História Amores Perigosos - Capítulo 4


Escrita por: ~

Exibições 93
Palavras 4.383
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Sei que demorei e peço mil desculpas por causa disso.

Capítulo 4 - Ironia do Destino


Anabelle P.O.V

Eu segurava a saia do longo vestido enquanto caminhava em direção ao salão de recepção do hotel. A festa estava acontecendo toda no jardim posterior daquele grandioso lugar, mas ainda assim Justine e Hugo optaram em reservar aquele espaço para eventuais interferências climáticas. Coisa que não havia acontecido e nem parecia que aconteceria tão cedo, levando em consideração o céu sem nuvens e a leve brisa que vinha do mar.

Justine e Hugo haviam tirado a sorte grande ao casarem em um dia como aquele. Onde nada estava dando errado.

Adentrando no salão de recepção notei que a decoração externa também estendia-se para aquele espaço, fato esse que acabou por realçar ainda mais a grandiosidade da arquitetura clássica e elegante daquele lugar. No entanto, sem muita demora fiz meu caminho em direção ao banheiro principal, passando por alguns convidados do casal e alguns membros da equipe de recepção que passavam à todo momento segurando bandejas com aperitivos e bebidas para entreterem os convidados.

Assim como o grande salão, o banheiro feminino seguia uma decoração clássica e elegante, e foi quase impossível não soltar um assobio em admiração aos detalhes arquitetônicos existentes ali. Caminhei até a última pia vazia e encarei meu reflexo antes de molhar meu rosto com um pouco de água, ignorando os olhares curiosos que recebia de alguma das mulheres que estavam ali. E eu sabia o porquê de receber aqueles olhares, mas as ignorei facilmente. Foquei apenas em tentar controlar as reações desenfreadas que tomavam conta do meu corpo desde o momento que fui convidada à dançar com ele. Jared Leto.

Esse homem conseguia me irritar com uma facilidade nunca vista. No entanto, não era isso que deixava-me preocupada e intrigada, mas sim o fato de cair facilmente nas provocações que ele fazia. Logo eu, que após tanto tempo consegui controlar meu temperamento difícil, o via querer escorrer pelos meus dedos por causa de umas meras palavras proferidas por um homem que eu nunca havia trocado palavra alguma.

Fechei os olhos e respirei fundo. Contei até dez. Eu tinha que me controlar.

Ouvi passos, a porta do banheiro sendo aberta e fechada e o murmúrio das pessoas que estavam ali dando lugar ao silêncio. De olhos ainda fechados dei um breve sorriso, sentindo-me aliviada.

—O que está achando do casamento? –a voz de Justine soou alta atrás de mim, assustando-me e fazendo-me abrir os olhos no mesmo instante.

—Você quer me matar? –perguntei com a voz elevada e a mão esquerda sobre o coração.

—Desculpe. –ela respondeu rindo. —Não pensei que estava tão concentrada na sua meditação. Mas então, o que está achando do casamento? Desde que a cerimônia religiosa acabou eu não tive a chance de conversar com a Lizzie e você.

—Justine, entre todas nós, você é a melhor organizadora de festas nessa cidade. E acredito até que seja a melhor nesse país. Seu casamento foi um verdadeiro conto de fadas. –a tranquilizei pondo minhas mãos sobre seus ombros. —A decoração está linda, o cardápio está incrível e a escolha das músicas ganharam meu coração.

—Mas? –ela perguntou olhando-me desconfiada.

—Mas nada. Está tudo perfeito. Você está linda, tudo está lindo. Estou amando tudo, de verdade.

Justine semicerrou os olhos minimamente, como sempre fazia quando não acreditava nas minhas palavras. Se fosse em outra situação eu até reviraria os olhos, mas não queria causar uma discussão por causa disso.

—Se eu não a conhecesse desde os meus dez anos diria que está falando a verdade. Sou a sua melhor amiga, Anabelle. E eu conheço quando algo não está lhe agradando e... –ela fez uma pausa colocando as mãos no quadril. —Eu diria que isso tem relação direta com um certo cara de olhos azuis.

