História Antes do Exército... - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO, TVXQ (DBSK) (Tohoshinki)
Tags Changmin, Changxiu, Xiumin, Yatoviagem, Youaretheone
Exibições 87
Palavras 9.100
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Mais uma oneshot do projeto "You Are The One"... Seria a última fase?
Bem, para que entendam, eu irei explicar: essa história faz parte da última fase do projeto, onde os couples ficam a nossa escolha e, ultimamente, eu estou tendo quase um precipício pelo couple flop e inexistente (ainda!) ChangminXXiumin.
Muita gente, que conhece o Xiumin e sabe sobre ele, também deve saber que nosso baozi é fã do TVXQ. É claro que ele ainda não assumiu que seu Ultimate Bias é o Changmin, mas nós, fãs dele, somos bastante pacientes.
Por isso, aproveitando essa "deixa" do nosso querido Hyung (falso maknae), eu decidi postar uma oneshot deles (que, cá entre nós, tá parecendo uma fic longa!). Afinal, quem não gostaria de viajar com o seu ídolo, hein?
Sem delongas...
Boa leitura!

Capítulo 1 - Parte Um


É provável que muita gente tenha sonhado ou imaginado, alguma vez na vida, que viajaria com aquele ídolo dos sonhos. Um autor, um cantor... Quem quer que fosse, estaria saciando a sua vontade de conhecer e fazer companhia, ou até mesmo, se apaixonar. O único problema é que meu ídolo... É o meu sunbae. Bem, eu vou explicar o que aconteceu na semana em que o CEO e os empresários da S.M. Entertainment decidiram fazer.

 

Tudo começou com simples boatos de que os empresários de alguns grupos – femininos e masculinos – estavam decidindo nos enviar para uma viagem a dois para qualquer lugar do mundo. Qualquer lugar mesmo! Mas essa mordomia toda tem um maldito porém: Os pares seriam escolhidos aleatoriamente, ou seja, NADA DE GRUPINHOS. Tipo, somente os membros do EXO podem fazer duplas com eles mesmos. Enfim, isso não pode.  Eles queriam algo bem misto mesmo! Segundo eles, o objetivo é nos fazer conhecer uns aos outros e mostrar que possuíamos uma fraternidade – irmandade ou o que quer que fosse – além dos palcos. Mostrasse ao público que “apesar de sermos de grupos diferentes, nós formamos uma família unida”.

Diz isso para o Kris, o Lu Han, o Han Geng e outros que acabaram deixando a S.M....

Enfim, logo que os boatos se tornaram verdadeiros, fomos reunidos para um dos estúdios de dança. Eu, assim como todos os membros do EXO, adentrei o espaço e nos acomodamos – alguns de pé, outros sentados no sofá e o resto no chão – enquanto assistíamos à chegada dos outros. Tae Yeon, das Girls Generation, conversava animadamente com Tiffany, que gesticulou para que as outras ficassem próximas dos integrantes do grupo Super Junior. Cumprimentamos as todos os recém-chegados – era engraçado ver Baek Hyun e Chan Yeol cumprimentando a si mesmos – e quando todos se sentiram à vontade, avistamos os empresários e o CEO entrarem.

_ Bom dia. – desejou o Presidente. Respondemos em uníssono. – Pelo visto, muitos de vocês já sabem que os boatos da viagem são verdadeiros, certo? – E concordamos. – Bem, eu não pretendo tomar muito do tempo de vocês e tão farei um resumo rápido: Os empresários de vocês ficarão responsáveis pelo sorteio dos pares e fica a critério de vocês escolherem qual lugar irão viajar. Por isso, desejo-lhes boa sorte.

E sem esperar muito, o Presidente saiu.

_ Ok, agora nós vamos começar. – iniciou nosso empresário, esfregando as mãos ansiosamente. – Hoje, nós iremos sortear as duplas para viajar para estes lugares. – e apontou para um dos enormes quadros já expostos ali. – Nosso objetivo é fazê-los interagir uns com os outros. Então, não se acanhem, certo?

_ Antes que esqueçamos... – disse a empresária do Girls Generation. – Os membros dos grupos mais jovens e recém-debutados não poderão participar, infelizmente.

_ O que? – protestou Tae Yong olhando-os.

Afaguei o ombro que Mark, membro do grupo NCT, a fim de tranquiliza-lo. E, em seguida, veio a explicação: além de muitos serem menores de idade ou iniciantes, outros ídolos mais velhos podem acabar se tornando babás deles. E isso é algo que ninguém, nem mesmo eu, iria querer. O outro motivo é que os grupos mais jovens estavam se lançando na indústria competitiva da música.

_ Pois bem. – continuou, desta vez, Prince, o empresário do grupo Super Junior. – Vamos entregar, para cada um de vocês, um número qualquer e ordenaremos os nomes nesta tabela. – E, em seguida, apontou para o segundo quadro com vários retângulos vazios.

Por fim, assistimos Irene, Wendy, Joy, Seul Gi e Ye Ri do grupo Red Velvet e os membros do NCT – Eles são tantos que eu preciso listar devagar: Mark, Tae Yong, Tae Il, Do Young, Ten, Jae Hyun, Yuta, WinWin , Hae Chan, Ren Jun, Je No, Jae Min, Chen Le, Ji Sung e Kun. Ufa! Quanta gente! –, assim como os SM Rookies, distribuírem os números. Assim que peguei o meu número, verifiquei-o: 08. Discretamente, olhei por sobre os ombros de Baek Hyun e Chan Yeol – ambos estavam sentados lado a lado no chão – e suspirei arrastado: 10 e 13 respectivamente. E enquanto as fichas continuavam a serem distribuídas, o empresário do grupo SHINee concluía:

_ Não digam e nem olhem para o número uns dos outros. – alertou. – Vamos manter a surpresa no ar. – e quando a última ficha foi entregue, ele bateu as mãos, sorrindo largo. – Agora é a hora! Calma, um por um, vocês se levantam e me entregam a ficha.

Vagamos os olhos por dentre todos os outros até que Si Won-sunbae se ergueu, entregando sua ficha.

_ Si Won, membro do Super Junior... – murmurou Prince. – Número 10. Quem mais pegou o número 10?

Subitamente, Baek Hyun se assustou aos meus pés, e relutante – afinal, ele faria companhia ao sunbae mais famoso do Super Junior – se ergueu, entregando sua ficha.

_ Muito bem! – Sorriu Prince. – Baek Hyun-si, do EXO, e Si Won-ssi, do Super Junior, agora escolham, dentre esses lugares, para onde vocês querem ir.

_ faça as honras, Baek Hyun. – Disse o moreno, sorrindo largo.

_ Que tal... A Suíça? – E o olhou.

_ Ok. Vamos para a Suíça. – Concordou.

E assim, se seguiu. Admito que não estava nem um pouco feliz com os componentes restantes. D.O., que estava ao meu lado, pediu desculpas à Kai por ter pego o mesmo número que Krystal. Até Ryeo Wook-sunbae ficou um pouco triste por não ter Chen como seu parceiro. Ele ficaria com Tae Yeon, enquanto o outro estaria com Yun Ho. Talvez, o único que saiu com sorte foi Su Ho, que acompanharia Se Hun na viagem para o México.

_ Faltam quatro pessoas e dois números. – Disse Prince. – Muito bem, Chang Min!

Sequer percebi quando o sunbae do grupo TVXQ havia se erguido. Em silêncio, o observei caminhar até o empresário e lhe estender a ficha. Rapidamente, desviei os olhos para Soo Young e Luna- sunbaes, que também estavam apreensivas com a resposta do outro. Por fim, voltei minha atenção para o homem que, retornou ao seu lugar, cruzando as pernas e num piscar, desviou seus olhos escuros e profundos para mim.

