História Amor Vincit Omnia - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, D.O, Kai, Sehun, Suho, Xiumin
Tags Abo, Baekhyun, Exo, Fluffy, Kai, Kaisoo, Kim Jongin, Kyungsoo, Sehun, Sookai, Xiumin
Visualizações 295
Palavras 3.416
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Leiam as notas finais, por favorzinho.
Obs: Não esqueçam que as partes em itálico são flashbacks

Capítulo 4 - Chapter IV


P.O.V. Kim Jongin

 

 

Um mês havia se passado. Os dias corriam de forma lenta, e o culpado disso era a pessoa que, até alguns dias, considerava meu melhor amigo.

 

Do Kyungsoo me ignorava a todo e qualquer momento. Já havia tentado de tudo. Conversar com ele, e até leva-lo em seu maldito restaurante preferido, falando que comeria o que ele pedisse, contanto que concordasse em me ouvir. Queria que pudéssemos conversar por alguns minutos.

 

Não sabia porque o Do tinha se afastado. Não conseguia achar um motivo, mesmo que tentasse. Estava tratando-o como sempre, então porque só agora havia resolvido que minha presença não o apetecia mais?

 

Era doloroso observa-lo passando ao meu lado, quase encostando nossos ombros, e não ouvir sua voz. Era como se Kyungsoo tivesse se tornado um estranho.

 

Era impossível que eu aceitasse isso. Ele deveria estar chateado, eu só precisava descobrir com o que.

 

Mas isso não era de seu feitio. Kyungsoo nunca tinha se calado quando algo o desanimava. Sua sinceridade sempre foi algo que me atraiu, então, para onde havia ido toda aquela cumplicidade que tínhamos?

 

Sentia-me vazio, e essa era uma sensação que, até o momento, era desconhecida para mim. Afinal, como poderia ter pensamentos assim, se sempre o tive comigo?

 

Se Sehun não tivesse se afastado, tenho certeza que caçoaria de mim pelo resto da vida. Já comentava que eu demonstrava fragilidade demais para um alfa, imagine se soubesse do dia em que dormi enquanto chorava.

 

Nunca havia provado da sensação, e queria que não precisasse atura-la mais, pois era doloroso.

 

Nunca soube o quanto era dependente de Kyungsoo. Não sabia que era a probabilidade de encontra-lo sorrindo, que fazia-me levantar da cama todos os dias sem grandes dificuldades.

 

Hoje em dia, a tortura começava logo pela manhã.

 

O que mais abalava-me era não ver mudança alguma em seu comportamento. Ele parecia ser o Kyungsoo de sempre, apenas distante demais de seu velho amigo.

 

Era o único que estava sofrendo?

 

Era frustrante, pois enquanto continuava me afundando em uma depressão palpável, parecia que estava sofrendo por alguém que nem havia tido a decência de fingir uma leve tristeza.

 

Mas isso contradizia tudo o que conhecia de Kyungsoo. Sempre que pensamentos desse tipo atingiam-me, forçava-me a lembrar de como meu amigo realmente era. O Kyungsoo que sempre amei.

 

Ele era emotivo, e se entristecia facilmente. Sempre carinhoso, e foi, muitas vezes, um ombro em que eu pude chorar e descontar as frustrações que adolescentes normais carregam. É uma pessoa doce, e que sempre havia cuidado de mim.

 

Pensando agora, em todos esses momentos, percebi o quão horrível tinha agido. Mesmo que tivesse alguém com quem contar, Kyungsoo nunca havia se aberto comigo, e eu sabia que, em alguns momentos, tinha dores piores que as minhas.

 

Deveria ter insistido mais?

 

Que tipo de amigo era, que quando via Kyungsoo abatido, não fazia nada para ajuda-lo? Pizza e videogame nunca curou ninguém. Eu deveria saber disso.

 

Talvez Kyungsoo tivesse se cansado de minhas falhas tentativas de anima-lo, sem realmente ajuda-lo da forma correta? Era uma probabilidade compreensível, e isso fazia a dor em meu peito se tornar ainda pior.