Agora sim eu tive que rolar os olhos para Justine. Era incrível a facilidade que ela tinha em adivinhar as coisas que estavam acontecendo comigo. Foi assim quando ela descobriu que eu estava namorando com seu irmão e foi assim quando ela descobriu que ele e eu havíamos terminado.

—Você está vendo coisa onde não tem. –respondi virando-me de frente para o espelho, arrumando meu cabelo que nem ao menos estava bagunçado. —Agora algo que você deveria ter notado é a Lizzie dançando com meu irmão.

—Então é isso que está incomodando você? Alexander dançando com a Elizabeth? –Justine perguntou encarando-me através do espelho. Seu olhar era de total descrença.

—Claro que não! –exclamei soltando um suspiro exasperado. —Você sabe que eu sou a que mais torço para que eles dois finalmente admitam o que sentem um pelo outro e fiquem juntos de uma vez por todas.

Justine assentiu sorrindo de lábios juntos, parecendo ter caído no meu plano de jogar a sua real atenção para Lizzie e Alex, em vez do possível incomodo que Jared havia me causado. Algumas mulheres entraram no banheiro quando minha melhor amiga abriu a boca para responder-me, o que me deu tempo para respirar aliviada. Justine logo foi alvo de elogios que a deixaram ruborizada, mas ainda assim sustentando um olhar orgulhoso de si mesma. E quando pensei que poderia escapar dali, a vi se despedir das convidadas que eu nem sequer sabia o nome, e seguir apressadamente atrás de mim.

—Nem pense que eu esqueci a minha pergunta, Anabelle Rossini! –Justine exclamou parando ao meu lado dentro do salão de recepção. —Ele fez algo que a desrespeitou? Porque eu vi vocês dançando, enquanto eu estava com o Shannon, e sinceramente parecia que vocês dois estavam se dando muito bem.

—Você estava com o Shannon? O irmão dele? Como assim? –perguntei incrédula, sem acreditar no que ela estava me falando.

—Eu estava dançando com ele enquanto Hugo dançava com a minha sogra. Sério, Anabelle, às vezes você me surpreende com essa sua mente libidinosa. –riu sem graça, corando mais ainda diante do meu olhar cínico.

—Justine Wood, se eu não a conhecesse desde os meus dez anos diria que o seu rubor está relacionado à um homem que não é o seu marido. –murmurei de forma cumplice, fazendo com que ela arregalasse os olhos castanhos e olhasse nervosamente para os lados.

Guiando-me pelo braço até uma das várias mesas existentes naquele salão, Justine sentou-se na cadeira em frente à minha e soltou um suspiro cansado, que deixou-me ansiosa e preocupada pelo que viria em seguida. Porque se tratando de Justine Wood, sempre que ela fazia esse suspense para contar algo, era porque o assunto era realmente muito sério.

—Eu conheci os irmãos Leto em uma das visitas que fiz à produtora do Hugo. Óbvio que fiquei encantada com eles, afinal de contas os dois são irresistivelmente bonitos e educados. –ela sorriu para si mesma e eu a imitei. —Só que acabei aproximando-me mais de Shannon. E por mais que eu ame o Hugo, esse bendito Leto mais velho consegue mexer com as minhas estruturas.

Ela riu totalmente sem graça e tampou o rosto envergonhada. Fora uma das poucas vezes em que via Justine ficar totalmente sem jeito. A primeira tinha sido quando ela confidenciou à mim e a Elizabeth que havia perdido sua virgindade com o quarterback do time de futebol da nossa antiga escola após o baile de primavera. Eu por outro lado a olhava com os olhos arregalados e as sobrancelhas arqueadas em surpresa. Aquela informação havia sido uma bomba jogada em meu colo e eu não sabia o que fazer.

—Você está me dizendo que se casou com o Hugo, mesmo gostando de outro cara?  -minha pergunta saiu em um sussurro tão baixo que cheguei a pensar que nem mesmo Justine havia ouvido.

