História Amor e Aceitação - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Malévola (Maleficent)
Personagens Diaval, Malévola, Princesa Aurora
Tags Drama, Família, Romance
Visualizações 28
Palavras 5.845
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fantasia, Ficção, Lemon, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Então, mais um capítulo!
O próximo será postado em breve!
Não tenham medo de divulgar a história não! kkk
Espero que gostem!

Capítulo 2 - As diferenças entre 'dever' e 'lealdade'


Conforme a manhã passava lentamente, a vasta terra dos Mouros parecia estar em pleno andamento. Alguns animais aproveitavam da luz do sol para passear, ora procurando por comida, ora fugindo de predadores nos céus. Flores cobriram os campos, servindo de ornamento aos ninhos. As árvores se moviam de acordo com a vontade do vento, as abelhas voavam por toda parte, espalhando sementes, pólen e poeira. A água de cristal de rios e lagos estava brilhantemente brilhante como as pedras mais preciosas. Criaturas mágicas se divertiam: os duendes riam; as ninfas d’água nadavam; wallerbogs refrescavam-se na lama e as árvores guerreiras patrulhavam selvas densas.

Não tão longe das falésias e dos bosques, mas à beira dos majestosos campos, as ruínas de um castelo abandonado podiam ser vistas, com a humildade trazida pela destruição, já que apenas duas torres antigas lutaram contra o tempo. A brisa de primavera quente continuava batendo contra essas torres, e as cortinas de seda escura dançavam quando tocavam, revelando um ninho escondido - um secreto.

Das poucas criaturas que ousaram se aproximar do castelo em ruínas, todos conheciam dos seres vivos que descansavam no ninho escondido e de sua importância para o reino. Portanto, tamanha foi a sua surpresa ao ver sua guardiã voando até seu ninho tão cedo pela manhã.

Isso os preocupou. Memórias de asas e ferro atormentavam seus sonhos. Mas sua guardiã era zelosa e cuidadosa para com o reino. Suas patrulhas geralmente duraram horas voando acima dos campos e rios, através de selvas e penhascos, sempre procurando problemas para resolver - mas, na verdade, na esperança de não encontrar nenhum. A jovem rainha poderia fazê-la sorrir; seu coração gentil lhe ensinou a amar novamente, mas manter sua mente sã...Ninguém tinha tais respostas. Quem poderia ajudar a fada se não a rainha?

As criaturas ficaram perplexas. Elas simplesmente não podiam explicar de forma plausível aquela situação tão incomum.

A própria fada não pareceu notar sua preocupação. Ela deu a aos campos um breve olhar antes de desaparecer de vista. As criaturas entenderam que o silêncio era necessário para sua guardiã descansasse, e então eles voltaram a florir.

Quando nada parecia ser mais importante do que a referida tarefa, um contraste de penas escuras contra o mais alto dos céus os fez sufocar.

Um entendimento especial atingiu suas mentes e as criaturas sentiram alívio. Curiosamente, o pássaro que representava o sinal mais forte de má sorte era um servo da guardiã do povo - uma vez cruel, mas agora amada.

Talvez nem toda a esperança estava perdida. Talvez o corvo possa ajudá-la. Toda e qualquer criatura dos Mouros sabia da importância de sua presença para a fada e para a jovem rainha, então talvez ele fosse aquele destinado a dar a Malévola algo que ninguém ousou.

Então, as criaturas se dirigiram para o norte, deixando os campos para trás, esperando que a paz permanecesse enquanto a luz do sol aquecia aquela bela manhã.

Nas ruínas, a escuridão era mais valiosa. Com o sol estabelecido firme e forte no centro do céu, anunciando outro dia bonito e caloroso, sua luz era viva para todos os seres vivos. Demorou pouco tempo para encontrar seu caminho até ninho nas ruínas, transbordando modestamente por entre as cortinas atingidas pelo vento para finalmente chegar a um par de rostos adormecidos e ligeiramente corados – um resultado do calor. O ninho em si era suficientemente quente. Era feito de espessos ramos de uma árvore que invadiu o castelo por ordem de magia verde, formando um círculo. Ramos e peles de animais estavam devidamente alinhados em sua base, enquanto cobertores escuros e roxos faziam parecer uma cama humana muito grande. Era aconchegante, mais do que muitas casas humanas ou câmaras luxuosas em castelos, e certamente mais do que bem-vindo a muitos.

No entanto, a sensação de queimação não foi apreciável depois de algum tempo. O homem corvo que também morava no ninho nas ruínas achou bastante perturbador. Então, ele tirou o casaco debaixo de sua cabeça e colocou-o sobre o rosto, bloqueando a luz. Então, como para irritá-lo, o vento de repente parou de bater nas cortinas e a escuridão reinou mais uma vez.

