História Amostra humana. - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Dragon Ball
Personagens Bulma, Kakaroto, Vegeta
Tags Bulma, Dragon Ball, Drama
Exibições 110
Palavras 4.175
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Científica, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi oi
Voltei kkkk
Boa leitura

Capítulo 13 - Desconfiança.


 

  Bulma abriu a porta da cabine bruscamente, e a fechou do mesmo jeito. Fitou o nada por um tempo ainda segurando a maçaneta.
“ E é melhor não se sentir com sorte pelo seu feito. Os que deixo escapar sobrevivem pouco tempo.” 
    A frase ainda assombrava seus pensamentos. Evidentemente, as grossas camadas de metal e a cerca elétrica da cela impediriam Vegeta de ser responsável por sua morte, mas mesmo assim, Bulma não sentiu segurança nenhuma. O medo a cegou naquele instante e os fatos e raciocínios lógicos pareceram distantes da realidade. Era como se o ar que expirava não entrasse por completo em seus pulmões. Como se seu coração não conhecesse outro ritmo além daquelas batidas desesperadas. Como se seu corpo já não fosse de sua posse e estivesse dominado pela tremedeira. Como se houvesse um nó em seu estomago e alguém sentisse a satisfação de apertá-lo cada vez mais forte.
    Numa tentativa de apaziguar aquelas terríveis sensações, a garota caminhou de maneira pesada até a borda da cama e sentou-se. Ou melhor, desabou. A respiração continuava entrecortada, e ela levou uma mão ao pescoço alvo, fechando os olhos. Mesmo tendo se passado dias desde o incidente do ataque, era como se as mãos dele estivessem ali agora, a sufocando. Engoliu em seco, abrindo os olhos. Apertou uma mão na outra soltando uma lufada de ar e permaneceu daquele jeito por incontáveis minutos. Sua sanidade precisava se restabelecer. 


    Kakarotto olhou para o interior da cela, apenas por curiosidade. Vegeta almoçava tranquilamente. Nem pareceu se importar quando o jovem capitão se postou diante de si. 
    Para Bulma ter saído em pânico imaginou que ele tivesse a assustado, mas não o questionou.  Até porque tinha questões mais relevantes. Não que Freeza exigisse qualquer diálogo de sua parte com o prisioneiro, mas ele tinha suas dúvidas pessoais. E que ele se lembrava, aquilo não era proibido...
- Admito que fiquei surpreso de não ver mais um cadáver hoje. - dava passos próximos a ele, mas não muitos, claro... - O que te fez tomar essa decisão?
- Que decisão? - indagou, sem nem olhá-lo. 
    Então ele falava. Kakarotto admirou-se.  
- ...Por que abriu uma exceção para ela? - perguntou quase em seguida. - Esperava algo em troca? 
- Não sou tão mau caráter quanto pensa. – Kakarotto ergueu uma sobrancelha com a resposta. - Meus interesses particulares não envolvem garotinhas...   
- Bem, quando ela saiu daqui não parecia alguém que acabara de ouvir elogios. 
- Cada um tem sua ideia de diversão. - ele mexeu na sopa verde, e a largou de lado. - Seja direto e diga o que quer aqui segunda classe. 
    Não era novidade para Vegeta ver pessoas se aproximando de si para obter informações e pedir favores medíocres. E Kakarotto não foi diferente.
- O que te induziu a trair nossas tropas?             
    Vegeta deu um riso abafado e negou com a cabeça. 
- Que diferença faz dizer ou não? Tudo o que eu disser pode ser usado contra mim e mesmo se eu contar a verdade, ninguém acreditaria.
- De que verdade estamos falando? 
    Vegeta finalmente o olhou, cerrando os olhos. Aquele verme era insistente. E então revelou, num tom de voz mais rouco que o normal. 
- Freeza vai quebrar a aliança. 
    A frase não pareceu ser compreendida por Kakarotto. Ele ergueu uma das sobrancelhas.
  
