História Amores Furtados - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 9
Palavras 2.594
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - 9


Depois das compras inconvenientes continuamos seguindo pela rua principal, minha mente estava em turbulência eu precisava me encaixar, como contaria aos meus pais que estava morando em um morro... Bom, melhor que ninguém saiba, e quanto à faculdade não teria problema algum em continuar, na verdade meu único problema continuava sendo o mesmo: A falta de emprego. Kel e eu caminhávamos de volta para casa.

—Isa, já te falei, eu não pago nada lá em casa, o Taquara banca tudo pra mim.

—Mas vocês são namorados, enquanto eu não passo de uma conhecida.

—Qual foi?! Ninguém liga, pode ficar de boa aqui em casa, até por que desde que cheguei ninguém gosta de mim aqui nesse morro, vai entender né!?

—Chegou de onde?

—Eu vim da Bahia, há três anos. Conheci Taquara no carnaval, foi uma loucura...

—Espera. Você está me dizendo que conheceu ele no carnaval e veio logo pra cá?! Caramba você é muito louca!

—Sempre fui. –Kel sorriu. —Ele também não fica pra trás, insistiu que eu viesse passar uns tempos aqui. Aí eu pensei, não vou perder nada mesmo. Cheguei e não quis mais voltar, pra mim está perfeito.

—Uma história de carnaval que deu certo?! Tô passada.

Nós rimos. Em meio as gargalhadas eu pude notar um restaurante simples, mas algo me chamou atenção, uma placa escrita:

"Precisa-se de funcionários. Com urgência!"

Cheguei a me arrepiar quando a vi, corri logo para o estabelecimento afim de conversar com a proprietária. Entrei observando o ambiente quando vi uma mulher ruiva no balcão e me direcionei até ela.

—Com licença, bom dia. Eu vi a placa, tenho muito interesse na vaga.

—Bom dia. É mesmo?! –Ela remexia a xícara de café enquanto falava. —Igual a você já me passou um monte, tô cansada dessas garotas sem compromisso aqui no morro. Não sabem fazer nem um arroz direto e acham que podem trabalhar aqui! –Ela me olhou com deboche.

—Senhora, te garanto que não sou como elas, tenho muito compromisso com tudo que é meu. Nunca trabalhei, mas eu sei cozinhar, é sério meu pai dizia que minha comida é melhor do que a da minha!

Ela me olhou superestimada.

—Que alto estima! Quer fazer um teste?

—Claro! Pode ser até agora.

—Ótimo. Meu nome é Alzira, e preciso de alguém para ajudar dona Maria, ela me dirá se tu for boa, qual é seu nome mesmo?

—Isabela. É um prazer conhecer a senhora.

Ela me deu um avental e uma toca, entrei na cozinha e dei-me de cara com a cozinheira. Uma mulher de aparentemente uns 40 anos, loira, gordinha e muito bem maquiada.

—Maria! Explica a garota aí! –Dona Alzira disse pela porta da cozinha e se retirou no mesmo instante.

—Primeira Regra para dividir a cozinha comigo: Não diga pra ninguém que eu bebo no trabalho. Segunda: Nem pense e abaixar o rádio enquanto estiver ouvindo música. E terceiro: Pelo amor de Deus, não me chame toda hora. –Dona Maria disse assentando-se. –Agora faz o que você sabe fazer, eu vou só olhar!

A funcionária de dona Alzira não me passou confiança, eu iria fazer o que sabia, a cozinha era uma das poucas coisas da vida que eu me garantia. Apanhei os ingredientes e depois de picar verduras e legumes e remexer muita panela, finalmente a refeição que preparava ficou pronta. Temia que Maria não gostasse. Ela pegou o prato e talheres para provar.

—Hum... Amo feijão tropeiro, bem a mineira né. Tu cozinha muito bem... Vou falar pra Dona Alzira. Mas não se esqueça das regras!

—Sério?! –Entrei em estado de euforia e abracei forte dona Maria. –Muito obrigada linda!

—Eu sei que sou linda! –Ela disse ajeitando o cabelo.

Maria notificou logo dona Alzira.

—Começa amanhã! Quero deixar claro que não assino carteira e pago por dia 30 reais!

—Está ótimo, amanhã de manhã estarei aqui. –Eu disse sorrindo.

No pequeno salão da pensão Kel me encarava, não demorou para que a mesma viesse até mim e me puxasse para fora do estabelecimento.