O homem corvo soltou um suspiro e retirou o casado do rosto. Ele piscou algumas vezes para ajustar sua visão. Havia dois pequenos travesseiros feitos de seda azul a seus pés. Ele tinha descartado seus sapatos antes de adormecer, colocando-os à beira do ninho. Um cobertor vermelho escuro cobria a ele e sua companhia.

Ela estava dormindo tão pacificamente. Tinha a cabeça apoiada em seu peito e o rosto dela expressava uma serenidade bem-vinda. Sua respiração era uniforme, mas suas asas se moviam de vez em quando, uma resposta ao que ele esperava ser sonhos de céus claros e terras pacíficas.

Ela adormeceu pouco depois de ter se deitado no ninho. O homem corvo não ficou surpreso. A fadiga no comportamento mal-humorado que ela estava demonstrando nos últimos dias era evidente para ele. Toda vez que ela se deitava no ninho, ela parecia desmaiar de cansaço e angústia. A chegada de uma nova estação, e como as coisas ficaram um pouco loucas desde o final do inverno, podiam ser o motivo. Ouvir tantas vozes reclamando sobre as tempestades poderia fazer alguém gritar de raiva - o que foi, de fato, exatamente o que ela fazia. Com tantos problemas para resolver, seu corpo, mente e alma evidentemente imploravam por algum descanso para manter alguma sanidade.

A fada negava, é claro. Diaval não podia dizer que estava surpreso, porque Malévola, a criadora mais poderosa dessas terras, preferia resolver problemas pessoalmente e sem interferências estrangeiras. Ainda assim, ele realmente pensou que ela iria apreciar de sua inteligência, visto que corvos são conhecidos como dos pássaros mais astutos.

Ele franziu a testa.

Ele se perguntava o que se passava pela mente dela, o porquê de seus sonhos tornarem-na tão assustada e frágil, uma contradição do que ela realmente era. Ele a conhecia - dezessete anos compartilhando um ninho o fizeram ver lados diferentes, mas havia vezes que ela era incompreensível para sua mente de corvo, sem mencionar sua falta de percepção e o desenvolvimento de um irritante hábito de não querer lhe dar ordens que só o incomodava ainda mais.

Ele simplesmente desejava que ela falasse com ele. Nada sobre o que acontecia em seus pesadelos foi dito entre eles, mas, novamente, ela era Malévola - ela nunca falava sobre si mesma.

Suspirando, o homem corvo se virou para se deitar de lado, apoiando-se a cabeça em sua mão para ter uma melhor visão de sua senhora. Sua mão estava modestamente repousada na curva de sua cintura de forma protetora. Curiosamente, a fada se aproximou e aconchegou-se contra seu peito, uma mão segurando sua camisa, como se estivesse tentando impedi-lo deixá-la...talvez?

Diaval podia ver-se resmungando à mera insinuação. Qualquer pensamento era tolo e infundado. Ele sabia que pagou sua dívida na noite do aniversário de Aurora. Portanto, seria aceitável que fosse embora, encontra-se uma parceira e tivesse filhotes, como qualquer outro corvo faria em seu lugar.

Mas Diaval nunca foi apenas um corvo, não é? Nenhum outro corvo poderia se deitar no mesmo ninho de uma fada, em primeiro lugar. O pensamento simples disso fez com que seu coração pulsasse um doce ciúme, despertando pensamentos possessivos.

Franzindo a testa, ele inconscientemente envolveu sua senhora pela cintura. Os músculos de suas costas contraíram-se ligeiramente, e o calor que emanava do sangue atravessando suas veias se transformou em algo evidente. Mas ao sentir dedos começando uma suave carícia, inocentemente desfrutando do tecido da camisola verde claro que ela estava usando, a fada relaxou e se inclinou contra ele, suspirando contente.

A carranca no rosto dele se aprofundou.

Ele não desejava deixá-la. Além disso, corvos eram leais àqueles que consideravam como família. Ela precisava dele e era uma honra estar ali, e o que ela pedisse que ele faria, sempre que quisesse. Como servo, como amigo, até mesmo escravo; ele não se importava. Ele estava feliz em agradá-la. Porque ela era Malévola, sua senhora, sua querida fada, a pessoa que ele amava tanto, aquela que ele não podia - e nem deveria - sonhar em ter, pois ela precisava dele para apaziguar sonhos e embora ela compartilhasse da gentileza ele a oferecia, ela certamente não o via como seu...amado.

Ele soltou um suspiro.

