História Amor de verão - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ibiki Morino, Ino Yamanaka, Matsuri, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Shizune
Tags Gaaino, Gaara, Ino, Naruto, Romance
Exibições 29
Palavras 5.644
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oii capitulo fresquinho :)
¹ Mickey & Sylvia - Love Is Strange
² Tears For Fears - Everybody Wants To Rule The World
³ Queen - Somebody To Love
4 Michael jackson -billie jean
5 Scorpions - Send Me An Angel
Tenham uma boa leitura :)

Capítulo 2 - O beijo do anjo caído


Fanfic / Fanfiction Amor de verão - Capítulo 2 - O beijo do anjo caído

Acordei há algumas horas, mas eu não me levantei, não é preguiça eu apenas estou distraído.

Os meus olhos estão fixos no teto do meu quarto, o azul usado para pintá-lo é semelhante ao azul dos olhos da linda roqueira.

Qual será o nome dela? Pensei em vários -Ana, Alice, Angel, April, Alex, Akane, Anabel, Alia, entre outros- todos com A, eu tenho fixação por essa letra, o nome do meu primeiro amor começava com essa vogal-Alice, rosto redondo, composto por algumas sardas e cabelos de fogo-. Dentre todos eles eu acho que o que mais combine com a turista seja  o nome Alex- um nome forte para uma garota que parece ser destemida-.

-Gaara se não descer agora para tomar o café da manhã, você ficará o resto do dia sem comida. Ouço minha avó me ameaçar do primeiro piso da casa.

Eu praguejo baixo e me levanto da cama, ao menor movimento no colchão, a cama geme ruidosamente -igual a minha irmã, quando está de mau-humor-.

Essa cama me pertence desde, desde sempre, antes disso ela pertenceu ao meu irmão e em dias remotos ela era parte da mobília do quarto de solteiro do meu pai -preços que se paga por ser o caçula de três-. Ela não suporta mais o meu peso e eu não suporto mais sentir o seu extrato toda vez que minhas costas entra em contato com o colchão.

O meu quarto é minúsculo e abafado- tenho sorte por não ter problemas respiratórios- O cômodo lembra uma cabine da terceira classe de um navio, quadrado como se fosse um bloco, piso de madeira, as paredes foram pintadas de branco e o teto de azul, na parede do fundo - atrás da minha velha cama de solteiro- há uma janela redonda, além da cama o quarto é constituído apenas por duas mesas de cabeceira e uma cômoda.

O meu pai é apaixonado por embarcações, ele planejou todo o segundo piso da nossa casa.

A única forma de chegar ao segundo andar é subindo uma escada de bambu, o corredor é estreito, o piso também é de madeira e no meio do teto -entre as lâmpadas- há um alçapão que dá acesso ao telhado.

O quarto do meu irmão é de frente para o meu, os dois cômodos são quase idênticos, a diferença é que o meu irmão tem uma cama decente.

O terceiro e último cômodo do corredor é o escritório do meu pai. O escritório também tem o formato de um bloco e possui uma janela redonda -quando está em casa meu pai passa a maior parte do tempo nele, papai diz que está trabalhando em um novo livro, ele é dentista e escritor nas horas vagas, mas todos sabemos que meu pai está brincando com o seu leme- há um timão de navio no seu escritório.

As mulheres da casa detestam o segundo andar, minha avó não sobe a escada de bambu,  porque ela tem medo e suas pernas e braços cansados -experientes como ela gosta de dizer- não permitem com que ela se esforce.

Mamãe diz sentir-se sufocada no segundo piso, por isso ela raramente vem aqui e minha irmã detesta o pedacinho de navio em nossa residência, porque é ela quem tem de limpá-lo, já que as outras duas se recusam a fazer isso -minha irmã sempre diz que nós três - o papai, o meu irmão e eu, não vamos perder as mãos se limparmos o pedaço de embarcação, mas minha avó diz que trabalhos domésticos são coisas de mulher e logicamente nós devemos respeitar o mais velhos, eles são sábios-.

Minha avó me ameaça mais uma vez, eu coço os meus cabelos e saio do quarto. Quando estou no corredor eu sempre espero sentir a casa balançar - como  se estivéssemos em alto mar- desço a escada de bambu e rumo para a cozinha.