 

Não havia sido suficiente. Esse era o único motivo que conseguia pensar, e agora teria que aprender a sobreviver um dia de cada vez, sem sua presença ao meu lado.

 

Kyungsoo havia se tornado parte de minha vida rapidamente. Era tão pequeno quando o conheci, que ao menos lembrava-me do sentimento de não tê-lo por perto.

 

A sensação era horrível, e corria-me por dentro. Foi nesse momento que tive certeza do que já desconfiava. Essa dor não poderia ser causada por um sentimento de afeto, uma amizade. Era bem mais que isso.

 

Constatar o fato me assustou, mas não poderia caracterizar como um verdadeiro choque. No fundo, sempre soube.

 

O que Kyungsoo me causava, nenhum de meus amigos conseguia. Nem mesmo Sehun, e ele era a segunda pessoa mais próxima de mim, mesmo com todos os seus defeitos.

 

E era muito mais profundo que uma simples atração. Eu amava cada pequeno traço de Kyungsoo, e só queria que ele soubesse disso.

 

Lembrava-me de um momento. Momento que, se tivesse agido, talvez não estivesse passando por isso agora.

 

Naquele dia, a pouco mais de um ano, finalmente tive a chance de tomar uma iniciativa, mas deixei-a escapar por meus dedos. Como pequenos grãos de areia.

 

Era um dia comum em que Kyungsoo havia ido até minha casa. Sempre reservávamos as quartas-feiras para que pudéssemos nos encontrar. Uma pequena promessa que carregava tantos significados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assistir tv era o que fazíamos nos dias chuvosos. Sempre fiz questão de questionar a existência deles, já que nada de realmente interessante acontecida. Mas Kyungsoo discordava de mim, e naquele dia, acabei por concordar com ele. Finalmente apreciando a excelência que os pingos de chuva tinham ao bater contra a janela de meu quarto. Deixando o clima relaxante e gostoso.

 

Estávamos enrolados em um grosso edredom, assistindo um filme que eu considerava desinteressante, mas que Kyungsoo parecia completamente focado, com os olhinhos atentos a tudo que se passava no televisor. Isso me fazia ter vontade de rir, mesmo que a situação não fosse cômica.

 

Kyung balbuciava coisas aleatórias enquanto enchia sua mão mais uma vez com a pipoca que havíamos preparado, levando a guloseima até os lábios despreocupadamente.

 

Nem percebeu quando seu corpo recostou-se sobre o meu, deixando nossos ombros colados. Bocejando antes de fechar os olhos por alguns segundos, e quando voltou a abri-los, foram direcionados a mim. Não tinha desviado minha atenção dele em momento algum.

 

- Estou ficando com sono. - Sussurrou.

 

Os únicos sons presentes no local eram os das gotas de chuva. A televisão estava em um volume tão baixo, que não sabia como Kyungsoo entendia as falas do filme.

 

- Se quiser dormir, não tem problema. - Era uma sensação diferente, pois estava próximo demais de Kyungsoo. E era bom tê-lo daquele jeito.

 

- Seu braço vai doer se continuarmos assim. - Falava calmamente, seus olhos lutando para continuarem abertos. Porém, eu o conhecia, e sabia que não demoraria mais dois minutos para Kyungsoo entrar em sono profundo.

 

- Magrinho do jeito que você é? Só pode estar zoando. - Brinquei, vendo uma careta se formar em sua face. - Pode descansar, se começar a doer faço questão de te jogar pro lado. - Sorri, vendo-o bufar antes de concordar comigo.

 

Como esperava, não demorou até que pudesse ouvir sua respiração acalmar-se. Mergulhado em um sono tranquilo e aconchegante.

 

Durante o tempo em que Kyungsoo descansou sobre mim, fiquei observando-o. Todos os detalhes faziam-me suspirar. Ele tinha a pele tão clara quanto porcelana, e o contraste dela para com seus lábios era maravilhoso.