Fazendo um balanço geral sobre os meus três possíveis parceiros, eu poderia deduzir isso:

Luna-sunbae é uma boa pessoa, dessas que você pode se sentir à vontade com tudo. Ela é bastante divertida e muito inteligente, além, é claro, de que te deixa confortável com qualquer coisa. Eu sabia disso por que contracenamos num musical “School Oz”: eu era o Áquila e ela, a bela Diana.

Soo Young-sunbae é o tipo de pessoa que topa comer qualquer coisa. Essa sim, é boa de boca – no bom sentido! – E com certeza, estar com ela seria muito engraçado. O único problema é que... A sunbae é muito alta. Tipo... ALTA MESMO! Eu seria considerado uma criança de 14 anos ao lado dela, então... Em termos de companhia, eu ficaria bem com ela, agora... Em termos de altura... Não tanto.

Por fim, Chang Min-sunbae... Não que ele seja uma má pessoa. Na verdade, ele é quem me motiva a continuar malhando e melhorando nas minhas apresentações com o EXO. Como uma inspiração, entende? De qualquer forma, Max é uma boa pessoa. Todavia, nós dois não passamos muito tempo um com o outro por dois motivos: o primeiro, são as nossas agendas. Segundo, Cho Kyu Hyun. Até entendo isso, já que os dois se conhecem desde que o maknae do Super Junior entrou e estreou no grupo.

_ Número 08! – Continuou Prince. – Mais alguém pegou o número 08?

_ Hyung, é você! – Cutucou Su Ho, olhando-me.

Pisquei rápido, olhando para os outros e levantei-me, entregando minha ficha. E somente percebi quem seria o meu parceiro quando meu nome foi inscrito abaixo do de Chang Min. Kyu Hyun-sunbae pediu para trocar de parceiro, arrancando risadas dos outros artistas, sendo negado pelos empresários. Por fim, nos pediram para escolher um dos locais que haviam sobrado e o mais velho havia escolhido o Brasil. Mais alguns minutos de conversa se passaram, enquanto eu ainda encarava o painel de viagens.

As passagens nos foram entregues, seguido de uma ordem de arrumar as malas e nos prepararmos para o voo. Rumamos para fora da sala, onde Su Ho e Se Hun conversavam sobre a grande viagem para o México – além do mais, o EXO-K havia viajado para o país quando o Music Bank se estendeu para outras partes do mundo – enquanto Chen ria de algo que lia no celular.

_ Algum problema, Hyung? – Perguntou Chen, olhando-me.

_ N-não. – Sorri tímido, enquanto deixávamos o prédio. – Eu estou bem.

_ Eu não acredito que vai viajar para o Brasil! – Baek Hyun me olhou. – Depois me diga como é lá.

_ Ouvi do Tae Min-ssi que é fantástico e as fãs de lá são muito animadas! – Comentou Kai.

_ Eu conto como foi na viagem. – Falei, entrando na vã e, por fim, partimos.

No meio do trajeto, escutei meu telefone tocar, e ao mexer, percebi que era uma mensagem de Chang Min.

“Prepare a mala ainda hoje. Pegaremos o voo à noite”. MCM.

Respondi-lhe “Ok”, enviando em seguia e recostei-me ao banco. Ao chegarmos no dormitório, rumei para o meu quarto e puxei a mala do closet. Rapidamente, coloquei algumas roupas – especialmente camisetas e calções leves – na mala. Dois vidros de protetor solar, óculos de sol – por que eu sei que sempre me esqueço –, meus chinelos, boxers, toalha, roupa de banho... E antes que eu colocasse minha escova de dentes, junto com uma pasta, assustei-me com os oito rapazes parados na porta.

_ O que? – Falei.

_ Por que está fazendo as malas agora? Ainda são 11 da manhã. – Perguntou Su Ho.

_ É que... Eu e Chang Min-sunbae viajaremos hoje à noite.

_ Ah... – disseram em uníssono.

_ Leve a câmera digital! – Disse Lay, correndo para pegar o objeto.

_ Mas a câmera do meu celular é boa. – falei, enquanto Chen examinava (sem tocar) o interior da mala.

_ Nenhuma camisinha? – questionou baixinho apenas para que eu ouvisse.

_ Ficou louco? Acha que eu sou o que?! – rebati, olhando-o e o moreno gargalhou.

_ Eu estou brincando, Min Seok-hyung! – disse, ainda rindo.

Balancei a cabeça, voltando minha atenção para as coisas que havia colocado. Eu, por acaso, estava esquecendo alguma coisa? Fiz uma segunda verificação e fechei a mala, levando para o meu quarto. E enquanto esperava o horário se aproximar da viagem, acompanhei os garotos num almoço, onde ouvia as explicações deles sobre como seriam as suas viagens.

_ O que foi, Kai? – D.O. o olhou.

_ Nada. – negou, enquanto descansava a cabeça no ombro de Se Hun.

_ Ele ainda está chateado por que o Hyung vai viajar com a namorada dele. – brincou o loiro, recebendo uma tapa do amigo. – O que?

_ Eu já pedi desculpas. – insistiu D.O., afagando seu ombro. – Além do mais, não podemos trocar os parceiros, lembram?

_ E se eu disser para vocês que o Chang Min-sunbae quebrou as regras? – comentou Su Ho, folheando as páginas de seu mangá.

_ O que? – Chan Yeol franziu o cenho. – Como assim?

_ Ele pediu para trocar a viagem que eu e Se Hun-ah iriamos fazer para o Brasil. – explicou. – Por isso, que vamos viajar para o México.

_ Ah, mas talvez seja só isso mesmo... – Baek Hyun deu de ombros.

_ Não necessariamente. – continuou o líder. – Eu o vi conversando com alguns sunbaes e, pelo que percebi, ele tinha trocado a ficha dele com a do Tae Min.

_ Eu... Não estou entendendo. – desta vez, eu estava confuso.

_ Pelo que sei, parece que o Chang Min-sunbae queria muito fazer uma viagem com o Xiu Min-hyung. – e me olhou.

_ Por que está dizendo isso? – Baek Hyun o olhou.

_ Por que eu o ajudei a trocar. – e o moreno sorriu, dando de ombros.

_ Espera um pouco. – Chen agitou as mãos. – Está dizendo que, a razão do Chang Min-sunbae ter o número 08 seria por que ele queria viajar com o Min Seok-hyung?

_ Ok. – Su Ho riu, fechando o mangá e nos contou. – Eu vou explicar o que aconteceu. Quando começaram a distribuir os números, eu vi o Xiu Min-hyung pegar o número 08, certo? Então. Quando entregaram a ficha do Chang Min-hyung, ele me perguntou, de longe, qual era o número que o Hyung havia recebido, e eu lhe disse “08”. Até aí, tudo bem. Quando os empresários começaram a nos explicar, eu estava tentando encontrar o outro número 08 entre eles e nós achamos nas mãos do Tae Min.

_ Então, tecnicamente... – Kai o olhou. – O Min Seok-hyung iria viajar... Com o Tae Min?

_ Isso. – assentiu.

_ Por que ele tinha trocado? – Chan Yeol questionou.

Mas Su Ho não teve tempo de responder, já que a campainha tinha tocado e, logo que Lay abriu a porta, encontramos a fisionomia forte e alta de Chang Min. Rapidamente, os garotos foram cumprimentar o sunbae que apenas pediu para que eu levasse a mala, já que iriamos viajar naquele momento.

Apressei-me em pegar a mala e despedi-me dos outros, rumando atrás do mais velho para o elevador. Aproveitei os últimos instantes para ligar para os meus pais e falar com a minha irmã, dizendo-lhes que os amava. Por fim, quando estava prestes a guardar o telefone, meu celular recebeu uma mensagem de Se Hun.

