História Amor de vizinho - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Flavia Pavanelli, Magcon, Shawn Mendes
Personagens Flavia Pavanelli, Shawn Mendes
Exibições 46
Palavras 5.032
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Ela tinha Planos?


Fanfic / Fanfiction Amor de vizinho - Capítulo 5 - Ela tinha Planos?


Com os cabelos ainda molhados do banho da manhã, Shawn entrou na
cozinha e sentou-se no banquinho que Flavia havia feito questão de lhe
emprestar. Enquanto comia cereais com banana, também mandados por Flavia,
depois que ela vira que seus armários se encontravam vazios, começou a ler
distraidamente o que estava escrito na caixa de cereais.
Segundo ela, até mesmo um ignorante em questões de cozinha, aparentemente
ele próprio, seria capaz de preparar uma tigela de cereais com banana.
Shawn havia decidido não tomar aquilo como ofensa, mesmo não se
considerando tão ignorante assim em matéria de cozinha. Afinal, havia conseguido
preparar uma salada na noite anterior, não havia? Tudo bem que Flavia
fizera maravilhas com aqueles legumes e os pedaços de frango, mas isso era um
mero detalhe.
De fato, ela cozinhava muito bem. Do jeito que as coisas estavam indo, ele
acabaria deixando de lado os sanduíches rápidos que estava acostumado a
preparar para si mesmo.
Pensativo, olhou na direção da sala e franziu o cenho ao avistar o esquisito
sapo de bronze segurando uma lâmpada de néon de formato triangular. Ainda
não estava muito certo que como Flavia o convencera a comprar aquilo, e nem
de como ela o levara a pagar à sra. Wolinsky uma boa quantia por uma cadeira
reclinável de segunda mão, da qual a mulher estava querendo se livrar. E com
razão. Afinal, quem diabos iria querer ter na sala de casa uma cadeira
reclinável com detalhes em verde e roxo?
No entanto, lá estava a cadeira em sua sala. Felizmente, apesar da horrível
aparência, ela era bastante confortável.
Mas quando se possuía uma cadeira e um abajur, claro que também precisava
de uma mesa. A sua era um modelo Chippendale, e estava precisando
desesperadamente de uma reforma. Mas, como Flavia salientara, por isso
mesmo é que seu preço havia sido uma barganha. Por acaso, ela tinha um
amigo que restaurava móveis por hobby, e que poderia resolver aquele
problema.
Também por acaso, tinha uma amiga que era florista, o que explicava a
presença daquele vaso com belas margaridas sobre o balcão da cozinha.
Um outro amigo, pelo visto ela tinha uma legião deles, pintava cenas das ruas
de Nova York e as vendia em uma calçada. Não seria interessante colorir um
pouco as paredes do apartamento com algo assim? Sugerira Flavia.
Ele respondera que não queria colorir nada, ,mas, mesmo assim, lá estavam
três aquarelas originais "colorindo" sua sala. E Flavia já havia começado a falar
em tapetes.
Não entendia direito como ela conseguia aquilo, pensou, voltando a se
concentrar no desjejum. Simplesmente, ficava falando sem parar, até convencê-
lo a tirar a carteira do bolso e comprar alguma quinquilharia.
Mas ambos estavam conseguindo se manter em seus próprios espaços. Se bem
que no sábado ela havia "invadido" seu apartamento com baldes, esfregões,
vassouras e só Deus sabia mais o quê. Se ele ia mesmo morar ali, dissera ela, o
lugar deveria ao menos ser limpo. Por isso, ele terminara passando três horas
de uma tarde chuvosa limpando o chão e as janelas, quando deveria estar
escrevendo.
Naquele dia, Flavia quase fora parar em sua cama. Por muito pouco, ele não a
deitara na cama e a seduzira, quando ela ficara boquiaberta com o estado em
que se encontrava o quarto. Flavia era desejável até mesmo quando ficava brava.
Ao ver toda aquela bagunça, ela começara a lhe dar um verdadeiro sermão a
respeito de como ele deveria zelar mais por seu local de trabalho que, pelo visto,
também era o lugar onde ele dormia.
