História Antônimos - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Centauros, Elfos, Fadas, Jin, Sereias, Taehyung, Taejin, Tritão, Vjin
Exibições 53
Palavras 4.692
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Fluffy, Magia, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


PARABÉNS PRA MIM!!!
Essa é a quarta fic do projeto C.A.C.T.A, fic do flotp Taejin <33 talvez tenha um capítulo bônus, mas ainda não pensei muito sobre isso
Indico que escutem: É você - tribalistas (link nas notas finais)


Boa leitura~

Capítulo 1 - Único - Mundos diferentes nos permitem sentimentos mágicos


Era exaustivo andar por toda aquela imensidão que era o castelo de sua familia, ora ou outra ele se perdia em tantas portas e entradas que não davam a lugar algum ou dava a muitos lugares, ele sequer tinha tempo de descobrir. Quando criança, vivia a correr com seu irmão mais novo, inventavam todas e quaisquer brincadeiras apenas para descobrir o que havia por trás das madeiras envernizadas que protegem o interior de cada cômodo nos extensos corredores.

Agora, no entanto, não havia mais tempo para isso, vivia cercado de obrigações com a corte, os criados já não lhe olhavam como antes, não era mais tratado de igual para igual. Era sempre visto como alguém superior, como se devessem a vida a ele e, com toda a sinceridade, Kim Seokjin detestava isso. Não gostava quando aquelas crianças curvavam-se e agradeciam algo que ele sequer havia feito, era estranho que apenas um status naquela sociedade medíocre valesse tanto. Não que ele estivesse a reclamar de ter nascido, literalmente, em berço de ouro, mas tanto ele quanto seu irmão, Kim Namjoon, tinham visões de mundo diferente de seus pais, que, naquele momento, só estavam ali para demandar tarefas reais para os dois príncipes.

Ele invejava o talento de Namjoon para com os livros, este poderia crescer, evoluir como um filósofo ou poeta, poderia lecionar e contar histórias dos seus livros favoritos, poderia até mesmo mudar o mundo com seus pensamentos de vanguarda. Quanto a si, Seokjin considerava-se apenas mais um, suas habilidades para com a botânica não eram valorizadas, ouvia a rainha, sua mãe, reclamar sobre como aquilo não levaria a lugar algum, embora a mesma tivesse seus amores e encantos por flores, aquela carranca, certamente, era porque o poder da coroa lhe obrigava.

O príncipe mais velho sonhava em um dia poder seguir os próprios passos, sem ser coagido a ser o que não queria. Ele não ligava para os tais bons costumes ou coisas que as regras de etiqueta mandavam, não via diferença em não poder cortar o pão com a faca e ter de usar a mão para isso, também não entendia porque só as coxas podiam ser comidas com a mão e não o frango inteiro, ainda questionava-se sobre a faca estar do lado direito e o garfo do lado esquerdo quando os criados preparavam a mesa para o jantar, tampouco fazia sentido que tantas colheres ficassem a sua disposição quando todas tinham a mesma função. Era e sempre seria tachado como alguém esquisito, alguém da corte que não sabia se portar como tal.

Exausto diante os pensamentos que lhe assolavam, deixou com que um suspiro frustrado escapulisse de seus lábios grossos, não havia muito o que ser feito, afinal. Não era como se o que rondava sua cabeça fizesse lá uma grande diferença, não faria. Ele não seria escutado por suas reclamações, tampouco mudaria o que já estava predestinado. Era um príncipe, teria, mais cedo ou mais tarde, de se comportar como tal.

— Isso cansa. — Teve de se pronunciar enquanto estudava física com seu irmão na biblioteca real, logo deixando o recinto.

Não queria que soasse rude ou algo do gênero, apenas estava estupefato por tudo, queria espairecer, tirar tudo aquilo que lhe afligia tanto do peito, queria sentir-se leve, ter a alma livre, mas nem isso. Ele não podia se dar o luxo nem de iludir-se àquele ponto.

Caminhou em direção ao seu lugar de refúgio, gostava dos jardins, da sua estufa e até do canteiro de orquídeas perto do lago real, mas nada como sair dos limites do castelo. Nada como sentir a brisa fresca esvoaçando seus cabelos de um castanho tão escuro, nada como sorrir com a certeza da liberdade por, pelo menos, algumas horas.

