História AmorTemQuatroLetras - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Carrossel
Tags Carmiel, Ciriquina, Daléria, Jorgerida, Marilina, Paulicia
Visualizações 268
Palavras 1.430
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 25 - Confusões mentais


“Queridos, que bom ver vocês.” Lilian abriu a porta de casa, encontrando o filho, a nora e os netos. “Adorei quando ligaram para almoçar aqui.”

“Faz tempo que eu e a Marce estamos falando de vir almoçar com vocês, e hoje deu certo.” Paulo disse, enquanto as filhas abraçavam a avó.

“Vovó, você fez lasanha?” Perguntou Luna, com carinha de pidona.

“Claro, meu anjo... Eu sei que você adora.” A mais velha beijou o rosto da criança.

“Cadê o vovô?” Questionou Lara.

“Ele saiu dar uma volta, tomar um ar... Logo estará em casa.” Lilian sorriu. “Podem ligar a TV, se quiserem.”

“Vem, Gabe, vamos ver desenho.” A mais velha pegou o irmão caçula, indo para a sala com Luna.

Assim que elas saíram, Lilian encarou o filho e a nora, vendo a expressão dos dois.

“Algo errado, queridos?”

“Mãe, quão frequentes estão esses passeios do pai?” Perguntou Paulo.

“Que pergunta é essa, querido? Seu pai só gosta de dar uma volta, nada demais.” Lilian desconversou, saindo andando.

“O que foi, amor?” Alicia segurou o braço do marido.

“Alicia, meu pai sempre odiou ar livre. Ele não ia nem comigo e a Marcelina na praça para andarmos de bicicleta. E minha mãe está estranha.” Explicou o homem, preocupado.

Na mesma hora, a porta se abriu. Roberto entrou com Beca no colo e Enzo ao seu lado, as duas crianças falando sem parar. Mário e Marcelina vinham atrás, pensativos.

“Querido, você chegou.” Lilian apareceu, aliviada. “O almoço já está quase pronto.”

“Aqui está o alface, mãe.” Marcelina entregou a sacola para a mais velha, que ficou confusa. “Encontramos o papai um pouco longe daqui. Ele disse que você pediu alface, e ele estava procurando um lugar para comprar.”

“Ah, que cabeça a minha.” A senhora Guerra sorriu. “Meus amores, vocês não vão cumprimentar a vovó?”

“Oi, vovó.” Beca se jogou em seu colo, sorrindo.

“Oi, vó.” Enzo beijou o rosto da mulher. “Cadê a Lara e a Luna?”

“Na sala, vendo desenho com o Gabe.” Avisou Alicia.

“Gabe!” Beca se animou, saindo correndo.

“Ela é louca por bebês. Mas não tenham outro, pais, por favor.” Resmungou Enzo, indo atrás da irmã.

“A irmãzinha do Mário cresceu, não é? Não lembrava que ela gostava tanto de mim.” Comentou Roberto, indo para a cozinha.

“Minha irmã, seu Roberto?” Perguntou o professor, confuso.

“Mário?” O homem balançou a cabeça, confuso. “Jurava que era você e sua irmã que estavam falando comigo.”

“Pai, era o Enzo e a Beca... Nossos filhos, lembra?” Marcelina disse com doçura.

“Já falei que esse moleque está muito parecido com o pai.” O Guerra negou com a cabeça. “Lilian, vou tomar banho e dormir.”

“Querido, o almoço está quase pronto. Toma um banho e coloque uma roupa confortável, e depois desça almoçar. Acho que as crianças vão querer ver um filme conosco.”

“Achei que o Paulo e a Marcelina estariam com os amigos hoje.”

“Pai, nós estamos aqui.” Paulo estava realmente assustado.

“Ah, me desculpe, filho... Eu não dormi muito bem essa noite, estou um pouco cansado.” Roberto sorriu para o homem. “Vou tomar banho e já desço almoçar.”

Assim que o mais velho subiu, os dois casais encararam a sra. Guerra, que estava tentando manter o sorriso no rosto. Porém todos podiam ver que ela estava prestes a ruir.

“Mãe...” Paulo a chamou. “Tem algo errado com o pai?”

“Ele está um pouco esquecido, meu filho, nada demais. Coisas da idade, sabe como é... Ele vai fazer 70 anos em breve.” Ela deu um sorriso amarelo.

“Mãe, ele estava há um quilômetro daqui, sem saber direito o que estava acontecendo. Quando eu o chamei, ele me olhou como se eu fosse uma desconhecida.” Contou Marcelina, tensa.

“Ele chamou o Enzo de Mário umas dez vezes, Lilian. Isso é mais do que estar esquecido.” O Ayala viu que a sogra estava prestes a ruir.

“Lilian... Existe a chance de o Roberto estar com... Alzheimer?” Perguntou Alicia, vendo a sogra começar a chorar.

“Ah, droga.” Paulo puxou a mãe, a abraçando. Encarou a irmã, que estava prestes a chorar. “Vem aqui.”

“Desculpe, queridos.” Soluçou a senhora. “Eu só... Não sabia como contar.”

“Há quanto tempo vocês sabem?” Perguntou Mário.

“O médico deu o diagnóstico há três anos.” Os dois casais arregalaram os olhos. “Ele disse que a doença ia chegar aos poucos, que os sintomas iam começar a evoluir. Eu implorei para o seu pai, disse que precisávamos contar para vocês... Mas vocês conhecem o Roberto, ele é orgulhoso demais, não aceitava que ia ficar... Desse jeito.”

“E por que você não nos contou depois, mãe? Há quanto tempo as coisas pioraram assim?” Perguntou Marcelina.