Olhando para a criatura em seus braços, ele tirou a mão de suas costas para deixar seus dedos traçarem a base que sustentava dois chifres que mais pareciam uma coroa poderosa. Malévola não parecia se importar com seu toque leve - ela estava com muito sono, também absorvida em sua própria terra de sonhos e, ousava ele, muito confortável no calor de seu corpo. Seu corpo estava acostumado a tal conforto e seus lábios se separaram para soltar um suspiro, tornando-se, pelo menos para ele, algo tão proibido como água em um deserto.

Sua garganta ficou de repente seca e ele se afastou e deitou-se de costas, olhos fixados diretamente no teto.

Uma maldição veio em seu pensamento.

Depois de todos esses anos, a visão de sua senhora fazia seu coração bater mais rápido por alguns momentos sem fim, e então seus pulmões perdiam o ar ao redor conforme sentimentos fortes choraram mais uma vez. Mas não havia nada para ele reivindicar. A situação não estava ajudando de qualquer forma. Ele estava deitado em um ninho com sua senhora aconchegada contra ele.

Suas bochechas queimaram como o sol, na exceção de que não havia sol para queimar.

Aqui há um pássaro profundamente apaixonado, asas como fraqueza e não benefício, principalmente porque ele tinha contato com as asas dela, e sim, isso era um problema. Quando você quer algo que não pode ter, é recomendável ficar longe para evitar tentação e o sofrimento.

Mas Diaval não podia ficar longe.

Ele se lembrou de quando sua senhora veio até ele pedindo-lhe que limpasse suas asas, na manhã seguinte à batalha no castelo.

Ele pensou que estava sonhando. Um simples corvo limpar asas tão bonitas? Sua resposta foi óbvia. Levou quase uma manhã inteira para fazê-lo porque dezesseis anos trancados em uma gaiola de vidro tinham suas penas cobertas de poeira. Não foi nada paciência e determinação não pudessem resolver. Ao meio dia do mesmo dia, sua senhora já estava voando.

Foi diante dessa visão que Diaval soube que ele havia se apaixonado por ela novamente. Ele a amou por anos sem fim, seus olhos esmeralda e seu orgulho encantador. Suas asas apenas o tornaram consciente de sua condição: perdido em um mar de penas do mais perfeito tipo. Carregavam uma cor marrom muito escura, depois preto. Algumas delas eram cinza, localizados na parte inferior de suas costas, e eram consideravelmente menores, caindo no ninho quase o tempo todo. De tão suaves, lembravam-lhe das penas de um pequeno filhote.

Ele sorriu fracamente.

Perguntava-se se um dia seria pai. Mas ele não desejava que seus filhos viessem através de ovos verde azulados. Ele achava bebês adoráveis, principalmente por causa de Aurora, quem foi bastante adorável quando criança. Ele não se importaria em ter fadinhas com chifres e asas enormes como seus filhos. A imagem deles voltando juntos seria, sem qualquer dúvida, a maior felicidade que ele poderia desejar, mesmo que para que isso se tornasse realidade, era necessário um milagre.

Ele voltou a olhar sua senhora.

Cuidar de Malévola era um dever que ele expunha com orgulho. Seu passatempo favorito era vê-la sorrir com facilidade, como um oásis no deserto solitário que era sua vida. Agora, resistir ao resto, com seu corpo formigando de desejo e luxúria? Não era tão simples, porque suas mãos, assim como cada centímetro de sua pele, imploravam pelo contato esperado por anos de servidão e paixão escondidas dentro de impulsos de um coração sem esperança.

Como lutar contra sentimentos tão poderosos? Só de olhar para ela poderia deixá-lo louco. Graça e elegância eram predominantes em seu orgulho teimoso. Ela era a mais bela criatura que ele já viu.

Mas Diaval não via nenhuma perspectiva, nenhum futuro para eles. Houve momentos em que imagens tocavam sua mente, tão acostumadas a brincar à noite, reproduzindo sensações tão estranhamente comuns depois de anos de servidão, como o desejo de se deitar ao lado dela, fundir seu corpo dentro dela e marcar seu aroma em sua pele com saliva e suor.

Seu coração pulou uma batida e seu olhar encontrou o teto mais rápido do que antes.

Rituais de acasalamento eram conhecidos pelos corvos. Embora o cortejo em si comece em uma idade muito precoce, Diaval nunca sentiu vontade de fazer isso sem sentir que era o momento certo. Nunca houve uma fêmea cujas asas eram bonitas o bastante para ele. Enquanto seus irmãos faziam acrobacias aéreas muito complicadas, provocaram alguns lobos e voavam para encontrar carcaças ou coisas brilhantes, Diaval observava algumas fêmeas de uma distância segura. Em sua maior parte, elas eram cheias de maneirismos, como qualquer outro pássaro, e tinha muito cuidado com suas asas.

Nenhuma delas chamou sua atenção.

