História Apartamento 172 - Fillie - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Stranger Things
Tags Cadie, Fillie
Visualizações 258
Palavras 2.506
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Mais verdadeiro, mais bonito


Eram tantas sacolas da minha mão que eu quase não dava conta. Sadie se enrola e tropeça em uma delas a cada minuto.

- Não devíamos nem ter passado na frente no shopping -ela murmura, arrumando uma delas na parte interna do cotovelo.

- Foi ideia sua, nem vem -organizo as minhas no chão do elevador, esperando ele abrir no nosso andar.

- A Iris não apareceu à toa na lanchonete -ela bufa, parecendo estar com raiva.- Clary e ela são umas filhas da...

- Ei ei ei -levanto o dedo no ar, tengando ter autoridade.- Ela é a namorada do Finn e estava com ciúmes. Não vou mais chegar perto dele. Resolvido.

Na verdade, o que eu queria falar estava mais para um: Iris é a namorada vadia do Finn, que por acaso não tem nada de bom gosto e que não me contou absolutamente nada sobre ela, e agora quero a maior distância possível dos dois, mais especialmente dele.

- Okay, mas -Sadie pega um sacola que caiu enquanto eu pego as minhas.- Depois que saímos da lanchonete você ficou um pouco distante.

Ela tem razão. Não contei a ela o que aconteceu nesse exato elevador, algumas horas antes. Noah foi econtrar Caleb para começar a distraí-lo desde hoje, e eu e Sadie saímos pela cidade. Juro ter tentado não transparecer nenhum tipo de sentimento quanto ao que Iris disse. Mas é impossível. Finn colocou algo fora do lugar dentro de mim.

- Te digo o porquê quando chegarmos no aparta...

A porta do elevador abre com um bip, e dou de cara com Gaten e Finn. Sadie sorri para os dois e passa com a sacola. Eu encaro Finn. Ele não sorri.

- Sua namorada já te contou do barraco na lanchonete?

- Eu sabia que ela ia fazer alguma coisa, eu avisei você -Gaten fala, arrumando o boné na cabeça.

Finn sequer abre a boca. Pego minhas sacolas com mais insistência.

- Vamos, Milly -Sadie me chama no meio do corredor, fazendo direção à sua porta com a cabeça.

Desvio o olhar de Finn e de Gaten, indo para o lado. Tento ser o mais rápida possível, mas Finn é melhor do que eu. Ele me barra segurando meu braço, e se inclina para mim. O ar começa a me fazer falta.

- Me encontre na praia, amanhã de manhã. -as palavras dele são apenas para que eu ouça. Saem sussurradas, um sopro. Me arrepiam.

- Por que eu deveria? -indago na mesma intensidade. Também vejo os pêlos de sua nuca eriçarem.

- Justamente. Você não deve ir.

Ele me larga e entra no elevador. Um dia ele ainda me vai fazer perder o juízo.

- O que foi aquilo? -Sadie me pergunta, pegando a chave do bolso da calça jeans e abrindo a porta. Olho um pouco mais para frente, em uma porta onde o número colado é 172.

Não, Millie. Não.

Entro com Sadie e ela fecha a porta, deixando as sacolas contra a parede. Puxo a cadeira no balcão e me sento.

- Finn quase me beijou no elevador hoje de manhã.

- É o quê? -minha amiga dá a volta no balcão e senta na cadeira em frente a mim.- Millie, me explica isso direito.

Acho que comecei a ficar vermelha.

- Iris estava na boate ontem à noite enquanto eu dançava com o Finn -balanço a perna debaixo da mesa, mordendo o lábio. Um pouco de ódio se mistura ao meu rubor.- Os dois se viram.

- Não enrola não, minha filha -ela estala os dedos, pedindo rapidez.

- Ele ficou estranho depois disso. Hoje de manhã agiu tão normal que eu estranhei, e foi aí que aconteceu.

- Aconteceu o quê?

- O que eu te contei!

- Quero detalhes, Milly.

Quase bato a cabeça na mesa. Eu e Sadie conversamos todos os dias por mensagens, mas tinha esquecido o quanto ela era minimalista e gostava de ter todas as respostas possíveis na palma da mão.