- … Isso não faz sentido. Quase metade das tropas dele é feita de saiyajins. Se cortasse a aliança estaria em desvantagem em comparação a outras.
- É de Freeza que estou falando. - disse rígido. - Os números não importam quando o maldito domina metade da galáxia só levantando um dedo. 
    E o ex-príncipe dizia aquilo com toda a seriedade e lucidez do mundo. 
    Kakarotto sempre fora muito desconfiado e levava mais fé aos fatos do que meras palavras. Mas no fundo – bem no fundo mesmo – uma vozinha dentro dele dizia que aquilo não era impossível. Ele calou-se, raciocinando, e Vegeta não foi paciente o bastante para deixá-lo terminar. 
- Meu objetivo não é convence-lo, se é isso que pensa. - irritou-se. 
    O capitão não respondeu. Por um instante lembrou-se de que diziam que príncipe Vegeta era um ótimo mentiroso. Tinha uma habilidade nata em enganar e trapacear. Era muito pouco confiável e seria estúpido de sua parte dar credibilidade a alguém como ele. Se afastou da cela, e direcionou-se a saída.
- … Mas eu tentei me salvar. 
    A porta se fechou em seguida.                  
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    O quarto estava mais silencioso que o normal. Não que Bulma fosse uma garota tagarela na maior parte do tempo, mas também não era de dizer apenas monossílabas. E desde que voltara da cela, não havia mais dito frases inteiras. Permanecia deitada de lado, fitando um ponto qualquer. 
    Kakarotto não conseguiu conter seus pensamentos. Fez sua melhor pose de desinteresse e perguntou apenas por conveniência. Bulma pareceu voltar a realidade, o olhando. 
- Qual o problema? - mexia nos cabelos. 
    Qual o problema?  
    Ele havia a jogado naquele lugar horrível sem ao menos tê-la consultado antes. Atirou um peso em suas costas quando revelou que aquela seria sua maior responsabilidade a partir daquele dia. E como se não bastasse, rebaixara sua credibilidade como ser vivo ao mínimo do mínimo. Qual devia ser a porra do problema?! 
    Mas ela não teve nem tempo de surtar. De que adiantaria reclamar? Estava começando a se cansar daquela rotina. Tudo ficava bem por um tempo, mas mais cedo ou mais tarde, Kakarotto dava um jeito de mostrá-la o contrário.
- Isso não importa mais. - deu de ombros, não querendo ter de pensar em argumentos.
    Kakarotto ergueu uma sobrancelha. Mas também não perguntou mais nada. Afinal, que outra pergunta idiota faria? A costumeira culpa voltou. 
- Boa noite. - desejou, desviando o assunto. 
    Ela fechou os olhos, assim que tudo ficou escuro. 


    Mais um dia se encerrava, sem mortes e sem nenhum problema aparente...
    Tonma carregou todas as gravações do dia em uma pasta de arquivos, e então enviou até a central. Pouco menos de um minuto, e a notificação de envio apareceu.  Tonma se ergueu da poltrona, e deixou a pasta sendo enviada. 
    Antes de sair, ainda verificou se a gravação noturna estava ativa, e enfim saiu da sala. Fechou a porta, e em seguida a trancou usando um cartão prateado. Só ele e o capitão tinham acesso aquela área. Depois de dar uma conferida básica na tranca, deu meia volta e foi embora. Tudo certo.          A única coisa da qual Tonma não contava era com o programa que Kakarotto desenvolvera ainda aquela tarde. Um programa que simulava uma gravação falsa do almoço. Assim que instalado no painel de monitoramento, teria a função automática de rebobinar o momento do almoço diariamente, enganando as câmeras. E sim, o rapaz estava ciente de que era algo muito arriscado para si, mas não entraria no sistema da central. Pensara em tudo. 
    Antes do envio completo, alguns arquivos continuavam pendentes. Se instalasse tudo rapidamente, sua pele estaria salva.

