História Andrómeda - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Suga
Tags Astronomia, Cosmos, Jimin Universitário, Romance De Café, Sugamin, Universo, Yoomin, Yoongi Rapper, Yoonmin
Exibições 39
Palavras 2.132
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fluffy, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Só o menino Jesus sabe o trabalho que me deu escrever esta coisa.

É um Yoonmin, +16 apenas porque no fim tem algumas insinuações de teor sexual. O Jimin narra a história e dirige-se ao Yoongi.
É um universo alternativo, que conta como os dois se conheceram, travaram amizade e caíram nos braços um do outro, no meio de poeira cósmica, lençóis azuis e planetas néon.

Espero que gostem :)

Capítulo 1 - Café sem açúcar


Andrómeda

 

Pensava que eras como o café sem açúcar que bebias pela manhã: amargo, soturno e sem graça. Incapaz de queimar a ponta dos dedos e de aquecer o corpo, tudo porque demoravas um tempo absurdo a pressionar os lábios contra a caneca de café, que ficava, por vários minutos, intocada, sobre a mesa.

Tépido e apático, foi assim que te imaginei. Os teus olhos escuros e descaídos, nunca concentrados em algo que não a tela do computador, os teus lábios estritos como uma linha, a tua pele demasiado pálida, à luz da manhã, e as tuas bochechas sempre sem rubor. E eu, estupidamente alheio em relação ao facto de que te iria amar, acima de todas as coisas, no futuro.

Devia saber que nunca se julga um livro pela capa. E que café sem açúcar também tem o seu encanto.

Tudo começou naquele café, com um sorriso teu. Tudo começou quando a luz branca e fria de uma manhã de novembro atravessou a parede de vidro do café e se derramou toda, como prata líquida, sobre o soalho do estabelecimento. O ar cheirava a croissants e a cacau, quando tu empurraste a porta de vidro e fizeste tilintar o espanta espíritos colado ao teto, como se este anunciasse a chegada de um anjo.

E isso não estava longe de ser verdade. Porque toda aquela luz alva te rodeou, como uma aura feita de ínfimas partículas de diamante. Brilhante e branca e flutuante, como o pó de giz que se desprende do apagador, quando é batido contra o quadro de lousa.

Olhaste, confuso e envergonhado, à tua volta, com o gorro preto de lã enterrado até às orelhas, casaco almofadado vestido e mochila do computador às costas. Naquela manhã as mesas estavam todas ocupadas; o dia era especialmente frio e as pessoas procuravam locais em que pudessem tirar os cascóis e os casacos e beber algo quente.

Eu estava a ocupar a mesa em que te costumavas sentar. A mais afastada da porta de entrada, de frente para esta, colada à janela.

Honestamente, não era sequer para te ter chamado. Não era para te ter agitado a mão no ar, com os cinco dedos esticados, gritando um “aqui!”, somente porque na altura não sabia o nome que iria começar a sussurrar contra as tuas orelhas, embrenhado entre os teus espasmos e os nossos lençóis, nos meses que se seguiriam. Min Yoongi.

Min Yoongi, eras-me fatal como o destino, só que eu ainda não o sabia. Nem o sonhava, como começou a acontecer duas semanas depois.

 Tu olhaste por trás do ombro, quando te chamei, como se para confirmar que estava a falar para ti. Apontaste o indicador em direção à cara. Os teus lábios moldaram um “eu” e os teus olhos abriram-se e criaram um ponto de interrogação no ar. Acenei que sim.

E tu andaste na minha direção, em parte acanhado, em parte confuso, com os nós dos dedos nervosos e brancos, porque a tua mão direita se agarrava à alça da mochila com a mesma convicção que um marinheiro se agarra às cordas de um navio no meio de uma tempestade.

Arrastaste as pernas da cadeira pelo chão de madeira, adicionando quatro riscos mais claros ao soalho envernizado. E a magia começou a acontecer, mesmo antes de te sentares e de desenrolares o cascol do pescoço e de tirares o gorro, que escondia o teu cabelo tingido de loiro platinado.

Tu sorriste.

E não foi um sorriso comum. Não foi um sorriso amargo e sem açúcar, como o café curto que pediste quando a empregada te perguntou o que querias.

Foi o sorriso que eu não esperava da expressão apagada e indiferente que trazias sempre no rosto.

Os cantos dos teus lábios repuxaram-se lentamente para o centro das bochechas e tornaram-se mais finos. O sorriso que me ofereceste exibia os dentes da frente, a parte superior da tua gengiva rosada e uma característica tua que eu aprenderia a amar à velocidade da luz.

