História Amor proibido - Capítulo 33


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Categorias Harry Potter
Personagens Alastor Moody, Alvo Dumbledore, Blásio Zabini, Cedrico Diggory, Draco Malfoy, Fleur Delacour, Gina Weasley, Gregory Goyle, Harry Potter, Hermione Granger, Lucius Malfoy, Luna Lovegood, Narcissa Black Malfoy, Pansy Parkinson, Personagens Originais, Rita Skeeter, Ronald Weasley, Rúbeo Hagrid, Severo Snape, Viktor Krum, Vincent Crabbe
Tags Amizade, Bulimia, Bullying, Draco Malfoy, Draco X Oc, Durmstrang, Escola De Magia, Fantasia, Harry Potter, Hogwarts, Magia, Romance, Suícidio, Superação, Viviane
Visualizações 39
Palavras 4.408
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi leitores!
Eu vim postar como prometi, o tal capítulo, antes de partir para o Japão (3 semaninhas).
Eu pensei em juntar a parte da Viviane com a do Draco, mas ficava muito grande, então aqui está a parte do Draco, escreverei e postarei narração da Viviane no próximo cap (afinal, vocês devem querer saber mais sobre as Alseídes agora que as mencionei no cap passado... e o Google não diz tudo ;3).

Capítulo 33 - O que ocorre à noite em Durmstrang


Fanfic / Fanfiction Amor proibido - Capítulo 33 - O que ocorre à noite em Durmstrang

Estudar em Durmstrang tinha as suas partes boas e as suas partes más, como facilmente pude verificar ao fim de apenas uma semana.

As rígidas regras faziam-me sentir oprimido. Acordar às 5h da manhã ainda me era duro, mas ainda esperava vir a adaptar-me ao regime madrugador no futuro.

Em todo o castelo reinava um quase permanente silêncio, as pessoas falavam baixo, não corriam, não riam com frequência. O ambiente pesado e sério apenas se dissipava quando se ultrapassava o portão e se adentrava nos vastos campos, que era aonde a maioria dos alunos passava o tempo.

O clima era frio, muitos sofriam com saudades do sol. Nisso tenho sorte, que não me faz falta um clima solarengo. Ademais, também muito chove em Inglaterra.

Já tivera que andar a pôr pomada nas minhas mãos, para cuidar dos ferimentos, bolhas e calos causados pelo trabalho árduo. Ainda se me escaldavam as orelhas quando me mandavam esfregar panelas e sacudir as tapeçarias nas janelas. Sentia-me um autêntico empregadote e a minha única consolação era que, como todos eram obrigados a fazer o mesmo, não podíamos troçar uns dos outros. Claro que sempre havia quem se armava em espertalhão e preguiçava, escondendo-se nas horas que devíamos dedicar a limpar o castelo e cozinhar as refeições. Senti-me tentado a fazer o mesmo, mas quando soube do castigo que aplicavam a quem apanhassem a fazer isso desisti logo da ideia. Além de lançarem sobre os ombros do infractor o dobro das tarefas, ainda o obrigavam a comer por utensílios sujos e a dormir durante muito tempo nos mesmos lençóis não lavados.

Não desgostei das aulas de luta, elas superaram as minhas expectativas. Como estava numa turma de primeiranistas, levava sobre eles certa vantagem física e nunca apanhei aquela temida sova. A aula tinha a duração de duas horas e deixava-me todo partido, os músculos feitos gelatina. Flexões, abdominais, e todo o tipo de alongamentos precediam os confrontos. Aproveitava todo esse desporto para desanuviar a cabeça e descarregar a raiva das frustrações do dia-a-dia. Coisas como saudades, por exemplo. Da minha mãe, de Blaise e, claro, de Viviane. E a exaustão do corpo curou-me as insónias.

Nos vestiários, findas essas brutas lições, conseguia perceber que um e outro aluno mais franzino e sensível continha as lágrimas. Ou porque o orgulho lhe ficara ferido com uma derrota ou porque não suportava sentir os braços cheios de nódoas negras. Mas nunca choravam. Porque tinham medo dos mais velhos, e porque queriam tornar-se homens corpulentos e fortes.