Por que diabos mantinha as cortinas fechadas daquela maneira? Por acaso
gostava de cavernas? Tinha alguma objeção religiosa quanto a ajeitar lençóis de
cama?
Em meio ao discurso inflamado de Flavia, ele a abraçara de surpresa e a fizera
se calar com o mais prazeroso dos métodos. E se, a caminho da cama, eles não
houvessem tropeçado em uma verdadeira montanha de roupas usadas, duvidava
que eles houvessem terminado a tarde indo à lavanderia.
Apesar das inconveniências, a atitude de Flavia tinha lá suas vantagens,
admitiu ele. Gostava de se verem um lugar limpo e arejado, embora quase
nunca notasse quando este se tornava bagunçado. Gostava de se deitar em
uma cama forrada com lençóis limpos e perfumados, embora a idéia lhe
parecesse ainda melhor diante da possibilidade de compartilhá-la com Flavia.
Além disso, era realmente difícil encontrar motivo para reclamar ao abrir os 
armários da cozinha e vê-los repletos de mantimentos.
Tomou um gole de café, lembrando-se de que deveria perguntar a Flavia por que
o seu sempre ficava com aquele sabor esquisito, como se faltasse alguma coisa.
Então pegou o jornal, e foi direto à seção de tiras cômicas, para ver o que ela
havia feito dessa vez.
Leu por alto, franziu o cenho, então recomeçou a ler a tira com mais atenção.
Flavia já estava trabalhando. Deixara a janela do estúdio aberta, já que,
aparentemente, a primavera havia decidido deixar a cidade com uma
temperatura mais amena. Uma brisa deliciosa estava entrando no ambiente,
juntamente com o inevitável ruído vindo da rua.
Depois de desenhar as medidas dos quadrinhos no papel, deixou a régua de
lado, passando a se concentrar no que iria desenhar no primeiro deles.
Inclinando ligeiramente a cabeça, olhou para oquadrinho com ar pensativo. Ele
tinha o dobro do tamanho daquele que iria aparecer no jornal, dali a alguns
dias. Já tinha mais ou menos em mente o que iria desenhar. O cenário, a
situação e o tema que iriam preencher aqueles cinco quadrinhos e dar ao leitor
do jornal a oportunidade de rir um pouco durante o desjejum.
O esquivo sr. Misterioso, agora conhecido como Quinn, encontrava-se em sua
caverna, escrevendo um grande roteiro para o teatro americano. Com seu jeito
irresistivelmente másculo e sexy, Quinn se encontrava tão concentrado em seu
próprio mundo que estava alheio ao fato de Emily se encontrar escondida na
saída de incêndio, utilizando um binóculo para tentar ler o que ele estava
escrevendo.
Riu consigo, pois, à sua maneira, sabia que suas perguntas e indiretas sobre
como estava indo a última peça de Shawn eram uma versão mais civilizada do
voyeurismo de sua contraparte. Aos poucos, começou a esboçar os primeiros
traços de sua interpretação profissional de Shawn.
Por uma questão de estilo, tinha de exagerar certos detalhes na aparência e nas
atitudes dele. O porte alto, o corpo atlético, o rosto atraente e o olhar
penetrante, tudo servia de base para seu trabalho. O lado bem-humorado das
tiras vinha quase sempre do detalhe de ele não saber o que fazer com as coisas
que Emily "aprontava".
Quando a campainha tocou, Flavia pôs o lápis atrás da orelha, em um gesto
automático, imaginando que Jody se esquecera de pegar a chave.
Ao se levantar, tomou um último gole de café, antes de se encaminhar para o
andar de baixo.
- Já estou indo - falou, ao se aproximar da porta.
Ao abri-la, sentiu o coração acelerar e teve de se esforçar para conter um
suspiro. Shawn estava com os cabelos úmidos do banho e sem camisa. "Ah,
meu Deus, veja só esse peito...", pensou ela, mal resistindo ao impulso de
passar a língua pelos lábios.
Ele estava trajando um jeans desbotado e se encontrava descalço. O rosto... Ah,
aquela seriedade sempre a encantava, embora parecesse intimidadora.