A velocidade da luz é igual a 299 792 458 metros por segundo. Como não sou cientista algum, deduzo que isso seja quase instantâneo. Porque eu fiquei preso ao teu sorriso mesmo quando ele era apenas um projeto que se esboçava na tua boca, antes de descobrir que o teu lábio inferior tapava por completo os teus dentes de baixo e o superior se esticava e exibia parte da tua gengiva.

A ideia aborrecida que tinha edificado de ti desmoronou-se assim: instantaneamente. E eu fiquei um passo mais perto de me apaixonar por tudo aquilo que eras.

No final das contas, não foram assim tantos passos, e olha que nem eu nem tu temos as maiores pernas do mundo.

 

Ainda não te tinhas sentado por completo no tampo da cadeira, quando sopraste um “obrigado”, com o molde do teu sorriso ainda a formigar-te nos lábios. A tua voz era profunda e grave, como descobriria ser o teu sono; com uma raspa de rouquidão e sotaque satoori.

Pedi-te desculpa, por me ter sentado “na tua mesa”; “era a única vazia”, disse, “mas podemos partilhar”. E tu acenaste que sim, com o cabelo da cor das espigas de trigo e uma aura angelical a repousarem-te sobre a testa.

“Já agora, sou o Jimin”, estendi-te a mão, que mais tarde gostarias de espalmar contra a tua, para ver quem tinha os dedos mais compridos; eras tu. “Park Jimin”.

“Min Yoongi”, respondeste, deslizando os dedos pela palma da minha mão, apertando-a com cortesia.

Tinhas os dedos frios e brancos, como o mundo lá fora, e exclamaste que as minhas mãos eram “tão quentes”. As minhas mãos estavam à temperatura ambiente, que de quente não tinha nada, mas respondi-te com um sorriso e deixei para outra altura o comentário de que os teus dedos é que queimavam, de tão frios que estavam. Queimavam e faiscavam, em contacto com os meus e criavam fagulhas laranjas e cintilantes, que começariam um fogo no meu coração.

Em pouco tempo, iriamo-nos tornar num incêndio descontrolado: grandioso, sublime e fatal.

Em pouco tempo tornarmo-nos íamos numa força da natureza, capaz de criar novas galáxias e de destruir as antigas – mas por hora eramos apenas dois rapazes, sentados à frente um do outro. Eu a tentar ler-te e tu impaciente porque o teu pedido nunca mais chegava. Ambos sem saber os passeios de mãos dadas, os beijos à luz das estrelas e os gemidos estrangulados no algodão da almofada ou projetados contra o teto, que o futuro nos guardava.

Devia-me ter apercebido que o destino andava a fazer das suas, quando a empregada pousou o teu café na mesa e o meu bolo, com dois garfos sobre o prato.

 

Nesse dia, partilhamos números de telemóvel e o bolo de morango que pedi – insististe que não querias, só querias café, mas acabaste por ceder quando levitei o garfo no ar e a cobertura vermelha e adocicada te borrou os lábios. Disseste que era bom, eu respondi “claro que é, tenho bom gosto”.

Se não tivesse, não me teria apaixonado por ti, Yoongi.

Quando te levantaste para ir embora – café bebido, casaco apertado até ao queixo e o meu número escrito num papel, amarfanhado contra o forro do teu bolso – fiz-te uma pergunta.

“Amanhã volto a ver-te?”.

Tu respondeste que sim, sorriste, e o meu coração falhou uma batida. E então eu comecei a desconfiar que os estragos já estavam feitos.

 

De facto, foi uma questão de semanas até as coisas começarem a desenrolar-se como uma bola de neve. De início, o que tínhamos era algo pequeno – ínfimo e compacto, do tamanho de uma mão – que não tardou a rolar pela colina nevada abaixo e a ganhar o tamanho de um pequeno saturno, daqueles de esferovite, pendentes nos tetos dos planetários.

 

No dia seguinte, sentaste-te na mesa em que eu estava – apesar de haver outras livres –, como se fossemos amigos desde a primária. Pediste o teu café, escuro e forte, que chegaria à mesa a escaldar, mas que só beberias quando já não existisse a probabilidade de ele te queimar a língua.

 

A partir daí, tudo aconteceu muito rápido, como a tua capacidade de fechar os olhos e cair no sono.