Mas ela balançou a cabeça em negativa e eu soltei um suspiro em alivio.

—Eu amo o Hugo. Ele é o homem da minha vida e disso eu não tenho dúvidas. –ela respondeu encarando a linda aliança em seu dedo anelar. —Mas é que...

Justine calou-se quando Hugo entrou no salão olhando de um lado ao outro, claramente a procurando. O homem abriu um largo sorriso de um milhão de dólares quando encontrou sua esposa, e perguntei-me o que Justine iria falar sobre Shannon, mas a mesma apenas deu de ombros e riu de si mesma ao se levantar.

—Se eu não a achasse diria que tinha fugido. –riu Hugo ao beijar delicadamente o rosto de Justine. —Anabelle você está encantadora. Compreendo porque Alex tem tanto apreço em cuidar de você.

Sorri sem jeito e vi Justine controlar um risinho. Hugo sempre fora uma pessoa fácil de lidar, cujo bom humor e sua beleza jovial eram sua marca registrada. Um cara de apenas vinte e oito anos que havia construído um imperial musical e que agora era o marido de uma das minhas melhores amigas. Não haviam razões para torcer contra a felicidade deles, até porque Justine e Hugo faziam um casal lindo que demostravam seu amor com um zelo sem igual.

 —Alexander tem a incrível mania de se preocupar demais com a minha vida e esquecer a dele. –disse levantando-me para seguir o casal de volta ao jardim onde a recepção estava acontecendo.

—Bom, acho que ele terá mais um motivo para se preocupar. –Hugo olhou para a esposa de um jeito cumplice enquanto eu facilmente os olhei de forma interrogativa, sem entender.

Justine abriu um largo e temi pelo que viria em seguida.

—Chegou a hora do buquê! –ela exclamou de forma animada e eu senti minha garganta fechar.

A maldita hora do buquê havia chegado e eu vinha tentando evita-lo desde o momento que a cerimônia religiosa acabara. Eu sabia, desde que Justine anunciou seu noivado com Hugo, que ela faria questão de que eu estivesse presente para tentar pegar o buquê na esperança de que seu irmão e eu voltássemos a namorar e quem sabe casar. Era uma esperança silenciosa vinda da parte dela, mas ainda assim eu podia ver nos seus olhos que aquele sentimento estava presente.

—Ele não precisará se preocupar com isso. –desconversei olhando para a frente, não tendo coragem de ver o semblante da minha melhor amiga. —Alex sabe que não pretendo me casar tão cedo.

—Robert também. –Justine murmurou sem alegria alguma na voz.

Foi como levar um tapa na cara, mas era necessário. Acenei para Hugo e Justine e segui em direção à mesa onde Elizabeth estava sentada junto de outras madrinhas de casamento. Ela tinha o rosto corado e sorria largamente. O extremo oposto de Justine naquele momento. Assim que me viu aproximando, ela levantou-se sustentando seu sorriso animado e foi impossível não sorrir, mesmo que minimamente, para ela.

—Seu irmão é um ótimo dançarino. Por que nunca me contou que ele dançava tão bem? –inquiriu Elizabeth, arrumando o cabelo castanho e olhando de soslaio para a mesa onde Alex e os irmãos Leto estava sentados.

—Você nunca perguntou. –rebati com o melhor humor possível.

—Aconteceu alguma coisa? –questionou Elizabeth, olhando-me com os olhos semicerrados e preocupados.

Soltei um suspiro cansado e assenti, apontando discretamente para o palco onde Hugo e Justine já se encontravam conversando com Jimmy. Elizabeth apertou os olhos, pareceu ponderar por um instante e abriu a boca em surpresa. Um misto de euforia e nervosismo passou pelo seu rosto e eu quase ri diante de tal expressão.

—Ela vai jogar o buquê! –ela exclamou em um sussurro.

—Exatamente.

Elizabeth olhou de onde Justine estava para mim, desfazendo enfim seu sorriso para um semblante preocupado.