—Eu ouvi bem? Vai mesmo trabalhar pra ganhar 30 reais por dia? Fumou garota?! –Ela disse enquanto seguíamos.

—Pra quem não ganhava nem isso está ótimo, até porquê não tenho outra maneira de ganhar dinheiro.

Enquanto caminhávamos fui surpreendida por uma Range Rover preta, dirigida por ninguém menos que Rafael com o carro repleto de mulheres.

—Aí sua outra maneira de ganhar dinheiro. –Kel me olhou sinuosamente e deu sinal para que ele parasse. —Fala Marreta! Achei que você fosse procurar pela Isabela? –Kel sorriu ao perguntar.

—Pow, acordei agora...

Enquanto ele dizia, uma garota aparentemente nervosa saiu do carro e veio até mim.

—Então essa vadia aí que é a tal de Isabela... –Ódio à primeira vista, foi exatamente isso que sentir ao ver aquela menina. –Tu não tem vergonha não? Tu é uma piranha mesmo sugando do meu irmão, e agora você acha mesmo que vou ficar bancando suas roupas, se toca garota.

Ela me empurrou, não estou acreditando que aquela pirralha me empurrou! Vi-me obrigada a retribuir da mesma maneira.

—Perdeu a noção?! Nem te conheço e não faço a mínima ideia do que você está falando!

—A não sabe né... Olha Marreta você é um idiota fica bancando essa menina metida que eu nem sei de onde veio! Pra ela você paga silicone né!

Me bancando? Silicone? Não acreditei quando ouvi.

—Ta maluca! Para de caô, que silicone que eu paguei?

Rafael saiu do carro e intrometeu-se entre nós. Aproximei-me daquela criatura que por incrível que pareça era sua irmã.

—Eu não tenho silicone, assim como não tenho culpa se você parece uma tábua!

A garota se revoltou e teve que ser contida pelas amigas. Droga! Eu não deveria ter falado assim com ela, mas foi mais forte do que eu. Aproximei-me de Rafael, o mesmo estava escorado no carro, sem camisa e de óculos escuros como quem não quer nada com a vida. Ele ficava tão lindo assim. Tentei me desculpar.

—Eu juro que não queria ofender sua irmã... Até porque você tem me ajudado bastante, queria te agradecer por ter deixado eu vir pro morro... E quanto às roupas irei pagar logo.

—Esquece minha irmã! Pode pegar mais se tu quiser, não ligo. Porquê tu foi expulsa de casa mesmo?

Infelizmente ele me relembrou daquilo, que ódio, mudei logo de assunto.

—Problemas de família... Você sabe né. Sério?! Você não se importa pelas roupas?

—Não mesmo, até porque tu pode me pagar de várias formas... –Ele sorriu.

—Do que você tá falando?

—Para de pagar de santinha branquinha, sabe muito bem do que tô falando. Te dou o que quiser e tu me dar o que eu quero!

Fiquei sem chão quando o ouvi. Rafael era legal, bonito... O problema é que ele só falava merda, jamais alguém havia se direcionado a mim com tanta ousadia. Frustrei-me tanto que acabei agindo por impulso. Teria o estapeado novamente se o mesmo não tivesse impedido.

—Hum... –Ele forçou meu braço para baixo. –Tu é agressiva... – Me puxou para perto de si. Senti meu coração disparando e os pelos do meu corpo arrepiar. –Quando tu tiver na minha cama vai poder me bater a vontade!

—Idiota! –Tive que afastá-lo de mim. –Está mesmo me comparando com uma puta?! Acha mesmo que eu preciso do seu dinheiro?

—Acho sim... Branquinha para de pagar de difícil, resolvi me dar uma folga, se quiser fazer sua noite valer a pena é só entrar no carro. – Ele reaproximou-se e afastou a franja que insistia em cair sob meus olhos. Perdi o foco quando ele sussurrou ao pé do meu ouvido, me causando cala frio. —Eu sei que você quer!

Afastei-me, antes que fosse tarde.

—Engano seu, eu não preciso do seu dinheiro, até porque já consegui um emprego, vou te pagar em breve. Agora dá licença, não posso ficar perdendo tempo ouvindo essas besteiras. Estou atrasada.

—Conseguiu emprego? Onde?

—Eu vou trabalhar na pensão da dona Alzira! Começo amanhã.

Ele me olhou desacreditado.

—Tu pelo menos sabe cozinhar pra trabalhar com ela?