E coisa boa nunca era.

“Su Ho-hyung disse que a razão do Chang Min-sunbae te escolher é que ele quer conversar com você sobre um assunto importante”.

****************

_ Você está bem? – perguntou-me confuso. – Está suando muito, Min Seok-ssi.

Não preciso dizer que a mensagem de Se Hun mais as perguntas de Chang Min estavam me deixando mais nervoso que o normal, certo? Desde que chegamos no aeroporto – além da multidão de fãs nos seguindo –, eu não conseguia expressar qualquer reação que não deixasse claro o meu lado ansioso e preocupado. Qual era a razão de ter sido chamado para essa viagem e, em especial, com ele?

 

_ Vamos. Nosso avião parte em dez minutos. – disse.

Nos apressamos pelo saguão até o portão de embarque e mostramos nossas passagens, entrando assim, no avião. Seguimos para as nossas poltronas – para a minha sorte, fiquei ao lado da janela – e nos acomodamos ali. Vez ou outra, desviei minha atenção para Chang Min que parecia concentradíssimo em ler seu manual de “Venha conhecer o Brasil: pontos turísticos, culinária, cultura e muito mais!”. Claro que tive de me controlar para não rir com a capa multicolorida e a foto do Cristo Redentor como foco.

_ E então? – perguntei. – Para onde vamos?

_ Ao Brasil. – respondeu.

_ Isso eu sei. – Mas... Aonde, no Brasil? São Paulo? Rio de Janeiro?

_ Fortaleza.

_ Aonde? – franzi o cenho.

_ Faremos uma viagem de escala de São Paulo para Fortaleza. – explicou. – Eu escolhi um lugar para que possamos ficar sem sermos perseguidos pelas nossas fãs, Min Seok-ssi.

_ E nós vamos à Fortaleza?

_ A nossa segunda parada sim. – concordou. – Nosso destino final é outro.

_ E qual é?

_ Te conto quando chegarmos lá. – por fim, sorriu simpático, relaxando em sua poltrona.

_ Certo. – concordei, encarando a janela.

_ Se eu fosse você, dormia um pouco.

_ Mas eu estou sem sono. – o olhei.

_ Serão 22 horas de voo até São Paulo e mais 2 ou 3 horas para Fortaleza. – explicou, colocando uma venda nos olhos.

Vinte... E duas?! Ele está brincando, né? Meus olhos cresceram surpreso e voltei a descansar a cabeça no encosto da poltrona. 22 horas... Ah, ótimo! Encontre alguma coisa para fazer nesse meio período, Min Seok! Enquanto o sono não aparecia, fiquei lendo o exemplar de Chang Min e me encantando com as belezas do país tropical. Claro que até tentei ouvir algumas músicas brasileiras como aquela: “Moro num país tropical/ abençoado por Deus/ e bonito por natureza” que, por sinal, é divertida. Não demorou muito para que o jantar fosse servido, ao que comemos em silêncio.

Moro num país tropical

Abençoado por Deus

E bonito por natureza

(Mas que beleza)

Em fevereiro

(Em fevereiro), tem carnaval

(Tem carnaval,)

_ Já parou para pensar que, quando chegarmos ao Brasil, o hoje vai ser ontem? Ou seja, é como se tivéssemos parado no tempo. – comentei.

_ Eu pensei nisso também. – concordou.

_ Desculpe. – murmurei, baixando a cabeça.

_ Pelo que?

_ Eu estou agindo como uma criança, não estou? – falei. – É que, em algumas viagens, eu me empolgo e...

_ Tudo bem. – sorriu de leve, limpando a boca.

_ Eu... Vou para o banheiro. – suspirei, levantando de meu lugar e rumei para o fim do corredor do avião.

Tranquei-me dentro da cabine e respirei fundo, lavando as mãos e o rosto. Respire fundo, Min Seok. A viagem vai durar mais 18 horas. Basta manter a calma e...

_ Min Seok-ah? Está tudo bem? – reconheci a voz de Chang Min do outro lado.

_ Sim. – respondi, saindo em seguida.

***********

22 horas depois...

_ Sejam bem vindos ao Brasil. Senhores passageiros, por favor, permaneçam em seus acentos até que o avião pouse. Faremos escala em São Paulo e seguiremos para Fortaleza após uma hora. – pediu a aeromoça.

Desviei os olhos para Chang Min que respirou fundo, reprimindo um sorriso. Já estávamos chegando e ele estava animado?

_ Esse país deve ser lindo, não é? – comentei, olhando pela janela.

_ Se acha isso, devia ver as garotas. – deu de ombros.

Logo que o avião pousou, observamos alguns passageiros deixando seus assentos, ao que me espreguicei, relaxando em seguida.

_ Ok. – concordei, olhando em volta. – O que faremos quando chegamos em...

_ Fortaleza. – completou.

_ Isso. – assenti. – Fortaleza. O que faremos?

_ Vamos descansar por um dia num hotel próximo ao mar e seguiremos viagem para outro lugar.

_ Até parece que vamos fugir de agentes federais. – e acabei rindo.

_ Quase isso. – deu de ombros.

_ Espera... Você... Você não está falando sério, não é? – pisquei surpreso.

_ Não. – e riu.

Mais algum tempo se passou até que seguimos viagem para o Aeroporto de Fortaleza. Desembarcamos de madrugada e seguimos para fora o saguão de desembarque. Arrastamos nossas malas para fora do aeroporto e pegamos um táxi. Para a minha surpresa, Chang Min pediu para nos levar ao hotel próximo da praia – aliás, antes que eu me esqueça, ele é muito bom falando em inglês – e fiquei observando as paisagens pela janela.

Até que finalmente chegamos ao hotel. Cumprimentamos a recepcionista – que, por sinal é muito simpática, mesmo tão tarde da noite – e pedimos um quarto. Após recebermos as chaves, seguimos para o elevador e subimos para o oitavo andar. Eu conseguia sentir todos os meus ossos e músculos doerem e implorarem por uma cama quentinha e um longo banho.

_ Chegamos. – disse, abrindo a porta do quarto e entrou. – Vai tomar banho agora? – perguntou.

_ Por favor! – implorei, deixando minha mala próxima da cama e rumei para o banheiro.

Não foi proposital, mas eu precisava de um longo e demorado banho, de verdade. Daqueles que a sua alma até brilha como a luz do sol, entende? Após deixar o banheiro enrolado na toalha do hotel, segui para a minha cama, colocando a mala sobre a cadeira e retirei uma muda de roupa limpa, vestindo-me em seguida. E, logo que vesti a camisa, avistei os olhos do mais velho direcionados a mim.

_ O que houve, Hyung? – perguntei, franzindo o cenho.

_ Nada. – respondeu, balançando a cabeça. – Eu... Vou tomar banho.

E, sem pensar muito, o mais velho disparou quase correndo para o banheiro. Fiquei alternando os olhos entre o local onde o outro estava e o banheiro, sem entender por que aquela reação. Mas, para dizer a verdade, eu estava com tanto sono que apenas me joguei sobre a cama e apaguei.  

***********

_ Min Seok! Min Seok-ah! – pisquei rápido, despertando de meu sono e olhei em volta. O sol estava forte vindo da janela da varanda e o moreno de orelhas saltadas e lábios carnudos sacudia-me um pouco. – Levanta, você dormiu a manhã toda.

_ Que horas são? – perguntei, olhando em volta.

_ Agora, meio-dia. – falou. – Eu pedi que o serviço de quarto nos reservasse dois assentos de ônibus para o nosso próximo destino, assim como o nosso quarto. – e sorriu. – Agora, se levanta. Nós vamos tomar o café da manhã.