A disciplina de Alquimia fazia-me lembrar Poções. As aulas eram realizadas também nas masmorras e utilizávamos muitos ingredientes e químicos. O nosso objectivo era transformar algumas coisas noutras, mas ainda não tivera a oportunidade de experimentar nenhum aparelho. A professora disse-me que, antes de me deixar praticar, teria que ler o manual teórico “Da pedra ao ouro” até à página cento e cinco, uma vez que a matéria fora dada até aí. Que preguiça de ler tudo aquilo, menos mal que o livro tinha ilustrações.

Por fim, havia Artes das Trevas, de todas as três novas temáticas a que mais me chamara a atenção. De facto, apaixonara-me pela disciplina. Desde pequeno que sempre ouvira menções a algumas maldições bastante cruéis, o meu pai não se acanhava em falar delas à mesa, na minha frente. E uma das coisas que mais lamentara, ao ir para Hogwarts, era que não seria capaz de aprofundar o meu conhecimento sobre estas. A minha sorte havia mudado. Claro que os alunos mais velhos logo cuidaram de me avisar que os primeiranistas só recebiam aulas teóricas, mas, mesmo assim, foi com prazerosa ansiedade que entrei na minha primeira lição, numa quinta-feira à tarde.

A sala era iluminada e espaçosa, nada parecida ao que eu imaginara. Sentei-me na quarta carteira, na fila junto à janela. Não escolhera o meu lugar, sentávamo-nos por ordem alfabética em todas as aulas.

O professor entrou na sala, sentou-se sobre a carteira descontraidamente e sondou a sala, procurando por cadeiras vazias. Ele era jovem, não teria mais que trinta anos, e era relativamente atraente. Tive a certeza que pelo uma das garotas naquela escola deveria ter uma paixoneta por ele. O cabelo castanho fora cortado estilo militar, era uma norma tanto para alunos como para professores e outros funcionários. Infelizmente, até eu tivera que cortar o meu cabelo e não conseguia passar pelo espelho sem parar para ver o meu reflexo e pasmar em como estava diferente com aquele corte de cabelo tão curto. Os olhos cinzentos do professor cruzaram-se com os meus:

- Oh, deves ser o aluno que foi transferido de Hogwarts. – Supôs, ao que eu revirei os olhos. Quem mais haveria eu de ser? Torci para que ele não me mandasse apresentar na frente de todas aquelas crianças. Era tão infantil. Para meu alívio apenas se aproximou da minha carteira e disse: - Draco Malfoy, não é? Sou Daemon Eagle. – Inclinou-se sobre a mesa e colocou nela o antebraço do braço direito. – Vamos… - Incitou. – Cruza o teu braço no meu, que vamos fazer um voto inquebrável. Gosto de garantir que os meus alunos nunca falham nos exames, então faço-os jurar com a vida. – Tinha na cara uma expressão tão séria que, se eu fosse mais novo, teria acreditado naquelas palavras. Mas eu não era tão ingénuo que fosse cair naquela armadilha.

Ao ver que eu não reagia, Daemon afastou-se e coçou o queixo, cavado em forma de coração.

- É sempre difícil enganar os mais velhos… - Murmurou para si mesmo, desiludido. Conformou-se com o seu falhanço e foi buscar um papel à secretária que me entregou de seguida. Li-o na diagonal, percebi que era um termo de responsabilidade. Em como me comprometia a não usar os ensinamentos daquelas aulas para qualquer fim maligno. As punições chegavam a ser tão severas que mesmo menores de idade eram passíveis de ser presos. Procurei a linha onde deveria assinar, mas não a encontrei. Daemon, então, estendeu-me uma agulha.

- É assinado com uma gota de sangue, desta vez não estou a brincar. É para o caso de no futuro quereres mudar de identidade. Qualquer um pode alterar o seu nome, mas o sangue que lhe corre nas veias é para a vida toda. – Primeiro acreditei que era outra partida. Porém, o professor tinha-me abandonado com o papel e com o farpão e principiou a lição.

- Quem me quer dizer como terminou a última lição? O que eu disse que íamos fazer hoje?

Um aluno na fila de trás levantou a mão. Eagle concedeu-lhe permissão para falar.

- O senhor professor prometeu-nos que ia fazer uma demonstração de magia negra. Não vai voltar com a sua palavra atrás, vai? – E todos os alunos se remexeram nas cadeiras, ansiosos e com os olhos brilhantes. Eu mesmo me espantei. Aquele homem ia realmente praticar magia negra na frente de crianças? Ousaria tanto?

Piquei o meu indicador e deixei uma gota de sangue salpicar o termo de responsabilidade, sempre atento à conversa que se desenrolava à minha frente.

