História Anata no Fantasy - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fantasy
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Ficção Científica, Romance e Novela, Shounen, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


É neste capítulo que se mostra "a cara" da história.
Boa leitura!

Capítulo 2 - Destroçar


— Sua vadia! – Mafumi fora lançada longe. Foram necessários 5 segundos até ela conseguir se levantar. - Você está morta Luka! – Gritou ela, fervendo de raiva após ficar de pé.

— Já chega. Vocês duas, sentem-se em seus lugares. – Manifestou-se só agora, o professor.

— O que? Mas ela atirou uma mesa em mim! Não vai fazer nada quanto a isso? – Perguntou Luka.

— Mafumi, resolva seus problemas fora da sala. – Respondeu ele, tranquilamente.

— Ajudou muito... – Retrucou novamente á ruiva.

— Luka, sente-se logo em seu lugar! - Tal atitude deixou claro que os professores da escola não se esforçam nem um pouco para resolver os conflitos dela.

— Não sei por que eu achei que seria diferente... – Resmungou.
Enquanto se dirigia a seu lugar, Luka deu uma boa olhada em sua sala para ter uma noção de quão horrível seria esse ano. Por sorte, (se é que isso pode se chamar de sorte) seus únicos “inimigos” eram Asako e Mafumi. Metade da sala era de desconhecidos, e a outra metade de, “neutros”, não são amigos, mas não atacam como as outras duas.

***

Como em todo começo de ano, o professor fez aquela mesma palestra de sempre, não sobrando tempo para lição alguma. A primeira aula foi um tédio, tanto que Luka colocou seus fones de ouvido. Ela se sentava na ultima fileira da sala que ficava ao lado das janelas, e sua carteira ficava bem no meio da fileira.

Na segunda aula, os alunos novos começaram a se enturmar. Aos poucos, a sala já foi se subdividindo em vários grupos de amigos. Porem Luka continuava sozinha em seu “mundo”. A música cobria todo e qualquer ruído vindo de fora, o que a fazia sentir como se tivesse escapado daquele lugar.

— Porque aquela menina não conversa com ninguém? – Quem perguntou foi uma garota nova, á um garoto que tinha acabado de conhecer. Ela se referia á Luka.

A garota nova tinha olhos azuis claros, um longo cabelo negro bem liso, que cobria sua testa com pontas, todas padronizadas na horizontal. A mesma tinha uma expressão de inocência que a deixava mais fofa do que já era. Ela media 1,60, e vestia o mesmo uniforme que todas as garotas daquela sala.

— Aquela é a Luka. – Respondeu com um tom incomodado, como se quisesse evitar falar dela... - Ela não conversa com ninguém por que não tem amigos... E se eu fosse você eu não seria amigo dela.

O garoto parecia ser estudioso. Usava óculos e tinha olhos castanhos. Vestia uma jaqueta azul, uma camisa branca no fundo e calças da mesma cor que a jaqueta. E por algum motivo ele usava um cachecol vermelho em pleno verão. Seu cabelo era marrom escuro e ele media 1,65.

Os dois eram os últimos da primeira fileira da sala.

— Porque não? – A garota ficou curiosa.

— Por que ela já está na lista de vitimas dos chefões desta escola.

— “Chefões”...? – Sua incompreensão foi ainda mais exposta.

— Esta escola é como uma “organização oculta”, cheia de títulos e hierarquia. – Explicava. - Ela é comandada por alunos como aquela garota das luvas ali. – Ele apontou disfarçadamente para Mafumi. - E estes alunos são chamados de “chefões”.

— Hum, essa escola é diferente das outras. – Disse surpresa e inocentemente. - E porque ela está na “lista de vitimas” deles? – Perguntou, enquanto olhava para as costas da Luka.

— Por que ela é idiota. – Disse com um tom agressivo. – Ela vem enfrentando eles sozinha desde que eu notei a existência dela. Isto é, á uns dois anos. É claro que ela está apenas se defendendo, mas existe momentos em que é melhor não reagir... Esses chefões acham que podem fazer o que querem, e eles realmente podem. Devido a seu grande poder individual, e ao exército de delinqüentes que eles comandam, não tem como ir contra o querer deles.

