História Aos Sons da Quadra - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Kuroko no Basuke
Personagens Akashi Seijuro, Aomine Daiki, Himuro Tatsuya, Kagami Taiga, Kise Ryouta, Kotarou Hayama, Kuroko Tetsuya, Midorima Shintarou, Momoi Satsuki, Personagens Originais, Takao Kazunari, Yukio Kasamatsu
Exibições 28
Palavras 2.442
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá pessoal, depois de um bom tempo aqui estou eu. Infelizmente, não tive muito tempo para escrever e nem mesmo postar os capítulos que estavam prontos, peço sinceras desculpas pela demora, mas espero recompensar com esse capitulo.
Espero que gostem U_U

Capítulo 3 - Capitulo 3 - Akashi Seijuro


Fanfic / Fanfiction Aos Sons da Quadra - Capítulo 3 - Capitulo 3 - Akashi Seijuro

Meus olhos atentos miravam a paisagem fora do avião, pequenos borrões de terra e montanhas abaixo de nós tomavam forma conforme diminuímos a altitude. Um suspiro deixou-me. Depois de tantos anos eu estava voltando para meu país e, querendo ou não, voltando também para minha casa.

    Entre minhas mãos estava o único motivo para retornar para o Japão: o papel da carta de Ari que já estava completamente amassado. Voltei meus olhos para as palavras que atormentavam minha sanidade há uma semana, não como se fosse necessário ler aquela carta novamente, pois suas palavras estavam decoradas em minha mente, assombrando meus sonhos e transformando-os em pesadelos.

Acima disso, a foto da minha filha, que descobri chamar-se Tora, acompanha-me por onde vou. Quero entender que tipo de pessoa ela é, saber os seus gostos e descobrir seus anseios. Hoje, só volto única e exclusivamente por ela, apenas ela.

A foto que Ari mandou-me é de alguns anos atrás, constatei. A garota estava sentada no sofá enquanto lia um livro e provavelmente fora pega de surpresa pela câmera. Sua expressão assustada mirava algum ponto atrás da foto, mas não parecia irritada e sim muito feliz. O sorriso em seu rosto era lindo, parecia conter toda a felicidade da pequena garotinha. Devia estar com 10 anos.

Fico encantado toda vez que olho-a e percebo nela as mesmas características que encontro em mim ao olhar-me no espelho, quero saber se esta similaridade vai além da aparência física e se ela é tão parecida comigo que vou até me assustar.

A pura verdade é que eu tenho medo de ela ser assim tão parecida comigo, medo que ela carregue nas costas as mesmas tristezas que carreguei durante minha juventude. Ser a pessoa de que todos esperavam o melhor não é fácil, normalmente você tenta alcançar os objetivos que lhe são impostos, muitas vezes por pessoas que você nem gosta ou respeita.

Talvez a minha maior dor foi tentar ser o filho perfeito que meu pai sempre quis e mesmo sabendo que ele não merecia o meu respeito, o fiz com muito afinco. Porém, quando a derrota para Seirin veio e percebi uma sequência de erros dentro da minha vida, decidi que era hora de ser quem eu queria e não aquele que todos esperavam.

Não quero que essa garota, a qual ainda nem conheço, passe pelas mesmas dificuldades. Quero tentar ser um pai muito melhor do que o meu foi para mim, conquistar sua confiança.

— Oe, Akashi! — o chamado de Kagami tirou minha atenção, fazendo com que virasse para a poltrona em que ele estava sentado — Estamos chegando, tente só descansar por hora, é melhor do que ficar pensando em muitas coisa. Sei que está desligado, eu te conheço bem o suficiente, mas por enquanto não podemos fazer nada, exceto esperar pacientemente.

