História Ao som do Piano - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Angst, Drama, Sakura, Sasuke, Sasusaku
Exibições 631
Palavras 4.038
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


A fic terá, no máximo, 40k, acho. Sei que será curta e já está se encaminhando para o fim =)

Capítulo 9 - Capítulo 8 - Xeque-mate


Itachi não conseguiu visitar Sakura nos dias seguintes. Isso porque, quando tinha tempo, Gaara ou Ino a estavam monopolizando. Chegou a passar quase uma semana desde a última conversa. Nesse meio tempo, aproveitou-se para confirmar algumas das coisas que ela havia lhe contado. Óbvio que Naruto não gostou nada de ter que conversar sobre o antigo namoro dos amigos, mas o faz a contragosto. O ruim foi saber que Sakura, pelo menos por enquanto, não havia mentido... Sasuke fumava desde cedo, o episódio da festa de Gaara tinha ocorrido bem como o da viagem.

— Sabe, nós éramos um grupo legal... — Naruto suspirou, mirando as fotos sobre a estante da sala. — Ela o amava, Itachi. De verdade... Eu não sei o que aconteceu com eles, nenhum dos dois me contou, mas foi algo grave... Ela terminou com ele, não sei o motivo, mas, desde então, nunca mais se falaram. Era até horrível nas festas. Ela ia embora sempre antes de ele chegar, e ele não parecia entender por que aquela atitude, mas não fazia nada para mudar a situação.

— Foi ela que terminou? — Itachi franziu o cenho.

— Sim. Ela terminou com ele depois de uma festa, não me lembro bem. Eu já namorava Ino nessa época e me lembro do telefone dela tocar. Era Sakura. Mas tinha algo muito errado... Ino pulou da cama naquele dia e pegou o carro de pijama mesmo, sem me dizer uma palavra e sem me explicar nada quando voltou. E olha que perguntei... Insisti muito porque Ino chegou chorando, Itachi, chorando muito. Fui até a casa de Sakura no dia seguinte, mas o pai dela disse que ela estava com a madrinha e pediu para que nós deixássemos a filha dele respirar um pouco.

— E Sasuke? Ele não te disse nada?

— Liguei para ele para saber se aquele Teme maldito não havia feito merda, porém ele jurou não saber nada sobre aquilo. Para ser sincero, para mim, ele estava tão preocupado quanto eu. Contudo, quando ele foi procurar por Sakura, a madrinha dela arremessou todos os vasos de plantas que tinha no jardim contra ele. Ele me disse que ela gritava um monte de acusações e que só faltou sacar uma arma e atirar nele.

— Que tipo de acusações?

— Não sei. Ele falou que ela era louca, que não dava para entender sequer o que dizia. — Naruto afundou as mãos no cabelo, cansado. — Você está visitando Sakura, não está? Por isso veio aqui.

— Sim, mas ela ainda não me disse tudo... Ela insiste em me contar toda a história deles, parte por parte. — Suspirou. — É difícil ouvi-la falar de um Sasuke que não conheço.

— É... Sasuke sempre foi diferente na frente da família... Pelo que eu lembro, ele sempre estava querendo te impressionar, ser como você. Era “meu irmão isso, meu irmão aquilo”. — Riu. — Acho que ele fazia isso para eu ter inveja já que sou filho único. Enfim, irá vê-la hoje?

— Sim. Obrigado pelo café e pelo tempo.

— Itachi — Naruto o chamou quando ele já estava perto da porta. — Me promete que irá me contar o que ele fez a ela? Eu também preciso entender tudo isso...

Itachi concordou com um aceno e saiu pela porta.

Dirigiu até o lugar de sempre, estacionou no lugar de sempre e caminhou um pouco menos enfadado do que das outras vezes. Naquele dia, queria ouvir Sakura, queria que ela contasse o que quisesse contar, e queria isso porque era uma forma diferente de ter acesso a facetas do irmão que não conhecia.

Entrou pelo portão e atravessou o jardim. Ali, sentada de frente a uma mesa quadrada, Sakura sorria enquanto os dedos deslizavam por uma caixa de madeira.

— Bom dia, Itachi. — Ela sorriu tão abertamente, tão animada e feliz que sorriu de volta um pouco mais comedido. — Sente-se! Ganhei um presente! Adoro como Gaara sempre sabe o que comprar.