Vovó está de costas pra mim, ela cantarola enquanto lava as louças, o meu desjejum -biscoito com leite- está sobre a grande mesa de madeira.

-Dia. Eu me sento à mesa e começo a comer.

-Bom dia querido, já era  hora de você aparecer.

Vovó se vira e me fita com seus olhinhos estreitos e experientes- adoro a face rechonchuda e enrugada da minha avó Chiyo, as bolsas embaixo dos seus olhos escuros dão a impressão de que eles estão sempre semicerrados e cansados, seu nariz é fino e pontudo, seus lábios são quase inexistentes, vovó é tão miúda e pálida, que as vezes eu temo que ela desapareça.-

-Gaara hoje eu irei ajudar o seu tio com o quiosque, você virá comigo? Maneio a cabeça, o sol está muito quente e o quiosque do meu tio fica na praia da sereia e os trigêmeos, a praia que eu menos gosto -ondas perigosas e surfistas bitolados para todos os lados é a combinação perfeita para que eu mantenha distância do local- eu não gosto dos surfistas e eles não gostam de mim, somos de espécies diferentes.

 

***

 

Forço a anilha da latinha e o barulho que escapa quando eu a abro me refresca, mesmo que eu ainda não tenha sentido o gosto do refrigerante.

Levo a latinha a boca e sorvo um pouco -o refrigerante desce gelado pela a minha goela- o barulho que escapa da minha garganta depois, é o som que representa a minha masculinidade.

Por um momento eu prendo a minha respiração e espero ouvir mamãe ralhar comigo- segundo ela pessoas educadas devem eructar e soltar flatos apenas quando elas estiverem sozinhas em um toalhete- torno a relaxar quando não ouço a reclamação da minha mãe -ela, meu pai, meu irmão e irmã, estão na cidade da Nuvem, aproveitando as piscinas e cachoeiras de águas quentes.

Olho fixamente para a tela da TV, parece que eu estou realmente concentrado e entretido com o programa, no entanto eu mal consigo ouvir o apresentador, meus pensamentos estão longe daquela sala de paredes úmidas.

O que uma garota como aquela veio fazer em uma cidade como Suna, onde o passatempo favorito dos jovens é o surfe?

Eu não acho que a roqueira seja uma surfista, que ela goste de esportes, do mar, do sol ou da vida -o que a TV nos passa é que pessoas que se vestem como ela são arruaceiros, rebeldes sem causa- mamãe enlouqueceria se soubesse que eu estou interessado em uma garota como a turista, minha avó Chiyo iria querer doutriná-la -para a vovó todos os que são diferentes precisam aceitar Jesus em suas vidas e somente assim voltarão a ser normais, normais de acordo com o que dita a sociedade, minha irmã daria de ombros -ela não se importa comigo- e meu pai e irmão me daria os parabéns porque a roqueira é linda.

Maneio a cabeça e sorvo mais um pouco do refrigerante, eu me sinto ridículo por pensar tanto em uma garota que eu não sei o nome ou se um dia voltarei a ver.

Ouço um barulho do lado de fora da casa, alguém abriu o pequeno portão da cerca, espio pela janela da sala e vejo que é a vovó, eu abro um largo sorriso. Já não era sem tempo, estou morto de fome! Porém o meu sorriso desaparece quando percebo que vovó está acompanhada do meu tio -ele com certeza me encherá por não ter ido ajudar no quiosque-.

Eu corro para a cozinha e saio pela porta dos fundos, a garagem infelizmente não é ligada a casa, -ela fica na lateral e sua entrada na direção da rua- eu me encosto na parede da garagem e espio a entrada da minha casa  -vovó e meu tio acabam de adentrá-la pela porta da frente- imediatamente eu entro na garagem, eu pego a bicicleta e  saiu pelo portãozinho.

Pedalo pela rua Shukaku -meu destino é o sono eterno dos amantes- e é somente quando eu estou no meio do caminho é que lembro de que não desliguei a TV, agora eles saberão que eu fugi.

 

***

¹

Eu encosto a bicicleta a árvore depois da barreira improvisada e enquanto caminho até a beira do penhasco eu tento adivinhar o que a vovó Chiyo e o meu tio estão conversando.

Provavelmente o meu tio deve estar dizendo a vovó que ela pega muito leve comigo e com os meus irmãos -meu irmão diz que o nosso tio não gosta muito da gente porque ele é revoltado com a vida.

