História Animate Me - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camila Cabello, Camren, Lauren Jauregui
Exibições 466
Palavras 4.488
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo-Ai
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey, boa tarde :)

Capítulo 16 - Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Lauren


O problema é que ela disse que me ligaria à noite. Não no dia seguinte, ou no outro dia, não numa outra hora, mas sim hoje. Então, quando ela não me liga, fico apavorada. Tenho uma sensação estranha por causa do meu encontro com o Arnold. Eu sei que depois da noite maravilhosa e íntima que dividimos a Lauren não me desconsideraria tão facilmente.

Ando de um lado para outro na minha casa por mais de duas horas antes de me forçar a ir para a cama quando já é meia-noite e deixo o celular no meu criado-mudo. O volume está bem alto, caso eu esteja dormindo quando ela ligar. Mas não importa, porque não durmo e ela não liga.

Tenho que bancar a normal no trabalho. Estou tão paranoica de ligar para ela que me forço a trabalhar até chegar a hora de ir ao Starbucks. O Arnold que vá para o inferno, dizendo que não posso mais levar café para a Lauren.

Sei que a Lauren não esqueceu de ligar, alguma coisa aconteceu, tipo os telefones descarregaram e quando chegou já foi direto para uma reunião que durou o dia inteiro. Estou tão nervosa que nem consegui desenhar direito o Buzz no copo do Starbucks hoje. Ela merece coisa melhor, eu sei disso.

Enquanto caminho na direção do elevador, penso no que o Arnold vai dizer quando ver que ignorei sua “ordem” de não levar mais café para a Lauren. Mas no final, eu não deveria nem me preocupar com esse  confronto. Quando cheguei na sala dela, meu pior pesadelo se materializa.

Está tudo fechado e escuro. Eu me viro para a Allyson e ela balança a cabeça. Ela sabe que tem algo errado usando aquele instinto esquisito que só as secretárias têm.

Eu dou o café para a Allyson e pergunto: — Onde ela está?

— Arnauld a levou para uma viagem surpresa ao Barcara, aquele resort bem próximo de Santa Barbara.

— Numa terça? — eu pergunto perplexa.

— Segunda à noite. Estranho não é? Eu sabia que eles iam jantar, mas não tinha ideia da viagem. Nem a Alana — ela confessa.

— Então como é que você descobriu? — eu pergunto, apoiada em sua mesa para não cair

— Ela me mandou um e-mail esquisito ontem às nove da noite. Disse que era para comemorar a vitória. Pediu que eu cancelasse várias reuniões. Eles só voltam na quinta.

Eu olho para ela chocada.

— E outra coisa estranha é que o Arnauld deu instruções para a Alana preparar uma grande festa no sábado para a empresa toda comemorar. Você sabe, este foi o nosso primeiro Emmy em dois anos. A coitada da Alana está maluca... organizar uma festa para mais de 400 pessoas em tão pouco tempo. Eu a estou ajudando. Preciso checar toda esta lista — ela mostra várias folhas que estão marcadas com diferentes cores de marcadores de texto.

De repente, ela pega uma e diz: — Droga, Camila. Me perdoe. Eu deveria ter te ligado — ela mostra um dos itens da lista.

— O que está escrito?

Por favor não esqueça de entrar em contato com a Camila e diga a ela que sinto muito por não ter ligado, mas que conversamos assim que eu voltar... — Merda... eu deveria ter te avisado na hora. Eu me programei para te avisar assim que você trouxesse o café. Desculpa, pisei na bola.

Quero estrangulá-la, mas fico o mais calma possível. — Olha, eu estava mesmo preocupada por ela não ter ligado, eu admito. — É claro que não posso admitir que estou muito mais preocupada agora.

Eu nunca deveria ter subestimado o Arnold. Esse miserável não chegaria até onde chegou profissionalmente se não fosse muito esperto. Ele obviamente tem vários trunfos na manga.

— Você falou com ela depois desse e-mail?