Teria complicações mais tarde quando seus pais lhe chamassem para a hora do chá, mas não estava com paciência para escutar o quanto seu irmão tinha para dizer sobre o céu e suas constatações sobre a estrela maior, não queria sequer ver a cara de surpresa dos pais e depois ter de escutar todo um sermão sobre como aquilo seria inútil. Como os dois deviam preocupar-se com as obrigações de serem reis e coisas do tipo. Amava escutar seu irmão divagar, quando mais novo, até corria para o quarto do outro apenas para ouvir mais uma de suas histórias sobre o mundo lá fora, mas agora já estava tão acostumado com o que vinha depois que não se dava ao trabalho, mais tarde teria de correr ao quarto de seu irmão, de qualquer forma, não para escutar histórias, mas para vê-lo chorar e tentar consolá-lo com a promessa de que dariam um jeito, de que, no final, ficaria tudo bem para os dois.

Ao chegar aos fundos do castelo, tratou de dar uma desculpa qualquer para os criados caso alguém desse conta de seu sumiço. Disse que ia a casa de Min Yoongi, um dos nobres e também seu melhor amigo, compartilhavam dos mesmos ideais, mas Yoongi era como seu irmão, sonhava muito mais com tantas outras coisas, almejava coisas muito além do que sabiam que alcançariam. Seokjin não os julgava, muito pelo contrário, achava até bonito quando sentavam os três para conversar e o Min contava coisas para os dois irmãos que descobrira em suas expedições pela Floresta Encantada, mesmo que ao seus olhos de hyung dali, havia muito mais que o garoto de pele mais clara queria dizer, mas não era para ele. Já havia percebido a troca de olhares entre o irmão e o melhor amigo e ficava um tanto feliz por isso, não tivera a mesma sorte, tinha noção de que eles seriam apoiados caso firmassem uma relação, coisa que nenhum dos dois faria, já que eram retraídos demais para dar um primeiro passo. Seokjin até já tentara dar alguns conselhos e insinuações, porém, os mais novos pareciam imersos em uma bolha de timidez que os cegavam para o óbvio.

Todavia, não era para lá que o Kim mais velho pensava em ir, queria conhecer novos arredores, saber mais sobre as criaturas mágicas que seu melhor amigo tanto falava sobre, queria descobrir novas espécies de plantas, catalogá-las e contar a Namjoon sobre as mesmas, queria desenhá-las em seu livro e anotar suas características peculiares apenas para passar horas e horas em seu quarto analisando tudo, usando seu velho óculos de leitura e chegando a alguma conclusão que se orgulharia no final.

Desse modo, cruzou as fontes com certa pressa, queria chegar ao estábulo real rápido, preparar a si e ao seu cavalo, montar no alazão e cavalgar como não fazia há tanto tempo. Assim que chegou ao seu destino final, não tardou em seguir o que queria em pensamentos, logo adornando o castelo e passando por uma passagem após os pomares em que não tinha presença alguma dos cavaleiros que faziam a guarda daquele local.

Sorriu só por olhar ao redor e ver toda a beleza da natureza que tanto sentia falta. Galopava devagar, observava atento as folhas e flores, cogitava até descer do cavalo para provar um daqueles frutos suculentos, mas ainda estava perto demais do castelo e longe demais da Floresta Encantada. E embora quisesse pegar sua bolsa para retirar seu livro, não faria, esperaria um pouco mais, afinal, não queria apressar o relógio e as obrigações ou os guardas lhe vissem voltar a mando da rainha.

Seguiu por uma trilha visível, o verde encantador aos seus olhos contrastava com o belo azul do céu. Se tivesse o dom das artes, pintaria aquela paisagem sem pestanejar, guardaria em um local só seu e ficaria feliz só com a lembrança de ter passado em tal lugar, mas nem isso.

O Sol o fazia transpirar por aquelas vestes apertadas e ele perguntava a si mesmo se estava seguindo pelo caminho certo. Estava com sede e, pelo que lembrava dos relatos e desenhos de Min Yoongi, não estava muito longe de onde queria chegar e, em algum lugar dali, deveria ter um riacho para que ele pudesse se refrescar e encher seu recipiente com água para que durasse o resto da viagem.