Meu tio tem uma aparência feminina, mas não possui útero ou seios- todos na cidade dizem que ele é homossexual, esse assunto é tabu dentro da nossa casa ou pelo menos quando eu estou presente e já que meus próprios parentes me escondem coisas eu também possuo os meus segredos -eu não sei se meu tio de fato é homossexual e sinceramente eu não dou a mínima para isso, se ele for e daí? Ele vai continuar sendo o meu tio chato-, mas eu sei que ele tem um caso com a delegada da cidade, eu já os vi juntos nas noites calmas da praia do Pirata e a Donzela-.

Chego ao fim do sono eterno dos amantes e perco a linha dos meus pensamentos, uma garota está sentada à sua beira, é a mesma garota de ontem -minhas mãos formigam e meu coração acelera de tal forma que eu temo que ela consiga ouvi-lo- os cabelos dela caem  bagunçados por suas costas magras e o perfume dela invade minhas narinas me entorpecendo.

Porém todo o torpor abandona o meu corpo e eu me esqueço do quanto a garota é atraente, quando reparo que desta vez a garota está ocupando o meu lugar a beira do penhasco.

Eu fico em pé a sua esquerda, ela continua a ignorar a minha existência. A garota olha para frente - o que  ela vê? Impossível dizer-.

Mamãe diz que não dá para entender esses rebeldes sem causa, nós vivemos em um país pacífico, um bom país, ela não consegue entender o porquê de tanta rebeldia, o porquê de tanta reclamação, entretanto os jovens arruaceiros sempre arrumam um jeito de irem às ruas reclamar - o último protesto foi contra a igreja católica e a regra de que não se pode ir às igrejas de roupas decotadas, curtas e escuras, o argumento deles é de que Deus não olha para sua roupa e sim para a sua fé- Eu prefiro não opinar, mas mamãe diz que os jovens estão assim porque sentem falta das palmatórias nos colégios- minha mãe tem pouca paciência, ela aposta em medidas drásticas e severas-.

-Boa tarde. Eu cumprimento a garota, um som de repulsa escapa da sua boca, é como se ela sentisse nojo de mim, do penhasco, da praia, do mar, do por do sol ou da vida. -Desculpe, mas você está sentada no meu lugar. Normalmente eu sou um garoto bastante educado, mas as vezes eu simplesmente trato as pessoas da mesma forma que elas me tratam.

A garota vira a cabeça e me olha, uma de suas sobrancelhas está arqueada e sua boca levemente entortada para o lado esquerdo -eu conheço essa expressão, eu a uso muito- sem usar palavras a garota está me dizendo que não se importa.

Emburro a expressão e irredutível insisto, eu apenas quero que ela saia do meu lugar. -Você é surda? A provoco. -Levante-se você está no meu lugar. A  ouço bufar.

-É mesmo? A garota perguntou zombeteira, eu assinto -Engraçado, mas eu não estou vendo o seu nome nele!

Eu paraliso, não sei o que responder, o sorriso maroto que brinca nos lábios dela seria adorável, se eu não estivesse irritado.

Desvio o meu olhar daquela face bonita e olho para o chão, o objeto laranja próximo ao meu pé direito faz com que um sorriso traquina visite os meus lábios.

Eu me abaixo e apanho o pedacinho de tijolo que estava perdido próximo ao meu pé direito, torno a me erguer e a olhar para a turista.

-Apenas levante esse traseiro daí e verá que o meu nome está escrito bem debaixo dele. A garota me olha como se eu fosse um ser de outro planeta, dou de ombros -ela já me olhou assim antes- e talvez nós dois realmente sejamos de planetas diferentes.

Ela se levanta e olha para o espaço que antes o seu traseiro ocupava. -Onde está o seu nome, eu não consigo encontrar? A garota me perguntou confusa.

Alargo o meu sorriso e me aproximo, eu me agacho e usando o pedaço de tijolo escrevo “Gaara” no espaço em que antes a garota estava sentada.

Ela solta um imprepório que eu logo faço questão de esquecer -em toda a minha vida eu pronunciei palavras de baixo calão uma única vez, eu sugeri que minha irmã tomasse em seu orifício anal, ela contou para a mamãe, que passou pimenta na minha boca, a minha boca ardeu tanto que eu aprendi a lição-.

