História Amortentia - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Hansol, Jaehyun, Johnny, Kun, Mark, Taeil, Taeyong, Ten, Winwin, Yuta
Tags Hp!au, Mahoutokoro, Open Your Rice, Yuwin
Exibições 164
Palavras 4.120
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Fluffy, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Atualização saindo uma semana mais cedo porque esse capítulo ficou muuuuuito fácil de escrever e eu não quis esperar outra semana pra postar.

Meu TOC com números chega a ser assustador às vezes, sério, vocês me perdoem. Se meu TOC não matar vocês, o açúcar vai. Tá bemmmm açucaradinho, bem cheio dos nhénhénhé, mas à essa altura vocês já deveriam saber que se não fosse pra escrever fluffy açucarado eu nem levantava da cama. Falar em escrever, vocês andaram lendo as outras coisinhas que eu andei postando? Andei movimentando meu perfil bastante ultimamente, não se esqueçam de dar uma olhadinha lá no que eu postei ❤

Penúltimo capítulo, amores. Boa leitura e eu espero que gostem! ❤

Capítulo 4 - Flirting Fancies


Dong Sicheng sentia-se a ponto de vomitar de tão nervoso. Aquele tipo de infrações às regras vinham ocorrendo há meses a fio; desde que começara a “namorar”, estavam sempre inventando uma desculpa para irem no dormitório um do outro, e até então, nunca tinham entrado em sarilhos porque as bocas de Hansol e Taeil eram como túmulos. Tinha se tornado rotina, especialmente nos fins de semana. Os colegas de quarto de Sicheng nem se importavam mais depois das ameaças de Yuta, que lhes prometera que caso abrissem a boca, iam vomitar sanguessugas por semanas. E os de Yuta nem sequer se prezavam para dizer alguma coisa; na maioria das vezes, só fingiam que Sicheng não estava lá.

Só que quando o diretor da escola entrou no dormitório da Hebi em busca dele, Sicheng já começou a pensar no que diria para seus pais quando recebessem a notícia que seu filho andava quebrando as regras para se encontrar em segredo com seu namorado. Já conseguia até se imaginar voltando para casa depois de ser expulso e a reação de seus pais, que iam arrastá-lo pelas orelhas até o antigo tutor de sua irmã, com quem teria aulas integrais das oito da manhã até as oito da noite. Talvez nunca mais fosse sair de casa também depois daquilo.

Àquela altura, talvez seus pais já soubessem. Talvez seus irmãos já soubessem. Talvez sua família toda já soubesse que ele andava aos beijos e amassos com um japonês e bem, talvez fosse melhor nunca mais voltar pra casa caso eles soubessem. Sua família podia ser o quão moderna quisesse; sabia que nunca aceitariam um namorado japonês com Sicheng. Por isso sempre fugia das perguntas de seus irmãos, especialmente de sua irmã mais velha, Mengjia, que vivia lhe mandando cartas toda hora, perguntando sobre meninas e as fofocas. Seu irmão, Junhui, ocasionalmente lhe escrevia e mandava alguns doces típicos da Europa, sempre esperando algum doce japonês em troca. Ele ainda era muito novo para aquilo.

O diretor caminhava calmamente à sua frente, as longas vestes arrastando no chão, olhando para a frente, guiando Sicheng pelos corredores da pagoda. Para qualquer um que visse a escola de fora, pensaria que era somente um vulcão adormecido, e não uma escola flutuante em cima do vulcão, que não era bem um vulcão, e sim, um dragão milenar. Mesmo de fora, para aqueles que conseguiam ver além da névoa que dividia a realidade dos trouxas da mágica, só conseguia ver a enorme pagoda branca, e não seu real tamanho. Aquele tipo de feitiço permitia a escola ser remodelada em seu interior diversas vezes, de maneira que pudesse abrigar três corpos estudantis por conta do torneio. Naquele ano, a escola estava praticamente toda remodelada; a entrada do dormitório da Ryu costumava ser logo após a sala de poções, mas agora era perto do refeitório.