    Ele mal dormiu. Ficou esperando o momento certo que Nappa havia o indicado para agir, para que evitasse encontrar alguém perambulando pelos corredores. E de qualquer forma, ele o tranquilizara várias vezes dizendo que daria um jeito de distrair todos os soldados possíveis. 
    Kakarotto se mexeu levemente na cama,e mirou os olhos para baixo, olhando Bulma. Seu corpo ainda estava virado pro lado, o impossibilitando de ver seu rosto. Estalou os dedos algumas vezes na direção dela, esperando alguma reação. Mas nada. 
    Concluindo que a garota estava dormindo, ele se levantou quase na ponta dos pés e andou até a pequena cômoda de madeira de frente com a cama. Com cuidado puxou-a. O ranger não foi alto. Começou a tirar algumas peças de roupa do caminho e a procurar uma fenda entre a madeira. Ele mal se deu conta de que nesse meio tempo Bulma despertara sonolenta. 
    Havia jurado ter sido acordada por um vulto. E ao ver Kakarotto de pé, de costas para si, e se dar conta de que ele procurava algo, preferiu manter o silêncio. Quando ele finalmente achou a fenda, puxou o tampo de mentira. O barulho forte e repentino o fez voltar a olhar para trás. Ele não estava sozinho naquele quarto...
    E Bulma fechou os olhos na velocidade da luz. 
     Sua respiração parecia normal, assim como sua posição era a mesma. Depois de alguns minutos, convencido de que ela continuava dormindo, ele pegou o cartão prateado e um tipo de pen drive, contendo o programa. Saiu em seguida. 
    Quando ficou só, Bulma se ergueu para olhar a porta. Estava fechada. 
    Sempre que Kakarotto apresentava alguma reação inesperada, a garota se sentia completamente insegura. Sempre que ele saía naquela circunstância, algo de errado estava acontecendo. Mas quando voltou os olhos até a cômoda aberta, achou difícil. 
    Ele parecia cuidadoso, como um assaltante que atacava na calada da noite.
    Algo na surdina.
    Num ato impulsivo, ela engatinhou até a cômoda. Na área superior das gavetas havia um fundo falso. E dentro daquela área secreta, objetos. Certo, ela tinha seus objetos. Mas todos ficavam em evidencia, do lado do colchonete. Diferente de Kakarotto. Deviam ser objetos realmente pessoais, ou, objetos que ele não gostaria que fossem descobertos. Observou, sem tocar. 
    E aquela foi uma tarefa difícil, já que ela sentiu um forte comichão só de precisar se controlar e a escuridão do ambiente também não facilitou muito. Estreitou a visão. No meio daquela bagunça, algo em particular chamou sua atenção. Algo pequeno, mas que a atraiu quase sobrenaturalmente. Mais uma cápsula de metal. Muito parecida com a que vira horas atrás, a única diferença estava nos detalhes. Tinha justamente o que ela procurara anteriormente. Cores e informações... 
    Se aproximou mais, tentando ler o logo presente nela, e ouviu a maçaneta girando. Palpitando, voltou a se rastejar depressa até seu colchonete, e deitou, fingindo o melhor sono que pode. 
    Kakarotto havia voltado. Como já esperava, a instalação do programa fora um sucesso. Depois de horas, pode sentir o doce alivio. Mais tranquilo, arrumou sua bagunça, dando a impressão de que aquele tampo oco nunca tivesse existido. Deslizou a mão sobre a madeira da cômoda, e se virou, prestes a voltar a dormir.
    E Bulma continuou se esforçando para manter os olhos fechados. Depois do dia que tivera, imaginara que não conseguiria dormir tão cedo, mas depois daquele novo acontecido, agora tinha certeza. Sua mente não descansaria até que ela encontrasse uma resposta com sentido, a fazendo esquecer rapidamente o perturbado prisioneiro...
    Teve a sensação de afundar ainda mais no fino colchonete. 
    “Quem é você Kakarotto?” , se perguntou. 