- Oi - cumprimentou-o, com um sorriso. - Ficou sem sabonete para o banho?
Quer um emprestado?
- O quê? - Shawn franziu o cenho.
- Não, não é isso. - Ele se esquecera de que estava apenas parcialmente vestido.
- Quero lhe fazer algumas perguntas a respeito disso - declarou, mostrando o
jornal.
- Claro. Entre. - Seria mais seguro, pensou Flavia. Jody chegaria a qualquer
momento, e pelo menos a impediria de "atacar" Shawn, em algum momento de
fraqueza.
- Por que não se serve de uma xícara de café e sobe até meu estúdio? Estou
trabalhando e o andamento dos quadrinhos está indo muito bem.
- Não quero atrapalhar, mas...
- Não vai atrapalhar - falou ela, por sobre o ombro, já começando a subir a
escada.
- Há canela em pau em um potinho ao lado da cafeteira, se quiser pôr um em
seu café.
- Eu...
"Oh, droga", pensou Shawn, indo se servir do café e decidindo pôr um
pedacinho de canela na xícara.
Nunca havia subido aquela escada antes, pois nunca fora até ali enquanto
Flavia estava trabalhando. Ao passar pela porta do quarto dela, rendeu-se à
curiosidade de parar um instante e olhar para a grande cama forrada com um 
lençol cor de marfim e cheia de almofadas brancas. Abaixo dos ferros
trabalhados da cabeceira foi onde ele se imaginou segurando as mãos dela,
enquanto finalmente fazia tudo que desejava fazer com ela.
O perfume feminino que vinha do quarto o fez respirar mais fundo. Um perfume
adocicado e sedutor, próprio de ambientes femininos. Ela mantinha pétalas de
rosas secas em uma tigela transparente, um livro sobre a mesinha-de-cabeceira
e algumas violetas no peitoril da janela.
- Encontrou tudo?
Shawn se sobressaltou.
- S-sim. Ouça, Flavia... - Ele entrou no estúdio.
- Meu Deus, como consegue trabalhar com todo esse barulho?
Ela mal levantou a vista do papel.
- Que barulho? Ah, esse. - Pegou outro lápis e continuou desenhando, como
que esquecida daquele que se encontrava atrás de sua orelha.
- Gosto de ouvir música enquanto trabalho, mas passo a maior parte do tempo
sem ouvir nada.
O aposento tinha uma aparência eficiente e criativa, com suas diversas
prateleiras repletas de instrumentos para desenho e pintura. Shawn reconheceu
uma aquarela do amigo de Flavia pendurada em uma das paredes, e a
elegância estilística da mãe dela em dois outros trabalhos pendurados na
parede oposta.
Em um dos cantos, via-se uma escultura de metal de formato complexo,
algumas violetas no peitoril da janela e um confortável divã cheio de almofadas
próximo a ela.
O modo como Flavia ocupava a sala, porém, não transmitia um aspecto de
eficiência. Sentada à mesa de desenho, com as pernas cruzadas sob o corpo,
exibindo parte dos pés com as unhas pintadas de cor-de-rosa, o lápis atrás de
uma orelha e duas argolas de tamanhos diferentes na outra, ela era a própria
imagem do inusitado. Perigosamente sexy, pensou Shawn.
Curioso, aproximou-se por trás de Flavia e espiou o que ela estava fazendo. Uma
atitude que o deixaria furioso se fosse ele quem estivesse trabalhando.
- Para que servem todas essas linhas azuis? - perguntou a ela.
- Para marcar a escala e a perspectiva. Fazer isso requer alguns cálculos, antes 
de se começar o trabalho propriamente dito. Trabalho com tiras de cinco
quadrinhos - explicou ela, sem parar de fazer os esboços.
- Costumo colocá-los no papel dessa maneira, trabalhar o tema da piada e desenvolvê-lo
de modo que ele tenha começo, meio e fim dentro dos cinco
quadrinhos.
