História Amor de verão - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ibiki Morino, Ino Yamanaka, Matsuri, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Shizune
Tags Gaaino, Gaara, Ino, Naruto, Romance
Exibições 52
Palavras 4.342
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, fic nova tenham uma boa leitura e nos vemos nas notas finais :)

Capítulo 1 - A linda roqueira


Fanfic / Fanfiction Amor de verão - Capítulo 1 - A linda roqueira

¹

Mamãe está nervosa, encostada a lateral do carro, com os finos braços cruzados rentes aos seios ela observa impaciente o meu pai entrando de mãos vazias na casa e retornando minutos depois, segurando uma mala em cada mão.

Essa é a quinta viagem do meu pai, logo ele reclamará da quantidade de bagagens, dirá que mamãe é exagerada, são somente três semanas fora, apenas vinte e um dias longe de casa, não é necessário levar tanta bagagem e mamãe com seu ar petulante pedirá para que meu pai não dê palpite, pois ele não sabe de nada.

-Sua mãe parece irritada. Disse Tsuri.

Eu olho para a garota sentada ao meu lado na parte plana do telhado, os olhos escuros dela estão direcionados lá para baixo, para a rua, para o Ford - Del Rey, para a minha mãe encostada a lateral do carona, para o meu pai que está tendo dificuldades em enfiar as bagagens no porta-malas, para a minha irmã que acabou de sair da casa, a gaiola do Pietro está em suas mãos –Não acredito que ela levará o hamster- e para o meu irmão sentado -de costas pra nós- no meio fio.

-Não dou à mínima. Desvio os olhos da face queimada de sol da Tsuri e torno a observar a rua.

-Gaara, ainda está chateado com os seus pais por eles terem te colocado de castigo? Ao invés de respondê-la eu estalo a língua.

Tsuri e eu somos amigos desde, desde sempre, por isso nós não precisamos de palavras para nos entender, eu não preciso respondê-la, ela já sabe a resposta, um dos talentos da Tsuri é sempre saber o que estou sentindo e pensando. Às vezes isso é extremamente irritante, mas em outras eu acho cômodo ter alguém que apenas olhando em meus olhos, entenda tudo o que eu não disse.

-Você não pode ficar chateado com eles, a culpa é sua, neste ano estude mais e não reprove ai você poderá viajar com a sua família nas próximas férias de verão! Tsuri puxa a minha orelha e eu bufei frustrado.

No ano passado eu ia à escola apenas para dormir na sala de aula-ganhei um Atari 2600 no meu aniversário e o jogo Pac-Man estava sugando todas as minhas energias- resultado, repeti de ano no colégio.

Mamãe ficou muito decepcionada e culpou o meu pai –ele é quem me deu o videogame- meu pai também ficou decepcionado com o meu descaso com os estudos e me colocou de castigo.

Desde dezembro eu estou de castigo, sem videogame, sem TV e o pior de tudo é que não viajarei com minha família nessas férias de verão, as passarei aqui, na pacata cidade de Suna, na companhia da minha avó materna.

Eu sempre morei em Suna, um minúsculo aglomerado de terras, situado ao leste do país do Fogo.

Suna é banhada pelo mar dos Náufragos, o mar tem esse nome porque há muitos anos-antes dos meus antepassados escoceses migrar pra cá- ele era o palco de batalhas marítimas, que terminavam com vários tripulantes ao mar.

Por ser uma cidade que por muito pouco não é uma ilha- no sul Suna não é banhada pelo mar- ela era o porto preferido de muitos piratas, que escondiam seus tesouros nas três praias existentes aqui.

Algumas histórias trágicas e ao mesmo tempo engraçadas de tão absurdas, contadas de pai para filho deram origem aos nomes das praias.

