História Amor Secreto - Capítulo 4


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Categorias 50 Tons de Cinza
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Palavras 1.847
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Capítulo 4


Silvia imaginou-se nos braços daquele homem, entregando-se a ele como sua esposa. A imagem vivida a chocou e amedrontou. Já fazia muito tempo que não se relacionava intimamente com um homem, e Jorge Salinas era bem diferente dos seus amores de adolescente.

— Não me casarei, senhor Salinas.

— Novamente, você quer dizer. Nunca se casará novamente.

Ela sentiu o sangue gelar, parada na beira do canteiro, os olhos fixos no relógio de sol. Será que ele sabia?

— Você já foi casada, quando ainda era adolescente. Ele era inglês, seis anos mais velho do que você. Creio que o conheceu em Paris. Era pintor também, não?

Ela voltou-se lentamente, os olhos arregalados de espanto ao ver que ele conhecia detalhes de seu passado. O que mais saberia? O que mais lhe haviam contado?

— Não pretendo falar sobre ele e nem sobre o casamento — respondeu baixinho.

Casar-se com Gerardo fora um erro desastroso.

— Seu pai disse que ele estava atrás da sua fortuna.

— E você, não?

Faíscas saltaram dos olhos escuros de Jorge. Sílvia percebeu que não seria fácil manipular aquele homem. Ele a envolveu com os braços e ela teve de inclinar a cabeça para trás para fitá-lo nos olhos. Sentiu uma contração no estômago. Ele era alto, muito mais alto do que ela. E forte, com peito largo e braços musculosos que preenchiam as mangas do paletó. Sílvia estava à beira de um ataque nervoso. Sentiu distintamente que estava em desvantagem e buscou. algo, qualquer coisa em que pudesse se apoiar novamente.

— Um grego que se preze não gosta de ser o segundo marido.

— Já deixei claro que não sou um. grego tradicional. Faço o que quero e à minha maneira.

(.... )

Então, ocorreu subitamente a Sivia que os dois poderiam representar um papel. Tudo o que tinha a fazer era pensar como um homem. Jorge Salinas a desejava como meio de conseguir o que queria. Iria se casar com ela para alcançar seu objetivo. Nada daquilo tinha a ver com amor ou emoções. Era somente uma transação, nada mais. Por que ela não poderia encarar o casamento da mesma forma? Ele queria seu dote, ela queria a independência. Ele queria uma aliança com a família Navarro, ela queria se libertar do pai.

Observou-o novamente, pesando os prós e os contras. Alto, forte, ele transbordava autoridade. Por que não poderia se casar com ele e depois escapar? Não seria mais

Sílvia Navarro, a pobre menina rica, mas uma mulher comum, com sonhos comuns. Tais como uma pequena casa no campo. Uma horta e um pomar de macieiras. Observou mais uma vez o perfil forte de Jorge, notando o nariz reto, o contorno do rosto, as mandíbulas fortes e barbeadas. Parecia menos cruel e mais determinado. Passivo e não agressivo. Se depois de casada fugisse dele, o que ele faria? Sairia à sua procura? Silvia duvidava. Ele era muito orgulhoso para isso. Provavelmente, esperaria algum tempo, depois anularia o casamento. Homens como Jorge não gostavam de expor seus fracassos. Ele voltou-se para ela.

— Todos pensam que você já se casou comigo.

— Como?

Abrindo o paletó, ele tirou uma página de jornal do bolso interno e a entregou para ela. Sem saber o que iria encontrar, Silva desdobrou a folha. A manchete lhe saltou aos olhos: "Casamento Secreto da Herdeira dos Navarro. "

A raiva e a indignação a invadiram, à medida que lia. Como ele podia ter feito aquilo? Uma mentira absurda... Mas em seguida a raiva se aplacou e ela teve uma idéia. Pela primeira vez em meses vislumbrou uma saída. Tudo o que tinha a fazer era se decidir. Casar-se com Jorge e depois ir embora. Tudo se encaixava. O marido, o casamento, o motivo. Só precisava concretizar os planos. Perfeito. Seu coração palpitava de antecipação. Talvez, perfeito demais. Jorge não detinha a liderança da indústria naval grega por mera sorte. Ele era esperto, para não dizer brilhante.