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    O som do carrinho de limpeza irritou Raditz. Aquela porcaria fazia um ruído insuportável, o dando uma agonia profunda. E Bulma nem sequer pareceu se incomodar com aquilo.
    Passou reto, o ignorando, e com a mente a quilômetros de distancia dali.  
    Pensava por partes. Kakarotto sabia tudo sobre ela. Mas e ela? O que sabia sobre ele?  
    E ainda havia aquela espécie de cápsula misteriosa que mexia com ela de um jeito quase transcendente. Mas por que aquilo acontecia? Nenhum outro objeto estranho a deixara assim... Por que justo aquele?
     Recolheu um saco, se livrando de toda a sujeira que Raditz fazia. E quanta sujeira! Era pior que um animal. Ainda não acreditava que deixaram um porco como ele naquele setor. Negou com a cabeça sem se conter, e logo seus tormentos mentais voltaram. Faltavam quinze minutos para mais um almoço. Ela tentava ao máximo não pensar no prisioneiro, mas de alguma forma, ele sempre voltava. Colocou o saco dentro do lixo, e acionou o botão de evacuação. E assim todo o lixo estava lá fora, na vasta e inóspita imensidão negra. 
    Imaginou que tipo de sistema seria aquele. Analisou-o por um momento. Sua teoria era de que todos os tubos daquelas lixeiras em especifico, eram interligados no fim, concentrando a retirada do lixo em apenas uma saída. Parecia o mais provável. Então Raditz derrubou um medidor no chão propositalmente, o quebrando. Disse que ela não parecia estar trabalhando o bastante. Bulma sentiu vontade de varar aquele rodo nele. Mas como sempre, já estava acostumada a engolir suas fúrias. Juntou os cacos e em seguida começou a passar pano no chão. Agora faltavam nove minutos. 
    Por alguma razão, Kakarotto deixara explicitamente dito que ela tinha ao todo cinco minutos para servir o condenado todos os dias. O por que, ela não questionou. Não alto. 
    E aquele dia ele não estava perto da porta da cela a esperando. Que maravilha, pensou irônica. 
    Foi até a área dos refeitórios – que era pequena – e andou até próxima da bancada da cozinha. Alguns homens conversavam até vê-la passar. Sempre que ela aparecia era assim. Isso a dava o pior desconforto do mundo. O cozinheiro a viu de longe, e foi separar os utensílios que ela precisaria. Se encostou ali perto, esperando. Alguns soldados conversavam despreocupados até ela se aproximar. Não foi uma surpresa para Bulma quando o assunto mudou. 
- E qual é a dessa aí? - um dos homens disse, em saiyajin. 
- Dizem que é a puta do capitão. - o outro disse, sem se importar de olhá-la de canto.  
- Será que ele gosta de compartilhar? 
    E eles riram maliciosamente, sem nem fazer menção de se importar com a presença da garota. Talvez eles achassem que ela não entenderia o que eles diziam. E como ela gostaria de não entender agora. Assim que o cozinheiro voltou com a sopa com proteínas, a bandeja e os talheres descartáveis, ela se retirou depressa, sendo seguida por olhares. 
    Pelo que Nappa havia combinado, ninguém a tocaria, mas talvez isso não impedisse ninguém de se referir a ela. Desceu a escadaria e parou próxima a cela. Havia um soldado novo escoltando por lá. Ela parou de frente a porta esperando que ele desse passagem. Mas diferente do anterior esse pareceu analisar a bandeja antes. Bem, não apenas a bandeja. Ela se enrubesceu quando o olhar dele pareceu fitar aonde não deveria. 
    Dois tipos de assédio no mesmo dia?! Ninguém merece! 
    E em poucos segundos ele liberou o caminho, abrindo a porta. 
    Bulma deu um suspiro pesado, e deu passos inseguros para frente. Inconscientemente a bandeja começou a tremer, e o soldado pareceu notar.
    Segurou a borda dela, fazendo a jovem engolir em seco.
- Ande. - disse com um sorriso irritante e galanteador. 
    Sentiu asco. E se apressou de uma vez. Quem diria que em algum momento ela andaria depressa até a cela? 
    Brolly ainda a olhou de costas. Se perguntava em que planeta o capitão achara aquela raridade. Quem sabe ele não compraria uma escrava por lá depois que a missão acabasse. 
    E quando Bulma pode ver Vegeta, este estava postado de pé, andando de um lado para o outro devagar. Devia ter se cansado de ficar sentado. 
- Ora, ora... - disse, praticamente do lado dela. - Sobrevivendo durante mais um dia.
    Ela continuou andando, e ele a acompanhou, do outro lado. 
- Com saudades? 
    Ele realmente tinha problemas sérios, Bulma concluiu. Não demorou em abrir o pacote com o pó verde. 
- … Qual a sua relação com o capitão? - a surpreendeu com a pergunta. Esperava tudo, menos aquilo. 
    Por uma fração de segundos ela quase o olhou. Quase. Mudou de ideia no último instante. Mas Vegeta era observador demais. 
- Hum. Entendi. - se escorou na parede ao lado, sem deixar de fitá-la. - Existe gosto pra tudo. 
    “Existe gosto pra tudo?!” O que ele quis dizer com aquilo. Não conseguiu deixar de morder o lábio inferior. O que havia na cabeça daquele maluco? Ele ganhava alguma coisa a provocando no fim? Puxou o ar com força, até não aguentar mais, e o soltou. Parece que enfim ela demonstrava alguma reação diferente do medo. 
    Vegeta era o tipo de pessoa que procurava descobrir o ponto fraco dos outros a fim de usar para seu próprio bem. Ele observava e analisava seu alvo até obter algo. Não que ele precisasse de informações sobre ela, mas seria mais interessante se pudesse atingi-lá de alguma forma. 