Itachi se sentou, e Sakura abriu a caixa retangular.

Peças de xadrez.

— Sabe jogar? — ela perguntou, animada como uma criança.

— Sei.

— Ótimo! Vamos jogar enquanto conversamos?

Ajudou-a a separar as peças sobre a mesa e, então, ela virou a caixa para que se tornasse o tabuleiro. Madeira cara, peças esculpidas e de boa qualidade. O tabuleiro era em madeira avermelhada, e Sakura parecia apaixonada por ele enquanto posicionava cada peça em seu lugar.

— Bom jogo. — Ela estendeu a mão para o aperto cordial.

— Bom jogo.

— Então, onde paramos mesmo? — ela perguntou assim que fez o primeiro movimento no tabuleiro.

— O acidente na viagem.

— Ah, sim... Depois desse maldito acidente, Sasuke passou uma ou duas semanas me tratando como se fosse de porcelana. Eu não podia espirrar que ele surgia do meu lado perguntando se eu precisava de algo. Foi bem legal ser mimada desse jeito durante aquele tempo. Ele até mesmo parou de sair com outras garotas, acredita? — Riu. — É. Acho que o assustei bastante na viagem. Enfim... Com a chegada do terceiro ano do ensino médio, começou a cobrança com o vestibular. Eu, logicamente, prestaria música. Minha madrinha me apoiava e soltava fogos com a minha evolução surpreendente no piano! Nesse ano, ela começou a me inscrever em pequenas apresentações, sempre tomando o cuidado de isso não consumir muito tempo dos meus estudos. Mas, enquanto eu já tinha decidido essa pequena parte do meu futuro, Sasuke estava perdido. Ino estava estudando que nem louca para passar em direito, Naruto queria ir para o exército, mas Sasuke não tinha nem ideia de por onde começar.

Ele olhava para as listas dos cursos e dava-me a impressão de que via um papel em branco. Seus pais não ajudavam, Itachi. Seu pai, principalmente. Era uma cobrança tão grande que até minha mãe quis interferir um dia! Sasuke podia não ser um dos melhores alunos, mas era inteligente, isso ele era! Se as notas eram medianas, era porque ele não se importava com elas, mas bastava ter uma conversa de dez minutos para saber que o conhecimento dele ia muito além do que uma caneta vermelha em um papel idiota.

Seu pai queria que Sasuke prestasse medicina, mas ele odiava esse curso! Sua mãe queria que ele prestasse engenharia química, mas a única coisa que Sasuke sabia sobre química era como fazer uma bomba caseira. Ele não tinha rumo. E, para piorar, ele queria ser como você. Sasuke sempre te teve como um modelo perfeito. Ele queria entrar na faculdade de primeira assim como você fez, queria se formar no tempo mínimo, como parecia que você faria, queria conseguir um estágio logo no primeiro ano como você, mas nem curso tinha escolhido... Isso o deixou frustrado, irritado.

Toda segunda e quinta-feira, íamos para minha casa. Enquanto eu praticava no meu teclado, ele pesquisava cursos e mais cursos, marcava para conhecer as faculdades e listava os cursos que, definitivamente, não iria prestar. Várias vezes, quando terminava a pesquisa do dia, começava a ler alguns exercícios de geografia, a matéria mais difícil para ele, ou de matemática, minha pior matéria. E, enquanto eu tocava, nós discutíamos as questões, estudávamos ou simplesmente desfrutávamos da doce melodia que preenchia o ambiente.

Sasuke se empenhou naquele ano. Nós às vezes ficávamos o dia e a tarde toda na escola, estudando, fazendo exercícios e mais exercícios, querendo gritar e rasgar o livro toda vez que, mesmo depois de tanto estudar, ainda errávamos as questões de vestibulares passados. Perdemos vários almoços. Em uma hora de almoço, dava para fazer umas vinte questões de interpretação de texto do nosso caderno. Festas? Não. Íamos todos para a casa de Ino e organizávamos nosso momento de “dúvidas”. Eu era ótima em geografia, química, história, e português, então ajudava nessas matérias. Sasuke era excelente em matemática, física, biologia, e história, Ino só apanhava no português, e Naruto chorava em história e tinha crise de ansiedade toda vez que se sentava para fazer uma prova.

