História Amortentia - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Hansol, Jaehyun, Johnny, Kun, Taeil, Taeyong, Winwin, Yuta
Tags 628, Harry Potter!au, Mahoutokoro, Yuwin
Visualizações 164
Palavras 3.486
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Fluffy, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Peço imensas desculpas pelo atraso, meus amores. Acabei tendo que viajar de última hora, e infelizmente, só volto para casa em agosto, o que acabou desregulando um pouco os meus horários e meu calendário. Outra vez, sinto muito pelo atraso. Vou tentar não deixar acontecer de novo!
Muito obrigada pelos comentários e favoritos! Perguntas referentes às casas da Mahoutokoro e sobre a diferença entre essa versão e a anterior de Amortentia serão respondidas nas notas finais. Outra vez, muito obrigada pelo carinho e pela recepção maravilhosa. Amo vocês e boa leitura ♡

Capítulo 2 - Cupid Crystals


Fanfic / Fanfiction Amortentia - Capítulo 2 - Cupid Crystals

— Vocês nem namoram de verdade e ele fica o tempo todo em cima de você, Sicheng! — Qian Kun, seu melhor amigo, dizia em mandarim, no que almoçavam juntos, frente a frente, numa das mesas baixas do dormitório.

Kun, do quinto ano, era amigo de Sicheng havia bons anos; praticamente cresceram juntos. Eram tão amigos que até seus pais viraram amigos, e nas férias de verão, passavam boa parte juntos; fosse passeando pelas cidades onde viviam, indo à praia ou maratonando filmes. Não era tão popular quanto Sicheng porque simplesmente não fazia questão – passava a maior parte de seu tempo livre no coral da escola, ensaiando. Taeil, o monitor da Ryu, e Jaehyun, da Tora, também faziam parte do coral, e viviam elogiando Kun.

Sicheng soltou um suspiro.

— Te contar, não gosto nada desse cara.

Sabia que não tinha como mudar a opinião do amigo em relação ao falso namorado, porque apesar de ser mentira, ainda era algo que mudava sua rotina parcialmente. Tinha que fingir que Yuta e ele estavam apaixonados, fosse marcando encontros de estudo, onde Yuta lhe emprestava suas anotações de poções e herbologia e Sicheng o ajudava com feitiços e transfiguração. Mesmo sendo dois anos mais novo, o chinês tinha as melhores notas de seu ano e conseguia ajuda-lo nas matérias em que tinha dificuldade. Sicheng não necessariamente precisava de ajuda com os estudos; só gostava de ser paparicado.

Ele, porém, não podia discordar que Nakamoto Yuta tinha as mãos nele o tempo todo. Eram abraços longos demais, joelhos se roçando embaixo das mesas da biblioteca, mãos bobas em suas pernas. Era muito contato físico para um namoro de mentira; ele mesmo não fazia questão de mostrar à escola inteira que estava “namorando” o capitão do time de quadribol da Hebi.

Sicheng não era o maior fã de demonstrações públicas de afeto, por ser muito tímido e por mal conhecê-lo direito – mesmo assim, não fugia. Podia-se dizer que até gostava daquela atenção toda. Sicheng poderia até se arrepender, eventualmente, de pregar uma peça daquele porte em seus amigos e no resto da escola com um desconhecido. O momento no qual o arrependimento bateria e ele se desse conta das consequências que uma brincadeirinha daquelas traria, porém, não estava nem perto de acontecer. Tinha até um bom motivo para acordar cedo aos domingos e assistir aos treinos de quadribol, e secretamente torcer para Yuta e sua equipe, até quando jogavam contra sua própria casa.

Agradecia aos seus antepassados que ninguém na escola conseguia ler mentes – pelo menos, não que soubesse; ele próprio não sabia fazê-lo muito bem. Oclumência ainda era muito difícil, especialmente quando não tinha com quem praticar. Talvez pudesse tentar ler a mente de Kun e ver o que se passava na cabeça dele para entender os motivos pelos quais seu melhor amigo não gostava de Yuta. Pura curiosidade, claro. Sabia que Kun não tinha motivos para sentir ciúmes, afinal, Kun tinha uma namorada em sua cidade natal. Não tinha nem porquê sentir ciúmes além de um ciúme saudável de melhor amigo.