Não tardou em escutar o barulho das águas correntes, agradeceu mentalmente a qualquer energia positiva que tenha escutado suas preces, se pudesse e se fosse seguro, até arriscaria um mergulho pelas águas rasas.

Amarrou seu cavalo em um tronco baixo, próximo a uma vegetação rasteira para que ele pudesse se alimentar caso tivesse fome, trataria de pegar um pouco de água para o animal também, visto que a viagem havia sido mais demorada do que ele esperaria que fosse. Esperava que, ao menos, estivesse perto da bendita floresta.

Andou alguns passos em direção à margem do riacho, não sem antes desenhar algumas flores que lhe chamaram a atenção. Era incrível como até as flores pareciam exóticas, como tudo ali tinha um ar diferente do que ele estava acostumado, mesmo que por pouco, cogitou estar sob os domínios mágicos, mas como nada indicava com tanta certeza, apenas ignorou aquilo como sendo mais um devaneio seu.

Entretanto, antes de se aproximar o suficiente para fazer o que havia planejado, escutou algumas vozes não muito longe e barulhos de água sendo jogada. Seguiu dando mais alguns passos vagarosos, não devia ser nada além de alguns camponeses descansado após mais uma tarde de trabalho árduo.

Abandonou suas ideias quando viu que não eram exatamente pessoas. Escondeu-se por trás de um arbusto, com  medo de ter sido visto ou algo do tipo. Por sorte, aquelas criaturas sequer notaram sua presença. Sim, criaturas. Já que, embora lembrassem alguns traços semelhantes aos seus, não eram. E aquilo ao mesmo tempo que o fascinava, também o deixava assustado, nunca havia presenciado nada do tipo antes.

As criaturas - Seokjin não sabia dar outro nome senão esse - estavam brincando próximo ao riacho, cada um era diferente do outro, o que o deixava mais atônito a tudo. Havia um meio homem meio cavalo de madeixas tão escuras quanto as suas ou mais que ia de um lado para o outro, rindo em direção aos outros. Um estava na água, o príncipe pensou estar louco, mas poderia jurar que aquele tinha uma cauda como um peixe em seu lado inferior.

— Jeongguk, pare de correr desta forma. — Escutou uma voz grave soar ali perto.

Antes que pudesse verificar de onde vinha e deparar-se com mais uma criatura estranha, sentiu ser levantado por alguma coisa, e, por Deus, poderia jurar que estava em plenas faculdades mentais ou estaria louco ao ponto de pensar estar voando.

Tentou debater-se, mas fosse lá o que estava lhe segurando, era forte o suficiente para ignorar aquilo. Tentou até gritar, mas a criatura acima de si apenas ria. Olhava-o de uma maneira engraçada e o Kim sentiu-se intimidado, mesmo que o garoto - parecia um, menos o fato de que tinha asas que brilhavam e assemelhavam-se a de borboletas - sorrisse de uma forma adorável que fazia até seus olhos minimizarem-se a dois risquinhos.

— Olha só o que eu encontrei nos espionando, TaeTae. — O garoto com asas largou o príncipe aos pés do outro.

— Ora, ora. O que temos aqui? Um humano! — Aquela mesma voz de instantes atrás pronunciou-se. — Gukkie, Hobi, olhem aqui o que o Chim achou.

Seokjin não ousou nem levantar o olhar para encarar as criaturas, apenas escutou os cascos baterem no chão e um barulho de água, além de uma risadinha irritante que parecia vir daquele que o capturou.

— Há quanto tempo não vemos um humano aqui além daquele que Hoseok tentou encantar? — O meio-homem-meio-cavalo indagou quase soltando um relincho que fez o príncipe ter uma vontade imensa de rir, mas não o fez.

— O que queriam que eu fizesse? Sou uma criatura encantada, encantar é o que eu faço de melhor. — O meio-peixe-meio-homem riu, batendo a cauda no rio.

— Essas suas piadinhas estão a nos cansar, Hobi. — Um bater das asas fez com que Jin fechasse os olhos, clamando perdão sabe se lá para quem.

— Está com medo, humano? — A voz era tão perto que Seokjin sentiu seu corpo todo tremer.