—Você não vai participar? –sua pregunta soou mais como uma afirmação na qual eu apenas assenti sem saber o que mais poderia responder. —E ela não lidou bem com isso, não é?

—Justine acha que Robert e eu ainda vamos reatar nossa relação. –respondi dando de ombros. —Mas eu não posso voltar com alguém que acha que minha profissão é algo bobo.

—Eu compreendo e Justine também, acredite. Só é difícil para ela ver duas pessoas que tanto ama, não estarem mais juntas. –Elizabeth confortou-me e eu assenti, sabendo que Justine pensava isso.

—Mas eu não quero que isso se trate sobre mim. Robert e eu estamos bem, e eu quero ver a senhorita lá na frente para pegar o maldito buquê para quem sabe assim o meu irmão criar coragem para chamar você pra sair. –gesticulei para o palco e vi Elizabeth corar violentamente, fazendo-me rir alto de tal reação.

No mesmo instante o DJ diminuiu o volume da música que tocava e Jimmy chamou a atenção dos convidados, chamando madrinhas e demais convidadas para se aproximarem. Elizabeth me olhou de forma nervosa e eu a encorajei a ir adiante, seguindo as demais mulheres que afoitamente desejam aquele arranjo de flores naturais. O símbolo de que você logo iria se casar. Eu por outro lado fiquei ali, de braços cruzados e sustentando um sorriso divertido nos lábios.

—Quando eu contar até três! –Justine gritou fazendo o grupo de mulheres reunidas rir em uníssono.

—Você não vai participar? –a voz de Robert ao meu lado chamou minha atenção.

—Não. –respondi fazendo uma careta. —Você sabe que não gosto de aglomerações.

Ele riu e assentiu.

—Você sempre detestou mesmo. Até para ir à shows era difícil. –disse ele fazendo-me virar para olha-lo. —Lembra do show do Aerosmith?

—Aquele em que consegui passe para o backstage só porque disse que tinha fobia de aglomerações? –perguntei em meio a uma risada carregada de saudade. Robert assentiu exibindo seu sorriso de garoto californiano.

—Esse show foi um dos melhores que fomos. –disse ele de forma nostálgica.

—Sem dúvida. –respondi voltando a olhar pra frente.

Vi Justine fazer a contagem regressiva e jogar o buquê. Ouve um tumulto, risadas para todos os lados e uma única vencedora. Elizabeth. As demais a aplaudiram ao vê-la comemorar de forma comedida. Olhei em direção à mesa onde Alexander estava sentado e o vi olha-la com certa determinação, com um verdadeiro deleite, e tive a certeza de que meu irmão não só queria Elizabeth. Ele parecia realmente gostar dela e isso deixou-me feliz ao ponto de fazer-me sorrir de forma vitoriosa. No entanto meu sorriso sumiu ao encontrar o olhar dissimulado de Jared. Ele olhava-me diretamente, isso eu não tinha dúvidas, e arqueou uma das sobrancelhas de forma provocante, quase como se fosse um gesto obsceno que fez-me trincar os dentes e bufar. Ato este que chamou a atenção de Robert para mim.

—Você está de carro? –perguntei sem desviar os olhos de Jared.

—Sim, porquê?

—Pode me levar pra casa? –dessa vez olhei para Robert como o olhava quando namorávamos e o vi piscar um par de vezes. Ele assentiu e eu aproximei-me segurando seu braço com um sorriso tímido. —Só preciso me despedir de alguns parentes.

—Claro, claro. Vou avisar o Alexander que já estou indo e então poderemos ir.

Robert assentiu e ambos seguimos em direções opostas. Cada vez que eu aproximava-se da mesa onde Alex estava sentado junto dos irmãos Leto, meu coração batia mais forte. Eu não conseguia entender muito bem o porquê disso, mas atribui a razão ao fato de claramente saber que Alexander iria querer a morte em vez de me ver ir embora com o Robert.

—Olá rapazes. –disse de forma amigável ao parar ao lado do meu irmão.

—Hey Belle. Já conhece Shannon e Jared não é?