— Kun, por favor... É uma brincadeirinha de nada, não vai doer em ninguém. Ele só entrou nessa comigo porque é maluco da cabeça.

— É sério. Ele é japonês, Sichengie — afirmou o outro, com o típico olhar esnobe que qualquer chinês fazia quando se falavam em seus vizinhos — Sem falar que até hoje não entendi da onde você tirou essa ideia que era uma boa pregar uma peça na escola inteirinha sem mais nem menos.

Kun vinha de uma família tradicional, que desde muito cedo foi ensinado a odiar os japoneses. Sicheng, diferentemente de Kun, tinha crescido numa família mente aberta; grande parte de sua neutralidade em relação aos japoneses vinha de seu pai, que trabalhava no Ministério Chinês de Magia, sendo o principal responsável pela cota para alunos chineses na Mahoutokoro. Se não fosse por ele, não haveria a menor chance de qualquer aluno chinês naquela escola. Apesar do grande número de famílias mágicas, a maioria em si preferia educar os filhos em casa, porque não os queriam em contato com japoneses. Na cabeça de vários pais, aquilo era o pior que poderia lhes vir a acontecer: seus filhos sendo amigos de japoneses.

Sicheng não conhecia nem imaginar a reação dos pais de Kun se um dia descobrissem de seu namoro com Yuta.

— E daí? Não é real! — respondeu — Você nem o conhece. Deixe esses seus preconceitos de lado e tente fazer um esforço para ver que ele é um cara legal. E japonês.

— E você ainda o defende... — retrucou, ainda com aquele ar arrogante, o que incomodou Sicheng. Optou por não dar continuidade; desviou o olhar para a mesa do lado por alguns instantes — Não achei que estivesse levando isso a sério.

— Faça isso por mim, por favor. Mesmo que não seja real, não implica que não possa vir a ser.

— Espero que não esteja cogitando se apaixonar por esse cara. Seu yuanfenprincípio de amores predestinados — não colocaria um japonês na sua vida. Talvez seja seu karma ruim, afinal, olha o que você anda fazendo...

— Deixa isso de lado. Vamos falar sobre algo agradável, que tal?

— Um garoto do turno integral me perguntou se eu não podia ser tutor dele. Você sabe, Chengie, eu não ando com muito treino por causa do coral, então pensei que... Talvez você pudesse fazer esse favor por mim. Por favorzinho, te juro que nunca mais reclamo desse seu namorado!

Sicheng acabou cedendo, no fim, e anotou os contatos do tal Zhong Chenle que estava precisando de um tutor.

Em meados de outubro, foi anunciado que a Ilvermony, da América do Norte, e a Noorooma, da Austrália, eram as outras escolas participantes do Torneio Tribruxo. As inscrições foram abertas a todos os alunos maiores de dezessete anos. Yuta, por exemplo, foi um dos primeiros a se inscrever. Queria participar do Torneio assim como qualquer um; era uma questão de honra à sua casa, à sua escola, e acima de tudo, a seu país.

Aquele era o primeiro torneio que a Mahoutokoro hospedaria depois de anos sem poder participar; por conta de intervenções diplomáticas, a escola foi isolada e proibida de participar pelas autoridades mágicas internacionais. Nem era referente à escola em si, e sim ao Japão; o massacre de Nanquim e os ataques à Pearl Harbor, além das mulheres de conforto e a má conduta do exército japonês acarretaram na proibição da participação da Mahoutokoro em qualquer evento internacional – nem da copa mundial de quadribol puderam participar.

Yuta, porém, tinha orgulho de ser japonês. Sonhava em um dia jogar pela seleção de quadribol – ou de futebol – e em trabalhar no Ministério Internacional da Magia e representar o Japão lá. Ele entendia de história mágica tanto quanto entendia de história trouxa. Sabia dos incontáveis erros militares e civis de seu país no passado, como a invasão e destruição de grande parte da China, fabricar um motivo para invadir e colonizar a península coreana, além de invadir as colônias alemãs no Pacífico – a lista de erros era extensa a ponto de ser assustador. Amava seu país, apesar dos erros do passado; sabia que o Japão era muito mais que seus crimes de guerra, e só queria que vissem além das guerras e atentados. O Japão era mais que crimes de guerra; era cultura, era artes, era língua, era tantas coisas que...