Shawn continuou observando em silêncio. Satisfeita com o resultado do
primeiro quadrinho, Flavia passou para o seguinte e continuou a falar:
- Primeiro faço esse tipo de esboço para ver se a idéia vai dar certo. É uma
espécie de ensaio, para que eu tenha realmente certeza de que o tema poderá
ser desenvolvido nos cinco quadrinhos. Feito isso, começo a desenhar mais
detalhes, antes de fazer o contorno final e de pintá-los.
Shawn franziu o cenho, observando o primeiro esboço com mais atenção.
- Por acaso, este sou eu?
- Hum... Por que não se senta? Está bloqueando a luz.
- O que ela está fazendo ali? - Ignorando a sugestão, ele apontou o segundo
quadrinho. - Está me espionando? Você está me espionando?
- Não diga tolices. Nem há uma saída de incêndio em seu quarto.
Ela olhou para o espelho e fez várias expressões faciais, antes de recomeçar a
desenhar.
- E quanto a isso? - perguntou Shawn, mostrando o jornal a ela.
- Isso o quê? Puxa, seu perfume é maravilhoso - disse Flavia, voltando-se para
ele e inalando seu perfume.
- Que sabonete é esse?
- Vai pôr esse sujeito tomando banho nos próximos quadrinhos? - Quando
Flavia apertou os lábios, como que considerando a questão, Shawn balançou a
cabeça negativamente.
- Nem pensar. Achei até divertido quando você começou essa paródia a meu
respeito, mas...
Ele se interrompeu ao ouvir a porta da sala se abrir e fechar, no andar de
baixo.
- Quem é? - perguntou a Flavia.
- Provavelmente Jody e Charlie. Então se reconheceu nos quadrinhos? - Flavia
parou de desenhar e olhou para ele, com um sorriso.
- Algumas pessoas nem se reconhecem neles, sabia? Talvez por não terem
autoconsciência suficiente. Mas tive a impressão de que você se reconheceria
assim que visse os desenhos. Oh, olá, Jody! E aí está Charlie.
- O-oi - balbuciou Jody.
Deparar-se com um belo homem com o peito nu não era uma questão fácil nem
mesmo para uma mulher casada e feliz no casamento.
- Hum, oi - repetiu ela. - Estamos atrapalhando alguma coisa?
- Não. Shawn veio apenas me fazer algumas perguntas a respeito dos
quadrinhos.
- Oh, adorei esse novo personagem - afirmou Jody. - Ele deixou Emily
maluquinha! Mal posso esperar para ver o que vai acontecer em seguida.
Ela começou a rir quando Charlie soltou um sonoro "Pa!" e estendeu os
bracinhos na direção de Shawn.
- Ele chama todo homem de "Pa". Chuck não gosta muito quando o vê fazer
isso, mas Charlie nem se importa com as reprimendas do pai. Já está
demonstrando que vai ter personalidade forte - acrescentou ela, com um sorriso
de mãe orgulhosa.
- Entendi. - Distraidamente, Shawn passou a mão pelos cabelos do bebê.
- Vim apenas esclarecer algumas coisas a respeito do que está acontecendo nos
quadrinhos - explicou ele, voltando-se tando-se novamente para Flavia.
- Pa! - Charlie repetiu, estendendo os bracinhos mais uma vez para Shawn,
com um sorriso sonolento.
- Quão próximo da realidade é o seu trabalho? - indagou Shawn, pegando o
bebê no colo, em um gesto automático.
Flavia se comoveu com a cena.
- Você gosta de crianças.
- Não. Costumo jogá-las pela janela do terceiro andar sempre que tenho uma
chance - respondeu ele, com impaciência. Então começou a rir quando Jody lhe 
lançou um olhar apavorado.
- Relaxe, ele está seguro. Meu interesse é saber o que significa isso aqui -
acrescentou, apontando o jornal e ajeitando Charlie no colo.
- Oh, o detalhe da "escala" - respondeu Flavia. - Bem, essa é realmente a
primeira parte. As duas conversarão sobre a segunda parte amanhã. Acho que
vai ficar bom.
- Eu e Chuck caímos na gargalhada quando lemos isso essa manhã - comentou
Jody, mais relaxada ao ver Shawn acariciando o bebê já adormecido em seus
braços.
- Você desenhou essas duas mulheres...
- Emily e Cari - disse Flavia.