- Quanto tempo acha que vai estar encoberta? - voltou a falar. - Quando a central descobrir sua estadia aqui não vão pensar duas vezes antes de eliminá-la. O que a mídia acharia disso?  
- C-como... - ela se dirigiu a ele pela primeira vez, mais vacilante do que gostaria. - Como tem tanta certeza? Nem sabe quem eu sou... - voltou a olhar para baixo. 
- Você não é ninguém. - usou o máximo de desdem que pode. - E justamente por isso não vai ser um problema. Quando o segunda classe cansar de te foder acha que vai continuar te mantendo aqui? Ele vai te trair. Será um peso. - logo se corrigiu. - Um peso maior.
    Bulma engoliu em seco, sentindo um aperto na garganta.
- Eu não mereço ouvir isso de um condenado. 
- É uma vadia. É tão vulgar e baixa que merece o pior.        
- E você é um louco! - não se importou de aumentar o tom da voz, tremendo.
- E você o estrume de toda sociedade. 
    E ele falou aquilo na maior naturalidade. Não hesitou, não se exaltou. Mas algo sombrio surgiu em seu olhar.
- E se falar comigo neste tom outra vez adianto sua ida pro inferno, maldita. - continuou, baixo. 
    O pavor e a ira se misturaram. Os olhos ficaram úmidos, mesmo com ela se controlando ao máximo para evitar aquilo. 
- Vai chorar? - perguntou em deboche. 
    Ela se virou. Humilhada. 
    Vegeta por outro lado, não moveu um músculo.
- Sirva-me logo. 
    E então ela virou depressa e jogou tudo na gaveta, sujando todo o compartimento. Depois a fechou com força, quase fazendo-a relar no ex-príncipe. 
- Miserável. - bufou. - Vai pagar por isso!
    Mas ela não se deu ao trabalho de ouvir. Saiu rápida, cerrando os punhos. 
    Quando voltou para perto de seu surrado colchonete, se encostou na parede e colocou as mãos no rosto. Chorar para ela era uma derrota. Por isso mesmo ela engoliu o choro, mas não a humilhação. Toda a fúria ainda estava presa na garganta, e ela realmente não sabia o que fazer para parar de se sentir daquele jeito. Bem, talvez sim. Mas trocar ofensas com aquele lunático não seria o mais apropriado a fazer. Até porque ele tinha algo a mais em vantagem: experiencia e força. Se o deixasse irritado demais provavelmente morreria... 
    Afundou as mãos nos cabelos azuis. O pior de toda a situação é que no íntimo, o prisioneiro estava certo. Não sobre ela ser uma vadia. Mas sim por ser um peso. O que ela podia oferecer além de gastos para a tripulação? Ser eliminada era uma grande possibilidade...
    Mas no momento em que esse pensamento se formou em sua mente, outro argumentou em seguida. Foi Kakarotto que a colocara na nave. Ele podia muito bem ter se livrado dela antes, quando o cenário da missão não era tão importante. Ao invés disso a protegeu e a escondeu. O por que? Isso ainda era um mistério para Bulma. Mas ela gostava de acreditar que no fundo, eles eram amigos. Não podia se deixar ser manipulada por algo que um homem- que por acaso havia matado uma tripulação inteira e traído um império num momento de insanidade – dizia.  
    E então o primeiro pensamento se fortaleceu outra vez. Lembrou-se do trato com Nappa. Kakarotto traíra o protocolo. Claro que foi por ela – ou por ele, foi negativa outra vez -  mas aquilo indicava que ele não se importava em ser corrupto para seu próprio bem. E se em algum momento ela se tornasse uma ameaça para ele. Ele a trairia? Outra lembrança se formou. A noite anterior.
Ele estava tão estranho. Aquela ação noturna só piorou a imagem dele. Qual a razão de tanto mistério? Qual era o lance da gaveta na cômoda? 
    E isso a despertou. Os olhos dela se fixaram na gaveta. Mas é claro...
    “Nem pensar Bulma!”, seu consciente ralhou. Mas aquilo pareceu apenas um mero detalhe. Se ergueu e caminhou até a cômoda. Esta parecia mais distante, nunca chegava... 
    Se deteu de novo. Aquilo era algo pessoal de Kakarotto. E ela confiava nele com a própria vida. Devia respeitar aquilo... Mas seus pés nem se importaram em parar.
    Quando deu por si, já tirara a gaveta e arrancava o fundo falso, revelando os objetos na luz. 
    “Não faça isso!” 
    Haviam algumas coisas. Cartas. Tentou ler o que estava escrito, mas a letra era ilegível e estava apagada... Parecia ser antiga. O papel usado estava amarelado. Do lado encontrou um tipo de chaveiro, contendo o símbolo real saiyajin. No fundo, um pano. O pegou, e sentiu a textura do mesmo. Enrugado, velho … não soube encontrar a definição certa. Parecia... manchado. E só então percebeu que era sangue. Sentiu certo nervosismo. Chegou a essa conclusão graças a tonalidade. Algo puxado para o marrom, afinal, quando o sangue secava ficava amarronzado. Também era antigo... e notou que o pano envolvia algo por dentro. O abriu. Havia um  bonequinho de chumbo trabalhado em detalhes. Usava uma roupa imperial, similar ao traje de batalha. Ergueu as sobrancelhas, guardando-o exatamente como estava depois.
    E no cantinho, quase esquecido, a cápsula. Voltou a sentir o dejávu na hora. Engoliu em seco e hesitante, a pegou, sentindo o metal. A pintura estava descascando e a borda dela estava começando a oxidar. Passou o dedo, tentando limpar. Era estranho. Era como se ela conhecesse aquilo perfeitamente, e ainda assim, não fizesse ideia do que era. Aquela cápsula era um pouco diferente da qual havia encontrado no armazém... 
    Finalmente, Bulma começou a girar o pequenino objeto entre os dedos, procurando por mais respostas, e se deparou com o logo. Arregalou os olhos. Estava escrito em sua língua.  
    Corporação Cápsula.  
    

