História Aparências - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 6
Palavras 1.658
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpem a demora, fiquei sem internet esses dias. Bom aqui está o capítulo. Tenho uma previsão para 10 capítulos, mas acho que vou terminar a história antes porque estou começando outra. Aproveitem!

Capítulo 3 - Vingança


No dia seguinte aos sorvetes, eu estava apreensivo. Saber que eu iria encontrar Nathan e perceber que ele já não era mais um estranho faziam meu estômago congelar. No fundo, eu queria que as horas passassem o mais devagar possível, para que eu tivesse tempo de sentir coragem o suficiente para vê-lo de novo. Pensei se ele estaria me esperando no portão, mas ele era muito cool para fazer isso.

Enfim, tomei coragem e corri – literalmente – até a escola com o coração palpitando de ansiedade.

Ele não estava no portão, o que foi um alívio. Mas poderia estar nos corredores ou na porta da diretoria que infelizmente ficava logo perto da entrada.

Passei correndo pela diretoria e fui chegando cada vez mais perto da minha sala. Meus amigos estavam parados do lado de fora, o que significava que o professor ainda não tinha chegado. Parei para tomar ar e abri um sorriso de alívio.

“Tá fugindo da polícia, Pablo?”, uma garota de cabelos ruivos disse com sarcasmo.

“Não.” Eu entrei na sala e pus a minha bolsa na mesa perto da porta. Aquele era o meu lugar. Sentei e olhei o relógio. 7:38. Mais dois minutos e eu não estaria ali. Coloquei a cabeça sobre a minha mesa para tentar relaxar. Foi quando ouvi a voz:

“Que bom que você chegou.”

Eu levantei imediatamente e vi ele parado ali com um sorriso tão natural.

“Nathan. Oi.”

“Quer uma barrinha? Sempre trago um dessa.”

Peguei a barrinha de cereal da mão gelada dele. Estava fazendo um pouco de frio.

“Obrigado... Que frio, não é?”

“Eu gosto do frio. Mas eu não dispensaria um bom casaco. Passei aqui para dar um oi apenas. Se você quiser conversar durante o intervalo eu estarei no lugar de sempre.”

“Entendi.”

Ele balançou a cabeça e saiu. Ele não mudou de foco em nenhum momento. Os olhos dele encontraram os meus e ali ficaram. Sua expressão tinha ido de alegre e convidativa para séria.

Meus pensamentos foram interrompidos pela entrada do professor, se desculpando pelo atraso.

Na hora do intervalo, eu não sabia para onde ir. Antigamente eu ia para a biblioteca, o meu porto seguro. Mas hoje eu estava pensando em fazer algo diferente. Cheguei à cantina e lá estava Nathan, comendo seu lance em silêncio. Nada estranho.

Quando ele me viu, imediatamente fez um sinal para que eu sentasse. Fiz o que ele pediu.

“Olá, Pablo.”

“Oi... Nathan...”

“Qual é a boa?”

“Ah...”

Nesse momento fomos interrompidos pela professora de ginástica. Eu a odeio. Ela passou tentando forçar um sorriso.

“Bom dia”, ela disse.

Nós dois não respondemos, eu apenas virei o rosto pro outro lado. Nathan sequer olhou para ela.

“Eu a odeio.”

Ele levantou as sobrancelhas.

“Nossa. Por quê?”

“Aconteceram umas coisas no primeiro semestre que eu prefiro não lembrar. Não aqui.”

“Tudo bem, pode me contar depois se quiser.” Ele disse, ainda mastigando um pedaço de sanduíche.

“Obrigado.”

O dia passou bem. O nervosismo que eu sentia tinha passado e para ser sincero quase não vi as horas voarem. Tive conversas agradáveis com Nathan durante os intervalos. Ele realmente era involvente. Ele me convidou para ir à casa dele à noite, só que não aceitei porque tinha um trabalho importante para o dia seguinte que eu tinha que terminar. Me despedi dele na frente da escola, só que ele foi para a casa dele a pé dessa vez. Nada que fosse da minha conta.

Coloquei meus fones de ouvido e andei com pressa enquanto cantava baixinho: “Making my way downtown, walking fast, faces past and I’m home bound...”

No meio do caminho, quando ia passando em frente ao supermercado, tive um encontrão com uma garota da minha sala.

“Desculpe”, eu disse.

“Com essa fone de ouvido, parece que você está em outro planeta”, ela disse com sarcasmo.

“Ah, Sam”, eu dei um leve tapinha nas costas dela.

“Eu vi você conversando com aquele menino novo.”

“E daí?”, eu retruquei com indiferença. Eu já sabia o que viria a seguir.

“Dizem que aquele menino é um bandido ou algo assim.”

“Por favor, né, Sam? Às vezes vocês se superam. Ele é super legal. Vocês é que não deram chance de ele se aproximar.”

“Eu nem tenho interesse de me aproximar mesmo”, ela continuou com seriedade. “A gente ficou sabendo que ele bateu em um menino do segundo ano. O pior é que ele pareceu nem se importar com isso.”

“Olha, eu não vou me envolver nessa tal briga deles. Eles que se resolvam. Mas no que diz respeito a mim, ele até agora foi legal.”

Sam jogou os cabelos negros e lisos para trás com um movimento gracioso.

“Vamos ver até quando.”

“Cuida da sua vida, Sam.”

