História Angel of Music - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Shit


 – Então você andou em um avião? – Perguntou Emilly, terminando de enfaixar o joelho da outra garota, que contava sua história empolgada.


– Na verdade eu voei de avião. – Brincou Julia, disfarçando a dor. A Amish deu uma gargalhada.


– Você é divertida. – Disse ela, com um sorriso de canto. Julia pigarreou, e olhou para frente assustada.


– Emilly. – Assim que Emilly ouviu a voz, se levantou e pôs-se em pé segurando as mãos em frente ao corpo. Era sua mãe. – O que é isso?


– Ela está perdida, mamãe. Encontrou a comunidade por acaso, eu estou apenas ajudando-a com um ferimento. – Ela explicou a situação sem muita calma, mas tentava parecer o mais serena possível. Julia estava com o coração acelerado.


 – Mas que roupas imundas. Você mais parece um rapaz que uma dama. Creio que não seja canadense. – A mulher já mais velha, afastou Emilly de Julia. A garota tentou se levantar.


– Olha eu sumo daqui agora mesmo, é só me deixar fazer uma ligação, senhora. Eu vou ser rápida. – Julia começou a falar, e a senhora a fitava de cima a baixo indignada. Emilly abaixou a cabeça, num ato submisso a mãe.


– Não temos telefones aqui. Eu sugiro que vá embora agora, lhe desejo sorte em sua jornada. – Virou-se de costas sem muita enrolação, puxando Emilly pelo braço consigo. Julia ficou paralisada sem saber o que fazer.


Emilly olhou para trás e fez um sinal para que Julia esperasse ali. Julia caminhou um pouco para longe dali, para que ninguém a visse, com esperanças de que a garota amish voltasse. Tentou ligar seu celular para tentar telefonar a alguém, mas a bateria tinha acabado. Se sentou sob uma árvore, percebeu que já estava conseguindo caminhar normalmente, apenas mancava um pouco. Vestiu uma outra roupa que tinha em sua mala com pressa. Pensou que estava longe o bastante da comunidade Amish para poder tocar seu violão. Não havia mais nada que pudesse fazer além de tentar se distrair de toda aquela confusão. Tirou o mesmo da capa protetora, e começou a dedilhar alguns acordes aleatórios, pois estava preocupada demais para sequer tocar uma música inteira sem errar. Lembrou-se da oportunidade que tinha perdido, e que provavelmente jamais conseguiria de volta. O verdadeiro significado de “estar na merda” finalmente passou a ter sentido para Julia. Ficou ali por um tempo, e sentiu uma tremenda vontade de chorar ao tentar encontrar uma solução para a situação. Tinha vontade de fechar os olhos e só abrir quando estivesse de volta em casa. Aquilo não podia ficar pior. Levantou-se, e junto com suas coisas começou a andar para mais longe da comunidade. Suas coisas eram pesadas, era ligeiramente complicado carregar tudo sozinha, ainda mais uma estrada de chão como aquela. Não queria causar problemas a ninguém por ali, muito menos a Emilly, a garota que tinha lhe ajudado. Seu plano era caminhar até achar algum ponto de ônibus ou uma carona, pelo menos por enquanto ainda estava dia. E caso encontrasse algo, voltaria para casa, com as mãos abanando. Só com uma história pra contar.


– Ei! Espere! – Ouviu alguém chamando seu nome, e olhou para trás para ver o que era. Era Emilly, ofegante, correndo atrás dela. Julia largou sua mala pesada no chão e ficou parada confusa. – Não vai chegar a lugar nenhum caminhando por essa estrada.


– E o que sugere que eu faça, mocinha? – Cruzou os braços, com os olhos arregalados. Emilly respirou fundo. – Esse caralho de telefone não funciona.


– Volte para a comunidade. – Sugeriu ela, sem muita certeza em suas palavras. – Temos lugar em casa, pode ficar lá até o cavaleiro voltar.


 – Que cavaleiro? – Julia levantou a cabeça com o seu ar sarcástico e duvidoso de sempre. O pessimismo não costumava pegar ela de jeito assim, mas em tais circunstâncias...


– É um de nós também, todo mês ele cavalga até a cidade para levar mercadoria ao nosso povo que habita lá, algo assim. Ele tem um desses telefones que você quer, e pode lhe levar até a cidade. – Ela falava como se não soubesse exatamente o que acontece, ou o que é um telefone. – Ou você prefere andar até suas pernas sangrarem?


– Sorte minha que você é boa em persistência. – Julia se sentiu aliviada, mas não quis demonstrar. Ela não queria fazer parecer que precisava de ajuda, por mais que precisasse mais do que qualquer outra coisa. – Obrigada…


– Agradeça a Deus. – Ela olhou para o céu, o sol brilhava com grandeza. Julia também olhou, mas não apreciava tanto quanto Emilly. – Você é cristã?