— Não — ela diz hesitante. — Mas é uma viagem romântica, então não espero que ela ligue.

Caramba, prefiro morrer agora e acabar com minha miséria. A minha Lauren está num resort chique com o macaco cabeludo, sendo massageada e mimada com jantares e vinhos? E o que ela recebe de mim? Massagem nos pés, copos de café desenhados e hambúrguer do In-N-Out? Eu não tenho a menor chance e começo a pensar se realmente tive alguma. Antes mesmo de o desespero acabar comigo, decido fazer uma saída com classe. — Ok, obrigada, Allyson se souber de algo me avisa, tá?

Ela dá uma gole no café da Lauren, os seus dedos acariciam o desenho do Buzz. Eu me viro porque não quero ver.

— Claro, Camila.

Eu nem me lembro de como cheguei na minha baia.

 

Depois, quando já estou na mesa, considero minhas opções. Fico obcecada com a ideia de ir até esse resort, o Barcara. O que não consigo pensar é que vou fazer quando chegar lá... encontrar com eles por acaso na hora do jantar? Tipo, eu só estava na área e ouvi que a comida aqui era muito boa.

Ou é melhor espioná-los na piscina em cima de uma árvore? Provavelmente não... com a minha sorte, acabaria me animando demais vendo a Lauren de biquíni e ia cair e morrer ou, pior ainda, sobreviver para ser humilhada pelo Macaco Louco.

Não é que a Lauren tenha sido sequestrada. Mesmo adorando a ideia de salvá-la, não posso arrombar a porta da suíte deles, dar uma bela surra nele e tirar ela de lá carregada nos meus braços. Mesmo assim, anoto essa ideia para usar num futuro, especialmente a parte de carregá-la nos meus braços.

Não, a Lauren foi com ele por vontade própria. Talvez ela até tenha gostado da ideia. Ele é o seu namorado apesar de tudo. Viagens românticas são o tipo de coisa que as meninas adoram. Eu queria viajar com a Lauren, mesmo que não tivesse uma convenção de quadrinhos no programa.

Encosto a cabeça na mesa em cima de um desenho muito malfeito do Bernie.

Caramba, Camila, ficar obcecada não vai ajudar em nada.

 

No meu desespero pego o telefone e ligo para o Shawn, esperando que ele esteja livre para conversar, e não num daqueles momentos completamente distraído com a Hailee.

— Shawn — eu resmungo quando ele atende.

— Oi, você está com uma voz péssima. O que aconteceu?

— A Lauren foi sequestrada — eu digo sem esconder o desespero na minha voz.

— Cacete, o quê? Você está falando sério?

Eu percebo que a minha descrição não foi muito coerente. — Bem, na verdade esta com o namorado. Ele decidiu levá-la para Santa Barbara para uma pausa no trabalho e uns dias românticos longe de tudo.

— Cara não faz isso comigo! Eu já estava me preparando para dar uma de Rambo e ajudar você a perseguir os sequestradores.

— Desculpa. Eu não sei como lidar com isso, Shawn. Não sei o que fazer. Será que podemos sair para conversar e beber uma cerveja?

— Eu vou pegar a Hailee na loja e vamos sair para comer. Você quer vir junto?

— Eu não quero atrapalhar seu namoro, mas uma perspectiva feminina me ajudaria muito.

— OK, vou ligar para ela e avisar que você também vai. Por que não nos encontramos na loja às seis e meia?

Eu corro com o trabalho para terminar tudo bem rápido e sair mais cedo. Agora, minha loja favorita parece o lugar mais reconfortante do mundo.

Quando entro pela porta, respiro fundo e me sinto imediatamente mais calma, pois esse é um dos meus lugares favoritos. A Hailee está no telefone, aceno para ela e vou para o corredor de lançamentos para ver o últimos números do gibi do Thor. Eu já li várias páginas quando a Hailee chega atrás de mim.

— Então, o Shawn me disse que você não está nada bem, Camila.

Eu suspiro e coloco a revista no lugar antes de virar para ela: — Sim, Hailee... tô muito mal.