Um homem brilhante não se casaria com uma mulher para depois deixá-la fugir. Ele estaria preparado. Alerta. Ela teria de ser muito cuidadosa. Sentia um misto de medo e ansiedade. Poderia escapar, era uma questão de ser tão esperta quanto ele. Com o coração em disparada, procurou dissimular suas intenções. Fingiu surpresa e espanto.

— Você não pode estar falando a sério.

— E manchete de primeira página.

— Se não houve casamento, como saiu essa notícia?

— Leia você mesma.

Na reportagem, atribuía-se a seu pai a informação de que ele não confirmava e nem negava a notícia de um casamento secreto, que somente sabia que o armador greco- americano, Jorge Salinas, havia estado em Oinoussai e visitado sua filha no convento. Outra fonte confirmava que Salinas havia sido visto na cidade, enquanto outra mencionava o convento como o local do casamento secreto. Sem dúvida, fora manobra de seu pai, era inacreditável... só que dessa vez quem iria manobrar seria ela. Amassou a folha de jornal, para demonstrar indignação.

— Você e meu pai formam uma bela dupla!

— A idéia foi do seu pai, não minha.

— Ninguém vai acreditar nessa tolice.

— Todos acreditam. A mídia está toda no porto à espera de ver a noiva e o noivo a bordo do iate hoje à tardezinha.

Ele parecia muito seguro de si, como se tivesse conseguido capturá-la numa rede. Sinto muito, ela pensou, mas desta vez quem vai sair ganhando sou eu! Iria se casar com ele e depois o abandonaria. Ele que se arranjasse, com seu pai não haveria problema. Se Jorge quisesse exigir qualquer coisa dele, ótimo, iria conhecer a ira de navarro, pela primeira vez. Sentiu uma breve sensação de culpa, mas ignorou a voz da consciência, lembrando- se de que Jorge e seu pai eram da mesma espécie. Egoístas, sem compaixão.

Nem mesmo durante a terrível enfermidade de sua mãe, seu pai mudara a rotina de trabalho. Nem uma vez sequer a acompanhara em uma seção de radioterapia. Nunca fora lhe segurar a mão numa aplicação de quimioterapia, muito menos a atendera à noite nas crises de dor e medo. Agira como se nada estivesse acontecendo? Ignorando o diagnóstico fatal, continuando a atender a seus compromissos no estaleiro. Para o inferno seu pai e Jorge! Sabia que não havia destino pior do que ser esposa de um armador grego. Entretanto, desconsiderou tudo isso, determinada em seu objetivo, independência Paz. Uma vida distante de tudo aquilo. Talvez em Geneve, ou numa pequena casa no sul de Londres.

— Quando nos casaremos? — ela. perguntou, o coração descompassado.

— Hoje. Aqui na capela. Viajaremos à noite.

— E quais são exatamente as suas expectativas? Ele a observou cuidadosamente, com uma expressão vazia.

— Como minha esposa, você viajará comigo. Quando recebermos, você cumprirá as obrigações de anfitriã. E para as atividades que envolvam a minha família, apareceremos juntos, comportando-nos como um verdadeiro casal.

— Em troca de uma associação de negócios?

— Precisamente.

— Em benefício de seus pais?

— Acertou de novo.

Ele não queria desapontar os pais. Ela podia até admirá-lo por isso. Mas, felizmente, não precisaria se preocupar com a família dele, ou com as suas expectativas. Não estaria por perto o tempo necessário para desempenhar todos aqueles deveres. Se casassem na tarde daquele mesmo dia, estaria muito perto da liberdade. Muito perto de começar uma vida nova, longe da influência do nome Navarro.