Foi quando eles passaram pela entrada do dormitório que Sicheng entendeu que o diretor não estava indo escoltá-lo de volta. Seguiram pelos corredores até uma parte a qual Sicheng não conhecia, com um estilo clássico, sem nenhuma parede de verdade a não ser os divisores de papel de arroz. Via pinturas japonesas que se mexiam, como o que parecia ser uma onda gigante quebrando na costa e samurais lutando com suas katanas e armaduras. Havia um cheiro forte de incenso, acompanhado de uma música ambiente, e à medida que caminhavam, ele conseguia ouvir vozes.

— Diretor Tsukimi, eu estou encrencado? — perguntou na maior inocência. O homem sorriu em resposta, se divertindo com a crença boba do rapaz que algo como aquilo fosse metê-lo em sarilhos — Eu vou ser expulso por isso? Por favor, eu não posso ser expulso... Eu fui o único da minha família a conseguir entrar aqui na Mahoutokoro, por favor, eu não posso ser expulso por causa do meu, hã, amigo e-

— Você acha que seria expulso por fazer o esperado de adolescentes da sua idade, Sicheng? — o diretor perguntou, virando-se para ele com ar de tranquilidade — Nunca expulsamos alunos que foram pegos fazendo coisas bem piores que segurar as mãos. Não podemos expulsar um dos melhores alunos por causa disso. Hoje você não vai dormir no seu dormitório, os monitores da sua casa já foram avisados.

— Mas diretor… Por quê?

— Você precisa acordar bem cedo pela manhã. Achei que já tivesse percebido que você é a pessoa mais importante para o nosso campeão aqui na escola, meu menino.

— Eu sou o refém dele? Mas e as irmãs dele? O Hansol-hyung?

— Ele escolheu você, inconscientemente, dentre as várias pessoas que ele ama que estão aqui. Não é algo ruim, Sicheng — esclareceu, com o mesmo ar gentil de antes, e por um momento, Sicheng pensou que o diretor estivesse com pena do garoto assustado à sua frente — Meu menino, isso é bom. Seu namorado se importa muito com você, percebe?

— Acho que sim.

— Então vamos continuar andando. Os outros meninos estão esperando você para jantarem — comentou, os dois caminhando lado a lado agora. Sicheng franziu o cenho; não sabia a quais meninos o diretor se referia — Talvez você não os conheça, mas eles são os irmãos mais novos das outras competidoras. Se ajudar, eles estão quase tão assustados quanto você.

Sicheng não sabia muito bem o que esperar da noite à sua frente. Assim que entrou no cômodo, se deparou com os outros dois garotos. Um deles, com bochechas bem redondas e olhos grandes, ele pôde reconhecer da mesa de Wendy, muito provavelmente seu irmão. O outro, mais miúdo e magrelo, parecia a ponto de tremer de tão assustado, e lhe lembrava Rosé vagamente. Aconchegava-se no ombro do menino bochechudo, como um passarinho tremeliquento, enquanto este enlaçava seus ombros com o braço, num abraço visivelmente desconfortável, e mesmo assim, nenhum deles ousava quebrá-lo. Sicheng achou fofo.

— Olá, meninos. Esse é o Sicheng, o namorado do Yuta. Sicheng, esses são Mark e Jisung.

Hello, hm, my name Sicheng. Nice to meet you — cumprimentou-os num inglês embaralhado, enquanto os dois se entreolhavam. Jisung, o menorzinho, tinha vestes que lhe pareciam extremamente familiares, naquele tom rosa-claro que ele via em todo lugar e-

Jisung estudava na Mahoutokoro. Claro que estudava lá, era por isso que tinha aquele nome coreano e não um nome australiano ou coisa parecida. Sicheng só estranhava que nunca o tinha visto antes, afinal, numa escola tão pequeno, era quase impossível. Todos se conheciam na Mahoutokoro, querendo ou não. Talvez Jisung e sua irmã fossem como ele e seus irmãs; talvez sua irmã não tivesse conseguido uma vaga na escola. Talvez seus pais fossem separados. De todas as formas, ele entendia o porquê de Jisung estar tão assustado; ele era tão pequeno e aquilo tudo parecia novidade para ele. Mark, o maior, usava vestes azuis, características dos alunos da Ilvermony.