– Eu… – Julia parou de falar quando percebeu a quem ia falar. Se dissesse a verdade, que não acreditava em Deus, Emilly ficaria chateada. – Sim.


– Isso é bom. Meu povo vai gostar de você. Venha, vamos indo. – Emilly deu meia volta, e Julia a seguiu meio desconfiada. Por que motivos ela estava ajudando-a?


– Você tem quantos anos? – Perguntou Julia, ajeitando o violão nas costas, mas mesmo assim, ficava desajeitado.


– Dezessete anos. E você? – Disse, olhando para Julia com curiosidade. Cada detalhe era uma coisa nova. Um alargador na orelha, uma camiseta esquisita, uma calça. Ah, aquela calça. Mulheres jamais poderiam usar calças. Mas ao invés de discriminar, ela achava tudo diferente.


– Dezenove. Você parece mais nova. – Acrescentou, mancando um pouco por conta do joelho. Emilly parou no meio do caminho e tocou o rosto de Julia num ato inesperado. Julia ficou paralisada. Ambas ficaram assim durante alguns segundos.


– Você é diferente, Julia. – Emilly começou a dar risada, uma risada contagiante. Julia começou a rir também mesmo sem entender. – Eu estou tão acostumada com tudo igual que quando vejo outras pessoas eu… Quer dizer, é a primeira vez que eu vejo uma pessoa diferente, do mundo. Eu tinha medo do que podia ser. Mas eu acho que me enganei.


– Nossa, que barra. Deve ser um saco ficar presa aqui nesse lugar. – Julia por alguns segundos sentiu pena.


– É minha casa, eu amo este lugar, do jeito que é. – Ela fez uma pequena pausa enquanto o vento balançava alguns fios de seus cabelos loiros que caiam do apetrecho que os prendia. – Mas eu gostaria de conhecer as coisas, há tantas coisas não é?


– E porque não vai? – Julia se aproximou um pouco mais de Emilly quando percebeu que havia um brilho em seus olhos quando se tratava daquele assunto.


– Não é assim, eu não posso. Eu devo ficar aqui. – Ela levantou a cabeça, sorrindo com decisão. Emilly aprendeu desde sempre que não havia escolha, sua vida seria daquele jeito para sempre. – Certo, Julia, chegamos. Vamos passar pelo lago para que não a vejam, antes vamos para minha casa para você se trocar.


– Me trocar? Eu já tirei os trapos rasgados, essa aqui é a melhor roupa que eu tenho. – Abriu os braços de um modo desleixado. Emilly riu, e cruzou os braços.


– Você não pode vestir isso aqui. Nem andar com os cabelos soltos assim. É uma questão de honra para as mulheres daqui. – Explicou, Julia estava em um conflito interno enquanto isso. Vestir uma daquelas burcas esquisitas, ou então dar uma de rebelde a desrespeitar a religião das pessoas que abriram os braços pra ela.


– Por mim tudo bem. – Disse, sem muito ânimo. Emilly parecia empolgada, Julia percebia que a vida dela não era lá tão animada assim, e agora ela parecia inspirada.


– Você pode vestir um vestido meu, eu tenho vários. – Disse ela, enquanto olhava para o seu vestido que ficava para baixo dos joelhos. Julia sorriu.


– Por que está fazendo isso Emilly? – Perguntou a maior, desviando do lago por onde estavam passando. Cada uma passava de um lado do lago. Emilly tirou seus calçados e caminhou no meio do lago, como uma criança feliz.


– Isso o que? – Perguntou, olhando agora para Julia. A outra apenas lançou um olhar óbvio pra ela. – Bom, você precisa de ajuda. É meu dever ajudar. E eu já lhe disse que tenho bastante curiosidade sobre o mundo lá fora, e você vem de lá.


– Então você não gosta de mim e só me usa como uma espécie de informante do “mundo”? – Brincou, com um sorriso cínico. Emilly lhe jogou água com os pés descalços, de modo travesso.


– Quanto drama. – Resmungou. Julia também lhe jogou água, só que com as mãos desta vez. E ela estava distraída. – Sua traiçoeira! Eu estava distraída!


– Você quem começou, cotonete. – Zombou Julia. Emilly não sabia o que era um cotonete, mas se soubesse, teria ficado brava com a comparação.


– Não vale me chamar assim! Eu não consigo pensar em algo pra te comparar. – Emilly ficou emburrada, Julia continuava rindo feito uma idiota.