A praia ao leste de Suna é a praia da Sereia e os Trigêmeos-três irmãos, todos piratas, conhecem uma sereia, eles se apaixonam por ela e pedem para a mulher peixe tomar um deles como amante, indecisa a sereia ordena que eles lutem até a morte e o capitão que conseguisse manter o navio sobre as águas, seria o escolhido- ninguém sabe qual dos trigêmeos foi o vencedor, mas pelas ondas furiosas naquele lado do mar dos náufragos, acreditasse que não houve vencedor.

A praia do Leviatã ao oeste da cidade é a preferida pelos turistas, todos esperançosos por terem ao menos um vislumbre da criatura mitológica que deu nome a praia - o velho Thomas, o dono da loja de fogos de artifício, conta a todos os que quiserem ouvir como o tataravô dele se deparou com o monstro e escapou, segundo ele seu tataravô era um pirata bastante famoso e temido na época, em uma de suas vindas a pseudo ilha ele se deparou com a mais temível das bestas, o Leviatã, na descrição do velho Thomas ela é uma enorme serpente cuspidora de fogo, mas há controvérsias, alguns dizem se tratar de um enorme crocodilo, outros que a criatura é um dragão marinho ou um polvo, semelhante ao Kraken, eu não acredito que tal criatura exista, mas sempre que sou abordado por um turista sobre o assunto eu digo que a criatura é uma serpente cuspidora de fogo e igual ao velho Thomas eu conto como o tataravô dele escapou do Leviatã- algo que se aprende desde pequeno em Suna, é nunca expor a sua opinião sobre as lendas locais aos turistas, se você não acredita nelas, guarde para si, os comerciantes da cidade agradecem.

E por último ao norte da cidade, a praia do Capitão e a Donzela, ela é a minha preferida, a história por trás do nome dessa praia não é fascinante e sim um grande clichê, porém naquele ponto o mar dos náufragos é mais calmo, com pouquíssimas ondas, o que mantém os surfistas longe e consequentemente suas idiotas festinhas a noite-luaus - são feitas nas outras praias, transformando a praia ao norte em um perfeito paraíso natural.

No fim da Rua Shukaku, na parte superior da praia há um penhasco- conhecido popularmente como o sono eterno dos amantes- e foi neste penhasco que aconteceu a história que deu nome a praia – Na época das batalhas marítimas a filha do governador da cidade se apaixonou por um capitão pirata, logicamente o pai dela não aprovou a união e por isso os dois, pirata e donzela, fugiram e foram perseguidos até o penhasco ao fim da rua Shukaku, jurando amor eterno eles saltaram do penhasco e encontraram o sono eterno- Há uma segunda versão da história –que é a que eu acredito- nessa versão o pirata de fato se apaixonou pela filha do governador, no entanto a donzela não o correspondeu e por isso ele a sequestrou, a levou até o penhasco, a assassinou e depois se suicidou.

Quando me dizem que tal sujeito foi um pirata, eu sempre imagino um homem de meia idade, barbudo, com bafo de rum, uma perna de madeira, um tapa olho ocultando um de seus olhos, que ele possui um papagaio ou um macaco como animal de estimação e que está sempre rodeado de mulheres fáceis.

E é por todas essas características que eu considero a segunda versão do pirata e a donzela a mais eloquente.

-Em? Tsuri insiste, ela quer porque quer obter uma resposta minha.

-É ilógico me castigarem por algo que já aconteceu e é irreversível, não consigo entender... Papai fecha o porta-malas, depois de oito viagens ele terminou de enfiar todas as bagagens no seu Ford-Del Rey verde. –Me obrigar a passar o verão sob esse sol escaldante não aumentará as minhas notas e não fará com que eu pule do oitavo ano para o primeiro ano! Meu corpo tombou um pouco para o lado esquerdo, Tsuri esbarrou o seu braço no meu com uma força desnecessária.

Deixo de observar a minha irmã entrando no carro e fito a bonita  face da garota sentada ao meu lado.

