicando que a Fundação de amparo a órfãos e crianças pobres incentivava o esporte nos jovens e crianças como tentativa de tirá-los das ruas e dar educação de qualidade aqueles que não a tinham na esfera pública. No entanto, o que se começou a perceber com algumas dessas crianças tinham tendências específicas para certos esportes. A essa altura estavam no grande centro de treinamento e Camus sentia um dejá-vu imenso porque parecia ter voltado à época em que treinava para as olimpíadas. O centro da Fundação Kido não devia em nada aos padrões internacionais.

— Elas devem entrar por aquela porta a qualquer momento, a aula acabou. – Aiolos consultou o relógio. Era um grego alto de pele bronzeada e cabelos anelados castanho-escuros, seus olhos de um verde profundo e o corpo invejável para seus trinta e nove anos. Aiolia era uma versão mais nova e loira do irmão, de cavanhaque.

Em minutos um grupo de jovens entre dez e dezesseis anos invadiu o centro de treinamento fazendo certa algazarra.

— Silêncio pessoal. Se comportem para conhecer os novos professores do projeto. – ordenou Aiolos com voz terna e os jovens se perfilaram ao seu lado.

Feitas as apresentações Aiolos e Aiolia começaram a dividir os jovens entre os novos professores à especialidade de cada um. Shura ficou com um garoto chinês e duas meninas gêmeas que garantiu serem excelentes com a esgrima. Aiolia já havia montado a equipe de luta grego romana com Seiya e Tenma irmãos órfãos que moravam na fundação, Jabu cujos pais trabalhavam nas docas e havia um quarto garoto que não estava ali. Marin e Camus foram para os aparelhos de ginástica onde um grupo maior se concentrou, a grega tomou a apresentação dos jovens para si.

— As meninas são June, Pandora e Hilda. – ela tocou no ombro das meninas uma de cada vez. A primeira, June, era loira e tinha doze anos seu irmão era Jabu. Pandora a mais alta, cabelos negros de azevinho era a mais velha também, dezesseis anos e era órfã morava na fundação. Hilda a última menina tinha quinze anos e tinha cabelos platinados – Comecei a treiná-las há dois anos na ginástica olímpica com uma equipe de sete meninas, mas elas se destacam.

— Pandora é alta acha que...

— É só compensar com a velocidade e o tempo certo para chegar ao aparelho Aiolos. – Camus andou em volta da menina – O melhor aparelho dela são as barras certo?

— É sim! Sou a melhor da turma. – Pandora disse orgulhosa e Camus assentiu examinando as outras meninas que Marin indicou.

— June no solo e Hilda para o cavalo, não se preocupem com a altura porque elas não vão crescer mais do que isso a partir de agora.

Marin assentiu e se dirigindo para os dois outros meninos restantes – Esses são Hyoga e Shun.

— Ruivo do Jaguar! – o adolescente estava muito surpreso.

— Hyoga? 

— Se conhecem? – Aiolos olhou do sobrinho para o francês – Não me diga que... Foi o Milo quem consertou seu carro?

— Que coincidência! – Marin estava pasmada – Pois, saiba Camus que você conheceu a nossa maior promessa para as olimpíadas. Eu tinha planos de treinar Hyoga para as argolas, mas descobrimos que ele é simplesmente divino na patinação no gelo.

— Ele patina?!

— Você tem que vê-lo – Aiolos chamou Camus e o lourinho para outra porta no pavilhão – Trouxe seu material Hyoga? Vá se arrumar enquanto terminamos aqui, ainda falta o Shun e em seguida Camus vai avaliar você na pista de gelo sim? – se virou para o ex-patinador – Camus o Shun é excelente no solo, ele aprendeu muita coisa com Marin, mas ela me sugeriu um professor exclusivo para ele.

— Porque eu acredito realmente no potencial dele e acho que ele tendo um treino intensivo e exclusivo, pode fazê-lo ir às olimpíadas e inverno. – explicou a professora.

— Quem sabe? – Camus estava com os braços cruzados avaliando Shun. Pequeno e um tanto delicado, precisaria de uma dieta e exercícios para enrijecer os músculos – Faça alguns movimentos para que eu possa ver. Quantos anos tem Shun?

— Quinze, senhor. – respondeu o garoto.

— É uma boa idade, embora os atletas de ponta comecem mais cedo. Aiolos o que tem em mente?

— Quero você treinando o Shun e o Hyoga exclusivamente, Marin pode se concentrar nas meninas e se você puder auxiliá-la tudo bem, mas o seu foco tem que ser Shun e Hyoga. Eles têm que se classificar para os mundiais de patinação e ginástica artística.

— Mas isso nos dá menos de um ano!  As prévias são em janeiro do ano que vem.

— Então temos que correr Camus, venha ver o Hyoga.