Sua pupila dilatou, e de repente o tempo e espaço pareceram não existir em uma pequena mas longa fração de segundos. 
    Se recordou da cidade aonde nascera, de sua casa, e de sua família. 
    Da empresa e do inicio da produção das cápsulas. Dos projetos que iniciara apenas aos quatorze anos, quando começara a ajudar o pai,  e dos amigos de infância. Até lembrou-se das duas universidades que concluíra e da medalha de honra ao mérito que ganhara do governador. Tinha o Q.I acima da média... Claro, lembrou dela, e de quem era...  
       Lembrou-se de tudo, detalhe por detalhe. Do que era bom e do que era ruim. Sincronizando todos os sonhos que tivera até então pensando serem sem sentido. E quando voltou ao presente, na cabine de Kakarotto, algo novo mudava em sua visão.   
    Ela era novamente Bulma Briefs. Herdeira da Corporação Cápsula.
    Deu um suspiro pesado, e olhou para seu reflexo na madeira lustrada. Tudo o que a tormentava até então desapareceu. Era como se ela tivesse tirado férias e se desligado do mundo, e voltado só agora. Estava mais magra do que se lembrava... 
    Passou a mão na cabeça e sentiu o corte no couro cabeludo, já cicatrizado. E pelo visto com marcas novas...  A balançou em seguida, devolvendo a cápsula e sentindo algumas dores nas têmporas. Foram recordações e pensamentos ao extremo. Sentiu-se cansada. Talvez precisasse se adaptar mais … 
    Sentiu o ímpeto de dizer aquilo para Kakarotto, por mais que não quisesse no momento. Quem sabe ela não poderia oferecer seus serviços em troca de liberdade? Precisava dar um jeito de ser autossuficiente para deixar de ser um fardo para o saiyajin.  
    Receberia mais credibilidade assim que ele visse o que ela era capaz de fazer, tinha certeza.
    E bastou apenas um movimento para notar que ainda havia mais uma coisa na gaveta. Arqueou a sobrancelha. Era quadricular e possuía um alto falante. O pegou curiosa, e sem que desse conta apertou um botão na lateral. 