Era incrível como nós todos nos entendíamos, como nos ajudávamos, como nos importávamos uns com os outros. Fazíamos simulados todo sábado não importava onde! Se Ino nos dissesse que o cursinho X aplicaria um simulado para o vestibular da cidade vizinha, lá estávamos nós! Foi um ano exaustivo. Muitas vezes dava vontade de chorar, afundar o rosto no travesseiro e gritar o mais alto que pudesse. E, se a minha situação era essa, a se Sasuke era muito pior...

Ele havia reduzido as horas de sono para quatro horas. Virara a noite estudando muitas vezes. Seus pais não paravam de brigar, você havia se mudado para um apartamento perto da faculdade, e ele estava mais sozinho do que nunca. Posso dizer que ele morou comigo e com Naruto até! Ele sempre chegava com uma mochila cheia de livros e roupas. Meu pai não deixava ele dormir no meu quarto, e o quarto de hóspedes só faltava ter o nome Sasuke gravado na porta.

— Eu. Não. Aguento. Mais! — ele gritou certa vez.

Havia saído escondido de casa enquanto seus pais quebravam pratos e copos em mais uma briga. Eu e Naruto não sabíamos o que dizer, só andávamos ao lado dele em silêncio. A praça estava vazia porque era inverso e Sasuke se aproveitou disso para gritar de raiva.

Ele gritou. Não formou nenhuma palavra, só gritou tudo aquilo que parecia estar entalado ou na garganta ou no peito. A árvore mais próxima foi o alvo escolhido para ele socar. Pedi para que ele parasse, disse que se machucaria, mas não me ouviu. Naruto não tentou impedi-lo, parecia que entendia que Sasuke precisava descontar em algo tudo o que sentia. Como resultado, ele machucou tanto as mãos que não conseguia nem mesmo segurar uma caneta por uma semana inteira.

Nas férias, você voltou para casa, Itachi, e eu me lembro o quanto Sasuke parecia aliviado e feliz por isso.

— Ele me contou tudo o que estava acontecendo em casa assim que cheguei — Itachi a interrompeu e moveu o cavalo preto até o centro do tabuleiro. — Praticamente implorou para que pudesse morar comigo até o resto do ano. Mas não tinha como... E ele sabia disso. Conversamos a madrugada inteira e, quando ele saiu para se encontrar com Naruto no dia seguinte, briguei com meus pais. Eles estavam deixando meu irmão louco... A discussão ficou tão séria que meu pai chegou a me bater. Minha mãe me prometeu que tentaria tornar as coisas mais fáceis para Sasuke, meu pai simplesmente nos chamou de idiotas por achar que “aquilo ali” tinha futuro em alguma coisa. Em síntese, a diminuição das brigas e das cobranças era o que eu tinha pedido a eles.

— Mas não funcionou tão bem assim... — Sakura comentou e capturou com a rainha o cavalo de Itachi.

— Não sei... Depois que voltei para o apartamento, Sasuke não me dizia mais nada sobre a situação em casa.

— Ele não gostava de te preocupar. Você já tinha a faculdade, o estágio, o apartamento, ele não queria ser um peso. Mas posso te dizer que, apesar das brigas terem sim diminuído, a cobrança só ficou maior. Eu tinha que o lembrar de comer, e o energético que ele bebia dia sim dia não me preocupava.

No dia da inscrição para o primeiro vestibular, Sasuke foi até a minha casa. Abrimos meu notebook, e ele fez a inscrição em engenharia nuclear. No dia da inscrição do segundo, ele se inscreveu em engenharia aeronáutica. Teve também direito e administração em outras. Parecia um tiroteio. Mas, pelo menos, ele havia feito as inscrições e parte do peso sobre seus ombros sumiu.

Na primeira prova, por morarmos próximos, caímos na mesma escola. Ino também estava lá. Só Naruto havia ido fazer a prova em uma escola mais distante. Eu estava ansiosa, é claro, mas não mais que ele. Óbvio que Sasuke não aparentava nervosismo algum, ele ainda era o Sasuke afinal. Contudo, eu via o bater dos dedos na calça e o tirar e colocar a tampa da caneta. Ele também estava atento ao horário, à voz dos fiscais, e já tinha conferido, discretamente, o documento de identidade umas três vezes.