Ousou levantar os olhos para encarar aquelas criaturas, rodeado pelo garoto com asas, o garoto com torso de homem e o resto de equino, o que parecia mais velho entre todos que lhe sorriu de maneira quase amigável batendo a cauda de peixe e, por fim, o que quase fez o Kim prender o fôlego ao se deparar com aquele par de olhos claros e cabelos vermelhos e longos que o fitavam sem deixar brecha para que ele desviasse o olhar.

Aquele ser tinha prendido toda e totalmente a atenção do príncipe, que logo correu seus olhos pelo rosto simétrico, cabelos na altura da cintura - que tocavam o chão devido a criatura estar de cócoras - olhos quase como os seus, mas um tanto arregalados. Seokjin notou também que ele usava uma tiara quase como a sua coroa, com flores, cristais e uma espécie de cipó que juntava tudo e dava um ar tão mais surreal a toda aquela beleza, também permitiu atentar-se ao fato de tanto aquele diante de si quanto o que lhe pegou, tinham as orelhas com um formato estranho, mais alongadas e pontudas que as suas.

Sabia que se fizesse um esforço lembraria-se dos nomes daquelas criaturas de algum relato ou anotação de Yoongi, mas não conseguia, não quando aqueles orbes tão belos lhe fitavam a exigir alguma resposta sua. Seokjin mal conseguia pensar com clareza, quem dirá dizer alguma coisa que fizesse sentido diante beleza tão estonteante como a daquele ser. Não que os outros não fossem bonitos, eles eram, esquisitos, porém bonitos, mas aquele de madeixas avermelhadas como petúnias era diferente, peculiar, beirava o excêntrico e o príncipe encontrava-se maravilhado.

— O que são vocês? — O Kim questionou tão baixo que até sentiu a aproximação do ser encantado.

As risadas que se seguiram não estavam previstas por Kim Seokjin, ele apenas fizera uma pergunta inocente, mas devia ter soado como uma piada das mais engraçadas para as criaturas, já que desataram a rir quase de forma desesperada. Encolheu seus ombros de uma forma protetora, não havia feito por mal, se soubesse que aquela era uma pergunta tão absurda aos ouvidos dos outros, jamais a teria feito.

— É engraçado que não saiba o que somos quando invade nossos territórios, não sei o que esperava encontrar na tão temida floresta encantada senão seres mágicos. — O mais baixo dentre eles rolou os olhos.

— Não seja rude com ele, Jiminnie. — O de madeixas avermelhadas repreendeu, ainda fitando Seokjin. — Bem, aquele é Jimin, um fada, mas não, ele não realiza desejos, só tem essas asinhas bonitas mesmo. — Apontou para o que havia capturado o príncipe. — Aquele outro ali é Hoseok, um tritão de água doce, sei que deve estar pensando "achei que só sereias encantassem", mas eles também fazem isso, aliás, quando escutar o chamado, lute contra, Hobi tem essa carinha de anjo, mas não consegue controlar a própria natureza de levar humanos tolos para as profundezas dos rios que permeia. — Apontou para o garoto de madeixas castanhas que estava sentado na margem do rio, alisando a própria calda. — Esse outro aí é Jeongguk, é chamado de centauro, é um dos raros que sobraram para a próxima linhagem, já que a sua espécie meio que matou muitos deles e de nós criaturas da Fairyfield. — Indicou o garoto de madeiras escuras e lisas que andava sobre cascos. — E eu sou Taehyung, se bem me recordo, catalogaram-me no mundo dos humanos como elfo.

— Tae fala como se fosse um simples elfo e eu fosse só um fada. — Jimin formou uma expressão emburrada em sua face e um biquinho adorável.

— Jiminnie e seu complexo de melhor amigo. — Jeongguk revirou os olhos.

— É que ele nunca menciona que é o príncipe meio-que-guardião-disso-tudo. — O fada cruzou os braços. — São detalhes importantes para amedrontar um humano.

— Mas eu não quero que ele fique com medo de nós. — Taehyung sorriu para o príncipe e o Kim sentiu que poderia desmaiar ali mesmo. — Afinal, sempre bom fazer novos amigos humanos, nós só temos o Yoongi até agora e, não sei, acho que devemos dar uma chance a esse aqui.

— E quem disse que ele é como o Yoongie? Como teremos a certeza que esse ai não nos fará mal? — Foi a vez de Hoseok pronunciar-se.