- Ah, bem lembrado, mister Miller. E bem vejo como todos estão tão excitados com a demonstração. Não, não vou voltar com a minha palavra atrás, já sabem que nunca descumpro o que prometo. Que entre a cobaia, senhorita Stone.

A professora de Alquimia entrou acanhada na sala. O seu olhar queimava Daemon Eagle, que provavelmente a metera naquela embrulhada contra a sua vontade. E não era de admirar. Quem era louco de querer ser vítima de Magia Negra?

- Deixa-te de teatro, seu estúpido! – Cortou Stone, azeda, mas via-se que era próxima o suficiente do outro professor para lhe ser cúmplice. As crianças, ao ouvirem os dois adultos picarem-se daquela forma riram, escondendo as caras por detrás dos cadernos porque tinham medo de ser repreendidas.

Ela retirou a varinha das vestes e apontou-a ao professor. Inclinei-me inconscientemente para melhor poder ver e ouvir. E todos naquela sala fizeram o mesmo.

- Expecto Patronum! – Um vapor branco azulado brilhante como a luz saiu da ponta da varinha da professora e condensou-se para formar uma raposa. Várias exclamações de enternecimento foram ouvidas aqui e ali. Era a primeira vez que a maioria daqueles alunos viam um Patronus na vida. Eu já conhecia o feitiço, embora o não conseguisse executar. O Potter lançara-mo nas fuças uma vez, não foi agradável.

- Finite Patronum – Gritou Daemon por sua vez e imediatamente o Patronus da professora de Alquimia explodiu em mil pedaços.

Uau, eu não imaginava que havia um contra feitiço para o Patronus. E, mesmo que o adivinhasse, nunca imaginaria que se tratava de magia negra.

- Foi só isso? – Uma rapariga perguntou, tão desapontada que se esquecera de levantar o braço. Via-se que o instrutor era enturmado com os alunos, de contrário já a teria repreendido com rispidez por falar sem permissão.

- Sei que vocês esperavam sangue, tripas para fora e chagas feias, mas acreditem quando digo que iriam odiar se eu vos tivesse mostrado isso, embora agora vos possa parecer que não. Não é bonito! Não é como na ficção! Muitos de vocês ficariam traumatizados para a vida.

Miller levantou novamente a mão, era o mais participativo de todos aqueles miúdos.

- Mas, professor, aquilo era mesmo magia negra?

- Estão a esquecer-se dos que vos falei na primeira aula? Magia negra é tudo aquilo que só pode ser utilizado para causar mal. Com um Diffindo podem cortar tanto uma planta daninha numa horta, quanto a pele de uma pessoa. Mas com um Artériuns só rasgam seres vivos. Nem ao menos podem usá-lo para outros fins. Um Finite Patronum serve apenas para destruir um Patronus e isso nunca é algo bom. Hoje, agora, foi completamente inofensivo, mas foi somente porque a vossa professora não estava em perigo. Porque se estivesse tê-la-ia condenado. Perceberão isso quando forem mais velhos.

O discurso do professor fascinou-me e intrigou-me. Ele é totalmente contra o uso da Magia Negra. Então, porque a ensina? Como é capaz de usar algo que abomina?

- Obrigada, adorável Susan! – Daemon beijou a mão da professora. – Foi uma cobaia perfeita. – A mulher deu-lhe um discreto soco no ombro e foi-se embora, com uma palavra de despedida aos alunos e toda encarnada. O professor sorriu e esfregou as mãos. – Posto isto, vamos começar a falar sobre o real assunto da aula. Que é a vida de um feiticeiro das trevas chamado Hamurabi, que viveu na China Antiga.

E então começou a explicar quem fora aquele feiticeiro, como se estivesse a narrar um conto. Disse que ele criara um feitiço que ficou conhecido para a história como “Hamurabi sentence”. Devido a um monte de infelicidades que lhe tinham acontecido em vida, cresceu amargurado. E, como era um dos bruxos mais vingativos que já pisara a Terra, e um génio, inventou aquele feitiço complicado que o deixou famoso. Uma pessoa amaldiçoada não podia fazer maldades, ou iria pagar por elas, olho por olho, dente por dente. Se cortava o braço a uma pessoa, imediatamente o seu era também decepado por magia. O contrário não sucedia, se a pessoa fizesse boas acções, não era recompensada. É por isso que o feitiço foi classificado como Magia Negra. Hamurabi nunca contou a ninguém como realizava o feitiço, quais eram as palavras que se deviam enunciar. E, como nunca ninguém as ouvira vir da sua boca (ele amaldiçoava sempre as pessoas sem elas se aperceberem), a obra negra que criara perdeu-se com a sua morte.