— Quer dizer que ele não estava brincando comigo? Você realmente está apaixonada pela Lauren, e estava fazendo cena com a Mani só para mexer com ela?

— Sim, algo do tipo — eu admito.

— Isso foi burrice — ela diz diretamente, com os punhos cerrados no quadril.

— Bem, eu nunca afirmei que era boa nessa coisa de paixão, não sei o que estou fazendo. É incrível ter conseguido chegar com ela aonde cheguei.

— Vocês transaram? — ela pergunta, totalmente surpresa.

Eu olho para baixo e sinto meu rosto enrubescer, mas também entendo que não vou conseguir ouvir um conselho se não for totalmente honesta com ela. — Sim, nós transamos. E agora ela está com o namorado num resort requintado.

— Ai, que pena, Mila.

— Eu nem mesmo sei por que ela transou comigo.

— Cala a boca, Cabello. Eu não quero nunca mais ouvir isso. Você é um partidão e é tão burra que nem percebe. Eu costumava achar que sua ignorância fazia parte do seu charme, mas agora isso tem que acabar.

A Hailee acha que sou um bom partido? Eu coço a cabeça em choque.

— Então, como foi o sexo? Foi bom?

— Eu achei que foi incrível.

— Ela pediu para você passar a noite?

Afirmo balançando a cabeça.

— Fizeram mais sexo de manhã?

— Sim — eu admito envergonhada.

Ela cruza os braços tatuados e vira a cabeça, como se estivesse calculando alguma coisa.

— O negócio é o seguinte. A Lauren está se apaixonando por você, mas é complicado.

Eu fico branca. Não é estranho ela ter repetido as mesma palavras da Lauren: complicado. Eu rapidamente concordo, encorajando-a a me dizer mais.

— O Arnauld é o chefe dela, e você a fez perceber que ela não consegue ter com ele o que realmente quer, só que a vida dela e o trabalho foram construídos ao redor dele. Ele já sacou o que está acontecendo e está tentando reparar o erro protegendo o investimento. Ele, provavelmente, está fazendo uma lavagem cerebral nela enquanto estamos aqui conversando.

— Ah! — eu grito. — Sim, é claro. Ele está fazendo exatamente isso e eu estou morrendo de medo. O que faço, Hailee?

Nessa hora, o Shawn chega e vem direto na nossa direção, agarrando a Hailee.

— Oi, maninha — ele diz enquanto a abraça.

— Sua namorada é um gênio, Shawn — eu digo.

— E você acha que eu não sabia? — ele — Ela é muito mais esperta que eu.

— Pra caramba — ela concorda sorrindo.

Nós vamos a pé até o Café do Mo’s e, enquanto comemos hambúrguer e bebemos cerveja, começamos a trabalhar na estratégia de tirar a Lauren dessa teia do Arnold.

— Fique na boa quando ela voltar, Mila, não vai começar a agir como os perseguidores obcecados porque vai acabar assustando-a — Shawn aconselha.

Me viro para a Hailee e pergunto: — Você falou sério mesmo na loja, quando disse que a Lauren está se apaixonando por mim? — Eu quero acreditar tanto.

A Hailee afirma: — Sim, mas você tem que deixar que ela perceba isso sozinha. Se você pressionar ela não vai aguentar e vai cair fora.

Eu tomo um gole da cerveja enquanto considero que preciso mesmo dar espaço à Lauren. Por mais desesperada que esteja para tê-la de volta nos meus braços, preciso pensar no futuro. Preciso ser essa pessoa centrada, carinhosa, de que ela tanto precisa. Não a mulher desesperadamente apaixonada que sou.

...

 

No dia seguinte, quando chego na sala de café, tem uma galera reunida olhando para o quadro de avisos.

— Fes-ta! Eu já até sei o que vou usar! — Mani grita animada. — Espera só para ver como vou estar gostosa no sábado à noite.

Eu pego a Dinah tentando não sorrir.