Duas primaveras mais tarde e a vida como um macho adulto tornou-se frustrante e machucava seu coração ter de ficar sozinho. Ele não podia voar para qualquer lugar porque sempre havia um par de corvos ao cujo território pertencia. Uma noite, ele avistou um corvo voando para seu ninho. O som de pequenas crias atingiu seus ouvidos sensíveis e ver tanta felicidade ao redor dele enquanto ele nem sequer tinha uma parceira foi perturbador para o jovem corvo.

Ele conheceu sua senhora pouco depois do final de seu terceiro ano sem encontrar uma companheira. Ele tinha voado para o norte, persistentemente, quase que teimosamente, ainda procurando companheira em pleno verão. Ele passou noites sem dormir voando pela floresta, sem comida, cantando...mas suas canções nunca foram respondidas.

Mais tarde, no outono, ele voltou para os Mouros para dedicar algum tempo para descobrir o que estava de tão errado com ele e talvez para se dar uma nova chance, desta vez em seu local de nascimento.

Foi quando a fome o atingiu. Ele deveria ter sabido então que o fazendeiro tinha uma armadilha esperando por ele, mas ele era grato por isso hoje. Ele não teria conhecido sua senhora de outra forma.

E, como o corvo que ele era, Diaval jurou mostrar a sua senhora uma devoção infinita. Seu dever era agradá-la e mantê-la segura. Por mais forte e poderosa que fosse sua senhora, Diaval sabia que ela tinha uma alma frágil e sua consciência imediatamente lhe disse para protegê-la.

No início, foi gratidão por salvar sua vida. Os seres humanos sempre foram problemáticos e tudo o que ele pôde fazer foi gritar. De tão perdido ele estava em quantos gritos seus pulmões podiam expressar, ele nem percebeu que ele não estava mais em perigo quando suas asas foram repentinamente substituídas pelas mesmas mãos humanas que quase haviam causado a morte dele. A visão de uma figura escura causou uma admiração súbita, e ele soube então, pelo olhar que ela oferecia, que sua vida estaria sempre ligada à dela.

Mas o conto nos diz: "Tire de um pássaro sua liberdade e viverá por mais algumas estações. Tire de um pássaro suas asas, e preferirá ter perdido a vida."

Compreender sua raiva foi muito fácil. Ele não sabia nada sobre o amor, mas a traição era tão comum na vida animal, e quando se trata de asas, um pássaro é um especialista.

Ter suas asas cortadas parecia cruel, a traição escondida através do amor falso e da esperança causada pela fraqueza trouxe imensa tristeza e descontentamento. A reputação da humanidade nunca foi a melhor entre os outros seres vivos e sua covardia chegava a ser repugnante.

Diaval quis matar o rei humano. Até mesmo planejou entrar furtivamente em suas câmaras à noite e sufocá-lo com um travesseiro. Esfaquear a pedra que ele tinha no lugar de um coração. Talvez derramar algum veneno em sua bebida enquanto ele era distraído pelas afeições da rainha.

O nascimento da criança o fez desistir de seus planos. A menina era tão bonita e tão inocente que nenhum mal deveria ser imposto em seu caminho. Sua senhora, enorme era o seu ciúme, rugia ódio, mas sentiu o oposto, como vítima de sua própria maldição, dando à criança um presente que faria amada por todos os que a conhecem.

A fada não tinha percebido o que tinha feito. Este fato tornou-se claro quando o beijo do verdadeiro amor foi finalmente encontrado e Malévola riu de sua própria tolice.

Vendo as duas juntas, no entanto, com a jovem rainha expondo sua vida no palácio e ouvindo sua senhora rindo dos contos da menina, fez Diaval admitir que não era mais uma questão de servidão. Que nunca foi.

E fez com que o nó de sua garganta fosse ainda mais doloroso.

De todas as espécies em que ele já havia se transformado, ninguém parecia mais do que pronto para uma família do que o humano.

Seu sangue animal já queimava como fogo.

O lobo via sua senhora como a fêmea alfa de sua matilha.

O dragão desejava envolvê-la com suas enormes asas, numa intenção de protegê-la de ferro em brasas.

O cavalo adoraria levá-la para um passeio pelo campo.

Mais recentemente, o corvo quis voar pela floresta para procurar bagas para alimentá-la.

O humano era intenso. Partes de seu corpo inchavam ao pensar em sua senhora e às vezes ele tinha que se atirar em um rio para aliviar a insuportável dor trazida pela frustração de não poder tê-la.