 

Ri sozinho, lembrando-me de todas as vezes que demonstrou ser a pessoa mais marrenta do mundo. O temperamento explosivo e sem paciência. Tudo fazia parte dele, e eu não o trocaria por nada.

 

Kyungsoo despertava novas sensações em mim. Todas as minhas primeiras vezes eram dedicadas ao garoto... Quando senti meu coração bater forte, ou quando achei um cara atraente pela primeira vez.

 

E agora, que estava com vontade de encostar meus lábios nos de outra pessoa.

 

Elevei uma de minhas mãos até que pudesse tocar seu rosto. Deslizei o polegar lentamente pela bochecha, enquanto continuava concentrado em seus traços. Ah, como eu adorava todos eles.

 

Sentia meu corpo flutuar, e tudo isso era causado por um toque tão singelo. Sua pele era macia, e não me importaria se pudesse continuar dando-o carinho.

 

Meus dedos deslizaram de sua bochecha para o cabelo. Afastando os poucos fios que caiam sobre seus olhos. Sorri quando vi suas pálpebras tremeram, ele estava finalmente acordando.

 

Mas, assim que me encarou, não consegui manter o sorriso. Apenas continuei olhando-o, dessa vez, completamente sério.

 

Queria, mais que tudo na vida, poder tocar seus lábios, eles me pareciam tão macios e aconchegantes.

 

Seus olhos também estavam vidrados aos meus, e, apenas por alguns segundos, pude sentir que era correspondido. Kyungsoo ansiava por aquele contato tanto quanto eu.

 

De seus cabelos, meu toque voltou para sua pele. Era suave, terno, demonstrando tudo o que sentia naquele momento. Ele era tão precioso pra mim.

 

Nada tinha sido dito, e realmente não havia necessidade de palavras. Quando meu indicador encostou em seus lábios, vi seu corpo tencionar. Ele estava nervoso.

 

Mas, assim que tomei coragem, senti as mãos de Kyungsoo tocarem meu peito, afastando-me de si.

 

Não sabia o que havia doído mais. O vazio momentâneo que atingiu-me, ou o olhar entristecido de Kyungsoo.

 

- Preciso ir pra casa. - Sussurrou.

 

Quase podia ouvir sua voz soar embargada. Mas isso poderia ser mais um engano meu, dentre tantos outros. O Do não compartilhava do mesmo sentimento. O braço que colocou entre nós havia deixado tudo claro.

 

E foi assim que o deixei partir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amaldiçoava aquele momento mais que tudo na vida.

 

Aquele olhar... O olhar de Kyungsoo não era de rejeição, e eu deveria ter percebido isso. Havia tanta tristeza ali.

 

Deveria tê-lo segurado em meus braços. Não deixado que passasse pela porta sem que tivesse o gosto de meus lábios nos seus. Sem que eu pudesse prova-lo uma vez sequer.

 

Arrependia-me de, no dia que tive oportunidade, não tê-lo tornado meu.

 

P.O.V. Do Kyungsoo

 

Desde muito cedo, aprendi que não se deve julgar uma pessoa pelo que ela exteriormente aparente ser, pois, eu era o caso mais evidente disso.

 

Acho que, uma das maiores qualidades de Do Kyungsoo era aparentar estar bem. Fazia isso a tanto tempo, que havia se tornado simples como respirar. Porém, algumas vezes ainda sentia dificuldades. Isso acontecia quando a dor era forte demais.

 

Não sabia explicar o que senti no momento que vi Jongin e Baekhyun. Eles me pareciam tão bonitos juntos, exalando sorrisos e olhares cúmplices.

 

Naquele dia, resolvi que não deveria ficar em casa remoendo as coisas desagradáveis que aconteciam comigo, e saí para caminhar pelas ruas movimentadas. Só não esperava encontrar minha maior fonte de dúvidas enquanto fugia dela.

 

Agora, sempre que olhava para Jongin e sua pele deliciosamente morena, lembrava-me da cena, e isso era algo que ainda não conseguia lidar.