— Eu não acredito que eles alugaram o Palace — Jenna comenta. — Deve ter sido uma fortuna.

— Palace? Isso é algum tipo de castelo de um reino distante? Será que vamos ter a presença de algum membro da família real? — Dani diz, tirando sarro. — Nesse caso vou até fazer questão de usar uma camiseta limpa.

— Não, seu idiota — Nick responde. — É aquele clube bacana em Hollywood. Você sai da sua caverna de vez em quando?

— Só quando acabam a bebida e o Cheetos.

— O nosso nobre líder deve estar mesmo gastando uma fortuna. Ele nem nos deu um aumento decente este ano, o que será que ele está querendo provar? — o Kevin comenta.

— Parece que ele está querendo impressionar a menina dele, a Lauren, aquela que trabalha no desenvolvimento de negócios — Dani acrescenta.

Minha pele se arrepia e cerro as minhas mãos. Fico ofendida pelo simples fato de o nome dela sair da boca suja do Dani. Não levando em consideração que ele se referiu a ela como menina e também como se ela pertencesse ao Arnauld.

— Bom, se ele quer mesmo impressioná-la, deveria estar gastando essa grana em uma festa mais íntima de noivado e depois com o casamento. Isso faria mais sentido. Eles podem ter filhos e começar a própria empresa de animação.

— Ai, será que vai ser um casamento real de surpresa e nós fomos convidados? — Jenna grita.

— Se esse for o caso não vou nem vestir uma camisa limpa. Esta aqui mesmo serve — Dani retruca enquanto arruma a barra da camiseta com a estampa de Charlie Brown.

Mani olha para mim preocupada, mas tento me manter calma mesmo estando com mais enjoo a cada segundo que passa. Vou bem devagar até a máquina e pego meu café antes de sair da sala. Mani vem atrás de mim no corredor.

— Você está bem, Camila? — ela pergunta gentilmente.

— Não mesmo. Mas o que posso fazer? Ele a tirou da cidade de propósito e não consigo falar com ela e descobrir o que está acontecendo. Até eles voltarem estou meio que dirigindo às cegas e só espero que não acabe me acidentando.

— Você vai no sábado? — ela pergunta.

— Acho que não posso evitar, mas não tenho a menor vontade.

— Bom, eu vou estar por lá se você precisar de uma amiga. Nós podemos até ir juntas se você quiser.

— Obrigado, Mani. Você é realmente uma boa amiga.

O resto da tarde é equivalente a uma tortura chinesa. Pensamentos terríveis gotejam na minha cabeça com tanta consistência que começo a rezar para manter a sanidade. Gotas, gotas, gotas... só o tempo vai dizer o quanto vou conseguir aguentar...

 

Naquela noite tento trabalhar no meu gibi, mas quando faço o primeiro rabisco da Garota-L me acabo. Decido beber algo forte e assistir a desenhos de guerra que foram censurados, e que acabei comprando no mercado negro na esperança de aplacar minha dor e, finalmente, apagar como um personagem da Turma do Pernalonga.

Na quinta escuto os boatos de que o Arnold e a Lauren voltaram e que estão em uma reunião discutindo os detalhes do evento de sábado. Jenna é amiga do assistente do diretor financeiro, então a fonte é segura.

Parece a festa vai ser mesmo em grande estilo, eles contrataram um DJ e pista de dança, bufê e até um bar. Perfeito. Eu não acredito que animadores sejam bons dançarinos, mas, com certeza, a galera da contabilidade e o pessoal departamentos vão compensar a nossa falta de coordenação motora. A coisa toda da parece tão chata, mas nós somos convocados a comparecer. 

Eu estou tão ansiosa para falar com a Lauren, mas não sei se é uma boa ideia ir até a sua sala. Quem sabe não dou uma passada em sua casa depois do expediente?

 

Depois do almoço me obrigo a me concentrar e começo a trabalhar numa nova cena. Estou desenhando e ouvindo música no meu iPod quando percebo que alguém está me observando.