- Agora sei quem elas são - respondeu Shawn, estreitando o olhar para ela e
Jody. - Elas estão falando... Não - corrigiu-se.
- Estão classificando a maneira como Quinn beijou Emily alguns dias antes! -
bradou, indignado.
- Hum-hum - confirmou Flavia. - Então Chuck se divertiu? - perguntou ela à
amiga.
-Fiquei pensando se os homens também iriam entender ou se essa seqüência
seria mais compreendida apenas pelas mulheres.
- Oh, sim, ele morreu de rir.
- Com licença. - Com o que lhe restava de paciência, Shawn levantou a mão.
- Eu só gostaria de saber se vocês duas ficam comentando seus encontros
íntimos e classificando-os com notas de um a dez, antes de oferecer isso para o
público americano se divertir durante o desjejum.
- Classificando? - Flavia arregalou os olhos para ele, com ar inocente.
- Pelo amor de Deus, Shawn, isso é apenas uma tira cômica de jornal. Está
levando esse assunto a sério demais.
- Então essa história de "não existir escala" é apenas uma piada?
- O que mais poderia ser?
Ele a observou por um instante.
- Não quero correr o risco de, quando finalmente fizer amor com você, ter de
passar depois pela situação desagradável de ver meu desempenho ser avaliado 
nas tiras cômicas do jornal pela manhã.
- Oh-oh. Oh, bem. - Jody levou a mão ao peito, parecendo embaraçada.
- Acho que vou levar Charlie para tirar uma soneca no sofá lá de baixo.
Dizendo isso, tirou o bebê com cuidado dos braços de Shawn e se retirou em
seguida.
- Francamente, Shawn - disse Flavia, rindo e tamborilando o lápis sobre a
mesa.
- Esse evento seria digno de ir parar no caderno especial do jornal de domingo.
- Isso é uma ameaça ou uma brincadeira? - Quando ela apenas riu, ele se
aproximou perigosamente e beijou-a nos lábios.
- Mande sua amiga embora e descobriremos logo, logo.
- Não. Não quero que ela vá embora. Foi pensando que ela poderia aparecer a
qualquer momento que não o beijei assim que você chegou.
Shawn estreitou o olhar.
- Está querendo me provocar?
- Não exatamente - respondeu ela, sentindo a pulsação acelerada.
- Precisa ir agora. Depois de tanto tempo de trabalho, encontrei uma distração
com a qual não consigo lidar, e essa distração é você.
Sem dar ouvidos ao pedido, Shawn se inclinou mais uma vez e beijou-a nos
lábios.
- Quando falar disso... - Ele capturou o lábio inferior de Flavia delicadamente
entre os dentes e provocou-a com sensualidade.
- Espero que sua descrição seja precisa.
Dizendo isso, dirigiu-se à porta e virou-se uma última vez para ela, fitando-a
por sobre o ombro.
- Sem escala? - perguntou ele, dando-se conta de que até gostara da
brincadeira.
Ver seu beijo ser considerado em uma escala acima de dez não deixava de ser
lisonjeador. Ao ver Flavia reagir apenas com um impotente gesto de mãos,
começou a rir. E ainda estava rindo quando desceu a escada em direção à porta 
da sala.
- Posso entrar agora? - sussurrou Jody, colocando a cabeça no vão da porta
entreaberta do estúdio de Flavia.
- Ah, meu Deus, Jody. O que vou fazer aqui? - Aturdida, Flavia colocou um
segundo lápis atrás da orelha, derrubando o primeiro sem nem parecer se dar
conta disso. - Pensei que não iria haver nenhuma conseqüência. Quer dizer, o
que há de mal em se deixar levar pelo encantamento de um homem bonito,
atraente e irresistível?
- Deixe-me pensar... - Jody sentou-se diante da mesa de trabalho da amiga.
- Nenhum mal! Absolutamente nenhum mal.
- E se você acabar se apaixonando um pouquinho por ele, isso fará parte do
jogo, certo?
- Absolutamente certo.
- Mas o que fazer quando você vai um pouco além do limite?
Jody franziu o cenho, preocupada.
- Você foi além do limite?
