História Amor ou Ódio? - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias A Feia Mais Bela
Tags Amor, Aurora, Cantora, Fernando, Irmãs Gemeas, Leticia, Ódio, Tocadora De Piano
Exibições 66
Palavras 1.837
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Lírica, Mistério, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Trocando de lugar


A dor era um pouco irritante, mas tudo era culpa do vinho da noite anterior. Sabia que não devia ter bebido, porém não se controlou. Sempre fazia coisas que não condiziam com seu comportamento quando seu chefe estava presente. Tomou um gole do seu café puro vendo sua irmã entrar na cozinha e se sentar a sua frente.


—Bom dia Lê... –Se serviu. Ela tinha todo o dia de sábado para levá-la ao seu cabelereiro e para algumas lojas. Ao fim da tarde estaria tudo pronto e a noite sua irmã se apresentaria no seu lugar. Esse era seu plano.


 


Letícia levantou uma sobrancelha a encarando. Sua irmã estava calma demais. Sentia que estava aprontando novamente. —Bom dia.


—E ai? Vai fazer algo hoje?


—O que você tem?


—Por quê?


—Nunca se importou com o que eu tinha que fazer. O que está acontecendo?


—Até parece. Você é minha irmã. Sempre me importei.


Letícia revirou os olhos e continuou comendo.


—Será que poderia me acompanhar? Vou no salão.


—Não sou idiota. Eu sei qual é o seu jogo.


—Lê, por favor. Nunca te pedi nada.


—Verdade. Você nunca pede e toma como se fosse seu.


Aurora franziu a testa. —O que você tem? Ah, já sei, deve estar com enxaqueca. Não é acostumada a beber.


—Eu gastei muita saliva ontem te falando que não estava e acordo e não aceitava. Sabe o quanto exausta eu fico quando chego do trabalho? Não dá.


—Eu te dou o dinheiro que eu ganho.


—Eu já tenho um trabalho. Obrigada.


Aurora suspirou e logo sorriu.


—Te dou o dinheiro que falta para comprar seu carro.


Letícia a fitou pensativa e sua mãe adentrou a cozinha. Acabara de sair do banho e se sentiu feliz ao ver seus dois tesouros sentados à mesa conversando.


—Sério. Juro.


—Você não tem.


—É... Todo não, porém, vão pagar pelas apresentações no restaurante. Dá certinho.


—O que dá certinho minha vida? –Indagou Julieta beijando na cabeça de Aurora e logo pós Letícia.


—Eu estava dizendo que tinha uma ideia para ajudar a Lety a comprar o carro.


—Ah é? –Sorriu orgulhosa.


—Sim, porque tenho meu estágio e um dinheiro guardado das minhas apresentações. Eu ia viajar, mas acho que esse investimento é mais importante.


Letícia revirou os olhos vendo sua mãe cair na lábia da sua irmã como sempre. Ela iria investir era no Rafael e ela não teria nada a ver com isso se não soubesse cantar. Aurora, como sempre fazendo as coisas por seu interesse e se apresentando.


—Fico tão feliz ao ver que com o amadurecimento vocês estão se tornando tão unidas quanto quando era pequeninhas. Ainda lembro da Lety te dando aula do que havia aprendido no piano.


Até ela roubar o seu lugar. Antes todos paravam para á assistir tocar, porém, depois que sua irmã aprendeu todos queriam vê-la tocando. Se lembrava que era a única coisa que sabia fazer além de ser uma nerd na escola; cantar e tocar.


—E falando nisso as aulas também vão voltar mamãe. Não  é Lety? O carro. -Citou a lembrando que se quisesse ajuda teria que concordar com suas mentiras e loucuras.


—Sim mamãe... -Respondeu tomando mais outro gole de café.


Julieta sorriu contente. Suas filhas a partir da pré-adolescência se afastaram uma da outra de um jeito que a afetou bastante. Viviam brigando e discutindo, mas para a sua felicidade as coisas estavam finalmente mudando.


...


Aurora estava com um vestido de onça, com salto e seus cabelos vermelhos ao vento. Sorriu largo ao terminar de atravessar a rua, olhou para trás vendo sua irmã que usava uma calça jeans um pouco frouxa e uma blusa de botão típica de secretária. Que também não marcava nada.