Quando nos chamaram, antes de ele entrar, segurei-lhe a mão.

— Boa sorte, Sasuke. Você consegue — sussurrei antes de beijá-lo e abraçá-lo.

Ele relaxou um pouco e me abraçou de volta enquanto aprofundava um pouco o beijo.

— Boa sorte. — Sorriu minimamente. — Não se esqueça que Pitágoras não é a única fórmula para calcular o lado de um triângulo — debochou.

Eu ri, afastando-o para que entrasse na sala.

— Vê se lembra que carvão só tem no sul do país, e ainda por cima é pouco e de má qualidade — gritei de volta e a expressão confusa dele confirmava que, de fato, ele era uma negação para geografia.

Depois de cinco malditas horas sentada naquela cadeira desconfortável, comendo apenas chocolate, bolacha e um suco de caixinha, terminei a prova da primeira fase do vestibular. Levantei-me já me espreguiçando. O relógio no pulso dizia-me que ainda possuía dez minutos de prova, mas já não me serviam. Havia conferido a prova vinte vezes e umas cinco questões de matemática riram de mim todas as vinte vezes.

Entreguei a prova ao fiscal e sai da sala. E lá, na saída do prédio, sorrindo abertamente, estava Sasuke. Assim que ele me viu, veio em minha direção com os braços abertos. Ele me abraçou e me ergueu do chão. Giramos, e ele ria. Ri junto, sem saber o motivo, contagiada pela felicidade dele.

— Você. É. A. Melhor. Professora. De. Humanas. Que. Já. Tive! — ele disse enquanto beijava o meu rosto, lábios, e tudo o que estivesse ao alcance. — Obrigado — sussurrou ao me por no chão.

Os olhos negros estavam tão lindos... Brilhavam. Ele arrumou uma mecha do meu cabelo que estava fora do lugar e segurou meu queixo. O beijo foi lento, profundo, apaixonante. Meu coração batia tão rápido que eu não me importava de estar na frente do portão de uma escola, no meio de tanta gente que nem conhecia. Tudo o que queria era segurar ainda mais forte no moletom que Sasuke usava, sentir ele apertar minha cintura, trazer o corpo dele para junto do meu.

Quando nos separamos, ofegantes, não foi preciso dizer mais nada. A mão dele se fechou na minha e saímos quase que correndo em direção ao ponto de ônibus. Naquele dia, seus pais tinham um jantar importante para ir, então, assim que entramos pela porta, voltamos a nos beijar.

Beijos estalados e desesperados. Um atrás do outro enquanto íamos em direção ao quarto dele. Nada começou sutil. Já conhecíamos o corpo um do outro para sabermos o que agradava ou não. O moletom de Sasuke, junto da camiseta, foi a primeira peça a ser descartada. Minhas mãos passeavam pela área e eu amava arranhar a pele pálida que ele tinha.

Ele me pegou no colo. Cruzei as pernas ao redor da cintura dele e o vi jogar todo o material sobre a mesa de estudo no chão antes de colocar sentada nela. Afastou a cadeira com um chute, e eu o puxei pelo cinto da calça.

Os toques sob minha blusa já indicavam que ela logo não estaria no meu corpo, e foi o que aconteceu.

Não importava quantas vezes já havíamos feito aquilo, sempre ficaria com vergonha do modo como Sasuke me olhava naquelas horas...

Ah, não te contarei todos os detalhes, Itachi, fique tranquilo, não quero te constranger... muito.

Enfim, você já deve estar ciente do que iria acontecer ali, não é? Bem, eu também estava. Enquanto nossas roupas forravam o chão, minha mente trabalhava a mil tentando decidir que sentimento deveria prevalecer: o amor e o desejo que sentia por Sasuke ou o medo pelo que estava por vir?

Restava-nos apenas as roupas íntimas quando Sasuke passou a me tocar com mais cuidado. Ele retirou meu sutiã, eu gemia sob seus toques. Quando se deu por satisfeito, voltou a me erguer e não demorou para que eu sentisse o colchão sob minhas costas. Minha calcinha foi retirada antes que eu me desse conta, mas, até aí, era normal. Não era como se nós nunca tivéssemos ido um pouco mais além dos beijos e da masturbação, não é?