Assenti e vi Shannon e Alexander exibirem seus belos sorriso, ao contrário de Jared que ainda olhava-me com um ar cheio de cinismo.

—Sim, os irmãos Leto. –respondi sarcasticamente. Ignorei o olhar aguçado de Jared e voltei minha atenção à Alexander. —Você pode levar Elizabeth para casa dela?

—Claro. Você já quer ir?

—Sim, mas não precisa se apressar. Robert irá me levar. –na mesma hora que disse isso vi o semblante do meu irmão se fechar em uma carranca. Ele levantou-se e gesticulou para que nos afastássemos para conversar a sós. Acenei para Shannon e ignorei Jared, sem deixar de notar que ele também tinha a feição fechada.

—Robert vai leva-la para casa? –Alexander perguntou-me sem deixar de esconder as várias insinuações por trás das palavras.

—Sim, ele vai me levar. E não, eu não vou pra cama com ele. Robert e eu somos apenas amigos e nada mais, tá bom. –coloquei minhas mãos sobre seus ombros e nas pontas dos pés fiquei para beijar seu rosto. —Não precisa se preocupar comigo, Alex. Eu sei me cuidar.

—Eu sei. –ele respondeu em um suspiro cansado que me fez perceber que ele realmente se preocupava comigo.

Dei batidinhas no seu peito antes de deixa-lo para ir atrás de Robert. O encontrei conversando com Justine, que para minha surpresa, parecia muito feliz em saber que seu irmão e eu iriamos embora juntos. Céus, será que eu teria que andar com uma placa com os dizeres: não vou pra cama com o Robert Wood?

Talvez não fosse má ideia, pensei.

—Vamos? –perguntei ao parar ao lado de Robert. Ele assentiu e sem falar nada Justine apenas sorriu e acenou para nós dois.

Eu podia sentir os olhares da família Wood sobre mim. Eu podia sentir o olhar de Alexander na minha costa. Mas eu podia sentir mais ainda o olhar de uma pessoa em especial. Ao caminhar em direção ao salão principal arrisquei um olhar por cima do ombro e encontrei o par de olhos de azuis de Jared cravados em mim. Seu semblante ainda era fechado e por alguma razão eu contei um ponto para mim naquele jogo de provocação.

Robert e eu seguimos para o hall de entrada e logo que saímos do hotel o carro dele já estava estacionado em frente à entrada principal. Ele abriu a porta do carona para mim, ajudando-me a entrar e deu a volta no veículo rapidamente para entrar e por fim guiar o carro para a autoestrada. Com a liberdade que me restava liguei o rádio e sorri ao ouvir os acordes de Dream On. Robert e eu poderíamos não estar juntos, mas compartilhávamos do mesmo amor por Aerosmith.

—Essa música não saí do seu carro. –falei olhando dele para a paisagem que aparecia e sumia no horizonte.

—Existem uma série de coisas que não mudaram desde o nosso término. –Robert respondeu e eu me calei. —Desculpe, não queria falar sobre isso.

—Tudo bem, Robert. –dei de ombros e em silêncio fiquei, apenas apreciando a música que tanto gostava. Com o rosto encostado na janela apreciei a vista e deixei meus pensamentos viajarem para zonas que eu sabia, eram perigosas.

—Você e Jared se conhecem a bastante tempo? –Robert perguntou, tirando-me dos meus devaneios.

Olhei para ele de soslaio sem entender muito bem a razão para tal pergunta.

—Não, porquê?

Ele deu de ombros e sorriu. Mas não era seu sorriso amigável, era o mesmo sorriso que ele dava quando não explicaria nada e me deixava no escuro. Se fosse me outro tempo eu provavelmente iria insistir para saber o motivo da pergunta, mas eu sentia-me cansada e não queria tocar no nome do Jared tão cedo. Então fiz o melhor que eu poderia fazer. Virei meu rosto de volta para a janela, fechei os olhos e aproveitei a música que tocava.

—Ei, Anabelle. –abri os olhos diante do meu nome e percebi que havia adormecido. Robert sorriu ao me ver desperta. —Chegamos.