Diaval nunca se sentiu tão atraído por nada como ele se sentia atraído por sua senhora. Ele nunca se sentiu atraído por nada, por sinal. Seu tempo como ser humano foi suficiente para modificar sua mente de seu pássaro e agora ele conhecia a luxúria, esperando nada mais do que jogar sua senhora no ninho e acariciar seu rosto tão perfeito, mordiscar suas orelhas pontudas, pentear seus cabelos lisos e beijar seus lábios inchados. A visão dela deitada em um ninho que ele tinha construído especialmente para ela - pensando nela - encheu seu coração de instintos selvagens.

E com o passar do tempo, o mundo parecia estar conspirando contra ele - para fazê-lo sentir-se pior do que a pior escória.

No verão passado, depois de visitar seu filhote, a jovem rainha Aurora, Diaval voou sobre o mercado humano para ver se ele conseguia encontrar algo brilhante para presentear sua senhora. Ao entrar em um celeiro vazio, ele encontrou algo que nunca pensou que iria ver: um casal humano acasalando. Bem, acasalando não era como eles chamavam o ato, mas, para um pássaro, um nome não era importante. Ele não ficou para ver como terminou, mas a surpresa foi tão grande que o paralisou pelos vinte segundos mais longos de sua vida antes de que ela abrisse suas asas e voasse para longe. Para tornar as coisas mais difíceis, quando ele voltou para o ninho, para sua senhora, sua mente começou a torturá-lo em seus sonhos.

Diaval sentiu-se envergonhado de pensamentos tão impróprios para com aquela que havia lhe dado tanto. Ele tentou detê-los muitas vezes, mas apenas sua expressão pacífica enquanto dormia fez seu coração bater mais rápido.

Ele desejava ser corajoso e dizer a ela como ele se sentia. No entanto, machucá-la era o último pensamento em sua mente, então ele se concentrava no que ele tinha, e era agradecido por isso. Ele limpou sua mente e fez sua alma esquecer de seus desejos.

Neste momento, por exemplo, ele se concentrou seus deveres. Sua senhora não havia se alimentado ainda e era seu dever fornecer-lhe qualquer coisa - como um servo deve fazer a sua senhora... e como qualquer corvo respeitável faria a sua parceira.

Então, Diaval escolheu sair. Ele fez o primeiro movimento, de forma lenta e determinada, tirando as mãos de sua senhora de cima dele e colocando-as sobre seu casaco...bem, agora travesseiro. Ele então lhe olhou atentamente, para ver quaisquer sinais de movimento. Enquanto seu rosto mal mostrava chances de acordar, seu corpo o fez, e assim que ela pareceu notar a falta de calor, uma de suas asas esticou-se e gradualmente envolveu seu corpo...e o de seu servo.

Como se fosse apenas para torturá-lo ainda mais, a fada agora tinha o rosto enterrado em seu pescoço, e quando sua respiração calma contatou sua pele nua, seu aroma de rosas penetrou suas narinas, e o sabor doce de sua boca se reproduziu em sua língua, excedendo a doçura do mel.

Diaval segurou um gemido, desejando enfrentar um exército novamente. Pelo menos ele saberia se comportar. Não é? Ele não sabia dizer. Como um corvo pode enfrentar um exército sem nem mesmo saber como escapar da própria tentação? Era como ser pego sob uma rede novamente, sem cordas para prendê-lo, mas penas perfeitas partindo coração. Sua mente ainda tinha algum juízo, gritando para que ele não fizesse o que seu coração desejava.

Ele tinha que parar...e evitar qualquer constrangimento.

Despertá-la cruzou a cabeça instantaneamente. No entanto, o homem do corvo não podia deixar de pensar que sua senhora merecia dormir um pouco mais, mesmo sabendo que ela ficaria furiosa com ele por deixá-la dormir por tanto tempo.

"Malévola..."

Então, quando ele parecia ter esquecido de seus deveres, a própria Malévola, como se estivesse sentindo o desespero de seu sussurro, acordou de seus sonhos esperançosamente felizes, repousando seus olhos cansados ​​em sua figura tensa, e então sussurrou:

"Diaval...?"

Seu coração se encheu de uma alegria inexplicável, e seus olhos instantaneamente caíram sobre os olhos sonolentos de sua senhora enquanto sua mente se perdia nas vozes de sua cabeça.

O resultado foi em saudações entusiastas.

"Bom dia, senhora!"

As asas de Malévola se contraíram ligeiramente ao som de sua voz. Ela sorriu, demonstrando um pouco de satisfação, e não tão surpreendentemente virou as costas para ele, tomando seu casaco em mãos e enterrando o rosto nele, suas garras agarrando o tecido grosso. Suas asas agora o encaravam, envolvendo o corpo de sua dona.

Diaval só pode encarar. Ela estava dormindo de novo?

"O que foi, passarinho?"

O rapaz foi apanhado de surpresa com o apelido. Ele franziu a testa.