Eu acenei um tchau para ela enquanto continuava meu caminho. No restante que faltava até eu chegar em casa, até esqueci de por os fones de volta e continuar ouvindo música. Eu realmente não queria dar atenção ao que Sam tinha me dito, mas eu fiquei com uma pulga atrás da orelha depois da nossa breve conversa. Tanto que ao tentar abrir o portão da minha casa, só percebi que ele estava trancado uns cinco minutos depois. Que mico.

A noite estava fria. O vento soprava com agressividade de quando em quando, eu sentia que uma chuva estava por vir. Mas ela não veio. Fechei todas as janelas e encostei a porta para começar o meu trabalho.

Espalhei meus materiais pela mesa da sala e peguei as canetas hidrocor. Metade do cartaz já estava feito. Desenhos e fotos sobre a Guerra Fria. Respirei fundo e coloquei a mão na massa. Afinal o trabalho não iria se completar sozinho.

Meu celular estava na outra ponta da mesa, perto da parede. Quando eu estava terminando o cartaz, o celular tocou.

“Ah, não eu vou terminar isso antes.”

Estiquei o corpo para ver quem ligava. Era Nathan. Terminei de confeccionar o cartaz e agarrei meu celular, me jogando exausto na cadeira.

“Oi.”

“Oi, Pablo”, sua voz era macia e tranquila. “Como está a sua noite?”

“Tediosa. Acabei de terminar o trabalho para amanhã.”

“Oh, que bom.”

“Você não tem trabalho?”

“Não, eu já fiz tudo ontem.”

“Ontem? O trabalho da semana inteira?”

“Sim”, ele riu. “Eu sou muito perfeccionista. Não consigo deixar nada para a última hora.”

“Eu queria ser como você.”

“É... não, por favor, não queira.”

Fizemos uma pausa. Minha mente tinha tido praticamente um blecaute porque de repente eu não sabia mais o que falar.

“Ótimo!”, eu disse e me arrependi prontamente. Eu precisava aprender a usar as palavras corretamente. “A gente se vê amanhã?”

“Sim, claro. Aliás, não quer me contar sobre aquela... professora?”

“Seria melhor pessoalmente.”

“Ainda são oito da noite. Eu posso te pegar na sua casa e te levar a algum lugar tranquilo.”

“Tipo a praça?”

“Sim! Prometo que te trago de volta cedo para que seus pais não fiquem bravinhos.”

“Ah, cala a boca”, eu ri. “Tudo bem, pode vir me buscar.”

Desliguei a ligação e olhei para a parede. Não exatamente para a parede, mas além dela. Comecei a devanear, me perder em pensamentos. Nós nos aproximamos rápidos demais. Isso era ruim?

Saltei da cadeira e comecei a arrumar tudo antes que Nathan chegasse. Eu estava excitado para encontrá-lo de novo. Eu me apego demais às pessoas.

A praça estava ficando vazia. Na minha cidade geralmente às oito da noite as pessoas costumam ir para casa porque existe a crença de que um ‘tarado’ estaria à solta abusando e flertando com todos. Mas esse tal tarado nunca de fato apareceu, então até ser provado que ele existe, eu não tenho medo.

Apenas uns casais ficavam na praça. Para namorar, dar uns beijinhos. E comecei a me imaginar fazendo o mesmo com Nathan. Sonhei tão alto que dessa vez até podia sentir seu perfume. Mas esse aroma não era só imaginação. Nathan realmente estava perfumado, um aroma tão agradável e suave que eu quase pulei no colo dele para cheirá-lo. Felizmente não fiz isso.

“Aqui estamos”, ele disse.

“Então... O que vou contar pra você, ninguém aqui sabe... só eu, a professora, a diretora e os meus pais...”

Por uma injustiça, a maldita professora me acusou para a diretora e fui suspenso por três dias. Nos dias que sucederam a minha suspensão, a minha turma começou a se perguntar porque eu não ia para a escola, só que o motivo nunca foi revelado para ninguém. Os rumores começaram a surgir e todos sabem como as pessoas podem ser maldosas quando se trata disso.

Eu nunca consegui provar a minha inocência. Os meses passaram e eu consegui superar o trauma e os rumores, mas nunca mais consegui olhar na cara daquela desgraçada da professora. O pior é que ela tinha duas aulas durante a semana com a minha turma, então eu tinha que fingir que estava tudo bem.

Mas não estava.

“Isso é bem intenso”, Nathan disse sem tirar olhar de mim.

“Se eu pudesse me vingar...”

“Às vezes isso não é bom. Acredite.”

“Desculpa, é que... Eu nem sei porque eu estou contando isso. Acho que eu só queria desabafar.”

“Você pode confiar em mim. Eu sei que eu não passei a melhor das impressões mas eu gosto de saber que as pessoas confiam em mim e não me julgam pela aparência e minhas atitudes.”

“Você é bonito.”

“Não assim... É que eu sei que já espalharam rumores sobre mim. Sobre aquele garoto que eu bati, não é? Eu não me importo. Mas não aceito que me julguem sem me conhecer. Eu sempre tenho um motivo para tudo o que faço. Não bati naquele menino por nada.”

“Então por que bateu nele?”

“Isso é uma história complicada. Agora o foco aqui é saber o que você pretende fazer. Ainda quer se vingar?”

Ele estava tão sério que estava me assustando. O olhar dele demandava uma resposta.

“Sim.”

“Então, acho que sei o que fazer...”



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