— Não sabia que queria participar — Sicheng comentou, acordando Yuta de seus devaneios, no que esbarrou nele em seu caminho para acompanhar Taeyong até o registro. Taeyong torceu o nariz e seguiu sozinho, deixando os dois a só; não tinha digerido muito bem a ideia do namoro falso — Peço desculpas pelo Taeyong-hyung. Ele ainda não se acostumou com a gente, hm... Namorando.

— Eu preciso participar, entende? Preciso honrar minha casa, minha escola, e meu país — explicava, no que estavam os dois parados, frente a frente — E eu sinto muito pelo seu amigo babaca. De verdade.

— Ele não é babaca! É só... Protetor — rebateu. Mesmo que a atitude de Taeyong tivesse sido infantil e desnecessária, até, Sicheng não podia deixar seu namorado falar daquele jeito de um amigo seu, especialmente quando este prezava tanto por si — Faz quase um mês que estamos “juntos” e ele ainda não conseguiu superar que eu não tive coragem de contar antes. Acho que ele não esperava.

— Que você gostasse de garotos?

— Que eu namorasse um japonês.

Yuta entendeu o que Sicheng queria dizer; não só entendeu, como arrependeu-se imensamente de ter feito aquela pergunta em cada partezinha de si. Era um assunto delicado. O japonês nunca pensou que alguém poderia não gostar de si por conta de sua nacionalidade, uma vez que a Mahoutokoro era uma escola internacional e os alunos eram, de certa forma, forçados a lidarem com diversidade e as diferenças entre si. Ser japonês não era algo de que Yuta se envergonhava; momentos como aquele, porém, o deixavam com vontade de sumir, engolir seu nacionalismo e fingir que era de qualquer outro país.

O silêncio entre os dois era desconfortável, mas nenhum dos dois fez esforço para quebra-lo. Assim que Taeyong voltou, Sicheng despediu-se e saiu, acompanhando o amigo.

Na semana seguinte, as delegações das outras escolas chegaram. A Academia de Magia da Oceania, Nooroma, trazia seus pouquíssimos alunos numa espécie de canoa aborígene gigante que voava. Chegaram empenhando cajados de madeira e longas capas de couro, cantarolando o hino da escola numa harmonia sinistra, que fez com que Sicheng sentisse arrepios. O diretor da escola acompanhava sua campeã, que lideravam o resto da escola. Embora não fosse reconhecida internacionalmente, a Noorooma tinha um longo histórico de bruxos e bruxas famosos, como Ethel Turner, uma jornalista bruxa que viajava o mundo contando suas aventuras, e Garth Nix, o diretor.

Quando Sicheng ficou sabendo que a delegação norte-americana estaria chegando, preferiu nem ir vê-los. Arrastou Kun para a biblioteca para ficarem fofocando e ocasionando conversando sobre algum trabalho chato ou alguma fofoca que ouviram. Kun, que ainda não gostava de Yuta, já escondia melhor o desgosto, ocupando-se em falar sobre sua namorada e como mal podia esperar para ir vê-la nas férias. Sicheng só engolia aquele papo, sem sequer perguntar. Via fotos dela e pensava se o amigo estava mentindo sobre o namoro, e logo largava a ideia de lado. Ele próprio estava mentindo, de qualquer maneira, e não lhe cabia julgar caso Kun fizesse o mesmo.

Conseguiram escapar da algazarra que foi a chegada das outras duas escolas, mas não conseguiram fugir do sorteio do campeão da Mahoutokoro. A escola inteira parou; todos os alunos foram chamados para o salão principal, e Kun precisou se juntar ao resto de alunos da Saru, deixando Sicheng com Taeil. Sentaram-se lado a lado, no fundo, observando o círculo de alunos da Mahoutokoro que esperavam o sorteio, em volta do Cálice de Fogo.

O diretor Tsukimi estava parado ao lado do Cálice. Ergueu a mão, esperando que o Cálice cuspisse o nome do escolhido. A vice-diretora, Bakkin, pegou o papel no ar e entregou ao diretor, que franziu o cenho e apertou bem os olhos para conseguir ler o nome do escolhido.

— Nakamoto Yuta, sexto ano!