"O sol está no céu, senhora." Ele disse. "Eu vou sair e encontrar comida. Existe alguma coisa específica que você queira comer nesta manhã?"

Para seu aborrecimento, sua senhora riu, seus olhos verdes divertidos com sua pergunta.

"O passarinho irá caçar, então?"

Foi a vez de Diaval de rir diante de tal pergunta.

"Servir, senhora."

O sorriso agora brilhante da fada manteve sua comum malícia por mais alguns segundos enquanto Malévola deixava seus olhos percorrerem no rosto de seu servo por algo que ela não sabia. Ao ver nada mais que confusão, o sorriso dela falhou, até que não restou mais nada que um sorriso forçado, e então, ela virou-se para encarar a parede antes de seus olhos se fecharem, e um suave suspiro cansado deixou seus lábios. No final, a Guardiã dos Mouros sentou-se no ninho, e seus dedos encontraram seu cabelo.

Diaval observou-a em pura confusão. Ele teve que olhar ao redor para se assegurar de que não estava faltando alguma coisa, que ele não havia dito algo errado. Sua mente não tinha ideias. Sua senhora ainda estava de costas para ele, e suas asas estavam protegiam seus ombros, como se estivessem curando suas feridas.

"Senhora-"

Ela não o deixou terminar, "Nós já tivemos essa conversa, Diaval. Você sabe o quanto eu não sou incapaz de me alimentar."

Agora ele estava ofendido.

"Você acha que eu não sou capaz para a tarefa?"

Malévola levantou uma sobrancelha, "Eu não disse isso."

"Então você vai me contar o que você deseja comer?"

Seus ombros caíram levemente na derrota e seus olhos foram rapidamente focaram num ponto aleatório do ninho. Seus olhos seguiram seu olhar. O local estava vazio.

"Quanto tempo..." Sua voz parecia diferente. Diaval decidiu não comentar as razões para isso, ainda. "...por quanto tempo dormimos?"

Por outro lado, sua voz exagerava em preocupação: "Algumas horas, eu acho."

Malévola esperou um momento, "Entendi..." Ela sussurrou com uma respiração alta o suficiente para alcançar seus ouvidos, e Diaval foi incapaz de segurar sua língua por mais tempo.

"Há algo de errado, senhora?"

O silêncio foi a resposta que ele precisava.

Não mais tímido, sua mão descansou em seu ombro - ele estava preocupado. O contato da pele fria de seus dedos longos contra a pele quente da fada a fez olhar para ele, e suas asas se retraíram instintivamente. A leve escuridão tornou seus olhos inúteis, aumentando seus instintos de maneira que a fazia sentir a proximidade de seu servo e o aroma doce de sua respiração. O som de um coração batendo tão amigavelmente perto, demonstrando sentimentos aos quais ela não estava acostumada, fez um rubor cobrir suas bochechas.

"Senhora--"

"Estou bem." Havia um som batendo contra seus ouvidos. Ela engoliu em seco, tentando acalmar-se. Não funcionou como ela esperava, então ela desviou o olhar daquele par de olhos escuros e curiosos.

Uma careta formou-se no rosto de Diaval, seu coração batendo na expectativa de ver a angústia escrita no belo rosto de sua senhora. "Você não dormiu bem?" Ele então perguntou, sua voz mostrando infinita paciência e um amor incondicional, sentimentos persistentes e proeminentes que ele havia desenvolvido ao longo dos anos.

Malévola, por outro lado, ignorava descaradamente esses sentimentos.

"Eu disse que estou bem, Diaval. Não há necessidade de se preocupar." A fada então disse, nem mesmo se incomodando em dar a seu servo de um mero olhar. Todo a tensão fez com que seus ombros caíssem ao peso dos anos, e ela encontrou consolo em distrair-se deixando seus dedos brincarem com os ramos do ninho, tentando se concentrar em alinhar alguns deles.

Diaval, por outro lado, nunca ficou tão irritado com a sua teimosia.

"Você não deve pedir o impossível, senhora. Você sabe que eu me preocupo...E você não parece bem para mim."

A fada bufou, "Não cabe a você presumir como me sinto." E embora sua voz soasse dura, suas palavras careciam de frieza.

Por sua vez, Diaval lembrou-lhe um fato importante:

"Eu a conheço há algum tempo, senhora. Seu bem-estar tem grande importância para mim."

Os olhos de Malévola suavizaram em consideravelmente carinho e apreciação.

"Você se preocupa demais."

Finalmente, Diaval viu um sorriso voltar a seus lábios.

"E você é muito teimosa, senhora."