Olhei para o lado e vi que realmente havia chegado. Estávamos parado em frente ao prédio em que eu morava. Uma edificação de cinco andares, fachada simples e janelas com esquadrias de madeira pintada de branco. Espreguicei-me, notando o olhar que Robert lançou para o decote do meu vestido, mas ignorei, e sem falar nada abri a porta e saí. Da calçada abaixei-me diante da janela, apoiando meus antebraços nela.

—Foi bom reencontra-lo Robert e obrigada pela carona. –disse dando uma piscadela na sua direção.

—Será que podemos almoçar juntos qualquer dia desses? –ele questionou inclinando-se na direção da janela.

—Você tem meu número. –respondi e acenei para ele que sorriu diante da minha resposta.

 Afastando-me da janela e caminhando para o prédio, ouvi o motor do carro roncar alto e soube, mesmo sem olhar, que Robert havia ido embora. Soltei um suspiro de alivio ao passar pelo hall de entrada e subi demoradamente os dez lances de escada antes de chegar ao quinto e último andar. Tirei de debaixo do tapete a chave do meu apartamento e assim que entrei e fechei a porta, joguei-me no sofá querendo que aquele final de semana passasse o mais devagar possível para que eu pudesse ao menos descansar da longa carga de estresse que apenas aquele casamento havia me causado.

 

 

 

Eu caminhava apressada pelos corredores da Universidade da Califórnia, carregando alguns pesados livros enquanto tentava chegar à sala de aula. Os milhares de alunos que estudavam ali pareciam ter se multiplicado por mil, visto que quanto mais eu tentava desviar deles, mais numerosos eles pareciam. Dobrei a esquerda e subi dois degraus de cada vez até chegar ao segundo andar que para o meu alivio parecia mais tranquilo que o anterior. A passos largos caminhei para a sala de número duzentos e quarenta e três, e vi com certo alivio que o professor de Arte Grega não havia chegado. Assim que abri a porta vi um braço se erguer entre os alunos de pós-graduação em História da Arte.

—Finalmente você chegou! –Damon exclamou ao me ver sentar na cadeira ao lado dele. —Como foi o casamento?

—Eu estou ótima, Damon. Obrigada por perguntar. Como foi a sua viagem pra Marselha? –o sarcasmo na minha voz fez Damon, o meu melhor amigo na universidade, revirar os olhos verdes para mim.

—Minha viagem foi ótima. O guia era um gato e talvez nós ainda estejamos nos falando. –ele fez um biquinho ao falar e arrumou o topete incrivelmente loiro. —Mas não desconverse. Quero saber tu-do que aconteceu nesse casamento!

—Você quer saber se eu e Robert nos acertamos não é?

Damon sorriu cinicamente e assentiu diabolicamente. Ri de cinismo, mas já sabendo que eu deveria ter me preparado para o massacre de perguntas feitas por Damon Benoit. Nada passava dele e suas dúvidas eram sempre sanadas por bem ou por mal. E eu sendo sua amiga desde que entrei na universidade deveria saber isso. Arrumei-me na cadeira, prestes a contar o que tinha acontecido no casamento de Justine, quando o professor baixinho e careca entrou na sala. Automaticamente as conversas cessaram e Damon bufou sabendo que sua curiosidade iria se prolongar até o fim da aula, mas com dó arranquei um pedaço de papel e escrevi o que ele tanto queria saber. O entreguei discretamente e esperei pela sua reação.

Nada veio.

Silencio total;

Olhei para o lado e vi Damon de boca aberta e quase irrompi em gargalhadas. Mas controlei-me e tentei a todo custo prestar atenção no restante da aula.

—Como assim você conheceu dançou com Jared Leto? –ele perguntou de forma esganiçada assim saímos da sala de aula.

—Eu pensei que você quisesse saber sobre Robert e eu.