Camus acompanhou Aiolos ainda duvidoso de que aquilo pudesse dar certo, pensando em Milo que conhecera aquela manhã. Não havia dúvidas que a família era pobre, seria um esforço tremendo levar aquilo adiante. Consigo foi assim e seus pais não hesitaram em praticamente se desfazer dele para que Camus pudesse ir para Paris e treinar, será que Milo faria a mesma coisa?

Ele não tinha nem condições de pagar os estudos do filho ou ele não estudaria ali na Fundação, embora ele fosse um Savalas e de qualquer forma a educação na Fundação Kido fosse uma das melhores da Grécia.

O pessimismo abandonou Camus assim que viu Hyoga deslizar pelo gelo com seus patins gastos e roupas de segunda mão, repreendendo-se por julgar o garoto daquela maneira. Ele mesmo já estivera em um momento pior. Os primeiros movimentos do jovem patinador eram vigorosos e sem muita técnica, mas tinham segurança e ritmo, certa leveza como se fluíssem naturalmente. Era um cisne belo e imponente deslizando e encantando, foi como se ver ali.Isso despertou em Camus certa dor e algo mais profundo. Talvez a esperança despedaçada que um dia nutriu de voltar a patinar.

— Você teve a oportunidade de conhecer o pai dele e deve ter percebido que eles não têm lá uma fácil condição de vida, Milo ganha o suficiente para sobreviverem e para que a família da mãe russa de Hyoga não tire o menino dele. – explicou Aiolos para o ruivo –Milo é meu meio-irmão, fruto de um caso de meu pai com outra mulher. Por isso é orgulhoso e não aceita ajuda de ninguém para criar o filho, Hyoga só estuda na Fundação porque eu o ameacei de tirar a guarda do garoto se Milo o impedisse de estudar aqui. Camus eu estou disposto a investir o que for para ajudar a realizar o sonho do meu sobrinho, Hyoga pensa nisso desde os dez anos! Veja e me diga se ele não tem todas as chances do mundo de ser um grande patinador?

— Se treinar muito, se dedicar com afinco... – Camus disse em um tom baixo, os olhos ainda no menino que finalizava sua apresentação – Tenho carta branca Aiolos? Eu serei o técnico dele, ele tem que me obedecer em tudo, estar disposto a sacrificar algumas coisas para conseguir ser um atleta de ponta. Tanto ele quanto Shun.

— Vai treinar o Shun também então?

— Sim, mas vou precisar de um auxiliar, conheço alguém e talvez você conheça também, depois falaremos. Aiolos você quer resultados então terá que investir pesado. – Camus tinha uma expressão determinada – Você me pediu que viesse e eu estou aqui, sabe dos problemas que enfrentei para estar aqui. Então eu quero comprometimento.

— Você tem a minha palavra. – e pela cara de Camus, Aiolos não tinha dúvidas que chamara a pessoa certa para aquela missão.

 

 

***

            Camus passou a tarde na Fundação resolvendo com a equipe do projeto todos os tramites burocráticos, ele e Aiolia eram os mais experientes no assunto e foram os que traçaram as metas para os novos atletas. Estavam determinados, o ruivo parecia ter ganhado um novo ar depois de ver Hyoga na pista de gelo e secretamente Aiolos e Aiolia comemoravam aquilo, o leonino conhecia Camus desde que o francês viera morar na Grécia e conhecia o drama do ex-patinador.

            Conversou um pouco com Hyoga que muito embaraçado confessou não lhe ter reconhecido, o carro acabara roubando toda a sua atenção. Na conversa percebeu que o adolescente era muito inteligente e idolatrava o pai, além da humildade verdadeira do pequeno e a franqueza. Hyoga sabia das dificuldades que enfrentaria e a sua realidade.

            Gostou de imediato do rapaz! Para o seu espanto porque não se sentia à vontade com jovens ou mesmo crianças, Hyoga lhe pareceu um bom menino apesar da adolescência. Conhecia muitos na sua idade eram verdadeiros escroques.

            Ao chegar em casa foi direto para o quarto abrir o closet e tirar de lá seus patins, o par novo e intocado que comprou assim que conseguiu sair do hospital. Seu intuito era usá-los assim que recuperasse os movimentos, na sua primeira competição. Os movimentos voltarão, mas as competições não e Camus nunca mais conseguiu nem chegar perto de uma pista de gelo.

 

***

 

            — Advinha quem está treinando oficialmente para as olimpíadas?!

Hyoga entrou em casa gritando a pergunta para o pai que fazia o jantar deles na pequena cozinha, Milo largou tudo apenas desligando o fogo a tempo de receber o filho nos braços. Houve um momento de gritos insanos e palavrões até que os dois se acalmassem e Milo voltasse para o jantar, Hyoga se sentou no balcão começando a explicar ao pai sobre seu dia na escola.