— Mas Isso é bullying! E o que os professores dizem a respeito desse comportamento, e dessa “organização”? – Exclamou revoltada. Embora não tão alto a ponto de alguém alem dele escutar.

— Eles não fazem nada realmente útil contra o bullying. Quanto à organização... Alguns fingem não saber da existência dela, outros realmente não sabem... A realidade é que ninguém pode nos salvar deles. – Afirmou, olhando fixamente para a garota. – Na verdade, eu estou me colocando em risco só de estar falando sobre eles. Vamos encerrar esta conversa aqui, esta bem?

— Certo... – Ela abaixou a Cabeça, aparentemente confusa e triste.

— Não fique triste, se você se enturmar no começo e não enfrentá-los, não vai virar alvo deles. – Consolara, meio sem jeito. - A propósito, meu nome é Hideo Hisoka. É um prazer conhecer você. – O garoto estendeu a mão para ela, cumprimentando-a.

— Me chamo Chiharu Azumi. – Ela fez o mesmo, com um amigável sorriso. - O prazer é todo meu. – Os dois então apertaram as mãos um do outro.

***
 Enquanto a segunda aula se estendia, Mafumi rangia os dentes de tanta raiva que estava sentindo. “Você vai me pagar pela humilhação que me fez passar mil vezes pior Luka! Não é a toa que sou considerada um dos Chefões mais radicais desta escola!”. Pensava ela.

A terceira aula começou, e desta vez era uma antiga e velha professora de matemática. A mesma sempre deixou claro que odiava os alunos e nunca passou um dia sequer sem implicar com a Luka.

— Da pra alguém trazer essa idiota de volta ao planeta terra? – Disse ela, incomodada com os fones de ouvidos.

— Ei cabeça de abóbora, acorda! – Exclamou Asako, jogando uma bolinha de papel na cabeça dela.

— Huh? – A pequena tomou um susto, e retornou para a realidade, toda boba. “Ah... tinha me esquecido que estava na escola...” Pensou ela. Ao pegar a bolinha de papel que foi atirada em sua cabeça, ela inconscientemente decidiu abri-la. Foi então que ela encontrou escrita a seguinte frase: “A punição começa agora”. Neste momento, Luka rapidamente olhou para Mafumi com seus olhos penetrantes.

“Pode vir!” Pensou séria, mas era como se ela tivesse dito isso em voz alta. Seus olhos diziam tudo.

“Como eu odeio aqueles olhos... não vejo á hora de despedaçá-los!” Pensou a outra, enquanto encarava Luka Também, e tentava conter malignos risos descontrolados.

***

No meio da aula, a professora precisou sair da sala, deixando suas coisas na mesa. Neste instante, Mafumi se levantou. Tal movimento atraiu a atenção de Luka, que já estava esperando vir alguma coisa pra cima dela.

“O que é que ela vai fazer?...” Era o que ela se perguntava, enquanto observava a Mafumi.

Mafumi chegou na mesa, pegou as coisas da professora rabugenta, colocou tudo dentro da bolsa, e com toda a força as lançou pela janela. Sim, os pertences da professora foram atirados pela janela do quarto andar, e se espatifaram no chão.

“Que?!” Pensara a Ruiva.

Logo depois, Mafumi voltou para seu lugar sem dizer nada, enquanto os alunos impressionados com o que viram, começavam a cochichar sobre o ocorrido.

Quando a professora voltou, viu que suas coisas tinham sido lançadas pela janela e quase teve um ataque de raiva. Ela perguntou quem tinha feito, mas ninguém disse sequer uma palavra.

Mesmo que a Luka quisesse dizer que a culpada era a Mafumi, ninguém acreditaria nela. Ela sabia que todos da sala iriam dizer que ele estava mentindo por medo de se tornarem listados. Então, sem poder provar nada, ela só podia esperar para ver no que aquilo iria dar.