— Eu sei, mas a teoria sempre é mais fácil — dei uma fraca risada enquanto virava-me em direção a janela novamente — Desde que descobri, não consigo parar de pensar nela, entende? Quero conhece-lá, ser o pai que ela não teve, mas ao mesmo tempo tenho medo de não conseguir fazer tudo certo. Ela tem 15 anos, já tem uma noção bem clara do mundo e provavelmente já tem suas próprias conclusões sobre a falta do pai. E, se ela odiar o homem que deixou a mãe dela por um esporte idiota? Se fosse eu, nunca conseguiria perdoar uma atitude tão egoísta.

— Essa é a questão Akashi. Você não a deixou, não foi egoísta e nem nada do gênero. A mãe dela te privou de ser o pai de Tora e se essa menina tiver metade da inteligência que você tinha quando mais novo, ela vai entender — disse o ruivo enquanto uma de suas mãos tocava meu ombro esquerdo. Sorri, ainda com a tristeza muito forte, mas pelo menos momentaneamente feliz por ainda ter alguém para chamar de família.

Essa semana que se passou, após a descoberta de que por todos esses anos eu tinha uma filha, todos os meus amigos haviam provado que eram sim o mais próximo que já cheguei de ter uma família.

No começo, a única coisa que eu queria fazer era pegar o primeiro avião para o Japão e ir atrás da minha filha. Queria confrontar a mãe dela, fazê-la sentir a mesma dor que me acompanhava depois daquele dia e exigir respostas. Porém, tanto Kagami quanto os outros não permitiram que eu tomasse qualquer decisão de cabeça cheia. No fim, decidi que o melhor era esperar alguns dias para poder assimilar as informações e não cometer erros irreparáveis.

Nos primeiros dias, todos permaneceram no nosso apartamento. Sinceramente, acho que temiam outra explosão da minha parte e queriam garantir que se acontecesse, ninguém sairia machucado.

O primeiro dia foi talvez o mais doloroso e boa parte dele passei chorando. Mesmo sendo forte e nunca abaixando a cabeça, as lágrimas simplesmente tomavam meus olhos e não havia mais controle para segurá-las lá. A dor me pegou totalmente desprevenido. Quando perdi minha mãe, achei que nenhuma dor poderia ser pior, mas ao imaginar Tora nascendo, saber que nunca poderia a pegar no colo quando bebê e aninhá-la em meus braços, apenas para passar confiança, fez com que os pedaços que um dia haviam constituído me se afastassem cada vez mais de mim.

Pensei nos primeiros passos dela que não pude acompanhar. Pensei em suas primeiras palavras que nunca escutaria. Pensei no fato de que nunca a veria crescer ou que nunca lhe ensinaria a jogar basquete. No fim daquele dia, quando pensei que só restava-me cacos do que um dia eu fora, que Atsushi veio.

Estava no terraço do prédio em que morava, foi enquanto olhava as estrelas e com as já costumeiras lágrimas em meus olhos que ele chegou. A princípio, ambos ficamos em silêncio, pois eu sabia que de todos os meus amigos, a única pessoa que compreendia a dor de perder todos esses momentos era o arroxeado, mas não conseguia compreender como ele aceitou tão bem toda aquela impotência que transpassava meu corpo.

Murasakibara, antes de vir aos Estados Unidos meses antes de mim, estava muito feliz no Japão junto da namorada e ansiosamente esperavam pelo filho dos dois, porém uma fatalidade aconteceu e após uma queda, ele perdeu o filho. A namorada, muito abalada com todo o acontecimento, entrou em depressão profunda e depois de um tempo desaparecer sem deixar rastros. Também muito afetado pela tristeza da perda, o arroxeado decidiu aceitar a proposta antes recusada para jogar nos Estados Unidos. Ao seu país só voltou algumas vezes para ver a família, mas nunca mais sentiu-se bem ao estar no mesmo lugar de sua triste história.