— Fiquei com a cara no chão por não ter reconhecido ele na hora do carro. Que mancada! Camus Chevalier ganhador de duas medalhas de ouro, inúmeros mundiais estava na minha frente e tudo que eu consegui notar foi o motor do carro dele. – Hyoga balançou a cabeça – Morro mais de vergonha ainda ao lembrar que você estava dando em cima dele. Agora mesmo que ele não vai ligar pra arrumar o carro.

— Eu não dei em cima dele!

— "Ah não foi nada!" "Me liga e blablabla..." – citou Hyoga de modo irônico - E sorrindo o tempo todo com esse macacão de mecânico!

— Você não devia ser tão pessimista quanto a esse conserto. São os seus patins novos! – Milo começou a despejar o refogado em uma travessa – Saia daí vá arrumar os pratos.

— Tio Aiolos disse que quanto ao equipamento você não precisa se preocupar porque ele vai comprar. Pra você guardar o dinheiro para a hipoteca. – Hyoga colocava o jogo de jantar sobre a bancada. A cozinha era um pequeno "L" separado da sala pela bancada e da área de serviço por uma parede onde estavam encostadas a lava-roupas e secadora. Um luxo a que Milo se permitia por ser um péssimo dono de casa – Como ele sabe disso?

— Porque é um intrometido, não sei quem é o pior,  se ele ou a sua tia russa Natasha.

— Podemos perder a casa pai? – Milo encarou o filho que o olhava sério. 

— Não Hyoga. Fique tranquilo, não sou um completo irresponsável! Já paguei boa parte da dívida e vou ter que apertar um pouco mais as coisas. – Milo deu de ombros – Mas vou conseguir pagar a hipoteca.

— Aiolos disse que a Fundação Kido vai dar uma bolsa aos atletas e que depois que nos classificarmos, vamos fazer parte da Federação e aí vai ter mais uma bolsa. Eu só preciso me classificar! Mas meu treinador é o Camus então o céu é o limite. – Hyoga baixou a voz a um tom conspiratório – Ele deve ser terrível! Fiquei mijando nas calças quando falei com ele por alguns minutos, imagina os treinamentos. Uma dica pra você que vai falar com Camus amanhã: Não olhe nos olhos dele e fale o nome dele certo!

— Vou vê-lo amanhã?

— Amanhã tem a reunião com os pais e responsáveis dos atletas do projeto, eu tenho um aviso sobre isso na minha mochila. Vou separar uma roupa para você ir à reunião – Milo fez uma careta – Nunca que você vai falar com o Camus com aquele macacão de novo!

— Não há nada de errado nele.

— Milo Savalas se você aparecer na reunião com aquele macacão eu te mato! – Milo sempre o achava parecido com Natássia quando ele falava daquela maneira, quase podia vê-la agora – Ele não é a única roupa que existe!

— É a minha roupa de trabalho ora! Vou sair da oficina direto para lá, quer que eu faça o quê senhor ativista da moda?!

— Dá tempo de trocar de roupa e o Ikki provavelmente vai trocar também então não e venha com essa desculpa esfarrapada! Se bem... – Hyoga ficou pensativo – Ikki só trabalha meio período, dá tempo de ir para casa trocar de roupa.

— O Ikki não trabalha agora tempo integral na oficina – Milo disse de boca cheia – Ele precisa de dinheiro extra porque Agatha está internada e não vai mais poder trabalhar, ele precisa sustentar o Shun e ele. Vai estudar na Fundação à noite.

— Pelo amor de deus não vai falar de boca cheia na frente do meu treinador! Ele é todo educado, vou morrer de... Peraí o Ikki vai estudar a noite? E eu?! E a equipe de luta! – Hyoga emendou antes que o pai se tocasse da mancada – Ele é o melhor lutador da equipe! Não pode sair assim e ele é menor de idade, não pode trabalhar o dia inteiro.

— Ele faz dezoito daqui a alguns meses e a família precisa dele agora. É isso ou ir morar com aquele pai que detesta e o Ikki prefere morrer a morar com o cara. – Milo estalou a língua, sentia muito por Ikki abdicar do sonho dele para sustentar a família sendo tão jovem. Já estivera na pele dele, sabia qual era a sensação e não se arrependia do filho, mas sabia que se ele e Natássia pensassem hoje talvez ela estivesse viva e eles vivendo em melhores condições.

“Eu não vou mais ver ele!” Hyoga mordeu o lábio angustiado, agora que aos poucos acreditava estar se aproximando do moreno. Precisava fazer alguma coisa.

— Se o Ikki for de macacão para a reunião pode esquecer a troca de roupa.

— Puta que...

— Olha a boca moleque!



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