Ao ouvir isso, Malévola ousou olhar nos olhos dele, apenas para sentir sentimentos conhecidos atravessarem seu coração enquanto calcedônias negras eram pegas inspecionando esmeraldas brilhantes sem qualquer vergonha.

Sangue lavou-se sobre o coração dela, fazendo-o bater mais rápido, e ela aspirou profundamente para se acalmar. Afastou os olhos e tentou pensar em algo que não era a excitação inquestionável dentro de seu peito. Foi uma tarefa bastante difícil, especialmente quando o motivo de seus sonhos e pensamentos mais confusos estava ali no ninho, como ela desejava que ele sempre estivesse.

"Você não deveria ter me deixado dormir por tanto tempo." Sua voz fraca despertou sua mente de suas inseguranças. "Por que fez isso?"

"Você estava cansada." Ele respondeu. A fada abriu a boca para protestar, mas o homem corvo não a deixou: ele pegou a mão dela, por consequência fazendo-a finalmente tomar conhecimento do quão perto ele estava agora. Isso a deixou sem palavras, pois não deixava de surpreendê-la como o calor de seus olhos poderia acalmar seus medos. Seu coração estava cheio de alegria e ela não pôde impedir que outro sorriso aparecesse, um sorriso que o homem corvo devolveu. "Você está cansada, senhora. Não negue...outra vez. Por que não se deita e descanse um pouco mais? Deixe-me preocupar com o resto. Eu prometo que ninguém irá incomodá-la hoje."

E apesar de a ideia parecer tão atraente, Malévola sacudiu a cabeça, "Diaval--"

"Ah, por que eu estou perguntando? Tivemos essa conversa antes." Ele sorriu enquanto repetia suas palavras. "Não, não, não, não. Deixe comigo. Agora deite e durma. Você precisa disso."

A fada franziu a testa, "Você também."

"Não será um problema, nem a primeira vez. Você deve dormir, senhora. Você não o fez a noite passada, e os Mouros precisam de sua guardiã tão saudável quanto possível!"

"Também não deveria estar seu servo?" Ela ousou perguntar.

"Eu estou bem. E descansado." Ele acrescentou com um sorriso. "Não precisa se preocupar."

Malévola olhou-o atenta, levantando uma sobrancelha para o uso de suas próprias palavras. Mas ele parecia certo do que queria, tão preocupado com a saúde dela, que ela sabia que acabaria cedendo e dando-lhe crédito, traindo-se ao deixá-lo fazer o que quisesse, o que era totalmente diferente do que uma senhora deveria fazer com seu criado. Mas, depois de olhar para o ninho, o sofrimento da solidão voltou para atacar seu coração, tão temeroso de pesadelos, fazendo com que seus olhos voltassem para os belos traços de Diaval pelo o que pareceu ser horas antes de se aborrecerem e seus lábios formarem palavras capazes de tirar o ar de seus pulmões - e isso, para qualquer mente racional, implicava uma luxúria explícita:

"Não prefere ficar aqui comigo?"

Diaval imediatamente sentiu um ar pesado e agressivo crescer ao redor dele. Mas seus olhos nunca deixaram os dela.

"Senhora--"

"Está com fome?" Ela o observou de perto. Ela não parecia realmente entender o que ela havia sugerido em sua pergunta anterior...o que quase soava como um apelo sensual.

De qualquer forma, Diaval sabia que ele teria problemas se ela não parasse de olhar para ele desse jeito - a maneira inocente e bela que ele estava tão tentador.

"Eu-- eu não estou." Ele conseguiu dizer. "Mas isso é sobre você."

"Eu tenho magia, Diaval."

O olhar que ele imediatamente lhe ofereceu foi tão adorável que fez Malévola sorrir com carinho para ele. Ela estava quase rindo. Ela sabia que suas palavras o deixariam bravo, e seria ainda mais divertido se ela soubesse o porquê de ele ficar bravo com ela, para começar.

"Você prometeu que não iria."

Na verdade, ela não tinha exatamente. Era algo que ele próprio proclamou uma vez, há muito tempo, ao terminar de construir o ninho nas ruínas. Ele era o servo e ela era sua senhora. Ele iria fornecer-lhe tudo o que precisava, embora ela não tenha falasse sobre essas necessidades na maioria das vezes. O acordo era realmente deixá-lo fazer o trabalho sem qualquer uso de magia. Aparentemente, ele gostava de receber ordens - as ordens dela, mais especificamente.

Era, do seu ponto de vista, uma forma estúpida de viver. Qualquer criatura, especialmente um pássaro, veria os céus e a liberdade como as coisas mais preciosas, depois de suas asas, é claro. No entanto, era uma maneira de tê-lo por perto todo o tempo. Com isso, Malévola nunca se queixou de seus serviços, mas sua consciência continuava dizendo a ela que a liberdade dele deveria vir mais cedo ou mais tarde.