Tsuri tem uma face redonda, bochechas proeminentes e altas–que eu adoro apertar, apesar dela não gostar quando eu faço isso- uma testa média e um queixo pequeno, o canto externo dos seus olhos escuros, é levemente elevado, fazendo com que eles se pareçam com amêndoas, suas sobrancelhas são retas, dando uma expressão de indiferença a sua face de traços harmoniosos, o nariz dela é curto e enfeitado por algumas sardas, a boca dela é pequena e carnuda.

Tsuri é uma garota bonita, mas ela ainda não tem curvas, minha avó diz que ela é uma tábua e sempre empanturra a Tsuri com comidas pesadas, torcendo para que ela ganhe algumas gordurinhas.

Quando ela crescer eu tenho certeza que se tornará um mulherão, meu irmão também acha isso, ele pode negar, porém eu já o vi olhando de uma forma diferente –maldosa, aquele olhar que se dá para uma linda mulher na rua- para a Tsuri e ele também fica nervosinho quando as pessoas dizem que daqui uns anos a Tsuri e eu vamos nos casar.

Todos na cidade dizem isso, é meio que uma regra por aqui, você nasce em Suna , cresce em Suna, faz amizade em Suna, namora alguém de Suna, se casa em Suna–de preferência com algum amigo de infância- tem filhos em Suna, envelhece em Suna e morre em Suna.

Com os meus pais foi assim-acho que com os meus avós também- meu pai e minha mãe eram melhores amigos desde, desde sempre –igual a Tsuri e eu- todos também diziam que um dia eles se casariam.

Meu pai achava graça –parece que mamãe não era muito bonita na infância e adolescência, mas agora ela é- ele dizia que isso nunca aconteceria que eles eram apenas amigos e vejam só, hoje eles têm três filhos.

Eu diferente do meu pai já aceitei a ideia ou destino, um dia a Tsuri e eu realmente devemos nos casar.

A Tsuri também já se conformou, mas diferente de mim ela impôs uma condição, Tsuri me fez prometer que depois de casados nós iríamos embora de Suna, ela sonha em conhecer todas as cidades bonitas que vemos pela TV-Londres, Paris, Tóquio e Las Vegas- eu concordei apenas para ela parar de me aborrecer.

-Qual é Gaara, até parece que esse é o seu primeiro verão em Suna! Tsuri está tentando me animar, eu entortei os lábios para ela, que não se intimida. –Anime-se vai ser divertido, lembre-se que nesta época do ano a cidade recebe muitos turistas, você pode pregar peça neles. O sorriso dela é reluzente.

Graças aos boatos de que os piratas escondiam tesouros aqui, Suna tornou-se um ponto turístico, em todas as épocas do ano, pessoas de todos os cantos do mundo vem nos fazer uma visita, no entanto no verão parece que a cidade tem mais turistas do que nativos- e realmente há- pois a maioria dos habitantes aproveitam as férias dos filhos nos colégios e viajam nessa época, deixando suas casas vazias, que muitas das vezes são alugadas por turistas.

Porém eu não vejo muita graça nisso, a maior parte dos turistas é do sexo masculino, as poucas mulheres são mais velhas, grande parte casadas e quando raramente aparece uma garota com a idade próxima a minha, elas preferem os surfistas bitolados.

-Ah, por favor, Tsuri, eu não vejo mais graça em passar informações erradas para os turistas. Antes –há um mês- Tsuri e eu nos divertimos enganando-os, quando perguntados em qual direção seguir para chegar às praias, nós indicamos o caminho até o sul, o único ponto de Suna em que não há mar.

A expressão deles ao se depararem com a fábrica de vidros abandonada, deve ser muito engraçada.

Quando perguntados sobre a localização dos supermercados, nós os fazemos chegar à loja da velha Wilan –a bruxa para os mais íntimos- ela vende ervas estranhas, utensílios estranhos, para métodos estranhos.