Sem obter sucesso nenhum ao interrogar a sala, a professora foi correndo pedir ajuda para a diretora.

***

— Muito bem...  – Introduziu a diretora da escola. - Eu entendo que vocês não queiram dizer quem foi que fez isso por que o culpado pode ser um amigo de vocês, ou alguém que vocês tenham medo de entregar... Mas se o responsável por isso não aparecer, a sala inteira vai ser considerada responsável. – Declarou com presença.

Ninguém alem dela falava na sala. Todos ouviam quietos e tementes.

— Pois bem... – Continuou a diretora. – Para que vocês possam manter o anonimato, quero que vocês venham um de cada vez para a minha sala. Lá vocês vão dizer quem foi que fez isso, e de acordo com o que eu ouvir, alguém vai ser considerado culpado.

“A diretora não quer pegar o culpado, ela só que pegar alguém pra professora parar de chorar...” Imaginava desapontada. “Mas, isso tem um lado bom. Eu aposto que todos aqui odeiam a Mafumi e esse “sistema” da escola. Se estiverem em anônimo não sofrerão riscos de serem perseguidos por ela! Vamos lá pessoal, agora é finalmente á hora de acabarmos com ela juntos!” Luka estava confiante, e Mafumi ainda segurando sua descontrolada gargalhada.

— O que você vai fazer Hideo? – Perguntou Azumi, meio confusa.

— Eu não sou louco de votar na Mafumi... Não é garantido que o Anonimato será eterno e rígido. Se por acaso descobrem que eu estou contra eles minha vida vai ser um inferno.

— Droga... – Murmurou bem baixinho. – Entendi... Obrigada.

Os alunos foram saindo da sala um de cada vez, a partir que seu nome era chamado pela coordenadora. Voltava um e saia outro.

— Nobuko Mafumi! – Disse a coordenadora.

Mafumi, ainda contendo sua risada, se levantou e foi até a diretoria. A mesma voltou bem rápido, sentou-se e continuou se segurando.

Após mais alguns nomes chamados em ordem aleatória, Luka foi a próxima. - Otohime Luka!  - Luka, ainda confiante, foi até a diretoria, disse o que tinha que dizer e voltou.

O clima ficava cada vez mais tenso a medida que os alunos iam sendo chamados.

 – Hideo Hisoka!  - Hideo se levantou, e partiu.  “Quem será que ele vai condenar?” Questionava-se Azumi, preocupada.

— Chiharu Azumi! – Hideo já estava voltando para seu lugar, e era a vez de Azumi dizer sua versão. Ela estava nervosa, pois não achava certo prejudicar ninguém que não fez nada de errado. Mas ao mesmo, tempo ela sentia medo de entrar na lista dos chefões.

Azumi se levantou com as pernas meio bambas por causa da pressão que sentia. Ela não estava acostumada a isso. Enquanto ela andava lentamente para a porta, seu corpo se cruzou com o de Hideo, que estava voltando para sua carteira.

— Não vá fazer besteira. – Ele falou em voz baixa, no exato momento em que ficou lado a lado com Azumi. A mesma não disse nada, apenas continuou andando.

Depois de um tempo, já no meio do intervalo, todos os alunos já tinham dito suas versões.

— Pois bem... Já tenho o suposto culpado, que alias, todos nós temos certeza de que foi ele o responsável. – Disse a diretora.

“Acabou!²” Pensaram as duas ao mesmo tempo.

— “Otohime Luka, admita que foi você a culpada!” – Exclamou a diretora.

— OQUEEE?! – Gritou sem entender, se levantando de sua carteira.

— Haaaaaaaaahahahahahahahahahahahahahahaha! – Mafumi começara a rir descontroladamente nessa hora.

Todos os outros alunos da sala apenas assistiam, vidrados nessa cena.