— Acho que devemos confiar no que a alteza diz. — Jeongguk pôs fim naquela discussão. — Olhem bem para a cara desse homem, não parece fazer mal a um gnomo. E se Tae diz que ele parece confiável, confiemos em sua intuição. Ela não falhou com o Yoongi, não acho qu-

— Espera, vocês conhecem o Yoongi? — Seokjin teve de piscar algumas vezes para assimilar que sim, escutara o nome do melhor amigo. — Vocês sabem quem é Min Yoongi?

Taehyung mirou-o com uma expressão desconfiada e curiosa ao mesmo tempo, oras, aquele humano de feições tão delicadas parecia desesperado por respostas, o que deixou o elfo um tanto atento. Ele clamava o nome do amigo humano deles com tanta destreza e intimidade que Taehyung permitiu-se sorrir. Se era conhecido de Yoongi, claro que era um humano de bem, mesmo que estes fossem raros.

O elfo havia conhecido o Min há algum tempo atrás quando este passou pela floresta perseguindo uma borboleta que nada mais era que Jimin aventurando-se no mundo dos humanos. Desde então, sempre que podia, o humano aparecia ali para falar com os amigos da terra encantada.

Claro que todos ficaram alerta quando o garoto apareceu naqueles domínios, mas quando Taehyung certificou-se que era alguém do bem, todos ficaram aliviados, já que a palavra da alteza era a que vigorava, afinal. O garoto de madeixas vermelhas não era um simples ser, havia sido escolhido como guardião daquele lugar e, mesmo que detestasse, assim como Seokjin, que o tratassem como superior, era inevitável, e a forma que tinha de agradecer para com seu povo era protegendo a tudo e a todos da crueldade humana.

Seus pais não haviam-no criado para designar aquele papel, mas os valores éticos e morais lhe foram muito bem ensinados durante a vida toda. E quando o espírito da floresta - a qual os humanos chamam de mãe natureza - apareceu para Taehyung assim que completara seus 18 anos, afirmando ser ele o próximo escolhido, havia certa felicidade na escolha. E assim que a coroa e o cedro de cristais e flores exclusivas foram dadas a Taehyung, todos aplaudiram. Sabiam que era a escolha certa, pois a mãe natureza nunca errava.

No começo, foi um tanto difícil para o elfo acostumar-se, já que só havia lidado com a magia praticada pela própria aldeia, não estava familiarizado com um cedro que detinha o poder de todas as criaturas e coisas referentes ao mundo deles. Era mais do esperava, mas logo acabou pegando o jeito e agora estava ali, em uma posição que não era muito normal para um príncipe ficar, observando com curiosidade e admiração o humano que ousara passar pelos limites impostos pelos mundos.

— Então, Taehyung, conhece Min Yoongi? — O outro tardou a repetir, irritado com a falta de resposta do guardião.

— Oh, sim. — Taehyung pigarreou. — Ele é um dos humanos que permitimos a entrada. Ele nos ajuda. E você, de onde conhece-o? Aliás, qual o seu nome?

— Seokjin... Kim Seokjin. — O garoto não achou relevante mencionar que também era um príncipe. — E Yoongi é meu melhor amigo. E me alivia o peito saber que ele os conhece.

— Alivia? Por quê? — O elfo deu uma risadinha baixa, fazendo Seokjin sorrir também. — Não creio que tenha ficado com medo de nós, somos adoráveis! Ah, e te chamaremos de Jin, Seokjin é complicado de pronunciar e parece sério demais, todos aqui temos apelidos e  Jin é o seu. É um prazer conhecê-lo, Jin.

O príncipe mais velho não soube bem o que fazer, não sabia se apertava a mão que lhe foi estendida, não sabia retribuía aquele sorriso de formato peculiar tão bonito direcionado a si, não sabia se chorava por não morrer ali, não sabia nem o que responder para o de cabelos longos, sentia vontade de apenas ficar ali parado, encantado pelo riso alheio e pela beleza que fazia tão bem aos seus olhos.

— Um troll comeu sua língua, rapaz? — Taehyung estalou os dedos, deixando com que uma risada escapasse por seus lábios vermelhos e tão bem moldados.