How about you kids go eat a little something before going to sleep, huh? — o diretor perguntou em inglês aos dois, que concordaram lentamente com a cabeça — Come, boys, the domestic elves prepared you supper.

Os três foram acompanhados até um cômodo em especial. Havia uma mesa baixa de centro, com um prato grande e giratório de madeira no centro, onde os meninos sentaram. O diretor sorriu para eles, fechando a porta e deixando-os sozinhos. Logo que a porta se fechou, uma outra porta do lado oposto do quarto foi aberta por uma fileira de elfos domésticos com pratos e mais pratos de comida. Jisung olhava tudo maravilhado, os olhinhos brilhando; Mark só ria, os olhos arregalados como se nunca tivesse visto algo daquele tipo antes.

Hyung, this is so cool! Do you have that in America? — Jisung perguntou a Mark, sentado todo encolhido ao lado dele, embora tivesse uma expressão surpresa, todo encantado com os elfos — I’ve never seen the house elves before, have you? They're so funny! Hyung, hyung, look!

They’re cool, aren't they? We also have house elves, but we never actually get to see them… — Mark respondia, também animado e curioso — I heard Johnny-hyung is actually friends with some elves back home, that's why he always has fresh food in his dorm.

Johnny-hyung is the one that has three boyfriends, right? — Jisung dizia, pegando bolinhos de feijão vermelho, a boca cheia com os pãezinhos recheados com porco agridoce. Sicheng preferiu não participar da conversa; limitou-se a ouvir os meninos conversando, crentes de que ele não entendia inglês. Ele entendia sim, só estava se fazendo de bobo para ouvir a conversa dos dois sobre os três namorados de Johnny — I think one of them is friends with Yuta and the other two are friends with his boyfriend.

Johnny. Sicheng lembrava-se vagamente de um tal de Johnny a julgar de suas conversas com Ten, que falava dele, mas já vira Johnny com Taeil e o amigo de Yuta, Hansol. Ah, Johnny. Se Sicheng fosse um cara ruim, ele até pensaria em ir correndo contar para Tem sobre a existência de outros dois namorados, que muito provavelmente se conheciam. Mas ele não precisava daquele tipo de intriga em sua vida, precisava? Desde que seus hyungs estivessem de bem com aquilo, ele que não tinha que se intrometer naqueles assuntos que não eram da sua conta. Como o bom rapaz que era, só continuou comendo.

Eles não precisavam saber que Sicheng entendia, certo? Estavam tão ocupados demais em sua fofoca toda para repararem nele, que só observava, os olhos perdidos em algum lugar da sala. Tinha tanta coisa na cabeça que logo a conversa dos dois meninos tornou-se um som agradável para adormecer antes deles, que continuaram conversando, mesmo depois que Sicheng adormeceu. 

§

Apesar de ter dormido mais do que devia, Yuta estava nervoso além da conta. Durante seu desjejum matinal, recebera uma carta de seus pais, anunciando que estariam indo até a escola para o último desafio do Torneio Tribruxo. Ele não estava nervoso pelo medo de desapontar seus pais, e sim qual seria a reação deles ao ver que seu refém era um garoto que eles sequer conheciam. Seus pais com toda certeza perguntariam quem ele era, afinal, para que não fosse uma de suas irmãs ou Hansol ou Ten, seus amigos de anos, aquele tal rapaz precisava ser muito importante para ele. Yuta não sabia se seria capaz de dizer aos pais que gostava mais de meninos do que gostava de meninas, ou que estava namorando um garoto de quinze anos. Quinze anos. Além de ser outro garoto e ser chinês, Sicheng ainda era mais novo e nunca tinham oficializado nada – muito provavelmente o pior pesadelo de seus pais.