— Sabe, os primeiros dias são os mais difíceis, você sente que nunca mais vai ser inteiro e que sempre faltará uma parte — começou ele com uma seriedade anormal para si — Não vou mentir, essa dor nunca te deixa e quando você deita em sua cama a noite, mesmo sem querer seus pensamentos te levam a um lugar que devia permanecer esquecido no tempo. Você pensa nos sorrisos que nunca vai ver, nas brincadeiras que se perderam antes mesmo de terem chance de viver. É como se arrancassem uma parte sua por minuto e as lágrimas ganham de qualquer força que você possa ter — virei-me para ele. Atsushi estava escondido pela escuridão da noite, mas o pouco que pude ver de sua expressão, consegui notar a mesma solidão que tomava a mim — Então você começa a procurar por maneiras de se ocupar até o último segundo possível, apenas para que a noite você simplesmente entregue-se a escuridão, mas então os sonhos começam. Você está em uma sala escura e não consegue escutar nada, mas a dor vem junto a solidão e começa a te cobrir, esmagar e chega um momento que ao não aguentar você começa a correr. Você corre tanto que suas pernas doem e mesmo assim você não consegue fugir.

Olhei para meu amigo, notando só agora que por todos esses anos ele vinha lutando sozinho contra os mesmo sentimentos que estavam destruindo-me agora. Eu sou um péssimo amigo.

— Depois de muito tempo, eles param, não sei como ou porquê, acho que provavelmente ele nota que você está enfim aceitando a realidade. Então comecei a me perguntar como ele seria, se seria uma menina ou um menino, gostaria de saber se amaria o basquete tanto quanto eu ou se iria preferir os livros como a mãe. Comecei a pensar nas coisas que teríamos feito e de alguma maneira a dor foi diminuindo. Ela ainda está lá, sei que se procurar rapidamente dentro de mim vou encontrá-la facilmente, mas agora aceito minha realidade e convivo com ela assim como sei que Sakychin deve fazer seja lá onde esteja.

Vi as lágrimas deixarem-no da mesma maneira que me abandonaram durante as últimas horas. Atsushi sempre viveu sozinho, mas como sempre parecia feliz todos acharam que ele estava feliz com sua vida e a perda já houvesse sido esquecida.

— O que quer dizer com isso Atsushi? Está me dizendo para esquecer tudo e deixar pra lá? — perguntei enquanto meus olhos voltavam para o céu. Eu seria capaz de simplesmente esquecer toda essa dor? Não, nunca — Eu não sou assim.

— Eu sei — respondeu ele calmamente enquanto virava-se para a noite estrelada, com os olhos perdidos em meio ao brilho da noite — Estou pedindo que tenha calma — ao dizer isso ele deixou-me sozinho com meus próprios pensamentos, mas antes soltou uma frase que reverberou por meus pensamentos durante todos os dias que se sucederam — Lembre-se Akachin, o seu luto vai passar mais rápido do que pode imaginar.

Uma mensagem que ficou comigo. Era verdade, o meu “luto” era apenas passageiro, mas o dele jamais apagaria-se, então nesse momento percebi que apenas chorar não valeria de nada.

No segundo dia, já bem melhor e enfim livre das malditas lágrimas que haviam me consumido, decidi pensar com calma os próximos passos. Não queria chegar no Japão de uma hora para a outra e causar um alvoroço na vida de Tora, queria primeiro saber quem ela era, saber seus gostos e a melhor maneira de me aproximar.

Após o almoço, já bem cansado de imaginar uma maneira menos abrupta de ocupar o lugar que era meu por direito, decidi descansar a mente lendo um pouco. Um pouco depois, enquanto estava sentado em uma das poltronas da pequena biblioteca que havia montado, que Midorima veio juntar-se a mim. Ele pegou um livro qualquer da estante e sentou-se perto de mim e começou a ler. De alguma maneira, compreendi que ele estava fazendo tudo aquilo apenas para não deixar-me solitário, mesmo que não trocássemos palavras, sua companhia já passava o conforto necessário que precisava. Passamos a tarde inteira lendo em silêncio.

Quando o sol estava começando a se pôr, percebi que Midorima não apenas estava fazendo aquilo para me confortar, mas também para mostrar que eu não estava sozinho e que se quisesse, todos ali estavam dispostos a ajudar-me. Decidi que aceitaria a ajuda.