Os minutos passaram a voar. Quando a aula terminou ninguém tinha vontade de deixar a sala. Tinham imensas dúvidas.

- Esclarecimentos para a semana! Todos a ir para o intervalo agora, vá, antes que vos lance a todos uma maldição! – Resmungando, os alunos começaram a arrumar os livros e a arrastarem-se para a saída da divisão.

Embora Daemon tivesse sido claro quando dissera que só responderia a dúvidas na semana seguinte, morria de vontade de lhe perguntar algo. Por isso abeirei-me da sua secretária. Bufou de impaciência, estava com pressa.

- Desculpe, mas eu queria esclarecer algo… mas fora do alcance dos ouvidos deles. – E num gesto mostrei as carteiras vazias, indicando que me referia aos estudantes mais novos. – É que… se é do bem… porque ensina e usa Magia Negra? É como alguém que não gosta de matar andar por aí a assassinar, não? Contra a sua Natureza.

As sobrancelhas de Daemon desceram sobre os olhos, parecia pensar em como havia de me responder. Temi que me mentisse.

- Sabes, há quem discorde, mas eu acho que às vezes para se combater o mal é preciso saber praticá-lo e não só sabermos defender-nos dele. O mundo precisa de anjinhos, mas também precisa de gente cinza.

- Gente cinza? – Repeti, sem entender.

- Sim, gente cinza, que sabe beber, ou até mesmo que bebeu, do mal mas que quer fazer o bem! Às vezes, compreendem coisas que quem faz só o bem não compreende. – E então mandou-me embora.

Saí da sala, cheio de dúvidas acerca daquela gente cinza.

 

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Alexander torcia-se todo na sua cama, ardia em febre e agonizava com uma doença qualquer que eu não conhecia e nem ele ma sabia explicar. Já no dia anterior tivera dificuldades em assistir às aulas, mas quando o fora acordar, naquela sexta de manhã, não se conseguira levantar. Não duvidava pois, agora, do que ele me dissera quando nos tínhamos conhecido. O rapaz tinha mesmo uma saúde frágil, embora se apresentasse cheio de energia e nata alegria quando os vírus o não amarravam ao leito.

- Ei, Alex, estás melhor? – Perguntei, ao chegar ao dormitório aquela noite e vendo que ainda jazia deitado. Tinha um balde com água ao lado, onde molhava de vez em quando um pano, para o pôr na cabeça, na tentativa de baixar a febre.

Levantou para mim uns olhos de bambi tristes e avermelhados e fez que não com a cabeça. A sua respiração estava tão ruidosa que se eu subisse para a minha cama iria conseguir ouvi-la por debaixo de mim, como o roncar de um motor.

- Draco, se eu morrer deixo-te a minha casa! – Gemeu ele, dramaticamente, procurando uma poção curativa na sua mala. Tinha tantas, e todas sem rótulo, que me perguntei como ele conseguia não confundi-las. Então supus que estava familiarizado com elas desde a infância. Para ele, distinguir um remédio para a tosse de um anti alergénico era como distinguir arroz de alface.

- Cala-te, não vais nada morrer! Trouxe-te sopa! – E pousei-lhe uma tigela de caldo de galinha no colo. Alex devorou-a sofregamente, estava faminto porque não comia desde o almoço. – Vê mas é se te curas que me sinto uma enfermeira!

Alex achou graça às minhas reclamações porque um sorriso lhe veio aos lábios. Mas logo esse sorriso murchou quando viu entrar Patrick no dormitório. O mais velho realmente decidira marcar Alexander como alvo desde aquele dia em que eu o havia denunciado a um xerife como infractor das regras por ter um tatuagem com o símbolo de Grindelwald no peito. A denúncia não levara a lado nenhum, apenas causara sofrimento ao meu pobre companheiro de cama, uma vez que Patrick achava que fora ele que fora “abrir a boca”. Desde esse dia o grandalhão como que atara uma trela ao pescoço da sua vítima. Obrigava-o a fazer tudo o que ele queria, humilhava-o, e quase todas as noites o vinha buscar, por motivos que me eram desconhecidos. Tentara pressionar Alexander a me contar para onde Patrick o mandava à noite, mas o rapaz não quis dizer-me.