Lembro-me perfeitamente como puxei os cabelos dele, como minhas costas arqueavam no colchão enquanto minhas pernas se abriam e meu quadril pedia para mover-se contra a boca dele.

Ele me puxou pela mão e ficamos sentado um de frente para o outro enquanto o olhar dele fazia a pergunta que os lábios não ousavam pronunciar.

— Sim — respondi quase sem voz.

Ele encostou a testa na minha e beijou minha bochecha com carinho enquanto se inclinava um pouco para abrir a gaveta do criado mudo. Sem desviar os olhos dos meus, abriu o pacote do preservativo e o vestiu.

Nada de palavras. Não era preciso. Os toques, os beijos e o modo como me observava já deixavam claro que ele seria cuidado e gentil, e a forma como eu me deixava conduzir era a forma de dizer que era aquilo que eu queria.

E, naquele dia, entreguei-me por completo. Deixei que ele tirasse minha virgindade, que desfrutasse daquele prazer comigo enquanto o meu coração se iludia mais ainda. Meu corpo viciou-se no de Sasuke. Era como se o reconhecesse, como se Sasuke soubesse exatamente como o tocar, como agir, e mesmo a pequena dor da primeira vez não foi suficiente para me fazer voltar atrás.

Eu amava Sasuke e estava feliz por ser ele ali comigo naquela hora.

Depois que nós dois estávamos satisfeitos, ele acendeu um cigarro e ficou deitado comigo na cama. O cigarro ia da boca dele para a minha, aquela letargia depois do sexo ainda me dominava e eu estava gostando da sensação.

Durante o banho, ele perguntou se eu estava bem e passou o resto da noite me mimando. Depois, quando meus pais já lotavam meu celular de mensagens, ele me levou até em casa e se despediu de mim com um sorriso de canto.

Fizemos esse mesmo esquema a cada fim de prova. Na minha casa, na dele, até na de Naruto. Se parar para pensar, era um modo bom de relaxar. Ok, sem piadas.

No meio de todas aquelas provas, eu teria minha primeira apresentação de piano, lembra? A apresentação estava marcada para às sete horas de um domingo, logo após a última prova de vestibular que faríamos. Era horrível. Não daria tempo. Eu faria a prova sob pressão, correndo, com medo de perder o horário e não conseguir chegar ao teatro. E foi isso mesmo que aconteceu.

— Você está nervosa demais, Sakura — Sasuke me alertou assim que pisamos na sala. — Vai dar certo, pare, está me deixando irritado.

Mordi meu lábio, ansiosa. As provas foram distribuídas e quase não esperei o sinal para virar a minha e começar. Deixei matemática por último, como sempre. As questões estavam difíceis, ou eu que não conseguia as ler direito.

Sasuke terminou faltando meia hora para o término da prova. O relógio em meu pulso me cobrava. As questões de matemática ainda me esperavam. Já as havia lido pelo menos, e algumas tinha respondido, mas desisti das que faltavam. Entreguei a prova e sai correndo.

Meu coração batia enquanto minha mente começava a se lembrar detalhadamente da música que eu apresentaria.

Sasuke estava ao lado da minha madrinha e ele soube que eu não tinha terminado a prova só pela expressão culpada em meu rosto. Entramos no carro. Eu, ele, Tsunade, Naruto e Ino. O trânsito não foi problema, não quando a motorista era minha madrinha. Chegamos faltando meia hora para minha apresentação. Tsunade entrou já nas áreas reservadas para os camarins enquanto meus amigos eram dirigidos para a plateia, lotada.

Sasuke me segurou antes que eu seguisse minha madrinha. Ele me beijou suavemente e me prendeu em seus braços até que eu parasse de tentar sair.

— Você treinou?

— Claro que sim! — respondi, indignada.

— Quanto? — Arqueou a sobrancelha.  

— Muito! Você viu!

— Então — Ele se aproximou. —, do que está com medo?

Pisquei, confusa, e minha respiração se acalmou ao processar as palavras dele.

— Vou estar assistindo, como sempre faço, e você estará tocando, como sempre faz. E sabe o que mais? — ele sussurrou ao acariciar meu rosto. — Vai ser perfeito, como sempre.

Corei e tive que me separar dele quando Tsunade foi me chamar. Sasuke se dirigiu à plateia e eu ao camarim. Troquei de roupa rapidamente, Tsunade fez minha maquiagem, leve, e me entregou a pasta com as partituras.