Eu olho e vejo a Lauren dentro da minha baia. Ela parece descansada e está com as bochechas vermelhas de sol, e também parece um pouco apreensiva por estar aqui.

Eu tiro os fones do ouvido e coloco meu lápis na mesa. — Oi — eu digo carinhosamente, tão aliviada por vê-la e, ao mesmo tempo, muito nervosa.

— Oi, Camila — ela responde sorrindo, mas percebo um pouco de tristeza no olhar. Percebo na hora que ela não vai me abraçar. Talvez porque estamos no escritório e ela está com medo de alguém nos ver, eu tento me convencer.

— Como você está? Você se divertiu em Santa Barbara? — estou tentando disfarçar meu medo, pois as coisas parecem diferentes entre nós e isso não é nada bom.

— Sim, foi legal... O lugar é muito bonito. Você já foi no Barcara?

— Não, já até pensei em ir uma vez — eu não elaboro que a única vez que pensei em ir foi na terça-feira quando descobri que ela estava lá com o Arnold.

— Bem, na verdade esse tempo fora me fez pensar em algumas coisas.

— Coisas? — eu pergunto nervosa. Isso com certeza não vai acabar bem.

— Sim, e acho que é melhor você não me levar café e me visitar todos os dias, queria falar isso pessoalmente — ela olha para baixo.

Uma coisa é ouvir isso do Arnold, mas ouvir da própria Lauren é completamente diferente. Será que ela não percebe o quanto está me machucando?

Bom, acho que ela não tem a menor ideia. Ela nem me avisou antes de arrancar o band-aid e agora estou aqui completamente exposta e desapontada.

Eu apenas olho para ela, não consigo achar palavras e de repente me afasto. — Ok, se você prefere — eu finalmente consigo responder, uma vez que estou olhando para a mesa e não para os seus olhos tristes. Abaixo a cabeça e parece até que estou falando com o desenho do Bucky que acabei de fazer, mas ele também está distraído com os olhos soltando faíscas. Empurro o desenho e apoio meus cotovelos na mesa.

— Camila — ela insiste, tentando chamar minha atenção — , não fica assim.

— Assim como?

— Como se eu tivesse te decepcionado — a expressão dela é preocupada, e acaba ficando pálida e perdendo a cor que ganhou durante os dias de folga.

— Ah. — Eu não respondo mais nada, sem embromação, somente... ah. É uma palavra tão pequenininha, mas tem um significado tão grande nessa situação desesperadora. Você acha mesmo que não me decepcionou, tenta levantar desse buraco que implodiu no meu coração e verifique se você gosta da vista.

— Por favor, Camila... Eu vim até aqui falar com você e fazer planos.

— Planos? O que você quer? — eu tento responder com um entusiasmo falso na voz. Eu estou lutando contra um sentimento desconhecido. Não consigo esconder. Eu me viro para ela.

— Você está livre no sábado de manhã? Eu preciso pegar uma coisa no Fred Segal e pensei que poderíamos ir juntas escolher nossas roupas para a festa... Depois almoçar ou fazer algo.

Escolher roupas juntas? Eu começo a suar frio. Nós dormimos juntas e agora ela quer fazer compras?

Talvez ela pense que eu posso ser a sua melhor amiga, tipo BFF, e termos nosso próprio episódio do Esquadrão da Moda. Eu já assisti a alguns episódios na casa da minha mãe, e acho que ela vai fazer com que eu fique de frente para aqueles espelhos horríveis, mostrando tudo que tem de errado comigo. Eu não quero passar por isso para descobrir que me visto mal. Além de tudo, odeio comprar roupas.

Mas o que mais me dói é perceber que ela me quer apenas como uma amiga para fazer compras. Eu presumo que não sou mais a companheira do Starbucks, de beber cerveja, de ficar abraçada no sofá, de assistir desenhos juntos, a amiga íntima, nem a amante. Eu tento recobrar meu equilíbrio.