 

Na primeira semana, soube que fazias rap e te estavas a tentar lançar no mundo da música – já tinhas gravado um mixtape, que não tinha feito “lá grande sucesso”, mas que perguntei se podia, um dia destes, ouvir. Contei-te que estudava astronomia e tu disseste que não sabias identificar as constelações, mas se algum dia eu te podia ensinar. Descobri que bebias o café sem açúcar, porque acreditavas que este cortava o efeito da cafeina, e isso não podia acontecer, caso contrário não aguentavas as manhãs, porque, confessaste, o teu horário de sono “andava todo virado e era um caso para estudo”.

Também descobri que preferia quando os teus olhos – profundos e vastos como o universo – se prendiam aos meus e não à tela brilhante do teu computador. E olha que isso assustou-me mais do que o facto de abdicares do doce na tua bebida só porque acreditavas que isso cortava o efeito energético que ela tinha.

  

Na segunda semana, sonhei contigo – devia estar mesmo sedado para pensar que não estava a cair de amores por ti.

Na mesa do café, trocámos recomendações de autores e de músicos. Tu gostavas de Hit Boy, Lil Wayne e Kanye West e eu, quando o tópico da conversa passou para os livros, aconselhei-te a ler as obras de Hermann Hesse.

Houve um dia em que nevou e tu – depois de termos feito uma guerra de neve, como duas crianças que nunca viram flocos de gelo na vida – deitaste-te no chão, que poderia ter sido feito de algodão doce, e agitaste os braços e as pernas pelo manto gelado. “Sou um anjo”, disseste, com a ponta do nariz avermelhada e as bochechas coradas; a respiração rarefeita por termos andado a correr um atrás do outro, com as bolas de neve a queimarem-nos as mãos através das luvas. “És é um tolo”, respondi eu, a rir, com o coração ainda apressado.

Só que, como se viria a confirmar, tolo seria eu, por ti.

 

Na terceira semana já devia saber o inevitável, quando me chamaste de Jiminie, com a tua voz rouca, profunda como os desejos de Natal, e eu me derreti por dentro, apesar de estar um frio de rachar, que se colava às vidraças do café e as deixava opacas.

Eu devia mesmo saber o inevitável quando tu, na nossa visita ao planetário, apontaste, maravilhado, para os hologramas néon dos planetas, que brilhavam na sala escura, e exclamaste “vê, vê!”, e tudo o que eu via eram os teus lábios repartidos num sorriso e os apontamentos de luz néon espelhados nos teus olhos. Não saturno, nem marte, nem Júpiter, constelações ou galáxias, mas tu.

Deve ter sido por isso que o meu corpo se moveu sozinho quando os meus lábios se fundiram contra os teus e algo dentro de mim implodiu e se espalhou em mil estilhaços quentes.

Nessa noite, saímos do planetário de mãos dadas e a falar de amaciador para a roupa. Tu com os lábios rosados e levemente inchados, e eu sem saber como foi possível algum dia tê-los achado aborrecidos.

 

Na quarta semana, era completamente, perdidamente, inevitavelmente devoto a ti. Ponto final, sem parágrafo.

 

Antes de te conhecer, gostava de contar as estrelas e de me perder nos números. Agora gosto de contar os sinais que tens nas costas e de me perder nos vales do teu corpo, quando te deitas de barriga para baixo no colchão e a tua pele adquire um tom dourado, entre os lençóis azuis claros da minha cama e a luz de fim de tarde, que o estore a meio da janela deixa passar.

Gosto de olhar para os pontinhos castanhos na tua pele nua e transpirada, de os interligar e fazer constelações na minha cabeça. De descobrir a Ursa Menor no topo do teu ombro, a Cassiopeia na lateral do teu tórax e a Andrómeda no interior da tua coxa.

E quando as constelações acabam, porque não tens assim tantos sinais no corpo, conto os chupões arroxeados que tingem a tua pele e deixam de ser visíveis aos olhos quando te vestes, de manhã, para partilharmos duas chávenas de café.

 

Antes de o universo entrar em caos, gostava de olhar para o céu, sozinho – mas depois apareceste tu e eu achei que o cosmos era mais bonito quando espelhado nos teus olhos e com os teus dedos frios para entrelaçar nos meus.

Pensava que eras apenas uma estrela pequena, poeira cósmica, passageira. Saiu-me a sorte grande quando o destino quis que todas as mesas do café estivessem cheias e eu tive a oportunidade de descobrir que eras a minha Galáxia de Andrómeda.


Notas Finais


SO GAAAAAY Q
Obrigada por terem lido :)


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