História Amputado - Capítulo 10


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Palavras 1.286
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Como demorei muito com essa atualização, acho que vocês merecem uma explicação digna sobre o meu atraso, então as informações e agradecimentos sobre o capítulo estarão nas notas finais.
Demorei um pouco mais para postar esse epílogo que os demais capítulos, pois estive passando por uma fase difícil. Para quem não sabe, eu tenho distúrbio de ansiedade e, por muitos anos, tive anorexia nervosa. Passei essas últimas semanas com a ansiedade em crise, num pico depressivo, e comer não estava me dando mais prazer, nem escrever, o que considero meu refúgio de todo estresse. Sendo assim, me afastei do site por alguns dias e estou voltando aos poucos.
Como eu havia dito que atualizaria em uma semana e demorei mais de um mês, achei que vocês mereciam uma explicação detalhada. Antes que perguntem, estou bem. Não estou 100%, mas diria que estou com aproximadamente 75. Peço mil desculpas pela demora, sei que este retardo atrapalha um pouco o compreendimento do capítulo, então peço desculpas de verdade.
De qualquer modo, espero que o epílogo faça o atraso valer a pena.

Capítulo 10 - Epílogo


Fanfic / Fanfiction Amputado - Capítulo 10 - Epílogo

“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que não gozam nem sofrem, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.”

Theodore Roosevelt.

 

Seis meses depois.

 

A vitória é relativa:

vencem os que sentem e vivem;

perdem os que mantêm-se em inércia,

ou seria a derrota um misto de vitórias vazias.

Meus pés batem inquietamente contra a água, enquanto a mão está presa à borda, como se minha vida dependesse desta força. O suor desenha o contorno de meus cabelos na testa; a exaustão me entorpece. Os pulmões sob o peito urram desesperadamente por ar. Assim que a voz de Ralf alcança os meus ouvidos, cesso os movimentos e percebo os músculos darem início ao relaxamento.

As palmas baixas vindas da arquibancada me chamam atenção, sentada, com os cotovelos apoiados nos joelhos arredondados, a pequena Stella comemora mais um de meus treinos assistidos. Ao seu lado, o ruivinho Rick, com a boneca de um braço só em mãos, como uma espécie de troféu. O frenesi de vibração positiva me contagia. Meus lábios se esticam em um sorriso.

— Meus parabéns, Shawn! — comemora o professor. — Se continuarmos com essa garra, na próxima paralímpiada, o pódio é seu.

— Assim espero. Foi por pouco daquela vez... — murmuro, a me recordar.

— Pense que tudo ainda era muito recente, quinto lugar é uma vitória.

Aceno com a cabeça, em concordância. Nado até a escada da piscina e equilibro-me facilmente no momento em que galgo os degraus. Meus dedos, rapidamente, fisgam a toalha e secam-me. A mente permanece dentro d’água, a rebobinar toda a conversa com o técnico, no entanto.

Ele estava certo. Competi com atletas que treinaram anos para estar ali e, mesmo assim, cheguei próximo deles e superei alguns. Honrei meu país e minha família, dei o meu melhor. Com medalha ou não, eu venci. Ganhei a disputada travada há um ano contra mim mesmo.

Uma voz doce rompe meus pensamentos.

— Shawn, você é o melhor! — sem aviso prévio, minha cintura é envolta pelos braços curtinhos da loira, e, constrangido, solto uma risada baixa.

— Obrigado, Stella! — passo a mão delicadamente nos fios claros amarrados em trança. — Fico feliz que tenha gostado do treino.

— Quando eu crescer, quero ser igual a você... só que com dois braços. — confessa o menino com sardinhas no rosto e boneca na mão.

Gargalho com as palavras de Rick. Próxima à quina da arquibancada, tia Alice acena para mim. Ralf a surpreende com um beijo, o que arranca outro sorriso de mim. Retorno o olhar às crianças.

— Vocês também serão atletas, pessoal. Iremos juntos às olimpíadas, ok? — a mãe de Stella, quem nem sequer faço questão de saber o nome, aproxima-se. — Preciso ir agora. Vejo vocês por aí...

A pequena se desvencilha de mim; neste mínimo intervalo, caminho até as minhas roupas dobradas sobre a mochila e pego-as.

— Mendes? — ter o nome chamado me faz parar.

— Sim?

A madame abraça a filha contra o próprio corpo e procura as palavras certas.

— Quero me desculpar pelo modo como falei de você há um tempo, você se tornou uma referência à minha pequena Stella. Ela o admira muito. — a menina afirma com a cabeça. — Então, desculpe-me. Fui terrivelmente preconceituosa.

— Sem problemas, senhora. — ao longe, o professor e a namorada me chamam com as mãos. Concordo com a cabeça. — Realmente preciso ir, perdoe-me. Não se preocupe, eu nem me lembrava mais do ocorrido. Aquilo ficou no passado. Boa tarde, pessoal!

Visto a bermuda às pressas e corro, ainda sem camisa e com a mochila na mão, até o casal à minha espera. Os olhares de reprovação são unânimes, pressiono os lábios e solto um leve sorriso tímido, reconhecendo o breve atraso.

Sem mais tardar, entramos no veículo estacionado bem em frente à academia e acomodamo-nos nos assentos. Em questão de segundos, Ralf dispara contra o asfalto. Pego a camisa e visto-me. Revirando a bolsa, procuro o celular e deparo-me com as incontáveis ligações perdidas da ruiva.

Tarde demais. Estou atrasado.