Minha irmã uma vez me disse que a velha Wilan vendia bonequinhos de vodu de todos os moradores de Suna, eu senti pontadas na lateral do meu corpo-como se alguém estivesse me espetando com um alfinete- por uma semana e hoje eu sei que as pontadas eram fruto do meu cérebro amedrontado.

Meu pai descobriu e colocou a minha irmã de castigo, ele disse que ela mentiu para me assustar e me levou a loja da velha Wilan.

A loja é realmente bizarra, com caldeirões, teias de aranhas nas paredes, caveirinhas de enfeites, mas eu não encontrei nenhum boneco de vodu e sim bonequinhos de piratas colecionáveis.

A velha Wilan me presenteou com um deles -o Calico Jack- que fica sobre a minha mesa de cabeceira, junto do meu despertador e do meu quadro de família.

Depois disso eu parei de enviar turistas a loja da velha Wilan, eles ficavam nervosos por terem sido enganados e causavam problemas para a velha Wilan, mas não posso dizer o mesmo sobre a fábrica de vidros abandonada, em Dezembro muitos deles chegaram a ela, pensando que encontrariam as praias.

-Bem então você colocará essa cabeça de fósforo para funcionar e pensará em algo legal para fazer durante essas três semanas. Se Tsuri usou o meu apelido –cabeça de fósforo- significa que ela está ficando impaciente, o sorriso radiante desapareceu aos poucos dos seus lábios carnudos.

Levo a mão esquerda à face dela e aperto a sua bochecha levemente, Tsuri faz um bico irritado e eu acho graça.

-Pode deixar eu encontrarei algo que nos divirta durante essas três semanas.

Tsuri dá um forte tapa em minha mão, entendo o recado, paro de apertar sua bochecha e afasto a minha mão da sua face. Ela massageia a bochecha que antes eu apertava e passa a balançar seus pezinhos –nº 33- no ar.

-Gaara eu... Ela desvia o olhar –Eu viajo amanhã para a casa da minha avó, ela está muito doente e papai pensa que ela não passará do meio desse ano, por isso vamos visitá-la... Fico em silêncio, eu sei que não tenho o direito de ficar brabo, mas tenho o direito de ficar chateado, sem a Tsuri aqui essas férias com certeza serão as piores da minha vida. –Desculpe, eu devia ter te dito antes, mas você estava tão aborrecido por estar de castigo, que eu não tive coragem de te contar.

Como um garoto birrento eu permaneço em silêncio. –Não vai dizer nada? Perguntou Tsuri, eu solto uma baforada de ar pela boca.

-Espero que sua avó melhore... Tento controlar minha chateação, a avó da Tsuri é uma boa senhora, em todas as vezes que ela veio visitar a neta e o filho, ela me tratou muito bem. Eu iria acrescentar algo mais, no entanto a voz da minha mãe me impede e tanto a Tsuri quanto eu, abaixamos o olhar e voltamos a fitar a rua.

Meu irmão e irmã já estão acomodados no banco de trás do carro –os dois babacas nem se preocuparam e se despedirem de mim- meu pai e minha mãe estão em pé sobre a calçada, um do lado do outro, os pescoços esticados e as cabeças erguidas, eles olham para a Tsuri e eu sentados na parte plana do telhado da nossa casa.

-Estamos indo filho, obedeça a sua avó. Meu pai se despede brevemente.

-Aproveite as férias e se comporte, use esse tempo para pensar no porque está de castigo, mamãe te ama Gaarinha... Mas é claro que mamãe não poderia imitá-lo, ela tinha que me fazer passar vergonha, ouço a Tsuri segurar o riso.

Se eu estivesse falando com a mamãe, eu iria ralhar com ela, mas como não estou, apenas ignoro o fato dela me chamar de Gaarinha –Faço 15 anos esse ano, não posso mais ser chamado de Gaarinha, não em público!- Cuide dele Matsuri. Mamãe pede sorrindo.