Não queria reviver esse momento. Não posso. Por mais que seja bom.

A luz do sol da tarde entra pela grande janela, fazendo tudo ficar com um ar angelical. Minha raiva não é angelical.

- Ele perguntou pelo quê eu estava atrasada. Na verdade eu estava sim, mas só queria fugir dele. -reinicio, batendo os dedos no balcão.- Ele me prensou no elevador. Foi nessa parte.

Sadie tapa a boca, a mesma expressão surpresa de Noah na lanchonete quando ficou sabendo sobre Caleb e ela. A ruiva ainda me deve algumas explicações quanto a isso.

- Finn e Iris namoram há quase meio ano, Millie -ela diz, baixando o olhar.

- E por que não me contou?

- Não achei que ele traísse a Iris.

Eu sei que ia falar alguma coisa, mas a frase simplesmente se perdeu na minha cabeça e virou nada. Traição. Não gosto dessa palavra.

Um milhão de coisas começa a passar pela minha cabeça. Será que Finn fez isso outras vezes? Será que não fui a única? Iris sabe dessas coisas? Por que justo eu?

- Desculpa. -ela pede, estendendo a mão para mim.

A completo com a minha, forçando um sorriso.

- Não tem o que se desculpar -eu digo.- Espero que os dois estejam felizes.

Sadie sorri e assente.

Enquanto guardávamos as roupas que compramos, ela me explicou um pouco mais sobre seu status com Caleb. Admito que eles são um bom casal. Ela parece gostar dele de verdade, e ele também.

Deixamos em cabides separados um biquíni e um vestido solto para a festa surpresa de Caleb. Quando estávamos saindo do quarto para jantar, me dou conta de que estava faltando alguma coisa.

Volto para a minha mala, onde logo de cara vejo uma tanga preta com um biquíni da mesma cor. Algo em mim grita para que eu não o deixe separado, mas a parte que grita sim me convence. Ele não é tão novo, mas serve.

Me parece bom para uma manhã na praia.

{...}

Já era a décima primeira concha que eu recolhia da beira do mar quando ouvi alguém correndo na areia molhada, atrás de mim.

Finn chega rápido, nem sorrindo e nem sério. É um meio termo bem apropriado para agora, porque meu sorriso também é contido.

- Achei que você não viria -ele diz, batendo a camiseta preta contra o peito por causa do calor.- Temos que conversar.

- Na real, eu ainda não sei por que vim -doude ombros, limpando a areia das conchas pequenas com a mão.- Mas é verdade. Temos que conversar.

Um silêncio se instala entre nós. Nenhum dos dois quer começar a conversa. O que dizer? Finn não vai admitir logo de cara que é um mentiroso, e eu não vou dizer que fiquei ressentida com essa história dele e da Iris. Muito menos a atração que claramente está nos unindo agora terá um espaço no diálogo.

- Como você ficou sabendo sobre a Iris?

Percebi que ele andava e fincava os pés na areia por diversão. Nunca me olhava.

- Noah devia ter te contado do barraco que ela fez por sua causa.

- Pfff -ele ri, passando os dedos pelo cabelo ao levantar a cabeça.- Essa menina é ridícula.

Franzo o cenho na mesma hora.

- Você chama sua namorada de ridícula?

Ele mantém as duas mãos unidas atrás da cabeça, como que tentando relaxar o corpo.

- Iris acha que ainda namora comigo. Eu terminei com ela há quase um mês e meio.

É como se estivessem atirando e uma das balas acertasse meu peito em cheio.

- Mas por quê...

- Aquela garota tem algum tipo de obsessão em ser minha pra sempre -ele revira os olhos, deixando as mãos caírem ao lado do corpo.- Ela não suportou quando terminamos e colocou na cabeça que vamos namorar, casar, ter dois filhos, animais de estimação em uma casa aconchegante no interior do país.

Deixo escapar um riso, o contendo com a mão na boca. Finn faz o mesmo.

- Isso é tão clichê.

- Iris é clichê. Não aguento mais ela na minha cola.