Vivia atormentado pela culpa de ter sido o causador de toda aquela desgraça. Além disso, pesadelos vieram substituir-me as insónias. Eram todos sobre aquele segundo ano em Hogwarts, quando eu fizera de Viviane minha elfa. Não conseguia evitar comparar-me com Patrick e comparar Viviane a Alexander. E sentia-me duplamente mal. Evidentemente que eu nunca batera na menina nem nunca isso me passara pela cabeça, enquanto que Patrick não se importava de descer a mão sobre o pelo de Alexander e de tal forma que ele tinha até marcas nas costas, mas mesmo assim…

E então pensei nos elfos domésticos e em como o meu pai os agredia com a bengala pelo mais mínimo erro ou mesmo só para se divertir. Adiantaria conversar com ele acerca disso? Já me agoniava tanta violência à minha volta. Mas não, falar com Lucius Malfoy para quê? Ainda me punha era junto deles e levávamos todos com a bengala. Não é algo a que esteja desabituado, na verdade, mas pelo menos o ato de me bater faz parte da minha educação. O meu pai não acorda de manhã e diz “Draco, vem cá, que hoje apetece-me maltratar alguém”. Não, os elfos é têm esse papel, são como sacos de porrada de pele e osso.

- Veado! Levanta-te que tens de me fazer mais daqueles favorzinhos! – Anunciou Patrick.

- Ele está doente! – Avisei e sentei-me na cama de Alexander como se o cobrir da vista do outro fosse ajudar alguma coisa. – Sê razoável. Alex não consegue nem estar de pé.

- “Sê razoável” – Imitou-me o brutamontes, numa vozinha fina. – Sai-me da frente, que vais ver se ele não fica logo de pé assim que lhe deitar a mão à gola. É mariquices dele, não estás a ver, ó filhinho do papai?

Olhei para Alexander de esguelha. Tremia, de medo e de febre.

- O que… que favor é esse que ele tem que fazer? – Perguntei, tentando ganhar tempo.

- Não tens nada que ver com isso!

- Não pode ser adiado? – Vi Patrick avançar na direcção do nosso beliche a passos largos, dando pontapés às malas dos colegas que se atravessavam no seu caminho. Antes que pudesse conter-me as palavras saíram da minha boca: - Eu posso fazer o tal favorzinho? – Arrependi-me quase de imediato. Eu metera-me às cegas numa cova de lobo. O que quer que fosse que Patrick obrigava Alexander a fazer não era com certeza coisa boa. Ele insiste tanto em chamar o outro de veadinho, bichinha, será que…

Afastei aqueles pensamentos da minha cabeça, não podia entrar em pânico. E com certeza o quadro não é tão negro quanto o pinto. Patrick arregalou os olhos cor de turquesa, espantado com o meu atrevimento:

- E achas que és capaz, engomadinho?

- Depende do que for? – Quase murmurei e pus-me a pedir a Merlin e a Morgana que Patrick não quisesse nada de sexual. Se andava a prostituir Alexander por aí, antes preferia ir atirar-me a um lago que lhe ocupar o desgraçado lugar.

Patrick olhou ao redor. O dormitório estava deserto.

- Pois bem, eu recebo uns presentinhos lá de fora, às vezes. E tipo, aos outros rapazes é fácil vender-lhes as cenas, encontro-os no banho, nos vestiários… Contudo, é demasiado arriscado fazer trocas com as meninas em plena luz do dia e nos corredores. E como não quero arriscar a pele indo até ao dormitório delas de noite, incumbo os novatos de tal.

- É só isso? Queres que eu lhes vá vender droga? É isso que o Alex tem vindo a fazer todas as noites, a servir-te de mula de carga?

Patrick riu.

- Só? Dizes só porque não sabes como punem os drogados! Vieste de Hogwarts onde tudo são flores e borboletinhas, mas não aguentavas uma noite aqui de castigo. Gritavas o tempo todo pelo paizinho!

Engoli em seco imaginando chicotes, correntes e instrumentos de tortura da Idade Média. E, embora eu soubesse que a minha imaginação estava a transbordar os limites da realidade, tinha a certeza de que não iria gostar de sofrer o tal castigo. Lancei mais um olhar a Alexander, ele estava tão quieto que nem parecia respirar.