_ M-mas... Não seria o almoço? – franzi o cenho, coçando o olho e arrastei-me para o banheiro.

_ Seria, se tivesse acordado mais cedo. – riu. – E, ah! Eu falei com os outros garotos.

_ Que outros garotos? – perguntei, lavando o rosto.

_ Kyu Hyun, Su Ho, Chen... – explicou, recostado a porta.

_ Ah! – lembrei, me virando para encará-lo. – E como eles estão?

_ Estão bem. – assentiu. – Está de noite em Seul. Kyu Hyun me disse que viajou para São Paulo quando se apresentou com os outros membros no SS5. Disse também que eu não me arrependeria da cidade.

E, por um segundo, pude ouvi-lo dizer: “e nem da companhia”.

Mas talvez fosse impressão minha.

Após minha demora para me aprontar, deixamos o quarto e rumamos para o restaurante do hotel, onde aproveitamos o “café-da-manhã” para os atrasados. Chang Min me acompanhou o tempo todo e, em pouco tempo, tentamos descobrir sobre o que fazer em Fortaleza. A recepcionista nos indicou alguns lugares interessantes e saímos para conhece-los. Todavia, não ficamos muito tempo fora, afinal, pretendíamos voltar para o hotel e descansar um pouco mais antes de viajarmos novamente para o novo destino.

_ Mas então... – comecei. Eram cinco horas da tarde, estávamos sentados em um dos bancos do “calçadão da Beira Mar” e de frente ao hotel onde estávamos hospedados. – O que vamos fazer agora?

_ Agora? – perguntou-me, pensativo. – Bem, vamos apreciar esse belíssimo pôr do sol e, depois, vamos jantar...

Involuntariamente, peguei meu celular e tirei uma foto de seu rosto. Estranhamente, Chang Min se tornava bonito quando ficava pensando na vida. O moreno me olhou de soslaio e sorriu largo, tomando o aparelho de minhas mãos, esticando o braço para tirar uma foto de nós dois. Por fim, verificamos a foto, concordando no final.

_ Até que ficou boa. – comentou Chang Min. – Agora, vai para lá, eu vou tirar uma foto sua. – e gesticulou para longe.

_ Aqui está bom? – levantei, caminhando alguns passos para longe e o olhei.

_ Agora, fica de lado.

_ Por que? – franzi o cenho.

 _ Apenas fique de lado, Min Seok-ah! – riu, arrumando a câmera.

Obedecendo o que ele havia me pedido, fiquei de lado e encarei o grandioso mar, enquanto as ondas quebravam contra a barreira de pedra. Involuntariamente, virei minha atenção para o sol que sumia na linha do horizonte, me apaixonando assim, pela paisagem.

_ Dizem que, no local para onde vamos, o sol se esconde realmente no mar. – ouvi-o comentar.

_ Sério? – o olhei.

_ Sim. – concordou, devolvendo-me o aparelho. – Vamos. Precisamos voltar ao hotel.

Retornamos ao hotel e trocamos de roupa, seguindo assim para um restaurante próximo. Preferimos comida italiana, onde aproveitamos bem com o bom vinho e a boa música que tocava. Ora jazz, ora blues, ora MPB – que somente depois descobri ser “Música Popular Brasileira” – dos anos 80 e atualmente. Ao fim de uma das músicas, aplaudimos baixinho, enquanto os acordes de uma nova música se iniciavam. E não vou mentir que reconheci o dedilhar da canção do Lay.

_ Eu conheço essa música... – comentei, olhando para o rapaz que tocava violão. – Não é “Monodrama”, do Lay? – perguntei.

Baby eu não quero te deixa ir oh não

Então eu deixo minhas lágrimas caírem

Ofegante, meu peito bate sem parar oh não

Porque meu coração está doendo

As doces memórias não podem ser apagadas

Então eu não quero sair

Por favor, segure minha mão

Por favor não se vá oh não oh oh

 

Rapidamente, Chang Min chamou pelo garçom e questionou se aquela banda pertencia ao restaurante, ao que o homem concordou. O vocalista era seu filho mais novo e o garoto com o violão, seu sobrinho. Quanto à música que tocavam, havia uma explicação: seu filho e sobrinho eram fãs de uma banda coreana famosa e aquela música é em homenagem a um deles. Então, aquele garoto era fã do Lay?

_ Acho que ele apenas traduziu a letra da música para o inglês. – explicou, assistindo.

_ Ficou incrível. – comentei.

_ “Bem, para a próxima música, eu gostaria de chamar a minha amiga para cantar comigo”. – dizia o vocalista, em inglês. – Por favor, palmas para ela. – pediu, sorrindo. – Com vocês, “Heartbreak Hotel”, da Tiffany.

E assim, iniciaram a música. Aliás, devo admitir que a garota canta muito bem. Claro que acabei cantarolando um pouco da música, mesmo sem perceber, e beberiquei o resto do meu vinho, mas ao erguer o olhar, surpreendi-me com Chang Min me encarando longamente. Infelizmente, não tivemos a oportunidade ouvir toda a música – saímos do meio do rap do rapaz – e retornamos para o hotel.

Já faz um longo tempo

Desde que nos tornamos indiferentes com tudo

Sentimentos que restaram por você

Parecem bagagem, nunca feita

Um bom quarto para dizer adeus

Parece a suíte de uma cobertura

Como é confortável dormir separadamente

Um coração agora são dois

Quando chegamos no quarto, Chang Min removeu o casaco e os sapatos, se jogando sobre a cama de casal e dormindo. Fiquei observando-o por algum tempo e acomodei-me na pequena poltrona próxima a varanda. Quer dizer, eu não estava com sono, mas... Por que ele saiu subitamente do restaurante? Havia algo que não o agradou?

***********

No dia seguinte...

 

Diferente do dia anterior, fui eu quem acordou mais cedo. Rapidamente, rumei para o banheiro e fiz minha higiene matinal, aproveitando para tomar banho e vestir uma roupa limpa. Quando retornei para o quarto, Chang Min estava sentado na cama, despido da cintura para cima e encarava o vazio por alguns minutos.

_ Eu já ia te acordar, sunbae. – falei, sorrindo. – Bom dia.

_ Bom dia... – murmurou, suspirando e passando a mão pelo rosto. – Que horas são?

_ Sete da manhã. – respondi, verificando o relógio. – Que horas passa o nosso ônibus?

_ Nove. – disse, afastando os lençóis e levantando da cama. Afastei-me um pouco para que seguisse na direção do banheiro, quando o mais alto parou diante de mim, encarando-me sonolento. – Aliás, antes que eu me esqueça: ontem a noite... Você ouviu alguma coisa?

Está falando dos gemidos e o repetido chamado “Min-ah”? Ah, é. Ontem à noite, Chang Min-sunbae gemia constantemente e não parava de repetir esse nome. Talvez estivesse chamando o nome da namorada dele, não?

_ Não. – neguei.

_ Tem certeza? – estreitou os olhos.

_ Sim. – assenti.

_ OK. – suspirou, também assentindo. – Me dá dois minutos e nós deixaremos o hotel.

Não. Não foram dois minutos, foram 10. Tive que bater na porta oito vezes para garantir que ele não estava morto no banheiro. É claro que aproveitei o momento de sua ausência e arrumei a cama e retirei meus óculos de sol da mala, colocando na cabeça. Em seguida, levamos nossos pertences para a recepção e, finalmente, entramos no ônibus reservado.