 

Ele já havia tentado se aproximar. Sentia-me horrível por faze-lo passar por isso, sendo que Jongin nunca teve culpa de meus sentimentos.

 

Em seus pensamentos, eu deveria ser a pior pessoa do mundo, e isso fazia meu peito doer. Mas, nesse momento, deveria pensar primeiramente em mim.

 

- Você está bem? - Essa pergunta estava se tornando tão recorrente, que não tive ação por alguns segundos, e Junmyeon sabia o que aquilo significava, mesmo que meus lábios pronunciassem palavras distintas.

 

Suho, como eu costumava chama-lo desde que descobri o apelido que usava em sua antiga escola, estava ainda mais próximo de mim. E isso era bom, pois ele conseguia distrair-me.

 

Nesse momento, estava em sua casa, assistindo o filme que o garoto tinha caracterizado como o melhor da geração.

 

- Estou. - Respondi, tão calmo quanto qualquer outra pessoa.

 

- Está mentindo.

 

Junmyeon ao menos me deixou terminar de assistir o filme antes de desligar o aparelho dvd, deixando o televisor completamente escuro. Era inútil tentar fugir de seus olhares intensos e curiosos, ficar olhando uma tela vazia não me parecia nada normal. Então, fui forçado e encara-lo de volta.

 

- Porque iria mentir? Está tudo bem, Jun, fique tranquilo. - Não, nada estava bem, mas não era por isso que iria chatear outras pessoas com problemas unicamente meus.

 

- Você pensa que não, mas é bem fácil perceber quando está chateado, Kyung. E eu venho notado isso a um tempo. Queria deixar claro que não estou aqui só pra ficar assistindo filmes, ou jogando videogame com você. - A essa hora, minha atenção mantinha-se focada no garoto branquinho e de aparência gentil.

 

Suas palavras conseguiram atingir-me. Mas, ainda sim, a insistência continuava firme, mesmo que soubesse que podia confiar em Junmyeon.

 

Olhei em seu rosto, vendo a preocupação que transparecia por ele. Não queria compartilhar minhas dores com outras pessoas, mas, quanto mais tentava esconder, mais aparentes elas ficavam. Junmyeon era tão diferente, e, ao mesmo tempo, tão parecido comigo. Sabia que também havia uma névoa que o rodeava, exatamente por ser beta, como eu.

 

- É sobre aquele seu amigo, não é? Kim Jongin. – As palavras me acertavam, e apenas sua menção me desestruturou.

 

Só percebi que silenciosas lágrimas escorriam por minhas bochechas quando Junmyeon me puxou para um abraço apertado. Deixando que eu afundasse o rosto na curvatura de seu pescoço e soltasse um soluço alto e doloroso, antes de desatar em um choro desesperado.

 

Um pouco do que sentia era lavado pelas lágrimas. E era tão bom fazer isso abraçado a um amigo.

 

Sentia-me quebrado, um vaso sem utilidade alguma. Que nunca conseguiria ser preenchido, pois todos os sentimentos agradáveis escapavam exatamente por minhas rachaduras.

 

Sabia que grande parte de meu desespero era fruto de meus pensamentos. Não era alguém forte, muito menos inabalável. Do Kyungsoo não passava de uma pessoa repleta de medos e inseguranças. Não conseguia acreditar em meu próprio potencial, e isso refletia nas pessoas a minha volta.

 

Como elas acreditariam em mim, se nem eu acreditava?

 

Esse era um problema que já havia tentado lidar. Indo a consultas com psicólogos e até mesmo lendo livros de automatização. Mas, depois de algum tempo, percebi o quão ridículos eles eram. Impondo mil e um exercícios mentais, sendo que nenhum deles sabia o que eu sentia, então, nunca poderiam me ajudar.

 

- Acredite Soo, eu conheço um pouco do que está sentindo. - Surpreendi-me quando notei a voz embargada de Junmyeon. Ele chorava juntamente comigo, porém, de forma silenciosa. - Eu sei de tudo, e exatamente por isso te digo que não deveria sentir-se assim. - Com cuidado, afastou seus braços de mim. Seu rosto estava corado, e os olhos levemente inchados. Mas, mesmo assim, o sorriso gentil não saia de seus lábios, e isso só me fez querer chorar ainda mais. - Você é uma pessoa incrível, Kyungsoo, e mesmo que seja difícil, precisa acreditar.