- Dá-me essas merdas, então! – Retorqui bruscamente. – E não vou ser apanhado. Se o Alexander, que é barulhento como um cervo, conseguiu passar despercebido este tempo todo então eles não me verão nem a sombra.

- Ó bichinha, agradece ao teu namoradinho, que hoje vais poder dormir! E tu – Apontou para mim. - Vai ter à sala comum à meia noite em ponto. Fazes-me esperar, estalo-te os dedos, um por cada minuto que me deixares na seca. – E foi-se embora.

Alexander abraçou-me, quase me sufocando. Estrebuchei até ele me largar e pus-me a ajeitar o uniforme que ele me desalinhara.

- Menos mel! – Reclamei. – Só vou fazer isto porque estás doente. Ias atrair todos os patrulhadores com essa tua respiração fantasmagórica e tosse cavernosa. E mal fiques curado voltas a entender-te com ele. – Bufei exasperado. Para quem não queria meter-se na confusão…

Às cinco para a meia noite desci do beliche. Não tinha dormido nada, mas isso não importava. Não tinha muito sono, de qualquer dos modos. Esgueirei-me silenciosamente até à lareira apagada e fiquei ali de pé, esperando Patrick. Estava tão escuro que não lhe vi as feições, mas reconheci-o pelo vulto musculado. Passou-me uma caixa branca e selada com cola para as mãos e deu-me um empurrão nas costas que me fez tropeçar nos próprios pés.

Apesar de ter passado toda a semana no castelo e, como tal, já ter tido tempo de o explorar, ainda caminhava a passos hesitantes. Os corredores eram muito diferentes sem a luz a embater neles. E Durmstrang era terrivelmente escura à noite. Tinha medo de tropeçar em algo ou embater em alguém por acidente. A parte boa é que para se chegar ao dormitório feminino só é necessário atravessar um corredor. É impossível perder-me. A parte má é que fica localizado no outro lado do castelo. É um longo caminho, sempre na mesma direcção.

Lá ia eu, com a caixa apertada contra o peito e o coração aos pulos. Saltei de susto quando ouvi passos a aproximar-se. Pensei em fugir pelo caminho de onde viera mas se me pusesse a correr iriam ouvir-me. E nada me garantia que não havia ninguém à minha retaguarda. Espremi-me contra a parede e deslizei para trás de uma tapeçaria. A luz de um lampião cruzou o corredor. “Por favor, que não me vejam os pés, que não me vejam os pés”. Estava tão tenso que sentia o coração a ser empurrado garganta acima com a contracção dos meus músculos.

Quando o patrulhador já estava distante, atrevi-me e deixar o meu esconderijo. Sentia-me tão leve de alívio que mais me pareceu que voei o restante do percurso. Cheguei em frente da porta, de madeira branca e decorada com uma flor prateada. Tentei ouvir o que se passava no interior da sala comum delas. Ouvi vozes sussurradas e gargalhadas discretas.

Bati na porta devagarinho e esperei. Quem me abriu a porta foi a tal ruiva que eu abordara no meu primeiro dia de aulas em Durmstrang, nas cozinhas. Ela apoiou-se no batente da porta, de braços cruzados, e ficou a olhar para mim dali, reconhecendo-me. Estava com uma camisa de noite rendada, vermelha, e provavelmente de marca. Tinha tirado a rede do cabelo, os cachos ruivos desalinhados desciam-lhe até à cintura delgada. Tentei, por educação, desviar os olhos das pernas dela.

- Hã… eu… vim trazer isto! – E estendi a caixa. A mulher tinha um provocativo sorriso nos lábios carnudos, vermelhos da cor da sua roupa de dormir. Pegou a caixa, com lentidão suficiente para permitir que os nossos olhos se cruzassem.

- Onde está Alex? – Perguntou uma outra rapariga, que estava estendida ao comprido num sofá. Outras alunas haviam espalhado almofadas pelo chão e repousavam ali, naquela familiar reunião.

- Está doente. Vim no lugar dele. – A ruiva abriu a caixa e verificou se o que ela queria estava no interior. Atirou-a para as mãos de uma das colegas atrás dela e enfiou a mão no soutien, procurando o dinheiro que eu teria que ir entregar a Patrick mal o voltasse a encontrar.