—Foda-se o Robert. Ele é um babaca por achar que pós-graduação em história da arte é um trabalho bobo. Eu quero saber tudo, Anabelle. –resmungou Damon ao sairmos junto com vários alunos para o jardim frontal da universidade.

—Você e Alexander podem formar um time contra o Robert. –brinquei.

—Eu ficaria muito feliz em formar uma família com seu irmão. Mas é uma pena que ele seja apaixonada pela Elizabeth. –disse ele em um muxoxo.

Ri da feição triste de Damon e ouvi meu celular tocar dentro da bolsa, ao pega-lo vi o nome de Elizabeth na tela. Damon mostrou-me língua por saber que ficaria na curiosidade por mais tempo.

—Surpreende-me que ainda esteja viva Elizabeth Patel. –falei assim que atendi.

—Por que diz isso? –ela questionou do outro lado da linha.

—Não me ligou para contar como foi voltar sozinha com meu irmão, presumi que vocês tinham finalmente se acertado. –brinquei e vi Damon colocar a mão na boca para controlar o riso.

—Pare de falar besteiras, Anabelle. Alexander é seu irmão e meu chefe. –Elizabeth desconversou e eu sabia que provavelmente ela estaria sem graça. —Mas eu liguei mesmo para saber se nós poderíamos almoçar juntas. Eu preciso da sua opinião sobre determinados projetos daqui da empresa.

—Claro. A gente se encontra aí na agência?

—Por mim tudo bem. Até mais, Belle.

Ao desligar vi que Damon me encarava com os braços cruzados e o semblante sério.

—Você vai me deixar na curiosidade não vai? –ele questionou amargamente.

—Não era minha intenção, eu juro. –desculpei-me enquanto dava passos para trás, ficando cada vez mais longe dele. —Prometo que contarei tudo para você hoje à noite.

—Promessa é dívida Anabelle Rossini. –ele gritou me fazendo rir ao soprar um beijo em sua direção.

Na frente da Universidade fiz sinal para um dos táxis que passavam e dei o endereço da agência de publicidade que Alexander comandava desde os seus vinte e seis anos, quando nosso pai começava a dar sinais de que não resistira a doença que o assolara. Hoje, aos trinta e oito anos Alexander era um dos maiores publicitários da Califórnia e o orgulho dos meus pais caso estivessem vivos. Sufoquei a tristeza por lembrar deles e saber que muitas das minhas vitórias não seriam vistas pelas duas pessoas mais importantes da minha vida. Forcei um sorriso e segui assim até o carro parar em frente ao prédio comercial de trinta andares e arquitetura contemporânea. Ralph, um dos seguranças que ficavam pelo térreo abriu a porta do táxi para mim assim que me viu e eu sorri em agradecimento. Segui pelo hall de entrada, sem precisar me identificar e entrei, junto com mais cinco pessoas, em um dos elevadores sociais. As portas já iam se fechar quando alguém correndo pediu para que não deixassem o elevador subir. Um dos executivos ali dentro fez o que foi pedido e sorriu para o homem que entrou no elevador.

Meu coração deu um solavanco no mesmo instante que meus olhos reconheceram o perfil bem desenhado e a barba por fazer.

—Fala sério. –resmunguei alto o suficiente para chamar a atenção para mim.

O vi virar o rosto na minha direção. O vi tirar o maldito óculos escuros e exibir aqueles olhos sobrenaturalmente azuis. E o vi exibir aquele sorriso debochado que me fazia querer sair daquele elevador o mais rápido possível.

—Olá Anabelle. É um prazer reencontra-la. –disse Jared aproximando-se perigosamente de mim, fazendo-me engolir em seco.


Notas Finais


E esse final? Só pra gente ficar pensando no que o Jared foi fazer na Agência e o que os dois vão fazer quando estiverem sozinhos (ops, spoiler).
Me contem o que acharam. Amo os comentários de vocês <3
Criei um twitter pra conversar com vocês, me sigam lá @lolabenetth
Me adc no facebook pra eu colocar vocês no grupo pra gente falar dessa e mais outras fics: https://www.facebook.com/profile.php?id=100012067969025


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