- Acabei de fazer isso - Flavia respondeu.
- Oh, querida. - Em um gesto carinhoso, Jody deu a volta pela mesa e abraçou
a amiga. – Tudo bem. Acabaria acontecendo, mais cedo ou mais tarde.
- Eu sei, mas sempre pensei que aconteceria mais tarde.
- Todos nós pensamos isso.
- Shawn não vai gostar de saber que eu me apaixonei por ele. Vai ficar
aborrecido com isso. - Apoiando a cabeça no ombro da amiga, Flavia exalou um
suspiro trêmulo.
- Também não estou muito contente com isso, mas acabarei me acostumando.
- Claro que sim. Coitado do Frank. - Com um suspiro, Jody afagou o ombro da
amiga e se afastou um pouco.
- Ele nunca a interessou de verdade, não é mesmo?
Flavia balançou a cabeça negativamente.
- Sinto muito.
- Ora. - Jody dispensou seu primo preferido com um gesto de mão.
- O que vai fazer?
- Ainda não sei. Para ser sincera, estou pensando em sair correndo e me
esconder em algum lugar - confessou, forçando um sorriso.
- Isso é para covardes.
- Tem razão. Seria uma atitude covarde. E que tal dar tempo ao tempo e ver se
isso passa?
Jody balançou a cabeça, rindo da ingenuidade da amiga.
- Sua boba. Quando se é atingido pela flecha de cupido, meu bem, a cura não
vem assim, tão facilmente.
Flavia respirou fundo.
- Então, que tal irmos fazer compras?
- Agora, sim, começou a falar com sensatez. - Com um breve gesto de
comemoração, Jody se encaminhou para a porta.
- Vou ver se a sra. Wolinsky pode ficar com Charlie, então enfrentaremos esse
problema como mulheres de verdade.
Flavia comprou um vestido novo. Um modelo preto, básico e discretamente
colado ao corpo que fez Jody revirar os olhos e dizer:
- Ele está perdido.
Flavia também comprou um bonito par de sapatos pretos com saltos altos, finos
e transparentes. Ah, e lingerie também, claro. Do tipo que uma mulher usa
quando espera ser admirada por um homem e que o faça sentir vontade de tirá-
la. De fato, sentiu um arrepio pelo corpo, ao imaginar Shawn deslizando
aquelas mãos firmes sobre seu corpo, retirando-lhe a lingerie com vagarosa
sensualidade. Escolheu um conjunto de lingerie branca para usar sob o vestido
preto. Era excitante a idéia de surpreendê-lo.
Depois escolheu flores, velas para o candelabro e um ótimo vinho. Ingredientes
delicados para despertar um outro tipo de apetite. Um apetite primitivamente
voraz.
Quando chegou em casa, estava mais esperançosa e bem mais calma. Havia 
algo a ser feito, e pelo menos isso incutiu um foco a seus pensamentos. Sim,
queria passar o restante do dia preparando cada detalhe, porque a noite teria
de ser perfeita.
Escreveu um bilhete para Shawn é enfiou-o por baixo da porta do apartamento
dele. Depois trancou-se em seu próprio apartamento e respirou fundo, antes de
deixar alguns itens na cozinha e levar os outros para seu quarto.
Arrumou as flores nos vasos e os distribuiu por lugares estratégicos. Depois
ajeitou as velas no candelabro e o colocou sobre a mesa, junto ao vasinho com
flores frescas. Em um outro canto da sala, acendeu uma vela perfumada, para
ir perfumando o ambiente com um aroma agradável, enquanto ela terminava de
preparar a mesa.
Desembrulhou dois elegantes cálices de vinho e colocou-os junto aos pratos,
lembrando-se de que precisava pôr o vinho para gelar.
Ao chegar ao quarto e olhar para a cama, hesitou. sitou. Puxar os lençóis até o
pé da cama pareceria uma sugestão muito evidente? Pensando nisso, riu
consigo. Havia sentido ter pudores daquele tipo àquela altura dos
acontecimentos?
Quando terminou os preparativos, parou um instante para admirar o resultado.