Era, muito provavelmente, o dia mais importante de sua vida até então e ele se sentia prestes a colocar todo seu desjejum reforçado para fora. Andava de um lado para o outro, balançava os braços, as mãos suadas e suas roupas todas pareciam pinicá-lo. Não estava de uniforme: vestia uma camiseta preta de gola alta por baixo dum casaco verde, calças também pretas e justas – “aerodinâmicas”, como ele gostava de chamar para não dizer que estava exibindo suas pernas bonitas a toa – e um par de coturnos. Tinha alguns chupões no pescoço, escondidos por um cachecol fofo e uma camada fina de maquiagem. Wendy tinha reparado nos chupões; ele conseguiu perceber o olhar torto que a norte-americana lhe direcionava, mas só ajeitou o cachecol ao redor do pescoço e fingiu que não viu.

Os três diretores se reuniram com seus respectivos campeões. O diretor da Mahoutokoro apelou pelo uso do japonês com Yuta, que só assentia com a cabeça no que tentava assimilar tudo aquilo. Ele podia morrer caso entrasse na caverna errada. Podia matar Sicheng caso fizesse algo errado; talvez perder Sicheng para aquele torneio fosse o que mais o amedrontasse. Mais ainda do que perder o torneio e desapontar a todos. Se não fosse vencer por si mesmo nem pela escola nem pelos pais, precisava vencer por ele. A voz de Hansol ecoava em sua cabeça: vencer por ele, vencer por ele, vencer por ele. Tinha que vencer por ele. Assim que deram dez da manhã, em ponto, os três foram acompanhados pelos diretores até a entrada principal da escola, da onde começaria o desafio.

O desafio consistia em resgatarem um refém cada um. A princípio, parecia bem simples, só encontrar o refém e sair dali o mais rápido possível – em teoria, ao menos, era fácil. Na realidade, envolvia chegarem intactos até a caverna do dragão, já que o caminho todo tinha sido minado com armadilhas e enigmas mágicos. Além do caminho até a caverna, as grutas em si também haviam sido equipadas com feitiços, charadas e alguns seres mágicos protegendo os reféns, os quais os campeões precisariam de derrotar para chegarem até o refém, que podia muito bem não ser o seu. Nenhum participante era suposto de levar consigo o refém que não fosse designado a si, já que a mera tentativa acarretaria na eliminação do mesmo. Cada gruta tinha um esquema próprio de defesa, com feitiços diferentes e guardiões diferentes – a ideia era surpreender os competidores no que tentavam sem sucesso entrar na gruta em questão e fazê-los perder tempo tentando entender o porquê dos feitiços não funcionarem.

Yuta não era um especialista em feitiços. Passara em feitiços e transfiguração com muita sorte e simpatia, trabalhos feitos de última hora para tentar aumentar sua nota, uma vez que sempre ia mal nos exames práticos. Era uma pessoa mais teórica do que prática, isso ele sabia, e apesar de ter estudado os desafios e finalmente encontrado um padrão, ele ainda não se sentia pronto. Ouvira de Ten que a maioria dos desafios envolvia algum tipo de magia; o primeiro podia ter sido muito mais simples de fazer se tivesse usado magia na hora de coletar os ingredientes para o antídoto e bem, o segundo fora simples demais a ponto de magia ter sido banida por conta de seu grau de dificuldade. Yuta percebia que dificultara o primeiro desafio para si próprio e que se distraíra demais com Sicheng deixando-o na mesa com os amigos dele para ir sussurrar coisinhas no ouvido de Wendy. Era ciumento, ele reconhecia, e fingia que aquilo não fora como um soco no estômago.