— Acho que ele está encantado por você, Taetae. — Jimin riu. — É o primeiro caso de encanto por parte de um elfo que sequer fez nada. Parabéns, o guardião acabou de subir de nível.

— Não seja tolo, Jiminnie, acho que ele só está tentando processar tantas informações, sabemos como a mente humana tem uma forma de assimilar as coisas de uma forma mais devagar que nós. — Hoseok parecia ter mudado de ideia em relação ao humano, parecia ter simpatizado com ele após saber que era amigo de Min Yoongi.

— Vocês vão acabar assustando o moço. Não acho que Yoongi ficaria feliz em termos assustado o melhor amigo dele. — Jeongguk bateu com os cascos no chão. — De qualquer forma, preciso ir, está na hora de ir passear com os outros, alguns minotauros irão conosco agora e iremos jogar alguns jogos contra eles. Centauros contra minotauros, eles podem ser mais fortes, mas somos mais espertos. Aqueles cabeças de boi não perdem por esperar.

Os presentes ali não contiveram o riso ao ver o centauro se afastar, Taehyung sabia que o amigo era sério demais para fazer aquele tipo de piada perto de um desconhecido, o que o dava ainda mais certeza de que Jin era alguém que sua intuição, mais uma vez, não falhara a respeito.

— Eu preciso ir a colônia, Jackson disse que tinha feito um tridente novo para mim e eu quero muito ver, antes que Mark ou Jinyoung peguem. Até mais tarde, pessoal, e, bem, até um dia, humano. — Hoseok mergulhou antes que pudessem se despedir de forma apropriada.

— E eu preciso ir até Lisa, acabei de sentir Rosé batendo as asas com o código do meu chamado. Aposto que ela engoliu pólen outra vez. — Jimin rolou os olhos. — Até depois, Tae, e tchau, Jin. Cuidado vocês dois.

Jimin deu um abraço no melhor amigo e sussurrou algo para Taehyung que o fez rir, logo batendo as asas e deixando os outros dois a sós. O que logo gerou dois príncipes com as maçãs do rosto rubras, sem motivo aparente.

— Bem... Amigo de Yoongi, então. — Taehyung suspirou. — Ele menciona, às vezes, sobre dois amigos príncipes. Você deve ser um deles, já que é melhor amigo dele.

Jin estava impressionado com a dedução do elfo, ele sequer pensara em revelar que era príncipe. Graças aos céus, o outro não parecia achar esse fato importante também, talvez só disse por dado de curiosidade, o que era um alívio para o coração do humano.

— Sim, ele é um nobre, nossas famílias são amigas de longa data. — Jin sorriu com a lembrança do melhor amigo. — Ele fala bem de vocês, pelas vezes que conversou comigo e meu irmão, parecia alegre sobre as criaturas deste lugar.

— Isso é bom, todos aqui o adoram. — O elfo deu de ombros. — Mas o que o traz aqui? Pude sentir que suas motivações não são as mesmas de seu amigo.

Realmente, Taehyung tinha um poder de dedução impressionante. Isso fez Jin ponderar sobre o que lhe levava a estar ali, de fato. Mas ao ver o outro levantar-se e estender a mão para que a pegasse, sorrindo de uma forma gentil e fazendo o corpo do príncipe mais velho dar vibrações positivas o fez querer falar mais, iniciar um diálogo ali com o guardião.

Contou sobre tudo, sobre sua família, seu irmão, sobre o lugar em que moravam e como ele se sentia em relação a tudo. Teve de encarar Taehyung várias vezes para ver se ele prestava atenção em tudo que dizia, já que estava falando mais do que era acostumado e, para a surpresa de Seokjin, ele estava atento a cada palavra proferida, meneando a cabeça em afirmativa apenas para que ele continuasse com os relatos.

Jin acabou contando que estava ali para espairecer e por curiosidade mesmo, já que o amigo falou tantas vezes que ele quis checar com os próprios olhos. Riu também ao lembrar-se de que nem sabia que estava em territórios alheios até encontrá-los. Quase entrou em desespero ao recordar-se que não havia dado água ao seu cavalo, já estava para correr quando Taehyung sorriu e avisou-lhe que Jimin já havia feito isso, que o que o outro sussurrara em seu ouvido alguns instantes antes era sobre isso, Jin sorriu aliviado. Teria de agradecer ao fada em um momento oportuno.