—É claro que sim, ela amou minha comida. Tchau Rafael. Tenho que ir pra faculdade.

—Quer carona?

—Não. Obrigada.

Dei as costas para ele muito irritada. Acabei de concluir que Rafael me via como uma mercenária, ou algo do tipo. Droga, precisava paga-lo logo para que ele nunca mais ousasse a falar comigo daquela forma. Deveria ter previsto que ninguém ajuda os outros sem segundas intenções, por que ele seria diferente. Tenho que me lembrar que o mesmo é um traficante, tudo que ele tem veio com dinheiro sujo. Então está decido não vou mais falar com Rafael, até porque não existe um diálogo saudável entre nós.

Acenei para Kel e fomos juntas para a casa. Ela era um anjo, me deixou ficar sem querer nada em troca, ao contrário daquele idiota amostrado.

Aprontei-me o mais rápido que pude. Desci o morro e peguei o metrô lotado até a faculdade.

[...]

O professor explicava a matéria quando me peguei pensando no lindo sorriso de Rafael. Droga! O que estava havendo comigo, porque eu tinha que ficar pensando em um traficante? Como diria minha mãezinha eu precisava de uma oração!

Pedi licença ao professor, sair da sala, necessitava refrescar a mente, por os pensamentos no lugar. Andava distraída pelos corredores quando dei de cara com Diego.

—Isabela... –Ele disse enquanto se escorou na parede de uma maneira despojada.

—Como sabe meu nome?

—Perguntei à suas amigas. Elas também me disseram que você é reservada. Prefere um lugar elegante... –Ele me engolia com os olhos azuis.

—Pois é... Eu preciso dar uma volta...

—Essa volta pode ser comigo?

Eu tive que rir, todos tiraram o dia para me cantar. Será o perfume afrodisíaco que estou usando?

—Diego, as meninas se esqueceram de falar que no momento meu único interesse são os livros. Desculpa, por que não sai com alguma delas?

—Porque se eu quisesse sair com elas eu não chamaria você!

Engoli um seco. Até ele voltar a dizer.

—Vamos dar uma volta, você escolhe o lugar. Não aceito não como resposta.

—Olha... É que... –Fui interrompida.

—Não precisa responder agora, sugiro que pense com carinho na proposta. Te Garanto você não irá se arrepender! –Ele sorriu encantadoramente.

Diego me entregou um cartão de visitas, com seu contato do whatsapp. Sério que ele tinha até um cartão de visitas pra distribuir para as garotas? Bem pensado. Pensei em jogar fora, mas preferi guardar, lembrei-me do último contato, querendo ou não acabou me salvando. Retornei a sala de aula, lá fiquei até encerrar. Depois parti para o ponto apressadamente.

[...]

Acordei com o barulho insuportável do despertador me alertando que havia chegado o dia, a hora e o momento. O primeiro dia no trabalho, emocionada estava eu. Levantei-me e me aprontei o mais rápido que pude. Kel ainda dormia quando saí. Quinze minutos foram o suficiente para chegar até a pensão.

Basicamente eu fazia de tudo um pouco desde limpar, varrer, cozinhar até servir as mesas. Maria e eu preparávamos as quentinhas para entrega quando um homem branco com os cabelos arrepiados pintados de amarelo apareceu.

—Fala dona Alzira! As quentinhas da boca pode deixar no jeito, vou levar o bagulho.

Estava no salão quando o vi se servindo. Ele olhou para mim e fez o gesto para que fosse até ele.

—Bom dia! Quer alguma coisa para beber?

—Trás uma cerveja, rapidinho porque tô com pressa, vou mandar logo pra dentro!

—Ok.

Odeio pessoas sem modos. Peguei o litrão, quando iria pô-lo sobre a mesa fui surpreendida por uma conversa alta no telefone.

—Fala Bira! Fica ligado, os cara tão descendo lá pra Coruja, caminhonete lotada de pasta base! Pica Pau pagou muito! – Ele gargalhou. –O bagulho é louco. Sério, pega a visão tu encurrala ele na esquina do posto. Isso, o papo é reto ta descendo o Marreta e o Taquara. Se tu for esperto larga o aço nos dois! Pega a parada e ainda fica no comando. Tô ligado. –Ele riu novamente. –Pow tô com mó moral com o Marreta, nem passa pela mente dele que eu tô fechando contigo. Tu sabe... desde menor sou teu cria, eu fecho é contigo meu mano. Daqui a pouco o morro é nosso! –Ele gargalhou e desligou o telefone em seguida.