— C-Como assim eu sou a culpada?! Quem fez isso foi a Mafumi! - Luka não estava acreditando. Ela realmente acreditava que todos iriam falar a verdade. – TODO MUNDO AQUI VIU! NÃO É GENTE? DIGAM A ELA QUEM É O VERDADEIRO CULPADO! – Gritava enquanto perdia toda a sua compostura. Mas um atormentador silêncio cobriu a sala. A única coisa que se podia ouvir eram as altas gargalhadas da Mafumi. Ninguém respondeu a Luka...

— “Como você já deve ter percebido, todos disseram que foi você quem é a culpada.” – Essas palavras da diretora caíram encima da Luka, mais pesadas do que 100 toneladas. A pequena ruiva sentiu o peso da realidade, o que fez com que ela quase desabasse... Sua personalidade de “durona” não era tão solida como ela pensava.

— Você esta sozinha aqui Luka! Não pense que alguém aqui é seu amigo. – Asako não perdeu a oportunidade de enfraquecer mais ainda a garota.

“Hahahahaha! Finalmente seus olhos enfraqueceram!” Pensava a Mafumi, gargalhando até mesmo entre seus pensamentos.

Luka já não dizia mais nada. Ela perdeu toda fé que ainda restava nas pessoas deste mundo. Abalada, ela apenas abaixou a cabeça e ficou em silencio.

— Sabia que tinha sido você sua desligada preguiçosa! É muito provável que tenha sido você mesmo! Já que você me odeia! – A professora começou seu escândalo diário.

— Luka, como punição você vai ter que limpar o pátio dos fundos. Agradeça por não precisar pagar por nada que foi quebrado. – Ordenou a diretora.

— C-Certo... – A pequena apenas obedeceu com a cabeça abaixa, e saiu andando em silêncio para fora da sala. A única coisa que ela via era o chão de madeira, pois evitava ao Maximo olhar nos olhos de qualquer um daquele lugar. Mesmo assim, ela ainda pôde ouvir as risadas da delinqüente até os limites dos corredores de sua escola.

Após a suposta “culpada” ter sido descoberta e a diretora ter saído da sala, todos rapidamente voltaram a conversar, quebrando o clima tenso de 1 minutos atrás.

— Então você também votou na Luka... – Comentou Hideo.

— Não me faça me sentir pior do que já me sinto! – Azumi já estava quase chorando. – E-Eu tive medo... Como você disse, eles não mantiveram o anonimato... E mesmo que eu tivesse entregado outro aluno, tive medo de que todos votassem na Luka e descobrissem que eu não votei nela também...

— Acho que todos pensaram dessa forma... Afinal, muitos aqui não sabem exatamente quem da sala é membro da organização. Se votassem em algum membro sem saber, estariam no mesmo barco que a Luka. Por isso a melhor opção era votar em alguém que eles tinham certeza que não era da organização. – Analisava pensativo. - Luka além de não ser de lá, é sozinha e fraca. É natural que votem nela.

— Droga, isto não está certo! – Retrucou Azumi.

— Ela não tem salvação... Ainda acho que de hoje ela não passa. – Dizia indiferentemente, como que tentando fazer a Azumi esquecer a Luka. - Mafumi é conhecida como um dos Chefões mais radicais da escola. Você não pode fazer nada contra isso... – Ele concluiu o seu aviso, mas a expressão da garota a sua frente não mudava. - Vamos sair, talvez ainda dê tempo de aproveitar o intervalo. – Propôs.

***

Enquanto isso no pátio dos fundos, Luka estava esfregando o chão com um rodo. O pátio dos fundos é uma parte um tanto “obscura” daquela escola... Ele fica totalmente isolado no fundo da escola, podendo chegar nele por apenas um caminho. Diferente do pátio comum que tem diversos caminhos de entrada e saída, o pátio dos fundos é “fechado”. Ele tem apenas uma entrada, e essa entrada é o único meio de sair dele.

Como se já não bastasse os problemas “estruturais” e “geográficos” do pátio, muitas pessoas evitam ir até ele, pelo mesmo motivo dele ser considerado uma parte “obscura” da escola...

— Não vejo á hora de voltar pra casa... – Dizia ela para si mesma, enquanto puxava a água, triste.