— Algo mais? — ela perguntou friamente.

— Espero que tenhamos um relacionamento normal — ele respondeu no mesmo tom.

Sílvia percebeu que já se encontravam em fase de negociação. O trato já havia sido sacramentado, ambos sabiam. Ela sentiu um gosto amargo na boca, mas não desistiria.

— Por favor, defina o que considera normal.

— Espero que seja fiel, leal e honesta.

Ela sentiu um assomo de consciência, mas afastou-o. Os homens a haviam controlado toda a vida,  uma vez pelo menos tomaria conta de si própria.

— Só isso?

— Por quê, haveria algo mais?

Também ele a estava testando, sabia que haveria algo mais, não haviam discutido nada sobre o relacionamento físico no casamento, e isso permanecia entre eles como algo pesado e proibido.

— Vai ser um casamento de conveniência, não? — Ela lançou lhe um olhar e percebeu a expressão maliciosa nos olhos dele. Jorge não estava nervoso. Parecia se divertir com tudo aquilo.

— Casamentos de conveniência não produzem filhos. Eu preciso de. filhos. — Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, ele continuou: Farei todo o possível, srta. Navarro, para que se sinta satisfeita. Quero que seja feliz. É importante que ambos nos realizemos, o sexo é parte natural da vida, e deve ser natural entre nós. Ela sentiu um calafrio percorrer-lhe o corpo, e em seguida uma desconfortável onda de calor.

— Mal nos conhecemos, sr. Salinas.

— Motivo pelo qual não quero me impor a você. Fico contente em esperar até que estejamos mais à vontade um com o outro... antes de termos maior intimidade.

Sílvia sentiu novamente a reação de calor, a voz dele havia se tornado mais grave, transmitindo um sentimento de cumplicidade. Por instantes, imaginou o corpo dele contra o seu, a boca máscula. roçando-lhe a pele. A simples idéia de fazer amor com aquele homem a fez inspirar profundamente. Todos os seus nervos estavam em estado de alerta, como que sentindo a potente masculinidade daquele homem. Cruzando os braços contra o peito, Silva tentou ignorar a excitação em seus seios e o desejo de se sentir novamente mulher.

— Está querendo se envolver num casamento sem amor? perguntou, sem fitá-lo.

— Estou me comprometendo com você.

Oh, ter alguém que a quisesse... que se preocupasse com ela... Ela suspirou profundamente, sentindo esperança e dor no peito, seduzida pela promessa e pelo tom caloroso daquela voz. Como seria ser amada por aquele homem? Silvia repreendeu a si mesma, Jorge nunca falara sobre amor. Sobre desejá-la, não estava nem mesmo se comprometendo com ela, mas sim com a família Navarro, com seu pai como podia se permitir devanear assim? Não havia aprendido a lição? Fora assim que Gerardo havia conseguido transpor a barreira da sua reserva, fazendo com que lhe oferecesse o coração, bem... não faria e nem deveria fazer aquilo novamente. A experiência lhe serviria para alguma coisa voltando à realidade, lembrou-se de que Jorge e suas promessas não importavam a única coisa que importava era escapar do convento e das manipulações de seu pai, seria isso que sua mãe gostaria que ela fizesse o mesmo que gostaria de ter feito.

Olhou para as altas paredes do convento com suas janelas voltadas para o jardim interno. Nenhuma janela dava para o exterior, para o oceano, nenhuma visão do mundo que existia lá fora... Mas não para ela seu pai a havia confinado ali, logo depois da morte da esposa, sem a menor demonstração de tristeza. Queria dedicar-se totalmente aos negócios, dinheiro e navios, sentiu um nó na garganta. Uma tristeza imensa.

— Se vamos fazer isso — ela propôs, depois de uma breve pausa, não percamos mais tempo.




Continua....... 😘😘😘😘😘😘😘

Bjos...... 💋💋💋💋💋💋💋💋👅

             💖Silvia e Jorge💖



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