- Entra, então, loirinho! A gente até te deixa provar um bocadinho! – Convidou aquela que estava esparramada na poltrona. Referia-se às drogas, claro. Mas não me apetecia nada ficar ali, rodeado daquelas beldades femininas e do fumo que logo se ergueria no espaço. Sentia-me bastante embaraçado. Elas eram todas mais velhas que eu e, ademais, nem sequer lhes sabia os nomes.

- Não, obrigado. Tenho que ir embora.

- Sozinho? – Escandalizou-se a ruiva. - Mas não, ainda te apanham. Aposto que passaste em frente à escadaria e ao portão principal. Não sei como não te viram, é muito movimentado lá. Mas eu conheço passagens que permitem fugir desses lugares. – Por um lado não me apetecia ficar sozinho com aquela mulher, que trajava um vestido de noite curto e que me estava claramente a tentar seduzir, mas por outro queria saber acerca daquelas passagens secretas. E poderia mais tarde relatar a existência destas a Alexander. O rapaz não correria, assim, tanto risco.

Voltei, portanto, acompanhado. Suava de nervosismo. Puxei o colarinho do uniforme e evitei encará-la durante todo o caminho. Quando me deixou à porta do dormitório, conseguiu finalmente arrancar-me o que queria desde aquele dia nas cozinhas.

- Obrigada… como é o teu nome? – A minha boca falou por mim.

- Catelyn Vanders! Cat para os íntimos! Boa noite, Draco. – E beijou-me o rosto fugazmente. Fiquei todo vermelho. Nem lhe respondi nada. E ela lá se foi, correndo para longe no seu vestido de noite da cor da minha cara.

Zonzo, voltei a entrar no dormitório. Procurei Patrick mas não o vi de imediato, então pensei em voltar para a cama e entregar-lhe o dinheiro mal o sol raiasse.

Arquejei de susto quando senti alguém prensar-me contra a parede. As minhas costelas rasparam nas pedras, os arranhões provocados pela fricção arderam. Patrick segurava-me pelos ombros, impedindo-me qualquer movimento. Tinha as pupilas dilatadas de fúria e os traços do rosto vincados indicavam uma tempestade na sua mente.

- Que foi aquilo que eu vi, foda-se? Arma-te muito em galã, riquinho, que te rasgo todo. Fode as putinhas que quiseres, mas fica longe da Cat! – Rosnou. – E passa-me o dinheiro antes que  me aborreça.

Apressei-me a tirar os galeões que tinha recebido do bolso e passei-lhos. A visão das moedas sossegou Patrick, mas os seus músculos ainda estavam todos tensos. E que músculos… se perde o controlo e me resolve bater…

Decidi logo que não mais me voltaria a aproximar de Catelyn. Não vale a pena receber dos seus afagos se depois me parto todo. Além disso… ela não é o meu tipo.

“Claro, Draco, como se tivesses um tipo…” Volveu a minha mente trocista.

Sonhei com Viviane o resto da noite.


Notas Finais


Magia Negra sempre foi uma disciplina que me fascinou, devo admitir.
E como nunca a vi ser explorada, aqui está um pouco dela!
Não inventei feitiços nenhuns, eu pesquisei, foram criados por fãs, RPG, parece-me. Achei que seria mais interessante se eu usasse feitiços "reais".
Aqui está onde podem ir para saber mais sobre o assunto: http://potterrpg.ativo-forum.com/t20-feiticos-arte-das-trevas-avancados
Tem uma listinha de feitiços macabros <3
Daemon Eagle é um professor fixe.
Escolho chamá-lo Daemon por que parece "Demónio" e achei que podia usar desta ironia. Eagle veio-me à cabeça por causa de uma banda de rock clássico, os Eagles.

Bom, o Draco deixou o Alexander ser acusado no lugar dele, mas ao menos teve a decência de o proteger quando ficou doente.
Agora imaginem só a cena, o Draco na frente do dormitório feminino, com a ruiva semi nua na frente dele e as outras todas lá atrás a chamarem-no para ir tomar drogas com elas.
Deu para sentir o quanto ele estava desconfortável daqui!
Catelyn foi um nome que veio da protagonistas dos dois primeiros livros de uma das minhas sagas favoritas "Saga das Pedras Mágicas".

Enfim, espero que tenham gostado. Teorias sobre o que acontecerá a Draco em Durmstrang no futuro?
Da Viviane falaremos no cap seguinte. Tchau!

Música capitular: Teenagers (My Chemical Romance)


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