 Parecia que o dia não podia piorar, mas Mafumi provou que ainda podia torná-lo pior ao aparecer no mesmo pátio dos fundos, acompanhada de 10 alunos do ensino médio.

— Hahahahahaha! Já se recuperou Luka?! – Todos os 11 cercaram a garota que estava sozinha lá atrás.

— Você de novo...? – Luka já estava de saco cheio.

— Eu soube que você é contra o que nós fazemos, garotinha. – Disse um dos outros 10. Ele media 1,80, provavelmente tinha uns 17 ou 18 anos. - Eu sou um dos 30 Sub Chefes dessa escola. Meu nome é Michiko! E agora você vai desejar nunca ter nos enfrentado.

— Eu só quero que me deixem em paz... – Respondeu ela.

— Hahahaha que pena! Agarrem ela! – Dois dos alunos que a cercavam agarraram seus braços por trás, impossibilitando ela de se mover.

— O que? Me larguem! – Luka tentava fugir, mas não conseguia se soltar dos dois.

— Gyahahahaha grite o quando quiser! Isso é o troco pelo gancho que você me deu! – Disse Mafumi, socando em cheio a cara da Luka com sua mão metálica. A garota socou com tanta força que a Luka só não voou para longe por que estava sendo segurada. – Gostou? Lembre-se dessa dor antes de pensar em enfrentar a Iron Glove de novo! – O golpe fora tão potente que Luka nem conseguia levantar a cabeça. Parecia até que ela tinha desmaiado. – Podem fazer o que quiserem com esse lixo... Enquanto isso, eu vou saborear o sofrimento dela de longe. – Mafumi foi andando até uma das paredes do local, e se encostou nela para ver o que os outros 10 iriam fazer com a Luka.

— Ei guria, não pense que vamos deixar você dormir! – Michiko desferiu um forte chute no peito dela, ainda sendo agarrada por trás por 2 deles.

— Graargh! – Gritou ela, sentindo a dor do chute que levou.

Logo em seguida, todos os 8 começaram a bater nela ao mesmo tempo com socos e ponta pés! Ela estava sendo completamente espancada por eles, enquanto ainda era segurada pelos outros 2.

— Kyghraaaaaaah! – Berrava de dor a garota, incapaz de se defender.

“Droga! Por que eles precisam fazer isso comigo? Só por que suas vidas são insignificantes! Não quer dizer que eles podem acabar com a minha! Por que eu não sou forte?! Se eu fosse forte poderia destroçar todos eles de uma vez!” Pensava ela enquanto gritava. “Espera... Destroçar...?” Nesse momento, Luka se lembrou de uma antiga conversa que teve com sua mãe.

[Muitos Anos atrás]

— Mãe, como era o meu pai?

— Bem... Seu pai era um bom rapaz, embora fosse um pouco esquisito. – Respondeu Ayumi

— Esquisito? Como assim? – Perguntou.

— Err... Ele sempre dizia a palavra “destroçar”. “Destroce as regras!”, “destroce a realidade!”, “destroce todos que forem seus inimigos!”. Ele costumava gritar essas frases, e isso o deixava bem empolgado. – Explicou. - Graças a esse mau costume, ele não tinha medo de nada... Eu via ele como um homem livre, um homem que podia superar qualquer problema... Ele era esquisito não acha? – Concluiu Ayumi, dando um leve sorriso.

— Sim! – Respondeu Luka, sorrindo igualmente. – Muito esquisito! Mas, isso me ajudou mãe. Obrigada!”

***

“Destroçar...” Ao se lembrar disso, Luka finalmente se libertou... Ela levantou sua cabeça lenta e melancolicamente.

— Eu vou... Te destroçar. – Sussurrou ela, olhando para o capanga que segurava seu braço direito, com seus olhos mais assustadores do que nunca, e com uma expressão psicopata.

Luka flexionou suas pernas, e pegou um impressionante impulso, conseguindo dar uma forte cabeçada na cara do capanga. Com isso, ele soltou seu braço direito, o mesmo que estava segurando o rodo. Luka então aproveitou e deu com o rodo com toda a força na cabeça do outro que a segurava, ficando totalmente livre.