— Midorima — chamei sua atenção, vendo-o levantar os olhos para mim desinteressado — Sinto que preciso ir ao Japão para conhecer Tora, mas também sei que não quero assustá-la chegando de repente em sua vida. Tem algum conselho que possa me ajudar? — ele olhou novamente para mim e abaixou o livro que lia, em seu rosto um sorriso cheio de malícia me foi oferecido.

— Nunca pensei que viveria para ouvir Akashi Seijuro pedir os meus conselhos — disse ele enquanto seu sorriso idiota apenas aumentava. Fechei a cara e estava pronto para levantar quando ele voltou a falar — Sinceramente, acho essa história um grande caos, mas entendo a sua dor. Na minha opinião, você deve primeiro falar com a mãe dela, entender os motivos dela. Pelo que Kagami contou-nos, vocês dois se gostavam bastante, dúvido que ela faria algo do gênero com você sem nenhum motivo.

Ele sorriu novamente ao ver que fiquei nervoso com a menção de Ari. Eu não queria ver aquela mulher nunca mais, garantiria isso tirando minha filha dela.

— Seu idiota, eu sei exatamente o que está pensando e te garanto que vai apenas piorar tudo — ele olhou-me sério e senti que seus olhos verdes me analisavam por inteiro, trazendo junto um grande desconforto — Se tirar a menina da mãe, que é a única família que ela conheceu, provavelmente vai começar fazendo a sua filha te odiar. Você tem que ir com calma e se pretende mesmo ocupar o seu lugar como pai dela, primeiro terá que aceitar a convivência com a mãe dela.

Suspirei resignado, entendo pelo menos em parte o que estava sendo dito. Não queria tornar as coisas mais difíceis do que já estavam — Então vou ter que aturar a mãe, mas como posso me aproximar de Tora sem assustá-la? Qualquer jovem na idade dela é difícil de lidar e ela deve me odiar por nunca estar com ela — desabafei meus maiores medos.

— Peça ajuda a mãe dela. Essa mulher já mandou uma carta contando sobre a filha, parece estar dispostas a unir vocês dois, então talvez seja uma boa ideia aliar-se à ela.

Irritei-me e levantei bruscamente, mas logo entendi que aquilo parecia realmente ser o mais sábio a se fazer. Decidido a colocar fim em meu sofrimento corri para o computador e comprei uma passagem para o Japão, partiria no fim da semana e faria de acordo com os conselhos de meu amigo.

— O que está fazendo? — Kagami surgiu atrás de mim e apenas viu eu finalizar a compra — Parece que tomou juízo hein? Acho bom comprar a minha também e de Murasakibara, decidimos te acompanhar por ora, os outros vão terminar algumas coisas pendentes aqui e depois vão ir também — o ruivo disse enquanto colocava a mão no meu ombro e sorria em apoio. Por um momento, quase chorei ao perceber que todos eles estavam dispostos a me ajudar nesta fase, mas segurei aquelas malditas lágrimas.

Nos próximos dias, tanto Kagami quanto Aomine e Kise tentavam distrair-me da ansiedade que tomará conta de mim. Chamando para jogar pequenas partidas de basquete ou até mesmo invadindo meu quarto a todo momento. Fiquei sabendo só depois que todos pretendiam permanecer no nosso apartamento até que eu partisse para o Japão e que iriam assim que possível .

Agora, enquanto o avião pousa no Aeroporto Internacional Japonês, com Kagami sentado ao meu lado e Murasakibara no banco ao lado do dele, sei que estou pronto para enfrentar as adversidades que estão vindo. Com a cabeça mais fria e bem mais relaxado, estou pronto para ir atrás de Ari amanhã e quem sabe até mesmo conhecer a minha filha, nem mesmo que seja apenas por vista.


Notas Finais


Bom, espero que tenham gostado e até o próximo pessoal.
Beijos da Luna-chan U_U


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