– Mas vai dizer, essa coisa na sua cabeça e o vestido azul te faz parecer um cotonete. – Disse ela, sarcástica como sempre era. Emilly riu baixinho, disfarçando. – Que foi? Você também não sabe o que é um cotonete?


– Não fale como se eu fosse desprovida de inteligência. – Emilly se sentiu mal por alguns segundos por não saber coisas simples da cidade grande. Julia abriu sua mala, enquanto procurava algo. – O que está fazendo?


– Procurando o cotonete… Não sei onde foi parar… – A amish olhava para a mala da garota vislumbrada, seus olhos corriam por todo lado. Tinham várias coisas coloridas lá dentro, roupas diferentes, coisas que ela nem sabia o que era. – Achei.


– Isso é um cotonete? – Emilly se agachou de frente para Julia para pegar o cotonete. – Mas é só algodão. E não se parece nada comigo.


– Ah vai, parece sim. – Julia continuava procurando algo na mala, enquanto Emilly analisava o cotonete. – Olha, isso é um MP3, serve pra ouvir música, eu tenho dois desses. Se você quiser um eu te dou.


– Eu não quero. – Emilly se afastou de repente, como se tivesse se assustado com o objeto. Começou a lembrar das regras de sua comunidade e de como aquilo era severamente proibido.


– Tudo bem… Me desculpe. – Julia fechou a mala sem jeito, e as duas voltaram a caminhar sem falar mais. O clima tinha ficado pesado de repente.



Tinham motivos para ela não aceitar o objeto. Se fosse pega com aquilo, seria excluída da comunidade sem pena. Era uma regra básica, e infelizmente Julia não sabia disso.

Ao chegarem no quintal da casa de Emilly, sua mãe estava costurando uma boneca para a filha mais nova, irmã de Emilly, Leonita. Julia percebeu que a boneca não tinha rosto, e achou estranho. A mãe dela logo percebeu que elas chegaram, se levantou de sua cadeira e olhou em volta para ter certeza de que ninguém estava vendo. Colocou as duas para dentro sem muitas palavras, e pediu a filha que desse vestes apropriadas a Julia.


– Você pode escolher. Tenho alguns vestidos aqui, espero que te sirva. – Emilly estava estranha. Acanhada. Diferente da garota empolgada que era antes de ver aquele MP3.


– Claro, obrigada Emilly. – Julia não disse mais nada, mas ficou com vontade de perguntar se estava tudo bem. Emilly saiu do quarto e fechou a porta para dar privacidade a garota.


O quarto dela era pequeno, com algumas prateleiras repletas de bonecas sem rosto. Cavalinhos sem rosto ridiculamente organizados. Haviam também algumas miçangas feitas com pedaços de gravetos e folhas secas, Julia ficou admirada com a habilidade dela para manusear objetos tão frágeis. Escolheu um dos maiores vestidos que tinha, pois os outros ficavam curtos nas canelas. Era preto, e já vinha com o apetrecho para prender o cabelo. Depois de se vestir, começou a pensar: que merda eu estou fazendo. Um dia atrás estava prestes a ser aceita em uma banda de rock, e agora estava ali, vestindo um traje amish.


– Julia eu posso entrar? – Perguntou Emilly, que estava esperando impaciente do outro lado da porta. Julia concedeu a permissão para que ela entrasse.


– E então? Eu estou com cara de santa? – Deu uma voltinha, se sentindo ridícula. Emilly sorriu novamente, e a fitou de cima a baixo.


– Lhe caiu perfeitamente. Ficou ótimo. – Juntou as mãos, orgulhosa. – Fui eu quem fez este vestido.  


– Sério? Porra. – Julia ficou impressionada, o vestido era muito bonito, por mais que não fosse detalhado. Estava bem feito. Emilly franziu o cenho.


– Porra é um tipo de expressão? – Julia riu alto. Era tanta inocência para uma só pessoa.


– É tipo um palavrão. – Respondeu ela. Emilly desfez o sorriso, não achava nada engraçado.


– Não deve falar palavrões em minha casa, por favor. – Ela impôs. Julia também desfez seu sorriso, e colocou as mãos em frente ao corpo, em sinal de paz.


– Sem problemas. – Obedeceu. Emilly apenas se virou de costas e saiu do quarto levando a sério a expressão de submissão que Julia fez sendo sarcástica. Era engraçado como tudo para Emilly era no sentido literal.


– Mamãe foi chamar o Neebar, ele é quem vai decidir se você pode ficar ou não. – Ela começou a tirar a mesa do café da manhã com agilidade, enquanto Julia estava encostada na porta do quarto desajeitada.


– Que nome é esse? Ele é tipo o prefeito? – Perguntou, coçando a cabeça.