“Ele tem tido lampejos de sanidade e névoa há alguns meses. O primeiro realmente sério foi alguns dias atrás... Ele saiu e sumiu por horas. Eu o encontrei porque o porteiro do nosso antigo prédio ligou, dizendo que ele tinha chegado de táxi lá, querendo subir.”

“Foi no dia que nós encontramos ele.” Os adultos viraram, encarando Lara e Enzo. “Ele estava na praça, e me chamou de Mário.”

“E olha que ele nem é parecido comigo, mas sim com a Marcelina.” Comentou o Ayala.

“Vocês vieram ele assim, filha?” Perguntou Alicia.

“No dia que a Sara, o Liam e o Ravi descobriram a verdade sobre o tio Davi ser pai deles, nós estávamos na praça com a Sara, e vimos ele. Ele estava meio perdido, disse que tinha ido comprar algumas coisas para a vovó.” Explicou a menina. “Nós estávamos tão preocupados com os nossos amigos, que nem percebemos que algo estava errado.”

“Nós também nunca percebemos algo de errado.” Suspirou Marcelina. “E, pensando bem, já tem um tempo que o papai anda estranho.”

“Lilian, não tem nada que se possa fazer?” Perguntou Mário.

“Infelizmente não, querido... Alzheimer é uma doença degenerativa, e mesmo com o passar dos anos, não encontraram uma cura para ela. Pelo menos, não uma que seja infalível.” A sra. Guerra sorriu com tristeza, enquanto os netos iam abraçá-la. “Nós tentamos algumas, quando a doença ainda estava nos primeiros estágios... Mas nada, nada que tentamos surtiu efeito. O Roberto continuou a piorar, e agora não vejo mais nenhuma saída.”

“O vovô vai morrer?” Perguntou Enzo.

“Não, querido... O Alzheimer não mata a pessoa, não atinge sua saúde física. Mas leva ela para um ponto que talvez a morte fosse preferível.” Suspirou a mulher. “Cada vez mais as lembranças vão escapar, sumir! A mente dele vai viajar pelo tempo, pelas épocas, e ele não vai lembrar de pessoas e lugares. O médico explicou que as lembranças recentes serão as primeiras, então talvez ele apague vocês e seus irmãos logo. Apague seus pais, nossos amigos... Me apague. Em determinado ponto, ele nem vai saber mais quem é.”

“Entendo o que você diz sobre a morte ser melhor.” Fungou Alicia. “Minha vizinha tinha Alzheimer. É como viver em uma prisão, dentro da sua própria cabeça, sem ter para onde escapar ou o que fazer.

“O que nós podemos fazer para ajudar, mãe?” Perguntou Paulo.

“Não tem muito o que fazer, querido... Eu vou com o seu pai ao médico, essa semana, e vamos ver como seguir com o tratamento de agora em diante.”

“Nós vamos com vocês.” Avisou Marcelina. “Você não é mais jovem, mãe... Uma coisa que eu sei sobre o Alzheimer é que, mais do que o doente, ele afeta as pessoas em volta. O papai vai precisar de cada vez mais cuidado, e você não vai conseguir fazer isso sozinha.”

“A Marcelina está certa, Lilian. Nos deixe ajudar como pudermos.” Pediu Mário, vendo a sogra assentir.

“Lilian, Lilian!” Roberto apareceu no topo da escada, enrolado em uma toalha. “Aonde estão o Paulo e a Marcelina? Não estou achando as coisas deles em lugar nenhum.”

“Estamos aqui, pai.” Paulo subiu, vendo que a irmã estava desconfortável pela nudez do homem.

“Paulo, aonde vocês estavam? Eu não acho as coisas de vocês em lugar algum.” Roberto estava nervoso.

“Nossas coisas estão nas nossas casas, pai, lembra? Eu moro com a Alicia, minha esposa, e a Marcelina mora com o Mário, marido dela.” O mais novo segurou o pai pelo braço.

“Ah, é, é... Vocês têm filhos, não é? Vocês deixaram eles em casa?”

“Nós estamos aqui, vô.” Chamou Enzo.

“Não, não... A Lara e o Enzo são bebês, pequenos.” Roberto colocou a mão na cabeça. “Eu estou confuso.”

“Vem, pai... Vamos colocar uma roupa e almoçar. Depois você deita e descansa um pouco, está bem?” Sugeriu Paulo, levando Roberto para o quarto enquanto Marcelina e Lilian recomeçavam a chorar no andar de baixo.


Notas Finais


Oi, gente... Desculpem a demora para reaparecer HAAHAHAHAH Estive focada nos outros projetos, mas estou tentando dividir meu tempo para todas as fics, o teatro que to dirigindo, meu canal no youtube e minha vida pessoal (além de trampar das 8h às 18h). Um dia eu consigo HAHAHAHAH
Eu quero tentar algo diferente para a relação do Roberto e do Paulo nessa fic, e achei esse caminho interessante, além de abordar outro tema importante. Minha avó paterna tem Alzheimer, e viver perto de uma pessoa assim traz uma nova visão sobre lembranças, saber quem é... Vamos ver como isso se desenvolverá!
Foi um capítulo curto, com um foco só, mas o achei importante.
Espero que tenham gostado, amores! ALIÁS, TEM VÍDEO NOVO NO YOUTUBE! https://www.youtube.com/watch?v=RiZ9jtntswQ&t=12s
E quem vai enviar fanfic para o concurso? O prazo está acabando, e eu estou louca para ver o que vocês estão programando. Maaandem logo *...*
Até o próximo, amores! Beijos ;*


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