Quando nossas expressões divertidas desaparecem, resta o silêncio outra vez. Percebi que deixei as conchas caírem enquanto andávamos. Meus pés agora são pura areia e água.

- Se é essa a história, por que agiu daquele jeito na boate? -pergunto, fazendo o máximo para encará-lo enquanto ando.

O sol ilumina o rosto dele, amarelado, o deixando mais verdadeiro. Mais bonito, também.

- Não que eu tenha medo dela, eu só... Não me sinto bem quando ela está perto. Ela é obsessiva. Do que tenho medo é o que ela pode fazer a outras pessoas.

Ele fala isso olhando nos meus olhos pela primeira vez hoje. O calor de sua encarada se mistura com o do sol, me fazendo esquentar por dentro.

- Então foi por minha causa?

Finn para. Freio minha caminhada junto com ele, me virando de frente. Uma onda bate contra nossas canelas.

- Foi por minha causa?

Não respondo. Ele também não vai responder à minha.

Ameaço andar e tomar frente na caminhada, mas ele coloca a mão no meu ombro. Uma corrente elétrica atravessa a região onde ele me toca.

- Não vai dizer que não sente algo quando estamos juntos -Finn sorri, esticando o outro braço e tocando meu outro ombro.- Se eu fosse você, não mentiria para si mesma. Eu não estou mentindo.

- Quem disse que eu estou?

- Millie, por favor.

Já disse que odeio Finn Wolfhard hoje? Ele conseguiu me ler inteira em apenas dois dias.

- Tá, tudo bem. E o que você quer que eu faça quanto a...

Finn me puxa pela cintura e deixa uma das mãos por lá, subindo a outra até minha bochecha. Ele inclina a cabeça na direção da minha. Meu coração bate forte em expectativa.

A boca dele beija o canto da minha, mais na bochecha do que nos lábios. Só isso já me deixa mole, como se a qualquer momento eu fosse derreter nos braços dele.

- O que acha de uma passada no meu apartamento depois da festinha pro Caleb? -ele sugere contra a minha bochecha.- Podemos fazer essa atração valer a pena, não acha?

Sem perceber, comecei a sorrir maliciosamente. Nada mais existiu naquele momento. Quando foi que fiquei desse jeito?

Acho que não tenho mais medo de onde Finn pode me levar.

- Quem sabe? -respondo, o colocando alguns passos atrás de mim. Saio andando na frente, fazendo um coque no cabelo. Sei que ele me olhou de cima a baixo.

Nada de garotos. Essa frase começou a não fazer mais tanto sentido.

{...}

Gaten: pessoal, eu e Finn já estamos descendo

Finn: descendo é o caralho, você nem tomou banho ainda cara

Noah: esse é pior que a Sadie, pelo amor de Deus

Eu: será que o Caleb sabe que ela é tão enrolada assim?

Sadie, que estava sentada na cadeira da minha frente na área da piscina lendo a conversa em grupo, me joga uma latinha de cerveja. Mando um beijo no ar pra ela.

Sadie: isso é calúnia, não aceito

Eu: Noah, e Caleb? Acreditou na história de conversar com o Finn?

Noah: acreditou sim, achou que tinha a ver com algum assunto escolar

Finn: como se eu ligasse pra alguma coisa daquele colégio

Eu: rebeldão você hein

Finn: apenas verdades, minha flor

Sadie: SHIPPEI

Gaten: HMMMM JÁ TÁ ATÉ CHAMANDO DE MINHA FLOR

Finn: VAI TOMAR BANHO LOGO E PARA DE FAZER HORA NO BANHEIRO GATEN

Noah: Caleb chegou, e pelo amor, alguém faz o Gaten descer logo

- Desde quando essa história com o Finn, Milly? E o que você me disse ontem de tarde? -Sadie indaga, arrumando algumas latinhas e garrafas na beirada da piscina.

- É uma história um pouco longa -falo, me levantando da cadeira para ajudá-la.- Depois te conto.

Ela assente, com um sorriso bobo no rosto. Garanto que ela não vê a hora de encontrar com Caleb.