Ágil como uma gata a garota também se abaixa e pega o pedaço de tijolo da minha mão, ela rabisca o que eu escrevi e abaixo escreve “Ino”.

Interessante! Estendo a minha mão na direção da turista, ela entende a minha intenção e me devolve o tijolo, eu rabisco o que suponho ser o nome da garota e do lado escrevo “Gaara no Sabaku”.

A garota sorri gostosamente e eu lhe entrego o objeto laranja, ela rabisca o meu nome e embaixo escreve “Ino Yamanaka”.

Ela me devolve o pedaço de tijolo e do lado do nome completo dela eu escrevo “Gaara no Sabaku 15 anos” -Eu ainda tenho 14 anos, mas faço 15 neste ano, então não estou mentindo, apenas omitindo-.

A garota novamente estende a mão na minha direção, eu entrego o tijolo e embaixo do que eu escrevi, ela escreve “Ino Yamanaka 15 anos também”.

Respiro fundo, ainda bem que eu menti sobre a minha idade, a maioria das garotas de 15 anos repudiam os garotos mais novos.

Estendo a minha mão, porém desta vez ao invés de me devolver o pedaço de tijolo, a garota se levanta e sorri enigmaticamente.

-Me devolva o pedaço de tijolo. Peço, ela maneou a cabeça. Eu detesto essa garota! Ela invade o meu território, rouba o meu sossego e agora também quer ficar com o meu pedaço de tijolo? Irritado eu me ergo. -Anda garota, me devolva o tijolo.

-Vem pegar ruivinho. Ela diz divertida e sai correndo, agindo por instinto eu corro atrás dela.

Para alguém que está usando botas de saltos finos, Ino é bastante rápida, no entanto eu sou o aluno mais veloz do fundamental de Suna, por isso não encontro dificuldades em alcançá-la.

Eu agarro a blusa dela por trás, Ino consegue se soltar, ela se vira -ficando de frente pra mim- no processo se desequilibra e na ânsia para conseguir ficar de pé, ela segura a frente da minha camisa e me puxa em sua direção, nós dois nos desequilibramos e caímos.

Eu estou sobre a Ino, minhas mãos apoiadas no chão -de cada lado da sua cabeleira loura- Ino me olha com os olhos arregalados.

-Você se machucou? Eu pergunto, mesmo que não tenha sido com força, a garota bateu com a cabeça no chão.

-Não. Ela respondeu hesitante.

Olhando-a de cima eu percebo que Ino é realmente bonita -ela parece um anjo, só que caído- a minha respiração torna-se descompassada e meu coração acelera, estou novamente entrando no estado de torpor.

Eu me perco no azul dos olhos dela, eles brilham tão intensamente que parece que há estrelas ali, aproximo a minha face da dela, quero enxergar melhor essas estrelas, Sinto o delicado corpo embaixo do meu enrijecer, Ino está claramente tensa e a sua face alva aos poucos torna-se escarlate.

Eu não sei ao certo o que estou fazendo, apenas sei que preciso encostar os meus lábios nos dela -essa não é a primeira vez que eu beijaria uma garota, já tive namoradinhas no colégio- mas não consigo evitar, estou nervoso.

As nossas faces estão tão próximas que eu consigo sentir sua respiração quente. Eu encosto o meu nariz no dela e quando eu estou a milímetros de sentir a textura dos seus lábios, sinto uma dor terrível no fim da minha barriga e início da virilha. Ino acertou com força um de seus joelhos em minha genitália, assassinando um dos meus filhos.

Urrando de dor eu rolo para o lado e saiu de cima da garota, eu levo as mãos para o meio das minhas pernas, encolho todo o meu corpo, ficando em posição fetal e espero com que a dor passe.

Ino gargalha e se aproxima, ela cutuca a lateral do meu corpo com o bico fino da sua bota preta.

-Pensou o que ruivinho, que seria fácil assim? Não mesmo. Ela diz debochada, sua voz fina e estridente alcança os meus ouvidos quase perfurando os meus tímpanos. Ainda rindo muito, Ino se afasta. Como eu detesto essa garota de seios fartos! Penso com raiva.