“- Não existem paradas programadas no nosso curso. Se a garota ficar conosco até o fim do trajeto, de que forma espera se livrar dela sem ser punido?”
    Era a voz de Nappa. E as intenções referentes a ela não continham uma entonação boa. Engoliu em seco, incrédula.
“- Ela garantiria a sobrevivência de mais um ou dois soldados. E se for assassinada, vai tirar o senhor dessa situação.” - a voz registrada no gravador continuava. 
“- Mas isso não impediria as câmeras de a registrarem. No fim o desfecho é o mesmo.”
    Dessa vez Bulma se deparava com a voz de Kakarotto, o que só a deixava com o coração ainda mais comprimido. 
“- Capitão. Existe um furo sobre as câmeras. Elas não são transmitidas ao vivo para a central. As gravações são enviadas ao fim do dia.” 
  

 “Por favor ...”, ainda tinha um fio de esperança no amigo... 
 

“- Só precisaríamos que alguém o servisse por hoje, e depois repetiríamos a gravação todos os dias com uma edição.” - foi lhe revelado enfim. 
    

O resto da gravação não foi ouvido. Somente as palavras de Vegeta voltaram em sua mente. Ela já havia sido traída.  Kakarotto não descobriria aquilo tão cedo, mas aquele dia, ele perdeu Bulma.      
               
 


Notas Finais


MOMENTO REVELAÇÃO kkkk kkkk

Bulma finalmente recuperou a memória, e descobriu uma faceta de q não gostaria sobre Kakarotto .

E então meu povo? Opiniões a expressar? Kkkk

Bjos e amo vcs ♡


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