Talvez seja mais fácil do que o que ela pensasse...se ele parasse de olhar para ela com esses olhos de cachorro abandonado. Deuses, como ele conseguia, afinal? A inocência de seus olhos gritavam no rosto de qualquer pessoa que ele não estava fazendo isso de propósito, que ele não sabia os efeitos que ele tinha sobre ela, efeitos que ela mal podia resistir.

Mas, pelo menos, Malévola tentou evitar de ser atrevida – ela não podia tocá-lo. Eles estavam muito perto, é claro, sentados em um ninho quente e aconchegante. Era a oportunidade perfeita para que a luxúria assumisse o controle. Mas ela não permitiria isso. Diaval era inocente. Ele era como uma criança. Ela nunca abusaria de sua bondade.

Mesmo que ela quisesse tanto.

"Você pode ir então."

Malévola mexeu as mãos, e então magia deixou seus dedos e transformaram sua camisola em um vestido azul escuro. Uma vez que o feitiço foi realizado, ela deslizou as mãos sobre o tecido, alisando suas rugas.

Diaval deixou que seus olhos viajassem pelo vestido de sua senhora enquanto ela fingia não saber que ele estava lá. Ele amava a cor azul.

"Você não vai?"

Ele reconheceu o último sinal de cansaço quando sua senhora dirigiu seu olhar para a janela. Ela costumava fazer isso quando encurralada ou desconfortável. Ele nunca quis perturbá-la ou pressioná-la a falar com ele, mas agora ele percebeu o quão tolo tinha sido.

"Você não está feliz."

Ela não estava mesmo.

"Você quer ir, não é? Então faça isso. Não se queixe, passarinho. Posso mudar de ideia se quiser e conjurar uma árvore--"

Pronto. Uma força inexplicável assumiu sua mente e coração, fazendo Diaval se mover a uma velocidade estrondosa e usar toda a sua agilidade para segurar o pulso de sua senhora, fazendo com que ela parasse de falar. Seus olhos, por sua vez, se abriram ligeiramente, e encararam os dele, claramente confusos e um pouco perplexos.

Diaval engoliu em seco, percebendo o que ele havia feito. Ele sentiu que o ar de seus pulmões desapareceu em segundos perturbadores e silenciosos, mas ele usou sua bravura para olhar para ela nos olhos.

Realmente Malévola foi pega de surpresa.

"Diaval--"

"Perdoe-me pelo meu egoísmo." Ele sussurrou levemente, soltando rapidamente o pulso dela. Seu olhar caiu. Sua súbita timidez era evidente. "Eu sei que você é capaz de qualquer coisa. Eu sou a prova disso. Eu não posso esquecer o meu lugar. Mas não fazer o meu trabalho é um incômodo, e ainda assim, se você quiser que eu fique, eu vou ficar. Por quanto você precisar de mim."

"Por quê?" Ela teve que perguntar. Ela estava tão confusa, e para expressar isso, ela se certificou de tomar o queixo dele e fazê-lo olhar nos olhos dela. "Você é realmente tolo."

Os olhos de Diaval não mudaram. Havia algo escondido, algo que ela não conseguia decifrar.

"Passarinho orgulhoso." Ela concluiu com um sorriso.

"Disso estou certo". Ele usou seu sarcasmo desta vez. "O que você deseja?"

Um beijo seu.

"Amoras." Sua escolha foi bastante aleatória, para ser sincera. "E maçãs."

"Volto em breve." Ele então sorriu para ela, e desconhecido para ele era a forte batida de seu coração. Desconhecida para ela também era a felicidade que ela poderia colocar sobre ele.

Eles eram tolos, eram cegos, amando um ao outro sem o conhecimento de fazê-lo. E, uma vez que o silêncio confortável foi estabelecido entre eles, tanto quanto a compreensão mútua, as cortinas foram abertas. O homem corvo teve que proteger seus olhos da luz brilhante, mas logo tornou-se muito reconfortante para sua alma que o fez suspirar.

"Eu estarei esperando no lago." Disse a fada, e seu criado assentiu, depois se transformando em um corvo para se jogar no céu e deixar o ninho, sua senhora e seus desejos por trás.

Malévola poderia apenas observá-lo desaparecer e nem mesmo as lágrimas da praguinha quando ela descobriu sobre a maldição poderia rivalizar a decepção no rosto da fada. Pois seus sonhos não eram mais tolos do que o corvo que agora ela assistia voando, e que logo seria livre da dívida de servidão e amizade. E talvez, esse ato se tornaria o alívio que ela precisava, a liberdade das preocupações da paixão...e a existência de outro amor verdadeiro não correspondido.


Notas Finais


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