 

***

²

Hoje eu acordei muito melhor, conseguindo andar normalmente -há cinco dias eu recebi uma joelhada entre as pernas que me obrigou a andar de pernas abertas- mas para a  vovó eu menti, ela ficou tão preocupada que se esqueceu de me dar uma bronca por eu ter fugido de casa. - na tentativa de tranquilizá-la eu disse que não foi nada demais, que apenas cai da bicicleta e o guidão acertou minhas partes íntimas- durante esses dias o gelo tornou-se íntimo da minha virilha e eu evitei o sono eterno dos amantes, porque tenho certeza que se encontrasse a Ino, outro fantasma teria de ser acrescentado a história do penhasco.

Minha avó não está em casa, ela novamente foi ajudar o meu tio com o quiosque. Morto de fome eu abro a geladeira e não encontro o leite, abro os armários e também não encontro o cereal, eu praguejo baixo e retorno para o meu quarto.

Na primeira gaveta da minha cômoda há um fundo falso e é lá que eu escondo a minha carteira de motorista falsa -foi um amigo do meu irmão que a fez pra mim- aqui em Suna só se tira carteira aos 16 anos, mas são poucos os que respeitam essa lei, a maioria -como eu- trapaceiam.

Não irei arriscar o futuro da minha linhagem pedalando, minha genitália não mais está dolorida, porém não irei arriscar, por isso aproveitando que minha avó não se encontra em casa eu usarei o fusca do irmão para ir ao mercado -ele é o antigo carro da família-.

 

***

 

²

Convenientemente o leite fica no mesmo corredor que o cereal, primeiro eu escolho o cereal -chegou uma nova marca na cidade que já se tornou a preferida de muitos  -inclusive a minha- e por isso ela rapidamente desaparece das prateleiras-.

Suspiro aliviado ao enxergar uma única e solitária caixa do novo cereal, ela estava ali cercada por inimigos, -marcas concorrentes- clamando por atenção, eu podia ouvi-la chamando por mim.

“Anda Gaara me compre, você não vai se arrepender!” Era o que a caixa dizia.

Sorrindo feito um bobo eu apanho o cereal e giro nos calcanhares, está na hora de escolher o leite. Entretanto eis que parada na minha frente -obstruindo o meu caminho- encontra-se uma garota loura de olhos azuis.

Eu fecho o semblante, não vejo mais razões para ser educado com a Ino -ela quase me aleijou- no entanto percebo que a garota olha tristonha da caixa de cereal nas minhas mãos, para a prateleira vazia.

-Esse cereal também é o seu preferido? Pergunto me referindo a nova marca, inocentemente Ino assentiu e eu sorri maldoso. -Lamento, mas este é o último, mais sorte pra você na próxima. Satisfeito eu me afasto da garota antes que ela decida assassinar mais um dos meus filhos. E ainda existem pessoas que dizem que a vingança não compensa!

 

***

²

Guardo os ingredientes para o meu saboroso café da manhã -leite e cereal- no porta-malas do carro do meu irmão, com tudo pronto agora é só chegar em casa e comer. No entanto antes que eu entrasse no fusca bege, eu vejo uma cena curiosa.

Ino está agachada próximo ao pneu traseiro do Variant vermelho estacionado à frente do fusca  -o que essa garota está fazendo? - eu poderia ter entrado no carro e ter ido embora, mas a Ino é atraente demais para ser ignorada.

Eu me aproximo e imediatamente descobri o que ela está fazendo, esvaziando o pneu do carro, mesmo sabendo disso eu não evito a pergunta desnecessária.

-O que você está fazendo Ino?

-Esvaziando o seu pneu. Ela me respondeu orgulhosa. Meu pneu?

-E por que você está fazendo isso? Caçou um pouco, afinal a joelhada entre as minhas pernas é algo difícil de esquecer.

-Oras, você comprou a última caixa do meu cereal favorito e esfregou na minha cara! Ino ergue o corpo, eu olho para o pneu vazio do Variant, meneio a cabeça e a fito.

Existe um sorriso maléfico nos seus lábios, não consigo segurar o riso.

-Não vejo graça Gaara, não para você. Ino diz azeda.

-Ino… aquele é o meu carro. Eu aponto para o fusca bege, estacionado atrás do Variant.

-Você está brincando né? Maneio a cabeça -Então de quem é esse carro? Ino perguntou aflita, eu dou de ombros, pois não sei quem é o dono do Variant.