Quando meu nome foi anunciado, meu coração pulou no peito e meus pés me pouparam do vexame, levando-me até o piano. Após cumprimentar o público, sentei-me e admirei o piano caro à minha frente. Chopin era meu pianista favorito e era óbvio que seria com ele minha estreia.

Naruto gritou meu nome, Ino aplaudiu, Sasuke acenou com a cabeça. E, depois, tudo foi apenas e somente música. As teclas sob os dedos, o som a invadir a mente, o coração, a alma. Eu não me importava em estar sendo assistida, as palavras de Sasuke faziam todo o sentido. Era eu tocando, ele assistindo e só isso. Meu conto de fadas perfeito.

Os clímaces me faziam fechar os olhos, e não importava uma vez que eu sabia a música toda de cor. A emoção era tão intensa que eu poderia me levantar daquele banco e começar a tocar, perdida na interpretação. Minhas mãos queriam correr pelas teclas, bater com mais força nelas, sentir ao máximo aquela melodia. E, quando acabei, quando finalmente a música acabou, abri os olhos, ofegante, confusa, perdida.

Os aplausos vieram para me puxar para a realidade. Ri, sem conseguir conter a alegria, cumprimentando a todos. Naruto estava de pé e gritava, Sasuke aplaudia também e Ino ria comigo enquanto gritava meu nome.

Foi lindo, foi perfeito, foi mais que maravilhoso.

Tsunade me abraçou com força assim que fui para o camarim.

— Estou tão orgulhosa — ela falou, emocionada.

Arrumei-me depressa. Queria comemorar, queria sair com todos, ir jantar em algum lugar, sei lá! Sai correndo, com a bolsa na mão e arrumando o tênis ainda. Só que parei no meio do caminho porque, flertando descaradamente com uma das bailarinas que iriam se apresentar, estava seu querido irmão.

Ele não me viu, continuou ali, com ela. Chegou até mesmo a beijá-la...

Não me movi. Ela foi embora, deixando o número no celular dele. Assim que ela saiu, ele me viu.

Ri, amarga, passando por ele sem falar nada e chocando nossos ombros.

— Hey! — Segurou meu braço. — O que foi isso?

Olhei-o, indignada.

— O que foi isso? — repeti. — Eu que deveria te perguntar, Sasuke! Você... você... Me solta, porra!

— Sakura, pare com isso — ele pediu, sério. — Estão esperando a gente para comemorarmos sua estreia... Vamos, você foi incrível lá, não estrague a noite.

Minha mão bateu no rosto dele. Foi tão rápido e tão involuntário que só me dei conta do que tinha feito quando ele tocou o próprio rosto, piscando incrédulo e rindo sarcástico. A língua umedeceu os lábios enquanto ele ajeitava a postura. As mãos no bolso e a expressão fria.

— Você ainda se lembra que não somos namorado, não é, Saky?

A pergunta me derrubou. Primeiro porque tinha sido feita em um tom irônico, como se ele estivesse jogando na minha cara que sabia que eu o amava e que, ainda assim, tudo não passava de diversão para ele. Segundo porque ele usou o meu apelido de infância, como se o reforçasse apenas para me dizer o quão infantil eu estava sendo. Terceiro porque era a certeza de que não correspondida. E doeu, Itachi.

A comemoração perdeu o gosto, a comida arranhou minha garganta ao descer, e eu não conseguia, de modo algum, encarar Sasuke. E ele? Bem, ele estava lá, sendo ele, como se nada houvesse acontecido.

Todos notaram, minha madrinha odiou me ver tão silenciosa logo no jantar que era para ser minha recompensa pelas horas de dedicação e estudo. Creio que ela começou a não gostar de Sasuke nesse momento, sabe?

Na despedida, quando Tsunade foi deixar cada um em sua casa, não respondi quando Sasuke saiu do carro. E, ao chegar na minha casa, deitar na minha cama e abraçar meu travesseiro, vi que tinha uma mensagem dele no celular:

“Precisamos conversar”.

— Xeque.

— O quê? — Itachi olhou para Sakura sem entender.

Ela apontou para o tabuleiro e deu de ombros.

— Xeque e é xeque-mate.

 

 

 

 


Notas Finais




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