 

- Eu te amo muito, você sabe disso, não é? - As palavras escaparam de meus lábios, e Junmyeon sabia o significado delas. Ele era um irmão para mim, e eu o amava sim, mesmo que não fosse de forma romântica.

 

Afinal, no mundo há vários tipos de amor. Cada um com sua particularidade, mas todos incrivelmente intensos.

 

- Eu sei, seu bobo. Mas acho que deveria destinar essas palavras a outra pessoa. - Meu coração gelou. Só a probabilidade assustava-me. - Eu vejo como ele te olha, Kyungsoo. E há muito carinho ali, Jongin te adora. Deveria acreditar nos sentimos do Kim.

 

- E se esse carinho for porque ele me considera um irmão, assim como você? - Perguntei. Não era fácil deixar pra trás uma vida de inseguranças.

 

- E o que tem? Acha que ele pode te afastar se souber de seus sentimentos? Você faria isso se eu dissesse que gosto de você?

 

- Não, eu não faria. E Jongin também não.

 

- Então não tem porque ter medo, Kyung. Mesmo que seus sentimentos não sejam completamente correspondidos, você ainda vai ter a amizade de Jongin, e a minha também. Mas precisa arriscar, e sabe disso. Algo muito bom pode acontecer, mas você nunca saberá o que é, se não deixar seus sentimentos fluírem.

 

- Você está certo Jun, mas ainda não sei como fazer isso.

 

- Leve seu tempo, mas tenha consciência de que não pode demorar uma eternidade. Não deixe-o escapar, Soo.

 

Suas palavras conseguiram me alegrar, e deixar-me aflito pelos minutos seguintes. Quando já nos sentíamos confortáveis o suficiente, voltamos nossa atenção ao televisor, dando continuidade ao que fazíamos antes.

 

Porém, dessa vez, com os pensamentos muito mais dispersos.

 

Três dias depois...

 

As palavras de Junmyeon ainda brilhavam em minha mente, mas elas me pareciam fantasiosas demais.

 

Assim que toquei o piso monocromático do colégio, a fofoca do dia chegou até mim. Jongin não estava na instituição, e nem apareceria por ali durante alguns dias. Seu primeiro cio tinha chegado, e, com ele, algumas responsabilidades. Como procurar um parceiro.

 

Pensar nisso sempre fazia meu estômago embrulhar. Era um aviso claro de que eu estava perdendo-o, pouco a pouco.

 

Enquanto continuava aqui, no conforto de minha casa, imaginava o que se passava com Jongin. O cio não era um momento agradável como muitos pregavam. Eram dias repletos de desconfortos e dores, e Jongin estava passando por isso, a não ser que já tivesse encontrado alguém para tornar tudo um pouco mais suportável.

 

Não sei qual possibilidade deixava-me mais angustiado. Não queria que Jongin sofresse, mas não suportaria que alguém, que não fosse eu, fosse ajuda-lo nessa situação.

 

E se Baekhyun estivesse com ele? Se já tinha sido ruim vê-los almoçando, e trocando alguns carinhos, o que faria se estivessem juntos? Esse seria um bom momento para Jongin oficializar as coisas. E mesmo que Baekhyun fosse originalmente comprometido com alguém, acredito que seus pais não se importariam de quebrar algumas promessas para que pudessem ver seu filho feliz, pois Jongin também era um bom alfa, e cuidaria do Byun.

 

Apertei minhas mãos em punho, tentando controlar a vontade que crescia em mim.

 

Mesmo que Jongin não ficasse comigo no futuro, queria que fôssemos os primeiros um do outro. Afinal, as primeiras vezes sempre eram lembradas com carinho, não é mesmo? E queria que em suas memórias eu fosse retratado junto a esse sentimento.