Uma voz áspera e raivosa alcança os nossos ouvidos, viramos nossas cabeças em direção a entrada do mercado e ao enxergar o dono da voz todo o sangue do meu corpo congela, quem está gritando conosco é o velho Ibiki -o pirata moderno-

O velho Ibiki é um sobrevivente da segunda guerra mundial, ele é alto e forte para a sua idade avançada, sua pele é bronzeada e não há fios de cabelo em sua cabeça reluzente, seu rosto severo é coberto por cicatrizes, ele perdeu o olho direito na guerra e por isso usa um tapa olho, o velho Ibiki também perdeu a perna esquerda, que foi substituída por uma prótese de madeira.

-O que vocês estão fazendo perto do meu carro suas pestes? Ele grita e mancando caminha em nossa direção - a sua perna de madeira produz um tec tec aterrorizante, quando entra em contato com o asfalto quente-.

Reajo rápido, eu agarro a Ino pelo pulso e corro em direção ao fusca, arrastando-a atrás de mim.

-Entre no carro! Eu grito com a Ino e me acomodo no banco do motorista, Ino entra no lado do passageiro.

-Você vai me pagar seu ruivo endemoniado! Ouço o velho Ibiki ralhar -ele me detesta apenas porque eu tenho cabelos vermelhos, o velho Ibiki diz que a cor dos meus cabelos é a cor da besta-.

Dou partida no fusca, deixando para  trás o pirata moderno.

 

***

 

-Quem era aquele velho? Ino me pergunta, quando tomamos uma distância segura do mercado.

-Aquele é o velho Ibiki, ele é um soldado aposentado, que depois da segunda guerra mundial ficou meio louco e ele me odeia. Acelero o quanto é possível, o fusca está longe de ser considerado um carro veloz.

-Agora eu entendo o porquê dele ter ficado tão nervoso, aposto que se naquele momento ele dispusesse de uma arma, ele teria fuzilado nos dois! A empolgação da Ino em afirmar isso, me preocupa.

-É claro, ele estava nervoso apenas porque me odeia, o fato de você ter esvaziado o pneu dele não tem nada a ver! Digo irônico.

-Olha em minha defesa eu pensei que aquele fosse o seu carro. Eu detesto essa garota.

-Me dê um bom motivo para não te fazer sair do carro? Eu peço entre dentes.

-Você quer me beijar. Ino me responde e eu engulo em seco, estou impedido de negar, o episódio no penhasco me condena.

Mamãe com certeza ficaria de cabelos brancos se soubesse que eu estou interessado em uma garota como a Ino, que aparentemente não sente vergonha de nada, vovó  pediria permissão ao papa para nos exorcizar, minha irmã continuaria não se importando e meu pai e irmão diriam que eu tirei a sorte grande.

-Quem cala consente. Ino caçoa de mim.

Eu não sei como ela tem coragem de dizer essas coisas, eu não tenho, eu não consigo dizer que quero beijá-la, dar uns amassos e fazer amor com ela, eu acho que morreria antes de dizer algo assim para uma garota.

Na tentativa de ignorar a gargalhada dela eu ligo o som do carro e o sintonizo na minha rádio preferida.

³

Está tocando Somebody to love do Queen, não é a minha música preferida, mas é a minha banda favorita, me sinto confortável, entretanto o meu conforto desaparece quando Ino faz pouco da minha banda favorita.

-Ruivinho você tem um péssimo gosto musical, um dia eu vou te mostrar o que é música de verdade. Que garota detestável.

-Em qual hotel você está hospedada? Não vejo a hora de me livrar dessa turista sádica, que tem prazer em me encher.

-Eu não estou hospedada em um hotel e sim na casa da minha tia.

-E você sabe onde fica a casa da sua tia? Ino diz que não e eu bufei frustrado, quero apenas chegar em casa e tomar o meu café da manhã-. -Qual é o nome da sua tia? Rezo para que a tia dela seja uma antiga moradora da cidade.

-Ela se chama Yume Nara. Deus ouviu minhas preces, a tia da Ino não é o que se pode chamar de moradora antiga, mas ela é bonita o suficiente para ser conhecida -Yume Nara é a solteira mais cobiçada da cidade- e eu sei onde ela mora.

 

***

 

A tia da Ino mora do lado leste da cidade, o meu irmão me dará uma morte lenta e dolorosa quando checar o tanque do fusca.