-Pode deixar tia. Tsuri disse isso apenas para deixar minha mãe tranquila, pois como ela irá cuidar de mim se também irá viajar nessas férias?

Meu pai e minha mãe acenam para nós, eu os ignoro, Tsuri me dá uma cotovelada na lateral do corpo e me obriga a acenar de volta.

Papai buzina e minha avó grita um tchau, sua voz chega abafada aos meus ouvidos, ela está na cozinha da casa, fazendo bolo de cenoura com cobertura de chocolate –meu preferido- minha avó espera me adoçar com ele.

Meu pai buzina mais uma vez e dá partida no carro. Não desgrudo os olhos do Ford-Del Rey, até que ele desaparece do meu campo de visão ao virar uma esquina.

 

***

Enquanto pedalo sinto o suor deslizar por minha testa, alcançar minha boca e deixar um gosto salgado nela, fazendo com que eu sinta sede.

Tsuri está sentada de lado na frente da bicicleta, suas mãos seguram firmemente o meio do guidão e os dois binóculos pendurados em seu pescoço, balançam pra lá e pra cá.

É fim de tarde e mesmo assim o sol continua a nos castigar. As quatro estações do ano são bem acentuadas em Suna.

A primavera é tida por muitos como a estação do amor, uma parte de Suna é tomada por Árvores Flowering Dogwood, que florescem nessa estação do ano, suas belas flores brancas ou rosas, servem de testemunhas para vários casais apaixonados, muitos casamentos ao ar-livre são concebidos em meio a essas árvores.

O verão é tão quente e seco, que eu acho que o inferno perde para ele, apesar de que durante a noite, um frio cortante domina a cidade, durante essa estação minha mãe reclama todos os dias por morarmos no litoral, ela não suporta o cheiro de maresia, que parece piorar durante o verão e a impressão de que as paredes da casa estão sempre úmidas, a quantidade excessiva de pernilongos e moscas não faz com que o humor da minha mãe melhore e minha mãe também não gosta de turistas.

Porém no outono, mamãe volta a ser uma pessoa amorosa, Suna fica com uma temperatura amena, chuvas deliciosas no fim da tarde, na medida certa, apesar de que algumas vezes granizos enormes caem do céu, e mamãe agradece por as águas do Náufragos serem tranquilas na praia do Pirata e a Donzela –a praia próxima a nossa casa- uma vez os granizos quebraram o teto do colégio e ficamos uma semana sem aulas, bons tempos, tão bons quanto quando nevou em Suna.

Apesar de o inverno ser rigoroso por causa das praias não neva em Suna, no entanto uma vez, no inverno de 1976, nevou aqui por oito dias –eu era novo, mas me lembro perfeitamente desses dias e de como me diverti neles- as ruas ficaram interditadas e por isso não teve aulas –bons tempos aqueles-.

Alcançamos a praia-neste horário apinhada de pessoas- não paro, continuo pedalando pela rua Shukaku.

A rua dá uma leve inclinada para cima, se transforma em um morro, para logo depois inclinar-se para baixo e tornar a seguir reta.

Por causa do sono eterno dos amantes não há trânsito ou transeuntes naquele trecho da rua.

As pessoas –nativos e turistas- temem a história há cerca daquele penhasco, alguns não admitem, mas eles temem ver os fantasmas do pirata e da donzela.

Tsuri e eu agradecemos, o sono eterno dos amantes é o nosso lugar, todas as tardes nos sentamos à beira dele, para observar o pôr do sol e os turistas-nosso passatempo preferido é escolher um turista aleatório que está passeando na praia lá embaixo e inventar histórias sobre eles-.

Tsuri e eu descemos da bicicleta quando chegamos à barreira feita por nós.

Nós roubamos alguns cones do estacionamento da cafeteria e a fita amarela-aquelas de policiais-que ficava a entrada da fábrica de vidros abandonada.