Conforme o carro resvala pelas ruas movimentadas da cidade, ajeito o cinto de segurança sobre o ombro, interessado na conversa que ocorre nos bancos da frente. O professor segue com as mãos grudadas ao volante, fornecendo parte de sua atenção para Alice, quem gesticula, enquanto conta alguma situação engraçada com Dallas, animada.

É nítido o quanto ela está feliz. Sem sombra de dúvidas, o maior desejo de Heather foi concretizado: tia Alice está vivendo como merece. Ralf a faz bem, mas sua alegria não é exclusiva da relação; juntos, formamos uma família às avessas.

— Escute, Shawn, música bra-brasileira na rádio. — de supetão, a de olhos esverdeados gargalha. — Isso me lembra de que você e a Heather... na praia. Na praia.

Arregalo os olhos. Como ela sabe disso?

— Vocês transaram na praia? — o professor indaga entre risadas.

— Existe alguma coisa no mundo que a Heather não lhe conte, Alice? — pelo calor nas bochechas, presumo que a vermelhidão já as faça presente. — Ela não tem jeito... O Rio é muito bonito, em algum momento ela citou isso?

— Contou... contou, antes de dizer o que fizeram antes da final.

Nego com a cabeça, levando os olhos à paisagem do lado de fora.

— Shawn não tem um braço, mas tem muita malícia... — provoca o técnico, ciente de meu constrangimento. Tia Alice lhe lança um olhar, e os dois sorriem.

São nesses momentos que tenho a certeza do quanto um é perfeito para o outro.

Dois implicantes.

— Shawn, mudando de assunto... — a voz do treinador puxa minha atenção de volta. — Sua mãe tem conversado comigo e Elizabeth sobre a possibilidade de você começar a usar prótese. Por que não me disse nada?

— Porque não tenho interesse. — minha réplica o causa um enrugar de cenho.

Meus pais falam institivamente disso. Este mês, principalmente. Não é que me seja um problema avaliar próteses, porém, com toda minha sinceridade, não vejo o porquê de gastar tamanho dinheiro com algo que não há necessidade. Estou habituado assim, aprendi a gostar de como estou.

— Já conversei sobre isso com ela. Fico honrado por ela querer muito, no entanto, a falta do antebraço não me incomoda mais. — respondo, convicto e confiante de cada palavra. — De repente, se fosse há alguns meses, eu aceitasse, agora não. — ao que parece, minha resposta agrada o rapaz sentado no banco do motorista. — O dinheiro que eu ganho com o trabalho será todo revertido a quem fez tudo por mim.

Não é como se eu esteja esbanjando dinheiro, agora que sou profissional, contudo, o que sobra das competições é usado para potencializar minha performance e quitar as dívidas da família. Orgulho-me extremamente em pensar que pude retribuir ao menos um terço do que meus pais fizeram por mim durante todo esse tempo.

O carro freia em frente a enorme Seattle Pacific University. Percorro meus olhos acastanhados pelo campus à procura de minha amada. Com um vestido florido e o celular na mão, os fios arruivados de Heather voam com o vento doce. Assim que ela reconhece o carro, acena e suspira, ansiosa. Devolvo o balançar de mão, satisfeito.

Os lábios exagerados, então, esticam-se. A nova aluna de Jornalismo está preparada para o seu primeiro dia de aula. Após tantas interrupções, um recomeço. Sei que podem haver mais obstáculos durante a jornada, entretanto, agora, meu objetivo é fazer com que a ruiva perceba que estarei presente sempre, do mesmo modo como ela esteve no instante em que precisei.

Aquele sorriso largo a estampar a moça dos fios alaranjados faz meu esforço valer a pena, sei que sou o motivo dele, bem como tenho ciência de que, embora eu tenha perdido o antebraço, ela é razão de me sentir completo.


Notas Finais


Como de praxe, um milhão de "obrigada" pela leitura até o final!
Serei eternamente grata a todo carinho que Amputado recebeu. Não minto a ninguém que esta é a minha fanfic favorita e pela qual mais tenho carinho, então saber que vocês gostam dela significa muito para mim. ♥
► Preciso agradecer especialmente à Jess (@jeleninhaz) e a Anna (@annabelia) pela ajuda com o capítulo, ele não saria sem os "empurrõezinhos" de vocês;
► Como já sabem, esta não é a nossa despedida, já que tenho planos para dois spin offs da fanfic: um da tia Alice e outro dois anos antes, quando o Shawn era "o rei" das corridas ilegais;
► A minha história que sucederá Amputado, Ruídos de Saturno, está disponível — o link estará abaixo;
► Sempre bom lembrar que o capítulo não está revisado;
► Dedico-o a cada um que lê Amputado e, comigo, fez parte desta história. ♥
Jamais pensei que alcançaria um número tão alto de leitores numa história em que o protagonista tem uma deficiência física, sendo assim, preciso agradecer (e muito) a cada um que se preocupou em favoritar a fanfic e, mais ainda, a quem leu o que escrevi por todo esse tempo.
Meu carinho por este enredo é imenso e poder dividi-lo, mesmo que um pouco, com vocês é um presente. Eu não poderia estar mais feliz com esta fanfic do que estou! Acredito que vocês não aguentem mais me ver agradecendo, mas nunca me cansarei de dizer "obrigada por lerem o que escrevo". OBRIGADA!
UM MILHÃO DE VEZES: OBRIGADA 💙
Com amor,
Lali

► Conheça Reacender • https://spiritfanfics.com/historia/reacender-8702905
► Conheça Ruídos de Saturno • https://spiritfanfics.com/historia/ruidos-de-saturno-8864832
► Leia Amputado no Wattpad • https://www.wattpad.com/389329006-amputado
► Teaser da Fanfic • https://www.youtube.com/watch?v=tscRM4-FKDo
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