Paro o carro em frente a casa da tia da Ino, que sai do carro sem me agradecer pela carona.

-Ei… ei… você? Indignado eu coloco a cabeça para fora do fusca e à chamo. Ino gira nos calcanhares e me fita impaciente -Você não vai ao menos me dizer um obrigado? A garota faz uma careta, me mostra o dedo e torna a se virar. Muito detestável.

Curiosamente Ino não sobe os degraus que a levariam ao deck de madeira, ela dá a volta na casa e intrigado eu avanço lentamente com o carro e o paro em frente a divisa da casa da senhorita Nara e o vizinho dela. A única coisa que consigo ver são as botas da Ino desaparecendo por uma janela na lateral da casa da sua tia. Porque ela não usou a porta? Será que ela fugiu?

 

***

4

Em frente ao espelho do quarto da minha mãe eu ensaio para a discoteca de sábado -em todos os finais de semana há discotecas nos colégios de Suna, elas se iniciam às 12 horas, menores de 18 anos se divertem das 12 às 18 horas - popularmente chamada de matinê- e maiores de 18 anos aproveitam das 18h30 às 00h30-

Os passos de todos são iguais, mas você ganha pontos com as garotas se inventar passos novos, os meus passos de robô são os melhores da cidade, as meninas adoram.

Eu estou aperfeiçoando a minha dança, porque quero impressionar a Ino -se bem que eu nem sei se ela irá a matinê- pensei em convidá-la, mas essa ideia não perdurou -Ino é muito chata, dúvido que aceite o convite-.

O que acho engraçado é a Ino ser sobrinha da senhorita Nara -a solteira mais cobiçada da cidade- elas não são parecidas fisicamente, exceto por um detalhe -os seios- as duas são bem dotadas nesse quesito.

A fita termina e eu aperto o botão do rádio para rebobinar, eu praguejo baixo ao escutar o barulho da campainha. Deve ser o meu tio. Eu iria ignorar a campainha -vovó está em casa, não custava nada ela atender a porta- mas como milagres não existem, eu saio do quarto e vou atender a porta.

-Vó a senhora não ouviu a campainha? Grito ao alcançar a sala de estar.

-O que você disse querido? Minha avó gritou em resposta, ela está nos fundos da casa -precisamente no jardim- ela sempre faz isso, fingi que não ouve as visitas, porque tem preguiça de abrir a porta e socializar.

Atendo a porta e confuso eu olho para a alta mulher parada na sacada da minha casa.

-Boa tarde senhor Sabaku. A policial Jenny me cumprimenta e eu engulo em seco.

 

***

 

Essa era a minha primeira vez dentro de uma viatura policial, eu adorei o passeio, mas vovó parecia bastante desconfortável.

Eu fui intimado a comparecer a delegacia, porque fui acusado de vandalismo.

A policial Jenny nos conduziu a sala da delegada.

Shizune está sentada atrás da sua mesa retangular -Shizune é uma mulher de pele clara de estatura média e corpo esbelto com olhos e cabelo preto. - No canto da sala encontra-se o escrivão, também sentado atrás de uma mesa retangular.

Do outro lado da mesa da delegada, ocupando uma das três cadeiras está o pirata moderno -mamãe não gosta que o meu irmão e eu o chamemos assim, segundo ela o velho Ibiki é um herói de guerra e deve ser respeitado-.

Shizune indicou as duas cadeiras vazias ao lado do velho Ibiki, eu me sentei na da direita e a vovó ocupou a do meio.

-Senhor Sabaku, o senhor Ibiki prestou uma queixa contra o senhor, ele alega que o senhor esvaziou todos os pneus do carro dele e também quebrou todos os vidros do veículo. Shizune diz severamente.

-Gaara! Vovó me olha horrorizada, mesmo eu estou horrorizado -velho mentiroso- Meneio a cabeça, para tranquilizar a minha avó.

-Isso é mentira… Digo exaltado -Todos sabem que esse velho maluco me persegue! Não consigo me controlar e acabo usando o termo errado no lugar errado.

Eu não fui punido por vandalismo -as pessoas do mercadinho viram o velho Ibiki surtar e com um pedaço de pau quebrar todos os vidros do seu Variant- porém fui punido por desrespeitar os mais velhos -terei de limpar as três praias, durante uma semana-. Eu acho essa medida um abuso de poder, mas quem sou eu para reclamar? Até porque o velho Ibiki terá de me indenizar por calúnia.