Letícia revirou os olhos bufando, odiava se deixar induzir por sua irmã, mas o escambo era muito proveitoso para si.


—Está pronta para a transformação?


—Não. E não vou pintar meu cabelo assim tão chamativo. Eu tenho um emprego sério a zelar.


—Pra tudo se dá um jeito. Vem. –A puxou pelo braço arrastando-a para dentro do salão.


Por toda manhã e tarde Letícia ouviu e presenciou sua irmã opinar, falar e agir. Ela era bem agiu, seria uma ótima administradora, queria mandar em todos ali. Sempre estrelando e querendo ser o centro das atenções. Começava a sentir arrependimento, não devia ter aceitado. No mais tardar, em dois meses estaria com seu carro, não precisa da sua irmã para isso.


—Roupas, maquiagem, sapatos... Bem, meu dinheiro acabou, mas pode usar meu guarda roupa. Está pronta para ver a nova Letícia?


—Você quis dizer uma xérox sua. -Bufou odiando o suspense. Era ridículo tudo aquilo.


—Quem nos fez xérox uma da outra foi á mamãe e o papai.


O cabelereiro virou a cadeira acabando enfim com o suspense. Letícia levantou as sobrancelhas.


—Não acredito. –Disse irritada.


—Ficou maravilhoso não foi?-Sorriu feliz com tudo.


—Eu avisei que não era para pintar meu cabelo de vermelho!


—Como pareceria comigo de cabelos negros?


—Puta que pariu!


—Você xingou?- Indagou surpreendida Aurora.


Letícia a olhou pelo espelho como se fosse um bicho que falava coisas sem noções.


—Como vou para o trabalho assim? E se eu perder o emprego? Eu só podia ainda estar bêbada ao concordar com isso.


O cabelereiro, amigo de Aurora, saiu e voltando trouxe consigo uma peruca negra fazendo as duas pararem de discutir.


—Com isso meus amores, tudo está resolvido.


Ajeitou com cuidado colocando-a apenas por cima dos novos cabelos vermelhos de Letícia, a peruca preta. Letícia revirou os olhos, mas se calou.


...


Aurora olhou as casas correndo pela janela do táxi. —Está quase na hora e, tudo deu certo.


Letícia suspirou, estava a viagem em silêncio pensando. No começo aceitou porque pensou que poderia se mostrar mais doida que sua irmã, mas já havia caído em si, tudo era loucura demais.


—Por que você não fala a verdade?


—Já expliquei tudo ontem. –Se sentiu irritada de repente.


 Letícia suspirou. —E se ele descobrir que foi enganado? Acha que irá te querer?


—Tudo isso é pelo amor. No amor e na guerra vale tudo. Olha o que eu estou fazendo por ele, loucuras de amor. Ele pode se chatear, mas vai entender.


—Não é assim que...


—Você não entende nada, só namorou uma vez e no ensino médio. Não soube de outros namorados seus. Só que perdeu a virgindade com ele.


Letícia sentiu seu ser ebolir em raiva. Fora sua pior decisão, e tudo porque todos faziam o que sua irmã mandava, exatamente porque ela não era mais virgem. Havia sido idiota antigamente, mas hoje não seria. Tudo isso era pelo carro, sabia que daria errado, mas se sua irmã queria continuar com isso ela que sofresse as consequências. Não falaria mais nada.


—Olha, desculpa, mas é que eu amo muito ele.


Letícia parou de olhar pela janela e a olhou. —Tudo bem. -Disse, mas pensou em continuar tudo para que ela quebrasse a cara como previa. Isso sempre acontecia.


—Não teve outros namorados?


—Caro que tive, na faculdade.


—E o Romeu?


—Esquece ele. Ele se acha demais- nossa. Só vou lá quando não posso ir no teatro e por causa do piano. Ele quer me dá aula e eu só queria sentir a música.


...


Ela respirou fundo, tinha que manter a calma e, sua irmã tinha razão, Rafael era muito mais bonito bem de perto.


—Sua apresentação foi maravilhosa. Você foi magnifica ontem á noite. –Ele se aproximou dela e a olhou nos olhos.


Puta que pariu- Xingou Letícia sentindo ele tão perto e, tocando-a.