Finn e Gaten finalmente desceram depois de uns vinte minutos, sendo o Gaten mais cheiroso do que nunca. Ele deve ter entrado no frasco de perfume. Finn me dá um abraço. Estávamos sem nos ver desde de manhã.

- Isso tudo é saudade?

- Acho que você está delirando.

Ele ri, ajeitando o boné preto sobre os cachos. Resisto contra a tentação de tocar neles.

- Pudim é a melhor coisa -Gaten murmura, colocando o pudim com uma vela de 19 anos em cima sobre uma mesa.

- Melhor do que bolo, tenho que concordar -falo, me aproximando daquela delícia.

- Millie, só mais um pouco e você mata a fome -Sadie brinca, me lançando uma piscadela.

Noah chegou pouco tempo depois. Finn foi até Caleb para dar mais veracidade ao nosso plano. E realmente aconteceu.

- Parabéns, Caleb!

Ele fez cara de espanto depois do nosso couro. Estava sem reação depois de descobrir da surpresa.

- Vocês me enrolaram mesmo! -ele diz, abraçando Finn que dá seus parabéns partuculares a ele.

- A gente te conhece, Caleb -Gaten e Noah o abraçam juntos, quase o derrubando.

Mesmo ainda não sendo muito íntima, vou dar um abraço no aniversariante, desejando a ele tudo de bom.

- Finn está mesmo interessado em você -ele diz para que apenas eu possa ouvir.

- Como você pode ter certeza?

- Eu o conheço bem. -Caleb se separa do meu abraço.- Se eu fosse você, não deixaria ele à toa.

- Está dizendo que pegaria ele se não fosse hétero?

- Mas é claro -ele ri.- Um homão da porra desses, quem resiste?

Rio com ele, desviando meu olhar para o de Finn por um breve momento. Ele retribui com uma piscadela, e vai falar algo com Noah.

- Ei ei ei, não quero ninguém se comendo aqui em baixo -Gaten fala alto, chamando a atenção de Sadie e Caleb. Os dois estavam se engolindo há poucos segundos atrás.

- Deixa eles, Gaten -eu intervenho.- Adoro uma cena mais quente ao vivo.

- Bom saber! -Finn grita atrás de mim, provocando risos de todos.

Cantamos parabéns. Não sobrou nada do pudim, sendo a maioria nova moradia do estômago de Gaten e no meu. Até que não bebemos tanto assim. Mas daqui a pouco as coisas vão ficar melhores, e eu estou sentindo.

- Companhia?

Finn se senta ao meu lado na piscina. Suas canelas estavam descobertas por uma bermuda camuflada.

- A sua? Não faço muita questão. -faço uma careta.

Finn emburra a cara.

- É mesmo? Então...

Ele coloca a mão nas minhas costas e saio da borda, caindo de cara na água. Retorno à superfície e jogo água no colo dele.

- Idiota! -jogo mais água nele, deixando a borda ao seu redor encharcada. Finn só sabe desviar e rir da minha raiva.

Ele tira a camisa e entra na água também, me fazendo passar um calafrio pela espinha. Está escuro. Não consigo ver direito o fundo da piscina e...

- BU!

Dou um salto pra trás, encostando minhas costas no peito dele. Penso em sair dali ao me dar conta do quanto é errado. Mas ele me segura.

Finn não vai me deixar ir tão cedo.

Eu mesma me viro de frente, dando dois mini-socos no peitoral dele. Finn é magro, mas não deixa de ser atraente.

- Assustou, minha florzinha?

- Você não presta, Finn.

O vejo sorrir, e eu também. Tenho a impressão de que a cena seguinte já ocorreu.

Ele diminui o sorriso. Forte, médio, fraco. Sua expressão se torna séria, como a minha agora. Suas mãos me apertam debaixo da água, e uma delas sobe até meu pescoço. Seus olhos vão até minha boca.

- Finn!

Nos separamos pelo susto, não muito, pois a água não permite movimentos rápidos e bruscos. Só sei que, quando vi aquele cabelo loiro, minhas mãos coçam para arrancar fio por fio.

Iris.



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