Yuta, por um momento, nem acreditou que fosse ele. Foi quando ouviu os aplausos, os olhares todos direcionados para ele, e os tapinhas nas costas dos garotos ao seu redor. Hesitou por um momento antes de caminhar até onde o diretor estava. Fez uma reverência a ele, e logo virou-se para reverenciar o resto da escola.

Sentiu o diretor segurar sua mão e levantá-la, recebendo aplauso dos professores e alunos. Suas irmãs, Momoka e Sora, vieram dar-lhe os devidos parabéns; um abraço apertado dos três irmãos, no que Momoka esmagava seus irmãos mais novos em seus braços.

— Por favor, senhoras e senhores, deem uma salva de palmas para os campeões das três escolas! Rosé Park, da Academia de Magia da Oceania! Wendy Son, da Escola Norte-Americana Ilvermony! Nakamoto Yuta, da Mahoutokoro! — anunciou o senhorzinho do Ministério Internacional de Magia, animado.

Os três campeões, parados ao lado dos respectivos diretores de suas escolas, ficaram lado a lado enquanto os alunos das três escolas aplaudiam e torciam. Yuta sentia os olhares em si, fosse de amigos, conhecidos e até desconhecidos, e sentiu um enorme peso em cima de seus ombros: não era só o Nakamoto Yuta do sexto ano, capitão da equipe de quadribol da Hebi, e sim, o campeão da Mahoutokoro, que carregava a honra da escola nas costas.

Assim que os três foram anunciados, o banquete começou a ser servido. Yuta sentou numa mesa com as outras meninas. Wendy estava acompanhada de seu irmão mais novo, Mark, e Rosé, seu irmão mais novo, Jisung, que estudava na Mahoutokoro, a julgar pelo uniforme. As duas irmãs de Yuta se juntaram à mesa, e logos os campeões e seus irmãos começaram a conversar; tudo bem que Yuta e suas irmãs se sentiam um pouquinho excluídos por conta da barreira linguística, mas aquilo não os impediu de tentarem se conhecer um pouco melhor.

Yuta descobriu que Wendy e Mark riam de absolutamente qualquer coisa – fossem piadas boas, ruins, ou nem fossem piadas – e riam muito alto, ainda por cima. Rosé e Jisung – um molequinho da Saru – eram mais introvertidos, o que resultou num bom equilíbrio durante o banquete. Ele próprio era extrovertido e falava bastante, o que ajudou a conversa a fluir entre eles.

No final do banquete, o senhorzinho do Ministério voltou a se pronunciar:

— O primeiro desafio será anunciado segunda-feira pela manhã! Descansem bem, campeões!

O fim de semana passou um pouco mais rápido do que Yuta gostaria. Dormiu mais do que devia e não fez nada de diferente – foi ao treino de quadribol como iria em um fim de semana normal, passou algumas horas na sala de poções tentando aperfeiçoar uma poção com a qual estava tendo dificuldades, e bem, não fez nada além disso. A verdade era que nem conseguia pensar na possibilidade de que realmente era o campeão da Mahoutokoro, e que o Torneio Tribruxo começava, de fato, naquela segunda-feira.

Dito e feito. Segunda pela manhã, mal teve tempo de tomar um desjejum reforçado que logo ficou praticamente surdo com o anúncio do senhorzinho do ministério, cuja voz ecoava no salão principal e deixou alguns vários alunos de mau humor.

— A primeira tarefa será a preparação de um antídoto para a Poção Morto-Vivo, mais conhecida como Poção Wiggenweld. Os campeões têm direito a um caldeirão cada. Esse, porém, não é o desafio por inteiro; a parte difícil será encontrar os devidos ingredientes dentro da Floresta. Os campeões terão duas horas para se prepararem para este desafio. A largada será dada na entrada principal da escola. Boa sorte!

Rosé praticamente largou seu copo no colo. Wendy manteve a postura, embora estivesse visivelmente menos confortável. Yuta, no entanto, estava confortável com aquele desafio; era um dos melhores alunos de poções da escola e tinha, portanto, de vencer. Até porque o problema não era fazer, e sim, encontrar cada ingrediente da extensa lista, preparar tudo numa floresta cheia de banshees, centauros e outros seres mágicos menos amigáveis. A única vantagem que tinha era sua facilidade para preparar poções e Sicheng, que entendia qualquer coisa de tratos de criaturas mágicas.