—Além de tocar bem, você ontem tocou bem melhor. Alguns amigos disseram que você passeava no comum, mas ontem você os surpreendeu. Eles não pararam de elogiar. Você tem uma voz linda, um dom incrível.


Ela engoliu a seco, sentia vontade de sair correndo e como não podia falar já que sua voz era doce e calma e a de sua irmã bem mais forte, apenas sussurrou. —Obrigada.


—Por quanto tempo você me esconderia sua voz? –Indagou sorrindo e Letícia se sentiu hipnotizada por sua beleza por alguns segundos. O plano de sua irmã era fazer ele se apaixonar por ela e por incrível que pareça estava dando certo. Para sua irmã tudo dava certo. Ela deu de ombros sorrindo gentilmente.


Rafael a tocou no queixo fitando-a. Sua irmã estava certa, um clima estava rolando, ela podia sentir toda a tensão, e era uma coisa que lhe dava vontade de sair correndo. —Você é encantadora. –Dito isso ele virou de costas se afastando. —Eu disse que aumentaria seu cache. Dinheiro não é problema.


Ela revirou os olhos e forçou um sorriso quando ele se virou a olhando e se encostando em sua mesa.


—E sua noiva? Como está? –Sorria com cinismo.


Ele a encarou por alguns segundos, sua voz estava estranha, parecia falar sussurrando, fora a pergunta incomum. Disfarçou e logo sorriu. —Bem longe, em Londres. Já viajou para lá?


Letícia segurou sua raiva, não podia se deixar levar, nada de falar. Negou com a cabeça e um barulho na porta os fez olhar para trás.


—E a sua vez Aurora. –Disse a voz masculina.


Ela agradeceu internamente e saiu dali. Estava com medo de como a conversa terminaria.


Caminhou pelo palco olhando para as mesas, e diferente da noite anterior, seu chefe não estava presente ali. Se sentou ajeitando seu vestido longo e fino de cor azul bebê e começou a tocar. Sentia saudades de tocar para um público e por mais que sentisse nervosismo e ansiedade adorava toda a explosão que sentia, parecia preencher o amor não correspondido, fazia ela esquecer de tudo e ao mesmo tempo ter tudo, porque naquele momento não precisava de nada a mais.


A findar de um bom tempo sentada ali ela terminou agradecendo e se retirando direto para o banheiro, Aurora estava lá e o trancando começaram a se despir.


—O que ele falou? O que ficaram conversando no escritório dele?


Ela virou de costas para que sua irmã abrisse o vestido. —Bem... Ele falou sobre um aumento.


—Você precisa fazer uma dietinha básica, eu sou mais magra.


—Se quiser uma cópia perfeita tira xérox. -Retrucou irritada com o vestido que não queria sair. Para sua raiva, sua irmã tinha razão.


—Depois diz que eu sou grossa.


—É o convívio, a cor do cabelo e tudo isso. –Tirou o vestido e ajudou sua irmã a vestir.


—Você tinha razão, pinta um clima estranho.


Aurora se virou. —Sério? Você também notou? Como assim estranho?


—Sei lá, senti vontade de sair correndo. –Fez careta fechando facilmente o vestido em Aurora. Teria mesmo que fazer um regime, nem havia notado que engordara.


—Não entendo. Mas essa não é a primeira vez.


—Ele me elogiou bastante e eu perguntei sobre a noiva dele. Ele me falou que tinha muito dinheiro, eu não entendi e agi por impulso.


— Você falou? E como assim perguntou sobre a noiva? Não é pra acabar com qualquer clima e sim criar e estender ele. Aff, Lety.


— Não reclama, a ideia foi sua.


—Põe sua peruca.


—Ok.


—Já vai pra casa?


—Vou. Estou cansada demais.


—Não vai ficar e paquerar alguém?


Letícia revirou os olhos. —Não.


—Você quem sabe.


—E por favor não vai fazer besteira. Atraia ele primeiro, não se jogue se não ele vai brincar contigo e ir embora.


—Não sei como sabe disso.


—Eu nasci primeiro... Não é preciso ser uma gênia para saber isso. Olhando se nota.


—Tudo bem, quando chegar em casa te dou o dinheiro que vou receber.


—Tudo bem disse ajeitando a peruca e pegando sua bolsa. —Tchau. —Respondeu e quando se virou Aurora já tinha ido embora. Estava falando sozinha. 



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