Antes de chegar ao penhasco em si, nós enfileirarmos os cones laranja e pregamos a fita amarela neles, criando uma barreira, qualquer turista que visse aquilo, pensaria que aquela era uma área proibida.

E esse é outro motivo por não ter movimentação no final da Rua Shukaku.

-Hoje você começa. Disse Tsuri, ela se senta à minha esquerda na beira do penhasco.

-Ok... Com o binóculo ampliando a minha visão eu observo a praia e encontro uma bela mulher agachada, sua mão tateia a areia branca, ela provavelmente está apanhando uma conchinha para sua coleção ou apenas para escutar o barulho do mar e tenho certeza de que é uma turista.

Depois de muitos anos de prática identificar turistas torna-se bastante fácil- eles andam nas pontas dos pés na areia quente, como se estivessem pisando em brasas, vêm à praia cheios de sacolas e bolsas, sem falar que fotografam todos os seus passos, literalmente, não podem ver uma conchinha que já querem pegar, para colecionar ou apenas escutar o som do mar e o que é bastante padrão, estão sempre apontando para o mar e olhando abobados para ele, sem nenhum motivo especial aparente- o mar é realmente bonito, mas meio que se enjoa dele quando se vive no litoral.

E a cidade é pequena, então conhecemos mais da metade da população, isso com certeza facilita na identificação de turistas.

-Aquela ali... Aponto para a mulher que continua agachada na areia. –Vamos chamá-la de Susie. Susie se divorciou recentemente, ela não tem filhos, não quis abrir mão do corpo magro e sexy, aos 32 anos Susie decidiu se reinventar e ela aproveita suas férias em belas praias, a procura de rapazes mais novos para ensinar-lhes a arte do amor. Eu rio e Tsuri também.

-Acho melhor você parar de sonhar Gaarinha... Ela debocha e eu lhe mostro a língua. –Minha vez... Tsuri diz animada e usando o seu binóculo, ela observa a praia.

Tsuri escolhe um homem sentado no inicio da praia, ele está usando óculos escuros, por isso é impossível afirmar se ele está admirando o mar ou a bela Susie, que ergueu o corpo e passou a caminhar –saltitar- nas pontas dos pés, pela areia do Pirata e a Donzela.

A noite o calor se despediu e deu espaço para um frio cortante –de tremer os dentes- deixei Tsuri em casa e segui direto para a minha casa, duas ruas acima.

Minha avó não se encontra, ela foi a igreja, eu aproveito para assistir TV –eu queria mesmo era perder horas no Atari 2600- mas meu pai o escondeu muito bem, então me resta somente a TV.

 

***

 

Passo a manhã e parte da tarde dentro do quarto, dedilhando o violão, eu estou aprendendo a tocar uma nova canção–The Beatles-Hey Jude-.

No fim da tarde-quando o sol permite com que eu pedale pela cidade- eu saio de casa e vou ao sono eterno dos amantes- eu não levo o binóculo, a Tsuri viajou hoje de manhã e sem ela não tem graça observar as pessoas na praia e inventar histórias sobre elas-.

 

***

²

Passo reto pela praia, subo o morro, desço e continuo reto, ao me deparar com a barreira de cones-feita por mim e a Tsuri- eu desço da bicicleta e à encosto em uma árvore, que fica depois da barreira improvisada.

Corro até a beira do sono eterno dos amantes, o pôr do sol se aproxima e a vista do penhasco é impressionante, o mesclado de laranja com o azul, enche os olhos das pessoas que como eu, apreciam os pequenos detalhes.

Entretanto hoje o penhasco está de parabéns, ele me proporcionou uma visão muito mais bonita que o pôr do sol.

Sentada a beira do sono eterno dos amantes, no lugar que a Tsuri costuma ocupar, encontra-se uma garota loura.