Recebeu vários “boa sorte” de seus colegas e amigos. Suas irmãs vieram deixar consigo seu livro de poções e seu caderno, assim como uma lista ilustrada dos ingredientes necessários. Trouxeram-lhe uma capa de chuva, um par de galochas e um recado do namorado, que pedia desculpas por não poder ir assistir o desafio, já que estava ocupado com trabalhos. Como pedido de desculpas, mandou uma listinha de criaturas mágicas que poderiam ser encontradas na floresta, e assinalou em vermelho com quais ele deveria ter cuidado. Não sabia como Sicheng ficou sabendo do desafio, mas pediu às irmãs para agradecerem por ele.

Yuta estava confiante – talvez ganhasse. E se ganhasse, só precisaria ganhar mais um desafio para vencer o torneio. Falando assim, até parecia simples.

Trocou o robe pela capa de chuva, os sapatos escolares pelas galochas e logo foi até a entrada principal da escola, acompanhado de vários alunos da Mahoutokoro. Com o caldeirão embaixo do braço, as anotações e varinha dentro do mesmo junto com um sinalizador de emergência. Só conseguia pensar em como faria para vencer e em como não podia perder aquele desafio. Não fazia a menor ideia do que viria pela frente, e nem sabia o que fazer caso as coisas ficassem gradualmente mais difíceis.

— Campeões, a postos! O primeiro desafio começa em três... Dois... Um!

Yuta decidiu que aparatar seria a melhor opção no momento para não gastar energia demais no começo do desafio. As outras duas aparataram juntas, e logo Yuta as viu outra vez, correndo com as listas de ingredientes nas mãos e caldeirões embaixo dos braços. Ele, porém, não correu. Sabia que, de acordo com a lista de Sicheng, aquela partezinha inicial da floresta era povoada por centauros. Não podia correr o risco de ser atingido por uma flecha ou algo parecido.

Caminhou em seu próprio ritmo, devagarinho, procurando pelos ingredientes. Em pouco tempo conseguiu encontrar os acônitos roxos – e venenosos, inclusive, que quase fizeram com que Yuta tivesse uma reação alérgica terrível – e alguns vermes-cegos, dos quais extrairia o muco depois. A lista de ingredientes era extensa e continua muitos ingredientes os quais ele precisaria preparar antes mesmo de começar a poção em si. O limite era o pôr do sol, ouviu do alto-falante mágico em algum lugar na floresta, e mesmo sabendo que conseguiria acabar, tinha medo que uma das meninas conseguisse acabar antes.

Tudo bem que nenhuma delas tinha cara de quem fosse um gênio de poções, mas nem Confúcio sabia o que poderia acontecer num desafio daqueles. Precisava se acalmar e focar no que sabia fazer. Tinha que mostrar às outras escolas que a Mahoutokoro não tinha a reputação de uma das melhores escolas do mundo à toa. Tinha, acima de tudo, que provar a si mesmo que era bom o suficiente para estar ali.

Respirou fundo. Gastou outras três horas atrás dos outros ingredientes. Quase desmaiou quando puxou uma mandrágora do solo, devido ao grito insuportável que esta plantinha danada emitia – teve foi sorte de lembrar um feitiço silenciador antes de perder a consciência.

Quando já tinha os ingredientes que precisava, parou em uma clareira no meio da floresta. Precisava se organizar. Largou o caldeirão em cima de uma pedra lisa, que serviria como mesa de trabalho. Com a varinha, conjurou alguns feitiços de proteção para proteger sua área de trabalhos das outras competidoras e de outros seres fantásticos da Floresta enquanto ia buscar água no riacho.

Usou um pouco de magia para criar uma fogueira, e depois fazer seu caldeirão flutuar acima dela, fervendo a água. Logo colocou sua mandrágora para cozer e sentou-se, exausto. Tinha fome, sede, e seu corpo inteiro doía. Sua condição física era apropriada para atividades curtas e intensas, não caminhadas de horas sob o sol. Era um desafio tanto mental quanto físico que ele não tinha certeza que conseguiria vencer, uma vez que aquele ainda era o primeiro desafio e sentia-se mental e fisicamente esgotado. Não era tão fácil quanto pensava. Ele, porém, não tinha opção: precisava ir até o fim.