– Ele sabe das coisas. Não é um prefeito. – Emilly tentou não sorrir, mas foi difícil ao olhar para Julia toda estranha com aquelas roupas. – Você já usou um desses alguma vez?


– Mas é claro que não. Olha bem pra minha cara. – Ficou séria, como se a resposta não fosse tão óbvia. Emilly levantou as sobrancelhas.


– Lhe cai bem. – Acrescentou, terminando de tirar a mesa. Julia apenas revirou os olhos. – Mas então, diga-me, como veio parar aqui mesmo?


– Vou resumir, tá? Eu recebi uma proposta pra tocar em uma banda aqui no Canadá, como já sabe eu sou lá dos EUA, mas não se preocupe que eu não sou patriota fanática pelo Trump, pelo contrário. – Emilly não estava entendendo nada. – Bom, cheguei aqui e…


– Emilly. – A mãe da garota a chamou gentilmente. As duas olharam para porta da frente num movimento em sincronia, a senhora estava parada junto a um homem alto, usando uma cartola, com uma barba comprida.


– Mamãe. Bom dia, senhor Neebar, é um prazer recebê-lo. – Ela cumprimentou o homem enquanto Julia se ajeitava para parecer apresentável ao tal Neebar.


– Bom dia, jovem Em. – Sorriu para ela, logo depois desviou o olhar para Julia. Ele sorria, mas estava ligeiramente desconfiado. – E bom dia, forasteira.


– Bom dia, senhor, como vai? – Julia se aproximou para apertar a mão do moço, mas ficou no vácuo. Emilly e sua mãe se olharam envergonhadas.


– Sente-se aqui, vamos conversar. Tens algum problema em me contar como encontrou nosso lar? – Neebar se sentou, calmo como o vento, e apontou para a cadeira em sua frente para que Julia sentasse. Ela abaixou a mão que havia dado para cumprimentar o homem sem jeito e se sentou com cara de tacho. – Emilly, Noah, nos dêem licença por gentileza.


As duas deixaram a cozinha apenas com um aceno de cabeça. Era estranho como elas eram submissas. Muito estranho. Julia estava cada vez mais nervosa com aquela situação, era como um interrogatório. Por que ela simplesmente não podia ficar ali por uns dias na boa sem essa coisa toda?


 – Você é americana? – Perguntou ele, com uma voz mais firme e o rosto amargo. Julia engoliu o seco e pigarreou.


– Sim, eu nasci em Memphis, Tennessee. – Dava para perceber o nervosismo em sua voz. Neebar se pôs em postura em sua cadeira, querendo intimidá-la.


– Não gostamos de americanos, são sujos. – Constatou. – Você trouxe tantas coisas mundanas consigo que eu até perdi as contas. Não pense que este vestido me engana. Queres apenas um lugar para ficar e depois voltar para sua sujeira.


– É exatamente isso. – Julia estava começando a se irritar. Não havia motivos para grosseria.


– Boca dura, sua mãe devia te repreender. Ela deve ser uma daquelas que vivem em esquinas recebendo por sexo, é isso que os americanos fazem não é? – Ele foi sarcástico, dando um sorriso de canto.


– Veja lá o que diz a respeito da minha vida, cara. Você não sabe de nada. Acha que eu queria estar aqui? Eu não tô aqui pra “sujar” ninguém com as minhas “coisas mundanas”. Eu simplesmente vim parar aqui, você ainda não entendeu? – Respondeu na mesma moeda. Neebar arregalou os olhos indignado. – Aliás, eu não pediria ajuda se não precisasse.


– Estou tentando me decidir se te julgo tonta ou esperta. Reconhece que precisa de minha ajuda e mesmo assim me falta com respeito? – Ele tentou ser o mocinho. Julia jogou a cabeça para trás com os olhos revirados.


– “Não julgarás.” – Fez aspas, enquanto sorria cinicamente. Neebar semicerrou os olhos e levantou-se.


– Você vai embora daqui agora, garota imunda. Diabo. – Ele estava ainda mais bravo que antes. Só faltava voar no pescoço dela. Julia se viu completamente fudida.


– Tá. Eu vou então. Com certeza Deus vai te recompensar pelo que está fazendo. – Passou por ele com desdém, Neebar jamais tinha visto alguém desafiar sua autoridade daquela forma.


Se tinha algo que Julia odiava era falsidade. E aquele homem era um sujeito falso. Era o típico esteriótipo, o pastor bonzinho com quem paga pau, e malzinho com quem não come na sua mão. Em menos de cinco minutos de conversa tirou essa conclusão mais que correta sobre ele. Julia olhou para baixo depois de ter dito aquilo, e se lembrou que tinha acabado de jogar no lixo a provável única chance que tinha de conseguir voltar pra casa.


Merda.



Notas Finais


Continua.


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