Para a nossa sorte, nossos lugares ficavam no andar de cima, bem na parte da frente do ônibus. Praticamente, tínhamos uma visão panorâmica da estrada. Não demorei em registrar alguns momentos de conversa e o caminho que iriamos seguir. Chang Min parecia se divertir durante os curtos vídeos, chegando ao ponto de cantar – ou melhor, imitar sem som algum – “Sugar” do Maroon 5.

Eu quero esse veludo vermelho

Eu quero esse açúcar doce

Não deixe ninguém tocá-la

A não ser que esse alguém seja eu

Eu tenho que ser um homem

Não há nenhuma outra maneira

Porque garota

Você é mais quente que a baía do sul da Califórnia

Eu não quero jogar nenhum jogo

Eu não tenho que ter medo

Não fique fazendo doce

Sem maquiagem

Essa é minha

_ Eu vou mandar esse vídeo para o Chen. – falei, procurando pelo contato do vocalista do EXO. – Ele é muito fã do Maroon 5 e...

_ Você parece conhecer bem o seu dongsaeng. – Chang Min comentou.

_ Ele também me conhece bem. – concordei, olhando-o rapidamente e voltei a digitar no celular.

Assim que enviei a mensagem, guardei o celular no bolso e fiquei encarando a paisagem que se seguia. Vez ou outra, me permitia ver o que Chang Min lia tão atento, ou mudar de faixa quando não gostava da que estava tocando no IPod. Estava prestes a mandar outra mensagem quando minha atenção lentamente se desviou para um caderno sobre a poltrona do outro lado do corredor. Quer dizer, tinha uma moça ali, que escrevia constantemente e que, em uma das mudanças de música, decidiu sair. Devagar, me estiquei para ver o que estava escrito no caderno e...

Era impressão minha, ou meu nome estava ali?

Rapidamente, verifiquei o corredor, a fim de ter certeza de que ela não retornaria logo e peguei o caderno da outra poltrona. E, não. Não era impressão minha. Meu nome estava lá, sim, mas não era o único.

Kim Min Seok

Shim Chang Min

Do Kyung Soo

Kim Jong Dae

Park Chan Yeol

Entretanto, mesmo reconhecendo os nossos nomes – o meu, dos membros do EXO e do sunbae ao me lado – eu não entendia o que estava escrito acima deles. Discretamente, cutuquei o mais velho no braço, chamando a sua atenção e lhe mostrei a página escrita.

_ Onde encontrou isso? – perguntou, olhando de perto.

_ Na poltrona do lado. – respondi. – Não é surpreendente? Colocaram os nossos nomes... Acha que ela sabe quem somos? Quer dizer, passamos a maior parte da viagem ao lado dela e ela não fez nada...

_ Talvez esteja nos dando privacidade, Min Seok-ah. – comentou.

_ Hum... Mas... E isso aqui? Por que ela grifou os nossos nomes? – e o olhei. – Quer dizer, fora que eu não entendo português e a frase em cima parece estranha...

_ Espera um pouco.

Logo, Chang Min pegou seu celular e colocou num aplicativo que traduz para o idioma que quiser apenas com uma foto ou escaneamento da palavra. E, ao fazê-lo... Bem... Nós ficamos com medo da tradução:

“Pessoas que devem morrer”.

_ Merda. – ditou Chang Min, nervoso e surpreso com a tradução.

_ A-acha... Que ela vai nos matar?

_ Põe o caderno no lugar. – ordenou e rapidamente o fiz. – Agora, troque de lugar comigo.

Não demorou muito para que eu me sentasse do lado da janela e me encolhi na poltrona, apenas observando o retorno da moça. Olha, para ser sincero, eu não quero ser o primeiro dessa lista que deve morrer! E, por longos segundos, fiquei repensando em todo o período que passei com os membros do EXO e as fãs... Como seria a comoção ao descobrirem as nossas mortes?

_ Calma, Min Seok. – pediu Chang Min, segurando minha mão com força.

Como ele quer que eu fique calmo se eu vou morrer nas mãos dessa garota? O que será que ela leva naquela bolsa preta? Seriam armas? Facas? Talvez, veneno? Logo, a moça retornou com um pequeno sorriso no rosto – ela vai aprontar para cima da gente! – e acomodou-se em sua poltrona, tornando a encarar tanto o caderno em seu colo quanto a visão panorâmica da estrada.

Aposto que está pensando: “Devo mata-los antes ou depois de descermos do ônibus? Ou quem sabe, envenenar suas bebidas e comidas?”

_ “Com licença”. – assustei-me com o timbre calmo e frio de Chang Min-sunbae para a moça, fazendo a outra se virar para ele. Morena, olhos escuros, cabelos negros curtos com alguns fios brancos, suas roupas eram uma camiseta cinza e um calção jeans. – “Desculpe por incomodá-la, mas...” – e o mais alto engoliu em seco. – “Você... Você pretende nos matar?”

_ “O que?” – ela franziu o cenho.

_ “Nossos nomes... Eles estão escritos no seu caderno e sublinhados...” – explicou, gesticulando com a cabeça. – “Você... Vai mesmo nos matar?”

_ “Como assim...” – e ao baixar os olhos para o papel, a garota soltou um gritinho e rapidamente gesticulou com as mãos. – “Ah, não, não! Me desculpem! Vocês entenderam errado. É que...” – logo, começou a rir. – “Desculpe. Não é o que vocês estão pensando. Isso daqui é outra coisa”.

_ “Tipo o que?” – arrisquei-me, vendo-a me olhar surpresa.

_ “Eu...” – e crispou os lábios, sorrindo largo. – “Eu estou escrevendo uma história e... Como é que eu digo... Estou usando o nome de alguns cantores famosos para fazerem representações de personagens que eu criei”.

_ “Espera... Escrevendo uma história?” – desta vez, Chang Min franziu o cenho.

_ “Bem... Eu escrevo história. Fan-fictions. Vocês... Já devem ter ouvido falar, não?” – e alternou os olhos entre nós dois. – “São histórias criadas por fãs que se baseiam em...”

_ “Eu sei o que é uma Fan-fiction”. – Chang Min a interrompeu.

_ “Então... Eu coloquei alguns nomes que fazem parte da história. E... Esses que estão sublinhados... São os personagens que já morreram”. – concluiu.

_ “Mas... Por que você matou...” – por um instante, quase disse “a gente”, mas preferi mudar o objeto, tornando indireto. – “O Min Seok e o Chang Min?”

_ “O Min Seok se sacrificou para salvar o irmão dele. E o Chang Min... Se sacrificou para salvar o Min Seok”. – ela respondeu, dando de ombros. – “Foi um momento preocupante”.

_ “E como termina a história?” – questionou Chang Min. – “Quer dizer... O personagem principal... Quem é?”

_ “Eu acho que... São o Lay e o Kai”.

_ “E sobre o que fala essa história?” – nem percebi que já me inclinava na direção dela, ouvindo atentamente.

_ “Bem... É uma longa história”. – riu, fechando assim, seu caderno.

***********

 5 horas de conversa depois...

 _ “Mas... Onde vocês irão ficar?” – perguntou ela.

_ “Numa pousada... Eu acho. O meu sunbae não me disse para onde vamos”. – expliquei, desviando os olhos brevemente para o mais velho que descansava em sua poltrona.

É claro que voltei ao meu assento já que estava interessado em conversar com a garota que estava escrevendo essa história. Estávamos nos divertindo sobre o assunto e o possível final da sua história quando uma moça pareceu, alegando que estávamos chegando ao nosso destino final. Infelizmente, tive de me despedir da escritora que apenas concordou, voltando sua atenção para seu caderno. No entanto, ao me virar para Chang Min, percebi que o mesmo estava me olhando longamente.

_ O que foi, sunbae? – perguntei.

_ Nada. – negou, voltando para a sua leitura.