 

***

5

A noite quando vovó vai à igreja, eu saio de casa para esfriar a cabeça, minhas pernas me guiam pela rua das Sakuras -a rua tem esse nome porque oito garotas chamadas Sakuras residem nela- eu chego sem fôlego a casa da senhorita Nara, ela mora duas ruas abaixo da rua das Sakuras e bastante longe da rua Shukaku -que é onde fica a minha casa-.

Eu bato a campainha, não me atendem, bato na porta, nem sobrinha e nem tia aparecem, bato palmas e nada -não devem estar em casa-.

Giro nos calcanhares e desço os cinco degraus.

Não interessa, amanhã ela me ouvirá! Estou muito nervoso com aquela garota detestável, se ela não tivesse esvaziado o pneu do velho Ibiki, eu não teria ido a delegacia, eu não teria faltado com  respeito ao velho Ibiki e consequentemente eu não precisaria limpar as praias. Com certeza ela me ouvirá.

Olho para a janela na lateral da casa da senhorita Nara -a Ino á usou para entrar em casa hoje, será que?- Apanho algumas pedrinhas no gramado, me aproximo da janela e arremesso -meçando minha força, para não quebrar o vidro- as pedrinhas nela.

Um sorriso aparece em meus lábios quando a luz daquele cômodo é acesa, logo a janela é aberta e eu ouço a voz da Ino.

-Quem é? Ela perguntou de dentro do cômodo, o tom de voz usado é tão baixo, que se eu não estivesse próximo o suficiente não a teria ouvido.

-Sou eu o Gaara. Sussurro em resposta.

Minutos depois duas mãos passam pela janela, dois braços, uma cabeça loura, o tronco, as pernas e então Ino está completamente do lado de fora da casa.

-O que você quer? Ela me perguntou mal humorada.

-Adivinha onde eu passei a tarde de hoje? Eu perguntei entre dentes e Ino dá de ombros. -Na delegacia.

Os olhos da Ino se arregalam e brilham de tal forma que agora eu tenho certeza de que existem estrelas naquele azul.

-Por que? A euforia emana do seu corpo feminino.

-Porque você esvaziou o pneu do velho Ibiki. A acuso.

-Legal! Detestável, imensuravelmente detestável.

-Não, não é legal… Ralho com ela e Ino pede para que eu fale mais baixo -Por sua culpa eu terei de limpar as praias da cidade durante uma semana. Essa punição não é culpa da Ino, mas não faz mal deixar ela pensar que é.

-E as coisas só melhoram… Ino se aproxima, todo o meu corpo enrijece, novamente o estado de torpor o domina . -Eu ajudo você a limpar as praias. Pisco os olhos rapidamente, porque se for um sonho é melhor eu acordar -não quero sonhar com essa garota chata- porém não é um sonho, Ino realmente se ofereceu para me ajudar.

-Agora me responda uma coisa ruivinho, enquanto esteve na prisão você ganhou cicatrizes? ? Maneio a cabeça, Ino leva um de seus indicadores a minha boca e o desliza por meus lábios, como se estivesse desenhando-os. Sinto o meu peito aquecer. -Alguma tatuagem? Novamente maneio a cabeça.

Ino retira o dedo da minha boca, eu imediatamente sinto falta do contato da sua pele com a minha. -Você ficou preso? Ela perguntou impaciente e neste momento eu entendo o que está acontecendo aqui. Essa garota é doida. Para testar a teoria de que a Ino irá pular em meus braços se eu parecer perigoso -um bad boy- eu minto descaradamente.

-Claro que sim, eu fui liberado somente agor… Ino não permite com que eu complete a frase, ela me agarra pelo colarinho da camisa e gruda os lábios nos meus.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado, o próximo capitulo não sairá tão rápido como esse :/ Mas ainda sai neste ano xD
Gente uma coisinha sobre as músicas, muitas das vezes as letras não combinam com a cena, eu as coloco porque foram as que eu escutei para escrever determinada parte do capítulo, e eu gosto delas , nem tente entender kkk e outra, nem todas foram lançadas na época em que a fic se passa, mas eu tento encaixar o máximo possível de musicas que já existiam em 1985.
É isso, até a próxima, beijinhos :*


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