Ela vira cabeça preocupada por eu ainda não ter respondido. Graças a Deus que ela não consegue ler meus pensamentos. De repente penso numa coisa e digo:

— Quem é esse tal de Fred Segal?... Ele é seu amigo? — Caramba. Talvez ela esteja planejando um encontro às escuras com um cara gay. Eu devo ser muito pior de cama do que imaginava.

— Amigo? — ela ri. — Meu Deus... Eu senti tanta saudade de você. Não, Fred Segal é o nome de uma loja bem chique que tem umas roupas bem descoladas. Muita gente cinema e cantores famosos compram lá. 

— E por que eu deveria comprar nesta loja? Eu não sou descolada — respondo.

— Não, mas você pode ser — ela me encoraja.

Ah, então é isso? Eu não sou descolada ou legal. Tudo parece fazer sentido e me sinto suja. Onde foi a minha linda Lauren, que nem ligava para esse tipo de coisas? Apenas uns dias com o Macaco e é assim que terminamos?

Eu não quero ser descolada, Lauren. Eu não quero ser a garota legal. Eu só quero você.

— É isso mesmo o que você quer? — eu pergunto baixinho.

— Sim. Eu quero ir com você. Quero passar um pouco de tempo com você, e, além do mais, nós vamos nos divertir.

Eu concordo, apesar de toda a minha preocupação. — A que horas te pego?

— Que tal às onze? Eu já vou ter chegado da minha aula de Zumba e tomado banho.

Que saudades da calça de ioga, eu me dou conta desesperada. Concordo porque qual é a minha outra opção? Mesmo parecendo uma péssima ideia, não posso abrir mão ainda. Não até descobrir exatamente o que está se passando na cabeça dela e se ainda tenho uma chance.

Caramba, Lauren, está claro que enquanto você viajou perdi meu encanto e parece que você redescobriu o seu... o seu Macaco Louco descolado com as costas cabeludas aparentemente também tem o poder de controlar a mente.

...

 

No Jantar acabo comendo atum com biscoito e tomate-cereja por que  gosto como estas bolinhas vermelhas explodem na minha boca. Estou tentando manter uma atitude positiva, mas nem meu prato favorito consegue me animar.

Estou quase indo para o meu estúdio desenhar quando o telefone toca. — Oi, Camila.

Não é normal ela me ligar durante a semana e fico assustada na hora. — Está tudo bem, mãe?

— Sim, está tudo bem. Eu só estava aqui pensando em você e queria saber como estão as coisas.

Mães e suas intuições. Se ela perguntar eu não vou conseguir esconder.

— Bom, você lembra daquela cena do desenho quando o Frajola fica animado achando que pode voar até o ninho do Piu-Piu só que depois ele lembra que não sabe voar e fica desesperado e cai de cara no chão? Então, eu sou o Frajola e isso resume bem o que está acontecendo comigo.

— Ai não, isso não parece nada bom. O que aconteceu com a Lauren?

— Ela acabou de voltar de uma viagem romântica com o namorado e agora não podemos mais tomar café juntas de tarde. É o começo do fim.

— Mas Camila, você sabia desde o início que ela tinha outra pessoa. Por que está tão surpresa?

— Eu achei que existia algo mais e que estávamos nos aproximando. Mas acho que pensei tudo errado.

— Essas coisas não são necessariamente exclusivas, Camila. Talvez ela goste dele e de você também. Eu percebi naquele dia que ela gostava de você e posso imaginar o quão próximas vocês se tornaram desde então.

— Sim, acho que ficamos mesmo — eu respondo enquanto penso nela dormindo enrolada em mim na cama. Meu mundo estava completo naquele momento.

— Faz muito tempo que eles estão juntos? E ele também não é o chefe dela?

— Sim — eu sussurro. Não fala... não fala...

— É complicado, filha.

Caramba. Ela falou.

— E sabe o que mais?

Não fala... não fala...

— Você precisa ter fé.

Ai. Ela falou. Eu sabia que ela falaria isso.