E permaneceu em silencio.

Até o ônibus finalmente parar em nosso destino final e mudarmos o nosso transporte, passaram-se vinte minutos e foram os mais longos da vida. Por que? Chang Min-sunbae agia de forma fria com qualquer pessoa que o olhava e é complicado estar com alguém que pouco sorri. Para a minha sorte, a mesma garota do ônibus ficou ao meu lado, conversando baixinho sobre o destino final.

_ “Bem... Eu fico aqui.” – disse ela, pegando sua mala e desceu do transporte. – “A propósito, um lindo lugar para ver o pôr do sol é em Pedra Furada”.

_ “Obrigado”. – agradeci.

E partimos novamente. Nesse curto tempo, talvez dois ou três minutos, percebi que Chang Min parecia mais confortável ao meu lado e um sorriso logo se formou em seus lábios ao chegarmos no nosso destino final: Uma pousada que ficava bem próximo da praia. Levamos nossos pertences à recepção, onde um homem, com pouco mais de 45 anos nos recebeu num inglês bem mais simples – comparado a da garota da viagem. Fiquei apenas observando a conversa entre Max e o outro - Emanuel era seu nome - e pegamos a chave do nosso quarto.

_ Você prefere um quarto só seu ou... – começou Chang Min.

_ Não é melhor dividirmos um quarto? Sai mais em conta. – sugeri.

E não foi impressão minha: Chang Min estava feliz com a minha escolha.

Ao entrarmos no quarto – 22, primeiro andar – percebi que havia duas camas de solteiro no andar de baixo e uma de casal no de cima. Sem esperar qualquer decisão do mais velho, subi as escadas e coloquei minha mala próxima da cama, deitando-me em seguida no colchão.

_ Achei que fosse ficar no andar de baixo. – ouvi-o comentar.

_ Mas aqui em cima é tão bom... – murmurei, sorrindo.

_ Certo. – ao abrir os olhos, avistei-o sentado nos degraus, enquanto me olhava longamente. – São três da tarde agora. Quer fazer algo?

_ Você planejou alguma coisa para hoje? – questionei.

_ Além do por do sol? – comentou e eu concordei. – Não. Eu vou deixar que você escolha o que vamos fazer.

_ Então... Vamos comer!

Chang Min riu da minha reação e concordou, descendo as escadas. Não demorei em pegar a carteira e um boné, seguindo para o andar de baixo. Por fim, deixamos o quarto e seguimos pelo pequeno lugar até finalmente pararmos num estabelecimento aberto. Comemos sanduiches e sucos – que por sinal, estavam deliciosos – e fotografamos todos os lugares que passávamos.

Realmente, Jericoacoara é lindo...

_ Quer ir para a praia?

_ Agora? M-mas... Não seria melhor amanhã de manhã? – o olhei.

_ Não. Vamos!

E sem esperar muito, Chang Min puxou-me pelo braço, ao que acabamos por correr até o mar. Ficamos algum tempo brincando e jogando água um no outro – às vezes, eu tentava gravar algum vídeo, mas o mais velho, da última vez, tomou o aparelho de minhas mãos, colocando em seu bolso. "Sem gravações, Min Seok-ah" dizia, tornando a brincar.

No fim, ficamos sentados na areia, apenas observando o mar, enquanto algumas pessoas passavam por nós, em direção a enorme duna de areia.

_ Min Seok-ah. – desviei os olhos para Chang Min que escrevia na areia. – O Su Ho te disse alguma coisa antes de viajarmos?

_ O Su Ho? – murmurei pensando um pouco. – Ah, sim! Ele disse sim.

_ E o que ele disse?

_ Ele me disse que você me escolheu para essa viagem por que queria falar uma coisa importante. – respondi. – Agora eu pergunto: Sobre o quê quer falar comigo?

_ Eu... Posso dizer ao anoitecer? – pediu.

Detalhe: Chang Min, em momento algum me olhava nos olhos.

_ Tudo bem. – concordei, voltando a olhar para o mar.

E assim, me veio o surto. Prontamente, fiquei de pé, acabando por assustar o maior e entreguei-lhe meus pertences: chinelos, boné, carteira, celular e a minha camiseta. Chang Min me assistiu em silencio ao que sorri tímido, dando de ombros.

_ Vou tomar banho. – justifiquei, me afastando.

Durante os mergulhos, aproveitei o máximo possível, chegando a quase tomar um caldo do mar. Todavia, quando estava prestes a mergulhar novamente, meu corpo foi erguido e arrastado para longe da água. Nervoso, tentei me soltar dos braços firmes, mas logo reconheci o rosto de Chang Min, que balançou-me para lá e para cá, antes de me jogar no mar novamente. Logo que emergi, o mais velho sorria largo e percebi que nossas camisas estavam amarradas em sua cintura – a minha camiseta foi enrolada em nossos pertences e a sua foi usada como alça para amarrar.

_ Não vai mergulhar de novo? – perguntou-me.

_ Por que você não vai? – falei, me arrastando até ele. – Eu fico com as coisas.

Max ainda me olhou por algum tempo e desamarrou o nó de sua cintura, entregando-me os objetos. Rumei para a areia, sentando-me, enquanto o assistia mergulhar. Enquanto isso, fiquei pensando no que faríamos amanhã e, principalmente, sobre a conversa que teríamos. Seria algo muito grave? Alguma coisa que ele não tenha conseguido falar com Su Ho ou Kyu Hyun-sunbae? Quer dizer, aquilo me deixava nervoso. Aliás, deixa qualquer um nervoso!

Quando Chang Min retornou, subimos a duna de areia e sentamos num espaço mais vago onde podíamos assistir ao por do sol. Aproveitamos o pouco tempo para tirar algumas fotos onde segurávamos o sol ou até nos tornar fotógrafos de paisagens/modelos de paisagens. Creio que, das 20 fotos que tiramos, a melhor foi de Max sentado de lado com o seu rosto formando uma sombra no brilho do sol.

Já o mais velho discorda, alegando que a foto onde estou deitado na areia com o sol sendo a nossa iluminação foi melhor.

Por fim, quando gravamos os últimos resquícios de sol desaparecendo no mar, todas as pessoas aplaudiram admirados e acabamos fazendo o mesmo. Realmente, aquilo era algo incrível de se ver.

_ Quer voltar para a praia? – ouvi o timbre suave de Chang Min próximo ao meu ouvido, fazendo-me piscar algumas vezes e lhe encarar. - Estava chorando?

_ Hã... Não. Na verdade... – menti, limpando o rosto. – Entrou areia no meu olho.

_ Sei...

Descemos a duna e caminhamos pela praia, tirando mais algumas fotos antes de retornarmos para a pousada. Nesse meio tempo, nenhum de nós citou a suposta conversa que teríamos; talvez por que eu não queria incomoda-lo, talvez por que Chang Min não saberia como começar.

Depois de um novo banho e roupas limpas no corpo, seguimos para uma pizzaria, onde fomos jantar. Estávamos tão alheios às conversas e à música que tocava que acabamos nos assustando quando o garçom nos serviu. Admito que tentei, pelo menos três vezes, iniciar uma conversa, mas... Eu não conseguia dizer nada. E, após o jantar, pagamos a conta, deixando o lugar em seguida.

_ Então... – comecei, seguindo ao seu lado. – Tinha algo a me dizer?

_ Na verdade, tenho. – concordou, parando de andar. Fiz o mesmo, olhando-o longamente. – Eu... Só peço que me escute antes de dizer alguma coisa, certo?

_ Ok.