Mesmo que estivesse zangado naquele dia e tivesse perdido o desafio, ele não conseguia ficar zangado com Sicheng. Depois, na noite na qual Wendy e Rosé festejavam com suas escolas em seus dormitórios magicamente anexados à pagoda, Sicheng entrara em seu dormitório em segredo, como geralmente fazia nos fins de semana. Trouxera consigo sacolas de comida trouxa por dentro do robe, pratos que ele duvidava que Sicheng sequer sabia como pronunciar o nome, mas o mau humor de Yuta tinha impedido a ele mesmo de ir aproveitar a festa e ele estava com fome.

Orgulhoso, mas a fome falava mais alto que seu ego. Deixou que Sicheng entrasse, subindo em seu colo no que Yuta estava largado na cama com o livro de poções em mãos, largando as sacolas na cabeceira, a boca roçando na sua. Yuta não sabia mentir e Sicheng já tinha percebido, então logo perguntou qual era o problema, o rosto de Yuta entre suas mãos com um olhar preocupado. O mais velho sorriu, as mãos tateando pelas coxas dele, toques arrastados no que Sicheng tentava entender exatamente o que estava acontecendo com ele. Disse algo sobre querer esganar Wendy e sobre como só não o fazia por medo de ser desclassificado do torneio, o que fez o chinês rir, o rosto inclinado para beijá-lo e...

— Nakamoto Yuta, vamos! — Yuta não estava, definitivamente, com cabeça para o desafio, no que o diretor Tsukimi o chamou e ele quase deu um pulo de tão assustado que ficou ao sentir uma mão subitamente tocando seu ombro. Estava com a cabeça em outro lugar, longe dali – tinha se perdido no meio das pernas do namorado e ainda não tinha encontrado seu caminho de volta à realidade — Está na hora, meu rapaz.

O diretor encaminhou Yuta até a largada. Os três competidores ouviram uma alta salva de aplausos dirigidos a eles assim que adentraram o campo de vista da plateia; as arquibancadas mágicas flutuando numa espiral por dentro das paredes do vulcão, cheias de alunos, professores, membros do Ministério da Magia. Da plataforma especial para os campeões partirem para o desafio, Yuta conseguia ver a miniatura de uma multidão acenando para ele. Via pôsteres com seu rosto nele, alguns dizendo coisas boas, como boa sorte em sua língua natal, e outras que não pareciam tão legais assim.

Yuta caminhou até o fim da plataforma, parando ao lado de Rosé, que abriu um sorriso para ele, logo desviando o olhar. Os diretores logo abandonaram a plataforma, deixando os três campeões sozinhos para o último desafio. Yuta estava nervoso, mal conseguia se concentrar – estava planejando em aproveitar suas habilidades de voo, invocar sua vassoura e voar até a caverna do dragão. Olhou para baixo, visualizando a distância entre a plataforma e o chão e por Confúcio, quando foi que ele desenvolveu um medo de altura? Sentia vontade de vomitar seus intestinos para fora.

— Assim que a largada for dada, os campeões terão duas horas para entrarem na caverna do dragão guardião da Mahoutokoro e recuperarem alguém que lhes foi roubado — o narrador explicava, ele e os membros do comitê do torneio numa espécie de nuvem flutuante enquanto descreviam o último desafio — Dentro dessa caverna, há quatro grutas: três delas contém um refém e uma delas é o lar do dragão. Aconselhamos os campeões a não entrarem nessa gruta de jeito nenhum! Agora, no contar do três. Um, dois, três!

Ouviram o tiro da largada. Com as mãos dadas, Rosé e Wendy aparataram juntas. Yuta nem pensou direito: conjurou um feitiço de busca, fazendo que com sua vassoura viesse voando rapidamente até si. Os espectadores, em pé na arquibancada mágica, urravam a seu favor. Não teve tempo para reparar em ninguém naquela multidão toda; assim que se pôs em cima da vassoura, voou o mais rápido que conseguiu. Após quase ser acertado por um balaço enfeitiçado, teve que encontrar uma maneira de não perder um braço e chegar inteiro até a base do vulcão.