Acredito na pixar, na tenacidade do Walt Disney e em lápis número 2. Eu não tenho certeza se confio em um Deus que não me deu habilidades e ferramentas para conquistar o amor da minha vida.

— Mas mãe, que tipo de Deus me daria a Lauren de presente e depois pegaria de volta? E no final ela ainda ficar com aquele macaco maldito, e não alguém que ela realmente mereça.

— Um macaco? — ela pergunta chocada.

— É uma longa história. Esquece.

— Olha, Camila, tem uma razão pela qual vocês estão passando por isso. Eu não sei qual é, mas posso garantir que vocês vão sair disso mais fortes e, melhor ainda, unidas. Mas você precisa acreditar que vai dar certo.

— Eu queria muito acreditar nisso — eu suspiro.

— Mas você ainda trabalham juntas na mesma empresa, certo?

— Nós ficamos em andares diferentes. Ela me convidou para fazer compras no sábado. O que você acha que isso significa?

—  Significa apenas que ela quer passar um tempo com você longe do mundo do Arnold, um lugar sem pressão e nem pessoas observando.

— Mesmo? — eu finalmente sinto um fio de esperança de que ela pode estar certa.

— Sim — ela afirma. — Eu realmente acredito que vocês vão acabar juntas. Então, aproveite ao máximo essas compras. Seja gentil e carinhosa com ela. Seja você mesmo.

Eu me agarro em cada palavra da minha mãe. Ela me fez acreditar em Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e também no meu futuro com a Lauren.

 Então, para fortalecer minha motivação, vou para cama e ligo o sermão do Dr. Wayne Dyer sobre relacionamentos. Eu não durmo até que ele me convença que posso controlar meu destino com minhas próprias mãos. Eu ainda não vou desistir.

...

 

No sábado acordo cedo e vou correr, como uma tigela de cereal e depois tomo um banho. Eu tento me encorajar e coloco até o perfume que minha mãe me deu no Natal. Estou fazendo o melhor que posso para me aprontar e ver a Lauren.

Quando eu chego, ela já está me esperando do lado de fora do portão. Ou ela está mesmo ansiosa por sair comigo ou não quer que eu entre. Tento me convencer de que é a primeira opção quando vejo o enorme sorriso em seu rosto.

— Oi, você! — ela diz enquanto entra no meu carro. — Animada com nossas compras?

— Bom, estou animada por estar com você — eu respondo sorrindo.

— O que é isso? — ela pergunta apontando o copo que está no painel do meu carro.

— Bem, você sabe que não posso mais levar café para você no escritório, mas não significa que não possa trazer em outras ocasiões, certo? — eu replico.

— Poxa, Camila — ela suspira feliz, segurando o copo antes de beber. — Você até fez um desenho para mim! — ela diz enquanto estuda a caricatura com um sorriso no rosto.

— Sim, esta sou eu depois de nossas compras na loja descolada.

— Isso é ótimo! Você é tão inteligente. Obrigada.

—E adivinha? — Eu digo enquanto pego uma sacola atrás do banco e coloco no colo dela.

Krispy Kreme donuts! — ela grita. — Você não devia... Como pôde? Agora toda a minha aula de Zumba foi para o espaço! — ela diz enquanto abre a embalagem e dá uma mordida.

— Me desculpa — eu respondo rindo. Mas quando observo a animação dela antes de comer o doce não me sinto nem um pouquinho culpada. 

— Mmmm — ela fecha os olhos enquanto mastiga. Ela tem a expressão mais perfeita no rosto. — Isto é tão bom...

Enquanto dirijo em direção à terra dos descolados, ela coloca na minha boca pedaços do seu donuts. Observo ela lamber os dedos e os seus olhos brilharem enquanto abre a sacola para pegar mais um.

Eu me sinto viva novamente, como um desenho remasterizado com mais brilho. Nós rimos e brincamos em nosso próprio mundo, cheio de açúcar caindo do céu feito neve, num dia brilhante na Califórnia.



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