_ Ok. – repetiu. – Min Seok-ah... Eu sei que acompanho, mesmo que sem querer, a sua carreira musical, assim como você fez com a minha. E que... Desde 2012, eu tenha prestado mais atenção do que devia. Praticamente o vi amadurecer diante as câmeras e... Você mudou bastante... Fisicamente falando. Te admiro muito, Minnie-ah. E sei que estou enrolando muito, mas quero que saiba que eu... Não nego o que sinto.

_ Aonde quer chegar, sunbae?

_ Eu estou apaixonado por você.

Antes de mais nada, eu gostaria de dizer que nós dois estávamos próximo ao mar, numa parte mal iluminada pelas luzes das pousadas. Ou seja, as pessoas que por ali passavam, veriam nossa fisionomia, mas não reconheceriam nossos rostos.

Agora...

Eu juro que tentei reagir de outra forma, mas... Vamos lá revelar o que houve.

Primeiro: Eu fiquei parado. Quase em estado de choque.

Segundo: Fiquei encarando de forma confusa. Sabe quando você encara uma pessoa e, aos poucos, sua expressão muda ficando confusa? É bem por aí.

Terceiro: Eu ri. E não foi baixinho não. Eu ri histericamente. Ao ponto de chorar.

Quarto: Após me acalmar, perguntei se era alguma brincadeira. Max respondeu que não. E aí, meu caro leitor, é que veio a pior parte!

Fiquei, durante uma hora completa, encarando a face mal iluminada do mais velho. Meu Deus! Eu estava me sentindo naquele filme que o galã mais famoso do mundo se apaixona pela fã e quer ficar com ela pelo resto da vida!

E adivinha quem era a garota?

_ S-sunbae... – gaguejei.

 Ele não podia estar falando serio. Quer dizer, não estou dizendo que sou contra ele ser gay, ou gostar de homens, ou ter relações homo afetivas, ou ser bissexual, ou qualquer coisa do gênero! Ele é apenas o meu ídolo – digo isso por que sou mesmo um fanboy do TVXQ –, mas acima de tudo, ele é humano. No entanto... Eu... Eu não esperava uma declaração dessas.

_ Eu sei que não esperava por isso. – sorriu fraco, baixando a cabeça. – Eu... Achei melhor dizer isso a você quando estivéssemos longe dos outros...

_ E põe longe nisso! – brinquei. – Praticamente me arrastou para o outro lado do mundo apenas para se confessar...

_ Eu fiz isso por que sabia que eles iriam me criticar. – explicou.

_ Calma, sunbae... – falei, pousando a mão em seu ombro. – Eu estava brincando. Mas... É que...

_ Não sente o mesmo por mim?

_ Eu gosto de você. Mas não da mesma forma. – suspirei. – Me... Desculpe.

Preciso dizer que, depois disso, Chang Min me evitou pelo resto da noite. De verdade, ele sequer olhava para mim quando eu fazia algum comentário! Eu entendo que ele tenha sentimentos fortes por mim, ao ponto de se declarar, mas... Eu... Prefiro meninas.

Na manhã seguinte, parecia que um alienígena havia abduzido Shim Chang Min do TVXQ e trouxe alguém completamente diferente: Bem mais falante e brincalhão. Entenda, eu sei que é de sua natureza, mas... Não é estranho ele agir assim... Na noite para o dia?

O pior é que me sinto culpado pelo que eu disse, mesmo que sejam verdades as minhas palavras. Por isso, decidi seguir qualquer pedido que ele fizesse.

_ Vamos! Levanta! Precisamos tomar o café da manhã! – sacudiu-me.

Eram sete da manhã. Mas mesmo assim, fomos tomar o café da manhã.

_ Anda! O mar nos espera! – disse empolgado.

E fomos brincar na praia. Até o meio dia.

_ Hora do almoço!

E fomos almoçar num restaurante onde ele insistiu comer feijoada. Particularmente falando, estava muito boa, mas pesa muito no estomago.

_ Que tal conhecermos um pouco da cidade?

E fomos conhecer mais a cidade de Jijoca de Jericoacoara.

_ Vamos comprar algumas coisas para comer!

E passamos num mercadinho local.

_ Hora de ver o pôr do sol...

O que sei é que, logo que começou a anoitecer, Chang Min "voltou ao normal". Quando nos sentamos na varanda, o mais velho abriu seu livro e ficou ali, quieto, quase sem se mover. Ainda tentei avisa-lo de que iria naquele mesmo mercadinho comprar bebidas, no entanto, parecia que ele não tinha me ouvido.

Antes de deixar a pousada, perguntei ao Emanuel se era permitido levar bebidas para lá. “Desde que ficasse por nossa responsabilidade em limpar a bagunça depois... Tudo bem”. Ao ouvir isso, agradeci e rumei para o estabelecimento comercial. Procurei mais por bebidas que nos deixasse mais confortáveis – ou em outras palavras, com alto teor alcoólico – e comprei-as. Logo que retornei, Chang Min não estava mais na varanda.

_ Sunbae? – chamei-o pelo corredor vazio e, ao abrir a porta do quarto, o encontrei deitado na cama. – Mas nem são oito da noite... – suspirei, entrando no lugar e fechei a porta em seguida.

Rapidamente, guardei as seis garrafas no mini frigobar e levei duas até o mais velho. Por algum tempo, tentei chama-lo, mas ele não me ouvia. Ou talvez, não quisesse me ouvir.

_ Eu trouxe bebida... – falei, vendo um de seus olhos se abrir e me encarar brevemente. Mostrei-lhe a Heineken por alguns instantes e Chang Min se sentou na cama, tomando a garrafa da minha mão. – Aconteceu alguma coisa? – perguntei.

_ Não. – negou, rapidamente abrindo e tomando um generoso gole.

_ Sunbae... – comecei. – Escute, se eu disse alguma coisa que te magoou...

_ A culpa não é sua, Min Seok. – rebateu, terminando de tomar toda a bebida (e olha que não foi pouca) e entregou-me a garrafa seca, tornando a se deitar. – Agora, vá dormir.

Fiquei alguns minutos encarando o mais alto e respirei fundo, descansando as duas garrafas – cheia e vazia – sobre o mini frigobar, antes de puxar o mais velho pela perna e derrubá-lo no chão. Chang Min rapidamente se pôs de pé, e estava prestes a avançar contra mim quando o sentei na cama e me acomodei ao seu lado.

_ Não quer me contar o que está acontecendo? – perguntei novamente.

_ Não preciso. – rebateu, virando o rosto.

_ Sério que vai agir como uma criança? – franzi o cenho.

_ Eu já disse que...

_ Está assim por que eu lhe disse aquilo? – Desta vez, ele se calou. – Eu sei que não entrei nas suas expectativas, sunbae, mas não precisa me tratar dessa forma. Uma hora, me trata como se eu fosse seu último amigo do planeta; no momento seguinte, parece que eu nem existo. Então, me diga: por que está agindo assim?

Pude ver que seus olhos marejavam aos poucos.

_ Eu não quero ter um monólogo, Chang Min-sunbae. – Lembrei-o. – Eu quero conversar, e se possível, com você.

No entanto, como esperado, Chang Min não disse uma palavra. É claro que não tentei força-lo, afinal, o deixaria a vontade para falar quando quisesse. Por isso, decidi subir com minha bebida e deitei-me na cama, enquanto conversava com Chen pelo bate-papo.

~[EXO – WE ARE ONE!]~

[ChennieChennie]

“Vc falou com ele?”

[Eu]

“Eu tentei. Mas ele não quer dizer uma palavra...”

[ChennieChennie]

“Mas sobre o q vcs conversaram?”

[Hunnia]

“Olá, Hyung! Como estão as coisas no BR?”

[Eu]

“Aqui é incrível! Vc iria adorar, Hunnia! Mas, voltando, Chennie, o CM-sunbae sequer olhava para a minha cara!”