O caminho até embaixo estava cheio de armadilhas: balaços enfeitiçados, carros voadores, pégasos e hipogrifos. Era só se aproximar demais das paredes internas que alguma coisa inusitada saía voando em sua direção e cada vez era um susto diferente. A descida foi rápida, apesar de parecer mais longa do que fora na realidade por conta dos sustos que levara com cada um dos obstáculos. Chegou no chão inteiro em nome de todos os santos que conhecia; largou a vassoura no chão e saiu correndo pela gruta. O desafio mal começara e ele já estava em desvantagem; que raios de ideia fora aquela? Podia ter simplesmente aparatado e àquela altura, talvez, já estivesse entrado numa das grutas. Não podia ser tão difícil, certo? Entrar na gruta certa e sair com seu refém.

As outras duas competidoras não estavam em lugar algum que ele conseguisse ver. Colocou a cabeça para dentro de uma das grutas, sem encontrar nada. O silêncio o incomodava um pouco; sacou a varinha, preparado para enfrentar mais objetos voadores vindo do nada em sua direção. Continuou andando na primeira gruta, a varinha empunhada – sentiu seu rosto bater em um tipo de parede invisível, semelhante à sensação de ser estuporado por outro bruxo, sendo repelido fisicamente pela barreira.

Finite incantatem — disse, a parede de feitiços à sua frente logo dissolvendo. Suspirou aliviado no que continuou andando sem se deparar com nenhuma armadilha; finite incantatem, apesar de simples, devia ter funcionado para desativar todas as armadilhas mágicas. Conjurou um feitiço para iluminar o local, e logo outro para revelar a localização de quaisquer outras pessoas naquela gruta:  — Lumos maxima. Homenum revelio.

Viu uma capa de invisibilidade ser magicamente arremessada para o outro canto da sala. O menino, de olhos pequenos e cabelos escuros, não era o seu refém. Parecia muito assustado, especialmente depois de ter visto sua capa da invisibilidade sendo arremessada de seu corpo contra sua vontade. Yuta, apreensivo, pediu desculpas num inglês quebrado, dando leves tapinhas no ombro do menino, acariciando seus cabelos de leve. Buscou a capa, esta largada no chão da gruta, e passou-a por cima dos ombros do garoto. Assegurou-lhe que sua irmã – quem quer que fosse – estaria ali para buscá-lo num instante.

Entrar na segunda gruta não foi tão fácil. Depois de ter sido jogado contra uma das paredes por conta de um feitiço de proteção, ficou certo tempo tentando desvendar o feitiço que bloqueava a entrada da outra gruta. Precisou apelar para um feitiço destrutivo, conjurando um bombarda maxima no que explodiu a entrada da gruta para entrar, assustando a pessoa que estava lá. Pessoas, no caso. Rosé estava lá dentro, aterrorizada com a explosão repentina, agachada no chão, preocupada com o garoto caído. O feitiço tinha atingido-o também, causando o desmaio.

Pelas barbas de Abe Seimei, ele tinha estuporado seu namorado!

— Sicheng? Sicheng, Sicheng, Sicheng, por favor, responda! — perguntou, sacudindo o menino caído no chão. Aproximou-se dele, tentando escutar sua respiração: estava vivo, por tudo que lhe era sagrado. Só estava desmaiado mesmo. Precisava sair dali; Rosé estava cambaleando pelos escombros da entrada recentemente explodida, em busca de seu refém, e talvez Wendy já tivesse encontrado seu refém. Ele não podia deixá-la ganhar, porque se deixasse, o número de vitórias estaria empatado entre os três e teriam que criar outro desafio para desempate, o que era a última coisa que Yuta queria. Não tinha tempo para voltar voando; convocou sua vassoura e se preparou para aparatar — Accio yajirushi!

Agarrou-se a Sicheng, abraçando-o. Com a vassoura em uma mão e segurando o namorado pelos ombros, aparatou de volta à plataforma de começo. Ouviu gritos, aplausos e o hino da escola tocando no fundo, ele próprio parado embaixo duma chuva de confete colorido. Sicheng, ainda adormecido, foi levado à enfermaria, deixando Yuta sozinho numa multidão enorme.