De fato, tudo estava no lugar onde ela gostaria que estivesse. Satisfeita,
providenciou os últimos detalhes para o jantar.
Manteve os ouvidos apurados, na esperança de ouvi-lo começar a tocar.
Sempre que ouvia Shawn tocar o sax, era como se parte dele estivesse ali com
ela. No entanto, o apartamento em frente continuou silencioso.
Com cuidado, escolheu alguns CDs estratégicos e os deixou ao lado do aparelho
de som. Em seguida, foi para o quarto e, com um arrepio de expectativa,
estendeu o vestido novo sobre a cama juntamente com a lingerie provocante,
imaginando como seria usá-los. Com certeza, o efeito seria poderosamente
sedutor.
Com outro arrepio de expectativa, dessa vez seguido por um calor inesperado
em seu âmago feminino, foi tomar um banho relaxante.
Antes de entrar na banheira, acendeu outra vela perfumada e serviu-se do
vinho que costumava deixar ali, para quando estivesse relaxando na banheira.
Ao sentir a água quente sobre o corpo, fechou os olhos com um suspiro. Então
imaginou as mãos de Shawn sobre sua pele, em vez da água cheia de espuma.
Quase uma hora depois, espalhou pelo corpo uma leve camada de creme 
hidratante perfumado, até sua pele se tornar acetinada e agradavelmente
perfumada.
Enquanto ela fazia isso, Shawn lia o bilhete encontrado à porta de seu
apartamento: "Shawn, tenho planos. Depois nos veremos. Flavia"
Planos? Flavia tinha planos sendo que ele passara o dia inteiro em meio a um
verdadeiro turbilhão emocional por causa dela?
Leu o bilhete mais uma vez, furioso consigo mesmo por haver passado o dia
inteiro pensando em quanto seria prazeroso passar outra noite ao lado de
Flavia. Deus, comprara até flores para ela! E não se lembrava de comprar flores
para uma mulher desde...
Droga, como ela pudera fazer isso?, pensou, amassando o bilhete quase sem
perceber. Por outro lado, o que mais ele poderia esperar? As mulheres sempre
determinavam o curso de um relacionamento segundo seus próprios interesses.
Ele sabia disso, aceitara isso e se, em algum momento, esquecera-se de que em
relação a Flavia, não tinha ninguém mais para culpar a não ser ele mesmo.
Pelo visto, ela decidira entrar em outro jogo. Mas ele não era obrigado a morrer
de angústia por isso. Afinal, sabia muito bem quanto as mulheres eram
perigosas em questões de jogos sentimentais.
Com um suspiro, foi até a cozinha e deixou o buquê de lilases sobre a pia. Não
entendera direito o motivo, mas aquelas flores o haviam feito se lembrar de
Flavia. Ao voltar para a sala, pegou seu sax e saiu, determinado a amenizar sua
ira tocando no Delta's.
Exatamente às sete e meia da noite, Flavia tirou do forno o assado que havia
preparado. A mesa estava arrumada para dois, com mais velas e mais flores
precisamente arrumadas. Uma salada de colorido exótico, feita com abacate e
tomates gelava juntamente com o vinho.
Assim que eles degustassem a entrada, pretendia surpreendê-lo com crepe de
marisco. E se tudo saísse de acordo com o planejado, terminariam a refeição
com champanhe gelado acompanhando framboesas frescas com creme. Na
cama.
- Muito bem, Flavia.
Dizendo isso, tirou o avental e foi até o espelho para checar seu visual. Então 
calçou os sapatos novos, aplicou algumas gotas de perfume em pontos
estratégicos e sorriu para seu próprio reflexo.
- Vamos capturá-lo.
Atravessou o corredor, tocou a campainha do apartamento de Shawn e ficou
esperando, com o coração acelerado. Segundos depois, tocou mais uma vez.
- Como tem coragem de não estar em casa? - protestou em voz alta. - Como
ousa? Não leu meu bilhete? Claro que deve ter lido. Eu não deixei bem claro
que iríamos nos encontrar depois?
Com um resmungo, bateu a mão fechada contra a porta. Em seguida, respirou
fundo e endireitou as costas.