[D.O.Soo]

“Eu esperava mais do sunbae”.

[ChennieChennie]

“Espera, gente! Talvez ele esteja fazendo isso pq o hyung o magoou”.

[Eu]

“Mas eu não fiz nada com ele!”

[ChanYoda]

“Espera, eu cheguei no meio do caminho. Alguém resume para mim?”

[ChennieChennie]

“Min Seok-hyung e Chang Min-sunbae estão se tretando no BR”.

[SuMama]

“Mas já?”

[Eu]

“Chen, vc sabe que isso não é verdade. Na verdade, aconteceram algumas coisas aqui”.

[SuMama]

“Tipo o q?”

[Eu]

“Lembra do dia em q vc me disse que o CM queria falar comigo?”

[SuMama]

“Sim, lembro”.

[Eu]

“Então. Ele falou para mim”.

[ByunBaek]

“Opa! Quem falou o q pra quem? Vamos! Digam logo!

 [D.O.Soo]

“O Sunbae conversou com o Hyung”.

[ByunBaek]

“E sobre o q conversaram?”

[Eu]

“Gente... Eu não queria falar sobre isso. Quer dizer... Não é da minha conta e...”

[ByunBaek]

“Sorry, sorry, Hyung, but let’s talk about it. Right Now!”

[Eu]

“Vcs são F…”

[SuMama]

“Sabemos disso. Agora, fala logo!”

[Eu]

“Ok. Mas lembrem-se. Se o EXO fizer um comeback com oito membros, não venham reclamar para cima do CM, ok?”

[Hunnia]

“E pq faríamos isso?”

[Eu]

“Pq ele vai me matar. Anyway, eu vou explicar o q conversamos ontem. Mas, pfvr, não me interrompam! Bem... Logo que jantamos, o CM disse que há algum tempo acompanhava a minha carreira e, especialmente em 2012, ele parecia estar mais interessado...”

[Jonginnie]

“O que eu perdi?”

[ByunBaek]

JONGIN!

[ChennieChennie]

[ByunBaek] JONGIN!” Rt”

[D.O.Soo]

“Relevem o Jonginnie, ele acabou de chegar! Aliás, resumindo para vc, o Hyung iria nos contar o que ele e CM-sunbae conversaram”.

[Eu]

“Bem, como eu ia dizendo... Ele...”

[ChennieChennie]

“Diga, Hyung! O q ele disse?”

[Eu]

“OK! Eu falo, mas, me prometam que essa conversa não vai sair daqui, ouviram?”

[ChennieChennie]

“Tudo bem, Hyung.”

[Eu]

“O Chang Min-sunbae disse q...”

 

Mas antes que eu conseguisse terminar a frase, o telefone foi tirado de minhas mãos, ao que avistei o mais velho me encarando ofegante e suado. Ele... Estava passando mal?

_ Sunbae? – chamei-o. – Você está bem?

_ Você iria contar a eles? – perguntou, ofegante.

_ C-contar? – pisquei rápido e entrei em pânico quando Chang Min começou a ler a conversa. – Não, espera! Eu posso explicar...

No entanto, quando tentei me levantar da cama, Chang Min me empurrou de volta para o colchão, jogando meu celular para longe de mim e subiu, prendendo meus pulsos contra os travesseiros.

_ O que está fazendo? – questionei.

_ Você não devia ter contado a eles, Min Seok-ah...

 

E agora, estamos aqui. Três dias haviam se passado desde que chegamos no Brasil e, desde então, não me permiti abrir a boca. Nem mesmo quando Chen sentava ao meu lado, para conversar ou me perguntar por que raios eu estava tão calado e, principalmente, sobre o que havia acontecido na viagem. Vez ou outra, um integrante do EXO se aproximava e tentava conseguir alguma palavra – qualquer que fosse – mas era em vão. Depois daquela noite... Eu não conseguia dizer nada.

Nem sobre a nossa briga que nos resultou uma volta antes do tempo.

Nem sobre o meu distanciamento do mais velho.

E, principalmente, nem sobre o beijo que recebi de Chang Min.

_ Min Seok-ah! – desviei os olhos da tela do celular para a porta do estúdio de dança, avistando Kyu Hyun-sunbae sorrindo e se aproximando. – Eu soube hoje que você e Chang Min haviam chegado! E então, gostou do Brasil?

Minha resposta: acenei positivamente com a cabeça.

_ Aconteceu alguma coisa entre você e o Max? – perguntou.

Minha resposta: Dei de ombros.

_ Su Ho me disse que você se recusa a falar sobre o que houve no Brasil.

Minha resposta: acenei positivamente com a cabeça.

_ Tem certeza de que não quer falar para mim?

Minha resposta: acenei negativamente com a cabeça.

_ Vai permanecer mudo pelo resto da vida? – brincou.

Minha resposta: Dei de ombros.

_ Min Seok-ah... – e suspirou. – Nós estamos preocupados com você. E eu não falo por mim ou pelos membros do EXO. Todo mundo está preocupado com você! Vamos! Me diga o que houve e eu juro que castigo o Chang Min-ah pelo que ele fez a você.

Minha resposta: Um meio sorriso, seguido de um aceno negativo com a cabeça.

_ De verdade. Se quiser desabafar... – e pousou a mão em meu ombro. – Eu estarei aqui.

Minha resposta: acenei positivamente com a cabeça, olhando-o.

Estava prestes a voltar minha atenção para o celular quando uma segunda pessoa adentrou o estúdio. Ao levantar a cabeça, avistei Chang Min parado ao lado de Kyu Hyun, enquanto me encarava longamente.

_ Eu quero conversar com ele à sós, Kyunnie. – ditou e sem esperar muito, o membro do Super Junior saiu. – Por quanto tempo vai ficar em silêncio?

Minha resposta: Dei de ombros.

_ Por que está fazendo isso?

Minha resposta: o olhei longamente, voltando minha atenção para o celular.

_ Está assim por que eu te beijei naquela noite?

_ Já que citou, eu queria saber por que fez aquilo. – lhe fuzilei com os olhos e Chang Min se assustou com minhas palavras roucas. – O que foi? O gato comeu a sua língua?

Sua única resposta foi essa: “eu só queria dizer que aquilo significou muito para mim”. E saiu em passos largos.

_ Ei! – protestei, seguindo-o na mesma velocidade. – É só isso que tem a me dizer? Só isso?

_ O que quer que eu diga? – rebateu, parando no corredor e me encarando. – Eu já lhe disse o que estava escondido dentro de mim há mais de quatro anos. – por fim, suspirou. – O que mais quer que eu diga? Que é mentira? Que foi apenas uma brincadeira? Por que... Eu sei que não foi, Min Seok-ah.

_ Eu não sei. – neguei, ainda o olhando. – Eu...

_ Quando decidir o que quer que eu diga, me avise. – falou, tornando a se afastar.

_ E-espera! Aonde você vai agora?

_ Me preparar. – ditou, apertando o botão do elevador. – Irei me apresentar no exército nas próximas semanas.

E essa foi a última vez que consegui conversar com Chang Min-sunbae.

Se eu soubesse que meu sunbae iria para o exército naquela semana... Eu... Talvez, teria feito diferente.

Eu não iria recusar seu beijo.

Nós poderíamos conversar melhor.

Quem sabe até teria lhe tratado melhor...

Mas eu não sabia.

Eu... Só não sabia...


Notas Finais


E vocês? O que acharam desse final meio... triste? No fundo, eu esperava que o Min Seok ficasse com ele, no entanto...
Comentem...
P.S: Eu não abandonei minhas outras histórias! Eu vou continuá-las, ok?


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