Ele tinha vencido.

§

— Yuta-kun! Me encontre amanhã à noite às oito em ponto na frente do seu dormitório, ok? Tenho uma surpresa pra você! — Sicheng disse, no que encontrou com o namorado nos corredores, algumas horas depois. O dormitório da Hebi estava em festa; Sicheng podia jurar que nunca tinha visto os alunos daquela casa tão felizes como naquele fim de tarde. Assim que a vitória de Yuta foi anunciada e o troféu do torneio lhe foi entregue, os alunos da casa toda invadiram o pódio onde estavam os campeões, pegando Yuta no colo, carregando-o até o salão principal. As bandeiras da casa tinham sido erguidas e todo o salão estava decorado com as cores da Hebi e a música alta em homenagem ao campeão podia ser ouvida do dormitório da Ryu.

Um milhão de coisas passavam pela cabeça de Yuta naquele momento; a cerimônia de encerramento, a iminente conversa com seus pais, o fato de que tinha vencido o torneio e nem conseguia acreditar naquilo. O encerramento do torneio seria celebrado no dia seguinte, já que o diretor fazia questão de despedir-se das delegações convidadas com grande festa de despedida; a Ilvermony estaria voltando à América do Norte naquela tarde, e a Nooroma estaria voltando na manhã de domingo. Aquela noite de sexta-feira, estava, portanto, livre. Alguns alunos escolheram ir para a praia e soltar fogos de artifício; Sicheng, no caso, tinha planejado levar Yuta ao parque de diversões no vilarejo para um encontro bobinho. Talvez pudessem soltar fogos de artifício também e se beijarem no escuro.

Por Confúcio, quando foi que Sicheng se tornou tão bobo?

— Obrigado, Sichengie, obrigado mesmo por ter pensado em algo pra mim. Sério mesmo — agradeceu, tascando-lhe um beijo na bochecha; Sicheng arregalou os olhos e deixou seu corpo falar por si, todo vermelho — Mal posso esperar pela sua surpresa!

§

Logo que a festança de fim do torneio acabou, os alunos da Ilvermony se preparavam para irem embora. Sicheng se despediu de Wendy escondido de Yuta, que lhe deu um beijo na bochecha e um abraço. Johnny, no entanto, tinha saído correndo assim que foi se despedir de seus namorados: Ten, Taeil e Hansol. Os três, quando descobriram que Johnny estava com cada um deles, começaram a conjurar feitiços nele. Ten conjurou passarinhos e fez com que eles o atacassem; Taeil tinha criado uma nuvem de chuva e bem, Hansol tinha descoberto o melhor feitiço de sempre: tarantallegra, que fez Johnny Seo dançar como um louco enquanto corria.

Promise me you’ll write me, Jisung! Over the summer, specially, I’ll come visit Korea for a few days to spend some time with my family, so I guess it’s kinda near where you come from, right? — Mark dizia, todo animado, dando um último abraço forte em Jisung, que só concordava com a cabeça, sufocado pelo abraço — Send me letters! Everyday!

Yuta sorriu. Feliz.


Notas Finais


Eu não sei se vcs shippam Marksung, mas eu shippo e olha, estou #cansada de ver fanfics sexualizando eles. Não só eles, como o NCT Dream todo. Eu, que sou mais velha que todos eles, me sinto extremamente desconfortável ao ver autores escrevendo fanfics com classificação +18, lemon e coisas do gênero. Por favor, tenham em consideração que nenhum deles é maior de idade e que há uma quantidade absurda de fanfics contendo sexo e derivados. Sei que isso não tem nada a ver com a história, mas por favor, respeitem os nossos meninos NCT Dream, ok?

Sem mais, espero que tenham gostado do capítulo, não me custou tanto pra escrever quanto os outros e foi bem levezinho. O próximo é o último!


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