— Peguem ela! – Gritou Michiko. Todos foram para cima da garota ao mesmo tempo.

— Podem vir! – Era impressionante, mas ela se esquivava dos vários golpes dos delinqüentes e contra atacava um por um com o rodo!

“Essa garota... Como ela consegue se mover assim?! Ela é apenas uma criança normal de 13 anos!” Pensava Michiko, surpreso e revoltado com o que estava vendo.

 – Eu quero, a Mafumi!. – Exclamava Luka, enquanto continuava na intensa troca de golpes com os dez.

Quando quase que sincronizada-mente, a roda de delinqüentes abriu um espaço na frente dela, que foi exatamente por onde chegou a Mafumi, dando uma voadora de dois pés nela. A ruiva se defende com um dos braços e é lançada para fora da roda.

— Grhh! – Sentiu. “Os golpes dela são extremamente fortes. Se eu receber eles diretamente não vou conseguir vencê-la”. Pensou, enquanto tentava se recompor. Ela já estava bastante machucada graça aos vários chutes e ponta pés dos outros oito em todo o corpo, além do forte soco que havia levado na cara pela mão de ferro da Mafumi.

Os onze partiram novamente para cima dela. A pequena então começou a se esquivar de cada um, aproveitando as brechas abertas para chutar o pescoço deles. Ela conseguiu derrubar os 3 primeiros que vieram para cima, fazendo os outros pensarem melhor antes de atacar inconscientemente. Mas quando Luka percebeu, Mafumi já estava do seu lado tentando acertar sua orelha com seu insuportável soco! Por pouco a garota se esquiva do golpe pulando para trás.

— Malditos sejam esses seus reflexos! – Gritou Mafumi. – Por que você não fica parada?!

— Tsc. – Luka fica seria. Ela pega seu rodo e começa a lançar vários ataques em Mafumi como se estivesse usando uma esgrima. Entretanto, Mafumi se defende de todos eles com suas resistentes luvas.

— Essa madeira podre não pode fazer nada! – A chefe agressivou para cima, e desferiu uma rajada de golpes na Luka, que tentou se defender com o rodo. Porem, os ataques de Mafumi facilmente destruíram o rodo, atingindo o corpo da Luka em cheio.

— Graah! – Ela foi lançada para longe com o impacto dos golpes. Enquanto era arrastada para trás, seu raciocínio não parava por nenhum segundo.

“Estou em desvantagem! Alem de estar muito cansada! Droga! Eu não posso perder agora! Minha única chance é acabar com isso no K.O! Ela ainda não recebeu nenhum dano! meu próximo golpe precisa acabar com ela de uma vez só!”

Luka mal teve tempo de respirar depois de receber tantos golpes. Porque enquanto ela era atirada para trás, precisou abusar de seus ótimos reflexos e velocidade para se esquivar do golpe de Michiko que estava logo atrás dela. Após girar no ar para se impulsionar para a direita e se esquivar do soco dele que vinha em sua retaguarda, ela lança um chute de direita na direção dele, mas ele se defende com o braço esquerdo e contra ataca com o direito. Luka então se esquiva para a direita e chuta ele com sua perna esquerda, o golpe acerta bem na cara dele! Mas assim que ele sai da frente dela, Mafumi já aparece com sede de sangue!

— Morra de uma vez pedaço de merda! – Mafumi ataca Luka com outro potente soco metálico. Luka alem de estar mal posicionada, se encontrava totalmente sem fôlego!

“Por favor corpo, me ajude a finalizar isso aqui e agora!” – Pensou. Nessa hora, Mafumi sentiu um dejá vu. A mesma cena se repetira. Luka se abaixou para se esquivar do golpe, dando em seguida, um poderoso gancho em sua inimiga.

— Me deixem em paz... DE UMA VEZ POR TODAS! – O golpe da ruiva lançou Mafumi a 2 metros do chão.