Normalmente eu ficaria irritado por alguém além da Tsuri e eu estar ali –aquele é o nosso lugar- mas a garota é tão diferente de todas as garotas que eu já vi na vida, que me encanto e fico nervoso.

Silenciosamente eu me aproximo e me sento ao seu lado, a garota me olha, ela é turista.

Ela tem o rosto de uma turista- a testa dela é mais larga que o maxilar, seu rosto é um triângulo invertido, sua testa é média e seu queixo pontudo, os olhos dela são azuis claro, estreitos e profundos, o nariz arrebitado combina perfeitamente com seus lábios delicados, sua boca é pequena e seu lábio superior é menor que o inferior.

Os cabelos dela também são cabelos de turistas- eles são amarelos e volumosos, ela usa o corte Mullet.

Ela se veste como uma turista – a camiseta vermelha é decotada e rasgada na barra, por cima um colete de pano fino-aposto que a peça era uma camisa que ela mesma cortou- com detalhes em vermelho e azul, a saia é xadrez-vermelho e cinza- meias de rede- rasgadas na altura dos joelhos- e uma bota de cano alto, com salto e bicos finos.

Ela também cheira a turista-ela usa Giorgio, de Giorgio Beverly Hills- nenhuma mulher de Suna usa esse perfume.

De uma forma peculiar a garota é linda, os radiantes olhos azuis dela faz com que minhas mãos sue frias e com que o pôr do sol se torne insignificante.

-Oi. Nervoso eu tento iniciar uma conversa, a garota nada diz e então eu percebo que apesar dos olhos dela estar fixos em mim, ela não está verdadeiramente me olhando.

Eu me sinto mal e logo culpo minha aparência exótica.

Apesar de morar no litoral a minha pele é muito clara, quando pego sol, eu não fico moreninho como meu irmão, irmã, a Tsuri ou o resto dos nativos de Suna, eu fico vermelho como um pimentão. Meus cabelos são vermelho, curtos e lisos, com um topete pequeno na frente, meu rosto é oval, meus olhos são verde escuro, de aparência sonolenta, tenho um pouco de olheiras, mas por eu ser muito claro, elas se tornam notáveis. Meu nariz é reto, minha boca é pequena de lábios finos. Não sou magro, mas também não sou definido ou gordo, tenho um tipo físico indefinido, minha mãe diz que quando eu ficar mais velho tudo melhora.

-O que está fazendo aqui, não viu os cones e a fita amarela essa é uma área perigosa? Irritado com a indiferença dela eu ralho com a garota.

Os olhos azuis dela piscam rapidamente é como se ela tivesse acordado de um transe e eu percebo que agora ela está realmente olhando pra mim.

A garota sorri de boca fechada, é um sorrisinho debochado.

-Sim eu vi ruivinho, mas não dou a mínima! Ela diz, se levanta, vira de costas e se afasta.

Eu também me levando, giro nos calcanhares e acompanho com os olhos, aquela linda roqueira caminhar para longe.


Notas Finais


Então essa fic se passa em 1985, ela é pequena, no máximo quatro capítulos, já escrevi três (Falta apenas passar para o PC e postar) e eu não devo demorar a fazer isso xD
Eu não iria postá-la por agora porque eu tenho uma fic que não é atualizada há um tempinho, mas como ideias novas para a outra fic custam a aparecer eu resolvi postar essa que já está praticamente pronta.
¹ Roy Orbison-Oh Pretty Woman
²James Blunt - You're Beautifu
Essas são as musicas que escutei enquanto bolava cada parte do capítulo e a segunda música foi a que me deu a ideia para a fic.
Pra quem não sabe o que é corte Mullet é esse aqui
http://salaovirtual.org/wp-content/uploads/2016/02/penteados-dos-anos-8015.jpg
Calico John ou Calico Jack realmente existiu, ele foi um capitão pirata inglês durante o século XVIII.
Bom eu acho que é só isso mesmo, espero que tenha ficado legal... Até :*


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