Continuaram a divagar sobre coisas aleatórias pelos dois, mas que pareciam tão interessantes naquele momento. Taehyung contou sobre a rotina de guardião, dando alguns sorrisos a cada episódio dito, fazendo o coração de Jin falhar algumas batidas. Jin falava sobre as flores e folhas que encontrou no caminho, avaliando quão exóticas eram elas, dando alguns risos em exagero que faziam o peito de Taehyung aquecer-se em proporções inimagináveis pelos dois.

Sentiam-se estranhos, mas à vontade um com o outro. E não sabiam se o fato era por suas espécies serem antônimas ou porquê despertavam um sentimento que não haviam sentido antes. Não afirmariam nada em voz alta, mas desde que se viram, sentiram sim algo diferente, mas custariam a acreditar ser algo concreto, afinal, haviam se conhecido em algumas horas.

Taehyung parecia alguém cujo o príncipe manteria contato. Queria vê-lo mais, poder tocar em seus longos cabelos vermelhos, sentir a maciez de sua pele, conversar sobre amenidades e até rir com os amigos do outro. Não queria que aquele fosse o primeiro e último encontro dos dois, não quando estava gostando de ser alvo dos olhos penetrantes do elfo, não quando suspirava baixinho a cada sorriso geométrico que o outro dava, não quando era tão bom estar ali.

Jin poderia não ser uma criatura de seu mundo, mas era mágica para Taehyung, o que ele sentia parecia ser diferente de toda magia que já havia experimentado. Era um sentimento bonito, bom de ser sentido e até puro. Queria mostrar mais para o outro, mas sabia não possuir tanto tempo assim, logo mais estaria a escurecer e sabia ser perigoso para o outro voltar tarde, mas ainda assim, ainda queria confirmar que o veria uma hora ou outra, queria ter a certeza de que lhe apresentaria as outras criaturas, que lhe faria sorrir quando atravessassem o arco-íris e saíssem correndo ao pegar um pouco do conteúdo do pote de ouro do duende que era seu amigo no fim daquele passeio.

Dessa forma, quando chegaram ao ponto de se despedir, próximo ao local que Jin havia amarrado o cavalo, suspiraram. Havia sido um dia divertido e novo para ambos, sentiam um laço nascer ali e, para eles, não era cedo afirmar nada disso. Não quando os olhares se conectaram e um sorriso involuntário nasceu no rosto dos dois. Jin, certamente, voltaria ali apenas para ver mais daquele curvar de lábios tão único e sincero. Taehyung, de fato, havia achado que fora ótimo deixar com que o humano ficasse ali por uns instantes, queria que o outro voltasse para escutar mais daquele riso divertido.

Assim, Jin fechou os olhos ao sentir os lábios alheios pressionando sua testa por alguns segundo. Poderia até jurar que havia sentido certa formigação no local, mas não se importou, o contato, mesmo rápido, foi bom.

— O que foi isso? — Não evitou o sorriso ao perguntar, ainda de olhos fechados.

— Um selar. — As bochechas de Taehyung estavam no mesmo tom de seus cabelos. — É para quando você aparecer, eu sentir. Não quero perder uma só visita sua.

Jin mordeu o lábio inferior antes de suspirar, logo preparando-se para subir em seu cavalo e voltar a sua própria realidade. Não deixou que o sorriso morresse após ser fitado com tanta intensidade quando já estava montado em seu alazão. Logo, observou Taehyung dando as costas e caminhando de volta para após as águas cristalinas. Pode sorrir com a certeza de que, sim, voltaria ali. Voltaria a ver o ser encantado de cabelos vermelhos que lhe lembravam uma das nuances do pôr do sol.

 


Notas Finais


LINK DA MUSGA: https://www.letras.mus.br/tribalistas/64152/


IMAGINEM ESSE TAE DE CABELOS LONGOS: http://orig13.deviantart.net/a008/f/2016/134/5/d/a0887c22b54937c45b19e7dfa9e5f2ae_by_cutiediepiend-da2f31g.gif


Fairy!au é um dos meus universos alternativos favoritos, nhonhonho <3 agora vamos para a última fic e letra C <3


Xoxo, see you~


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