— Sua vadiaaaa! – Berrou Mafumi, caindo no chão bem de cabeça. Todos os capangas ficaram boque-abertos com o que estavam presenciando.

— E-Essa garota é um monstro! – Disse um deles.

— Realmente devemos continuar enfrentando isso? – Questionou outro. Luka já mal se mantinha em pé, porem apenas seus olhos já eram suficientes para atormentar eles.

Ela ofegava muito, torcendo com todas as forças para que isso tudo terminasse. Mas de repente...

— Grahahahahaha! Vocês são realmente patéticos! – Gritava a Iron Glove, já se levantando. Ela havia suportado o golpe final da Luka... – Você realmente me deu trabalho sua baixinha maldita... Mas alguém sozinho nunca vai conseguir nos derrotar.

Ao ver ela de pé, Luka perdeu a fala e arregalou os olhos. Aquele era o fim...

“Eu... Eu... não acredito... Não fui forte o bastante... Droga! Eu não posso perder isso! Porque eu não consegui?!” Ela começara a entrar em pânico. Essa luta significava muito. Perder depois de tudo isso era inaceitável. Sem conseguir se mexer, ela apenas ficou parada, enquanto Mafumi vinha correndo pra cima dela.

— Acabou! – A chefe lançou um golpe mirando no estomago. Nesse ponto Luka já está totalmente acabada. Ela apenas vê o golpe se aproximando dela.
“Me recuso a perder... Eu não posso perder isso!”  Pensou. – EU NÃO POSSO PERDER! – Exclamou bravamente. Ali ela conseguiu tirar forças do “nada” para conseguir se defender do golpe. Mesmo colocando seus braços na frente, ela ainda se machuca muito e é lançada no chão. Um segundo depois, Mafumi já estava aterrissando encima dela, com o objetivo de esmagá-la com suas luvas. Porém Luka impressionantemente se levanta antes disso e consegue escapar correndo toda sem jeito, sem nem erguer seu corpo.

— De que merda você é feita?! – Mafumi já se cansando, continua lançando vários golpes na outra, que por algum motivo continuava se esquivando de todos.

A verdade, é que Luka já não tinha mais forças pra nada, seu corpo apenas estava sendo movido pelo desejo de não querer perder! Porém, de tanto se esquivar para trás, a luta foi decidida! A Iron Glove, já muito cansada, disparou seu definitivo golpe final. Quando Luka tentou se esquivar para trás, ela percebeu. Aquele já era o fim do corredor! Luka já estava encostada na parede!

— METALIC PUNCH!! – O golpe da Iron Glove acertou em cheio o rosto da pequena com tanta força que a fez bater a cabeça na parede.

“Eu... Perdi...” Admitira em seus pensamentos, antes de cair com o rosto sobre o chão.

 – Hahahaha! Pense duas vezes antes de me enfrentar sua medíocre! – Luka, caída de cara no chão, não dizia nada. Apenas chorava sem cessar... – Hey, seus lixósos. Podem continuar a espancar ela agora. – Disse a chefe, ainda querendo saborear o sofrimento da Luka ainda mais.

— Os boatos sobre você são verdade. Você é extremamente radical. – Comentou Michiko, impressionado com a insanidade da Mafumi. – Vamos lá pessoal. – E todos os outros 10 voltaram a chutar a Luka, dessa vez em estado critico no chão.

— Gryaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahh! – A garota gritava de maneira assustadora.

— Isso! Grite mais! Peça ajuda! Caso o contrário você vai morrer! Você quer mesmo morrer aqui? Hahahahaha! Mesmo que te escutem, ninguém irá te ajudar! – Mafumi estava no ápice de sua insanidade.

“Ela tem razão... Eles vão me matar!” Pensava Luka, já ficando neurótica. Ao levar em conta o nível que aquilo já tinha chegado, e eles mesmo assim continuavam batendo nela, era possível deduzir que eles realmente iriam matar ela. Isso assustou Luka a proporções absurdas. Ela realmente achava que iria morrer.