- Eu disse que tinha planos. Ah, meu Deus, você não entendeu, não é, seu
cabeça-dura? Planos para nós dois! Oh, droga.
Sem hesitar, trancou a porta de seu apartamento e, na falta de uma bolsa para
guardar a chave, colocou-a dentro do sutiã. Então começou a descer a escada
com passos firmes, em direção à saída do prédio.
- Está com algum problema afetivo, querido?
Shawn olhou para Delta, parando um instante para tomar um gole de água.
- Não estou com nenhum problema, muito menos afetivo.
- Ei, está falando com Delta, lembra-se? Sua velha amiga. - Ao longo dessa
semana, em todas as noites em que o vi tocar, percebi que você estava tocando
como se estivesse pensando em uma mulher. Hoje apareceu mais cedo, e está
tocando como um homem que teve problemas com uma mulher. Por acaso
discutiu com aquela garota?
- Não. Ambos temos mais o que fazer do que ficar discutindo.
- Ela ainda o está tirando do sério, não é? - Delta riu.
- Algumas mulheres exigem um pouco mais de romance do que outras.
- Isso não tem nada a ver com romance.
- Talvez seja justamente esse o seu problema. - Delta circundou o braço sobre
os ombros dele, afagando-o com carinho. - Já comprou flores para ela? Disse
que ela tem olhos lindos?
- Não. - Droga, já havia comprado flores para Flavia. Mas o receio de se 
desapontar o levara a se conter.
- O que sentimos um pelo outro é apenas atração física. Não tem nada de
romântico - completou.
- Oh, meu querido. Se quiser realmente conquistar uma mulher como Flavia,
terá de ser romântico, por mais que deteste a idéia.
- Por isso mesmo é que quero ficar bem longe dela. Quero continuar com minha
vida simples. - Posicionando o sax, arqueou uma sobrancelha. - Agora vai me
deixar tocar, ou quer me dar mais algum conselho a respeito da minha vida
amorosa?
Delta balançou a cabeça negativamente, dando um passo atrás.
- Quando você realmente tiver uma vida amorosa, meu caro, pensarei em lhe
dar conselhos.
Shawn recomeçou a tocar, enquanto ouvia a música em sua mente. Em seu
sangue. No ritmo de sua pulsação. Como sempre, tocou a música com todo seu
sentimento, mas não conseguiu impedir-se de continuar pensando em Flavia.
Talvez acabasse se acostumando com isso, pensou. Com aquela constante
fixação em querer saber o que Flavia estaria fazendo e pensando.
A música continuou a sair do sax feito o lamento de um homem desesperado.
Então ela passou pela porta. Seus olhos, cheios de segredos, encontraram os
dele através da neblina do ambiente. O modo como ela lhe sorriu ao se sentar à
mesa, fez as mãos de Shawn começarem a suar. Ela umedeceu os lábios e
deslizou o dedo indicador sobre a frente do vestido, em um gesto sensual.
Shawn ficou olhando, hipnotizado, enquanto, com movimentos provocantes,
ela cruzava as pernas esguias cobertas por sensuais meias de seda fumê.
Depois, a maneira como ela deslizou a mão do joelho até o quadril era
designada justamente a fazer o olhar de um homem acompanhar o movimento.
E foi o que ele fez, com a respiração alterada.
Ela continuou ouvindo a música e mantendo aquele brilho provocante no olhar.
Quando as últimas notas ecoaram no ambiente, ela passou a língua sobre os
lábios cobertos por um intenso batom vermelho.
Então Flavia se levantou e, sem desviar os olhos dos dele, passou a mão pelo
quadril, girou sobre aqueles saltos arrasadores e se encaminhou para a saída.
Antes de passar pela porta, porém, virou-se uma última vez para ele e lançou-
lhe um convite silencioso com um mero arquear de sobrancelha.
O murmúrio que escapou dos lábios de Shawn, quando ele afastou o sax, foi
de absoluta reverência.
- Não vai fazer nada, meu amigo?
Shawn começou a guardar o instrumento na maleta.
- Por acaso pareço idiota, André?
- Não. - O marido de Delta riu e continuou tocando o piano. - Definitivamente
não.
 



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