 

Queria que pudéssemos ter um momento especial, e não sei de onde tirei a coragem que me inundou nesse momento, mas quando percebi, já estava a caminho da casa de Jongin.

 

Minhas mãos tremiam, e o nervosismo tomava cada célula do meu corpo, fazendo-me quase entrar em pânico. Porém, meus pés não paravam de se mover um segundo sequer, aumentando a velocidade dos passos a cada novo suspiro que escapava por meus lábios, até que estivesse correndo pelas ruas movimentadas de Seoul.

 

Quando cheguei em sua casa, respirei fundo uma ultima vez, antes de tocar a maçaneta, notando que a porta estava destacada. Quase sorri ao lembrar-me de como ele era desastrado com tudo o que tocava.

 

Era natural que betas não tivessem o olfato tão apurado quanto ômegas e alfas, mas isso não fazia com que fôssemos completamente analfabetos do cheiro que nossa espécie exalava. E era impossível ignorar o odor que se alastrava por toda casa. Era gostoso, e, ao mesmo tempo, quase torturante.

 

Se eu estava sentindo-me levemente alterado, não imaginava o que poderia acontecer se um verdadeiro ômega adentrasse a residência. Deveria me lembrar de trancar a porta, ou algum espertinho iria fazer besteira.

 

Meus passos eram lentos. A coragem existente em mim esvaindo-se aos poucos.

 

Quando cheguei a origem do cheiro, seu quarto, não demorei a abrir a porta. Finalmente podendo vê-lo.

 

Jongin estava deitado, e era possível ver a fina camada de suor sobre seu corpo. Um lençol cobria de sua cintura para baixo, deixando seus braços e peito a mostra. A expressão demonstrava um pouco do que sentia naquele momento, com a testa e sobrancelhas franzidas, enquanto prendia os lábios entre os dentes, deixando-os avermelhados e inchados.

 

Não era necessário nenhum instinto, ou cheiro viciante para que meu corpo se aquecesse. Jongin era maravilhoso, e tudo nele me atraía. Desde sua pele morena, ao poucos músculos que moldavam seus braços e abdômen.

 

Os sons baixos que seus lábios produziam, vez ou outra, quase fizeram-me desmaiar.

 

Não demorou mais que alguns segundos até que ele notasse minha presença.

 

- Kyungsoo? - Sua voz era fraca. Ele tentou ajeitar-se na cama, mas a expressão de desconforto o atingiu antes de completar o movimento.

 

Sim, como eu havia previsto, Jongin estava sentindo dores.

 

Ainda repleto de medos e inseguranças, aproximei-me dele, tocando seus cabelos enquanto via Jongin selar os olhos, como um cachorrinho dengoso querendo aproveitar o carinho. O movimento pareceu alivia-lo de seu desconforto.

 

Mas isso não durou muito tempo, pois logo os gemidos sôfregos voltaram a soar pelo cômodo. Eu podia ver sua excitação, mesmo que ela estivesse devidamente coberta de meus olhos. Jongin estava completamente nu deitado na mesma cama que eu.

 

- Isso é horrível, Soo. - Jongin sussurrava para que apenas eu pudesse ouvir. - Quase tão horrível quanto os dias que passei longe de você.

 

E com suas poucas palavras, que eram imensamente importantes para mim, consegui de volta a coragem que havia fugido, e curvei meu corpo até que alcançasse seus lábios, tocando-os com os meus pela primeira vez.


Notas Finais


Esse capítulo não deveria ter acabado aqui. Quando eu escrevi, ele deu mais de 8 mil palavras, e como eu estava demorando muito para beta-lo corretamente, resolvi dividi-lo em dois.

Vou responder os comentários ainda hoje, e pretendo não demorar a postar o próximo, pq ele já está 95% escrito. Só preciso betar.

Me desculpem se houver algum erro. E se puderem, indiquem a história pra amigos que também gostem de ler. Estou muito sem tempo pra divulgar nos últimos dias, e isso iria me ajudar muito mesmo.


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