Luka estava sendo covardemente espancada sozinha em um lugar onde não fica ninguém. Ela tinha certeza de que ninguém apareceria para ajudar ela. Quando milagrosamente, enquanto olhava para a única entrada e saída do pátio dos fundos, ela viu dois alunos. E esses alunos eram Azumi e Hideo! Mesmo sabendo que poderia ser inútil, Luka usou todas as forças que lhe restavam para pedir por ajuda.

— EI VOCÊS DOIS! ME AJUDEEEM POR FAVOR! – Exclamou com toda a força que restava. - CHAMEM ALGUM PROFESSOR! CHAMAM QUALQUER UM MAS POR FAVOR ME AJUDEM!

— GRAhahahaha! – Mafumi já estava quase morrendo de tanto rir. Ela tinha conseguido destruir totalmente a personalidade que Luka usava para parecer não se afetar com os ataques diários. Ela colocou Luka de volta na dura realidade. E ver o desespero dela era prazeroso.

Quando Azumi viu aquela cena assustadora, ela correu para os braços de Hideo, chorando de desespero. – Eu não acredito que a Mafumi foi tão longe assim! O que você vai fazer Hideo?! Vai deixar ela lá?! – Gritava Azumi, chorando quase tanto quanto a Luka.

— Droga! Você é uma idiota! O que acha que nós podemos fazer?! – Esbravejou ele, irritado. – Eu já te disse que você deve esquecer da existência dela! Caso o contrário vai sofrer igual ela está sofrendo!

— POR FAVOR ME AJUDEM! ELES QUEREM ME MATAR! EU ESTOU IMPLORANDO! NÃO PRECISAM FAZER MAIS NADA PRA MIM DEPOIS DISSO! MAS POR FAVOR ME AJUDEM!

— “Nós não somos seus amigos! Nós queremos é que você morra de uma vez!” – Foi o que ele disse, em resposta ao clamo por socorro dela. Essas palavras acabaram de uma vez com a Luka.

— Idiota! Idiota! Idiota! Idiota! Idiotaaaa! – Gritou Azumi para Hideo, enquanto o abraçava ao mesmo tempo. Ela queria bater nele pelo que ele tinha feito, mas não tinha forças. Isso a chocou tanto que ela não conseguia deixar de abraçar ele.

— Você vai me agradecer mais tarde! – Hideo a abraçou também, e a levou para longe daquele lugar. 

— Grahahahahaha! – Mafumi ainda continuava rindo.

Deixada para morrer, Luka não tinha mais forças nem pra gritar. “Desculpe mãe, desculpe pai, eu não fui forte o bastante...” Após isso, Luka desmaiou.

***

Quando ela acordou, estava na enfermaria da escola cheia de curativos. Por incrível que pareça ela já tinha se recuperado de 50% de todo o dano que recebeu. Porém, depois de tudo aquilo, seus penetrantes olhos tinham se tornado vazios. Ela se levantou da cama e foi andando até sua sala.

Aquela já era a ultima aula. Ela entrou na sala sem falar nenhuma palavra, sentou em sua carteira e ficou olhando para a mesa, em silêncio. Quando do nada, só agora, tudo que ela passou veio em sua mente... Então, começaram a cair lagrimas de seus olhos. Nessa hora, ela abruptamente escreveu em sua mesa:

Eu odeio esse mundo.

“Ainda bem que ela não morreu...” Pensou Azumi, aliviada. Mafumi fez sua cara de sínica, e Hideo fingiu não a ter visto entrar.

***

A aula finalmente havia terminado, e a ruiva finalmente havia voltado para casa.

— Como foi a escola, filha? – Perguntou Ayumi. – Ei, que curativos e machucados são esses?

Luka apenas entrou e se trancou em seu quarto, sem dizer sequer uma palavra.


Notas Finais


Essa é a realidade...

Ending : https://www.youtube.com/watch?v=6IJBjixaaBY

- Não perca o próximo capítulo de Anata no Fantasy! "Green Tempest!" Eu vou... Te destroçar!"


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