A poção demorou outras duas horas para ficar pronta, e estava, então, na hora de retornar. Recolheu seus materiais e logo tratou de voltar, seu caldeirão flutuando atrás de si no que cambaleava até a entrada da floresta. Sentia-se enjoado, desidratado e pronto para dormir por uns dois dias. Tinha bebido pouquíssima água e não comia desde a manhã, quando seu melhor amigo, Ji Hansol, o fez tomar um desjejum reforçado. Aguentou a fome bem até metade do dia, só que o cansaço físico, a falta de água e o sol somados o deixaram exausto.

Chegou, certo tempo depois, à entrada da floresta.

O som dos aplausos altos o ensurdeceram momentaneamente. Tinha sido o primeiro a chegar, apesar de tudo. Hansol e suas irmãs estavam lá na frente; os primeiros rostos conhecidos que via naquela multidão de gente, felizmente.

Entregou o caldeirão para os organizadores, logo cambaleando no meio dos expectadores, estando Hansol e um outro menino da Ilvermony praticamente carregando-o em seus ombros para dentro do castelo. Nem sequer pensou em suas oponentes ou em quem venceria; só queria dormir.

Deitaram-no na maca da enfermaria, onde recebeu os devidos cuidados médicos para tratar a insolação que apanhara. Acabou por desmaiar logo depois da enfermeira ir buscar algumas compressas de água fria. Hansol sorriu, orgulhoso, apesar de preocupado.

Desde que Yuta entrou na floresta, Hansol se manteve em frente ao telão magico, observando seu amigo, apreensivo. Não era de falar muito, mas não se conteve quando Yuta quase desmaiou por causa da mandrágora – soltou uma dezena de palavrões em sua língua materna. Ao menos Yuta estava bem. Horas depois, quando saiu da enfermaria, que descobriu que nada tinha sido em vão.

Yuta tinha vencido a primeira tarefa.


Notas Finais


Sobre os capítulos;
Amortentia, originalmente, tinha 5 capítulos massivos. Eu decidi dividi-los em 8 capítulos menores, adicionar 2 especiais e um epílogo. O enredo, em si, não mudou - só reescrevi os capítulos antigos. A única diferença são os capítulos especiais e o epílogo.

Sobre as casas da Mahoutokoro;
A Ryu (do japonês, dragão), casa do Sicheng e do Taeil, tem alunos descritos como independentes, ambiciosos e arriscados. Alunos dessa casa nunca hesitarão em ajudar o próximo, embora o mesmo não possa ser dito sobre eles. Se fosse comparar a Ryu a uma casa de Hogwarts, seria uma mistura da ambição e coragem da Grifinória e o altruísmo da Lufa-Lufa.

A Hebi (do japonês, cobra), casa do Yuta e do Hansol, é lar de alunos particularmente inteligentes e analíticos. Alunos dessa casa são descritos como os mais inteligentes - seja em méritos escolares ou não, e tendem a serem bruxos de sangue-puro e famílias com gerações e mais gerações de bruxos poderosos. O equivalente seria uma mistura da inteligência natural da Corvinal e da arrogância da Sonserina.

Alunos da Tora (do japonês, tigre), como o Taeyong e o Jaehyun, são corajosos, competitivos, líderes naturais e adoram um bom desafio. Conseguem ser um pouco teimosos, gostam de estarem sempre certos e são muito inteligentes. A Tora seria uma mistura da competitividade e liderança natural da Grifinória e da presunção da Sonserina.

A Saru (do japonês, macaco), casa do Ten, tem alunos curiosos, divertidos, inteligentes e brincalhões. Alunos dessa casa são criativos e muito intelectuais. Para descrever um aluno da Saru, precisaria imaginar a inteligência e curiosidade para constante aprendizagem da Corvinal e atitude desconstraída da Lufa-Lufa.

Eu, particularmente, me considero uma Saru. E vocês?
Falem comigo no Twitter (twitter.com/sinchxng) e no Curiouscat (curiouscat.me/sincheng)!
Espero ter respondido às vossas dúvidas. Muito obrigada por lerem até aqui e até dia 01 ♡


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