Droga! Porque eu fui ouvir aquilo... Estava tentando conciliar as palavras. Parecia uma armação, estavam armando pro Rafael e pro Taquara. Perdi o foco, entrei em euforia e abstração. Coloquei a garrafa na mesa dele e segui para a cozinha.

—Maria qual o nome daquele homem sentado na mesa?

Ela olhou através da janelinha e respondeu.

—É o Jão, trabalha na boca junto com o Marreta, Taquara...

—Ok, só mais uma pergunta quem é Bira?

—O único Bira que eu já ouvir falar é o chefe do Morro Vera Cruz, mas não fica falando o nome dele aqui não. Lá é outra facção. –Ela baixou o tom de voz. –Ele e o Marreta já trocaram até tiro.

Meu Deus! Se eu não reagisse o Rafael entraria numa cilada, não conseguia pensar e nem fazer mais nada.

—Maria! Eu preciso ir até em casa buscar o remédio que esqueci... Vai ser rápido eu juro!

—Tá bom. Vê se não enrola garota!

Tirei o avental e a toca. Corri ligeiramente sentido o barraco que fui quando cheguei no morro. Não imaginei que fosse tão longe, depois de alguns minutos cheguei até a casa afastada e com os tijolos expostos, a luz do dia ela conseguia ser bem menos atraente.

Entrei temendo e ofegante do cansaço. Havia vários homens, armados como sempre, aparentemente surpreendidos com minha chegada. Falei logo o que eu queria.

—Preciso falar com o Marreta, urgente!

—Marreta tá trampando. Tu é nova aqui, mas vou logo passar a visão! Não pode entrar mulher aqui na boca, morô?

—Eu só queria falar com... Cadê ele?

—Saiu, já falei que ele tá trampando.

Aproximei-me do bandido, mesmo temendo falei.

—É caso de vida ou morte, preciso falar com ele, só com ele!

Não precisava ter anos numa favela para saber que fofoqueiros morrem com facilidade, e era exatamente assim que eu estava agindo naquele instante, como uma fofoqueira. Mantive o máximo de discrição possível.

O homem a qual me direcionei era o mesmo que me trouxe até a boca, ele olhou nos meus olhos, pensou por um instante e disse.

—Ele acabou de sair, foi fechar uma parada com Pica-pau na Coruja.

—Isso é muito longe?

—Não muito... É que ele foi de carro, depois tu passa a visão pra ele.

—Acho que você não entendeu?! –Eu gritei. –Eu tenho que falar com ele e tem que ser agora!

Todos na boca me encararam, meu Deus o que eu fiz?!

—Tá maluca? Tá gritando comigo? Quer morrer?

—É por isso que mulher não tem nem que entrar, só caô meu mano. Leva essa maluca lá no Marreta, isso tudo é falta de peru?

Que ódio! Fiquei vermelha de vergonha, as gargalhadas desenfreadas dos marginais apoderam-se do ambiente.

—Vou te levar, Porquê na moral se for um papo reto, Marreta vai querer me cobrar depois.

Saímos da casa de tráfico, nos montamos na moto.

—Da última vez que andei com você parecia estar mais rápido...

—Tu curte adrenalina! Vou pisar fundo no beco, vou alcançar Marreta num tiro.

—Tá anda logo!

Ele pisou fundo assim como disse, mas o medo que eu sentia era de alguma coisa acontecer com Rafael, não conseguia pensar em outra coisa. Na saída do beco chegamos a uma rua encruzilhada e conseguimos avistar a caminhonete. Rafael a dirigia, Taquara estava ao seu lado. O garoto buzinou a moto para que o mesmo parasse. Eu pulei rápido da garupa e fui correndo até ele. Rafael ficou surpreendido ao me ver.

—Branquinha?!

—Você conhece um tal de Jão? Acho que ele trabalha com você, ele estava falando com o Bira no telefone... Disse algo de tomar o morro...

—Jão! Não pode ser aquele filho da...

Antes mesmo de concluir a frase fomos cercados por várias motos pilotadas por bandidos fortemente armados. Um homem com olhar malicioso desceu rápido da moto, e mirou o fuzil contra nós. Só fui capaz de ouvir:

—Perdeu Marreta!



Notas Finais


Amores não se esqueçam de favoritar e da opinião importantíssima de vcs! Obrigada pela leitura. S2


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...